terça-feira, 4 de agosto de 2026

 Barnabé e Paulo em Chipre. Atos 13.1-12 


A igreja de Antioquia é uma igreja gentia, judeus helenistas anunciaram Jesus como Senhor. “E a mão do Senhor era com eles, e um grande número de pessoas creu e se converteu ao Senhor”. Antioquia era congregação de Jerusalém, mas uma igreja constituída de gentios, enquanto que Jerusalém, era somente judeus. E foi em Antioquia que os discípulos foram chamados pela primeira vez de cristãos, pequenos Cristos. Esse nome foi dado pejorativamente, como zombaria, como escarnio.

A igreja é formada por gente limitada e imperfeita, a igreja é, em sua própria essência, um espaço muito propicio para decepções. Especialmente quando nos aproximamos dela com grandes expectativas. A igreja, quando reunida, não é um lugar de pessoas resolvidas e acabadas, mas de pessoas que reconhece sua impotência e, por isso, entrega-se à graça de Deus. "Os são não precisam de médicos, mas sim, os doentes" (Mc 2.17). 

A igreja primitiva tinha um mandato, Atos 1.8, ser discípulo de Jesus começando por Jerusalém até os confins da terra. Primeiro, a igreja tinha que avançar em direção aos que não ouviram o evangelho, não compreenderam ou não acolheram a verdade de Deus; Segundo, a igreja tem que romper barreiras geográficas, socias, étnicas, culturais; Terceiro, a igreja seria uma comunidade capacitada de orientada pelo Espirito Santo. Dietrich Bonhoeffer, pastor da igreja confessional na Alemanha, afirmou: “A igreja só é igreja quando o é para os de fora”.

1)     Igreja de Antioquia

“Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger; Lúcio, de Cirene; Manaém, que tinha sido criado com Herodes; e Saulo”(At 13.1) . Era uma igreja cheia de dons, principalmente nas ministeriais. O apostolo Paulo em Efésio fala sobre “...a multiforme sabedoria de Deus” (Ef 3.10), que é manifestada na igreja reunida. “Barnabé”, era levita, originário da ilha de Chipre, seu nome era José, mas a igreja lhe deu o apelido de “Barnabé” que significa “encorajador”, ou “consolador”. 

“Simeão, chamado Níger”. Níger (negro), provavelmente era um africano negro, alguns sugerem que esse Simão é o mesmo homem de Cirene que levou a cruz de Cristo  (Lc 23.26), e seus filhos Alexandre e Rufo eram conhecidos na igreja (Rm 16.13). “Lúcio, de Cirene”, também era do norte da África. “Manaém, que tinha sido criado com Herodes”, amigo de infância de Herodes Antipas, tinha conexão com o poder e a aristocracia, e é provável que ele tivesse 65 anos. Por fim, “Saulo”, judeu, nascido em Tarso, também cidadão romano. Nesse tempo, o primeiro nome sempre indica ascensão e aqui aparece “Barnabé”, e Saulo, aparece em último lugar.

“E, servindo-os ao Senhor, e jejuando, disse o Espirito Santo: Apartai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2 ARA). “...quando eles estavam adorando o Senhor e jejuando...” (NTLH). Os membros estavam adorando ao Senhor, todos estavam juntos. Deus se manifesta quando sua igreja se reúne para cultuar ao Senhor, cantar louvores e ouvir a pregação da Palavra de Deus. É aqui que Deus se manifesta e revela sua vontade. 

Gunnar Vingren e Daniel Berg estavam em culto de oração na cidade de Chicago, Estados Unidos da América. Nessa reunião havia o irmão Adolf Uldin que se levantou e disse para os dois suecos: “A chamada de Deus é para ir ao Pará”. Eles não sabiam onde ficava essa cidade, procuraram uma biblioteca e descobriram que este lugar ficava no Brasil, no norte do Brasil. Em 19 de novembro de 1910, os dois suecos pegaram o navio Clements e vieram ao Brasil.

“Apartai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (ARC). Como Deus levantou o irmão Adolfo Uldin, assim na igreja de Antioquia Deus levantou um dos profetas da igreja de Antioquia para anunciar essa mensagem.  O Espírito não especifica a obra na vida dos missionários. Não foi muito diferente da chamada de Abraão: “Vai para a terra que te mostrarei” (Gn 12). Em ambos os casos, o chamado para ir estava evidente, mas o país e o trabalho não. Assim, em ambos os casos, a resposta ao chamado de Deus exigia um ousado passo de fé.

O que a igreja fez? “Então, depois de terem jejuado e orado, puseram as mãos sobre eles e os deixaram partir” (v.3 VFL). Diferentemente de muitas igrejas, que tenta fazer de suas vontades e preferencias a pauta da agenda da missão de Deus no mundo, a igreja de Antioquia demonstra: Primeiro, grande atenção, sensibilidade ao mover de Deus; segundo prontidão em submeter-se ao mesmo. Deus queria que, a partir de Antioquia, muitas outras igrejas fossem plantadas e muita gente tivesse a oportunidade de ouvir, compreender e render-se ao Evangelho.

2)     Missão

“Os dois ... navegaram de lá para Chipre. Quando chegaram a Salamina, proclamaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas. João estava com eles como seu auxiliar” (At 13.5). João Marcos era auxiliar, filho de Maria (onde os irmãos se reuniram para orar por Pedro), primo de Barnabé. Quando os missionários chegaram em Salamina, uma cidade comercial na costa leste de Chipre, “...anunciaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas”. Era uma cidade com grande número de judeus dispersos e com muitas sinagogas. 


Depois deixaram Salamina e fizeram VIAGEM DE cento e sessentaquilômetros por toda a ilha, parando em várias cidades, até que chegaram em Pafos. “Ali encontraram um judeu, chamado Barjesus, que praticava magia e era falso profeta”( At 13.6).  Saulo e Barnabé são identificados como “profetas e mestres” (At 13.1) e são enviados pelo Espírito, que prepara um confronto com Barjesus, identificado como falso profeta que perverte “...os caminhos retos do Senhor” (At 13.10). Mas o nome dele era “Elimas”, é um nome árabe cujo significado é “habilidoso” ou “especialista”, um mago ou um sábio.


 Pafos era a sede da ilha de Chipre, lá estava seu governador, Sérgio Paulo. O texto fala que ele era “um homem inteligente ...e desejava ouvir a palavra de Deus” (At 13.7). Havia uma inquietação no coração do governador sobre a vida e desejava ouvir as boas novas dos missionários. Como disse Agostinho de Hipona: “Minha alma está inquieta enquanto não repousar em ti”. Mas, “Elimas, vendo o perigo à vista, “...se opunha a eles, procurando apartar da fé o governador” (v.8). 

E o mago era o astrólogo, ocultista, prevendo o futuro e interpretando sonhos e sinais do governador. O nome Barjesus significa “filho de Jesus”, além de não ser seguidor de Jesus, é um judeu paganizado que se opõe a Jesus e é, na verdade “filho do Diabo, cheio de todo o engano, inimigo de toda justiça” (AT 13.10). Engano vem do termo vigarista, dissimulado, maldoso. Ele não era filho da salvação, mas filho do Diabo. Elimas via nos missionários cristãos uma ameaça contra o seu prestígio e o seu meio de vida.

Mas, “Saulo. Também chamado Paulo, cheio do Espirito Santo, olhando firmemente para Elimas, disse: “Eis que, agora, a mão do Senhor está contra você, e você ficará cego, não vendo o sol por algum tempo. No mesmo instante, caiu sobre ele névoa e escuridão, e, andando em círculos, procurava quem o guiasse pela mão” (v.11). O homem que cegava os outros com seu ocultismo, através do seu engano, tornou-se fisicamente cego (At 13.11). 

“Então o governador, vendo o que sucedera, creu, maravilhado com a doutrina do Senhor” (At 13.12). O que o deixou atônito foi a combinação entre a palavra e o sinal, o ensino dos apóstolos e a derrota do feiticeiro. Nessa luta entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, os missionários evidenciaram que Deus é maior.

Conclusão.

“Então, Saulo, também chamado Paulo...”. Até aqui, ele foi identificado como Saulo, o nome hebraico pelo o qual Jesus se dirige a ele ao chama-lo (At 9.4). De acordo com Paulo, o fato de ele pertencer a tribo de Benjamin, era um de seus antigos motivos de vanglória, e ele não mudou de nome em sua conversão. Agora, é Paulo (Paulus) era seu apelido latino, cujo significado é pequeno. Agora, será um apostolo para os gentios.  

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