sexta-feira, 7 de agosto de 2026

 Escola de profetas     2 RS 4.38-44 

Introdução

Viajando de norte a sul, Eliseu anunciava a sua mensagem, sempre acompanhado de extraordinários sinais e maravilhas, como a dizer: “As coisas que faço, faço pelo poder Daquele que me enviou; o único e verdadeiro Deus, o Senhor, o Deus Eterno”. Abandonem, pois, a idolatria e voltem seus corações ao Senhor, nosso Deus.

Nos dias de Elias, a apostasia e a vergonhosa idolatria haviam se alastrado entre o povo de Deus, impulsionado pelos devaneios de Acabe e Jezabel. O povo de Deus havia trocado a glória de seu Senhor pela fútil veneração ao ídolo Baal “o senhor da chuva”. Mas o assombroso confronto no Monte Carmelo e os fenomenais prodígios de Eliseu começaram a reverter a triste situação. Aqules que antes se escondiam pelo de Jezabel, por toda parte, surgiram “escolas teológicas” formando os mensageiros da Palavra de Deus. Havia grupos de estudantes em Ramá, Gibeá, Betel, Gilgal e Jericó (2 Rs 2.3,5,7,15). Muitos séculos depois, o nosso Senhor exortava seus discípulos: “A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.37,38). 

1)     Deus chama os obreiros

Nem todos os profetas do passado tiveram formação teológica convencional (estudar numa escola de teologia). Amós, por exemplo, saiu diretamente do campo, boiadeiro e catador de sicômoros, anunciando a mensagem profética da única maneira que sabia. Com Elias se deu o mesmo; era um homem rústico e de poucas palavras, mas o pouco que sabia usou para glorificar o nome de Deus. A maioria dos profetas, no entanto, até mesmo aqueles que nos são desconhecidos, receberam uma formação teológica mais “especializada”. Pastor Billy Graham disse se tivesse três anos de vida, passaria dois anos estudando a Palavra de Deus e apenas um ano pregando.

Geralmente os estudantes moravam juntos em uma casa ou em pequenas comunidades, onde o ensino era ministrado (2 Rs 6.1-2). Alguns “estudantes” eram casados e mantinham seus próprios lares (2 Rs 4.1). É bem provável que tenha sido Samuel  o primeiro a tomar a iniciativa de organizar esse tipo de “ensino teológico” (1 Sm 10.5; 19.23). A formação acadêmica dos discípulos de profetas consistia no estudo das Escrituras e das leis mosaicas. Hoje, em nossas escolas teológicas a grade curricular é muito mais abrangente. Havia espaço ainda mais a instrução na musica sacra e na poesia (1 Sm 10.5). O “professor”, um profeta mais experiente, transmita o ensino com seu exemplo de vida e seu trabalho, e eram eles mesmos que consagravam os novos obreiros à missão de reconduzir o rebanho desgarrado de Israel ao aprisco do Senhor, o pastor da nossa alma (Sl 23).

2)     Deus cuida de seus obreiros.

a vida diária nas escolas de profetas não era nada cômoda. Os estudos eram exaustivos, as acomodações precárias (2 Rs 6.1), a falta de recursos era uma constante (2 Rs 4.1), o trabalho era árduo e, se não bastasse isso tudo, a comida era escassa, geralmente produzida por eles mesmos, em hortas comunitárias. As coisas ficaram ainda piores quando Deus enviou uma estiagem que durou sete anos (2 Rs 8.1). Se a nação toda padeceu, quanto mais aqueles que deixaram tudo pelo ministério!

Foi exatamente nesse contexto de crise que Eliseu, o “homem de Deus”, chegou no seminário de Gilgal para uma série de conferências, de pregações. A receptividade foi calorosa, mas a despensa estava vazia. Eliseu enviou um dos alunos ao campo para colher frutos e raízes comestíveis, a fim de preparar um sopão para todos. Mas algo saiu errado; um dos ingredientes estragou a sopa, tornando-a amarga e venenosa. A “colocíntida”, “uma trepadeira do campo” (NVT) (2 Rs 4.39), uma espécie de pepino selvagem, em pequenas quantidades era usada para fins medicina, mas em grande quantidade tornava-se tóxica e extremamente amarga.

“Cortou os frutos em pedaços e os colocou na panela, sem saber exatamente o que eram” (2 Rs 4.39 NVT). Você comeria? Diz-nos o texto: “O ensopado foi servido aos homens...”. Todos comeram, todos participaram desse banquete sem saber o que estavam comendo! Até que alguém grita: “Homem de Deus, há veneno neste ensopado! E não puderam comê-lo”. (2 Rs 4.40).  

Deus usa o profeta Eliseu, “Tragam-me um pouco de farinha”. O homem de Deus não era baiano, mas usou o que tinha na mão “farinha”. “Jogou a farinha na panela e disse: “Agora podem comer. E o ensopado não lhes fez mal” (2 Rs 4.41). O milagre aconteceu, não por causa da farinha, mas pela fé de Eliseu. Ele poderia ter usado cevada, hortelã, pão ou qualquer outra coisa, e o resultado seria o mesmo.

O ministério de Eliseu e seus discípulos começou a dar bons resultados, visto que o poder de Deus acompanhava suas pregações, enquanto Baal – o “deus da chuva”, permanecia inoperante. Um dos sinais de mudança pode ser visto pelo fato de um homem da cidade vizinha (Baal-Salisa) ter vindo à “casa de profetas” trazer uma oferta em mantimentos para o sustento de Eliseu, conforme prescrevia a lei de Moisés (Nm 18.13). A oferta era generosa para um só homem, mas insuficiente para cem alunos (2 Rs 4.43). “Como servirei a cem homens?”

Era um direito de Eliseu reter a oferta para si, pois “digno é o trabalhador do seu salário” (Lc 10.7), contudo, preferiu repartir aquela benção com os demais colegas de ministério, e Deus abençoou a sua decisão “todos comeram e ainda sobrou” (2 Rs 4.43). O milagre operado por Eliseu com vinte pães e algumas espigas e o fato de ter ele multiplicado o azeite da viúva nos trazem à lembrança um outro grande profeta de Deus, aliás, o Messias, que, com cinco pães e dois peixinhos, alimentou uma grande multidão de famintos (Mt. 14.15-21).

Conclusão

Em qualquer época, sejam tempos de fartura ou tempo de escassez, de paz ou de guerra, de bonança ou de tempestade, a seara permanece operante, e o Senhor continua convocando trabalhadores para sua Seara, na promessa de que sempre zelará pelos que estão a Seu serviço.

 

fonte: Editora Cristã Evangélica. 

 

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