terça-feira, 20 de outubro de 2026

 Contracultura 1 Tm 4.1-14  

Introdução

Quando o apostolo Paulo estava em sua primeira viagem missionária, passou pela região da Galácia, e evangelizou a cidade de Listra. Uma cidade com poucos judeus e muitos gentios, e ele viu um aleijado de nascença sentado junto a multidão ouvindo sua pregação. Paulo, vendo que esse homem tinha fé para ser curado, disse em voz alta: “Levante-se” (At 14.10). “O Homem deu um salto e começou a andar” (At 14.11). O povo da cidade pensou que Paulo e Silas fossem deuses gregos e queriam adorá-lo, mas Paulo pregou o evangelho afirmando que Jesus tinha feito aquele milagre. Com certeza, Timoteo tornou-se cristão nessa pregação do apostolo Paulo.

1)     Timóteo

O evangelista Lucas conta que Timóteo era filho de um casamento misto: mãe judia e pai grego (Atos 16.1). Pode-se presumir que seu pai fosse descrente, mas a mãe era uma judia que se tornou cristã, quando o apostolo Paulo pregou pela primeira vez. Com certeza, sua mãe e sua avó Loide, ensinaram para Timóteo todo desígnio de Deus, toda verdade das escrituras. Paulo diz: “Lembro-me de sua fé sincera, como era de sua avó Loide e de sua mãe, Eunice” (2 Tm 1.5). Era uma fé verdadeiro, sincera e que foi transmitida em três gerações. 

Algumas informações sobre Timoteo: Timóteo era relativamente jovem (uns 30 anos). Paulo lhe exorta: “...ninguém despreze a tua mocidade! (1 Tm 4.12). Timoteo estava envolvido na obra do Senhor, e muitas vezes, por ser mais novo, era desprezado.  Ademais, em sua segunda carta, exortou a fugir “das paixões da mocidade” (2 Tm 2.22). Cuidado com a prostituição, com a imoralidade sexual.

Timóteo tinha a saúde muito debilitada. Na primeira carta que o apostolo Paulo lhe escreveu, afirmando: “...você fica doente com frequência” (1 Tm 5.23). E, mais, além de ser jovem, além das tentações da mocidade, além de sua fragilidade com doenças, o apostolo, fala de seu temperamento tímido, introvertido. Tudo isso, dificultava mais o ministério de Timoteo.

2)     Exortações

No terceiro capítulo o apostolo fala dos perigos dos últimos dias, seriam dias difíceis e coloca as impressões de como seria os homens de nosso tempo: amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, arrogantes, zombadores, desobedientes, ingratos e profanos, sem afeição para perdoar, caluniadores, sem autocontrole, cruéis, imprudentes, cheios de si, mas voltados para os prazeres deste mundo (2 Tm 3.1-6). E a exortação, surge aqui: “Tu porém, permaneça firme, nas coisas que aprendeu” (2 Tm 3.14). 

Agora, no capítulo 4 de primeira Timoteo, o apostolo começa nos advertindo: “O Espírito diz expressamente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrina de demônios” (1 Tm 4.1). Os últimos dias são os dias que vivemos, e o apostolo Paulo como um pastor de ovelhas advertindo sua igreja sobre as coisas que vão acontecer. Ele fala da apostasia, como dar ouvidos a espíritos enganadores e aceitar como verdade as doutrinas dos demônios. São ensinamentos humanos, que exalta o ser humano e é cheio de charme e carisma. 

Os falsos mestres possuem dons de persuasão. Poucos conseguem resistir ao carisma deles, conseguem mentir facilmente, são pessoas que fazem movimentos em muitas igrejas. Alguns inspiram tal devoção que as pessoas não questionam suas falas. O apostolo Judas avisa a igreja sobre eles: “...certos homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, entraram dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a graça de Nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único soberano e Senhor” (Jd).

São “mentirosos”, “consciência cauterizada”, seguem o pai da mentira: o Diabo. “Consciencia cauterizada” esses homens perderam os terminais nervosos, toda sensibilidade espiritual, todo temor de Deus, o pecado tornou-se algo comum, pelo processo de cauterização. “Cauterizar” vem do latim, que emprestou a palavra do grego, ou seja, eles são marcos, levam em si a marca do seu dono, o Diabo. 

O que eles ensinam? “Proíbem o casamento e o consumo de alimentos”. Ora, o casamento foi estabelecido por Deus (Gn 2.18), é uma instituição divina, de Deus, o casamento é a união entre homem e mulher. O texto diz: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). E, mais, diz o apostolo Paulo: Proíbem também o consumo de alimentos, impondo leis dietéticas desnecessárias, cono se fosse algo espiritual. “Pois tudo o que Deus criou é bom, e nada deve ser rejeitado, se for comido com ação de graças, pois é santificado pela palavra de Deus e pela intercessão” (1 Tm 4.4-5).

O apostolo Paulo também sobre “...as fábulas profanas e tolas” (1 Tm 4.7). A palavra fábula vem do grego “muthos” que significa uma ideia baseada em ficção, estória, invenção. Além disso, o apostolo Paulo ainda diz: “...e de velhas caducas”. Uma expressão para dizer “tolas”, pessoas insuportáveis, excessivamente religiosas. Enfim, misturando tudo isso, em outras palavras, ele fala pelo Espirito Santo sobre a necessidade de termos discernimento nesses últimos dias. 

Mas, exorta: “exercite-se na piedade”. Invista na vida com Deus, invista na espiritualidade, invista na oração, invista em ficar a sós com Deus, invista em jejuar, consagrar, invista em bons livros, invista na leitura na Bíblia Sagrada. Pois, “...o exercício físico é de pouco proveito”. Será que o apostolo Paulo está condenando a atividade física? Não, ele reconhece a importância, mas o corpo é matéria, é temporal, vai perecer. O mais importante, diz o apostolo: “a piedade.... porém, para tudo é proveitosa, porque tem promessa tanto para a vida presente quanto para a futura” (1 Tm 4.1).

No verso 6, no capítulo 4, o apostolo Paulo diz: “Se você transmitir essas instruções aos irmãos, será um bom ministro de Cristo Jesus, nutrido com as verdades da fé e da boa doutrina que tem seguido fielmente” (1 Tm 4 6). Timóteo, diz o apostolo Paulo, voce tem que ser um bom ministro de Cristo. Sim, o pastor, o pregador, o evangelista são servos de Cristo, somos emissários, somos embaixadores do Rei dos Reis. Treinado e equipado para guiar o povo em toda verdade “nutrido pela palavra da fé e da boa teologia que tens seguido”. Quando somos alimentados pela palavra de Deus e o seu ensino, então, podemos rejeitar “fabulas profanas e velhas caducas”.

Conclusão

O apostolo Paulo termina dando alguns conselhos para Timoteo: “ninguém te despreze pelo fato de ser jovem”. Timoteo era jovem, era tímido, mas Paulo lhe colocou diante da congregação. E Paulo o motiva dizendo que apesar da pouca idade, mantenha seu ministério firme, porque Deus lhe chamou e seja exemplo: “...na palavra, no comportamento, no amor, na fé e na pureza” (1 Tm 4.12).

“...dedique a leitura publica das escrituras”. Leia a palavra, leia em voz alta, leia meditando, escute a Palavra em áudio, memorize as escrituras, deixa a entranhar dentro de voce. Mas, vai além, “...à exortação e o ensino”. Exortar é persuadir a congregação a agir de acordo com a Palavra de Deus. “Ensine”, colocar a palavra de Deus diante dos irmãos.

“Não seja negligente para com o dom que há em ti”. Voce tem um dom, Deus lhe deu. Timoteo era evangelista, pregador da palavra de Deus. Este dom lhe foi “concedido mediante profecia, com a imposição das mãos do presbítero” (1 Tm 4.14). Mais pra frente, o apostolo exorta: “Mantenha viva a chama do dom de Deus que está em voce...” (2 Tm 1.6-7). 




terça-feira, 13 de outubro de 2026

 Profetizas e profetas Atos 21.1-14 

Introdução

Da última vez, o apostolo Paulo estava em Mileto, uma cidade portuária, no mar Egeu. Ele convocou os presbíteros de Éfeso, para uma reunião ministerial, com o objetivo de despedir-se deles, seria o adeus. Ele iniciou seus irmãos, relembrando os dias iniciais que chegou na cidade de Éfeso para pregar o evangelho e, em seguida, exortou-os para que cuidassem do rebanho de Deus. Porque entrariam no meio do rebanho falsos profetas, para introduzir doutrinas erradas no meio do seu povo. No final, ele se ajoelhou com os presbitérios, choraram e oraram, despedindo-se deles.

1)     “Pelo Espírito”

Saíram de Mileto, passaram pela ilha de Rodes, ao sul do MAR Egeu, e atracaram em Pátara, um porto comercial importante para navios maiores, capaz de fazer a viagem de aproximadamente 565 quilômetros até a Fenícia, sem paradas. Depois de cinco dias, navegando pelo mar mediterrâneo chegaram no Porto de Tiro. 

Em Tiro encontraram “...os discípulos locais, ficamos com eles sete dias. E eles, pelo Espírito, recomendavam a Paulo que não seguisse para Jerusalém”. No capitulo 20, o apostolo Paulo afirma que estava “compelido pelo Espirito”, para ir em Jerusalém. De um lado, temos os crentes de Tiro, que “pelo Espírito”, não queriam que Paulo fosse; do outro lado, temos o apostolo afirmando que estava compelido pelo Espirito a ir para Jerusalém. O que subentende que todos os discípulos sabiam que quando Paulo chegasse em Jerusalém seria preso pelos judeus. 

Por isso tentavam dissuadi-lo de prosseguir em uma viagem destinada a ter um final de sofrimento, de prisão. Afirmavam, que era necessário evitar a todo custo ir para Jerusalém. Mas, para o apostolo Paulo, o que importava não era que iria acontecer com ele, mas o importante era “terminar a carreira e completar o ministério que Jesus me confiou” (Atos 20.24). Ele não se abala diante do perigo, e sua dedicação ao chamado é maior do que qualquer perseguição.

Então, o apostolo Paulo resiste a seus irmãos em Cristo para obedecer ao que acredita ser a vontade de Deus. “...Quando encerrou nosso tempo naquele local partimos e demos continuidade a nossa viagem” (At 21.5). Na despedida, “...todos os discípulos com suas esposas e filhos nos acompanharam até fora da cidade, e ali na praia nos ajoelhamos e oramos” (At 21.6). Havia em Tiro uma comunidade de crentes, uma koinonia, uma igreja saudável. Havia um grupo de irmãos que se preocupavam uns com os outros. 

2)     Profetisas e profetas

“...chegamos em Cesaréia e ficamos em casa do evangelista Filipe, tinha quatro filhas solteiras que profetizavam” ou “Ele tinha quatro filhas virgens que profetizavam” (A 21). Filipe fora escolhido para ser diácono na igreja primitiva (Atos 6), para servir as viúvas gregas. Mas, depois da morte de Estevão, ele saiu de Jerusalém durante o tempo de perseguição de Saulo e foi pregar em Samaria. Diz-nos o texto: “Felipe lhes pregou as boas novas do reino de Deus e do Nome de Jesus Cristo, creram nele e foram batizados, tanto homens quanto mulheres” (At 8.12). 

Em Samaria, torna-se um evangelista nato, além de pregar a Palavra de Deus, acrescenta sinais e maravilhas, enquanto pregava. O evangelista tem um chamado especial da parte de Deus. Porque ele foi chamado para pregar o evangelho de Jesus Cristo, falar da salvação que há em Cristo Jesus, anunciar que Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados. Mas, no terceiro dia, ele ressuscitou, e está assentado a direita de Deus Pai.

“...Filipe tinha quatro filhas que profetizavam”. O dom de profetizar é um cumprimento da profecia de Joel: “...seus filhos e suas filhas profetizarão” (At 2.17). Logo esse dom, como os demais dons estão disponíveis para o corpo de Cristo. No livro de 1 Corintios 12, o apostolo Paulo afirma que os dons são manifestações do Espírito Santo na vida da igreja. Os dons espirituais são: sabedoria, conhecimento, a fé, dons de curar, operar milagres, profecia, discernimento de espírito, variedade de línguas e interpretação de línguas (1 Co 12.8-10).

Dom vem do grego “charisma”, literalmente quer dizer “presente oferecido de boa vontade”. Charisma, ou dom, é um revestimento espiritual especial para a vida da comunidade e o serviço do reino de Deus. Na Biblia temos muitas mulheres que foram profetizas: Miriam, profetiza do louvor e da libertação; Debora, a profetiza juíza e guerreira; Hulda, a profetiza da reforma espiritual; Isabel e Maria, profetizaram em seus cânticos.

As filhas de Filipe tinham dom de profetizar, predizer o futuro e anunciar a palavra de Deus. Um fato importante é que diz que elas eram “solteiras”, “virgens”, “Donzelas”. Todas essas palavras afirmam que eram mulheres que se guardavam para o casamento. Eram mulheres piedosas, que serviam a Deus, tinham compromisso com Deus e colocavam o reino de Deus em primeiro lugar. Elas serviam a igreja, o dom delas era manifestado no corpo de Cristo. Elas tinham ministério, estudavam profundamente a Palavra de Deus. 

“Demorando-nos ali alguns dias, veio da Judéia um profeta chamado Ágabo, que aproximando-se de nós, pegou o cinto de Paulo e, amarrando-o com eles os próprios pés, declarou: Assim diz o Espirito Santo: é isto que os judeus em Jerusalém farão ao dono deste cinto para entrega-lo nas mãos dos gentios” (At 21.10-11).

Ágabo havia predito anteriormente uma fome que uma fome grave se espalharia por todo mundo romano (Atos 11.27-28), como aconteceu. Agora, o mesmo profeta profetiza sobre o destino do apostolo Paulo, o que vai lhe acontecer. A profecia, portanto, não diz somente a pregar a Palavra de Deus, vai além, é quando Deus lhe abre o futuro a respeito de alguém, ou a respeito de uma nação. O profeta Ágabo dramatiza sua profecia ao tomar o cinto de Paulo e amarrar as próprias mãos e os pés. O ato de amarrar reforça o que o Espirito disse a Paulo em todas as cidades ao longo do caminho (At 20.23). 

Ágabo com certeza copiou a prática mimica de alguns profetas do Antigo Testamento, tais como Aías, que rasgou a veste de Jeroboão em doze pedaços (1 Rs 11.29); Isaias que andou nu e descalço durante três anos (Is 20.3); o profeta Ezequiel, que pôs cerco a uma representação simbólica de Jerusalém.

Em 1 Reis 22, Acabe juntamente com o rei Josafá, foram pelejar contra Ramote-Gileade. Todos os profetas profetizaram a mesma coisa: o rei vencerá a peleja, todos eles disseram a mesma coisa. Zedequias, um profeta a serviço de Acabe fez um chifre de ferro e disse: “Com esse chifre você vencera a guerra” (1 Rs 22.11). Mas havia um profeta dissonante, Micaías, que profetizou que Acabe morreria nesse combate (1 Rs 22.28), como realmente aconteceu. Somente a profecia de Micaías se cumpriu, menos dos falsos profetas.

O que Ágabo está afirmando para o apostolo Paulo nessa mímica profética é que se ele continuar marchando para Jerusalém, é isso que acontecerá com ele, será preso, as mãos e os meus amarrados, será encarcerado, humilhado pelos judeus. Será entregue nas mãos das autoridades romanas e levado para Roma.

Conclusão

Paulo diz: “Por que choram e partem meu coração? Estou pronto não apenas ser amarrado, mas também para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus”

“Pelo Espirito”, significa ouvir a voz do Espirito. Significa viver de acordo com a vontade de Deus, não obstante, os perigos, prisões, solidão. Por mais que a comunidade cristã lhe avisa, colocando cartazes pra todos os lados, de que será preso. Mas, Paulo sabe, que está debaixo da soberania de Deus, que o seu barco, desde o caminho de Damasco, é guiado, é comandado pelo Deus Eterno. E não há o que temer. NO final, todos disseram: “Que seja feita a vontade do Senhor”  ]


 

 

domingo, 11 de outubro de 2026

 

Ah! Que saudade de Deus. Jó 29.1-6 

Introdução

Qual é o seu tempo de vida passada que lhe faz suspirar? A infância! Como no poema do Casimiro de Abreu: Oh! Que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Ou, “Ah! Que saudade da minha mãe e do meu pai”. Ou, “Ah! Que saudade da cidade onde nasci”, ou “Ah! Que saudade dos anos 80 e 90 e toda a simplicidade que vivia aquela geração”. “Ah! Que saudade quando meus filhos eram pequenos”. Enfim, todos nós temos uma saudade guardada no peito, na alma. Hoje, vamos analisar sobre a saudade de Jó, o que suspirava, o que era mais importante para em sua vida.

1)     temos dificeis

Jó está passando por um tempo muito difícil, está passando pela pior prova de sua vida. Era um tempo de angustia, tempo de aflição, um tempo conturbado, o mar estava encapelado, as ondas bravias, passava pela noite escura da alma. Ele havia perdido tudo, seus filhos, seus bens materiais, sua saúdem dignidade, e sua mulher pediu para amaldiçoar a Deus e morrer. Por fim, Jó está do lado de fora da cidade, no monturo, com um pedaço de caco coçando suas feridas.

Os seus amigos vieram para lhe consolar, lhe ajudar nessa hora difícil. Mas, ao invés de consolar, sobrecarregaram ainda mais, afirmando que o motivo do sofrimento dele era por causa do pecado. Sim, para eles,  quando você passa pelo sofrimento, é porque alguma coisa você fez, algum pecado você cometeu. Mas, sabemos, que no caso de Jó, não era por causa de pecado, mas estava sendo provado por Deus.

Nesse momento de dor, do que Jó sente falta? Dos tempos em que tinha tudo, materialmente falando?  Tempo em que nada lhe faltava, uma vida sossegada, confortável? Ou, Jó sentia falta do tempo em que seus filhos estavam todos vivos, das festas, das alegrias? Ou, Jó sentia falta do tempo em que tinha saúde, em que podia se levantar, ir pra cima e para baixo, abaixar e levantar?

Mas, muito mais do que dinheiro, do que bens materiais. Muito mais do que filhos, por mais queridos e preciosos que FOSSEM. Muito mais do que saúde física, saúde emocional, quando tudo estava bem. O que mais doía no coração de Jó era a SAUDADE de Deus. Saudade de sua presença, saudade dum tempo em que Deus estava com ele, falava com ele, operava poderosamente em sua vida.

SAUDADE

“Ah! Que saudade ...dos bons dias em que Deus me protegia de todo mal”. Saudade dos dias em que Deus cuidava de mim, zelava de mim...estava comigo.

“Ah! Que saudade...quando Deus fazia resplandecer a sua lâmpada sobre a minha cabeça, quando eu era guiado por sua luz...”. Sim, nesse tempo, eu caminhava seguro em meio à mais densa escuridão.

Aqui, temos a benção aroonica é de fundamental importância: “Que o Senhor te abençoe e te guarde e faça resplandecer a sua face sobre ti e lhe de paz”. Quando fala de rosto resplandecer, fala da presença de Deus, a presença de Deus é sobre a sua vida. Fala da sua bondade sobre nós, da sua misericórdia sobre nossas vidas, sua graça imerecida sobre nós.

“Ah que saudade...quando a amizade de Deus abençoava a minha casa”.  “...protegia minha tenda”. Quantas bençãos recebidas de Deus sobre a minha casa, sobre a minha família. Bençãos inumeráveis, a mão do Senhor sempre esteve sobre nós.

“Ah! Que saudade quando o Todo Poderoso permanecia junto a mim enquanto caminhávamos...”. Quantas caminhadas que fizemos juntos, quantos momentos de intimidade, de conversa, de aconchego tivemos ...

“Ah! Que saudade... quando meus passos eram banhados em leite, e da rocha fluía torrentes de azeite puro sobre a minha cabeça” (v. 6). Ou, “Em casa sempre havia leite à vontade e também azeite, tirado das oliveiras plantadas entre as pedras” (NTLH). É uma linguagem figurada que fala das bençãos de Deus sobre nós; do mesmo modo que a terra de Canaã era chamada como “terra onde manam leite e mel”.

Jó está afirmando que delícias festivas como creme de leite batido e azeite, fluíam por toda sua vida, até mesmo a rocha estéril manava óleo, uma imagem da benção ilimitada de Deus sobre nossas vidas. O que podemos falar dessas bençãos? Da salvação que Deus nos deu em Cristo Jesus, do novo nascimento, uma nova história se escreveu em nossas vidas. Do batismo com Espírito Santo... e quantas e quantas bençãos recebemos da parte de Deus.

Conclusão

O que é mais importante nessa vida para você? O que move seu coração? Agostinho, andou por muitos lugares, experimentou todos os prazeres que a vida lhe podia dar, mas no fim, ele diz: “Tu me criaste, ó Deus, e a minha alma vive inquieta enquanto não repousar em ti”.

C. S. Lewis, depois de ter procurado vários caminhos, ele afirma: “O fato é que o nosso coração não consegue ser preenchido pelas coisas da terra, essa é a prova de que o céu deve ser a nossa casa”.

O rei Salomão, escreveu: “Deus colocou a eternidade no coração do homem” (Ec 3.11). É disso que no final da vida, o coração sente falta, de Deus. Do criador, do redentor, do Senhor, dAquele que nos amou.

No começo Adão e Eva, quando criados por Deus, se relacionavam com Deus, falavam com Deus, ao entardecer. Mas, depois do pecado, depois da separação, da desobediência, o homem não falou mais com Deus.

Mas, Deus enviou seu filho, Jesus Cristo, para o mundo, a fim de morrer pelos nossos pecados e nos dá uma salvação maravilhosa. E, melhor de tudo, agora, em Cristo Jesus, temos comunhão com Deus, temos acesso a presença de Deus. É disso que precisamos.

 

 

 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Despedidas Atos 20.17-30 

Introdução

Despedidas nunca são fáceis, especialmente em circunstâncias difíceis. Um filho que vai para a faculdade e se despede de sua mãe, os olhares se despedem carregados de lágrimas. Imagina a cena de alguém muito especial que está ali em sua frente, imóvel, sem vida, em alguns minutos será enterrada, nunca mais verá aquela pessoa em vida. Alguém disse: “Eu odeio despedidas”. O apostolo Paulo vai se despedir dos obreiros de Éfeso, um coração dele está derretido, pois talvez nunca mais os veria. 

Em Mileto.  

“De Mileto, mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja”. Mileto ficava na costa, a cerca de 48 quilômetros ao sul de Éfeso, onde o rio Meandro desagua no golfo de Latmus. Ali, em Mileto, o apostolo Paulo deu ordem para chamar os presbíteros de Éfeso. Seria uma reunião ministerial, o último discurso do apostolo Paulo aos obreiros. Ele não falou como acadêmico, teólogo, em uma torre de marfim, mas como pastor que se preocupa profundamente com a fé, as crenças, e o modo de viver dos cristãos. 

Ele começa contando sua história pessoal com o povo de Éfeso. A partir do verso 18, ele fala de sua conduta no meio deles, desde o primeiro dia. O Pastor é alguém que está no meio do seu povo, que tem conduta conhecida por todos. Paulo serviu ao Senhor com toda humildade, em momento algums ele se achou melhor dos que os outros, mas se colocou em posição de igualdade com os irmãos de Éfeso.

Ele fala de todas suas dificuldades, perseguições, por causa dos judeus. Em todo o lugar que ia pregar o evangelho era perseguido ferozmente pelos judeus.  Lhe expõe sobre seu desejo missionário de “anunciar tanto a judeus como a gregos que eles precisam se converter a Deus”, o arrependimento era para todos; ele foi incansável como evangelista pregando de “casa em casa” (At 20.20). Por mais que tivessem dificuldades no caminho, o apostolo Paulo era imbatível, não desanimava. 

Emocionado ele fala: “Agora, compelido pelo Espirito Santo, vou a Jerusalém”. Paulo sabe de sua compulsão, de sua necessidade de ir para Jerusalém, não obstante, “em todas as cidades, o Espírito Santo me adverte de que me esperam prisões e sofrimentos” (V.23). Jesus disse sobre Paulo: “Esse homem é o instrumento que escolhi para levar o meu nome diante dos gentios e dos seus reis, bem como diante do povo de Israel. Mostrarei a ele quanto deve sofrer pelo meu nome” (Atos 9.15-16).

Mas, o que é importante: “Todavia, não me importo nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, desde que eu termine a corrida e complete o ministério que o Senhor Jesus me confiou”. Ele diz, estou numa corrida, “o importante é testemunhar do evangelho da graça (At 20.24)”. Paulo tinha duas convicções: ele merecia ter morrido no caminho de Damasco, mas o Senhor estendeu misericórdia; cada dia de sua vida era um dom da graça. Segundo, se o caminho dele levasse à morte, ele não poderia segui-lo com menos entusiasmo. 

Paulo fala de uma corrida “termine a corrida e complete o ministério”. No grego é “dromos”, diz sobre completar uma corrida. Ele dá entender que a sua corrida está terminando. Na corrida da vida cristã, não podemos parar, não podemos desanimar. O escritor aos hebreus admoesta:”...nós que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, desembaracemo-nos, de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos está proposta” (Hb 12.2).  

2) advertências

Depois, ele olha para os presbíteros e diz de uma forma grave: “Vigiem a vocês mesmos e a todo o rebanho sobre o qual o Espirito Santo constitui-os bispos. Sejam pastores da igreja de Deus, que ele comprou com o seu sangue” (At 20.28).  Ouçam: “Vigiem a vocês mesmos”,  “Cuidem de vocês mesmos”. Primeiramente examinar a si mesmos para que não conduza à destruição aqueles que estão sendo pastoreados. Vocês são soldados, vocês tem que ficar de guarda. A responsabilidade de vocês é ficar acordado, é ficar vigiando. Segundo, Deus lhes confiou um tesouro inestimável e, como sentinelas em seus postos, eles deveriam ser vigilantes e diligentes. 

 “Bispo” é idêntico a “presbítero” ou “ancião”, também diz respeito à sabedoria e um tempo maior no reino de Deus. São pastores, homens de Deus.  Os bispos não são “autoridades supremas”, porque a igreja pertence a Jesus que “comprou com o seu próprio sangue”.

Paulo diz: “Sei que depois de minha partida, lobos ferozes entrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho (Atos 20.30).” Cuidado, diz o apóstolo, com os lobos vestidos de ovelhas. Ensinarão coisas heterodoxas, doutrinas de homens. Assim, como Satanás, com sua capacidade de disfarçar em anjo de luz (2 Co 2.4).Esses homens serão camuflados e enganarão a muitos, por isso que temos que discernir. Paulo está dizendo cuidados com os homens que parecem ovelhas, mas são lobos. Judas fala sobre eles: “São como as ondas bravias do mar, espumando suas próprias indecências; estrelas errantes, para as quais estão preparadas as mais densas trevas por toda eternidade” (jd 13). 

“Dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair discípulos para si. Por isso, vigiem! Lembrem-se de que, noite e dia, durante três anos, jamais cessei de advertir com lagrimas cada um de vocês” (At 20.31). Diz Paulo “noite e dia”, vejam a devoção do apostolo. Durante três anos, usei todas as oportunidades para que os cristãos de Éfeso tornassem crentes maduros. Agora, Paulo, transferia sua responsabilidade aos presbíteros.

Já quase no final do seu sermão, o apostolo estende as mãos para os presbíteros e diz: “Agora, eu os entrego a Deus e à palavra da sua graça, que os pode edificar e dar a voces herança entre todos os que são santificados” (At 20.33). Somente Deus pode nos edificar em sua palavra  e nos santificar em Cristo Jesus.

E exorta os obreiros quanto ao uso correto do dinheiro: “Não cobiceis a prata nem o ouro, nem roupas de ninguém”. Paulo sempre se sustentou como fazedor de tendas. Em todo lugar que ia se mantinha, financeiramente. Recebeu ofertas da igreja de Filipos, enquanto estava em Tessalônica. O apostolo Paulo era pregador do evangelho, em todo tempo manteve uma atitude correta sobre o dinheiro, para não dar motivos errados e escandalizar a obra de Deus. 

Conclusão

Tendo dito isso, ajoelhou-se com todos eles e orou. Todos choraram muito e, abraçando-o, o beijavam. O que mais os entristeceu foi a declaração de que numa mais voltariam a ve-lo. Então, o acompanharam até o navio” (Atos 20.38). Despedidas dói, principalmente, quando era do conhecimento de todos que não mais veriam o apostolo Paulo. O cristianismo é alegria, é jubilo, mas também, é choro. 



 

sábado, 3 de outubro de 2026

 Mergulhando no rio de Deus Ez 47.1-7 

Ezequiel era filho de Buzi, sacerdote. Fora levado ao exilio na Babilonia, com 25 anos de idade. Quando estava com trinta anos, viu “...viu uma terrível tempestade vinda do norte...”, no meio dessa tempestade “...viu quatro seres viventes”, são os querubins de Deus, que guardam a santidade do Eterno. Viu também rodas “...reluziam como berilo e seus aros estavam cheios de olhos”. As rodas obedeciam ao movimento do Espirito Santo de Deus; por cima de tudo, ele viu o trono de Deus “uma figura que parecia homem”, que reluzia e resplandecia como fogo. Diante dessa visão maravilhosa, diz-nos: “...coloquei o rosto no pó”; todo seu corpo tremia e não conseguia ficar de pé diante da face de Deus.

1)     Um homem com uma vara de medir

No capítulo 37 o profeta Ezequiel é transportando no vale de ossos secos, ossos sem vida, inumeráveis, ele profetiza sobre os ossos;  capitulo 38 ainda está no vale profetizando para Gogue e Magogue e no capitulo 39 continua no vale. Mas no capítulo 40, a mesma mão que havia levado o profeta para o vale, agora, a mão do Senhor colocou-o sobre um monte muito alto. Nesse monte, ele viu alguém no templo “...um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo um cordel de linha na sua mão e uma cana de medir, e estava em pé na porta” (Ez 40.3).

Diz-nos o texto: “O homem me levou de volta até a entrada do Templo. Debaixo da entrada, saia água que corria na direção leste...a água corria por baixo do lado sul do templo, ao sul do altar” (Ez 40.1). Essas águas correm do trono de Deus, representa ou simboliza a presença do Espírito Santo. Essas águas estão fluindo, todos os dias. Não se condiciona ao ser humano, pois vem do próprio Deus. Essas águas representam o poder de Deus, o dínamo de Deus, a força de Deus na história humana. Nós precisamos dessas águas sobre nossas vidas.

Uma pergunta: “Quem é este homem?” “...cuja aparência era como a de bronze?”. Este homem é uma teofania, é uma manifestação do próprio Deus em forma humana. Quem é este homem? Que carregava um “...cordel de linha na sua mão e uma cana de medir, e estava em pé na porta”? Esse homem é o mesmo que apareceu para João na ilha de Patmos: “Os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha” (Ap 1.15). É o mesmo que apareceu para Moisés, no meio de uma sarça que não sem consumia. É o mesmo que apareceu para Jacó, no vale de Jaboque. É o mesmo que apareceu à Manoá, para anunciar o nascimento de Sansão, o seu nome é Maravilhoso.

Quem era esse homem? É o mesmo homem que apareceu para Josué ao pé da muralha de Jericó, com uma espada nua em sua alma. Ele é o capitão do exército do Senhor. Quem é esse homem? É o mesmo homem que quando Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não quiseram adorar a imagem feita por Nabucodonosor e foram lançados na fornalha de fogo ardente, esse mesmo homem apareceu no meio da fornalha e andava com eles.  Esse homem é Jesus, o verbo de Deus, aquele que era, que é e que há de vir.

2)     Medindo a esfera da nossa ação

“O homem saiu para o oriente, levando a mão uma corda de medir; ele mediu mil côvados e me fez passar pelas águas que batiam na altura do tornozelo” (Ez 47.3). Olha o que o texto diz: “...e me fez passar”. Estamos aqui pela misericórdia de Deus, é Ele que chama, é Ele que salva, é Ele que capacita, é Ele que batiza com Espirito Santo. Não é por nós, mas por Ele; não é pelo nosso esforço, mas pela morte dEle na cruz do calvário. Tudo é para Ele, tudo é para glorificar o Nome dEle. O apostolo Paulo afirma em Efésios: “Pois pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).  Mas, é somente o começo da vida cristã.

“De novo mediu mil côvados e me fez passar pelas águas, que batiam na altura dos joelhos...”. Toda medida na vida cristã, nunca é definida por nós, mas sempre é definida por Deus. Primeiro, o homem mediu mil côvados e chegou no tornozelo; agora, mede mais mil côvados e vai na altura do joelho. A vida cristã não é estagnada, não é parada, estacionada, quanto mais você anda nas águas do Espírito mais profundidade tem para você.

Tem irmãos que estão na presença do Senhor faz tempo, mas continua com as águas no tornozelo, ainda estão contando sempre as mesmas experiencias.  Mas, tem irmãos que chegaram bem depois, no entanto, mergulharam mais profundamente nas águas do Espírito; saíram do tornozelo e já estão com ás aguas no joelho. São pessoas que tem prazer de orar, são pessoas que gostam de aprender, são pessoas abertas ao novo de Deus. Mas, ainda não é o suficiente.

Tem mais, “outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas, que batiam na cintura” (Ez 47.4). Primeiro, levou-me até o tornozelo, depois levou-me até o joelho e agora, as águas estão nas cinturas. Fala de uma experiencia mais profunda com Deus, fala de uma comunhão significativa com Deus, fala de uma entrega a Deus. Mas, ainda estamos no controle da situação. Pois, entramos até o tornozelo, estou no controle da situação; entrei até cobrir os joelhos, mas ainda estou andando por cima das águas. Agora, cheguei a cintura, já aprofundei significativamente na minha vida cristã.

Todas as medidas eram iguais, mas os níveis diferentes. Mil côvados, mil côvados, mil côvados, mas o nível era outro. Pra você mudar de nível é necessário caminhar, movimentar. Quanto mais você caminha, mais você vai desaparecendo nas águas, desaparecendo. Nunca é para aparecer, nunca é para chamar a atenção para si. Mas, quanto mais desce, mas o nome de Jesus é glorificado. quer ser profundo, mas não ora, não desce, quer ser profundo, mas não se dedica.

Conclusão

Quando pensamos que nos aprofundamos suficientemente na vida cristã, Deus lhe diz: “...mediu mais mil côvados, e era um rio, que eu não podia atravessar; pois as águas tinham subido, tornando-se um rio que não se podia atravessar, a não ser a nado” (Ez 47.5). Ezequiel não foi e o texto diz: “Então me levou e me fez voltar à margem do rio” (Ez 47.6). Do outro lado havia abundância de arvores, as águas que descem do templo, fazem as águas do mar morto se tornar águas saudáveis; do outro lado existe vida de todas as espécies; do outro lado existe abundância espiritual e material, até os pântanos se tornarão saudáveis. Do outro lado tem todos os tipos de frutos que servem de alimento...

Mas, Ezequiel não quis ir para o outro lado, ficou com medo. Porque quando você se lança no rio de Deus, teria que ir pra onde o rio te lançar. Isso não queremos, porque não queremos perder nossa autonomia. Quando mergulhamos, perdemos nossa vontade, e fazermos o que o rio quer. Quando você se deixa levar pelo rio, não tem mais condicionalidade, mas faz a vontade de Deus. Se deixa levar pelo rio, deixa o Espirito lhe guiar.

 

 C.S. Lewis e o livre arbítrio. 

C.S. Lewis em seu livro “Cristianismo puro e simples” fala sobre o livre-arbítrio humano. Ou seja, o ato do ser humano decidir, ser sujeito de sua própria história. Ele começa afirmando que “Deus criou os seres humanos com livre-vontade, e isso significa que temos opção de fazer o bem e o mal”, ou seja, de decidir, senhor de sua história, da nossa história. “Ser alguém livre para ser bom, ser alguém livre para ser mal”.

Então, diante desse fato aterrorizante, ele pergunta: “Porque então Deus concede a livre vontade, ou livre-arbítrio?” e responde: “Porque a livre-vontade embora possibilite o mal, também é a única coisa que torna possível todo amor, toda bondade ou toda alegria”. “Um mundo de robôs”, diz C.S. Lewis, “dificilmente valeria a pena ser criado”. O amor consiste justamente no fato de termos liberdade, senão seria algo tirânico, religioso, impessoal.

O que é felicidade, segundo evangelho de Mateus é bem-aventurado, para Lewis “a felicidade que Deus designou para suas criaturas superiores”, ou seja, os seres humanos, “é a felicidade de estar em união com Ele, livre e voluntariamente em êxtase de amor e prazer, que comparado com o amor arrebatador entre homem e uma mulher nesta terra, este último seria água com açúcar. E para isso eles tem de ser livres”. A felicidade então é a junção entre Deus e o ser humano, não na base da imposição, do dever, mas na base no amor. E essa felicidade está acima da felicidade entre um homem e uma mulher.

Mas, lewis, vai mais longe, afirmando: “É evidente que Deus sabia que a liberdade seria usada de forma errada. Talvez nos sintamos inclinados a discordar dEle, mas quem somos nós para discordar de Deus?”. Grande pergunta, quem somos nós, criatura finitas, pecadoras, egoístas para discordar de Deus. Ele diz: “Ele é a fonte da qual vem todo o poder de raciocínio. Você não poderia estar certo e ele, errado, da mesma forma que um riacho não pode correr no sentido contrário a sua própria nascente”.

Quanto melhor for a matéria de que uma criatura tenha sido feita – quanto mais inteligente, forte, livre ela for – melhor ela se tornará se seguir o caminho certo, mas, também, pior se tornará quando seguir o caminho errado.

Em seguida, ele pergunta: Como o ser humano se corrompe, ou, melhor como o ser humano segue o caminho errado? Lewis responde: “no momento em que você tem um ego, surge a possibilidade de colocar a si mesmo em primeiro lugar – de querer ser o centro – que é o desejo, na verdade, de ser Deus. Esse foi o pecado de Satanás, e esse foi o pecado que ele ensinou á humanidade”. O que Satanás colocou na mente dos seres humanos foi a ideia de que eles poderiam “ser como deuses”. Sim, foi isso que a serpente falou para Eva, no Jardim do Eden.

"Como se pudessem estruturar-se por si mesmos, como se tivessem criados a si mesmos -, ser os seus próprios guias – inventar uma espécie de felicidade para si fora de Deus, à parte de Deus. É dessa tentativo desesperada veio praticamente tudo o que chamamos de história humana: dinheiro, pobreza, ambição, guerra, prostituição, corrupção, divisão social, impéios, escravidão. Isto é, a longa e terrível história do homem tentando encontrar a felicidade em algo diferente de Deus". 

Por fim, C,S. Lewis, afirma que “Deus nos criou, Deus designou o ser humano para funcionar à base dele mesmo. Ele mesmo é combustível que nossos espíritos foram designados para queimar, ou o alimento do qual nossos espíritos foram designados para se alimentar. Essa é a razão pela qual simplesmente não adintar pedir a Deus para nos fazer felizes do nosso jeito. Deus não pode nos dar felicidade e paz à parte de si mesmo....". Finalmente, a única maneira de ser feliz, é com Deus, fora de Deus é impossível.

 

  

terça-feira, 29 de setembro de 2026

 Saia da janela Atos 20.1-10 



Introdução

Da última vez, o apostolo Paulo, estava na cidade de Éfeso no duelo entre Deus e a deusa Diana. Por causa da perseguição que se levantou contra ele nessa cidade “...partiu para Macedônia” (At 20.1). Mas, o apostolo não estava sozinho, “...Sópatro...de Bereia; Aristarco e Secundo, de Tessalônica; Gaio de Derbe; e Timóteo, além de Tiquico e Trófimo da província da Ásia” (At 20.4). No verso 6 tem novamente “nós”, entendendo que Lucas estava nessa caravana. 

Aristarco é mencionado em Atos 19.29 e Paulo o chama de “companheiro de prisão” (Cl 4.10) e um de seus “colaboradores” (Fm 24). Tiquico é mencionado como

“irmão amado e servo fiel do Senhor” (Ef 6.21) e como alguém que Paulo envia a outras igrejas (2 tm 4.12). Todos esses nomes representam o sucesso do trabalho missionário de Paulo nas províncias da Macedônia, Galácia e Asia. Essa lista de nomes exemplifica a declaração de Paulo de que proclamou totalmente e evangelho de Cristo “desde Jerusalém e arredores, até Ilírico” (Rm 15.19).

1)     Trôade

“...em Troâde, onde ficamos sete dias”. Nesta cidade o apostolo Paulo tivera a visão do macedônio lhe dizendo: “Passa a Macedônia e nos ajuda” (ATOS 16.9). Novamente o apostolo Paulo com sua equipe de obreiros pararam nessa cidade, ficando sete dias. “No primeiro dia da semana, quando nos reunimos para partir o pão...”. Era “o primeiro dia da semana”, ou seja, domingo. O domingo passou a ser chamado de Dia do Senhor, pois nesse dia Jesus ressuscitou dentre os mortos. Também foi no primeiro dia da semana que o Espirito Santo desceu sobre a igreja (Atos 2.1). O apostolo João, estava na ilha de Patmos e diz: “E, no dia do Senhor, achei-me exaltado no Espirito” (Ap 1.9). 

Estavam participando de um culto de domingo à noite, era culto da ceia do Senhor e Paulo estava pregando a Palavra de Deus. Como sabia que partiria à luz do dia, pregou até a meia-noite, em uma sala iluminada de muitas candeias. O apostolo Paulo era apaixonado em pregar a Palavra de Deus, ele discutia, anunciava, falava do grande amor de Deus, em todos os cantos. Em Filipos ele pregou perto do rio; em Tessalonica pregou na sinagoga; pregou em Bereia e em Atenas; pregou em Corinto, a capital do sexo; pregou em Éfeso, na terra da deusa Diana dos Efésios. E, agora, está em Trôade, era um culto de domingo, um culto de ceia do Senhor. O ato de partir pão traz à lembrança a última ceia de Jesus antes de sua morte, agora a ceia do Senhor (1 Co 11.20). 

O discurso que se estende “até a meia-noite” é um exemplo concreto do que Lucas quer dizer quando relata em 20.2 que Paulo falava “muitas palavras de encorajamento”. Ele não tinha muito tempo para ficar com eles, e aproveitava da melhor maneira possível as horas de que dispunha para ensinar as igrejas. E ainda mais: falar noite adentro é impressionante e dá testemunho de sua dedicação a seu chamado e do poder do Espírito Santo sobre sua vida.

O texto diz que estavam reunidos no terceiro andar. A sala estava quente e lotada e “havia muitas tochas iluminando a grande sala”, enquanto os crentes, sentados, louvavam, testemunhavam, adoração e ouviam Paulo ensiná-los. Um jovem Êutico nome que significa “afortunado” – subiu na janela e tentou ficar acordado com a brisa fresca que soprava do Mar Egeu. Seus esforços foram em vão, pois ele mergulhou em um sono profundo. “Adormeceu profundamente durante o longo sermão de Paulo” (At 20.9). 

Sabemos que ficar na janela no terceiro andar é muito perigoso, pode cair. Mas, infelizmente, o ser humano namora com o perigo. Mais uma coisa, enquanto, todos estavam prestando atenção nas palavras do apostolo Paulo, o jovem Êutico, não estava conectado com o culto, estava sonolento. Deus nos chama par acordar, para despertar do sono, pois a sua vinda está mais próxima do que quando aceitamos a Cristo Jesus.

Êutico deve ter chegado mais tarde, deve ter procurado um lugar para se sentar, olhou em todos os cantos, olhou em todos os bancos, em todas as cadeiras, mas todos os lugares estavam tomados pelas pessoas. Diante disso, o Diabo sussurra em nossos ouvidos que não existe um lugar para nós, que esse lugar já está fechado, que não tem mais espaço. No entanto, sabemos que sempre tem um lugar, sempre tem uma cadeira, sempre tem um banco disponível. Esse é o local que nós precisamos, a igreja, o ajuntamento, quando todos se reúnem. É o local de cura, de salvação, de restauração, é o local em que Deus fala conosco!

Já que não tem lugar para se sentar, vou me sentar na janela. Da janela dá pra ver a rua, ver as pessoas passando por baixo, dá para ver os homens e as mulheres, ou seja, quem está na janela está sempre espiando do lado de fora. Ficar na janela é ter atenção dividida, e o coração entre dois pensamentos, coxeando entre dois pensamentos. Mas, do lado de dentro, tem culto, tem presença, tem o apostolo Paulo pregando, tem aleluias, tem gloria a Deus. O Espírito está movendo do lado de dentro, movendo no meio dos louvores e da pregação. 

Hoje temos uma geração que está se sentindo confortável na janela. Uma geração sem convicção. Como a geração do profeta Elias: “Ouçam. Até quando vocês estarão mornos? Por quanto tempo vão vacilar ou hesitar? Não é possível seguir dois caminhos” (1 Rs 18.21). Uma geração que não experimentou o sobrenatural de Deus; uma geração que não sabe o que é o batismo com Espirito Santo; a pessoa que está na janela não tem foco; a pessoa que está na janela é facilmente conduzido por outros. E quando chega na igreja está com sono, está desatento, não está focando no culto que acontece. 


 Mas, não podemos nos acomodar, não podemos ficar na janela, não podemos ficar titubeando entre dois pensamentos. É hora de servir ao Senhor, buscar a sua presença poderosa. Tem que estar do lado do Senhor. A salvação é preciosa, custou o sangue de Nosso Senhor; fomos resgatados do pecado, depois fomos batizados com Espirito Santo. sentimos a presença maravilhosa do Senhor nos inundando, nos dirigindo, nos capacitando, nos concedendo dos espirituais, nos abençoando em todos os sentidos.

2)     Queda

“Adormeceu profundamente durante o longo discurso de Paulo. Vencido pelo sono, caiu do terceiro andar. Quando o levantaram, estava morto” (Atos 20.9).  Nenhuma queda acontece do dia para noite. O processo da queda é lento. As pessoas falam: “o fulano caiu”. Mas já vinha caindo há algum tempo. E Êutico caiu da janela! Quem cai de janela cai para fora, não para dentro, caiu do terceiro andar e morreu na mesma hora!

Jesus escrevendo para a igreja de Éfeso admoestou: “Lembre-se de onde caíste” (Ap 2.5). Depois, diz: “arrepende-Te”. Arrependimento não é remorso, não é sentimento, é decisão, é atitude, é responsabilidade,  de se levantar, voltar para Deus e deixar o pecado.

Êutico caiu do terceiro andar, no meio do culto, no meio da pregação. A pior coisa que pode existir no meio do povo de Deus, é gente que frequenta a igreja, gente que canta nos grupos da igreja, gente que frequenta escola dominical, mas que está sentado na janela. Está brincando com sua fé, achando que pode viver assim e que nada lhe acontecerá. A pior coisa que pode existir é crente na igreja, nos bancos, nos púlpitos, vivendo a vida do jeito que quer, achando que nunca vai prestar contas para Deus.

A pior coisa que pode acontecer na igreja é crente que perdeu o temor de Deus. Perdeu o respeito por Deus, perdeu a reverencia, Deus não significa mais nada. Tanto faz, tanto fez! 

Mas, quando Êutico caiu da janela, a igreja não ficou indiferente, apática, sem compaixão. “Paulo desceu, inclinou-se sobre o rapaz e o abraçou, dizendo: Não fiquem alarmados! Ele está vivo!” (At 20.10). O apostolo Paulo desceu do terceiro andar, onde estava o corpo do jovem e viu que o rapaz estava morto, sem vida. Do mesmo modo, que o profeta Elias fez com o filho da viúva, envolveu seu corpo no corpo do menino, assim, o apostolo Paulo, envolveu seu corpo sobre o corpo do menino sem vida. 

E diz, para toda igreja reunida: “Não vos alarmeis, pois sua alma vive”. O Espírito ainda está nele...ainda tem vida ai, ainda vive, ainda respira, ainda tem história, ainda tem esperança...

Conclusão

Hoje é noite de você sair da janela para ter um encontro com Deus, é noite de decidir, é noite de decisão, é noite para experimentar o milagre de Deus em sua vida; é noite de sair da janela para ser batizado com Espirito Santo, é noite de sair da janela porque Deus quer se manifestar em sua vida. Entenda, meu irmão: O que está aqui dentro é mais importante do que está lá fora, nada do que tem do lado de fora da janela lhe saciará, nada lhe será suficiente, somente Deus é suficiente em sua vida!