terça-feira, 3 de março de 2026

 A patologia de Jonas Jn 4   

Introdução

Jonas “fugiu da presença de Deus”, porque não queria pregar em Nínive; ele não gostava do povo dessa cidade, aliás, ele odiava os ninivitas! Jonas foge de Deus para Társis, para o fim do mundo, aonde o vento faz a curva. Mas como fugir de Deus? Deus vai até Jonas através de uma tempestade “O Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade...” (Na 1.3). Jonas fica na barriga dum peixe por três dias, arrepende-se do seu pecado e aceita o comissionamento de Deus. Aceita a missão que Deus lhe deu. 

Ele prega na cidade de Ninive uma única mensagem: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída” (Jn 3.4). Toda cidade se converteu “do maior até o menor”. O rei da Assíria “desceu do trono, tirou as vestes reais, vestiu-se de pano de saco e sentou-se sobre um monte de cinzas” (Jn 3.6). Houve um arrependimento de toda população, logo, Deus suspendeu o julgamento e não subverteu a cidade de Nínive.

Isso nos levaria a esperar que o livro terminasse no capitulo 3 com uma nota de triunfo; como os setenta discípulos comissionados por Jesus e a volta triunfante, “cheios de alegria” , diante do que Deus realizara (Lc 10.17-20). Mas, “o que Deus fez foi terrível para Jonas que ele ardeu em fúria”, ou “isso foi extremamente maléfico para Jonas”. “Tudo isso deixou Jonas aborrecido e muito irado” (NVT).

1)     Causa

No versículo 2, ele diz: “Ah! Senhor! Não foi isso que eu disse, estando ainda na minha terra” (ARC). Ou seja, eu sabia que tu poderias fazer algo assim. Essas pessoas são más e somente se arrependeram porque ficaram com medo. Elas não se converterão, não se arrependerão, verdadeiramente. E o mais difícil, Senhor, é que por causa dessa “pseudo” mudança receberam misericórdia, receberam perdão. Não vai mais subverter Nínive? É bom que seja um Deus de misericórdia, mas desta vez foste longe demais!  

O nome Yahweh traduzido por “Senhor”, não aparece desde o capitulo 2, mas agora literalmente clama: “Ah! YAWEH!”. É o mesmo nome que ele se revelou a Moisés no Sinai: “Eu Sou o que Sou” (Ex 3.14), ou, “YHWH” o que significa que Ele é autoexistente, é o criador e sustentador de todas as coisas, Ele é imutável em seu caráter e, Ele é Eterno. É o Deus do pacto, da aliança e, Jonas tinha isso em mente. É como se Jonas estivesse indagando: “Como podes cumprir suas promessas de preservar seu povo e, ao mesmo tempo, mostrar misericórdia aos inimigos de seu povo”. 

 E mais: quando Jonas diz que quer morrer “...tira-me a vida, porque é melhor morrer do que viver” (Jn 4.3). Deus, com extraordinária gentileza, repreende-o por sua raiva desmedida: “É razoável esse seu ressentimento?” (Jn 4.3). Logo, a coisa está num nível mais profundo do coração, está entranhado! Jonas era um profeta, tinha um relacionamento com Deus, mas havia algo que ele valorizava mais do que o Senhor. Sua fúria explosiva evidencia que estava disposto a descartar seu relacionamento com Deus, se não conseguir o que tanto deseja. 

Quando a pessoa diz: “Eu não vou te servir, Deus, se tu não me deres tal coisa, se eu não conseguir o que tanto desejo”. Como aquela criança mimada no mercado que rola pelo chão até conseguir o que quer. Então, esse é o seu ponto mais importante, seu maior amor, seu verdadeiro “deus”, a coisa que mais confia e descansa. Jesus mostrou o que  o chamado para o discípulo era radical: “Segue-me. Ele, porém, respondeu: permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e pregar o reino de Deus” (Lc 9.59-60).

Quando começar a repreender o Senhor, Jonas cita para Deus as palavras do próprio Deus. Elas estão em Êxodo 34.6,7: “Yahweh, Yahweh, Deus compassivo e misericordioso, longânimo, cheio de amor, paciente e fiel; que persevera em seu amor dedicado a milhares, e perdoa a malignidade, a rebelião e ao pecado”. No entanto, o profeta fez uma leitura seletiva do texto, ignorando a ultima parte do versículo 7, na qual está escrito que “ao culpado não tem por inocente”. 

É uma mensagem simplista, de um Deus que ama a todos sem julgar o mau. Ele usa o texto para justificar sua indignação desmedida, sua raiva e amargura desproporcionais. Sempre que lemos a Bíblia para nos sentir justos e sábios aos nossos próprios olhos, estamos usando a Bíblia para nos fazer de tolos ou coisa pior. Somente quando lemos a Bíblia corretamente, quando ela fala conosco, nos humilha, nos exorta, aponta nosso pecado e nos encoraja com amor e graça.

2)     Encontrando a cura

Jonas saiu da cidade, e assentou-se ao oriente da cidade, e ali fez uma cabana, e se assentou debaixo dela, à sombra, até ver o que aconteceria à cidade” (Jn 4.5). Jonas não vai embora, decide ficar perto da cidade na parte oriental, faz um abrigo temporário para si “queria ver o que aconteceria com a cidade”. Jonas estava com calor, enfadado, então para deixa-lo mais confortável “fez o Senhor nascer uma aboboreira...” (v.6). A tradição afirma que Jonas era calvo, a intenção fazer “sombra sobre a sua cabeça”.  E diz o texto: “Jonas ficou bastante alegre por causa da planta” (v.6). 


“Mas Deus enviou um bicho, no dia seguinte, ao subir da alva, o qual feriu a aboboreira, e esta se secou”. Essa aboboreira só durou um dia de vida, porque no dia seguinte: “Deus enviou um bicho...feriu a aboboreira, e esta se secou” (v.7). Jonas ficou, novamente, desolado, ficou zangado quando Deus enviou um verme para roer e murchar o é de aboboreira. Jonas murmura, questiona: “É inacreditável, além de tudo o que aconteceu, mais isso? Por que Deus não pode me dar um tempo? A ira de Jonas ganha força junto ao seu desespero: “Estou zangado e abatido o suficiente para morrer”, ou “Melhor é morrer do que viver (v.8)” (ARC)

Mas Deus responde: “Tu tiveste compaixão da aboboreira” (v.10); em outras palavras, Deus está dizendo: “Você chorou por ela, Jonas. Seu coração se apegou a planta, se alegrou. Então, em essência é: você chora por uma planta, mas eu tenho compaixão de pessoas”. Sim, Deus chora pela maldade e perdição de Nínive. Deus estava preocupado com as pessoas da cidade; estava preocupado com o arrependimento dessas pessoas. Mas, Jonas, estava preocupado com o seu bem- estar, com a sombrinha da aboboreira! 

Quem se dedica seu amor a alguém só consegue ser feliz se esse alguém for feliz. A aflição dessa pessoa se torna sua aflição. Genesis 6.6 diz que quando Deus viu a maldade que reinava na terra “seu coração se encheu de dor”. Deus olhando para Israel, que se afunda no mal e no pecado, e falando que o coração dele se comove por dentro dele: “Como posso desistir de você, Efraim? Como posso te entregar nas mãos dos outros, Israel? Meu coração se comove dentro de mim; a minha compaixão se torna cálida e suave” (Os 11.8).

Conclusão

A compaixão de Deus não é somente um conceito, mas, sim, uma realidade, é o sentimento profundo de Deus pelos pecadores. É intrigante o fato de que ele fala desses pagãos violentos e pecadores como pessoas “que não sabem diferenciar a mão direita da esquerda” (v.11). O que é isso? Eles estão espiritualmente cegos, perderam-se no caminho e não tem a menor ideia da fonte de suas dificuldades e o que fazer a respeito delas.

Há muitas pessoas que não tem ideia alguma do porque da vida, ou o sentido da vida, tampouco não consegue discernir entre o certo e o errado.

Deus está afirmando a Jonas: Estou chorando e lamentando por esta cidade – por que você não está? Se é meu profeta porque não tem a mesma compaixão que eu? Jonas não chorou pela cidade, mas Jesus, o verdadeiro profeta, sim.

Quando Jesus viu a cidade de Jerusalém chorou sobre ela e disse: “Se você, mesmo você, apenas soubesse neste dia o que lhe traria a paz – mas agora isso está oculto aos seus olhos... porque você não reconheceu o tempo da vinda de Deus para você” (lc 19). “Jerusalém, Jerusalém...quantas vezes desejei reunir seus filhos, como uma galinha ajunta seus filhotes sob as asas e vocês não estavam dispostos” (Lc 13.34). 



 

domingo, 1 de março de 2026

 O canto do galo  Mc 14.26-31  

Introdução

Jesus em seu sermão aos seus discípulos no cenáculo afirmou: “Depois de ressuscitar, irei adiante de vocês para Galiléia”. Mas, o apostolo Pedro não prestou atenção nesta profecia da ressureição. Tudo o que Pedro ouviu foi: “Voces todos me abandonarão”. A palavra é desertar e foi tomada da palavra grega “tropeçar”.

Ou seja, “todos vocês vão se voltar contra mim, deixar-me e abandonar-me...todos vocês tropeçarão”. Mas o apostolo Pedro estava inquieto diante dessa frase de Jesus e num gesto de autoconfiança, disse: “Todos os outros apóstolos podem abandona-lo, mas eu certamente nunca irei abandoná-lo”.

“Ah, Pedro, mas você vai”, disse Jesus com um suspiro. A seguir ele acrescentou um comentário que deve ter doido: “Asseguro-lhe que ainda hoje, esta noite, antes que duas vezes cante o galo, três vezes você me negará”. Percebam que Jesus é enfático: “Pedro o negará; Pedro o negará naquela mesma noite; e Pedro o negará por três vezes.

Sabemos que Pedro tinha um temperamento sanguíneo, ou seja, era impetuoso, falava antes de pensar. As vezes, tinha a tendencia de exagerar e de se vangloriar; outras vezes agiu cheio de fé, quando Jesus perguntou sobre sua identidade messiânica e Pedro respondeu: “Tú és o Cristo, o filho do Deus vivo”. Mas, aui, ele está cheio de autoconfiança, ou seja, sua confiança não vinha do alto, mas vinha de si mesmo.

1)     O canto do galo

E Jesus lhe disse: “esta mesma noite você vai me negar. Não uma, mas três vezes, antes que o galo cante duas vezes”. O canto do galo não se referia à voz de uma ave, mas sim, nessa hora ocorria a troca da guarda romana no Castelo de Antonia; e o sinal para indicar essa troca era um toque de trombeta. A palavra em latim para designar este toque da trombeta é gallicinium, que significa canto do galo.

Os romanos dividiam a noite em “vigílias”. A primeira vigília da noite começava às 18 horas e ia até às 21 00; a segunda vigília ia das 21 00 até à meia-noite; a terceira vigília ia da meia noite até às 3 00 da manhã; e a quarta vigília, das 3 00 da manhã até às 6 horas da manhã. Jesus advertiu sobre sua vinda: “Portanto, vigiem, porque vocês não sabem quando o dono da casa voltará; se à tarde, à meia-noite, ao canto do galo ou ao amanhecer. Se ele vier de repente, que não os encontre dormindo! O que lhes digo, digo a todos: Vigiem!” (Mc 13.35-37).

Quando Jesus disse: “antes que o galo cante duas vezes”, ele estava se referindo ao fim da terceira vigília. Ou seja, Jesus estava falando para Pedro: “Esta noite, antes de você ouvir aqueles dois toques de trombeta, você terá me negado três vezes”.

Em seguida, Jesus foi para o jardim do Getsemani, orar buscar a face do Pai. Pedro, Joao e Tiago estavam juntos e presenciaram a agonia de Jesus naquele momento, seu suor transformou-se em sangue. Por três vezes, Jesus orou insistentemente ao Pai. Quando voltou aonde estavam os discípulos, todos estavam dormindo, cansados. Ele olhou para Simão Pedro e disse: “...voce está dormindo? Não pode vigiar nem por uma hora?” (Mc 14,37).

Ele escolheu Pedro. Por quê? Porque Pedro foi o primeiro que, naquela mesma noite, tinha declarado tão ousadamente, “mesmo que todos falhem, eu não falharei”. E agora ele estava roncando, fraco demais para vigiar ou ficar acordado.  Em seguida, quando Judas chegou com o destacamento militar para prender Jesus, diz Marcos: “então todos o abandonaram e fugiram” (Mc 14.50).

Todos fugiram, todos desertaram, todos abandonarão Jesus. Um a um eles foram fugindo – fugindo para a escuridão daquela noite de medo, para o anonimato. “Todos os abandonaram e fugiram”. Eles se dispersaram como ratos assustados.

2)     A negação de Pedro

Levaram Jesus ao sumo sacerdote; e então se reuniram todos os chefes dos sacerdotes, os lideres religiosos e os mestres da lei. Pedro o seguiu de longe até o pátio do sumo sacerdote. Sentando-se ali com os guardas, esquentava junto ao fogo” (Mc.14.53,54).

Pedro acompanhou Jesus de longe, seguindo a multidão até o pátio do sumo sacerdote. Ali, os soldados estavam reunidos em volta de um pequeno fogo; cuidadosamente, envolto numa capa. Pedro aproximou-se das brasas para se aquecer.  Pedro estava com medo, mas também estava curioso; sua lealdade estava em conflito com seu medo. Então, ele seguiu Jesus à distância...

Enquanto isso, Jesus estava sendo julgado pelos religiosos. Estava sendo torturado, humilhado, cuspido, amaldiçoado e falsamente acusado, mas permaneceu ali em silencio, sangrando. Zombaram de Jesus, vendaram seus olhos e esbofeteavam e diziam: “Diga-nos quem bateu em você”. Escondido nas sombras, observando tudo, estava Pedro, perseguido pela lembranças de suas próprias palavras.

“Então Pedro embaixo, no pátio, uma das criadas do sumo sacerdote passou por ali. Vendo Pedro aquecer-se, olhou bem para ele e disse: Voce também estava com Jesus, o Nazareno” (Mc 14.66). Sim, ela disse, eu te conheço, você é um dos seguidores do Nazareno. Mas, ele respondeu: “Não conheço, nem sei do que você está falando”. E saiu para outro lugar...

Logo, Pedro se retirou para uma distância mais segura, logo se afastou para mais longe, a fim de acalmar toda suspeita, mas a criada era insistente: “Quando a criada o viu lá, disse novamente aos que estavam por perto: Esse ai é um deles”. De novo ele negou (Mc 14.69-70).

Desta vez, a criada se dirigiu à multidão que estava por perto, dizendo: “Escutem, este é um deles”. E, mais uma vez Pedro negou abertamente qualquer associação com Jesus de Nazaré.  “Certamente você é um deles, Voce é galileu” (Mc 14.70).

Como assim? Galileu! “...o seu modo de falar o denúncia”. Alguns galileus tinha dificuldade para pronunciar algumas palavras do dialeto em Jerusalém naquela época. Os galileus eram considerados ignorantes e incultos, enquanto os habitantes de Jerusalém eram mais cultos, falavam mais de um idioma. 

Pedro em desesperdo, começou a praguejar: “Ele começou a se amaldiçoar e a jurar: Não conheço o homem de quem vocês estão falando”. E logo o galo cantou pela segunda vez. Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe tinha dito: antes que duas vezes cante o galo, você me negará três vezes. E se pôs a chorar” (Mc 14.71,72).

O que atormentou o apostolo Pedro foi: primeiro, a trombeta anunciou o fim da terceira vigília, e em seguida tocou novamente. O canto do galo, duas vezes na orelha de Pedro e havia negado Jesus por três vezes!

Conclusão

O evangelista Lucas escreve que na terceira negação de Pedro, quando o galo cantou, Jesus estava saindo do Sinédrio acompanhado pelos soldados e “O Senhor olhou diretamente para Pedro...” (Lc 22.60.61). Quando Pedro viu o olhar de Jesus, logo se lembrou de suas palavras; “Asseguro-lhe que hoje, esta  noite, antes que duas vezes cante o galo, três vezes você me negará” Que humilhação!

Como teria sido aquele olhar? Seria um olhar de surpresa? Não, Jesus havia afirmado que Pedro iria negá-lo. Seria um olhar de ira e rejeição?  Não, o amor de Deus por nós é gracioso! Mas, um olhar cheio de compaixão, cheio de graça, cheio de misericórdia. Um olhar de recomeço, um olhar de segunda oportunidade, um olhar de uma segunda unção. Uma profecia: a gloria da segunda casa será maior do que a da primeira!

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 Jonas prega em Ninive       -      Jn 3 

Introdução

Todas as versões do capítulo 3 é unânime em afirmar: “A palavra veio a Jonas pela segunda vez...”. Deus, novamente, pela segunda ordena Jonas para pregar na grande cidade de Nínive. “Levante-se, vá à grande cidade de Nínive”. Deus não dá um sermão, simplesmente, lhe dá uma nova oportunidade de cumprir sua missão. Isto é típico do caráter de Deus. 


Deus sempre dá uma segunda chance aos fracassados. Quem foi lançado ao fundo do mar, dessa vez, não foi o profeta Jonas, mas foi seu pecado. Como disse o profeta Miquéias: “Voltarás a ter compaixão de nós; pisarás nossas maldades sob teus pés e lançaras nossos pecados nas profundezas do mar” (Mq 7.19). Aliás, o profeta Isaías, enfatiza sua imensa graça: “Embora seus pecados sejam como o escarlate e os tornarei brancos como a neve; embora sejam vermelhos como o carmesim, eu os tornarei brancos como a lã” (Is 1.18).

 Vejam a atitude do apostolo Pedro. Ele bateu no peito afirmando que nunca negaria Jesus, no entanto, quando o galo cantou pela terceira vez ele negou Jesus por três vezes. Quando se reuniram as margens do mar da Galileía, Jesus olhou para o apostolo Pedro e disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. Todos nós temos falhas, algumas menores, mas outras gritantes. Mas, por causa da sua graça, Ele confia em gente que fracassa e dá, uma segunda oportunidade.

1)     Pela segunda vez

“Pela segunda vez...”. Que pena que Deus tenha precisado falar uma segunda vez com Jonas! Quantas dificuldades teriam sido evitadas se o profeta tivesse sido obediente logo da primeira vez. Por causa da desobediência, Jonas desceu para Jope, desceu para o navio, desceu para o porão do Navio e, finalmente, desceu na boca de um grande peixe. A obediência é a melhor maneira de prevenir a descida. Deus não gosta de ser desobedecido.

“Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive”. Agora a linguagem é mais incisiva. “....a mensagem que eu te ordeno”. Portanto, é uma ordem que o profeta deve acatar, deve pregar a minha Palavra. Não podia retroceder, não podia titubear, não podia sair pela tangente. O que muitos fariam alegremente para semear o evangelho, Jonas faria como uma obrigação, como uma imposição. 

Logo, o profeta Jonas não era livre para escolher por si mesmo o que diria aos homens. Não foi até eles para lhe falar sobre suas experiencias, testemunhos. Ele decidiu o conteúdo de sua pregação. Já estava decidido! O nosso testemunho deve estar firmemente ligado à Palavra de Deus. O apostolo Paulo escrevendo para a igreja de Corinto, ele diz: “Quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2.1-4).

Quando Deus lhe falou pela primeira vez, Jonas levantou-se para fugir da presença de Deus: “Levanta-te e vai a grande cidade de Ninive...Jonas se levantou, mas, foi em direção de Tarsis, a fim de fugir do Senhor” (Jn 1.1-2). Agora, se levanta para obedecer. E desta vez seu destino, sua missão, seu chamado é para Ninive. Sua atitude agora é “segundo a Palavra do Senhor” (Jn 3.1-2).

Diz-nos o texto que Ninive era uma grande cidade “Mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem discernir a sua mão direita e a esquerda”. Se essa expressão, conforme os comentaristas, é um idiomatismo hebraico, então se refere a cento e vinte mil crianças, logo, a população seria de seiscentos mil habitantes. Que vasto campo missionário para um pregador!

2)     Sua mensagem

“Daqui a quarenta dias Nínive será destruída” (Jn 3.4). “Daqui a quarenta dias Nínive será subvertida” ARC). Subvertida equivale ao mesmo verbo usado para a destruição de Sodoma e Gomorra por Deus (Gn 19.21,25,29). “Quarenta dias” são um período de provação, significa algo acabado, completado. 

Os quarenta dias na Arca de Noé foram uma provação. “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6.5).  Uma geração má, uma geração violenta, uma geração corrompida pelo pecado, levando toda sujeira para as gerações futuras.

Os quarenta anos de Moisés no deserto de Midião foi uma completude, uma escola de crescimento. E, mais, foi uma maneira de aprender que só existe só um que é portentoso, maravilhoso, poderoso: “O Senhor apareceu a Moisés numa chama de fogo do meio duma sarça” (Ex 3). Não era Faraó, mas o “Eu sou o que Sou”!

Os quarenta anos no deserto foram um treinamento para viver as promessas de Deus, viver pela fé no perigoso deserto do Sinai. Durante o dia havia uma coluna de nuvem guiando, de noite, uma coluna de fogo. Por quarenta anos, Deus mandou maná do céu, da rocha saiu água. Sim, quarenta anos, para provar que Deus cuida, como a menina dos seus olhos.

Os quarenta dias de fuga de Elias o levaram das ilusões perigosas que vinham da corte de Jezabel, que queria mata-lo,  para o lugar da revelação de Deus. Andou Elias pelo deserto com receio de ser morto, mas lá na caverna Deus manifestou ao profeta, não no vento, nem no terremoto, muito menos no fogo, mas na brisa suave do vento, ele ouviu a voz de Deus.

Os quarenta dias que Golias atormentou os israelitas “todos os homens em Israel, vendo aquele homem, fugiram diante dele, e temiam grandemente”. Todos os dias, o exército de Saul foi fustigado pelo temor; não havia um homem com coragem para enfrentar o gigante. Até que no quadragésimo dia, apareceu Davi, para mostrar “Tu vens contra mim com espada, lança e escudo pontiagudo; eu, no entanto, venho contra ti em Nome do Senhor, o Senhor dos Exercitos...” (1 Sm 17.45).

Os quarenta dias que Jonas anunciou em Nínive: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída”, era uma mensagem de misericórdia quanto uma mensagem de juízo. Se o povo se arrependesse de seus pecados Deus teria misericórdia dos ninivitas; mas se o povo continuasse em sua obstinação, a cidade seria subvertida, destruída.

Em cada caso, o número quarenta funciona como aviso, cuidado! o último dia, o quadragésimo dia, molda o conteúdo dos trinta e nove anteriores. Se os quarenta dias são bem-sucedidos, a vida começa de maneira nova. Mas, se os quarenta dias são ignorados, a vida será subvertida. A arca naufraga e todos morrem; os israelitas voltam para o Egito para ser escravo e fazer tijolo para Faraó; Elias se sucumbe diante da pressão de Jezabel; Golias vence e o povo de Israel sai derrotado; Moisés passa os restos dos seus dias cuidando de ovelhas em Midiã... 


3)     Arrependimento

Para espanto do profeta Jonas as pessoas não zombaram dele nem lhe fizeram nenhum mal. As pessoas de Nínive “creram em Deus” (Jn 3.5), e a cidade respondeu a sua pregação de três dias. O termo hebraico para “arrepender-se” ocorre quatro vezes nos versículos 8 a 10 “...converterão cada um de seu mau caminho” (v.8). isto é, contrariando, todas as expectativas, a poderosa, orgulhosa e violenta cidade de Nínive, vestiu-se de pano de saco – um sinal de arrependimento em massa.

“Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos” (v.9). Eles fizeram do “maior até o menor” (v.5). Os habitantes de Nínive creram em Deus, desde o mais importante até o mais humilde, declararam um jejum e se vestiram de pano de saco. O rei de Ninive “...desceu do trono, tirou as vestes reais, vestiu-se de pano de saco e sentou-se sobre um monte de cinzas” (v.6). 

Conclusão

Em janeiro de 1907, ocorreu uma conferencia bíblica, na capital da Coréia do Norte. A igreja tornou-se profundamente convicta de seu pecado, especialmente quando foi exortada a se arrepender de seu ódio tradicional pelos japoneses. Os coreanos presentes naquela conferencia viram que, perante Deus, eram igualmente pecadores e condenados juntamente com todos os demais seres humanos, ainda que resgatados  pela mais pura e vistosa graça de Cristo. Isso dissipou deles o orgulho e a amargura.

 As pessoas iam de casa em casa para reatar relacionamentos rompidos e devolver coisas roubadas. Os cultos de adoração estavam cheios de um novo poder. O resultado foi um crescimento explosivo da igreja. Houve muitos movimentos espirituais desse tipo ao redor do mundo na história da igreja. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

 Jonas e a graça de Deus Jn 2 


Introdução

Jonas tentou fugir da “presença do Senhor” indo para Társis. A missão era Ninive mas fugiu para Társis, Espanha. Pegou um navio, comprou passagem somente de ida, não queria de modo algum submeter-se a ordem de Deus. Pois, o que era mais importante para Jonas não era Deus, não era sua Palavra, sua presença; mas, sim, a camada mais importante era sua nacionalidade, sua etnia, israelense. 

Logo, Deus “fez soprar um forte vento sobre o mar, e caiu uma tempestade tão violenta que o barco estava prestes a se arrebentar” (Jn 1.4). Jonas, virou as costas para Deus, pensou que poderia fugir da presença de Deus, mas Deus veio através de uma tempestade. Como disse o profeta Naum: “O Senhor anda pelo meio das tempestades e dos ventos violentos...” (Na 1.3). Os marinheiros perceberam que não era uma tempestade natural, mas sobrenatural, ou seja, alguém no navio causou aquela tempestade. E acharam Jonas, lançando sortes, como causador de todo esse mal.

Então, Jonas disse aos marinheiros: “Jogue-me ao mar; e ele voltará a ficar calmo, eu sei que esta terrível tempestade é culpa minha” (Jn 1.12). Nos diz o texto: “Os marinheiros pegaram Jonas e lançaram ao mar e, no mesmo instante, a furiosa tempestade se aquietou”. Sim, “a tempestade cessou”, “a fúria do mar se acalmou”. Quando o profeta Jonas é lançado ao mar, imediatamente, subitamente, no mesmo instante, a tempestade cessou quanto uma luz que é desligada. A “fúria” da tempestade era uma expressão real da ira de Deus contra seu rebelde profeta, a qual foi deixada de lado quando Jonas foi lançado às ondas do oceano.

Houve temor. Quando o mar se torna totalmente calmo, eles são “tomados” por “grande temor” maior do que quando pensavam que se afogariam. O Temor do “Senhor” é a essência de todo conhecimento e sabedoria. Como diz Provérbios: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria...” (Pv 9.10). O temor do Senhor é o conhecimento daquele que é santo, conhecê-lo é temê-lo! Diz o texto que imediatamente “...os marinheiros lhe ofereceram sacrifícios e firmaram o compromisso de servi-lo” (Jn 1.16 NVT). 

1)     Deus mandou um grande peixe

O Senhor ordenou que um grande peixe engolisse Jonas” (Jn 1.17). Esse verbo “ordenar” é usado várias vezes no livro, como no capítulo 4 quando Deus ordenou que uma planta crescesse e depois morresse. “O Senhor Deus fez crescer ali uma planta...” (Jn 4.6); “Deus também mandou uma largata, e ela comeu o talo da planta que secou” (Jn 4.7). Olhando em retrospectiva, podemos ver que as lições mais importantes que aprendemos na vida são resultado da mais pura e simples misericórdia de Deus. São momentos difíceis, excruciantes que ocorreram em nossa vida, mas que depois, colhemos os benefícios da aflição. 

O grande peixe é um exemplo perfeito dessa misericórdia tão nua e crua. Obviamente, o peixe salvou a vida de Jonas quando o engoliu. Pois, ele estava afundando nas profundezas do mar, “até os fundamentos dos montes”, longe de qualquer ajuda ou esperança. Jonas ainda estava vivo, mas por quanto tempo? Em 2021, um homem chamado Michael, de Massachusetts foi engolido por um grande peixe, ficou 30 e 40 segundos dentro do peixe, até que a baleia subiu na superfície e cuspiu para fora.

No caso do pescador foi um acidente, mas quanto a Jonas, era devido sua desobediência a Deus. E quando desobedecemos é preciso que haja um “tratamento radical para que isso seja remediado”. O texto descreve Jonas em movimento descendente: primeiro descendo até a cidade de Jope, depois descendo até o navio, em seguida, descendo até as profundezas do mar. Quando estamos em desobediência parece que nunca vamos parar de descer. Por fim, o profeta Jonas desce na barriga de um grande peixe... 

“MAS SOMENTE QUANDO ELE DESCEU ATÉ O FUNDO DO POÇO, ENFIM, DESPOJADO DE SUA PRETENSA AUTOSSUFICENCIA, A LIBERTAÇÃO FOI POSSIVEL”.

O QUE FALAR DE JACÓ? AINDA NÃO ESTAVA PREPARADO PARA LIDERAR SUA FAMILIA ATÉ SER FORÇADO A FUGIR DE CASA, PASSAR ANOS NA MÃO DE UM SOGRO GANANCIOSO E ENFRENTAR UM ENCONTRO VIOLENTO COM ESAÚ, O IRMÃO QUE FORA LESADO. FORA ENTÃO, QUANDO ELE ESTAVA NO FUNDO DO POÇO, QUE SE ENCONTROU COM DEUS FACE A FACE (GN 32).

O QUE FALAR DE MOISÉS? CRIADO NO PALÁCIO DE FARAÓ, PREPARADO NAS LINGUAS EGIPCIAS, PREPARADO PARA LUTAR AS GUERRAS DE FARAÓ. ERA UM HOMEM QUE CONHECIA SUAS RAIZES, SABIA QUE ERA JUDEU E O SEU POVO VIVIA EM AFLIÇÃO. SABIA QUE DEUS TINHA UM CHAMADO ESPECÍFICO, UMA MISSÃO. MAS, MOISÉS, ADIANTOU-SE, E MATOU UM EGIPCIO E POR CAUSA DISSO, FUGIU, ABANDONOU TUDO E FOI MORAR EM MIDIAN, PARA CUIDAR DE OVELHAS.

Somente quanto todos os esquemas e recursos estão falidos e exauridos, é que voce finalmente se abre para aprender como depender completamente de Deus. OU, VOCE SÓ PERCEBE QUE JESUS É TUDO O QUE PRECISA QUANDO JESUS É TUDO O QUE VOCE TEM. É PRECISO PERDER A SUA VIDA PARA ACHÁ-LA. “Quem perde sua vida por minha causa a encontrará” (Mt 10.39).

Quando chegamos a fundo do poço é que encontramos o lugar que habitualmente aprendemos os maiores segredos sobre a graça de Deus. Sim, não é simplesmente o fato de estar no fundo que começa a mudar, mas, sim, quando começar a orar. Jonas começa a orar. E, no momento mais alto da oração, ele evoca a chesed (Jn 2.8), que é traduzida por “misericórdia”, “amor inabalável” ou “graça”. 

2)     Graça

Infelizmente, em nossa sociedade atravessando o “deserto do mal moral”. Vivemos numa sociedade niilista, onde os valores são relativizados, onde a família virou uma lata de conserva. Logo, não existe uma moral absoluta, como disse Dostoiévski em seu livro “Os irmãos Karamazov”: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Mas, Jonas em sua oração sabe muito bem que essa moral relativista é esterco de vaca, titica de galinha. No desespero que encontramos com Deus: “Nas profundezas do oceano me lançaste, e afundei até o coração do mar. As águas me envolveram: fui encoberto por tuas tempestuosas ondas” (Jn 2.3-4). Jonas sabia que a justiça divina existia e que ele a merecia. 

Somos impotentes, pois mais que tentemos temos que admitir “nossa impotência espiritual”. Devemos admitir não apenas nossos pecados, mas também o fato de que não podemos nos livrar ou nos purificar deles. Embora muitos estão em busca de terapia psicológica, procurar uma psicanalista etc. Outros, tentam preencher com o trabalho e observância religiosa, contudo, não conseguem restaurar seu relacionamento com Deus. no versículo 6, lemos: “Afundei até os alicerces dos montes; fiquei preso na terra, cujas portas se fecharam para sempre. Mas tu, ó Senhor, meu Deus, me resgataste da morte” (Jn 2.6). 

Ele diz que está afundando até o “submundo”, o mundo submerso mais distante da humanidade viva e de Deus em seu templo “cujas trancas se fecharam sobre mim para sempre”. Ele percebe que está condenado e permanentemente barrado por seu pecado e rebelião, e não há nenhuma forma possível de abrir os portões por si mesmo ou de pagar sua dívida.

E, mais, temos que vê o alto custo da salvação. Não apenas, uma, mas duas vezes em oração, Jonas olha não apenas para o céu, mas para “teu santo templo” (Jn 2.4). “Poderia contemplar o teu santo templo uma vez mais”. Alguém que se escondeu da presença de Deus, está ansioso para estar novamente na presença de Deus. E, vai além: “E, depois olha para o templo da tua santidade” (Jn 2.7).  

Jonas sabia que era de cima do propiciatório que Deus prometera falar conosco (Ex 25.22). o propiciatório era uma tampa de ouro que ficava em cima da arca da aliança. No dia da expiação, o sumo sacerdote aspergia o sangue do sacrifício expiatório pelos pecados do povo sobre o propiciatório (Lv 16.14-15). Diante do propiciatório aprendemos tres verdades: somos pecadores, incapazes de salvar a nós mesmos e a salvação se deu por um alto custo.

Conclusão

Ouvimos um grito de desespero do profeta: “as trancas se fecharam sobre mim para sempre”. Jonas está perdido, está condenado, incapaz de escapar daquele grande peixe, as portas da prisão se fecharam. Mas, ele ora, ele clama, ele suplica “...porém, tu me levantas da cova, ó Senhor, meu Deus” (Jn 2.6). Diante do meu quebrantamento do profeta, diz o texto: “O Senhor deu ordens ao peixe, e este vomitou Jonas na terra” (Jn 2.10). Quando confessamos nossos pecados, vem a libertação, o relacionamento é restaurado. Ele termina dizendo: “A salvação vem somente do Senhor” (Jn 2.9). 


 

 Família em conserva 

A família tem sido objeto de ataque desde quando foi fundada por Deus. No começo, a serpente enganou Eva e Adão causando o enfraquecimento da família e em seguida, o primeiro homicídio, Caim matou Abel. Atualmente, vimos, neste carnaval de 2026 uma escola de samba homenageando o atual presidente da republica, atacando a familia usando a imagem de uma família feliz como paródia, como gozação, como algo inusitado.

No livro Cartas de um diabo ao seu jovem aprendiz, Maldanado, incinta seu jovem aprendiz – Vermelindo, dedica o capitulo 18 para atacar a instituição familia. Afirmando que tem transformado  no decorrer do tempo a instituição familia “numa nota de rodapé”, ou seja, numa lata em conserva. Diante de tanta desconfiança e principalmente o numero elevado de divórcios, a familia virou algo não exequivel, possível; objeto de gozação de uma escola de samba!

O velho demônio estabelece o principio do inferno: não há como um ser que não seja outro ser. Meu bem é meu bem e seu bem é seu bem. O que um ganha, outro perde. Não existe a conta matemática divina em que dois se torna um, essa matemática não existe na conta do inferno. Para o velho diabo, existir significa “estar em competição”.  Sempre, para o velho demônio, existirão duas vontades, duas carnes, dois quereres. Infelizmente, esse é o dardo que satanás tem lançado para acabar com as famílias.

Para o velho demônio e para essa ideologia que está no poder o casamento é inviável, uma paródia, uma conta aritmética que não se fecha! No entanto, Deus em sua unidade ontológica, em sua essência  é um, mas  que se manifesta em tres pessoas. Não são tres deuses, não é politeísmo,  mas um Deus, que no decorrer da redenção vai se manifestando em pessoas diferentes, individualizadas em sua missão e com o mesmo poder.  Logo, existe viabilidade, existe possibilidade, “pois somos imagem e semelhança de Deus”.  dessa conta matemática chamada  casamento se fechar.

Sim, Deus fez a familia, Ele fez o homem e a mulher para se tornar numa carne somente. Depois, vem os filhos, uma ligação afetiva sem paralelo. Criando uma organismo, um ser,  vários seres mas um ser somente,  um dependente do outro, os filhos dependentes dos pais e os pais com a missão de cuidar dos filhos, nascendo, assim, a familia, uma constituição divina. Em tudo, na familia, gira em torno do amor, do afeto.

Logo, de um lado, temos o velho demônio  questionando  o principio “uma só carne”. Temos a sociedade secular, brincando com a familia numa escola de samba. Para o inferno poderia ser “um casal feliz no casamento”, ou “que contraiu núpcias por estar apaixonado”, mas, de modo algum “uma só carne”.

Questionei para mim mesmo porque o inferno não admite a possibilidade da familia. Logo, lembrei-me que no inferno não existe familia, não existe amor, não existe fidelidade, não existe compromisso, não existe afeição. Mas, no inferno, cada um é por si, não existe vizinhança, não existe cooperação, comunhão, impera o egoísmo, a individualidade, o que é meu é meu e o que é seu é seu...por isso que não aceitam a idéia de familia. Aliás, por isso que não aceitam a igreja, porque a igreja é um corpo de muitas pessoas sendo conduzida por um cabeça, Jesus Cristo!

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

 Quem és tu, Jonas? Jn 1.1-10 


“O Senhor, porém, fez soprar um forte vento sobre o mar, e caiu uma tempestade tão violenta que o barco estava prestes a se arrebentar” (Jn 1.4).

O Senhor “fez soprar um vento forte”, o verbo “fez” é usado para descrever a ação de atirar uma arma como lança (1 Sm 18.11). Aqui nesse texto “Saul arremessou a lança contra Davi...”. A imagem de Deus lançando uma poderosa tempestade sobre o mar, ao redor do barco de Jonas, é bem vivida. O profeta Naum expressou: “O Senhor anda pelo meio das tempestades e dos ventos violentos...” (Nm 1.3). Era um vento muito “grande” a mesma palavra para descrever a cidade de Ninive.

1)     Tempestades.

Todo ato de desobediência a Deus tem uma tempestade vinculada a si. Todo pecado lhe trará dificuldades. Se pecarmos contra Deus,  contra nosso corpo, nossos relacionamentos, eles nos atacarão de volta. Há consequências. Se violarmos a lei de Deus, estamos violando nosso próprio caminho, visto que Deus nos criou para conhecê-lo, servi-lo e amá-lo. Se edificarmos nossa vida e seu sentido em algo além de Deus, agiremos contra a natureza do universo, de nosso próprio ser. 

Há uma grande tempestade dirigida diretamente a Jonas. A maneira súbita como ela surge e sua fúria são aspectos que até mesmo os marinheiros pagãos conseguem discernir como algo de origem sobrenatural. As consequências do pecado são geralmente mais parecidas com a reação física que alguém sente diante de uma dose debilitante de radiação. A pessoa não sente dor de imediato, no exato momento que é exposta à radiação. Não é como se estivesse sendo atravessada por uma bala de revólver ou uma espada. A pessoa se sente absolutamente normal. Só mais tarde apresenta sintomas, mas aí será tarde demais. 

O pecado é um ato suicida que a vontade comete sobre si mesma. É como tomar uma droga viciante. No começo, pode parecer maravilhoso, todavia, cada vez que toma, fica mais difícil não tomar novamente. O pecado sempre endurece a consciência, aprisiona a pessoa em sua própria masmorra de defensivas e racionalizações e a consome lentamente por dentro. Todo pecado tem uma tremenda tempestade vinculada a si. E, sabemos, que não se pode subornar uma tempestade...

2)     Consequencias

Jonas rejeitou o chamado para pregar na cidade de Nínive. Ele não queria anunciar a um povo que lhe era hostil, sanguinário. Então, Jonas, fugiu para “longe da presença do Senhor”, geograficamente, para Társis, mais de 3500 km! Então, Deus mandou uma tempestade, “os marinheiros ficaram aterrorizados”, “com muito medo” (NTLH), (v.5). Estamos falando de homens acostumados com o mar, experientes em enfrentar mau tempo, mas essa tempestade era excepcionalmente aterrorizante. 

Enquanto os marinheiros se esforçavam para o navio não afundar “...parecia que o navio estava a ponde de se despedaçar” (v.4) e “cada um clamava ao seu deus e atiravam cargas ao mar”. Jonas, encontrava-se no porão dormindo profundamente. A Septuaginta, que é o Antigo Testamento traduzido para o grego, acrescenta que Jonas “roncava”. Ele estava dormindo “o sono da aflição”, ou seja, o desejo de escapar da realidade por meio do sono, ainda que por pouco tempo. 

Os marinheiros estão espiritualmente conscientes o bastante para perceber que não era apenas uma tempestade qualquer, mas uma tempestade diferente. Talvez pela forma súbita como que surgiu, sim do nada! Eles tinham discernimento, conheciam o tempo, para saber que essa tempestade que abateu o navio era sobrenatural, era divina, possivelmente em resposta ao grave pecado de alguém.

Quando o próprio capitão encontra o profeta adormecido, no porão do navio, primeiro lhe dá uma reprimenda: “O que está acontecendo com voce? Agarrado no sono?” (Jn 1.6 NAA). Depois, lhe diz: “Levante-se, clame ao seu Deus”. Interessante, que são as mesmas palavras no original que Deus usou para chamar Jonas para levantar e ir a Nínive, a fim de chamá-los ao arrependimento. Mas, enquanto Jonas ronca no porão, espreguiça e esfrega os olhos, há um marinheiro gentio em cuja boca estão as próprias palavras de Deus. Que ironia!

O capitão do navio se aproximou de Jonas e lhe disse: o que está acontecendo com voce? Agarrado ao sono? Levante-se, invoque o seu Deus! Talvez assim esse Deus se lembra de nós, para que não pereçamos” (v.6). Os marinheiros discerniram, que havia pecado humano e uma mão divina por trás da tempestade. O que fazer? “...Vamos lançar sorte para descobrir quem é o culpado desse mal que caiu sobre nós. Lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas” (Jn 1.7).

É possível que o nome de cada homem daquele navio estava em um pedaço de madeira, e o sorteado foi o profeta Jonas. Deus usou o lançar de sortes, nesse caso, para apontar o dedo para Jonas. A mesma coisa aconteceu com a família de Acã (Js 7), foi por sorte que Josué descobriu que Acã havia roubado despojos da guerra em Jericó. No entanto, os marinheiros, mesmo sabendo a causa da tempestade, fizeram todo o possível para evitar jogá-lo no mar. Em cada atitude, eles superam o profeta Jonas. 


3)     Jonas fala

Quando a sorte aponta para Jonas, os marinheiros começaram a bombardeá-lo com perguntas: “Por que essa terrível tempestade veio sobre nós?, perguntaram. Quem é voce? Qual é a sua profissão? De onde vem? Qual é a sua nacionalidade?” (Jn 1.8). Todas essas perguntas estão relacionadas à identidade do profeta. A pergunta “a que povo voce pertence?” sonda a comunidade que nos pertencemos. A pergunta “de onde vens?” aponta para a cidade, estado e país, nossa nacionalidade. A pergunta “qual é a tua missão?” o que fazer na vida, qual é a sua vocação, o que te move... 

“Levante-se e invoca o teu deus”. Para os marinheiros, todos os fatores que compunham a identidade do profeta Jonas estavam ligados aquilo que ele adorava. Quem era voce e o que voce adora eram não eram apenas dois lados de uma moeda. Era a identidade de uma pessoa! Era sua essência, aquilo que verdadeiramente era! Não podemos viver uma ambuiguidade, não podemos separar o que somos e o que que adoramos! O que adoramos é a camada mais fundamental da identidade de alguém. 

Fomos feitos a “imagem de Deus”, fomos criados por Deus do pó da terra (Gn 1.26-27). Ser “imagem de Deus” significa que os seres humanos não foram criados para existirem de forma autônoma, independente. Ser criado a imagem de Deus significa que devemos viver para o verdadeiro Deus, devemos existir para ele; devemos louvá-lo, adorá-lo. Se colocarmos algo no lugar de Deus nossa vida passará a girar em torno disso. “Quem és tu”, “de quem és”, saber quem você é significa saber que você se entregou, o que o controla, no que você conta acima de tudo.

Jonas responde: “Eu sou hebreu e adoro o Senhor, o Deus dos céus, que fez o mar e a terra” (Jn 1.9).  Primeiro, Jonas diz: “eu sou hebreu”, logo, sua origem étnica consistia no fator mais importante da sua identidade. Sua raça era mais fundamental para sua autoimagem do que sua fé, isso começa a explicar por que Jonas se opunha a chamar Nínive ao arrependimento. Logo, o relacionamento com Deus ficava em segundo lugar. 

Tem um filme evangélico e há uma conversa entre o treinador de basquete e um pastor em um hospital. O pastor começa perguntando: Quem é voce é? Ele respondeu: “Eu sou treinador de basquete”. Depois, o pastor lhe diz:  E se você perder isso?. Mas: “Eu também sou professor de história”. E se tirar isso, quem é voce? Bom eu sou um marido e um pai. Se voce perder sua esposa e sua família, quem é você? Eu sou cristão! E o que significa? Significa que eu sigo Jesus. e qual é a importância disso? Porque é muito importante! Mas, ele termina dizendo: Jesus está no final da sua lista; a sua identidade está ligada ao que você se dedica!

Conclusão

Jonas nos lembra outra figura bíblica: Pedro. Apostolo, fazia parte do circulo intimo de Cristo, e tinha muito orgulho disso. Antes da prisão de Jesus jurou lealdade “Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim” (Mt 26.33). E, vai mais longe: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo” (Mt 26.35). Em outras palavras, o que ele disse foi:  “Meu amor e minha devoção por você são mais fortes do que o amor e a devoção de qualquer outro discípulo”. Contudo, como sabemos, acabou sendo um covarde, mais do que todos os demais.