Mergulhando no rio de Deus Ez 47.1-7
Ezequiel era filho de Buzi,
sacerdote. Fora levado ao exilio na Babilonia, com 25 anos de idade. Quando estava
com trinta anos, viu “...viu uma terrível tempestade vinda do norte...”, no meio
dessa tempestade “...viu quatro seres viventes”, são os querubins de Deus, que
guardam a santidade do Eterno. Viu também rodas “...reluziam como berilo e seus
aros estavam cheios de olhos”. As rodas obedeciam ao movimento do Espirito
Santo de Deus; por cima de tudo, ele viu o trono de Deus “uma figura que
parecia homem”, que reluzia e resplandecia como fogo. Diante dessa visão
maravilhosa, diz-nos: “...coloquei o rosto no pó”; todo seu corpo tremia e não
conseguia ficar de pé diante da face de Deus.
1) Um homem
com uma vara de medir
No capítulo 37 o profeta Ezequiel
é transportando no vale de ossos secos, ossos sem vida, inumeráveis, ele
profetiza sobre os ossos; capitulo 38
ainda está no vale profetizando para Gogue e Magogue e no capitulo 39 continua
no vale. Mas no capítulo 40, a mesma mão que havia levado o profeta para o
vale, agora, a mão do Senhor colocou-o sobre um monte muito alto. Nesse monte,
ele viu alguém no templo “...um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo
um cordel de linha na sua mão e uma cana de medir, e estava em pé na porta”
(Ez 40.3).
Diz-nos o texto: “O homem
me levou de volta até a entrada do Templo. Debaixo da entrada, saia água que
corria na direção leste...a água corria por baixo do lado sul do templo, ao sul
do altar” (Ez 40.1). Essas águas correm do trono de Deus, representa ou simboliza
a presença do Espírito Santo. Essas águas estão fluindo, todos os dias. Não se
condiciona ao ser humano, pois vem do próprio Deus. Essas águas representam o
poder de Deus, o dínamo de Deus, a força de Deus na história humana. Nós precisamos
dessas águas sobre nossas vidas.
Uma pergunta: “Quem é este
homem?” “...cuja aparência era como a de bronze?”. Este homem é uma
teofania, é uma manifestação do próprio Deus em forma humana. Quem é este
homem? Que carregava um “...cordel de linha na sua mão e uma cana de medir,
e estava em pé na porta”? Esse homem é o mesmo que apareceu para João na ilha
de Patmos: “Os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa
fornalha” (Ap 1.15). É o mesmo que apareceu para Moisés, no meio de uma sarça que
não sem consumia. É o mesmo que apareceu para Jacó, no vale de Jaboque. É o
mesmo que apareceu à Manoá, para anunciar o nascimento de Sansão, o seu nome é
Maravilhoso.
Quem era esse homem? É o
mesmo homem que apareceu para Josué ao pé da muralha de Jericó, com uma espada
nua em sua alma. Ele é o capitão do exército do Senhor. Quem é esse homem? É o
mesmo homem que quando Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não quiseram adorar a
imagem feita por Nabucodonosor e foram lançados na fornalha de fogo ardente,
esse mesmo homem apareceu no meio da fornalha e andava com eles. Esse homem é Jesus, o verbo de Deus, aquele
que era, que é e que há de vir.
2)
Medindo a esfera da nossa ação
“O homem saiu para o oriente,
levando a mão uma corda de medir; ele mediu mil côvados e me fez passar pelas
águas que batiam na altura do tornozelo” (Ez 47.3). Olha o que o texto diz:
“...e me fez passar”. Estamos aqui pela misericórdia de Deus, é Ele que
chama, é Ele que salva, é Ele que capacita, é Ele que batiza com Espirito
Santo. Não é por nós, mas por Ele; não é pelo nosso esforço, mas pela morte
dEle na cruz do calvário. Tudo é para Ele, tudo é para glorificar o Nome dEle. O
apostolo Paulo afirma em Efésios: “Pois pela graça sois salvos, por meio da
fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8). Mas, é somente o começo da vida cristã.
“De novo mediu mil côvados
e me fez passar pelas águas, que batiam na altura dos joelhos...”. Toda medida
na vida cristã, nunca é definida por nós, mas sempre é definida por Deus. Primeiro,
o homem mediu mil côvados e chegou no tornozelo; agora, mede mais mil côvados
e vai na altura do joelho. A vida cristã não é estagnada, não é parada,
estacionada, quanto mais você anda nas águas do Espírito mais profundidade tem
para você.
Tem irmãos que estão na
presença do Senhor faz tempo, mas continua com as águas no tornozelo, ainda estão
contando sempre as mesmas experiencias. Mas,
tem irmãos que chegaram bem depois, no entanto, mergulharam mais profundamente
nas águas do Espírito; saíram do tornozelo e já estão com ás aguas no joelho. São
pessoas que tem prazer de orar, são pessoas que gostam de aprender, são pessoas
abertas ao novo de Deus. Mas, ainda não é o suficiente.
Tem mais, “outra vez
mediu mil, e me fez passar pelas águas, que batiam na cintura” (Ez 47.4). Primeiro,
levou-me até o tornozelo, depois levou-me até o joelho e agora, as águas estão
nas cinturas. Fala de uma experiencia mais profunda com Deus, fala de uma
comunhão significativa com Deus, fala de uma entrega a Deus. Mas, ainda estamos
no controle da situação. Pois, entramos até o tornozelo, estou no controle da
situação; entrei até cobrir os joelhos, mas ainda estou andando por cima das
águas. Agora, cheguei a cintura, já aprofundei significativamente na minha vida
cristã.
Todas as medidas eram
iguais, mas os níveis diferentes. Mil côvados, mil côvados, mil côvados, mas o nível
era outro. Pra você mudar de nível é necessário caminhar, movimentar. Quanto mais
você caminha, mais você vai desaparecendo nas águas, desaparecendo. Nunca é
para aparecer, nunca é para chamar a atenção para si. Mas, quanto mais desce,
mas o nome de Jesus é glorificado. quer ser profundo, mas não ora, não desce,
quer ser profundo, mas não se dedica.
Conclusão
Quando pensamos que nos aprofundamos
suficientemente na vida cristã, Deus lhe diz: “...mediu mais mil côvados, e
era um rio, que eu não podia atravessar; pois as águas tinham subido,
tornando-se um rio que não se podia atravessar, a não ser a nado” (Ez
47.5). Ezequiel não foi e o texto diz: “Então me levou e me fez voltar à
margem do rio” (Ez 47.6). Do outro lado havia abundância de arvores, as
águas que descem do templo, fazem as águas do mar morto se tornar águas saudáveis;
do outro lado existe vida de todas as espécies; do outro lado existe abundância
espiritual e material, até os pântanos se tornarão saudáveis. Do outro lado tem
todos os tipos de frutos que servem de alimento...
Mas, Ezequiel não quis ir para
o outro lado, ficou com medo. Porque quando você se lança no rio de Deus, teria
que ir pra onde o rio te lançar. Isso não queremos, porque não queremos perder
nossa autonomia. Quando mergulhamos, perdemos nossa vontade, e fazermos o que o
rio quer. Quando você se deixa levar pelo rio, não tem mais condicionalidade,
mas faz a vontade de Deus. Se deixa levar pelo rio, deixa o Espirito lhe guiar.
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