terça-feira, 5 de novembro de 2024

 E a família, como está? Tt 2.1-8 

Introdução

“Tu, porém”. Nos versículos anteriores do capitulo 1, o apostolo Paulo descreveu os falsos profetas como detestáveis, desobedientes e incapazes de qualquer boa obra (Tt 1.16). A mesma coisa, o apostolo faz com o jovem Timóteo, sempre lhe incentivando a nadar contra a correnteza de um mundo sem Deus “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste...” (2 Tm 3.14). E o apostolo exorta que Tito que “fale o que convém a sã doutrina” (Tt 2.1). 

A palavra “sã doutrina” no grego é “higiene” e se refere ao que é “saudável”, ao que é bom. Ele escreve na verdade “Que seu ensino seja puro, benéfico e doador de vida. Que a pureza do seu ensinamento desinfete o que foi contaminado e, então, estimule o crescimento saudável”. Isto é, diante de ensinamentos deturpados, corrompidos, midiáticos, ensine o que é saudável, o que é bom, o que eleva a família, o que ajuda os maridos, as esposas, as moças, os jovens, etc. 

1)     Homens da família

“Quantos aos homens mais velhos...” Na vida, quanto mais o tempo passa adquirimos sabedoria, no entanto, muitos recusam à maturidade, ao crescimento e se tornam críticos, cínicos, mal-humorados e até mesmo preguiçosos. No entanto, Moisés, começou os quarenta anos mais produtivos de sua vida aos 80 anos, libertando o povo de Israel da escravidão. E Calebe? Conquistou o território de Hebrom com 85 anos, dizendo: Primeiro ele diz: “E ainda hoje estou tão forte como no dia em que Moispes me enviou; qual era minha força, tal é agora a minha força” (Js 14.11) Depois ele diz: “dá-me este monte de que o Senhor falou aquele dia” (Js 14.12). 

O apostolo Paulo cita seis qualidades de homens mais velhos: “Equilibrado” ou “moderado”, isto é, é aquele que evita extravagancias e indulgencias demais em qualquer área da vida. A ideia é se livrar da dependência de coias que lhe faz mal. “Respeitáveis” ou “dignos de respeito”. Vem de uma palavra que se refere em geral às pessoas ou coisas que são majestosas. Negativamente, o termo significa se tornar trivial, entediante ou superficial. Positivamente, uma pessoa respeitável e digna de respeito.

“sóbrios” ou “sensatos”. Os cretenses eram definidos: “Cretenses, sempre mentirosos, feras malignas, glutões preguiçosos” (Tt 1.12). Ser “sóbrio”, contudo, é ser “moderado”, “prudente”, “modesto”, “comedido”, “disciplinado”. Trata-se de quem mede suas palavras, seus gestos, suas ações e suas reações. 

sadios na fé”. É a crença em Cristo como Salvador e Senhor e se estende para cada aspecto da vida. “No amor”, grego é ágape, como foco no próximo, na comunhão com o nosso próximo. “Na paciência”, “constância”, ou “perseverança”, que suporta a tribulação e depois “...produz um caráter aprovado, esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espirito Santo que nos foi dado” (Rm 5.5).

2)     As mulheres

“Ensine as mulheres mais velhas...”. O uso da expressão “de igual modo” ou “semelhantemente” sugere que as qualidades deles fazem paralelo com as dos homens mais velhos. Então, vejamos: 


“Reverentes”sérias no seu viver”, a palavra que vem do grego é “adequada para o templo”. A ideia de reverente sugere que a pessoa, por sua conduta, demonstra que pertence a Deus e que a sua vida é reservada à adoração a ele. O apostolo Paulo confirma em 1 Coríntios: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espirito de Deus habita em vós” (1 Co 3.16).

“caluniadoras” é o termo do grego que traduz “diabolôs”. O mesmo usado para descrever Satanás como o acusador ou o adversário “...satan, o acusador, aproximou-se...” (Jó 1.6). As caluniadoras sempre levam uma história para contar sobre alguém, e sua informação, nunca eleva a reputação da pessoa na mente dos outros, mas humilha, difama a honra da outra pessoa.

O apostolo Tiago diz que a “língua é fogo...e pode contaminar a pessoa por inteiro...”. E vai mais longe: “...não somente põe completamente em chamas o curso da nossa existência, como acaba, ela mesma, incendiada pelo inferno” (Tg 3.6). O sábio Salomão é incisivo: “A morte e a vida estão no poder da língua” (Pv 18.21).

Nem escravizada a muito vinho”, que permanece perto do vinho, dependente. Mas “capazes de ensinar o que é bom”, sim o que edifica, o que eleva a alma humana, coisas espirituais. E termina afirmando: “...poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos e seus filhos” (Tt 2.4). 

3)     As mulheres novas

as mulheres mais novas a “serem mais sensatas e sensíveis” ao Espirito Santo. A sensatez e a sensibilidade são qualidades necessárias em uma sociedade totalmente ditada pelos tentáculos do diabo. O apostolo Paulo elenca setes qualidades observáveis:

Puras” vem da palavra grega “hagnos” que é traduzido de “santo”, que significa uma pessoa “piedosa”, “consagrada” e “separada”, ou totalmente consagrada a Deus. “Ocupadas em casa”, essa expressão não significa a mulher que pilota fogão, ou somente trabalha em casa. Mas, refere-se a mulher virtuosa de Provérbios 31: laboriosa, parceira do marido, competente, cuida dos filhos, engajada em cultivar o bem-estar de sua família e em construir um legado para a família! 

“Submissas ao marido”. Aqui, o apostolo Paulo, descreve uma relação simbiótica em que a liderança amorosa do marido é devotada a servir à esposa, em contrapartida, a esposa responde com submissão. Em Efésios vemos os dois princípios: “Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como ao Senhor” (Ef 5.22) E a contraparte do marido é: “Vós maridos, amai as vossas mulheres”. Portanto, sujeição da parte da mulher e amor da parte do marido! Para o casamento se manter de pé, a mulher deve estar atenta e vigilante e o esposo deve velar por amor. Paulo termina exortando: “A fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada” (Tt 2.5). 

4)     Os jovens

“De igual modo”, ou “da mesma maneira”. Como os jovens tendem a ser impetuosos e imprudentes (“moderados”), descontrolados em sua conduta, impulsivos e volúveis. O apostolo Paulo diz a verdade: “Tito, ajude a juventude a usar os freios na vida, sejam prudentes, tenham cuidado, vão devagar. Ajude a juventude a controlar sua língua, a controlar seu temperamento. Ajude a juventude a refrear sua ambição e a se purgar da ganancia... 

Mostre-lhes como dominar seus desejos e impulsos sexuais, como seguir a mente, em vez de seguir os instintos. Ensine-os a ser administradores responsáveis do dinheiro, em ser dizimista, em vez de dissipadores. E como será que Tito tinha de fazer isso?

Conclusão

Pelo exemplo!

Primeiro, o líder deve ser o padrão nas boas obras (Tt 2.7). Ele ensina não apenas com palavras, mas, sobretudo, com exemplo. Também, deve ser padrão no ensino da Palavra. O ensino tem que ser correto “integridade” (v.7). E “reverencia”, ensina, prega com temor, com humildade, sabendo que somos simplesmente um instrumento de Deus.

Usando “linguagem sadia e irrepreensível” (v.8). O púlpito é um lugar sério, não é um palco, para usar piadas e conversar inconvenientes e incompatíveis com a santidade da mensagem. E, assim, envergonharemos o adversário” e “não tendo nenhum mal a dizer de nós” (v.8). 


 

domingo, 3 de novembro de 2024

 É tempo de voltar  Lucas 15 

Introdução

Todas as parábolas de Lucas 15 falam do mesmo tema e retrata o amor de Deus. A ênfase em todas elas é: alegria de Deus de ver aquele que se perdeu voltando para os seus braços. O pastor achou a ovelha perdida, a mulher encontrou a dracma perdida e o filho perdido, foi achado. Deus sente alegria imensa quando o pecador volta-se para ele.

O filho prodigo sai da casa do pai, pede sua herança e, em seguida vai para uma terra distante e dissipa todos os seus bens, com os prazeres e mulheres. Então, acaba o dinheiro, uma fome abateu sobre aquela região e acha meio de sobreviver cuidando de porcos. Até que ele cai em si, lembra-se da casa do pai, da fartura, da bonança, de tudo. E volta para os braços do pai com um discurso pronto. E o pai lhe esperava, lhe aguardava e faz uma linda festa...

1)     Feliz inconscientemente na casa do Pai.

Ele tinha um pai, tinha família, irmão, uma casa, servos para servi-lo, ele tinha tudo...agora, ele tinha insatisfação. Nada lhe preenchia, nada que havia na casa do pai lhe satisfazia. Para ele a vida está pulsando do lado de fora da casa do Pai...nada do que tem aqui me dá satisfação.

E, mais: ingratidão. Tem tudo e nada lhe faz sentido. Porque um jovem se afasta da igreja? Por que um jovem vai experimentar cocaína, maconha ou até mesmo clack?

Também, injustiça. Eu quero minha herança antecipada, emocionalmente o pai já estava morto em seu coração. O que lhe interessava era o seu bem querer, era sua vida, seu prazer, seu narcisismo. No entanto, ele era feliz e não sabia disso!

2)     Infeliz inconscientemente.

Ele vai para um país distante, uma terra longínqua. Distante do pai, distante dos valores da família, distante do que aprendeu em casa, distante das cobranças. A liberdade se transformou em libertinagem, as facilidades da vida, as influencias, o status, as taças de prazeres, os banquetes com os amigos, o banquete do mundo, os amigos do boteco, as bebedeiras, banca as contas, etc. 


Totalmente mergulhado nas ondas caudalosas do pecado, do prazer.

Veja o rei Salomão, tentou se satisfazer com todas as realizações da vida: construções, vinhos, mulheres, realizações, fama, etc. Mas tudo lhe foi em vão, como correr atras do vento.

Mas um dia o dinheiro acabou, todos os amigos foram embora, vem uma fome terrível, seca e abateu todo aquela terra longínqua. Nisso, começou a passar necessidade e achou um emprego para cuidar de um chiqueiro de porcos. 

Veja a vida de um viciado em cocaína, veja a vida de um viciado em sexo, veja a vida de um viciado em bebidas, uma vida sem sentido...

O pecado prometo mundos e fundos, mas depois engana, depois lhe abandona nos cantos da cidade. O pecado lhe promete liberdade, mas lhe escraviza.

3)     Infeliz conscientemente

O dinheiro acabou, veio a fome, começa a passar necessidade. Aquilo que lhe era abominável, humilhante ele tem que fazer: cuidar dos porcos. Ele chega no fundo do poço, caído, sem esperança, sem consolo, com vontade de comer da comida dos porcos. 

E agora? O que vou fazer? Será que não é melhor eu acabar com a minha vida? Até que se lembra da casa do Pai. E, lembra-se, que até mesmo os trabalhadores da casa do pai comem bem. Vou me levantar, vou voltar pra casa do meu pai e lhe direi: “pequei contra o céu e a terra, já não sou digno de ser chamado seu filho, trata-me como um escravo”.

Conclusão

Feliz conscientemente na casa do Pai

QUANDO ele volta, o pai está lhe esperando, está lhe aguardando. sim, lhe esperava ansiosamente. O Pai vai ao encontro do filho e lhe abraça, enquanto que o filho tenta se justifica: "Pai, sei que errei, pequei contra o céu e a terra...trata-me como um escravo". Mas, imediatamente, o pai lhe dá uma roupa nova, uma anel no dedo e um chinelo nos pés. E, por fim, manda matar um novilho cevado para comemorar com toda a comunidade sua volta: "Esse meu filho estava perdido, mas foi achado". 

 

 

sábado, 2 de novembro de 2024

 Quando o vento sopra Ne 8.1-3 

O vento é um símbolo do Espirito Santo. E sempre o vento tem soprado na história dos homens. O que é avivamento? É uma visitação sobrenatural do Espirito Santo, pela qual a igreja é tomada da presença poderosa de Deus. O avivamento acontece depois de um período de decadência moral e espiritual, depois da perda gradual e total do primeiro amor.

Depois de concessões ao pecado, depois de virarmos as costas para Deus, de querermos viver as nossas vidas. Depois de um vazio vasto que se torna insuportável. Então, um vento sopra “reavivas o dom que há em ti...”. A expressão reavivas retrata um homem colocando uma substancia inflamável sobre o carvão em brasa, e, depois, assopra para criar a chama. Deixar o fogo de Deus lhe acender, lhe despertar.... “Reavivas, despertes, acende a chama...”.

O profeta Isaias estava aterrorizando com a morte do rei Uzias, capitulo 6. Então, ele foi pra casa do Senhor, já ele teve uma visão, um trono e alguém assentado sobre ele, viu também, querubins em torno do trono cantando: “Santo, santo, santo é o Senhor, toda terra está cheia da sua glória”(Is 6). Diante da visão da gloria de Deus, ele temeu e disse: “Vou perecer, vou morrer, pois os meus olhos viram o Senhor...”. Então, o anjo voou até o profeta com um tenaz e tocou em sua boca e lhe disse: “Os seus pecados estão perdoados”.

O sopro de Deus, o avivamento de Deus, produz confissão de pecados: “Ai de mim, que vou perecer”. Sim, produz, mudança de vida “Eis-me aqui, envia-me a mim”. O avivamento produz arrependimento e vida com Deus, o avivamento produz santificação; o avivamento produz consagração, separação...Desperta o prazer da leitura da Palavra de Deus, desperta o prazer de orar, de frequentar a casa do Senhor.... uma dependência absoluta por Deus.

Um amante da literatura descobriu um antigo Salmo da Boêmia, John Wycclyffe acendendo uma centelha, John Huss colocando fogo no carvão e Martinho Lutero ostentando uma chama acesa. John Huss foi aluno de Wycclyffe e morreu queimado no ano de 1415, por defender somente a Bíblia como norma de fé e prática. Mas suas últimas palavras foram: “vocês assarão um ganso magro, mas em cem anos ouvirão um cisne cantar. Não serão capazes de assá-lo e nenhuma armadilha ou rede poderá pegá-lo”.

Cem anos depois, em Wittenberg, Martinho Lutero, em 1515, cem anos depois, lendo e estudando o livro de Romanos se depara com os versículos 16-17 do capitulo 1: “...Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que nele crê...a justiça de Deus se revela no evangelho...: o justo viverá por sua fé”. Primeiro, o evangelho é o poder de Deus, poder para salvação. Segundo, o evangelho é a justiça de Deus, em Cristo, em sua morte, somos aceitos, justificados, salvos.

O vento soprou. O que dizer de John Wesley, um homem chamado por Deus, um país mergulhado na corrupção e no vicio do pecado. Deus chama, convoca, capacita e começa a pregar o evangelho na Inglaterra em todos os lugares e coisas grandiosos começam acontecer nesse país, as pessoas eram mudadas pelo poder de Deus. Pregou durante 50 anos, anunciou mais de 40.000 sermões, falou a uma multidão de mais de 20,000 sem ajuda da mídia. Viajou 360.000 km, a maior parte à cavalo, anunciando as insondáveis riquezas de Cristo. 

1)     Sopra...

O texto de Neemias diz: “E chegando o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todos os povos se ajuntou como um só homem, na praça, diante da porta das águas; e disseram a Esdras, o escriba que trouxesse o livro da lei de Moisés”. Prestem atenção o que o texto afirma: “E leu no livro diante da praça, que está diante da porta das aguas, desde a alva até o meio-dia, perante homens e mulheres...e os ouvidos de todo povo estavam atentos ao livro da lei” (Ne 8.3).

A Bíblia é a palavra de Deus para a humanidade. É a revelação de Deus, o véu que foi tirado, descoberto. Ela é inspirada, é Theopneustos, soprada por Deus. Escrita em 1500 anos, soprada pelo Espirito Santo na vida de quarenta escritores, ela tem um começo e um fim. Foi escrita em dois testamentos: Antigo Testamento e Novo Testamento. Escrita em três continentes: Ásia, África e Europa.

Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça” (2 Tm 3.16).

O Salmista vai afirmar: “lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho” (Sl 119.105). O profeta Jeremias quando descobriu as palavras de Deus, disse: “Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o meu coração, pois sou chamado pelo teu Nome” (Jr 15.16).

“Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constitui herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo” (Hb 1.1-2).

Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes: ela vai até o ponto de dividir alma e espirito, juntas e medulas, e julga pensamentos e as intenções do coração” (Hb 4.12).

Segundo, quando o vento sopra há um respeito reverente pela verdade, pela Palavra de Deus. O povo ouviu atentamente, desde o raiar da manhã até o meio dia. “Esdras louvor o Senhor, o grande Deus, e todo o povo ergueu as mãos e respondeu: amém! Amém”. Então eles adoraram o Senhor, dobrados em terra” (Ne 8.6).

Terceiro, a verdade foi explicada e assim todo povo ouviu e compreendeu v.8). “Leram o livro da lei de Deus, interpretando-o e explicando, a fim de que o povo entendesse o que estava sendo lido”.

Conclusão

Diante da palavra de Deus interpretada e explicada, exortou o povo: “Nada de tristeza e choro! Pois todo o povo estava chorando enquanto ouvia as palavras da lei”. O papel do pregador, do pastor, é pregar a palavra do Senhor, enquanto se prega, o Espirito Santo vai tocando nos corações, o Espirito Santo vai amolecendo, o Espirito Santo vai falando para dentro do coração...

Por que o povo chorou? Porque sabiam que eram culpados, também recordavam os pecados dos seus antepassados que os tinham levado ao cativeiro, sentiam uma culpa tão profunda que provocou um pranto intenso.

O povo se alegrou. Neemias levantou-se e disse: “Agora, parem com isso. Deus é perdoador, Vamos mudar. Este é um dia santo. Este não é um dia de choro, mas de celebração”. A alegria do Senhor é a nossa força.

 

 

 

terça-feira, 29 de outubro de 2024

 O evangelho em Creta  Tt 1.1-5 

Introdução

O apostolo Paulo escreveu essa carta a Tito. Seu nome significa “honorável”, “honrado” ou “de valor”. Ele começa a carta “Tito, meu verdadeiro filho em nossa fé comum...” (Tt 1.4), ou “meu filho em relação à fé comum”. Aqui, trata-se de uma filiação espiritual, Tito, era um discipulo que nasceu das viagens missionárias do apostolo Paulo e, depois, tornou-se obreiro, presbítero da igreja de Jesus Cristo. 

Tito passou pela igreja de Corinto que é chamado por Paulo de “meu companheiro e colaborador” (2 Co 8.23), ajudou na coleta de recursos para auxiliar os cristãos de Jerusalém. Depois, foi enviado para Dalmácia (2 Tm 4.10), onde o apostolo Paulo fundou uma igreja, era um povo conhecido por sua selvageria e prática de pirataria. E, por fim, é enviado para a Ilha de Creta.

A Ilha de Creta é a maior e mais populosa ilha da Grécia. Havia, no tempo do apostolo Paulo aproximadamente cem cidades. Era uma ilha, logo, era um local cosmopolita, onde recebia muitas pessoas. Adoravam vários deuses e não tinham compromisso com qualquer tipo de moralidade. A mesma cultura da Grécia, com seus deuses, ídolos, fazia parte também da cultura do povo de Creta. 

O povo dessa ilha era preguiçoso, mentiroso e briguento, violento e de péssima fama. “Um dos seus profetas chegou a dizer: Cretenses, sempre mentirosos, feras malignas, glutões preguiçosos” (Tt 1. 1.2). Se Corintianizar era sinônimo de prostituição, imoralidade e homossexualismo; laodicenses era sinônimo de arrogância, soberba;  ser cretense era sinônimo de pessoas mentirosas e preguiçosas. A fama de Creta corria por todo lado... 

1)     O evangelho

“Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo...” (Tt 1.1). O apostolo se identificou usando o termo “doulos theou”, isto é, servo de Deus. Enquanto que para muitos romanos ser servo era um destino pior que a morte, para o apostolo Paulo, era a maior honra do mundo, portar o titulo de “servo de Deus”.  E “...apóstolo de Jesus Cristo”, um enviado designado. No grego, apostolo se refere a alguém enviado para realizar uma tarefa em nome daquele que o enviou, Jesus Cristo. 

Nenhum homem ou mulher merece ficar diante do povo de Deus por seu próprio mérito. Nenhuma quantidade de educação, sucesso, longevidade, popularidade, carisma ou poder pessoal qualifica uma pessoa para ser o porta-voz de Deus para os outros. Paulo reivindica a autoridade de um servo enviado, um enviado que exercia o poder daquele que o enviara. “Chamado para ser apostolo e separado para o evangelho de Deus” (1 Co 1.1).

E você, qual é a sua identidade do corpo de Cristo? O que você tem feito, como você tem contribuído para esculpir o reino de Deus nessa cidade? Paulo era um apostolo, chamado e separado por Deus. Jeremias era um profeta, para anunciar a palavra de Deus. Josué era um general, representante do Deus altíssimo. Moisés, era gago, mas se tornou um libertador do povo de Deus. Bezalel e Aoliabe construíram o tabernáculo de Moisés. Abraão por causa do chamado de Deus, abandonou sua terra e foi para a Palestina.  Os descendentes de coré compunham Salmos e cantavam no santuário.  Qual é a sua identidade, qual é o seu chamado na obra de Deus? 

“...Para levar os eleitos de Deus à fé...”. O apostolo Paulo era o meio pelo qual os escolhidos ou eleitos de Deus creram em Cristo. Paulo é o meio, através dele o evangelho chegou em Creta. Em Romanos ele faz três perguntas retóricas “Como, pois, invocarão aquele em que não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas” (Rm 10.14-15). 

“...e ao conhecimento da verdade que produz à piedade” (1 Tt 1.1). Ele tinha de nutrir o conhecimento deles da verdade para que seu comportamento exterior refletisse sua crença interior. Uma vez que a verdade seja entendida e assimilada, é natural começar a fazer escolhas diferentes. E mais, a palavra traduzida como conhecimento é “epignosis”, que se refere ao conhecimento experimental ou sabedoria prática. Alguém sem “epignosis” pode até acreditar na verdade, todavia, falta-lhes conhecer a fé , ou à verdade, que produz à piedade.

Qual era o anseio do apostolo Paulo? Fazer as pessoas de Creta entender as complexidades da graça, saber a respeito da misericórdia de Deus, do amor de Deus, da redenção, etc. Dando as pessoas discernimento, sabedoria, conhecimento em todos os âmbitos da vida. Esse conhecimento não é intelectual, mas leva à piedade, à vida cristã.

 “fé e conhecimento que se fundamentam na esperança da vida eterna, a qual o Deus que não mente prometeu antes dos tempos eternos” (Tt 1.2). O apostolo Paulo tinha de ajudar continuamente os cristãos a superarem os desafios até que entrassem em seu destino eterno após o término desta vida. Ele queria levar as pessoas à crença em Cristo, nutrir conhecimento delas na graça e encorajá-las a antecipar o dia que inevitavelmente encontrariam Cristo face a face. 

No mesmo pensamento o apostolo João exorta: “Filhinhos, agora permaneçam nele para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda” (1 Jo 2.28).

Portanto, o apostolo Paulo declarou seu principal proposito na vida, resumido em três pontos: ser o meio de os pecadores que creem virem a fé, fortalecer o conhecimento deles da verdade e estabelece-los em sua expectativa certa para a vida eterna (Tt 1.1-2).

 “No devido tempo, ele trouxe à luz sua palavra, por meio da pregação que me foi confiada por determinação de Deus, nosso Salvador”. Sua palavra foi manifestada no grego é “tornar visível, deixar claro”, a pregação revela quem é Jesus e o que ele fez na cruz. A pregação, em vez de revelar sentidos escondidos, traduz princípios da palavra de Deus na vida diário do crente, a pregação norteia nosso comportamento, a pregação forma a identidade da igreja de Cristo. 

Para esta missão te deixei em Creta, para que pusesses em ordem o que ainda faltava...”. “...por em ordem...” significa “endireitar totalmente e ainda mais”. O apostolo encontrou as igrejas aos pedaços ou pervertidas pela apostasia e determinou o realinhamento delas. O verbo “endireitar” vem do grego “orthoo”, que os escritores médicos usavam para descrever o processo de arrumar e imobilizar ossos quebrados.

Obtemos nossas palavras “ortodentia” e “ortopedia” desse termo. Afinal, o que estava acontecendo nas igrejas de Creta? Lideres sem qualificação (falsos profetas e legalistas), ensino falso e comportamento improprio. “...já te orientei”. Que significa “ordenar, colocar no lugar, estabelecer”. Tito, após anos de serviço dedicado a Paulo, fora totalmente treinado. Ele sabia exatamente o que seu mentor esperava dele. Tito tinha de treinar outra geração de lideres da mesma forma que Paulo o preparava.

Conclusão

“...constituísse presbíteros em cada cidade, como eu o instrui” (Tt 1.5). ). Paulo tinha toda a consciência de que o trabalho precisava ser organizado. Sem organização e liderança local uma igreja não sobrevive, mesmo que tenha sido planta­da por um apóstolo.

 Como deve ser o presbítero? Irrepreensível, marido de uma só mulher, e tenha filhos crentes que não sejam acusados de libertinagem ou de insubmissão. Não orgulhoso, não briguento, não apegado ao vinho, não violento, nem ávido por lucro desonesto.  Que seja hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, consagrado, tenha domínio próprio. E apegue-se firmemente à mensagem fiel ...para que seja capaz de encorajar os outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela” (Tt 1.5-9). 





terça-feira, 22 de outubro de 2024

 Lembranças boas e ruins 2 Tm 4.9-14 

Introdução

Em 1975, o bibliotecário do congresso americano descobriu uma caixa de sapato azul, contendo os conteúdos do bolso de Abraão Lincoln na noite em que foi morto, 14 de abril de 1865. Essa caixa muito bem guardada e segura, continha alguns objetos pessoais do ex-presidente americano. Os itens eram: um lenço branco de linho escrito “A” de Abraão e Lincoln, além disso, no bolso dele havia uma faca canivete, um estojo porta ósculo escuro de couro, um par de osculo dourado branco.

E, mais: uma carteira de couro contendo uma nota de cinco dólares e oito recortes de jornais, bem gastos, do tempo que ele disputava a reeleição para presidente dos Estados Unidos. Esses jornais foram publicados um pouco antes de sua morte e falam dos grandes feitos de Lincoln, além de narrarem sua grande pessoa. Mas havia um discurso de um estadista britânico chamado Jonh Brigth que afirmava que Abraão Lincoln foi “um dos maiores homens de todos os tempos”. Parece patético, mas não é, o 16 º presidente dos Estados Unidos com o bolso cheio de recortes falando sobre ele, ali buscava conforto e encorajamento.

A liderança e a solidão andam de mãos dadas. Moisés era solitário, assim como Josué quando assumiu o lugar de Moisés. E o que falar de Davi nos tempos de dificuldade? Assim, se chamava Paulo, quando ele diz a Timóteo: “Procura vir ter comigo depressa”, é porque queria companhia, amigos espirituais perto dele. Ele estaca na prisão Mamertina em Roma, na masmorra, sozinho e as lembranças povoavam a mente do cansado apostolo, algumas lembranças boas e outras ruins. 

1)     Lembranças ruins

“Procura visitar-me em breve...”, Ou “Procura vir logo ao meu encontro...” (NVI). “Venha para cá o mais rápido que puder” (A mensagem).  A expressão grega traduzida, como um pedido, envolve pressa. Porque Paulo não sabia quanto tempo mais tinha de vida, seu julgamento podia acontecer a qualquer momento, após o qual ele teria alguns dias antes da execução. Por isso que existe pressa... Aliás, Paulo estava numa prisão, numa cisterna subterrânea e fortemente guardada, protegida por soldados da guarda pretoriana. 

O apostolo Paulo lamenta de forme eloquente a primeira das duas lembranças dolorosas. “Pois Demas, amando este mundo...” (v.10). O nome Demas só aparece em outras duas passagens do Novo Testamento e, mesmo assim só de passagem. Demas envia saudações junto com Lucas no fim da carta aos Colossenses (Cl 4.14) e a Filemon (Fm 1.24). Demas era um cooperador, estava junto do apostolo em suas viagens e ajudando nas igrejas. 

O nome Demas significa “popular” com o decorrer do tempo algo aconteceu no interior de Demas. Eles antes seguira a Cristo de modo ardente, demonstrara coragem e determinação, pois viajar com Paulo não exigia menos que isso. Mas “...Demas, tendo amado o presente século...”. O apostolo Paulo usa o verbo cristão agapao, ou seja, Demas expressou agapao por este mundo.

A expressão “este mundo” se refere não só a busca mundana por dinheiro, poder, posição, prazer ou posse. Jesus identificou o inimigo do reino como o mundo “...não sois propriedade do mundo; mas eu vos escolhi e vos libertei do mundo; por essa razão o mundo vos odeia” (Jo 15.19). O mundo também representa as pessoas que vivem pelos valores dele e servem voluntariamente aos fins dele. “Deus enviou o seu filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele” (Jo 3.17).

Mas o mundo o rejeitou “Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado...” (Jo 3.18). Dizer que alguém ama este mundo é dizer que ele é inimigo do reino de Deus “...se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2.15). “Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica” (2 Tm 4.10). Quem abandona prejudica mais a si mesmo do que o reino de Deus. Por que?

Porque o reino de Deus é aquela pedra que derrubou a estatua do sonho de Nabucodonosor, quanto mais o tempo passa, ele cresce. “Com que mais se parece o reino de Deus? É como o fermento que uma mulher usa para fazer o pão. Embora ela coloque apenas uma pequena quantidade de fermento em três medidas de farinha, toda massa fica fermentada” (Lc 13.20-21). O reino de Deus não vai a falência por causa da nossa deserção, rebelião, nosso distanciamento espiritual.

As pessoas que se afastam do reino de Deus, amando o presente século, perdem a oportunidade de serem uteis, de encontrarem significado para a vida cristã e de escreverem histórias no reino de Deus. Quantas histórias estão sendo escritas por pessoas no reino de Deus! Sim, as pessoas perdem o privilégio de serem ferramentas que Deus usa para esculpir a sua igreja; perdem a oportunidade de receberem um galardão, a coroa da justiça e estão destinadas a condenação do inferno.

Também, diz o apostolo que “Alexandre, o ferreiro, causou-me muitos males...” (2 Tm 4.14). Este, ao contrário de Demas, se opôs firmemente ao apostolo e ao seu ministério. O verbo “prejudicou” significa “mostrar”, “manifestar” ou “provar”. “Ele me acusou de muitos males”, com certeza com falsas acusações. 

 Lembranças boas

Crescente foi para Galácia, Tito, para a Dalmácia. Somente Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério. Quanto a Tíquico, mandei-o até Éfeso” (2 tm 4.10,11-12). Agora, o apostolo Paulo lembra o nome de cinco homens fieis, companheiros, ao seu ministério. 

O primeiro deles é Crescente (significado é o que cresce, progressiva, gradual) que foi para Galácia (atualmente Turquia). Seu nome não aparece em nenhum lugar do Novo Testamento. Ele foi para Galácia supervisionar as igrejas dessa região.

O segundo homem fiel é Tito. Paulo o enviou para a Dalmácia (atualmente península balcânica), também conhecida como Ilírico. Um historiador chamava a região de desprezível “por causa da selvageria dos habitantes e seu habito de praticar a pirataria”.

O terceiro homem fiel é Lucas, o único que permaneceu ao seu lado. Como as prisões forneciam apenas provisões escassas, os prisioneiros dependiam da família e dos amigos para trazer alimento, agua, roupas, etc. Nesse tempo Lucas já havia escrito seu evangelho e estava terminando o livro de Atos dos apóstolos. Lucas, ficou ao lado do apostolo o tempo todo, um amigo em tempos sombrios.

O quarto homem fiel é Marcos, conhecido como João Marcos, primo de Barnabé. Na primeira viagem missionaria abandonou a missão na metade dela. Depois, quando estavam indo para a segunda viagem missionária, Paulo não aceitou levar João Marcos, porque tinha falhado na primeira viagem. Barnabé não concordou de tal modo que se separaram. Agora, depois de anos, o apostolo está dizendo “Marcos é útil para o ministério”.

E o quinto homem é Tíquico, que o apostolo conhecera provavelmente em Éfeso (Atos 20.4). Tíquico viajara com o apostolo Paulo e servira como mensageiro, levando as cartas de Paulo para sua cidade (Ef 6.21), Colossos (Cl 4.7) e, provavelmente para Filemon.

Conclusão

Ninguém é super-homem ou sobre-humano, precisamos de amigos, de pessoas do nosso lado. Haverá decepções, sim, tem Demas, Alexandre, etc. Mas tem companheiros ministeriais, homens e mulheres que ombreiam conosco na obra do Senhor. Precisamos de relacionamentos dentro da igreja. E, também, precisamos de defensores leais, aqueles que defendem a mesma causa, o evangelho, o reino de Deus. Quando estamos debilitados, alguém sai em nossa defesa. 


 

domingo, 20 de outubro de 2024

 Quem é digno? Ap 5 

Introdução

No capitulo 4 do livro de apocalipse fala de uma “porta aberta no céu”. Ou seja, o mundo invisível é descortinado diante dos olhos do apostolo João e nos diz o apostolo “Imediatamente me vi tomado pelo Espirito”(v.2). O ele vê quando o céu lhe é descortinado?

Ele vê o “trono de Deus”. Quem é que domina? Sabemos que o apostolo estava na ilha a mando do imperador Domiciano. Mas, na verdade: Quem é o Senhor da história? Domiciano ou Deus? Existem dois tipos de história.

A história que Deus permite e a história que Deus produz. A história secular é a história que Deus permite. É a história da civilização humana que vai e vem. É a história dos grandes impérios mundiais: Egito, Suméria, Babilonia, Medo Persa, Grécia, Roma, Império Otomano, Império Britãnico e Império americano. A história que Deus permite exalta o homem e suas grandes conquistas. Vejam as grandes pirâmides do Egito: Queops, Quefren e Miquerinos...eram túmulos para enterrar os faraós do Egito.

Mas, na Bíblia, nós temos no capitulo 7 de Daniel um retrato das civilizações humanas, como os animais. Quando fala do império grego, ou, o império de Alexandre, grande, o animal que é representado é o bode! Ou seja, para Deus, essas civilizações, ou a história que Deus permite passa, acaba, vive na margem, tem um começo e um fim.

E, tem a história que Deus produz. É a história determinada por Deus, a que Deus faz acontecer. O livro do capitulo 5 está fechado, selado por dentro e por fora. A medida que cada selo era aberto, algo acontece, Deus intervendo na história humana, ou a irrupção de Deus na vida do homem.

O que mais João viu no capitulo 4? Ele vê que “o trono de Deus brilhava como pedras preciosas, jaspe e sardônico. Um arco íris, com o brilho semelhante ao de esmeralda, circundava o trono”. O trono de Deus não é escuro, não é preto, mas cheio de luz, de vida ...

O que mais João viu? “vinte e quatro anciãos. Eles estavam vestidos de branco e na cabeça tinham coroas de ouro...” (Ap 4.4). E João também vê “no centro, ao redor do trono, havia quatro seres viventes coberto de olhos, tanto na frente como atrás”. Dia e noite sem cessar eles cantam: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir”.

O que mais o apostolo Joao vê? O céu é um local de adoração, louvor, glória, presença de Deus, é céu é cheio de luzes! Enquanto os quatro seres viventes engradecem a essência de Deus: “o que era, o que é, e o que há de vir”. Os vinte e quatro anciãos se dobram diante daquele que está assentado e lançam suas coroas suas coroas diante dele, dizendo: “Digno ó Senhor, sim! Nosso Deus, recebe a glória, a honra! O poder! Tu criaste tudo. Tudo o que existe é criado”.

1)     Uma cena

Agora, no capitulo 5, o apostolo João vê o desenrolar da salvação humana. “Então vi na mão direita daquele que está assentado no trono um livro em forma de rolo, escrito em ambos os lados e selado sete selos” (Ap 5.1). Sim, um livro em forma de rolo. É a história que Deus produz, é a intervenção dele na vida dos homens e mulheres. Deus é o alfa e o Omega, ele é o começo e o fim de todas as coisas. “sete selos” fala de completude. Deus tem “sete chifres”, “sete olhos”, “sete espíritos”

“Vi um anjo poderoso, proclamando em alta voz: Quem é digno de romper os selos e abrir o livro? Mas não havia ninguém nem na terra nem debaixo da terra, que pudesse abrir o livro, ou sequer olhar para ele” (Ap 5.3).

“Não havia ninguém no céu”. Nem anjos, nem querubins, nem serafins, nem Miguel, nem Gabriel, nem Abraão, nem Isaque, nem Jacó, nem Moisés, nem Paulo, nem Maria...ninguém.

“Não havia ninguém na terra”. Nenhum homem, Faraó, Nabucodonosor, Ciro, Alexandre, o grande, Antioco Epifânio, Julio Cesar, Augusto, Nero, nenhum ditador, nenhum empresário, nem doutor, nem cientista, nem o Papa. Por que? Todos são como o rei Belsazar: “Mene, Mene, Tequel, Uparsim”: foram pesados na balança e achado em falta.

Não havia ninguém debaixo da terra”. Ninguém no mundo inferior que pudesse abrir o livro, ou ao menos, olhar pra ele. Ninguém no inferno, nem o diabo, nem os demônios, nem o Anticristo, nem os espíritos atormentadores...foram encontrados dignos de abrir o livro e desatar os sete selos.

Diante disso, diz o texto: “Eu chorava muito”, quem vai abrir o livro e desatar os sete selos? É uma linguagem de profunda tristeza, um lamento por algo que aparentemente não tem solução. Surgem perguntas: será que tudo caminha para o caos? Para o esfacelamento da humanidade? A história está a deriva? Há alguém capaz de abrir o livro e desatar os sete selos?

2)     Cordeiro

Então um dos anciãos lhe diz: “Não chores. Olhe – o leão da tribo de Judá, a raiz da arvore de Davi, venceu. Ele pode abrir o livro e desatar os sete selos”

Ele é o leão da tribo de Judá, ele é o cumprimento da profecia de Jacó, quando diz o que cetro, o reino, não se arredará de Judá...até que venha siló” (Gn 49.8-9). Sim, ele é o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. Sim...

No livro de genesis: ele é o descendente da mulher, pisaria na cabeça da serpente

No livro de Exodo: ele é o cordeiro pascal, o sangue nos protege, nos limpa, purifica

No livro de Levitico: ele é o sacrificio expiatório, sim expiaria o pecado do mundo

No livro de Deuteronomio: ele é o profeta, não um simples profeta, mas Deus.

No livro de Josué: ele é o capitão do exercito do Senhor, ele é general de guerra.

No livro de Juizes: ele é o libertador sem pecado

No livro de 1 Sm, 2 Sm, 1 Rs e 2 rs 1 Cr e 2 Cr: ele é o rei prometido

No livro de Esdras, neemias e Ester: ele aquele que restaura nossa sorte, que restaura nossa vida.

No livro de Jó: ele é o meu redentor que se levantará sobre a terra

No livro de salmos: ele é a nossa alegria, nosso socorro na hora bem presente.

No livro de Proverbios: ele é a sabedoria do mundo

No livro de Eclesiastes: ele é sentido para nossa vidas

No livro de Cantares: ele é o amado da nossa alma

Nos profetas maiores e profetas: é o messias prometido

Nos evangelhos: ele é o salvador do mundo

No livro de Atos dos Apostolos: ele é a pedra angular, rejeitado por muitos, mas aceita pela igreja

Nas epistolas paulinas: ele é o cabeça da igreja, a igreja é o corpo, mas quem manda é o cabeça, Jesus Cristo

Nas epistolas gerais: ele é a nossa esperança em um mundo de perseguição.

No livro de apocalipse. ele é alfa e o omega, ele é todo poderoso, é o Senhor da história que virá para buscar a sua igreja.

Ele é a “raiz de Davi”. O profeta Isaias profetizou: “Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará... repousará sobre ele o Espirito do Senhor, o espirito de sabedoria e de entendimento, o espirito de conselho e de fortaleza, o espirito do conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11.2,3,10).

“um cordeiro que parecia ter estado morto”. É o cordeiro prometido, é o cordeiro do sacrifício. João Batista quando batizava no rio Jordão viu Jesus se aproximando e lhe disse: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”; o cordeiro que foi sacrificado, que foi moído pelos nossos pecados.  Sim, é cordeiro que morreu na cruz pelos nossos pecados, mas no terceiro dia ele ressuscitou.

“Ele tinha sete chifres e sete olhos”. Chifres fala do seu poder, ele diz em apocalipse. Ele diz para João: “Não tenhas medo, eu sou o primeiro e o ultimo; eu sou o que vive e estive morto, mas eis que estou vivo para toda a eternidade! Eu possuo as chaves da morte e do inferno” (Ap 1.17-18). Ele tem “sete olhos”, ele vê todas as coisas...ele sabe tudo, ele vê tudo, nada passa despercebido do olhar do Senhor.

Conclusão

No final do capitulo o céu adora, o céu louva a Deus e o Cordeiro. O primeiro cântico se dirige ao cordeiro de Deus e é cantado pelos quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos. “Cada um tinha uma harpa e uma taça...que são as orações dos santos”.

"Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação.  Tu os constituíste reino e sacerdotes para o nosso Deus, e eles reinarão sobre a terra".

O segundo cântico é cantado por uma multidão incontável de anjos – milhares de milhares e milhões de milhões. Eles rodeavam o trono, bem como os seres viventes e os anciãos e cantavam em alta voz: “Digno é o corpo que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor’.

O terceiro cântico é um ajuntamento de todas as criaturas, no céu e na terra e os anjos. Louvando a Deus e ao cordeiro: "Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o poder, para todo o sempre! "

E finaliza com os quatro seres viventes afirmando "Amém", e os anciãos prostraram-se e o adoraram.