A patologia de Jonas Jn 4
Introdução
Jonas “fugiu da presença de Deus”, porque não queria pregar em Nínive; ele não gostava do povo dessa cidade, aliás, ele odiava os ninivitas! Jonas foge de Deus para Társis, para o fim do mundo, aonde o vento faz a curva. Mas como fugir de Deus? Deus vai até Jonas através de uma tempestade “O Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade...” (Na 1.3). Jonas fica na barriga dum peixe por três dias, arrepende-se do seu pecado e aceita o comissionamento de Deus. Aceita a missão que Deus lhe deu.
Ele prega na cidade de Ninive uma única mensagem: “Ainda
quarenta dias, e Nínive será destruída” (Jn 3.4). Toda cidade se converteu “do
maior até o menor”. O rei da Assíria “desceu do trono, tirou as vestes
reais, vestiu-se de pano de saco e sentou-se sobre um monte de cinzas” (Jn
3.6). Houve um arrependimento de toda população, logo, Deus suspendeu o julgamento
e não subverteu a cidade de Nínive.
Isso nos levaria a esperar que o livro terminasse no capitulo
3 com uma nota de triunfo; como os setenta discípulos comissionados por Jesus e
a volta triunfante, “cheios de alegria” , diante do que Deus realizara (Lc 10.17-20).
Mas, “o que Deus fez foi terrível para Jonas que ele ardeu em fúria”, ou
“isso foi extremamente maléfico para Jonas”. “Tudo isso deixou Jonas
aborrecido e muito irado” (NVT).
1)
Causa
No versículo 2, ele diz: “Ah! Senhor! Não foi isso que eu
disse, estando ainda na minha terra” (ARC). Ou seja, eu sabia que tu
poderias fazer algo assim. Essas pessoas são más e somente se arrependeram
porque ficaram com medo. Elas não se converterão, não se arrependerão, verdadeiramente.
E o mais difícil, Senhor, é que por causa dessa “pseudo” mudança receberam misericórdia,
receberam perdão. Não vai mais subverter Nínive? É bom que seja um Deus de misericórdia,
mas desta vez foste longe demais!
O nome Yahweh traduzido por “Senhor”, não aparece desde o capitulo 2, mas agora literalmente clama: “Ah! YAWEH!”. É o mesmo nome que ele se revelou a Moisés no Sinai: “Eu Sou o que Sou” (Ex 3.14), ou, “YHWH” o que significa que Ele é autoexistente, é o criador e sustentador de todas as coisas, Ele é imutável em seu caráter e, Ele é Eterno. É o Deus do pacto, da aliança e, Jonas tinha isso em mente. É como se Jonas estivesse indagando: “Como podes cumprir suas promessas de preservar seu povo e, ao mesmo tempo, mostrar misericórdia aos inimigos de seu povo”.
E mais: quando Jonas diz que quer morrer “...tira-me a vida, porque é melhor morrer do que viver” (Jn 4.3). Deus, com extraordinária gentileza, repreende-o por sua raiva desmedida: “É razoável esse seu ressentimento?” (Jn 4.3). Logo, a coisa está num nível mais profundo do coração, está entranhado! Jonas era um profeta, tinha um relacionamento com Deus, mas havia algo que ele valorizava mais do que o Senhor. Sua fúria explosiva evidencia que estava disposto a descartar seu relacionamento com Deus, se não conseguir o que tanto deseja.
Quando a pessoa diz: “Eu não vou te servir, Deus, se tu não
me deres tal coisa, se eu não conseguir o que tanto desejo”. Como aquela
criança mimada no mercado que rola pelo chão até conseguir o que quer. Então,
esse é o seu ponto mais importante, seu maior amor, seu verdadeiro “deus”, a
coisa que mais confia e descansa. Jesus mostrou o que o chamado para o discípulo era
radical: “Segue-me. Ele, porém, respondeu: permite-me ir primeiro sepultar
meu pai. Mas Jesus insistiu: deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.
Tu, porém, vai e pregar o reino de Deus” (Lc 9.59-60).
Quando começar a repreender o Senhor, Jonas cita para Deus as palavras do próprio Deus. Elas estão em Êxodo 34.6,7: “Yahweh, Yahweh, Deus compassivo e misericordioso, longânimo, cheio de amor, paciente e fiel; que persevera em seu amor dedicado a milhares, e perdoa a malignidade, a rebelião e ao pecado”. No entanto, o profeta fez uma leitura seletiva do texto, ignorando a ultima parte do versículo 7, na qual está escrito que “ao culpado não tem por inocente”.
É uma mensagem simplista, de um Deus que ama a todos
sem julgar o mau. Ele usa o texto para justificar sua indignação desmedida, sua
raiva e amargura desproporcionais. Sempre que lemos a Bíblia para nos sentir
justos e sábios aos nossos próprios olhos, estamos usando a Bíblia para nos
fazer de tolos ou coisa pior. Somente quando lemos a Bíblia corretamente, quando
ela fala conosco, nos humilha, nos exorta, aponta nosso pecado e nos encoraja
com amor e graça.
2)
Encontrando
a cura
“Jonas saiu da cidade, e assentou-se ao oriente da cidade, e ali fez uma cabana, e se assentou debaixo dela, à sombra, até ver o que aconteceria à cidade” (Jn 4.5). Jonas não vai embora, decide ficar perto da cidade na parte oriental, faz um abrigo temporário para si “queria ver o que aconteceria com a cidade”. Jonas estava com calor, enfadado, então para deixa-lo mais confortável “fez o Senhor nascer uma aboboreira...” (v.6). A tradição afirma que Jonas era calvo, a intenção fazer “sombra sobre a sua cabeça”. E diz o texto: “Jonas ficou bastante alegre por causa da planta” (v.6).
“Mas Deus enviou um bicho, no dia seguinte, ao subir da alva, o qual feriu a aboboreira, e esta se secou”. Essa aboboreira só durou um dia de vida, porque no dia seguinte: “Deus enviou um bicho...feriu a aboboreira, e esta se secou” (v.7). Jonas ficou, novamente, desolado, ficou zangado quando Deus enviou um verme para roer e murchar o é de aboboreira. Jonas murmura, questiona: “É inacreditável, além de tudo o que aconteceu, mais isso? Por que Deus não pode me dar um tempo? A ira de Jonas ganha força junto ao seu desespero: “Estou zangado e abatido o suficiente para morrer”, ou “Melhor é morrer do que viver (v.8)” (ARC)
Mas Deus responde: “Tu tiveste compaixão da aboboreira” (v.10); em outras palavras, Deus está dizendo: “Você chorou por ela, Jonas. Seu coração se apegou a planta, se alegrou. Então, em essência é: você chora por uma planta, mas eu tenho compaixão de pessoas”. Sim, Deus chora pela maldade e perdição de Nínive. Deus estava preocupado com as pessoas da cidade; estava preocupado com o arrependimento dessas pessoas. Mas, Jonas, estava preocupado com o seu bem- estar, com a sombrinha da aboboreira!
Quem se dedica seu amor a alguém só consegue ser feliz se
esse alguém for feliz. A aflição dessa pessoa se torna sua aflição. Genesis 6.6
diz que quando Deus viu a maldade que reinava na terra “seu coração se encheu
de dor”. Deus olhando para Israel, que se afunda no mal e no pecado, e falando
que o coração dele se comove por dentro dele: “Como posso desistir de você,
Efraim? Como posso te entregar nas mãos dos outros, Israel? Meu coração se comove
dentro de mim; a minha compaixão se torna cálida e suave” (Os 11.8).
Conclusão
A compaixão de Deus não é somente um conceito, mas, sim, uma
realidade, é o sentimento profundo de Deus pelos pecadores. É intrigante o fato
de que ele fala desses pagãos violentos e pecadores como pessoas “que não sabem
diferenciar a mão direita da esquerda” (v.11). O que é isso? Eles estão
espiritualmente cegos, perderam-se no caminho e não tem a menor ideia da fonte
de suas dificuldades e o que fazer a respeito delas.
Há muitas pessoas que não tem ideia alguma do porque da vida,
ou o sentido da vida, tampouco não consegue discernir entre o certo e o errado.
Deus está afirmando a Jonas: Estou chorando e lamentando por
esta cidade – por que você não está? Se é meu profeta porque não tem a mesma
compaixão que eu? Jonas não chorou pela cidade, mas Jesus, o verdadeiro profeta,
sim.
Quando Jesus viu a cidade de Jerusalém chorou sobre ela e disse: “Se você, mesmo você, apenas soubesse neste dia o que lhe traria a paz – mas agora isso está oculto aos seus olhos... porque você não reconheceu o tempo da vinda de Deus para você” (lc 19). “Jerusalém, Jerusalém...quantas vezes desejei reunir seus filhos, como uma galinha ajunta seus filhotes sob as asas e vocês não estavam dispostos” (Lc 13.34).







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