terça-feira, 21 de julho de 2026

Chamados de cristãos At 11.19-30 

Introdução

O que é ser cristão nos dias de hoje? Nos definimos não mais como seguidores de Cristo, mas estamos sob uma placa denominacional. Sou da igreja do “Ultimo dia”, sou da igreja “Juizo final”, etc, sim, nos identificamos em uma “denominação”, não como seguidor de Cristo. Os cristãos tinham um simbolo que era o peixe, que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. Mas, será que temos sido um representante de Cristo onde estamos? É isso que vamos estudar nessa noite. 

A perseguição iniciada com a morte de Estevão, ao invés de acovardar os discípulos, espalhou os discípulos. A perseguição faz com a igreja aquilo que o vento faz com a semente, espalhando-a e aumentando a colheita. Os discípulos saíram pregando a Palavra de Deus “...caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia...” (At 11.19). O mandato de Jesus em Atos 1.8, está sendo concretizado: Jerusalém, Judéia, Samaria, agora subindo mais ao norte de Israel, Fenícia; depois saem do continente e vão para a ilha de Chipre, terra natal de Barnabé. Por fim, chegam em Antioquia.

1)     Antioquia

Antioquia era uma cidade com quinhentos mil habitantes, era a terceira maior cidade do Império Romano, depois de Roma e Alexandria. Era uma cidade bela com construções grandiosas, sua rua principal tinha mais de 7 quilômetros de extensão, com calçada de mármore e ladeada de colunas. Também era sinônimo de imoralidade e luxuria, infestada de clubes noturnos. Era famosa pelo culto a ninfa Dafne,  um templo de imoralidade sexual. 

“...alguns dos discípulos que foram de Chipre e Cirene até Antioquia começaram a anunciar aos gentios as Boas-Novas a respeito do Senhor Jesus Cristo” (At 11.20). Esses judeus são helenistas, como Estevão e Filipe, e estão espalhando a semente do evangelho aos gentios. Eles não apresentam Jesus como “Messias”, mas como “Senhor”. O objetivo é levar os ouvintes a abandonarem os deuses falsos e voltarem para o único Senhor verdadeiro.  Eles adoravam ídolos romanos e gregos e precisavam conhecer o único Senhor, que é Jesus Cristo.

“E a mão do Senhor era com eles, e um grande numero de pessoas creu e se converteu ao Senhor” (At 11.21). “A mão do Senhor”, ou “o poder do Senhor” (NTLH) estava sobre os discípulos. Assim como aconteceu com o apostolo Pedro em Jerusalém, como aconteceu com Filipe em Samaria, estava acontecendo em Antioquia, sim, Deus estava fazendo coisas extraordinárias. A partir de agora, a cidade passou a ser o centro da missão da igreja ao mundo gentio.

“E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia” (At 11.22). Da mesma forma que aconteceu em Samaria, enviado os apóstolos Pedro e João, agora enviaram Barnabé para supervisionar a obra em Antioquia. E o que ele vê? “...viu a graça de Deus, ficou muito alegre”.  O que ele fez? “encorajou” (VFL), “incentivou” (NVT), “exortou” (ARC), para que fossem perseverantes e íntegros.  O verbo é parakaleo que carrega a ideia de estar ao lado de alguém, coragem, conforto, esperança, perspectiva positiva. É como um incentivador que desafia sem condenar, inspira sem condescender e ajuda o outro a caminhar em direção à excelência. 

O texto fala que Barnabé “era homem bom, cheio do Espirito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor” (At 11.24). Diante da personalidade de Barnabé, que era cheio do Espirito Santo e fé “...muita gente se uniu”. Lucas usou esse verbo duas vezes em relação ao dia de Pentecoste, primeiro em relação aos três mil que foram acrescentados naquele dia (At 2.41) e depois em relação aos acréscimos diários subsequentes (At 2.47). Mais tarde, ele descreveu que “mais e mais” homens e mulheres crentes no Senhor foram acrescidos à igreja (At 5.14), enquanto em Antioquia da Síria, “muita gente” foi acrescentada (At 11.24).

2)     A obra não pode parar.

“Depois Barnabé foi a Tarso à procura de Saulo” (At 11.25). O caminho de Antioquia à Tarso era de 150 quilômetros. Mas, Barnabé tinha ciência que Deus havia chamado Saulo para pregar o evangelho aos gentios (At 9.15) e que Saulo pregou com destemor em Damasco (At 9.19) e em Jerusalém (At 9.28). Ele foi mandado para Tarso, porque os judeus queriam mata-lo. Agora, depois de quase 14 anos, Barnabé sabe que Saulo fora preparada para esse momento. Crescera em Tarso, falava o grego, tinha cidadania romana, em sua adolescência estudou aos pés de Gamaliel. E, por fim, foi chamado por Deus para pregar aos gentios. 

“Tendo-o achado, levou-o para Antioquia. E, durante um ano inteiro, reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente. Em Antioquia, os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez” (At 11.26). um ano de formação ministerial. Os dois, durante um ano, trabalharam juntos, não apenas evangelizando, mas estabelecendo os crentes como igreja, os crentes foram ensinados. Nesse tempo, Saulo aprendeu os fundamentos da formação, organização e estabilização da igreja. Barnabé e Saulo trabalhavam com afinco, evangelizando, ensinando, pregando o evangelho em todos os lugares de Antioquia.

“...os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez”. Os seguidores de Jesus eram chamados de “discípulos” (At 6.1), “santos” (At 9.13), “irmãos” (At 1.16), “fiéis” (At 10.45).  Agora pela primeira vez os discípulos foram chamados de “cristãos”, isto é, pequenos Cristos. Cristão é alguém que pertence a Cristo, esse nome foi dado pejorativamente, como zombaria, denegrir, escarnio. Mesmo que tivesse esse objetivo de escarnecer os discípulos, ser cristão, significava viver a mensagem de Cristo, viver do jeito que Cristo viveu. 


“...naqueles dias, desceram profetas de Jerusalém para Antioquia” (At 11.27). Assim como no Antigo Testamento, os profetas eram porta-vozes humanos que Deus usava para revelar sua vontade. As filhas de Filipe, diácono, eram profetizas (At 21.9). A Bíblia diz que a profecia tem três funções: edificar, exortar e consolar (1 Co 14.3). Um dos profetas “...chamado Ágabo, levantou-se e, pelo poder do Espirito Santo, anunciou: haverá uma grande falta de alimentos no mundo inteiro” (At 11.28). Isso aconteceria na época do governo de Claudio, imperador Romano. Flavio Josefo, historiador, escreveu sobre uma grande fome que oprimiu o povo da Judéia e muitas pessoas morreram por não terem como obter alimento. 

Mas a igreja de Antioquia não ficou estacionada diante dessa necessidade “E os discípulos, cada um conforme suas posses, resolveram enviar ajuda aos irmãos que habitavam na Judeia” (At 11.29). A igreja de Antioquia, como as igrejas da Macedônia, recebeu “graça” para contribuir (2 Cr 8.2). Pela graça somos salvos dos pecados, libertados por Cristo e, pela graça, recebemos de Deus o dom de contribuir. A graça é radical!  Da mesma forma, como aconteceu no inicio da igreja primitiva em que compartilhava seus recursos com os necessitados (At 2.44-46). Barnabé já deu exemplo de compartilhamento generoso de bens materiais, e ele e Paulo são encarregados de levar a oferta. 


Conclusão

Diante do exposto como estamos? Somos como os cristãos helenistas dispostos a pregar o evangelho numa cultura totalmente tomada pelo pecado?

Se estamos, podemos ter a certeza absoluta que a mão do Senhor, o poder do Senhor será conosco. Nos capacitando a pregar o evangelho e realizar sinais e maravilhas.

Diante da obra do Senhor, diante da sua igreja, temos sido como Barnabé? Encorajador, incentivador, um parakaleo? Ou será que temos atuado contra o crescimento da obra de Deus?

Será que temos aproveitado os instrumentos que Deus tem colocado diante de nós? Como Barnabé andando por mais de cento e cinquenta quilômetros para trazer Saulo em Antioquia.

Será que temos ouvido de Deus suas profecias? Será que temos estendido as mãos para ajudar os necessitados? 



domingo, 19 de julho de 2026

 Um africano conhece Jesus Atos 8.26 

Introdução

A igreja está passando por um momento de avivamento. Ou seja, o evangelho está sendo pregado anunciado, começando por Jerusalém, Judéia e agora, chegou em Samaria. Filipe, diácono escolhido para servir à mesa, pregava poderosamente em Samaria e Deus realizava sinais e prodígios. Mas, um anjo aparece a Filipe e lhe diz: “vai em direção ao sul para a estrada – a estrada deserta que desce de Jerusalém para Gaza” (At 8.26).

1)     Um africano

Filipe não indagou, não perguntou, somente obedeceu a ordem do anjo do Senhor. Indo pela estrada deserta de Gaza: “...encontrou um eunuco etíope, um oficial importante de todos os tesouros de Candace”. Primeiro, Ele era um eunuco, por sua condição como pessoa sem sexo, um homem que tinha sido fisicamente castrado, alvo de desprezo e zombaria por ser considerado efeminado. Mas, era alto funcionário, tesoureiro administrador das finanças da rainha da Etiópia. Segundo ele era estrangeiro, da distante África negra, etíope. O povo etíope ocupava a região entre o Rio Nilo e o Mar Vermelho.  

Havia muito preconceito em relação aos eunucos. Essas pessoas deviam ser excluídas dos templos, a lei de Moisés já afirmava: “Nenhum homem castrado, que tenha esmagado os testículos, ou amputado o órgão genital poderá fazer parte do povo de Deus” (Dt 23.1). Ver um eunuco pela manhã era sinal de mau agouro e infortúnio. E mais: eunuco não é homem, nem mulher, mas algo misto, híbrido e monstruoso, esquisito à natureza humana.

O Espirito disse a Filipe: “Vá até a carruagem e fique perto dela” (At 8.29). Filipe obedeceu prontamente “vá até a carruagem”. É uma ordem dada por Deus, vai lá fora, onde está o movimento, vá na rua, nas estradas, nas alamedas, nas vielas e prega a minha palavra. Vá nas escolas, nas universidades, nas praças e pregue a minha palavra. Tem muita gente precisando, necessitando de ouvir a Palavra de Deus.

2)     Entende o que lê?

“E estava no caminho de volta para casa. Sentado na sua carruagem, lia o livro do profeta Isaias” (At 8.28). Ele lia as escrituras, estava confuso, curioso, lia mais não entendia, ele estava querendo saber, conhecer o significado. A história que ele lê está em Isaias, capítulo 53, fala de alguém que foi humilhado, abatido, tosquiado, mas foi considerado servo de Deus. As escrituras cativavam sua imaginação, mas ele não conseguia entender seu significado pleno. No mundo antigo, havia um costume de fazer leitura alta, logo, Filipe ouvindo o eunuco lendo se identifica com a passagem e lhe pergunta: “O Senhor entende o que está lendo?”

“Ele respondeu: Como posso entender sem que alguém me explique?”. Para entender as escrituras é preciso estar plenamente fundamentado e ser guiado pelo Espírito Santo. “E convidou Filipe a subir na carruagem” (At 8.31). O texto que o eunuco lia em volta alta era esse: “Ele foi levado como ovelha para o matadouro; e, como cordeiro mudo diante dos tosquiadores, não abriu a boca. Na sua humilhação foi privado de justiça. Quem pode falar de seus descendentes? Pois a sua vida foi tirada da terra” (At 8.33).

Então, Filipe, começando com aquela passagem da escritura, anunciou-lhe as boas novas de Jesus” (At 8.35). Filipe explica que Jesus é a ovelha levada ao matadouro, que sofreu, foi humilhado, chicoteado, carregou uma cruz pesada na via dolorosa, mas não abriu a sua boca. Depois, colocaram-no numa cruz, suas mãos e seus pés foram pregados, na hora da sede deram-lhe vinagre. Morreu naquela rude cruz, com dores excruciantes. Sua morte, porém, não era o fim.

A boa notícia é que Deus ressuscitou dos mortos, sim, Jesus ressuscitou, ele vive,  venceu a morte, todo o poder lhe foi dado, Deus o exaltou em glória. Por causa daquilo que Deus fez, ele está destinado a ter membros incontáveis em sua família espiritual.

Depois da pregação, depois de contar a história da cruz, a história de Jesus, diz o texto: “Seguindo pelo caminho, chegaram a certo lugar onde havia água. Então o eunuco disse: eis aqui água. O que me impede que eu seja batizado?”. E, agora Filipe? Alguns responderiam, sua condição de mutilado ou sua condição racial ou étnica.

Conclusão

Mas Filipe não enxerga desse jeito. Filipe lhe diz que por causa da morte e da ressurreição de Jesus, aqueles que haviam sido excluídos não podiam ser deixados de fora do Israel renovado. Deus tem um lar para quem não tem lar, Deus tem família para quem não tem família. O evangelho é para todos, é a boa nova, especialmente os quebrantados, mutilados pela vida, tolos, e os que nada são. “Então, Filipe e o eunuco desceram à água, e Filipe o batizou” (At 8.38).

 

 

 

terça-feira, 14 de julho de 2026

 A conversão de Cornélio – Atos 10 

O apostolo Pedro está em seu ministério apostólico (fazendo missões). Esteve em Samaria, no avivamento iniciado por Filipe, os samaritanos receberam o batismo com Espírito Santo (At 8.18). Depois, o apostolo viajou para Lida, e lá um paralitico que vivia oito anos em cima de uma cama, foi curado pelo poder de Jesus. Depois, dois varões de Jope foram até ele para lhe anunciar a morte de Dorcas; e pelo poder de Jesus, ela é ressuscitada através do ministério de Pedro. O capítulo nove termina afirmando que: “Pedro ficou muitos dias em Jope na casa de um curtidor de peles de animais” (At 9.43). Isso evidencia que o apostolo Pedro está tirando vendas do seu preconceito religioso, primeiro evangelizando samaritanos (povo misturado), agora, hospedando na casa de um curtidor de peles de animais, pois os judeus consideravam impuros.

1)     Visões de Deus

Aos poucos Deus vai abrindo os olhos do apostolo Pedro. Dessa vez o evangelista Lucas apresenta um italiano, chamado Cornélio. “Havia em Cesaréia um homem chamado Cornélio”(v.1). Cesaréia ficava 50 km de Jope, no litoral. Essa cidade era a capital administrativa da Judéia, com um esplendido porto construído por Herodes. Em Cesaréia havia uma guarnição romana. Ele era “...centurião da coorte, chamada italiana”. Na organização romana a legião ocupava o primeiro lugar, um total de seis mil soldados. Em cada legião havia 10 coortes, cada coorte de 600 homens. A corte estava dividida em centúrias, composta por cem soldados cada, sobre as quais mandava um centurião. Os centuriões eram a espinha dorsal do exército romano. 

Cornélio, diz o evangelista Lucas, “...era piedoso e temente a Deus com toda a sua casa...”. Ele era religioso, era quase judeu, um prosélito, ou seja, significa que ele aceitou o Deus dos judeus e reconheceu os mandamentos de Moisés e, que frequentava as reuniões na sinagoga; mas que ainda não se tornara um devoto totalmente a Deus. Ser piedoso e “temente a Deus”, não torna ninguém merecedor de salvação.  E Diz que Cornélio “...orava sempre a Deus”, no grego o termo orava significa “implorar”, “suplicar fervorosamente”, ou “pedir”. O homem “continuamente” buscava algo específico de Deus, mas não nos é dito o quê (At 10.2). Apesar de toda religiosidade judaica, o coração dele ainda estava inquieto.

Um dia”, diz o evangelista Lucas, “mais ou menos às três horas da tarde”, que era a hora de oração dos judeus (At 3.1), ou seja, Cornélio estava seguindo na privacidade de sua casa essa observância judaica. Ele teve “...uma visão na qual viu um anjo de Deus vir em sua direção e dizer: Cornélio” (At 10.3). Diante dessa visão, ele “ficou atemorizado”, “com muito medo”, “possuído de temor” e lhe pergunta: “O que é Senhor?” (At 10.4). O anjo lhe diz que “suas orações e esmolas tinham subido para memória diante de Deus” (v.4). De modo que ele deveria enviar mensageiros a Jope, para buscar Simão Pedro que estava hospedado à beira mar na casa de Simão, o curtidor.

No dia seguinte”, diz-nos Lucas, “...Pedro subiu ao terraço, para orar, era cerca de meio-dia” (At 10.9). “Estando com fome, quis comer: mas enquanto lhe preparavam a comida sobreveio-lhe um êxtase”, ou “uma visão” (VFL). Ele entrou em um estado mental alterado. “E viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol, atado pelas quatro pontas, e vindo para terra” (v.11). O que ele viu? “...havia todos os tipos de animais de quatro patas, de animais que se arrastam pelo chão e de aves” (v.12). Uma mistura de animais puros e impuros que provocaria repulsa em qualquer judeu ortodoxo. 

Depois da visão, ele ouviu uma voz que lhe deu uma ordem surpreendente: “Levanta-te, Pedro: mata e come” (v.13). Mas Pedro respondeu: “Certamente que não, Senhor! Jamais comi algum impuro ou imundo...” (v.14). Mas, Deus lhe diz: “Não chame impuro ao que Deus purificou” (v.16). Pedro estava evocando a lei de Deus (Lv 11); Daniel não quis se contaminar com os alimentos servidos na mesa da Babilonia; manter a alimentação judaica era uma forma de mostrar devoção e amor a Deus. Mas Deus diz: “Mata e come”. Durante o ministério de Jesus, ele havia declarado que o que contamina os homens não é o que ele come, mas o que sai do seu coração (Mc 7.14-19). O fato de a visão ocorrer três vezes mostra como é difícil mudar percepções de um mundo profundamente arraigadas e sustentadas por proibições religiosas. “A mesma visão se repetiu três vezes. Então, subitamente, o lençol foi recolhido ao céu” (v.16 NVT). 

Não chame impuro ao que Deus purificou”, koinos no grego é impuro, é um adjetivo para coisas comuns, profana ou contaminadas.  No sentido cerimonial descreve algo que é o oposto de puro, sagrado e santo. Com o tempo, a igreja passaria a amar o substantivo relacionado Koinonia, que descrevia seu vinculo único em Cristo em termos de fraternidade, associação próxima, comunhão e compartilhamento mútuo. Este seria o início da comunhão entre judeus crentes e gentios.

Mas enquanto Pedro estava perplexo sobre qual seria o significado da visão, ele estava completamente perdido a ponto de não saber que caminho seguir: “...eis que os homens enviados da parte de Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, pararam junto à porta (v.17). E, chamando, indagavam se estava ali hospedado Simão, por sobrenome Pedro (v.18). Então, enquanto meditava sobre Pedro acerca da visão, disse-lhe o Espírito: Estão ai dois homens que te procuram; levante-se, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque eu os enviei” (At 10.20). Deus lhe dá uma ordem, para que não houvesse hesitação, dúvida, ou, sem fazer distinção. Pedro vai entender que não se tratava de animais puros e impuros, mas de pessoas: “Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo” (At 10.28).

2)     Pedro na casa de Cornélio.

No dia seguinte, Pedro e sua comitiva partiram para Cesaréia, em direção ao norte pela estrada costeira. Quando chegaram encontraram um grupo considerável à sua espera, pois Cornélio estava esperando por eles e tinha reunido não só os da sua própria casa mas também seus parentes e amigos íntimos (At 10.24). Quando Pedro chegou Cornélio “se jogou aos seus pés” – como se ele fosse uma figura angelical. Mas, Pedro o levantou, afirmando que ele também era apenas um homem. 

Cornélio contou a visão a história da visão do anjo e que estavam todos ali para ouvir o apostolo Pedro. “Estamos todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir tudo o que foi ordenado da parte do Senhor” (v.33). O apostolo Pedro inicia seu irmão afirmando que Deus não faz acepção de pessoas e seguida começa sua exposição sobre o evangelho. Primeiro, ele se referiu à vida e o ministério de Jesus. Sim, “Deus ungiu a Jesus de Nazaré para sua obra como Messias...com Espírito Santo, com poder”. O poder do Espírito Santo estava sobre JESUS. Para confirmar o ministério de Jesus, Pedro diz: “...somos testemunhas, de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém” (v.39).

Depois, ele fala sobre a morte de Jesus. As autoridades tiraram a vida de Jesus, crucificando-o, pendurando numa cruz. Mas, por trás da execução humana, havia uma vontade, um desígnio. Ele estava carregando, em nosso lugar, a maldição ou julgamento de Deus pelos nossos pecados. Mas, Jesus ressuscitou, diz o apostolo Pedro. “Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia e permitiu que ele fosse visto” (v.40). Depois de ressuscitar nos deu uma ordem: “Nos mandou pregar ao povo e testemunhar”, sim, somos testemunhas de Cristo. O Mandato de Jesus: ‘E recebereis poder do Espirito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra” (At 1.8). E, o apostolo Pedro, finaliza afirmando: “Eles deviam testificar que ele voltaria no dia do juízo, porque ele foi constituído por Deus juiz de vivos e mortos” (At 10.42).

Conclusão

Enquanto “Pedro falava essas coisas...caiu o Espírito Santo sobre todos os gentios que ouviram a palavra e creram” (v.44). Todos ficaram maravilhados diante do poder que desceu sobre todos que estavam ali: “Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus” (v.46). Por fim, “sejam batizados em nome do Senhor”. Primeiro, foram batizados no Espirito Santo, começaram a falar em outras línguas, depois, diante de todos, foram batizados nas águas, selando o compromisso com Jesus. 


terça-feira, 7 de julho de 2026

 Milagres em Lida e Jope At 9.31-43 

Introdução

O evangelho está crescendo, quanto mais assopra o “vento” da perseguição mais as “chamas” aumentam. Saulo diante da perseguição em Jerusalém, partiu para sua cidade natal Tarso a fim de proclamar o evangelho. E a igreja continuava a vicejar e a crescer entre os judeus na Judéia. O evangelho se espalha e as igrejas iam sendo constituídas em todas as partes “Judéia, Galiléia e Samaria” (At 9.31). Essa é a primeira vez que a palavra “igreja” aparece no singular, significando a totalidade do corpo de Cristo.

A igreja desfrutava de “paz”, “Depois disso, a perseguição foi amenizada, e a igreja caminhou em paz por um tempo” (A mensagem). Nos momentos de paz a igreja estava sendo “edificada”, ou “fortalecida”, “encorajada” (grego paraklesis “animar”, “exortar em amor”). O Espírito Santo estava no meio da igreja dando animo e poder para que falasse de modo persuasivo a fim de ganhar novos crentes e continuar operar milagres. Uma igreja assim sente-se motivada a evangelizar e, portanto, cresce multiplicando em números (At 9.31).

“Pedro viajava por toda parte, foi também visitar os santos que moravam em Lida” ((At 9.32). O ide de Jesus de Atos 1.8 estava se cumprindo na igreja primitiva, principalmente através do ministério do apostolo Pedro. Descendo para Lida, que ligava Jerusalém a cidade de Jope, em seguida vai para Cesaréia Marítima onde funcionava o principal porto da região, construído pelo rei Herodes. O objetivo do apostolo era pregar o evangelho nessas regiões e visitar “os santos que moravam em Lida” (v.32). 

1)     Eneias o paralitico.

E achou ali certo homem, chamado Eneias, jazendo numa cama havia oito anos, o qual era paralitico” (At 9.33). A cidade de Lida, que era chamada de Lode no Antigo Testamento (1 Cr 8.12), ficava no caminho, na encruzilhada (perto de Jope e perto de Jerusalém) e era o caminho entre o Egito e a Síria, era um grande centro militar e comercial, famoso pelos têxteis  e pela cerâmica. E nos diz o Texto que em Lode vivia “...um homem chamado Enéias, paralitico e acamado há oito anos”. 

Homem que “vivia paralitico numa cama havia oito anos”.  (A Mensagem). Todos já estavam acostumados com a condição de Enéias, assim como nos acostumamos com a condição de muitos doentes e enfermos que estão ao nosso lado. Mas, é justamente nessa hora, que Deus mostra que o impossível está em suas mãos. Quando o apostolo Pedro se deparou com esse homem, conhecido em toda cidade de Lode, olhou para ele e lhe disse: “Eneias, Jesus Cristo te cura. Levanta-te e arruma a tua cama. Ele logo se levantou” (At 9.34). As palavras de Pedro para Eneias são parecidas com as palavras que Jesus usou para o paralitico de Cafarnaum: “Levante-se, pegue o seu leito e vá para casa” (Lc 5.24). 

 Entre as duas curas temos algumas diferenças: lá em Cafarnaum fala de amigos que levaram o paralitico até Jesus, aqui o apostolo Pedro foi até Eneias; lá em Cafarnaum os pecados do paralítico são perdoados, aqui o apostolo não declara que seus pecados foram perdoados (se Eneias fosse crente seu pecado já fora perdoado no momento da conversão); lá em Cafarnaum Jesus curou o paralitico pelo seu poder; aqui o apostolo curou em nome de Jesus “Jesus te cura”.

A similaridade dos dois eventos, tanto em cafarnaum quanto em Lida, é que o paralitico de Cafarnaum “...imediatamente ele se levantou diante de todos e, pegando o leito em que até então estava deitado, voltou para casa, glorificando a Deus” (Lc 5.25). Aqui, em Lida, é mais sucinto: “E, logo se levantou” (Atos 9.34). 

Durante oito anos, Eneias, o paralitico, tivera de depender da ajuda de outras pessoas, a fim de arrumar seu leito e fazer outras coisas corriqueiras. Mas, agora, uma vez libertado de sua enfermidade, podia cuidar de si mesmo. Não precisava mais ser carregado pelas pessoas, podia andar sozinho, livremente pelas ruas da cidade. As pessoas que vem ele andando pela cidade, um homem que vivera acamado, reagem e ficam aturdidas diante desse milagre. Assim, como em Cafarnaum, em que todos ficaram admirados. Em Lida, não somente se admiraram, mas também “se converteram ao Senhor” (At 9.35).

2)     Tabita ou Dorcas

Lucas continua narrando a viagem do apostolo Pedro, saindo de Lida indo até Jope, uma distância de vinte quilômetros. Fora pelo porto de Jope que Hirão (rei de Tiro) enviou madeiras para Salomão edificar o templo do Senhor;  também conhecida porque Jonas tentou fugir da presença do Senhor (Jn 1.3). Essa cidade ficava a 56 quilômetros de Jerusalém, e tem servido como sua cidade portuária por muitos séculos. É o único porto natural entre Jerusalém e Egito. Hoje, Jope, é um bairro histórico na moderna Tel Aviv. 

“Havia em Jope uma discipula chamada Tabita, cujo nome em grego é Dorcas”. Seu nome aramaico era Tabita, o primeiro nome e, seu nome em grego, cognome, Dorcas, que significa gazela. As gazelas eram usadas como símbolo de beleza e graciosidade. O Texto diz que Dorcas era “discipula”, ou seja, era crente em Cristo Jesus. Ela era generosa na obra do Senhor: usava seus recursos e sua habilidade como costureira para dar assistência material aos mais necessitados. 

Naqueles dias, ela ficou doente e morreu. O seu corpo foi lavado e colocado em um quarto do andar superior” (At 9.36-37). Enquanto o apostolo Pedro estava pregando em Lida, a apenas 20 quilômetros de Jope, a mulher morreu em decorrência de uma doença. Em vez de enterrá-la, ou passar especiarias em seu corpo por causa do mau cheiro, como o costume judaico, em vez disso seus amigos banharam o corpo, vestiram-no e colocaram-no no quarto dos hóspedes. Como se alguém morresse hoje, ao invés de chamar a funerária para fazer todo procedimento, pegasse o corpo e colocasse o cadáver em sua cama de dormir! 

Tudo o que os discípulos fizeram era acreditar que ela poderia ser ressuscitada pelo poder de Deus. Sabendo que o apostolo Pedro estava em Lida, perto de Jope, “...lhe mandaram dois varões, rogando-lhe que não se demorasse em vir tem com eles” (At 9.38). Quando Pedro chegou viu um corpo não preparado para o enterro, deitado nos aposentos, cercado por viúvas em luto. Com certeza aquela cena era-lhe familiar, uma no antigo Testamento e outra, no Novo Testamento.

A primeira cena está em 1 Reis 17:17-24, quando o profeta Elias carregou o filho de uma viúva para o quarto onde estava hospedado, deitou-o na cama e depois orou. Nos diz o texto: “...Então, ele se deitou sobre o menino três vezes e clamou ao Senhor: O Senhor, meu Deus, faz voltar a vida a este menino! O Senhor ouviu o clamor de Elias e a vida voltou ao menino, e ele reviveu. Então, Elias pegou o menino e o levou para parte de baixo da casa. Entregou-o à sua mãe e disse: Veja! O seu filho está vivo!”. Essa história acontece também em 2 reis capítulo 4.8 em diante, em que o profeta Eliseu, pelo poder de Deus ressuscitou o filho da Sunamita, que estava deitado em seu quarto morto. 

No Novo Testamento, temos a cura da filha de Jairo. Quando Jesus chegou na casa de Jairo havia uma multidão de pessoas, Jesus pediu que todos saíssem e somente ficaram os discípulos mais íntimos; em Jope, o apostolo Pedro “...mandou que todos saíssem” (At 9.40). Jesus na casa de Jairo, tomou a menina pela mão e ordenou: “Talitha Koum!”, que significa Filhinha! Eu te ordeno, levante-se” (Mc 5.41). Pedro toma Tabita pela mão e ordena: “Tabita, levante-se”. Jesus tinha poder para fazer a menina ressuscitar, Jesus é Deus. Enquanto Pedro, é um vaso escolhido,  faz o milagre acontecer em Nome de Jesus, no poder do Espirito Santo. 

Conclusão

Como o filho da viúva que morreu, mas abriu os olhos com a oração de Elias, como o filho da Sunamita que morreu, mas abriu os olhos nos dias de Eliseu. Como o filho da viúva de Naim que havia morrido, mas ressuscitou. Como a filha de Jairo, que morrera, mas ressuscitou com a ordem de Jesus. Assim, quando Pedro disse a mulher: “Tabita, levante-se”. Logo “Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. Ele, dando-lhe a mão, ajudou-a a ficar em pé” (At 9.41).

Depois do milagre, depois de apresentar Dorcas viva diante de todos, “muitos creram no Senhor”, em toda Jope falava-se desse milagre maravilhoso que o apostolo Pedro havia realizado no poder do Nome de Jesus. 


sábado, 4 de julho de 2026

 Discernindo o inimigo. 1 Pe 5.8-10 

Estamos em tempo de copa do mundo. São 48 seleções em busca de uma taça, somente uma seleção conseguirá levar o primeiro lugar. Logo, existe todo um escrutínio, um aprofundamento no jogo do adversário, assistir jogos do adversário, fazer um sistema tático para se defender e atacar o time adversário. Outrossim, a importância de se conhecer os jogadores mais eficientes, os atacantes, os meias, os laterais etc. Tudo isso, para que no dia do jogo, não haja nenhum imprevisto.  

1)     O inimigo

Assim, também, amados irmãos, o apostolo Pedro nos convoca para conhecermos o adversário da igreja. Ele admoesta: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor...”. O diabo vem da palavra diabolôs que significa “caluniador” ou “acusador”.  Em apocalipse 12 afirma que inimigo da nossa alma é o acusador de nossos irmãos “ele nos acusa de dia e noite” (At 12.10). O diabo  é um querubim caído que se rebelou contra Deus, levando consigo um terço dos anjos com ele.

O diabo não é um deus, é uma criatura, um ser limitado geograficamente, que precisa de outros demônios para satanizar a vida das pessoas. Mas, é uma criatura maléfica, cuja essência é totalmente má. Vive nas sombras, vive nas ruelas do poder, vive no meio da corrupção, nos vícios que escravizam, nas calçadas da prostituição, nas telas da pornografia, nas conveniências do poder.

“Muitos dos nossos pensamentos autodestrutivos vem da esfera demoníaca. Ele está constantemente nos acusando, culpando-nos, envergonhando-nos, e vindo contra nós com a esperança de nos destruir”.  Assim, ele fez com o sumo sacerdote Josué, em Zacarias, quando Satanás estava à direita dele para acusá-lo (Zc 3.1).

O apostolo diz que ele “anda ao derredor”. O diabo é gatuno, ele vem furtivamente, sorrateiramente, não chama a atenção, ele opera em segredo. Seus intentos são sombrios, tenebrosos. Ele nunca chama atenção para sua aproximação ou para o seu ataque.

E diz mais: “bramando como um leão”. Ele é uma fera, uivando e rugindo em busca de uma presa “buscando a quem possa tragar!”. Mas, não é o leão, é uma paródia do leão, uma enganação. Personalize esse versículo: “Seu adversário anda em derredor, bramando como leão, buscando tragar _______________”. Isso causa arrepios, pavor em muita gente. Mas, é assim que ele age.

Ele anda em derredor, espreitando todos os nossos passos, esperando por uma fraqueza, fragilidade, quando estamos desprevenidos. Seu objetivo: é nos devorar, nos consumir, nos derrotar.

2)     O que fazer?

“Sede sóbrios e vigilantes”. O diabo não gosta de mensagem como essa. Ele odeia ser exposto. Ele odeia que falem dele. Ele odeia ser descoberto, ele é um gatuno, ele opera pelas sombras, ele odeia ser desmascarado.  “Seja sóbrio” significa estar vigilante, estar apercebido, ter discernimento de Deus, estar vivo (enquanto o mundo dorme), viver em oração, estar sempre com os olhos abertos. Não se deixa levar pelas correntes de pensamentos humanos.

Temos que ter sobriedade e vigilância, pois na história bíblica temos exemplos de diversos homens que foram derrotados pelo diabo: Sansão, não vigiou e teve o cabelo cortado, enquanto dormia. O rei Saul teve sua lança furtada por Davi, enquanto dormia. Noé, dormindo embriagado, foi de alguma maneira humilhado pelo filho. Enquanto o culto acontecia, enquanto Paulo pregava, Eutico, estava na janela dormindo, logo caiu da janela...Na parábola das dez virgens, elas dormiram porque o noivo demorou, mas a meia noite, ouviu-se um grito: “Ai vem o noivo”. O apostolo Paulo exorta a igreja nessa noite: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Ef 5.14).

Desperta igreja de Jesus, não subestime a capacidade do inimigo, ele é um anjo caído.

Desperta igreja, vigia com os prazeres e as lentilhas que o mundo lhe oferece.

Desperta igreja, não titubeia, mantenha-se acordada, pois o adversário “anda em derredor”.

Desperta igreja, o inimigo tem rugido sobre sua vida, sua casa, sua vida particular, ele quer te derrubar, acabar com você. Mas, ele não é o leão, é um leão, o seu rugido é mentiroso, é falso. Pois, nós temos o leão, sim, o leão da tribo de Judá, Jesus Cristo; aquele que morreu, no terceiro ressuscitou e está assentado à direita de Deus Pai.

“Resista-o”. Não corra com medo do inimigo. Não o convide, nem brinque com ele. Resista-o, pelo poder do Senhor Jesus Cristo. O apostolo Paulo afirma que “nossa luta não é contra seres humanos, e sim contra principados e potestades, contra os dominadores deste sistema mundial em trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef 6.12).

O que fazer, “Revesti-vos de toda armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do Diabo” (Ef 6.11). Precisamos do “cinto da verdade”, vivendo na verdade; precisamos da “couraça da justiça”, para nos proteger das setas do adversário; precisamos das “botas do evangelho”, para libertar pessoas da opressão; precisamos “do escudo da fé”, por causa dos dardos inflamados do maligno; precisamos do “capacete da salvação”, guardando nossas mentes dos ataques do mal. E, por fim, precisamos da “espada do Espírito”, precisamos da palavra de Deus em nossas vidas.

Conclusão

Por fim, o apostolo Pedro diz: “Ora, o Deus de toda graça, que vos convocou à sua eterna glória em Cristo Jesus, logo depois de terdes sofrido por um curto período de tempo, vos restaurará, confirmará, concederá forças e vos estabelecerá sobre firmes alicerces. A Ele, portanto, seja o pleno domínio para todo o sempre. Amém!” (1 Pe 5.10-11).

  

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

 Saulo, novo convertido At 9.10-31 

Saulo, judeu helenista, da cidade de Tarsos, cidadão romano, estudou aos pés de Gamaliel. Homem preparado, guerreiro tenaz, que participou ativamente da morte de Estevão; perseguiu a igreja de Cristo, prendendo homens e mulheres. Era como um javali que chega numa plantação e devasta. Assim, era Saulo, um javali selvagem. Até que um dia “repentinamente”, Jesus lhe aparece na estrada de Damasco e lhe chama pelo nome “Saulo, Saulo, porque me persegues”. Doravante, ele se torna um cristão, um filho de Deus.

1)     Ananias

“O Senhor o chamou em uma visão” (At 9.10). Ananias responde ao chamado do Senhor de forma diferente de Saulo. Em vez de perguntar: “Quem és tú?”, ele está pronto a obedecer: “Aqui, estou Senhor” (At 9.10). E a ordem do Senhor era: “Levanta-te, e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo” (At 911).  Porém, ele levanta objeções a uma comissão divina que parece inconsequente, perigosa. Ele argumenta com o Senhor: “Senhor, eu tenho ouvido muita gente falar a respeito de todas as maldades que este homem tem feito ao teu povo em Jerusalém” (At 9.13).  Outrossim: “...aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o seu nome” (At 9.14).

A reputação de Saulo era conhecida da igreja cristã, era um homem perigoso, sanguinário, participou ativamente na morte de Estevão. Logo, o “Aqui estou, Senhor”, as palavras iniciais de Ananias, se torna em outras palavras “Não, Senhor”. Mas, o Senhor é insistente: “Vai, porque ele é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios, reis e israelitas” (At 9.15). Ele é um “instrumento”, ou um “vaso” escolhido”. Portanto, diante dessa ordem, Ananias descobre que nem mesmo o inimigo mais endurecido e temível pode ser excluído.

Diante da visão do Senhor e dá ordem dada, Ananias, confronta seus próprios medos, pois precisa ser obediente a Deus e confiar que sua graça é capaz de transformar até mesmo o pior inimigo dos cristãos. Para Deus não há impossível, Deus mudou a vida de Zaqueu, cobrador de impostos; Deus mudou a vida de Maria, Madalena que tinha sete demônios; Deus mudou a vida a vida da mulher samaritana, que tivera cinco maridos. Logo, Deus é capaz de mudar a vida de qualquer pessoa.  

Cheio da coragem divina, “Ananias foi até a rua direita” (At 9.11) e entrou na casa de Judas. Lá ele lhe impôs suas mãos (v. 17), para que fosse curado de sua cegueira física e ficasse cheio do Espírito Santo. Ao mesmo tempo, Ananias chamou-o de “Saulo, irmão”, ou “Saulo, meu irmão”! Podem muito bem ter sido as primeiras palavras que Saulo ouviu de lábios cristãos após a sua conversão. Devem ter sido música para seus ouvidos.  

Ananias explicou como o mesmo Jesus que lhe aparecera na estrada de Damasco o tinha enviado a ele para que pudesse recuperar sua visão e ficar cheio do Espírito Santo. Imediatamente lhe caíram dos olhos como que escamas e tornou a ver.Algo como escama” (ARC), que caíram dos olhos de Saulo. A palavra grega denota algo fino e escamoso, como as escamas de peixes ou cobras, aconteceu uma cura sobrenatural, seus olhos voltaram a enxergar e sua alma recebeu uma nova natureza. Depois disso, Saulo foi batizado, com certeza diante dos cristãos de Damasco. Em seguida, se alimentou, após três dias de jejuns, sentindo-se fortalecido.

1)     Etapas da vida cristã

Tempos bons na presença de Jesus.

Em Damasco, Saulo “nas sinagogas, pregava a Jesus, que este era o Filho de Deus” (At 9.20). Contava a todos sobre o seu encontro com o Messias na estrada de Damasco. Todos estavam atônitos diante do seu testemunho: “Não é este que, em Jerusalém, perseguia os que invocam esse nome? Ele não veio para cá a fim de levá-los presos aos principais sacerdotes?” (At 9.21). Saulo debatia e confundia os judeus que habitavam em Damasco. Sua história chegou aos ouvidos da igreja da Judéia: “Aquele que antes nos perseguia agora prega a fé que antes tentava destruir” (Gl 1.23). 

Saulo fora preparado, conhecia a lei de Moisés, formou-se aos pés de Gamaliel, era uma pessoa influente entre as autoridades judaicas e romanas. Agora, estava em Damasco, acolhido, aceito, encorajado, protegido por um pequeno grupo de cristãos, de discípulos que tinham visto o Espírito Santo cair sobre ele e assistiram como o Espírito Santo transformou o seu caráter. Saulo desfrutava de uma comunidade unida e pregava constantemente nas sinagogas,  provando aos judeus que Jesus era o Cristo, o filho de Deus.

Tempo desérticos

Passados muitos dias”, ou seja, depois de Saulo ter pregado em Damasco, os líderes da sinagoga de Damasco “decidiram de comum acordo matá-lo”. Agora, o perseguidor tornou-se perseguido! Saulo estava sendo vigiado pelas autoridades religiosas, dia e noite. “Então, durante a noite, alguns de seus discípulos o baixaram pela muralha da cidade num grande cesto” (At 9.25). Em Gálatas, o apostolo Paulo, fala de um período de três anos, durante o qual ele vai, de Damasco à região da Arábia. E, depois, volta para Damasco, antes de retornar a Jerusalém. “...sem me deter, segui rapidamente para Arábia e depois retornei a Damasco” (Gl 1.17-18). 

A região da Arábia era um vasto território que se estendia ao sul, ao longo da margem leste do rio Jordão e do mar morto até o mar vermelho; a oeste, até a Mesopotâmia; e, ao norte, até Damasco. Também era conhecida como Nebateia, e a famosa cidade Petra, construída nos penhascos de rocha vermelha, era sua capital. 

Durante esse tempo de perseguição, Saulo passou meditando nas sagradas escrituras. Estava passando pelo deserto, perseguindo pelos líderes de Damasco e pelo rei da Arábia. Fora nesse deserto que muitas revelações que temos em suas cartas foram desveladas. Acerca do “mistério” (judeus e gentios, o mesmo povo em Cristo); caindo o muro de separação. Ele fala de “revelação”, “meu evangelho” e “o evangelho que recebi ...mediante a revelação de Jesus Cristo”, enfim., tudo que vemos em suas cartas uma boa parte Deus lhe revelou no deserto da Arábia.  

Tempos mais difíceis

Primeiro, desconfiança na igreja. “E quando Saulo chegou a Jerusalém” (At 9.26), “procurou juntar com os discípulos” (At 9.26), mas eles “tinham medo” (NTlH), “o temiam” (ARA); “todos...o temiam, não acreditando que ele fosse discípulo” (At 9.26). Provavelmente não tinham tido notícias dele durante três anos, que ficara na Arábia. Mas dessa vez, Barnabé veio socorrê-lo. “Tomando-0 consigo, levou-o aos apóstolos, e contou-lhes como ele vira o Senhor no caminho, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus” (At 9.27).

Todo mundo precisa de um Barnabé em sua vida - de alguém que seja um encorajador e que, por natureza, acredita nas pessoas e lhe dá uma chance após outra. Seu nome era José, mas lhe chamavam de Barnabé “filho do encorajamento”, ou “encorajador”. 

Graças a Deus por Ananias que apresentou Saulo à comunidade em Damasco (precisou de uma visão de Deus), e a Barnabé que fez o mesmo em Jerusalém. Sem eles, e a recepção que asseguraram a Saulo, toda a história da igreja teria sido diferente. A comunidade cristã precisa receber os novos convertidos, especialmente aqueles que vem de um contexto religioso, étnico ou social diferente. Existe uma necessidade urgente de Ananias e Barnabés modernos que vençam seus escrúpulos e suas hesitações e tome a iniciativa de ajudar os recém-chegados.

Segundo, tempo de perseguição. Em Jerusalém, Saulo “...falava ousadamente no nome de Jesus, falava e disputava também contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo”. Eram “judeus de fala grega”, este foi o mesmo grupo que instigou a campanha de calúnia contra Estevão. Muitos provavelmente pensaram que era um golpe de justiça, ou seja, Saulo estava colhendo os frutos das sementes que um dia semeara contra Estevão. Mas “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.21).

Os discípulos sabendo desse plano dos judeus helenistas contra Saulo, organizaram sua fuga para Cesaréia Maritima, onde ele pegaria um navio para sua cidade natal, Tarso. Passaria a década seguinte aprendendo, crescendo e aperfeiçoando para a liderança na igreja. 


Conclusão

Para Saulo não foi nada fácil o começo de sua conversão. Saulo, o perseguidor implacável, agora, tivera um encontro com Cristo.

A.W. Tozer escreveu certa vez: “É improvável que Deus possa abençoar grandemente um homem antes que o tenha ferido profundamente”. Ou, outro escritor afirmou: “Quando Deus quer fazer uma tarefa impossível, ele pega um homem e o esmaga”.