O que pode e o que não pode – At 15.1-22
Introdução
A palavra “santidade” quando usada em um contexto de legalismo, pode parecer severa, associada a elementos externos, mudança exterior, mudança da capa religiosa. Enquanto quando usada em um contexto permeado pela graça “santidade” se torna uma palavra magnifica, aponta para a semelhança com Cristo, mudança interior, regeneração, novo nascimento, significa aproximar-nos de nosso Pai, assinala uma vida cheia do Espirito Santo, cheia do poder de Deus.
1)
Legalismo x graça
Paulo e Barnabé terminaram a primeira viagem missionária e retornaram para Antioquia da Siria. Chegando “...relataram tudo o que Deus havia feito por meio deles e como abrira a porta da fé aos gentios”. Mas, alguns homens estavam espalhando heresias no meio da igreja e afirmavam: “...eles não poderiam ser salvos se não fossem circuncidados, como manda a lei de Moisés” (At 15.1 NTLH).
Os homens incircuncisos eram excluídos da membresia do povo de Deus. Seguir a lei de Deus exigia circuncidar-se, como Moisés ensinou (Lv. 12.3). Esses homens tinham o proposito, a missão, de colocar sobre os ombros dos irmãos uma rígida demanda especificando se eles podem ou não ser salvos e insistindo que o rito judaico da circuncisão é necessário para a salvação dos gentios. Eles tentavam misturar a lei e a graça, colocar vinho novo (evangelho) em odres velhos (judaísmo); queriam costurar o véu que foi rasgado pelo sangue de Jesus.
Desejavam acrescentar um
asterisco à mensagem de que somos salvos pela fé. O asterisco anexa outros
requisitos à salvação na nota de rodapé. Esses requisitos adicionais impõem fardos
que oprimem as pessoas e anulam a graça que pode levantá-las. É como se cada um
de nós tivesse que preencher: “Voce pode ser salvo, a menos que também
______________”. Convém perguntar: Essa condição é condizente com o evangelho?
O apostolo Paulo, no
entanto, pregava o evangelho da graça de Deus mediante a fé em Jesus como
suficiente para justificar os gentios tornando-os membros do povo de Deus e
herdeiros de Abraão. A obra completa de Cristo firmou uma nova aliança, baseada
na presença e na habitação do Espirito Santo, não na adesão á letra da lei de
Moisés. Conforme profetizou Jeremias: “Dias virão, afirma o Senhor, quando
estabelecerei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá”,
não uma aliança como aquela de Moisés, uma aliança de pedra, mas uma que eu “porei
a minha lei na mente deles e no coração deles a escreverei” (Jr 31.31).
Paulo e Barnabé travaram uma séria e prolongada discussão com esses religiosos, judaizantes cristãos. O apostolo Paulo vinha sofrendo durante toda sua primeira viagem missionária com os judeus que defendiam a lei de Moisés para salvação, fora até apedrejado em Listra por esses judeus. Em Antioquia ele havia afirmado: “Por meio dele, todo aquele é justificado de tudo aquilo de que vocês não podiam ser justificados pela lei de Moisés” (At 13.39). Mas, agora, o legalismo instaurou-se dentro da igreja. Logo, apelaram para sua única fonte de autoridade divina, os apóstolos em Jerusalém.
No caminho para Jerusalém, Paulo e Barnabé passaram pela Fenícia, onde os crentes eram todos judeus e , depois, foram para Samaria, para visitar os crentes, região que era desprezada pelos judeus. Mas, os samaritanos foram evangelizados por Jesus e pelo diácono Filipe. Um grande avivamento aconteceu enquanto Filipe pregava a palavra de Deus. Os crentes samaritanos regozijaram com o testemunho da primeira viagem missionária. Enfim, depois de viajarem quase 500 quilômetros, chegaram em Jerusalém, foram recebidos calorosamente pela igreja que ansiava ouvir o relato de tudo que Deus havia feito através de Paulo e Barnabé.
2)
O concilio de Jerusalém
A pauta do concilio era o que pode e o que não pode na fé cristã. Toda liderança da igreja estava envolvida nessa reunião, os membros estavam presentes. O grupo de oposição formado pelos crentes fariseus foi o primeiro a se levantar para apresentar sua defesa e afirmaram: “...os não judeus têm de ser circuncidados e tem de obedecer a lei de Moisés” (At 15.5 NTLH).
Diante dessa afirmação ocorreu
grande contenda, discussão, conversas, murmúrios. Então, o apostolo Pedro,
levantou-se no meio da congregação e anuncia sua mais profunda convicção e fé
inabalável. Enquanto ele pregava na casa de Cornélio (Atos 10.17), que era um
centurião romano, o Espírito Santo desceu sobre todos (At 10.44) e começaram a
falar em outras línguas. Ele conclui que Deus não fazia distinção entre judeus
e gentios. E termina afirmando: “Por que vocês estão testando a Deus
colocando um jugo sobre o pescoço dos discípulos que nem nossos antepassados nem
nós pudemos suportar? Ao contrário, cremos que somos salvos pela graça do
Senhor Jesus da mesma forma que eles são” (At 15.9-11).
Pôr Deus à prova, expressão
usada pelo apostolo Pedro, é uma ofensa grave, tendo vista que foi isso que a
geração do deserto fez durante quarenta anos (Hb 3.9), que Ananias e Safira
fizeram ao mentirem ao Espirito Santo (At 5.9) e que o Diabo continua a tentar outros
a fazer (Lc 4.2). Se eles impuseram a lei como meio de salvação, condenarão os
gentios ao fracasso.
Em seguida, “...toda assembleia ficou em silêncio, enquanto ouvia Paulo e Barnabé relatando todos os sinais miraculosos e prodígios que por meio deles, Deus realizara entre os gentios” (At 15.12). Deus esteve presente na viagem que fizeram na ilha de Chipre, enfrentando um homem que praticava magia e era falso profeta, esse homem ficou cego pelo poder de Deus. Contou também a salvação do governador Sergio Paulo, um homem inquieto pela verdade e foi salvo pelo poder de Deus. Contaram sobre um homem paralitico, desde o nascimento, na cidade de Listra que foi curado pelo poder de Jesus. E quantas almas se renderam a Cristo, quantas almas foram salvas em Antioquia da Psídia, em Icônio, Listra e Derbe.
Por fim, Tiago se pronunciou,
era o líder da igreja de Jerusalém. Era “irmão do Senhor” (Gl 1.19), filho de
Maria com José. Ele fala como líder, como cabeça da igreja de Jerusalém. Inicia
seu discurso citando o profeta Amós: “Depois disso, voltarei e reconstruirei
a tenda caída de Davi...para que o restante dos homens busque o Senhor e todos
os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome” (At 15.16-18). É a
promessa feita a Abraão, que através dele e da sua descendência, todas as famílias
da terra seriam abençoadas.
O ponto que destacou foi que ao incluir os gentios Deus estava escolhendo um povo para si que era um povo de Deus novo e restaurado – verdadeiro Israel – composto de judeus e gentios em Cristo. Como o apostolo Paulo afirmou em Efésios: “Ele é a nossa paz. De ambos os povos fez um só e, derrubando o muro de separação, em seu próprio corpo desfez toda inimizade” (2.14). A decisão do apostolo Tiago foi que “...não devemos causar dificuldades aos gentios que se voltam para Deus” (At 15.19).
Conclusão
Enfim, no final do Concilio de Jerusalém, os líderes sentiram-se compelidos pelo Espirito Santo a “impor” algumas exigências aos crentes gentios: não ofender as sensibilidades judaicas - que consideravam os ídolos e a carne contaminada com sangue especialmente repugnantes – e abster-se da imoralidade sexual. Ou seja: “...não comam carne de animais que foram oferecidos em sacrifícios aos ídolos, que não pratiquem imoralidade sexual, que não comam a carne de nenhum animal que tenha sido estrangulado e que não comam sangue” (At 15.20).
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