terça-feira, 8 de setembro de 2026

 O evangelho em Atenas At 17.15-34 

Introdução

Depois que o Apostolo Paulo saiu de Tessalônica, por causa da perseguição, passou por Bereia, onde pregou numa sinagoga e “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses...dedicaram ao estudo diários das Escrituras, com o proposito de avaliar se tudo correspondia à verdade” (At 17.11). Muitos acreditaram na pregação do apostolo Paulo, como mulheres gregas da alta sociedade e alguns homens. Mas, em seguida, os mesmos judeus que perseguiram Paulo em Tessalônica, foram até Bereia para instigar a população contra o apostolo. Os irmãos, enviaram Paulo para Atenas, enquanto Silas e Timoteo ficaram em Bereia.   

Paulo em Atenas

Atenas era o berço da Academia, conhecida por sua rica  história e her.ança cultural. Seu nome é derivado de Atena, a deusa grega da sabedoria. Foi em Atenas que surgiu o conceito de democracia, governo do povo; foi em Atenas que surgiu a filosofia, com Sócrates, Platão e Aristóteles. A população de Atenas ficava entre 20.000 a 25.000 habitantes. 

Enquanto esperava que Silas e Timoteo se juntassem a ele, Paulo aproveitou a oportunidade para conhecer a cidade, e o grande número de ídolos por lá o perturbou profundamente. Quando olhou para Atenas do alto a majestosa Acrópole, situada no centro da cidade, havia tantos templos e estatuas que parecia uma densa floresta de ídolos. Pausânias, um geografo da antiguidade, disse que “os atenienses são bem mais devotados à religião do que os outros homens”. Na teologia paulina, os ídolos nada são, mas por trás deles estão demônios. A idolatria produz cegueira espiritual e desordem moral. 

“O seu espírito se comovia em si” (At 17.16), “ficou profundamente incomodado”, significa “foi provocado a se irar” ou “ficou irado”, é a mesma palavra para se referir à ira extrema de Deus diante da idolatria (Dt 9.18).  Entretanto, o que Paulo viu não foi a beleza nem o brilhantismo da cidade, mas sua idolatria. Traduções: “cheia de ídolos”; “uma verdadeira floresta de ídolos”. “HAVIA MAIS DEUSES EM ATENAS DO QUE EM TODO O RESTO DO PAÍS”; “ERA MAIS FÁCIL ENTRAR ALI UM deus DO QUE UM HOMEM”.

A idolatria é um pecado gravíssimo porque rouba a honra e a glória do nome de Deus. É dar a outro ser a honra e a glória que só Deus merece. Quando uma pessoa diz que adora a Deus por meio de uma imagem, está desprezando a Deus, que ordenou que não se fizesse nem se adorasse nenhuma imagem. Deus diz: “Eu sou o Senhor, esse é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra às imagens de escultura” (Is 42.8). existem muitos ídolos: qualquer coisa que se coloca no lugar de Deus. A fama, a riqueza, o sexo, a comida, o álcool, drogas, os pais, esposas, filhos, trabalho. Etc.

Os ídolos são desprovidos de poder “Ai daquele que diz a madeira: Acorda! E a pedra muda: desperta! Pode o ídolo ensinar. Ele está coberto de ouro e de prata, mas dentro dele não há espirito algum”. Exemplificando: quando uma pessoa ora assim: “Ave Maria cheia de graça, bendito é o fruto do vosso ventre... Santa Maria mãe de Deus rogai por nós pecador...”. Pra Maria poder atender ao pedido, ela teria que ser onipresente, teria que ser onisciente e onipotente! 

O que Paulo fez?

No sábado, Paulo foi à sinagoga e discutiu com os judeus e gentios tementes a Deus.  Também, “todos os dias na praça com os que se apresentavam” (At 17.17). A praça era chamada de ágora, era o lugar onde movimentava toda cidade. Ali funcionava o mercado da cidade e ali também havia espaços para discussão. Era o centro de adoração aos ídolos, mas também um local de debates. Todos se reuniam na ágora para debater ideias: malabaristas, engolidores de espadas, mendigos, peixeiros, políticos e filósofos. 

Na ágora, o apostolo Paulo enfrentou os epicureus e os estoicos. Um acreditava somente na vida material, enquanto o outro acreditava numa outra vida e que o corpo não valia nada. Eles começaram a zombar do apostolo Paulo chamando-o de “exibicionista ignorante”, “pregador de deus estranho”, “tagarela”, “apanhador de sementes”, alguém que tem várias ideias sem entender completamente. Os opositores de Paulo queriam minar sua credibilidade e fazer que seus ensinamentos fossem oficialmente examinados pelo Areópago.

HOJE o equivalente mais próximo à SINAGOGA é a igreja, o local onde se encontram pessoas religiosas. O equivalente a Ágora pode ser um parque ou uma esquina, uma feira, a praça principal da cidade etc. Quanto ao Areópago, seria a escola, cursos profissionalizantes ou Universidade.

O que Paulo disse

Os epicureus e os estoicos que se opunham a Paulo levaram-no diante do Areópago, que era o conselho de anciãos da cidade. Era uma elevação denominada colina de Ares; Ares era o deus grego da guerra. As palavras “o levaram” indica uma cena de julgamento. Mas uma vez, a pregação de Paulo “chama a atenção das autoridades”, e ele precisa se defender dessa nova acusação. 

 “Então eles o levaram a uma reunião do Conselho de Atenas e disseram: — Queremos saber que nova doutrina é essa que você está ensinando.  Pois você está dizendo coisas estranhas, e nós queremos saber o que elas significam." (At 17.19-20).

O apostolo Paulo inicia seu discurso: “Varões Atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos...”. Sim, os atenienses eram religiosos, havia deuses espalhados em todos os cantos. E um altar “a um Deus desconhecido”, e diz que o Deus que ele anuncia é esse Deus, é o que eu anuncio. Logo, ele faz um proclama o seu Deus diante dos anciãos do Areópago.

O Deus que eu anuncio É O CRIADOR DO UNIVERSO, é o Senhor e não habita em templos feitos por mãos de homens (v.24). Deus é o criador pessoal de tudo o que existe e o Senhor age no meio dos homens.

O Deus que eu anuncio É O MANTENEDOR DA VIDA (v.25). Deus continua sustentando a vida que Ele criou e deu às suas criaturas humanas a vida, a respiração e todas as coisas.

O Deus que eu anuncio É O GOVERNADOR DE TODAS AS NAÇÕES (VS. 26-27). Tateando: um verbo que “denota o tatear hesitante de um cego”. O pecado distancia o homem de Deus mas Deus não está longe!

O Deus que eu anuncio  É O PAI DOS SERES HUMANOS (vss. 28-29). todos são filhos de Deus? Em termos de redenção Deus só é o Pai daqueles que estão em Cristo, e nós somos seus filhos apenas por doação, pela graça (Jo 1.12); mas em termos de criação é o pai de toda a humanidade, e todos são geração dele, suas criaturas, e recebem dele a vida.

Por fim, o Deus que eu anuncio É O JUÍZ DO MUNDO (vss. 30,31). Não levou em conta os tempos da ignorância... agora, porém, notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam. POR QUÊ? Porque é certo que haverá um juízo! Tres fatos: 1) O JUIZO SERA UNIVERSAL: Deus há de julgar o mundo. Os vivos e os mortos, os grandes e os pequenos, todos serão incluídos; ninguém escapará. 2) O JUÍZO SERÁ JUSTO: Há de julgar... com justiça. Todos os segredos serão revelados. 3) O JUÍZO ESTÁ DEFINIDO, pois o dia já foi marcado e o juiz escolhido (Jo 5.27).

Conclusão

“Algumas pessoas se tornaram seguidoras de Paulo e creram. Entre elas estava Dionisio, membro do Areópago, e também uma mulher chamada Damaris, e vários outros” (At 17.34). Diante da mensagem do apostolo Paulo a maioria não cedeu, não aceitou o Deus criador dos céus e da terra, somente algumas pessoas assentiram e reconheceram Jesus como Senhor. 


  

sábado, 5 de setembro de 2026

 “Cantarei ao Senhor” Ex 15.1-20 


Introdução

Depois da passagem pelo Mar Vermelho Moisés e Miriam compõem um cântico de louvor a adoração a Deus. É um dos cânticos poéticos mais antigos que temos conhecimento, e, trata-se de uma poesia. Poesia é uma manifestação artística que expressa sentimentos, emoções e visões de um mundo por meio da beleza das palavras. O cântico expressa seu louvor, sua adoração, exaltação, glorificação, ao Deus que abriu o Mar Vermelho. O cântico é dar testemunho do poder de Deus.

Por que? Deus fez algo maravilhoso na vida do povo de Deis, Ele abriu o Mar Vermelho. Deus enviou o vento oriental a noite toda (vento quente) e o povo passou em seco; enquanto os egípcios se afogavam no Mar. Esse cântico celebra, engrandece, magnifica, exulta, honra o Deus Todo-Poderoso, o Criador de todas as coisas, Aquele que é Eterno, o Deus do pacto, da promessa e que age no meio do seu povo...

Esse cântico é tão importante que será cantado no céu. Diz o apocalipse 15: “...e cantavam com o cântico “...e cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico de cordeiro: grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso, justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações. Quem não te temerá, ó Senhor? Quem não glorificará o teu nome? Pois tu somente é santo. Todas as nações virão à tua presença e te adorarão, pois os teus atos de justiça se tornaram manifestos” (Ap. 15.3-4).

1)     O cântico

Primeiro, a razão do cântico. Moisés e Miriã assumem a liderança do louvor e convida as pessoas a cantar, eles dizem: “Cantem ao Senhor, pois ele é grandemente exaltado” (v. 21). E o que ele fez? “Cantarei ao Senhor, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavalo e seu cavaleiro” (v.1). E quem é o Senhor? “O Senhor é a minha força e a minha canção; ele é a minha salvação! Ele é o meu Deus e eu o louvarei, é o Deus de meu pai, e eu o exaltarei” (v.2). Nós cantávamos antigamente: “Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, cantai ao Senhor. O que Ele fez, Ele faz maravilhas. O que Ele fez, Ele faz maravilhas...

O cântico de Moisés é uma experencia pessoal. Diz-nos: “Cantarei ao Senhor”.  O povo de Deus teve uma experiencia em primeira mão com Deus. Deus agiu em favor do seu po.vo. Foi entre Pi-Hairote e Baal-Zefom, quando tudo parecia perdido, que não havia mais escape, Deus abriu o Mar Vermelho e o povo passou em seco. E quanto a nós, “cantaremos ao Senhor”? Engrandeceremos o Seu nome? Nossa geração precisa conhecer o Deus que abre o Mar Vermelho.

Segundo, Por que temos que cantar ao Senhor? “O Senhor é um guerreiro, o seu nome é Senhor” (v.3). Moisés já havia exortado o povo antes de cruzar o Mar Vermelho: “Não tenham medo. Fiquem firmes...o Senhor lutarás por vocês, tão somente acalmem-se” (Ex 14.13-14). Deus é o Senhor dos Exércitos que vai a frente do seu povo; é o Deus que esteve com Josué para desfazer o muro de Jericó. O profeta Isaias descreve esse guerreiro: “Ele vestiu de justiça, como de uma couraça, e pôs na cabeça o capacete da salvação; e se pôs sobre si vestes de vingança e cobriu-se de zelo, como de um manto” (Is 59.17). o que o guerreiro fez? “...lançou no mar os carros de guerra e o exército de Faraó. Os seus melhores oficiais afogaram-se no Mar Vermelho. Águas profundas os encobriram; como pedra desceram ao fundo”(Ex 15.4).

Terceiro “...tua mão direita foi majestosa em poder” (Ex 14.6). Sim, “...a tua mão direita despedaçou o inimigo” (Ex 14.6). Moisés usa uma figura de linguagem sobre a mão de Deus. A mão de Deus significa seu poder, sua autoridade. O que a mão de Deus faz? “...a tua mão direita despedaçou o inimigo...derrubaste os teus adversários, enviaste o teu furor flamejante, que consumiu como palha”.

Sim, “O inimigo se gloriava: Eu os perseguirei e os alcançarei, dividirei o despojo e os devorareis. Mas enviaste o teu sopro, e o mar os encobriu. Afundaram como chumbo nas águas volumosas” (Ex 15,8-10). O poema termina perguntando: “Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Que é semelhante a ti? Majestoso em Santidade, terrível em feitos gloriosos, autor de maravilhas” (Ex 15.11). E termina afirmando: “Estendes a tua mão direita e a terra os engole” (Ex 15.12). Quem é semelhante a ti? Moises pergunta, não há Deus como o nosso Deus.

Quarto, “as nações ouvem e estremecem”. Moisés está falando diante do que Deus fez no meio do seu povo, abrindo o Mar Vermelho, o medo se apoderou das nações em Canaã. Sim, todos eles se apoderaram, ficaram com medo do Deus de Israel. Os cananeus, os heveus, os fereseus, os hititas, filisteus, jebuseus, gigaseus, moabitas, amonitas, edomitas, midianitas etc.,

“...angústias se apodera do povo da Filistia. Os chefes de Edom fica aterrorizados, os poderosos de Moabe são tomados de tremor, o povo de Canaã esmorece; terror e medo caem sobre eles, pelo poder do teu braço ficam paralisados como pedra, até que passe o teu povo, ó Senhor, até que passe o povo que tu compraste” (Ex 15.14-16).

Quinto, Moisés fala da promessa do Senhor em cumprir sua palavra e da presença do Senhor constante no meio do seu povo. Ele diz: “Tu o farás entrar e o plantarás no monte da tua herança”. E lá, no lugar da sua herança, da terra santa, terra que mana leite e mel, farás sua habitação. Duas coisas: a promessa de uma terra se cumprindo, e a promessa da presença de Deus no meio do seu povo. E termina afirmando: “O Senhor reinará eternamente” (Ex 15.18).

Conclusão

Houve uma celebração de alegria. Diz o texto: “Então Miriam, a profetisa, irmã de Arã, pegou um tamborim e todas as mulheres a seguiram, tocando tamboris e danando. E Miriam lhes respondia, cantando: “Cantem ao Senhor, pos triunfou gloriosamente, lançou ao mar o cavalo e o seu cavaleiro” (Ex 15.20-21). Com canções e danças, Miriam conduz os israelistas em louvor sincero ao Senhor. Se os israelitas são intensos em seu louvor a Deus, os cristãos tem ainda mais razões para se regozijarem na vitória de Cristo sobre Satanás e os poderes do mal.

 

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

 Seja Bem-Vindo a Tessalônica! At 17.1-10 

Introdução

O apostolo Paulo está em sua segunda viagem missionária com Silas, Lucas e Timóteo. Depois de passarem por Filipos vão para Anfípolis (48 Km), em seguida para Apolônia (42 km) até chegarem em Tessalônica. Ao todo andaram pela famosa via Egnácia 160 Km! Isso tudo, depois dos apóstolos, terem sofrido uma surra publica com varas e uma noite na prisão. A vontade do apostolo Paulo o levou além de suas próprias limitações físicas para realizar o que Deus havia colocado diante dele. “Invencível coragem mental e perseverança infatigável da cruz “(João Calvino). 

“Mas, como vocês sabem, apesar de termos sofrido e sido insultados em Filipos, com a ajuda do nosso Deus tivemos coragem de anunciar a vocês o evangelho dele em meio a muita luta” (2 Ts 2.2).

1)     Tessalônica

Tessalônica era uma importante cidade portuária localizada na Via Egnácia, a famosa estrada entre Bizâncio (oriente) à Macedônia (Ocidente, 1100 km de estrada), construída pelos romanos. Foi fundada em 297 a.C por Cassandro, um dos generais de Alexandre, o grande, que deu à cidade o nome da esposa, Tessalônica, que era também meia-irmã de Alexandre. 

A cidade de Tessalônica tinha um significado estratégico para Paulo e Silas, porque, era a capital da província da Macedônia e por causa do seu robusto comercio e sua população de 45 mil subiu para 200 mil habitantes. Seus habitantes eram etnias mistas, diversificadas e tinha sinagoga. Portanto, o apostolo Paulo, como bom estrategista, queria concentrar seu ministério em cidades maiores e de maior expressão populacional.

A primeira coisa que Paulo teria feito seria montar sua loja de tendas no mercado, ou perto dele, para o seu sustento, algo que ele, aludiu ao escrever para a igreja de Tessalônica: “Pois vocês se lembram de nosso trabalho e de nossas dificuldades, irmãos. Trabalhamos noite e dia para não sobrecarregar ninguém, pregamos o evangelho de Deus para vocês” (1 Ts 2.9). A venda de tendas não somente garantia a renda a Paulo, mas também lhe possibilitava o contato com muitos gentios da cidade. 

2)     Evangelização

Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das escrituras” (ARA), ou “...falou as escrituras sagradas” (NTLH), ou “...examinou com eles as escrituras” (A21), ou “...disputou” (ARC), por fim “discutiu” (NAA). O apostolo Paulo vai até a sinagoga para explicar as escrituras aos judeus e gentios. É bem certo, que os judeus na sinagoga tinham as Escrituras, mas seu verdadeiro significado permaneceu fechado até que Paulo “abriu” as escrituras. 

Ele entrou na sinagoga e “discutiu” (dialegomai) com seus irmãos judeus. Paulo “discutiu” em Tessalônica (At 17.2), em Atenas (At 17.17), em Corinto (At 18.4), Éfeso (At 18.19), em Trôade (At 20.7) e, finalmente diante do governador romano Félix, em Cesareia Marítima (At 24.25). em grego, dialegomai significa “conversar, discutir ou debater”. Durante três sábados, ele “discutiu” a partir das escrituras do Antigo Testamento, provando que o Messias tinha que morrer e ressuscitar para cumprir as profecias.

O texto da escritura com base no qual Paulo argumentou falava do sofrimento de Jesus. É necessário explicar como alguém que foi crucificado pode ser o Messias. O ensino de Paulo harmoniza com o de Jesus, que disse a seus discípulos: “Acaso o Messias não tinha de sofrer essas coisas e então entrar em sua glória” (Lc 24.126). Essa mensagem é escandalosa e incompreensível para muitos judeus. Para alguns, é tão ofensiva “.... que é motivo de escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1 Co 1.23), que provocava uma reação violenta.

Essa mensagem tornou-se a essência do Kerygma apostólico, o apostolo Pedro já havia pregado no dia do Pentecoste (At 2.22). O Keygma do evangelho é: Jesus é o verbo de Deus, o logos, a ação de Deus na criação. O verbo se encarnou, habitou entre os homens “cheio de graça e verdade” (Jo 1.14), viveu entre os homens, curou, salvou, discipulou doze discípulos. Depois, foi levado a cruz do calvário, pelos nossos pecados e morto, humilhantemente. Mas, no terceiro dias, Jesus ressuscitou, está assentado a direita de Deus Pai. 

Como resultado da mensagem: “Alguns judeus foram persuadidos e uniram-se a Paulo e Silas, bem como grande número de gregos tementes a Deus e várias mulheres proeminentes” (At 17.4). Toda pregação cria uma reação dividida. Os dois verbos da oração “...alguns judeus foram persuadidos e uniram-se a Paulo e Silas”, estão na voz passiva no grego. Esse fato destaca que não foram os argumentos dos apóstolos apresentados com refinamento astusto e persuasivo que convenceram os ouvintes. A persuasão, o convencimento vieram da mediação de Deus pelo Espirito Santo. 

“Várias” que significa literalmente “não poucas”. Isso mostra que muitas mulheres proeminentes dos círculos sociais mais elevados foram persuadidas. Atos destaca o importante papel desempenhado pelas mulheres no crescimento da igreja (At 1.14, 5.14, 8.3). Dois homens que se tornaram crentes, Aristarco e Secundo, viajaram com Paulo em sua ultima jornada para Jerusalém (At 20.4), Aristarco também o acompanhou em Roma.

O que começou com um pequeno grupo continou a crescer e a expandir, á medida que outros na cidade se tornavam crentes, durante o ministério em andamento. Mais tarde, o apostolo Paulo de seu tempo com a igreja de Tessalônica, ao escrever: “Pois sabemos, irmãos, amados de Deus, que ele os escolheu, visto que o nosso evangelho não lhes chegou apenas em palavras, mas também em poder, no Espirito Santo, e com plena certeza” (1 Ts 1.4-5). O evangelho não é somente palavras, mas também, o evangelho é poder, cura, prodígios e milagres.

O apostolo Paulo escreve para a igreja de Corinto: “...não fui com eloquência nem com sabedoria humana para lhes proclamar o testemunho a respeito de Deus” (1 Co 2.1). E afirma que que não falou “com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, explicando realidades espirituais com palavras ensinadas pelo Espirito” (1 Co 2.13).

3)    perseguição

Enquanto alguns judeus foram persuadidos, outros “ficaram com inveja. Reuniram alguns homens maus da praça e, com a multidão, iniciaram um tumulto na cidade” (At 17.7). De acordo com o evangelista Lucas, o principal motivo de sua hostilidade é a inveja. A conversão de mulheres os perturba, porque significa a possível perda de mantenedoras rica e influentes na sinagoga. 

Os apóstolos são acusados de promover crenças contraditórias a Roma, mas agora são acusados de “virar o mundo de ponta cabeça” (Atos 17.6). O céu e a terra estremecem nessa história, mas isso se deve exclusivamente à atuação de Deus. Somente Deus controla e abala o mundo e os céus, pois Deus é o criador dos céus, da terra e das nações” (At 17.24-26).

A segunda acusação é a de que os apóstolos afirmam haver outro rei, Jesus é o Senhor, o verdadeiro rei; não é Cesar, imperador romano, mas Jesus. Como Filho de Deus, Jesus, é o verdadeiro Rei, e, como aquele que morreu e ressuscitado ao terceiro dia e foi exaltado por Deus. Portanto, é o único rei digno de adoração e lealdade e o único que é digno da nossa adoração.

Conclusão

O irmão Jasom, novo convertido, foi preso por hospedar os apóstolos. Mas, solto, depois de pagar uma fiança. A situação em Tessalônica agora estava muito tensa e perigosa para Paulo e seus companheiros, de modo que, naquela noite, sob o disfarce da escuridão, os irmãos e as irmãs enviaram Paulo, Silas e Timoteo a caminho da pequena e remota cidade de Bereia (At 17.10).  


 

 

sábado, 29 de agosto de 2026

 Elifaz e o mal 

O livro de Jó é uma teodiceia, uma tentativa de explicar o caminho de um Deus bom à luz da existência do mal. No terceiro capítulo Jó lamenta diante da calamidade que lhe atingiu. Pois, ele perdeu tudo, seus bens, seus filhos e sua saúde, tudo desmoronou na vida de Jó.

Agora, no capítulo 4, Elifaz, de Temã, amigo de Jó que por sete dias se manteve calado diante da calamidade que ocorreu na vida de Jó.  Depois do primeiro discurso de Jó, agora, Elifaz tenta explicar por que Jó está sofrendo. Em seu discurso inicial Elifaz começa com um tom positivo, elogiando Jó pelos ensinamentos passados a outras pessoas em momentos de necessidade.

 Ele diz: “Você já deu ânimo a muita gente e deu força aos fracos. Suas palavras sustentaram aos que tropeçaram” (V. 3,4).

Mas, no versículo 5, Elifaz muda o tom para condenar, julgar seu amigo. Ele, presume que aquilo que Jó está vivenciando não passa de um caso rotineiro que pode ser explicado de uma forma tradicional. Mas, Elifaz vacila ao tirar conclusões precipitadas sem conhecer todos os detalhes da situação de Jó. O apostolo Tiago, admoesta: “Sejamos rápidos para ouvir, vagarosos para falar e vagarosos para se irar” (Tg 1.19).

Ao invés de julgar de modo precipitado a verdadeira compaixão se solidariza com a dor de quem sofre. Elifaz determina que o bem sempre chega as pessoas boas e o mal sempre acompanha as pessoas más. Ao encarar a vida de maneira tão simples e dicotômica, Elifaz, chega à conclusão de que Jó deve ter pecado, pois está sofrendo. Ele diz: “...os que cultivam a maldade e semeiam opressão, isto também é o que colhem” (v.8).

Elifaz presume que o padrão geral da retribuição que ele tem observado é uma lei absoluta e necessária na ordem moral de Deus. Mas, Elifaz não consegue perceber que há informações relevantes sobre Jó que se encontram além de sua visão. Elifaz não leu o prologo do livro de Jó, não viu a disputa que o diabo fez com Deus sobre a perseverança e a vida irrepreensível que Jó levava.

Ao julgar Jó inadequadamente, precipitadamente, Elifaz só aumenta a dor do amigo, mete o dedo na ferida. Para Elifaz, Deus é implacável contra pecadores como Jó.

Em 2005 o furacão katrina devastou  Nova Orlens, 1800 pessoas morreram. E o terremoto que aconteceu no Haiti em 2010, onde 200.000 pessoas morreram. Nesta semana estamos presenciando o que aconteceu em Nepal, aguas caldallosas carregando tudo pela frente. Diante dessas calamidades, algumas pessoas responderam com compaixão heroica e amorosa para ajudar os necessitados, famílias. Mas, durante o terremoto do Haiti, uma conhecida personalidade da televisão, afirmou que isso aconteceu em decorrência de anos de prática ocultista.

É o mesmo erro de Elifaz, e esse mesmo erro de julgar precipitadamente um sofrimento, tem acontecido com todos nós. Que Deus nos ajude!

terça-feira, 18 de agosto de 2026

 O que pode e o que não pode – At 15.1-22 

Introdução

A palavra “santidade” quando usada em um contexto de legalismo, pode parecer severa, associada a elementos externos, mudança exterior, mudança da capa religiosa. Enquanto quando usada em um contexto permeado pela graça “santidade” se torna uma palavra magnifica, aponta para a semelhança com Cristo, mudança interior, regeneração, novo nascimento,  significa aproximar-nos de nosso Pai, assinala uma vida cheia do Espirito Santo, cheia do poder de Deus. 

1)     Legalismo x graça

Paulo e Barnabé terminaram a primeira viagem missionária e retornaram para Antioquia da Siria. Chegando “...relataram tudo o que Deus havia feito por meio deles e como abrira a porta da fé aos gentios”. Mas, alguns homens estavam espalhando heresias no meio da igreja e afirmavam: “...eles não poderiam ser salvos se não fossem circuncidados, como manda a lei de Moisés” (At 15.1 NTLH). 

Os homens incircuncisos eram excluídos da membresia do povo de Deus. Seguir a lei de Deus exigia circuncidar-se, como Moisés ensinou (Lv. 12.3). Esses homens tinham o proposito, a missão, de colocar sobre os ombros dos irmãos uma rígida demanda especificando se eles podem ou não ser salvos e insistindo que o rito judaico da circuncisão é necessário para a salvação dos gentios. Eles tentavam misturar a lei e a graça, colocar vinho novo (evangelho) em odres velhos (judaísmo); queriam costurar o véu que foi rasgado pelo sangue de Jesus.  

Desejavam acrescentar um asterisco à mensagem de que somos salvos pela fé. O asterisco anexa outros requisitos à salvação na nota de rodapé. Esses requisitos adicionais impõem fardos que oprimem as pessoas e anulam a graça que pode levantá-las. É como se cada um de nós tivesse que preencher: “Voce pode ser salvo, a menos que também ______________”. Convém perguntar: Essa condição é condizente com o evangelho?

O apostolo Paulo, no entanto, pregava o evangelho da graça de Deus mediante a fé em Jesus como suficiente para justificar os gentios tornando-os membros do povo de Deus e herdeiros de Abraão. A obra completa de Cristo firmou uma nova aliança, baseada na presença e na habitação do Espirito Santo, não na adesão á letra da lei de Moisés. Conforme profetizou Jeremias: “Dias virão, afirma o Senhor, quando estabelecerei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá”, não uma aliança como aquela de Moisés, uma aliança de pedra, mas uma que eu “porei a minha lei na mente deles e no coração deles a escreverei” (Jr 31.31).

Paulo e Barnabé travaram uma séria e prolongada discussão com esses religiosos, judaizantes cristãos. O apostolo Paulo vinha sofrendo durante toda sua primeira viagem missionária com os judeus que defendiam a lei de Moisés para salvação, fora até apedrejado em Listra por esses judeus. Em Antioquia ele havia afirmado: “Por meio dele, todo aquele é justificado de tudo aquilo de que vocês não podiam ser justificados pela lei de Moisés” (At 13.39). Mas, agora, o legalismo instaurou-se dentro da igreja. Logo, apelaram para sua única fonte de autoridade divina, os apóstolos em Jerusalém. 

No caminho para Jerusalém, Paulo e Barnabé passaram pela Fenícia, onde os crentes eram todos judeus e , depois, foram para Samaria, para visitar os crentes, região que era desprezada pelos judeus. Mas, os samaritanos foram evangelizados por Jesus e pelo diácono Filipe. Um grande avivamento aconteceu enquanto Filipe pregava a palavra de Deus. Os crentes samaritanos regozijaram com o testemunho da primeira viagem missionária. Enfim, depois de viajarem quase 500 quilômetros, chegaram em Jerusalém, foram recebidos calorosamente pela igreja que ansiava ouvir o relato de tudo que Deus havia feito através de Paulo e Barnabé. 

2)     O concilio de Jerusalém

A pauta do concilio era o que pode e o que não pode na fé cristã. Toda liderança da igreja estava envolvida nessa reunião, os membros estavam presentes. O grupo de oposição formado pelos crentes fariseus foi o primeiro a se levantar para apresentar sua defesa e afirmaram: “...os não judeus têm de ser circuncidados e tem de obedecer a lei de Moisés” (At 15.5 NTLH). 

Diante dessa afirmação ocorreu grande contenda, discussão, conversas, murmúrios. Então, o apostolo Pedro, levantou-se no meio da congregação e anuncia sua mais profunda convicção e fé inabalável. Enquanto ele pregava na casa de Cornélio (Atos 10.17), que era um centurião romano, o Espírito Santo desceu sobre todos (At 10.44) e começaram a falar em outras línguas. Ele conclui que Deus não fazia distinção entre judeus e gentios. E termina afirmando: “Por que vocês estão testando a Deus colocando um jugo sobre o pescoço dos discípulos que nem nossos antepassados nem nós pudemos suportar? Ao contrário, cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus da mesma forma que eles são” (At 15.9-11).

Pôr Deus à prova, expressão usada pelo apostolo Pedro, é uma ofensa grave, tendo vista que foi isso que a geração do deserto fez durante quarenta anos (Hb 3.9), que Ananias e Safira fizeram ao mentirem ao Espirito Santo (At 5.9) e que o Diabo continua a tentar outros a fazer (Lc 4.2). Se eles impuseram a lei como meio de salvação, condenarão os gentios ao fracasso.

Em seguida, “...toda assembleia ficou em silêncio, enquanto ouvia Paulo e Barnabé relatando todos os sinais miraculosos e prodígios que por meio deles, Deus realizara entre os gentios” (At 15.12). Deus esteve presente na viagem que fizeram na ilha de Chipre, enfrentando um homem que praticava magia e era falso profeta, esse homem ficou cego pelo poder de Deus. Contou também a salvação do governador Sergio Paulo, um homem inquieto pela verdade e foi salvo pelo poder de Deus. Contaram sobre um homem paralitico, desde o nascimento, na cidade de Listra que foi curado pelo poder de Jesus. E quantas almas se renderam a Cristo, quantas almas foram salvas em Antioquia da Psídia, em Icônio, Listra e Derbe. 

Por fim, Tiago se pronunciou, era o líder da igreja de Jerusalém. Era “irmão do Senhor” (Gl 1.19), filho de Maria com José. Ele fala como líder, como cabeça da igreja de Jerusalém. Inicia seu discurso citando o profeta Amós: “Depois disso, voltarei e reconstruirei a tenda caída de Davi...para que o restante dos homens busque o Senhor e todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome” (At 15.16-18). É a promessa feita a Abraão, que através dele e da sua descendência, todas as famílias da terra seriam abençoadas.

O ponto que destacou foi que ao incluir os gentios Deus estava escolhendo um povo para si que era um povo de Deus novo e restaurado – verdadeiro Israel – composto de judeus e gentios em Cristo. Como o apostolo Paulo afirmou em Efésios: “Ele é a nossa paz. De ambos os povos fez um só e, derrubando o muro de separação, em seu próprio corpo desfez toda inimizade” (2.14). A decisão do apostolo Tiago foi que “...não devemos causar dificuldades aos gentios que se voltam para Deus” (At 15.19). 

Conclusão

Enfim, no final do Concilio de Jerusalém, os líderes sentiram-se compelidos pelo Espirito Santo a “impor” algumas exigências aos crentes gentios: não ofender as sensibilidades judaicas  - que consideravam os ídolos e a carne contaminada com sangue especialmente repugnantes – e abster-se da imoralidade sexual. Ou seja: “...não comam carne de animais que foram oferecidos em sacrifícios aos ídolos, que não pratiquem imoralidade sexual, que não comam a carne de nenhum animal que tenha sido estrangulado e que não comam sangue” (At 15.20).   

 “Quanto à fé, devemos ser invencíveis, e mais duros, se possível, do que um diamante; mas quanto ao amor, devemos ser mansos, e mais flexíveis do que uma vara de cana ou uma folha levada pelo vento, e prontos para nos submeter a tudo”. Lutero.

 

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

 O evangelho chega na Galácia       Atos 13.13-52 

Introdução

A viagem dos missionários prossegue, saíram da ilha de Chipre e “navegaram para Perge, que fica na Panfilia” (At 13.13). Panfilia ficava em uma planície costeira, aninhada entre o Mar Mediterrâneo ao sul e os acidentados Montes Tauro, que ficam cobertos de neve. Em Perges, a equipe missionária sofreu um revés: “João Marcos os deixou ali e regressou a Jerusalém”. O verbo para deixar é “deserção”, “abandonar”. Por que, João Marcos, desertou? Várias são as possibilidades: 

Pode ser que ele estivesse com saudade de casa e que o esforço para jornada estivesse lhe cobrando um preço (escalar as montanas do Taurus não era fácil e infestadas de bandidos e malária). É possível que o grupo tenha ficado doente, o que foi além do que podia suportar. Alguns sugeriram que Barnabé, primo de Marcos, assumira a liderança na missão em Chipre, mas, agora, era Paulo quem estava definindo a agenda, e isso não agradou a Marcos. Qualquer que fosse a razão, o apostolo Paulo não ficou satisfeito com a decisão repentina de Marcos. 

1)     Galácia

Primeiro, “navegaram para Perge, que fica na Panfilia”, mas não ficaram na Panfília, iniciaram uma jornada de 240 km (1100 metros acima do nível do mar), levando cerca de dez dias e “...chegaram a Antioquia da Pisídia” (At 13.14). Logo, estavam na Galácia, seu nome deriva dos gauleses (mercenários europeus) que se espalharam por toda essa região e fixaram residência em diversas cidades. Os missionários permaneceram na parte do sul da região, evangelizando Antioquia da Psídia, Icônio, Listra e Derbe. 


Em Antioquia da Psídia havia uma população de dez mil habitantes, com um número considerável de judeus e italianos, além dos habitantes locais. Era a cidade mais importante do sul da Galácia, economicamente muito forte. “No dia de sábado, entraram na sinagoga e se assentaram” (v.14). Os líderes da sinagoga notaram Paulo e Barnabé e convidaram para que trouxesse uma “palavra de encorajamento”. Paulo aceitou o convite e fez um sermão que foi um marco divisório. 

Em sua mensagem ele resume a história de Israel e apresentou Jesus como o auge de tudo o que Deus havia feito e prometido. Paulo demonstrou que Jesus era o descendente escolhido de Davi como o cumprimento do Messias profetizado (At 13.23). Ele prosseguiu explicando quem é Jesus, o que ele fez em sua ressureição – o evangelho. Falou de seu batismo, de sua rejeição, de sua crucificação sob Poncio Pilatos, de sua morte e sepultamento (v.24-30). Mas, Jesus venceu a morte, para jamais conhecer a deterioração, mostrando ser o filho prometido de Davi. Ele vive, e nos garante o pleno perdão dos pecados está disponível por meio da fé nele.

“Por meio dele, todo aquele é justificado de tudo aquilo de que vocês não podiam ser justificados pela lei de Moisés” (At 13.39). Nesses versículos Paulo fala do pecado, da fé, da justificação, da lei e da graça.  A mensagem do apostolo Paulo era revolucionária e profunda que pediram que voltasse no sábado seguinte para falar mais sobre ela. Outros se tornaram crentes naquele dia. No outro sábado, “toda cidade se reuniu para ouvir a palavra” (At 13.44). Todos estavam ansiosos para ouvir o apostolo falar sobre Jesus. 

Mas, “...judeus ...tomados de inveja...contradiziam o que Paulo pregava” (v.45). diante da recusa dos judeus declarou: “Era necessário que primeiro a palavra de Deus fosse pregada a vocês. Visto que vocês a rejeitam e se julgam indignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios” (At 13.46). Paulo cita Isaias: “Eu te constitui como luz para os gentios, a fim de que tu leves a salvação até os confins da terra” (Is 49.6, At 13.47). Os gentios se regozijaram, porque agora eram designados para a vida eterna pela fé em Cristo (At 13.48). 

“Em Icônio, Paulo e Barnabé, como costumavam fazer, foram juntos à sinagoga dos judeus” (At 14.1). eles percorreram a estrada imperial de Antioquia da Psídia a Icônio, cerca de 140 quilometros a sudeste. Lá na sinagoga “...falaram de tal modo que veio a crer grande multidão, tanto de judeus como de gregos” (At 14.1). Mas os judeus “incitaram os gentios e envenenaram a mente deles contra os irmãos” (v.2). O evangelho da graça que o apostolo pregava significava que os gentios não precisavam ser circuncidados nem seguir os costumes judaicos; mas os judeus insistiam que se convertessem ao judaísmo, seguindo a lei de Moisés.

Paulo e Barnabé não retrocederam, continuaram a pregar com ousadia sobre o Senhor, que confirmou a mensagem capacitando-os a realizar sinais e maravilhas (At 14.3). Novamente vemos uma associação intimas entre palavras e sinais. Como comentou Calvino: “Deus dificilmente permite que eles sejam desvinculados da sua Palavra”. Quando os apóstolos descobriram que seus oponentes estavam tramando para que recebessem a pena de morte por apedrejamento, decidiram deixar Icônio e ir para as cidades vizinhas de Listra e Derbe, pregando a palavra de Deus ao longo do caminho.

“Em Listra”, uma cidade localizada a 36 quilometros de Icônio. Essa cidade era um lar de romanos, gregos e judeus, mas a população judaica era tão pequena que não conseguia manter uma sinagoga local. A maioria dos cidadãos dessa cidade era exclusivamente pagão. Paulo viu um homem, aleijado de nascença, sentado perto da multidão que se reuniu para ouvi-lo pregar” (At 14.8). Ele ouvia com atenção a mensagem sobre Jesus que curava os coxos, trazia visão ao cegos e amava os mais humildes da sociedade. 

Paulo, vendo que esse homem tinha fé para ser curado, disse em alta voz: “Levante-se!” (At 14.10). Imediatamente “deu um salto e começou a andar”. Todos ficaram surpresos e admirados com o que viram. Eles nunca viram nada parecido. Eles gritaram: “Os deuses descerão até nós em forma humana” (v.11). Eles pensaram que Barnabé, por ser mais velho, fosse Jupiter, e Paulo, fosse Mercúrio, pois era quem trazia a Palavra. Houve um alvoroço na cidade de Listra, quiseram sacrificar um touro em homenagem a eles.

Até que que os apóstolos perceberam o que estava acontecendo e ficaram horrorizados. Rasgaram suas vestes em uma demonstração de pesar para deter a multidão. “Nós também somos humanos, assim como vocês, e estamos anunciando as boas-novas para que vocês se convertam dessas coisas vãs e se voltem para o Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo que neles há” (Atos 14.15). Paulo pregou um sermão (vs 14-18), anunciando que Deus é o criador do mundo. Uma mensagem contextualizada para a cultura de um povo pagão.

Os judeus de Icônio ficaram sabendo os apóstolos estavam em Listra, e alvoroçou a multidão contra Paulo. Agarram Paulo à força e o arrastaram para uma planície, fora dos portões da cidade, e depois começaram a lhe atirar pedras na cabeça. Até que Paulo caiu, imóvel, pensando que estava morto se retiraram. Mas os discípulos ficaram perto dele, até que seus olhos se abriram e levantou-se do chão. Pode ser a isso que ele se referiu na carta aos Gálatas: “Trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl 6.17). Depois disso, Paulo e Barnabé permaneceram por um tempo em Listra para pregar e discipular seu pequeno rebanho de novos crentes. 


Conclusão

Por fim, “...partiu Paulo com Barnabé para Derbe”. Lucas narra que pregaram “...as boas novas naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Iconio e Antioquia” (At 14.21). Em Derbe, não aconteceu nenhuma perseguição, foi um ministério bem-sucedido. Gaio um dos convertidos de Derbe, mais tarde se juntou a Paulo como membro de sua equipe ministerial (At 19.29).

Depois “navegaram de volta a Antioquia...reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus tinha feito por meio deles e como havia aberto a porta da fé aos gentios” (At 14.21). Constituindo presbíteros, fortalecendo os discípulos.