terça-feira, 7 de julho de 2026

 Milagres em Lida e Jope At 9.31-43 

Introdução

O evangelho está crescendo, quanto mais assopra o “vento” da perseguição mais as “chamas” aumentam. Saulo diante da perseguição em Jerusalém, partiu para sua cidade natal Tarso a fim de proclamar o evangelho. E a igreja continuava a vicejar e a crescer entre os judeus na Judéia. O evangelho se espalha e as igrejas iam sendo constituídas em todas as partes “Judéia, Galiléia e Samaria” (At 9.31). Essa é a primeira vez que a palavra “igreja” aparece no singular, significando a totalidade do corpo de Cristo.

A igreja desfrutava de “paz”, “Depois disso, a perseguição foi amenizada, e a igreja caminhou em paz por um tempo” (A mensagem). Nos momentos de paz a igreja estava sendo “edificada”, ou “fortalecida”, “encorajada” (grego paraklesis “animar”, “exortar em amor”). O Espírito Santo estava no meio da igreja dando animo e poder para que falasse de modo persuasivo a fim de ganhar novos crentes e continuar operar milagres. Uma igreja assim sente-se motivada a evangelizar e, portanto, cresce multiplicando em números (At 9.31).

“Pedro viajava por toda parte, foi também visitar os santos que moravam em Lida” ((At 9.32). O ide de Jesus de Atos 1.8 estava se cumprindo na igreja primitiva, principalmente através do ministério do apostolo Pedro. Descendo para Lida, que ligava Jerusalém a cidade de Jope, em seguida vai para Cesaréia Marítima onde funcionava o principal porto da região, construído pelo rei Herodes. O objetivo do apostolo era pregar o evangelho nessas regiões e visitar “os santos que moravam em Lida” (v.32). 

1)     Eneias o paralitico.

E achou ali certo homem, chamado Eneias, jazendo numa cama havia oito anos, o qual era paralitico” (At 9.33). A cidade de Lida, que era chamada de Lode no Antigo Testamento (1 Cr 8.12), ficava no caminho, na encruzilhada (perto de Jope e perto de Jerusalém) e era o caminho entre o Egito e a Síria, era um grande centro militar e comercial, famoso pelos têxteis  e pela cerâmica. E nos diz o Texto que em Lode vivia “...um homem chamado Enéias, paralitico e acamado há oito anos”. 

Homem que “vivia paralitico numa cama havia oito anos”.  (A Mensagem). Todos já estavam acostumados com a condição de Enéias, assim como nos acostumamos com a condição de muitos doentes e enfermos que estão ao nosso lado. Mas, é justamente nessa hora, que Deus mostra que o impossível está em suas mãos. Quando o apostolo Pedro se deparou com esse homem, conhecido em toda cidade de Lode, olhou para ele e lhe disse: “Eneias, Jesus Cristo te cura. Levanta-te e arruma a tua cama. Ele logo se levantou” (At 9.34). As palavras de Pedro para Eneias são parecidas com as palavras que Jesus usou para o paralitico de Cafarnaum: “Levante-se, pegue o seu leito e vá para casa” (Lc 5.24). 

 Entre as duas curas temos algumas diferenças: lá em Cafarnaum fala de amigos que levaram o paralitico até Jesus, aqui o apostolo Pedro foi até Eneias; lá em Cafarnaum os pecados do paralítico são perdoados, aqui o apostolo não declara que seus pecados foram perdoados (se Eneias fosse crente seu pecado já fora perdoado no momento da conversão); lá em Cafarnaum Jesus curou o paralitico pelo seu poder; aqui o apostolo curou em nome de Jesus “Jesus te cura”.

A similaridade dos dois eventos, tanto em cafarnaum quanto em Lida, é que o paralitico de Cafarnaum “...imediatamente ele se levantou diante de todos e, pegando o leito em que até então estava deitado, voltou para casa, glorificando a Deus” (Lc 5.25). Aqui, em Lida, é mais sucinto: “E, logo se levantou” (Atos 9.34). 

Durante oito anos, Eneias, o paralitico, tivera de depender da ajuda de outras pessoas, a fim de arrumar seu leito e fazer outras coisas corriqueiras. Mas, agora, uma vez libertado de sua enfermidade, podia cuidar de si mesmo. Não precisava mais ser carregado pelas pessoas, podia andar sozinho, livremente pelas ruas da cidade. As pessoas que vem ele andando pela cidade, um homem que vivera acamado, reagem e ficam aturdidas diante desse milagre. Assim, como em Cafarnaum, em que todos ficaram admirados. Em Lida, não somente se admiraram, mas também “se converteram ao Senhor” (At 9.35).

2)     Tabita ou Dorcas

Lucas continua narrando a viagem do apostolo Pedro, saindo de Lida indo até Jope, uma distância de vinte quilômetros. Fora pelo porto de Jope que Hirão (rei de Tiro) enviou madeiras para Salomão edificar o templo do Senhor;  também conhecida porque Jonas tentou fugir da presença do Senhor (Jn 1.3). Essa cidade ficava a 56 quilômetros de Jerusalém, e tem servido como sua cidade portuária por muitos séculos. É o único porto natural entre Jerusalém e Egito. Hoje, Jope, é um bairro histórico na moderna Tel Aviv. 

“Havia em Jope uma discipula chamada Tabita, cujo nome em grego é Dorcas”. Seu nome aramaico era Tabita, o primeiro nome e, seu nome em grego, cognome, Dorcas, que significa gazela. As gazelas eram usadas como símbolo de beleza e graciosidade. O Texto diz que Dorcas era “discipula”, ou seja, era crente em Cristo Jesus. Ela era generosa na obra do Senhor: usava seus recursos e sua habilidade como costureira para dar assistência material aos mais necessitados. 

Naqueles dias, ela ficou doente e morreu. O seu corpo foi lavado e colocado em um quarto do andar superior” (At 9.36-37). Enquanto o apostolo Pedro estava pregando em Lida, a apenas 20 quilômetros de Jope, a mulher morreu em decorrência de uma doença. Em vez de enterrá-la, ou passar especiarias em seu corpo por causa do mau cheiro, como o costume judaico, em vez disso seus amigos banharam o corpo, vestiram-no e colocaram-no no quarto dos hóspedes. Como se alguém morresse hoje, ao invés de chamar a funerária para fazer todo procedimento, pegasse o corpo e colocasse o cadáver em sua cama de dormir! 

Tudo o que os discípulos fizeram era acreditar que ela poderia ser ressuscitada pelo poder de Deus. Sabendo que o apostolo Pedro estava em Lida, perto de Jope, “...lhe mandaram dois varões, rogando-lhe que não se demorasse em vir tem com eles” (At 9.38). Quando Pedro chegou viu um corpo não preparado para o enterro, deitado nos aposentos, cercado por viúvas em luto. Com certeza aquela cena era-lhe familiar, uma no antigo Testamento e outra, no Novo Testamento.

A primeira cena está em 1 Reis 17:17-24, quando o profeta Elias carregou o filho de uma viúva para o quarto onde estava hospedado, deitou-o na cama e depois orou. Nos diz o texto: “...Então, ele se deitou sobre o menino três vezes e clamou ao Senhor: O Senhor, meu Deus, faz voltar a vida a este menino! O Senhor ouviu o clamor de Elias e a vida voltou ao menino, e ele reviveu. Então, Elias pegou o menino e o levou para parte de baixo da casa. Entregou-o à sua mãe e disse: Veja! O seu filho está vivo!”. Essa história acontece também em 2 reis capítulo 4.8 em diante, em que o profeta Eliseu, pelo poder de Deus ressuscitou o filho da Sunamita, que estava deitado em seu quarto morto. 

No Novo Testamento, temos a cura da filha de Jairo. Quando Jesus chegou na casa de Jairo havia uma multidão de pessoas, Jesus pediu que todos saíssem e somente ficaram os discípulos mais íntimos; em Jope, o apostolo Pedro “...mandou que todos saíssem” (At 9.40). Jesus na casa de Jairo, tomou a menina pela mão e ordenou: “Talitha Koum!”, que significa Filhinha! Eu te ordeno, levante-se” (Mc 5.41). Pedro toma Tabita pela mão e ordena: “Tabita, levante-se”. Jesus tinha poder para fazer a menina ressuscitar, Jesus é Deus. Enquanto Pedro, é um vaso escolhido,  faz o milagre acontecer em Nome de Jesus, no poder do Espirito Santo. 

Conclusão

Como o filho da viúva que morreu, mas abriu os olhos com a oração de Elias, como o filho da Sunamita que morreu, mas abriu os olhos nos dias de Eliseu. Como o filho da viúva de Naim que havia morrido, mas ressuscitou. Como a filha de Jairo, que morrera, mas ressuscitou com a ordem de Jesus. Assim, quando Pedro disse a mulher: “Tabita, levante-se”. Logo “Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. Ele, dando-lhe a mão, ajudou-a a ficar em pé” (At 9.41).

Depois do milagre, depois de apresentar Dorcas viva diante de todos, “muitos creram no Senhor”, em toda Jope falava-se desse milagre maravilhoso que o apostolo Pedro havia realizado no poder do Nome de Jesus. 


sábado, 4 de julho de 2026

 Discernindo o inimigo. 1 Pe 5.8-10 

Estamos em tempo de copa do mundo. São 48 seleções em busca de uma taça, somente uma seleção conseguirá levar o primeiro lugar. Logo, existe todo um escrutínio, um aprofundamento no jogo do adversário, assistir jogos do adversário, fazer um sistema tático para se defender e atacar o time adversário. Outrossim, a importância de se conhecer os jogadores mais eficientes, os atacantes, os meias, os laterais etc. Tudo isso, para que no dia do jogo, não haja nenhum imprevisto.  

1)     O inimigo

Assim, também, amados irmãos, o apostolo Pedro nos convoca para conhecermos o adversário da igreja. Ele admoesta: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor...”. O diabo vem da palavra diabolôs que significa “caluniador” ou “acusador”.  Em apocalipse 12 afirma que inimigo da nossa alma é o acusador de nossos irmãos “ele nos acusa de dia e noite” (At 12.10). O diabo  é um querubim caído que se rebelou contra Deus, levando consigo um terço dos anjos com ele.

O diabo não é um deus, é uma criatura, um ser limitado geograficamente, que precisa de outros demônios para satanizar a vida das pessoas. Mas, é uma criatura maléfica, cuja essência é totalmente má. Vive nas sombras, vive nas ruelas do poder, vive no meio da corrupção, nos vícios que escravizam, nas calçadas da prostituição, nas telas da pornografia, nas conveniências do poder.

“Muitos dos nossos pensamentos autodestrutivos vem da esfera demoníaca. Ele está constantemente nos acusando, culpando-nos, envergonhando-nos, e vindo contra nós com a esperança de nos destruir”.  Assim, ele fez com o sumo sacerdote Josué, em Zacarias, quando Satanás estava à direita dele para acusá-lo (Zc 3.1).

O apostolo diz que ele “anda ao derredor”. O diabo é gatuno, ele vem furtivamente, sorrateiramente, não chama a atenção, ele opera em segredo. Seus intentos são sombrios, tenebrosos. Ele nunca chama atenção para sua aproximação ou para o seu ataque.

E diz mais: “bramando como um leão”. Ele é uma fera, uivando e rugindo em busca de uma presa “buscando a quem possa tragar!”. Mas, não é o leão, é uma paródia do leão, uma enganação. Personalize esse versículo: “Seu adversário anda em derredor, bramando como leão, buscando tragar _______________”. Isso causa arrepios, pavor em muita gente. Mas, é assim que ele age.

Ele anda em derredor, espreitando todos os nossos passos, esperando por uma fraqueza, fragilidade, quando estamos desprevenidos. Seu objetivo: é nos devorar, nos consumir, nos derrotar.

2)     O que fazer?

“Sede sóbrios e vigilantes”. O diabo não gosta de mensagem como essa. Ele odeia ser exposto. Ele odeia que falem dele. Ele odeia ser descoberto, ele é um gatuno, ele opera pelas sombras, ele odeia ser desmascarado.  “Seja sóbrio” significa estar vigilante, estar apercebido, ter discernimento de Deus, estar vivo (enquanto o mundo dorme), viver em oração, estar sempre com os olhos abertos. Não se deixa levar pelas correntes de pensamentos humanos.

Temos que ter sobriedade e vigilância, pois na história bíblica temos exemplos de diversos homens que foram derrotados pelo diabo: Sansão, não vigiou e teve o cabelo cortado, enquanto dormia. O rei Saul teve sua lança furtada por Davi, enquanto dormia. Noé, dormindo embriagado, foi de alguma maneira humilhado pelo filho. Enquanto o culto acontecia, enquanto Paulo pregava, Eutico, estava na janela dormindo, logo caiu da janela...Na parábola das dez virgens, elas dormiram porque o noivo demorou, mas a meia noite, ouviu-se um grito: “Ai vem o noivo”. O apostolo Paulo exorta a igreja nessa noite: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Ef 5.14).

Desperta igreja de Jesus, não subestime a capacidade do inimigo, ele é um anjo caído.

Desperta igreja, vigia com os prazeres e as lentilhas que o mundo lhe oferece.

Desperta igreja, não titubeia, mantenha-se acordada, pois o adversário “anda em derredor”.

Desperta igreja, o inimigo tem rugido sobre sua vida, sua casa, sua vida particular, ele quer te derrubar, acabar com você. Mas, ele não é o leão, é um leão, o seu rugido é mentiroso, é falso. Pois, nós temos o leão, sim, o leão da tribo de Judá, Jesus Cristo; aquele que morreu, no terceiro ressuscitou e está assentado à direita de Deus Pai.

“Resista-o”. Não corra com medo do inimigo. Não o convide, nem brinque com ele. Resista-o, pelo poder do Senhor Jesus Cristo. O apostolo Paulo afirma que “nossa luta não é contra seres humanos, e sim contra principados e potestades, contra os dominadores deste sistema mundial em trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef 6.12).

O que fazer, “Revesti-vos de toda armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do Diabo” (Ef 6.11). Precisamos do “cinto da verdade”, vivendo na verdade; precisamos da “couraça da justiça”, para nos proteger das setas do adversário; precisamos das “botas do evangelho”, para libertar pessoas da opressão; precisamos “do escudo da fé”, por causa dos dardos inflamados do maligno; precisamos do “capacete da salvação”, guardando nossas mentes dos ataques do mal. E, por fim, precisamos da “espada do Espírito”, precisamos da palavra de Deus em nossas vidas.

Conclusão

Por fim, o apostolo Pedro diz: “Ora, o Deus de toda graça, que vos convocou à sua eterna glória em Cristo Jesus, logo depois de terdes sofrido por um curto período de tempo, vos restaurará, confirmará, concederá forças e vos estabelecerá sobre firmes alicerces. A Ele, portanto, seja o pleno domínio para todo o sempre. Amém!” (1 Pe 5.10-11).

  

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

 Saulo, novo convertido At 9.10-31 

Saulo, judeu helenista, da cidade de Tarsos, cidadão romano, estudou aos pés de Gamaliel. Homem preparado, guerreiro tenaz, que participou ativamente da morte de Estevão; perseguiu a igreja de Cristo, prendendo homens e mulheres. Era como um javali que chega numa plantação e devasta. Assim, era Saulo, um javali selvagem. Até que um dia “repentinamente”, Jesus lhe aparece na estrada de Damasco e lhe chama pelo nome “Saulo, Saulo, porque me persegues”. Doravante, ele se torna um cristão, um filho de Deus.

1)     Ananias

“O Senhor o chamou em uma visão” (At 9.10). Ananias responde ao chamado do Senhor de forma diferente de Saulo. Em vez de perguntar: “Quem és tú?”, ele está pronto a obedecer: “Aqui, estou Senhor” (At 9.10). E a ordem do Senhor era: “Levanta-te, e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo” (At 911).  Porém, ele levanta objeções a uma comissão divina que parece inconsequente, perigosa. Ele argumenta com o Senhor: “Senhor, eu tenho ouvido muita gente falar a respeito de todas as maldades que este homem tem feito ao teu povo em Jerusalém” (At 9.13).  Outrossim: “...aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o seu nome” (At 9.14).

A reputação de Saulo era conhecida da igreja cristã, era um homem perigoso, sanguinário, participou ativamente na morte de Estevão. Logo, o “Aqui estou, Senhor”, as palavras iniciais de Ananias, se torna em outras palavras “Não, Senhor”. Mas, o Senhor é insistente: “Vai, porque ele é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios, reis e israelitas” (At 9.15). Ele é um “instrumento”, ou um “vaso” escolhido”. Portanto, diante dessa ordem, Ananias descobre que nem mesmo o inimigo mais endurecido e temível pode ser excluído.

Diante da visão do Senhor e dá ordem dada, Ananias, confronta seus próprios medos, pois precisa ser obediente a Deus e confiar que sua graça é capaz de transformar até mesmo o pior inimigo dos cristãos. Para Deus não há impossível, Deus mudou a vida de Zaqueu, cobrador de impostos; Deus mudou a vida de Maria, Madalena que tinha sete demônios; Deus mudou a vida a vida da mulher samaritana, que tivera cinco maridos. Logo, Deus é capaz de mudar a vida de qualquer pessoa.  

Cheio da coragem divina, “Ananias foi até a rua direita” (At 9.11) e entrou na casa de Judas. Lá ele lhe impôs suas mãos (v. 17), para que fosse curado de sua cegueira física e ficasse cheio do Espírito Santo. Ao mesmo tempo, Ananias chamou-o de “Saulo, irmão”, ou “Saulo, meu irmão”! Podem muito bem ter sido as primeiras palavras que Saulo ouviu de lábios cristãos após a sua conversão. Devem ter sido música para seus ouvidos.  

Ananias explicou como o mesmo Jesus que lhe aparecera na estrada de Damasco o tinha enviado a ele para que pudesse recuperar sua visão e ficar cheio do Espírito Santo. Imediatamente lhe caíram dos olhos como que escamas e tornou a ver.Algo como escama” (ARC), que caíram dos olhos de Saulo. A palavra grega denota algo fino e escamoso, como as escamas de peixes ou cobras, aconteceu uma cura sobrenatural, seus olhos voltaram a enxergar e sua alma recebeu uma nova natureza. Depois disso, Saulo foi batizado, com certeza diante dos cristãos de Damasco. Em seguida, se alimentou, após três dias de jejuns, sentindo-se fortalecido.

1)     Etapas da vida cristã

Tempos bons na presença de Jesus.

Em Damasco, Saulo “nas sinagogas, pregava a Jesus, que este era o Filho de Deus” (At 9.20). Contava a todos sobre o seu encontro com o Messias na estrada de Damasco. Todos estavam atônitos diante do seu testemunho: “Não é este que, em Jerusalém, perseguia os que invocam esse nome? Ele não veio para cá a fim de levá-los presos aos principais sacerdotes?” (At 9.21). Saulo debatia e confundia os judeus que habitavam em Damasco. Sua história chegou aos ouvidos da igreja da Judéia: “Aquele que antes nos perseguia agora prega a fé que antes tentava destruir” (Gl 1.23). 

Saulo fora preparado, conhecia a lei de Moisés, formou-se aos pés de Gamaliel, era uma pessoa influente entre as autoridades judaicas e romanas. Agora, estava em Damasco, acolhido, aceito, encorajado, protegido por um pequeno grupo de cristãos, de discípulos que tinham visto o Espírito Santo cair sobre ele e assistiram como o Espírito Santo transformou o seu caráter. Saulo desfrutava de uma comunidade unida e pregava constantemente nas sinagogas,  provando aos judeus que Jesus era o Cristo, o filho de Deus.

Tempo desérticos

Passados muitos dias”, ou seja, depois de Saulo ter pregado em Damasco, os líderes da sinagoga de Damasco “decidiram de comum acordo matá-lo”. Agora, o perseguidor tornou-se perseguido! Saulo estava sendo vigiado pelas autoridades religiosas, dia e noite. “Então, durante a noite, alguns de seus discípulos o baixaram pela muralha da cidade num grande cesto” (At 9.25). Em Gálatas, o apostolo Paulo, fala de um período de três anos, durante o qual ele vai, de Damasco à região da Arábia. E, depois, volta para Damasco, antes de retornar a Jerusalém. “...sem me deter, segui rapidamente para Arábia e depois retornei a Damasco” (Gl 1.17-18). 

A região da Arábia era um vasto território que se estendia ao sul, ao longo da margem leste do rio Jordão e do mar morto até o mar vermelho; a oeste, até a Mesopotâmia; e, ao norte, até Damasco. Também era conhecida como Nebateia, e a famosa cidade Petra, construída nos penhascos de rocha vermelha, era sua capital. 

Durante esse tempo de perseguição, Saulo passou meditando nas sagradas escrituras. Estava passando pelo deserto, perseguindo pelos líderes de Damasco e pelo rei da Arábia. Fora nesse deserto que muitas revelações que temos em suas cartas foram desveladas. Acerca do “mistério” (judeus e gentios, o mesmo povo em Cristo); caindo o muro de separação. Ele fala de “revelação”, “meu evangelho” e “o evangelho que recebi ...mediante a revelação de Jesus Cristo”, enfim., tudo que vemos em suas cartas uma boa parte Deus lhe revelou no deserto da Arábia.  

Tempos mais difíceis

Primeiro, desconfiança na igreja. “E quando Saulo chegou a Jerusalém” (At 9.26), “procurou juntar com os discípulos” (At 9.26), mas eles “tinham medo” (NTlH), “o temiam” (ARA); “todos...o temiam, não acreditando que ele fosse discípulo” (At 9.26). Provavelmente não tinham tido notícias dele durante três anos, que ficara na Arábia. Mas dessa vez, Barnabé veio socorrê-lo. “Tomando-0 consigo, levou-o aos apóstolos, e contou-lhes como ele vira o Senhor no caminho, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus” (At 9.27).

Todo mundo precisa de um Barnabé em sua vida - de alguém que seja um encorajador e que, por natureza, acredita nas pessoas e lhe dá uma chance após outra. Seu nome era José, mas lhe chamavam de Barnabé “filho do encorajamento”, ou “encorajador”. 

Graças a Deus por Ananias que apresentou Saulo à comunidade em Damasco (precisou de uma visão de Deus), e a Barnabé que fez o mesmo em Jerusalém. Sem eles, e a recepção que asseguraram a Saulo, toda a história da igreja teria sido diferente. A comunidade cristã precisa receber os novos convertidos, especialmente aqueles que vem de um contexto religioso, étnico ou social diferente. Existe uma necessidade urgente de Ananias e Barnabés modernos que vençam seus escrúpulos e suas hesitações e tome a iniciativa de ajudar os recém-chegados.

Segundo, tempo de perseguição. Em Jerusalém, Saulo “...falava ousadamente no nome de Jesus, falava e disputava também contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo”. Eram “judeus de fala grega”, este foi o mesmo grupo que instigou a campanha de calúnia contra Estevão. Muitos provavelmente pensaram que era um golpe de justiça, ou seja, Saulo estava colhendo os frutos das sementes que um dia semeara contra Estevão. Mas “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.21).

Os discípulos sabendo desse plano dos judeus helenistas contra Saulo, organizaram sua fuga para Cesaréia Maritima, onde ele pegaria um navio para sua cidade natal, Tarso. Passaria a década seguinte aprendendo, crescendo e aperfeiçoando para a liderança na igreja. 


Conclusão

Para Saulo não foi nada fácil o começo de sua conversão. Saulo, o perseguidor implacável, agora, tivera um encontro com Cristo.

A.W. Tozer escreveu certa vez: “É improvável que Deus possa abençoar grandemente um homem antes que o tenha ferido profundamente”. Ou, outro escritor afirmou: “Quando Deus quer fazer uma tarefa impossível, ele pega um homem e o esmaga”. 


terça-feira, 23 de junho de 2026

 Saulo versus Paulo At 9.1-5 


Saulo nasceu e cresceu em Tarso, a principal cidade da Cilícia. Era uma cidade populosa, prospera e era ladeada pelo monte Tauro, escarpados e cobertos de neve; havia vinhedos exuberantes e terras para o cultivo de grãos e linho. A economia de Tarso girava em torno da indústria têxtil que produzia tecidos de linho fino, mas a cidade era conhecida também pelo tecido grosso, áspero e resistente feito de pelo de cabra, usado para fazer tendas e outros itens. A profissão de Saulo era fazedor de tendas, que vinha de sua cidade natal. 

Seus pais conseguiram a cidadania romana na época do imperador Augusto, que concedeu a Tarso o status de “cidade livre”, ou seja, todos os habitantes adquiriram a cidadania romana. Todo cidadão romano usava uma fórmula de três nomes, como é atualmente. O primeiro nome (Saulo), o sobrenome da família (?) e o cognome correspondia ao nome do meio dos nossos dias (Paulo). O nome Saulo, com certeza em homenagem ao rei famosos da tribo de Benjamim, Saul e lhe deram o cognome de “Paulo”, que era relativamente raro. Paulo em latim é “paulus”, significa “pequeno”, ou “pequenino”, que podia ser alguma qualidade física (tamanho)ou um traço de seu caráter.

1)     Saulo

De Tarso, em sua adolescência mudou-se para Jerusalém, tornando-se aluno de um dos rabinos mais respeitados de sua época, Gamaliel, que era neto de Hilel. Ele fala sobre sua história: “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamin, hebreu dos hebreus; quanto à lei, fariseu” (Fp 3.5). Aqui está toda linhagem de Saulo, passando por todo processo (desde ao oitavo dia de nascimento), até o último processo (fariseu, significa “separados”) o grupo religioso mais importante de seus dias.

Como fariseu, Saulo participou da acusação, condenação e morte de Estevão. Saulo, juntamente com seus pares, ouviram a confrontação do diácono Estevão: “...povo rebelde, obstinado de coração e ouvidos” (At 7.51). Ele não atirou pedras sobre Estevão, mas “...as testemunhas deixaram as suas capas com um jovem que se chamava Saulo” (At 7.58). Ainda era jovem, é justamente na juventude que radicalidade se intensifica, é na juventude que somos tomados pelas “ideologias”.   

Nos diz Atos que depois da morte de Estevão “...a igreja de Jerusalém começou sofrer perseguição... Saulo procurava destruir a igreja. Ele ia nas casas onde eles costumavam se reunir, arrastava para fora tanto homens como mulheres e os pinha na cadeia” (At 8.3-4). Alguns termos que Lucas usa para descrever Saulo é para compará-lo a “um animal selvagem e feroz”. A palavra destruição é empregada no Salmo 80.13: “Os javalis da floresta destroem a sua vinha, e os animais selvagens a devoram”. Saulo, como o javali, queria destruir a igreja do Senhor Jesus. O seu sentido específico é “destruição de um corpo por um animal selvagem”. 

Depois de anos mais tarde, ele dá esse testemunho diante do rei Agripa: “Muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia” (Atos 26.11)

Seu ódio na verdade, não era propriamente contra os cristãos, mas contra Cristo. Ele testemunha ao rei Agripa: “Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas deviam eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno” (At 26.9). Escrevendo ao jovem Timóteo, anos mais tarde, ele confessa: “A mim que, noutro tempo, era blasfemo e perseguidor e insolente ...” (1 Tm 1.13). Seu coração estava cheio de ódio e sua mente estava envenenada por preconceitos. Em suas próprias palavras, ele estava demasiadamente enfurecido.

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor...” (ARC). Ou, “.... Saulo, motivado pela ânsia de matar os discípulos do Senhor...” (NVT). “...respirando ameaças e mortes” faz “alusão ao arfar e ao bufar dos animais selvagens”. Saulo parecia mais um animal selvagem do que um homem. Na linguagem dos crentes de Damasco, Saulo era um exterminador (At 9.21), era um monstro celerado, um carrasco impiedoso, um perseguidor truculento, um tormento da vida dos cristãos piedosos. Em cada pisada de Saulo o evangelho se disseminava, suas brasas quentes, acendiam em outros lugares. Jerusalém, Judéia, Samaria, Damasco...

“...e pediu-lhes cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso encontrasse alguns do Caminho, tanto homens como mulheres, os conduzisse preso a Jerusalém” (At 9.2). Primeiro pediu permissão ao Sinédrio de Jerusalém para extraditar os cristãos que estivessem em Damasco. Esses cristãos são chamados do “...caminho”. O nome talvez tenha origem na citação de Isaias 40.3: “Preparai o caminho do Senhor”, uma referência ao João Batista que viera preceder a vinda do Messias. Também, pode se referir ao que Jesus disse: “Eu sou o caminho...” (Jo 14.6). Ele é o caminho para salvação, caminho para o céu. 

Segundo, escoltados por soldados do Sinédrio, os mesmos que prenderam Jesus, Saulo marcha para Damasco. Marcha para perseguir e prender os cristãos e levá-los como prisioneiros para Jerusalém, a fim de puni-los, exatamente no local onde eles afirmavam que Jesus havia ressuscitados dentre os mortos (At 22.5).

2)     Paulo

Saulo partiu com os soldados em uma jornada de aproximadamente 218 quilômetros, de Jerusalém a Damasco. Quando se aproximavam da cidade, sem aviso, uma luz muito mais brilhante do que o sol os banhou com um brilho ofuscante que derrubou Saulo de Joelhos. “...aproximando-se de Damasco, de repente, uma luz resplandecente, vinda do céu, o cercou” (At 9.3). “...vi uma luz do céu, mais resplandecente que o sol, brilhando ao meu redor” (At 26.12-14).  “De repente” indica que o evento veio sobre eles de forma rápida e inesperada.  

A luz parecia como um feixe ou uma coluna que vinha do céu. O verbo traduzido por brilhou sugere a ideia de relâmpago; a intensidade ofuscou o sol, iluminando tudo naquela área. De acordo com o relato posterior de Saulo, isso ocorrer “por volta do meio-dia” (At 22.6). Essa luz que veio sobre Saulo é um exemplo de teofania, a presença manifestada de Deus. No Antigo Testamento, o Senhor indicou sua presença na forma de uma luz sobrenatural, mais tarde chamada de Shekinah.

Essa luz apareceu para Moisés na sarça ardente (Ex 3.1-3), essa luz conduziu os israelitas pelo deserto numa coluna e se estabeleceu no Monte Sinai na frente do povo. Quando o tabernáculo foi construído, a Shekinah pairou sobre a arca da aliança atrás de um véu espesso no lugar santíssimo (Ex 25.22). Fora a mesma luz que apareceu para Salomão, depois que terminou de orar: “...desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor encheu a casa” (2 Cr 7.1).

De dentro daquela luz, mais forte que o sol, Saulo ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” (At 9.4). Voce não está perseguindo minha igreja, mas está me perseguindo. A igreja é, para Cristo, seu próprio corpo. E quanto às pessoas que Saulo vinha espancando e matando? O Espirito Santo as batizara em Cristo, tornando-as uma unidade com Ele, assim como Cristo é um com o Pai e o Espirito (Jo 17.18-21). Coletivamente, nós, a igreja somos representação visível de Jesus Cristo no mundo! Perseguir a igreja é agredir o Filho de Deus.

Naquela luz, Saulo viu Jesus resplandecente, sim, o próprio Senhor apareceu para ele. Ele escreveu um dos poemas mais belos da natureza de Jesus: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Pois tudo foi criado por ele, no céu e na terra, o visível e o invisível, sejam tronos ou domínios, ou governantes ou autoridades. Todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e por ele todas as coisas subsistem” Cl 1.15-17).

Conclusão, a conversão de Saulo em Paulo

Primeiro, ele viu uma luz (At 9.3). “De repente”, “subitamente” uma grande luz brilhou ao seu redor, tão forte que lhe abriu os olhos da alma e lhe tirou a visão física. Os olhos espirituais foram abertos, mas seus olhos físicos foram fechados.

Segundo ele caiu por terra (At 22.7). O touro indomável, selvagem, estava subjugado. Aquele que prendia, matava, estava preso. Aquele que encerrava na prisão, estava dominado. O Senhor Jesus quebrou todas as resistências.

Terceiro, ele ouviu uma voz (At 9.4). “...Saulo, Saulo, por que me persegues”. A voz do Senhor é poderosa, “...a voz do Senhor é majestosa. A voz do Senhor quebra os cedros do Libano” (Sl 29.4-5). Ela despede chama de fogo. Faz tremer o deserto. Paulo, então, pergunta: “Quem és tu, Senhor? Ao que ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem persegues” (At 9.5). 


 

domingo, 21 de junho de 2026

 O poder de Deus em Efésios Atos 19. 1-7; 11-20 

Assembleia de Deus 115 anos

Em 18 de junho de 1911 a igreja Assembleia de Deus foi fundada no Brasil, completamos 115 anos de história. Dois missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren que moravam nos Estados Unidos receberam uma revelação para pregar o evangelho no estado do Pará. E, assim obedeceram a ordem do Senhor. Começaram na primeira igreja Batista de Belém, depois saíram porque acreditavam nos dons espirituais e na cura divina. O lema dos missionários eram: “Jesus salva, Jesus liberta, Jesus batiza com Espírito Santo e Jesus levará para o céu”.

1)     Jesus batiza com Espirito Santo

Paulo está em Efésios, uma cidade cheia de vaidade, com duzentos mil habitantes. Ali havia a famosa estátua da deusa Diana dos Efésios, deusa da fertilidade. E havia os “pergaminhos de Efésios”, que eram cartas que garantia que pessoas viajasse com segurança, concedia filhos para mulheres estéreis e êxito no amor.

Em Efésios ele encontra alguns discípulos de João Batista, o mesmo que viera para preparar o caminho do Senhor e que tivera o privilégio de batizar o Messias. Agora, anos depois, seus discípulos estão espalhados pela Asia. Então, o apostolo lhes perguntou: “Vocês receberam o Espírito Santo quando creram”? Eles responderam: “Não. Nem sequer ouvimos dizer que há o Espírito Santo”. (At 19.2). Os primeiros discípulos de Jesus foram batizados com Espírito Santo em Atos 2: “...começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o próprio Espirito lhes concedia que falassem” (At 2.4).

Em atos 8, fala de um avivamento que estava acontecendo em Samaria, Deus estava salvando e fazendo sinais e prodígios maravilhosos. Pedro e João oraram por eles para que recebessem o batismo com Espírito Santo. Diz-nos o texto que a medida que “...Pedro e João impunham as mãos recebiam estes o Espirito Santo” (Atos 8.17). O poder de Deus, a unção de Deus, caiu sobre os samaritanos e muitos se converteram ao evangelho de Jesus. E muitos foram batizados com Espirito Santo!

E, aqui no capítulo 19, o apostolo Paulo aborda esses discípulos de João e lhes pergunta: “Foste batizado com Espírito Santo?”. disseram: “de forma alguma nem sequer soubemos que existe o Espírito Santo”. Experimentaram o batismo de João, batismo de arrependimento de pecados. Mas ainda não tinham experimentado a presença maravilhosa, poderosa, ungida, a dinamite, o revestimento de poder. O batismo que inunda nosso ser da presença de Deus.

O apostolo Paulo, logo explica: “O Batismo realizado por João foi um batismo de arrependimento. Ele ordenava ao povo que cresse naquele que viria depois dele, ou seja, em Jesus” (At 19.4). Aliás, João Batista afirmou: “Eu vos batizo com água para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu... ele vos batizará com Espírito Santo e poder” (Mt 3.11).

O texto fala que “Quando ouviram isto, eles foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, quando Paulo colocou suas mãos sobre eles, o Espírito Santo veio sobre todos e eles começaram a falar em línguas e a profetizar. Eram ao todo uns doze homens” (At 19.6).

2)     Jesus liberta e cura

Além de batizar com Espirito Santo, “Deus fazia milagres extraordinários por meio de Paulo, de modo que até lenços e aventais que Paulo usava eram levados e colocados sobre os enfermos. Estes eram curados de suas doenças, os espíritos malignos saiam deles”. (Atos 19.11-12). Sim, Deus estava realizando coisas maravilhosas em Efésios; Deus fazia milagres, as pessoas eram curadas de suas doenças e os endemoninhados eram libertados pelo poder de Jesus.

Havia um espírito na cidade de Efésios, o espirito do mal, espirito do engano, enganando as pessoas. Havia uma luta acirrada entre o bem e o mal. O mal representado por toda sorte de superstição e religiosidade e bem representando pelo apostolo Paulo.

Diz o texto que: “Alguns judeus andavam expulsando espíritos malignos e tentaram o invocar o nome do Senhor Jesus sobre os endemoninhados: em nome de Jesus, a quem Paulo prega, eu lhes ordeno que saiam...um dia, o espirito maligno lhes respondeu: Jesus, eu conheço, Paulo, eu sei quem é; mas vocês, quem são?” E a consequência: “Então o endemoninhado saltou sobre eles e os dominou, espancando-os com tamanha violência que eles fugiram da casa nus e feridos” (At 19.16).

Diante do que aconteceu com aqueles meninos: “...todos foram tomados de temor; e o nome do Senhor Jesus era engradecido” (At 19.17). As pessoas entregavam publicamente os seus instrumentos, os seus livros, seus santos, os seus artefatos de ocultismo e de práticas religiosas exotéricas e queimaram em praça pública, dando 50 mil denários!

Conclusão

O que é isso? Uma declaração publica no mundo espiritual. Estou rompendo com todos os espíritos que eu me relacionei, a partir de agora, o meu Senhor é Jesus Cristo, somente ele. Não podemos temer os poderes espirituais, hoje Jesus está do nosso lado. Hoje não temos medo “do terror noturno, nem da seta que voe de dia, nem da peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que assola o meio-dia” (Sl 91.5-6).

É preciso tomar uma posição, você quer receber o batismo com Espirito Santo, você quer ser salvo pelo sangue de Cristo e você quer ser liberto de todo espirito maligno? É uma tomada de posição...

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

 Um encontro marcado por Deus Atos 8. 26-40 

A igreja iniciou na festa do Pentecoste, com o derramamento de poder sobre cento e vinte discípulos. A igreja vai se expandindo, na pregação de Pedro foram dois mil pessoas; depois três mil pessoas. Os discípulos são perseguidos pelos religiosos, mas são irremovíveis em sua convicção sobre Jesus Cristo. Com a morte de Estevão, há uma perseguição aos cristãos, a igreja se espalha, vai para Judéia, depois Filipe, diácono, vai para Samaria, "o vento da perseguição aumenta a chama". Em Samaria, Deus faz coisas maravilhosas, prodígios e maravilhas e muitas pessoas são salvas pela mensagem do evangelho de Jesus Cristo. Há um avivamento acontecendo em Samaria, Deus estava fazendo coisas maravilhosas, grandiosas. O diácono Filipe pregava e sinais e prodigiosas aconteciam. 

1)     Uma ordem

Mas, no meio do avivamento em Samaria: “Um anjo do Senhor disse a Filipe: vai em direção ao sul para a estrada – a estrada deserta – que desce de Jerusalém para Gaza” (At 8.26). Ou seja, saia do avivamento, saia do holofote e vai para o deserto de Gaza! A presença de anjo era muito comum nos dias da igreja primitiva: anjos anunciam nascimentos (Lc 1.11), fortalecem Jesus (lc 22.43), salvam apóstolos da cadeia (At 5.19), dão direcionamentos relacionados a missões (At 8.26). Agora, o anjo do Senhor, aparece a Filipe a fim de dirigir sua missão. “Apronte-se e vá para o Sul...” (NTLH), “Dispõe-te e vai para o lado do Sul...” (ARA). 

Na estrada deserta indo para Gaza “...encontrou um eunuco etíope, um oficial importante de todos os tesouros de Candace” (At 8.27). Primeiro, ele era eunuco, isto é, um estrangeiro exótico, da distante África negra, onde atualmente fica o Sudão, na região chamada Cuxe nas escrituras. O povo etíope ocupava a região entre o rio Nilo e o mar Vermelho, de Assuã, no sul do Egito.   Ele é rotulado “eunuco” por sua condição como pessoa sem sexo; um homem que tinha sido fisicamente castrado, alvo de desprezo e zombaria por ser considerado efeminado. Segundo “Esse homem era alto funcionário, tesoureiro e administrador das finanças da rainha da Etiópia” (NTLH). 

Havia muito preconceito em relação aos eunucos: Essas pessoas deviam ser excluídas...dos templos...de todos os lugares da assembleia publica...era mau agouro e infortúnio ver uma pessoa dessas ao sair de casa pela manhã. E mais: eunuco não é homem nem mulher, mas algo misto, híbrido e monstruoso, estranho à natureza humana.

“Ele tinha ido para adorar a Deus”. O eunuco fez uma peregrinação para adorar em Jerusalém, apesar das restrições em Deuteronômio 23.1: “Nenhum homem castrado, que tenha esmagado os testículos, ou amputado o órgão genital poderá fazer parte do povo de Deus”. Logo, todo eunuco era proibido de fazer parte do povo de Deus, impedido também de entrar no templo do Senhor.

Ligado ao poder no serviço à rainha, é rico o suficiente para viajar em uma carruagem e ter um rolo do livro de Isaias. Pergaminhos copiados à mão, meticulosamente produzidos por um escriba judeu, custavam uma fortuna. Tudo sobre o homem diz que ele era um adorador devoto do Deus hebreu, bem como um homem com instrução e recursos financeiros.

O Espírito disse a Filipe: _Vá até a carruagem e fique perto dela” (At 8.29 VFL). Filipe obedeceu prontamente, “vá até a carruagem”, significa ação fora do santuário, lá fora, onde está o movimento, na rua, nas estradas e alamedas da humanidade. Lá fora, nos lugares públicos, nas escolas, nas praças. Hudson Taylor, levou o evangelho na China em 1857 e conduziu o evangelho ao Sr. Nyi. Certo dia, este perguntou a Taylor: “Há quanto tempo vocês conhecem o evangelho na Inglaterra?” Taylor respondeu: “Há muitos anos”. Com profundo sentimento, Sr. Nyi redarguiu: “Meu pai morreu sem conhecer o evangelho. Por que vocês não vieram antes?”. 

2)     Entende o que lês?

E estava no caminho de volta para casa. Sentado na sua carruagem, lia o livro do profeta Isaias” (At 8.28). Ele lia as escrituras, estava perplexo, curioso, querendo saber, conhecer. A história que ele lê em Isaias, porém, também fala de alguém que foi humilhado, abatido e tosquiado (cortado), mas foi considerado servo de Deus. As escrituras cativavam sua imaginação, mas ele não consegue entender seu significado pleno. No mundo antigo, não era costume ler silenciosamente, portanto quando Filipe se aproxima, ouve o eunuco lendo e identifica a passagem. Logo, Filipe, lhe pergunta: “O Senhor entende o que está lendo?”. 

“Ele respondeu: Como posso entender sem que alguém me explique?” Para entender as escrituras é preciso estar plenamente fundamentado e ser guiado pelo Espírito Santo.  E convidou Filipe a subir na carruagem e sentar-se ao seu lado” (At 8.31). o texto que ele lia em voz alta era esse: “Ele foi levado como ovelha para o matadouro; e, como cordeiro mudo diante dos tosquiados, não abriu a boca. Na sua humilhação foi privado de justiça. Quem pode falar de seus descendentes? Pois a sua vida foi tirada da terra” (At 8.33).

Então, Filipe, começando com aquela passagem da escritura, anunciou-lhe as boas novas de Jesus” (At 8.35 NVI). Filipe explica que Jesus é a ovelha levada ao matadouro, que foi humilhado, chicoteado, carregou uma cruza pesada na via dolorosa, mas não abriu sua boca. Depois, colocaram-no numa cruz, suas mãos e seus pés foram pregados, na hora da sede deram-lhe vinagre. Morreu naquela rude cruz, com dores excruciantes. Sua morte na cruz, porém, não foi o seu fim. 

A boa notícia é que Deus ressuscitou dos mortos, sim, Jesus ressuscitou, venceu a morte, e o exaltou em glória. Por causa daquilo que Deus fez, ele está destinado a ter membros incontáveis em sua família espiritual.

Depois da pregação Filipe, depois do evangelismo pessoal, de contar a história da salvação. “Seguindo pelo caminho, chegaram a certo lugar onde havia água. Então o eunuco disse: _eis aqui água. O que impede que eu seja batizado?” (At 8.36 NAA). A primeira pergunta que o eunuco fez a Filipe, foi: “Como entenderei se alguém não me orientar? e “De quem o profeta está falando?”. E a terceira pergunta do homem: “Que me impede de ser batizado?”. Alguns com certeza responderiam que sua condição mutilada e suas origens étnicas o impediam.

Mas Filipe não enxerga desse jeito. Filipe lhe diz que por causa da morte e da ressurreição de Jesus, aqueles que haviam sido excluídos não podiam ser deixados de fora do Israel renovado. Ele pode tornar-se parte da família de Deus, que provê um lar para que não tem lar e uma família para que não tem família. Ou seja, o evangelho, segundo Filipe, é para todos, e é boa-nova especialmente para os quebrantados, os desemparados e os estrangeiros. "Então, Filipe e o unuco desceram à água, e Filipe o batizou" (Atos 8.38). E termina afirmando que "...O Espirito do Senhor arrebatou Filipe repentinamente. O eunuco não o viu mais e, cheio de alegria, seguiu seu caminho" (At 8.40). 

Conclusão

O grande desafio da igreja em nosso tempo consiste em ser a família das boas-novas que Jesus prometeu aos que percorrem as solitárias veredas morro abaixo e se perguntam quem é esse cordeiro que morreu e o que ele significa para eles.

A condição vergonha do etíope era publica e, apesar de ter alcançado um cargo elevado na corte da rainha, a vergonha deve ter marcado sua alma. Pois todos tem segredos que consideram vergonhosos, que não são públicos e que desejam esconder. A vergonha pode se tornar semelhante a um câncer que corrói a alma. Amortece suas vitimas com o medo de serem expostas aos preconceitos.

Mas, Jesus, em sua morte humilhante e vergonhosa na cruz, toma sobre si a vergonha daqueles que foram envergonhados e a remove. Todos que depositam nele sua fé e são renovados, perdoados, justificados, santificados e podem recomeçar na confiança de que ele faz novas todas as coisas. A Bíblia diz: “Aquele que está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas se passaram e eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).