Escola de profetas 2 RS 4.38-44
Introdução
Viajando de norte a sul,
Eliseu anunciava a sua mensagem, sempre acompanhado de extraordinários sinais e
maravilhas, como a dizer: “As coisas que faço, faço pelo poder Daquele que me
enviou; o único e verdadeiro Deus, o Senhor, o Deus Eterno”. Abandonem, pois, a
idolatria e voltem seus corações ao Senhor, nosso Deus.
Nos dias de Elias, a apostasia e a vergonhosa idolatria haviam se alastrado entre o povo de Deus, impulsionado pelos devaneios de Acabe e Jezabel. O povo de Deus havia trocado a glória de seu Senhor pela fútil veneração ao ídolo Baal “o senhor da chuva”. Mas o assombroso confronto no Monte Carmelo e os fenomenais prodígios de Eliseu começaram a reverter a triste situação. Aqules que antes se escondiam pelo de Jezabel, por toda parte, surgiram “escolas teológicas” formando os mensageiros da Palavra de Deus. Havia grupos de estudantes em Ramá, Gibeá, Betel, Gilgal e Jericó (2 Rs 2.3,5,7,15). Muitos séculos depois, o nosso Senhor exortava seus discípulos: “A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.37,38).
1)
Deus chama os obreiros
Nem todos os profetas do
passado tiveram formação teológica convencional (estudar numa escola de
teologia). Amós, por exemplo, saiu diretamente do campo, boiadeiro e catador de
sicômoros, anunciando a mensagem profética da única maneira que sabia. Com
Elias se deu o mesmo; era um homem rústico e de poucas palavras, mas o pouco que
sabia usou para glorificar o nome de Deus. A maioria dos profetas, no entanto,
até mesmo aqueles que nos são desconhecidos, receberam uma formação teológica
mais “especializada”. Pastor Billy Graham disse se tivesse três anos de vida, passaria
dois anos estudando a Palavra de Deus e apenas um ano pregando.
Geralmente os estudantes
moravam juntos em uma casa ou em pequenas comunidades, onde o ensino era
ministrado (2 Rs 6.1-2). Alguns “estudantes” eram casados e mantinham seus
próprios lares (2 Rs 4.1). É bem provável que tenha sido Samuel o primeiro a tomar a iniciativa de organizar
esse tipo de “ensino teológico” (1 Sm 10.5; 19.23). A formação acadêmica dos
discípulos de profetas consistia no estudo das Escrituras e das leis mosaicas. Hoje,
em nossas escolas teológicas a grade curricular é muito mais abrangente. Havia
espaço ainda mais a instrução na musica sacra e na poesia (1 Sm 10.5). O
“professor”, um profeta mais experiente, transmita o ensino com seu exemplo de
vida e seu trabalho, e eram eles mesmos que consagravam os novos obreiros à
missão de reconduzir o rebanho desgarrado de Israel ao aprisco do Senhor, o
pastor da nossa alma (Sl 23).
2)
Deus cuida de seus obreiros.
a vida diária nas escolas de
profetas não era nada cômoda. Os estudos eram exaustivos, as acomodações
precárias (2 Rs 6.1), a falta de recursos era uma constante (2 Rs 4.1), o
trabalho era árduo e, se não bastasse isso tudo, a comida era escassa,
geralmente produzida por eles mesmos, em hortas comunitárias. As coisas ficaram
ainda piores quando Deus enviou uma estiagem que durou sete anos (2 Rs 8.1). Se
a nação toda padeceu, quanto mais aqueles que deixaram tudo pelo ministério!
Foi exatamente nesse
contexto de crise que Eliseu, o “homem de Deus”, chegou no seminário de Gilgal
para uma série de conferências, de pregações. A receptividade foi calorosa, mas
a despensa estava vazia. Eliseu enviou um dos alunos ao campo para colher
frutos e raízes comestíveis, a fim de preparar um sopão para todos. Mas algo
saiu errado; um dos ingredientes estragou a sopa, tornando-a amarga e venenosa.
A “colocíntida”, “uma trepadeira do campo” (NVT) (2 Rs 4.39), uma espécie de
pepino selvagem, em pequenas quantidades era usada para fins medicina, mas em
grande quantidade tornava-se tóxica e extremamente amarga.
“Cortou os frutos em pedaços e os colocou na panela, sem saber exatamente o que eram” (2 Rs 4.39 NVT). Você comeria? Diz-nos o texto: “O ensopado foi servido aos homens...”. Todos comeram, todos participaram desse banquete sem saber o que estavam comendo! Até que alguém grita: “Homem de Deus, há veneno neste ensopado! E não puderam comê-lo”. (2 Rs 4.40).
Deus usa o profeta Eliseu,
“Tragam-me um pouco de farinha”. O homem de Deus não era baiano, mas usou o que
tinha na mão “farinha”. “Jogou a farinha na panela e disse: “Agora podem comer.
E o ensopado não lhes fez mal” (2 Rs 4.41). O milagre aconteceu, não por causa
da farinha, mas pela fé de Eliseu. Ele poderia ter usado cevada, hortelã, pão
ou qualquer outra coisa, e o resultado seria o mesmo.
O ministério de Eliseu e
seus discípulos começou a dar bons resultados, visto que o poder de Deus
acompanhava suas pregações, enquanto Baal – o “deus da chuva”, permanecia
inoperante. Um dos sinais de mudança pode ser visto pelo fato de um homem da
cidade vizinha (Baal-Salisa) ter vindo à “casa de profetas” trazer uma oferta
em mantimentos para o sustento de Eliseu, conforme prescrevia a lei de Moisés
(Nm 18.13). A oferta era generosa para um só homem, mas insuficiente para cem
alunos (2 Rs 4.43). “Como servirei a cem homens?”
Era um direito de Eliseu
reter a oferta para si, pois “digno é o trabalhador do seu salário” (Lc 10.7),
contudo, preferiu repartir aquela benção com os demais colegas de ministério, e
Deus abençoou a sua decisão “todos comeram e ainda sobrou” (2 Rs 4.43). O
milagre operado por Eliseu com vinte pães e algumas espigas e o fato de ter ele
multiplicado o azeite da viúva nos trazem à lembrança um outro grande profeta
de Deus, aliás, o Messias, que, com cinco pães e dois peixinhos, alimentou uma
grande multidão de famintos (Mt. 14.15-21).
Conclusão
Em qualquer época, sejam
tempos de fartura ou tempo de escassez, de paz ou de guerra, de bonança ou de
tempestade, a seara permanece operante, e o Senhor continua convocando
trabalhadores para sua Seara, na promessa de que sempre zelará pelos que estão
a Seu serviço.
fonte: Editora Cristã Evangélica.


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