sábado, 1 de agosto de 2026

 Peregrinação do povo de Deus Nm 33 

Introdução

Todos temos uma história para contar, uma história de vida, uma história de derrota, mas também história de vitória. Uma história antes de Cristo e depois de Cristo. A minha história começa no interior de São Paulo, na cidade de Pirangi; ali eu cresci, ali mora minha mãe e minhas irmãs, ali eu estudei, ali eu trabalhei e ali me distanciei dos caminhos do Senhor. Depois, mudei-me para Ribeirão Preto, mergulhei mais fundo no pecado, mas ali Deus me salvou, mudou a minha e começou uma nova história. Com 18 anos, fui estudar em Pindamonhangaba SP, ficando ali por três anos da minha vida, a fase de estudo e de espiritualidade com Deus.

Mas, tem um momento na minha história que é significativo, peculiar, maravilhoso, revolucionário. Foi quando Deus se manifestou para mim, quando eu tive uma experiencia com Deus. Como aconteceu com Samuel, como aconteceu com Moisés, como aconteceu com Jeremias. Também tive meu momento místico com Deus. Deus me chamou para o ministério e aceitei, disse: “Eis-me aqui”. E Logo, coloquei-me a sua disposição. Em 2007, vim morar em Posto da Mata BA, para pastorear esta igreja. Desde então, estou aqui servindo esse povo abençoado. Isso é um pouco da minha história.

1)     Passado

Vemos aqui a ordem do Senhor para Moisés de escrever os lugares onde o povo caminhou, peregrinou no deserto nesses quarenta anos. A palavra “Números” significa “no deserto”, pois é a história da caminhada do povo de Deus no deserto, desde a saída do Egito até a fronteira de Canaã, são inúmeras histórias. Nesses quarenta Deus cuidou do seu povo, zelou do seu povo, mas também o povo se rebelou, murmurou  contra o Senhor.

 Estamos no final da história. A primeira geração se rebelou contra Deus, não acreditou, subestimou o poder de Deus, murmurou de Deus em quase todos os momentos. E Deus disse: “Vocês não vão entrar na terra prometida, irão vagar pelo deserto até que todos os adultos morram no deserto”. Agora, diante de nós, temos uma segunda geração, uma geração que nasceu e cresceu no deserto, uma geração que não vivenciou o que aconteceu no Egito e no Mar vermelho.  O Senhor, então, fala pra Moisés: “Escreva a caminhada do meu povo pelo deserto desde a saída do Egito até a entrada na terra prometida”.

Moisés, a essa altura está com 120 anos de idade. Como que deve ter sido difícil para ele revisitar esses lugares do passado. Lugares de bons dias e maus dias. Moisés faz a sua lista, muitos lugares citados são conhecidos por nós, como Ramessés (Egito), Pi-Hairote Baal Zefom (uma encruzilhada), Mar Vermelho (Deus abriu para o seu povo passar), Mara (águas amargas), Elim (lugar de Palmeiras e água, oásis), deserto de Sim, Refidim (lugar da murmuração), deserto do Sinai (onde o mandamento foi dado), Cades Barnéia, Edom, Monte Hor, etc.

Tem lugares cuja lembranças são positivas (pensa no livramento no Egito, as dez pragas, depois da travessia do Mar Vermelho, Mirian dançou), mas tem outros lugares que carregam imagens negativas (Mara, deserto de Sim, Monte Sinai, Cades Barneia), que seria bom esquecer, não trazer a memória. E tem alguns lugares que passaram despercebidos, locais de passagem, em que nada aconteceu. Mas, é uma lista memorável para mostrar que o povo de Deus é peregrino nessa terra. Todos nós somos peregrinos e temos lugares que são marcantes, significativos em nossas vidas.

Muitos daquela geração não atravessaram o mar vermelho, não presenciaram o Monte Sinai, não viu o dia em que a montanha tremeu com relâmpagos e trovões. Mas fazem parte da história do povo de Deus. Mesmo que a gente não tenha vivido é a nossa história.  Aqueles que nos representaram viveram essas histórias. Local como o Egito, onde Deus mandou as pragas e libertou o seu povo do jugo de Faraó, matando os primogênitos e o sangue nas casas protegeu o seu povo da morte.

Quantas histórias aprendemos, as palmeiras de Elim, a vitória de Josué sobre os amalequitas. As histórias não são somente da geração antiga, mas histórias do povo de Deus. Por isso que estamos celebrando a história da morte de Jesus, do sofrimento de Cristo, do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Mas nessa lista tem alguns lugares que Israel queria esquecer. Mara e o sufoco que passaram lá, águas salgadas (Ex 15), o deserto de Zim (Nm 20), Refidim (Ex 17), Cades Barneia, são momentos de fraqueza, de pecado, de murmuração, de infidelidade. Moisés se detém um pouco, no v.38 em diante, fala da morte de Arão, seu irmão( sacerdote da casa do Senhor), mas sabemos que ele confeccionou um bezerro, sabemos sobre sua rebelião contra Moisés (nm 12). Por fim, subiu no Monte Hor, lá subiu e ficou, morreu com 123 anos. Mas, Deus não está jogando o pecado na cara do seu povo, porque o sangue é suficiente para perdoar nossos pecados. Isso é história, a história do povo de Deus. História de sucesso, mas também de fracasso. O mais importante é que na nossa história o passado não nos prende, porque fomos perdoados pelo sangue carmesim.

Se nos fizermos uma lista de lugares que passamos, que vivemos, geograficamente ou existencialmente, tem lugares que é doloroso se lembrar; tem geografia que relutamos em lembrar. Nossa jornada tem imperfeição, mas se você está aqui, sentado à mesa do cordeiro, significa que o passado não tem poder de lhe prender. O passado não tem poder de estagnar sua vida. O apostolo Paulo afirma: “Uma coisa eu faço: esquecendo das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, para o prêmio supremo da soberana vocação em Deus em Cristo Jesus” (Fl 3.14).

2)     Futuro

 "Quando vocês atravessarem Jordão para entrar em Canaã”. O povo ainda estava no deserto, chegando as planícies de Moabe, mas ainda não tinha chegado a terra prometida. Ainda tinha o Jordão para atravessar, do jeito que a geração passada atravessou o Mar Vermelho, essa nova geração atravessaria o rio Jordão. O mesmo Deus que atuou no passado, é o mesmo Deus que atua no presente.

Do outro lado do Jordão, tem batalha, tem missão, tem objetivo, tem nossas lutas, do outro lado tem exércitos poderosos. Do outro lado tem ídolos e o povo teria que derrubar todas as imagens esculpidas. O povo somente tinha que adorar o Senhor.  Sim, Moisés, fala do que ainda tem pela frente. A terra tinha que ser distribuída para todas as tribos de Israel, de forma justa e igualitária, não podia ter imparcialidade na mesa do Senhor.

Moisés faz uma advertência ao seu povo: “Se vocês não expulsarem os habitantes da terra, aqueles que vocês permitirem ficar se tornarão farpas em seus olhos e espinhos nas suas costas” (v.55).

Conclusão

No capítulo 34, Moisés dá dimensão da terra de Canaã para o seu povo. Uma terra grande, uma terra fértil, uma terra que mana leite e mel, uma terra prospera. Do mar Mediterrâneo até o rio Jordão, estendendo até o rio tigre, indo até a fronteira com o Egito. Essa era também que eles tinham que conquistar.  Assim, também a igreja espera uma terra que mana leite e mel, um novo céu e uma nova terra.

Temos uma missão, somos uma igreja militante, lutamos em favor do reino de Deus; o domínio da igreja é muito maior do que a terra que Deus prometeu ao povo de Israel. Sim, é para alcançarmos os confins da terra, temos o poder de Deus sobre nossas vidas, temos a armadura de Deus sobre nós.