Saulo, novo convertido At 9.10-31
Saulo, judeu helenista, da cidade de Tarsos, cidadão romano, estudou aos pés de Gamaliel. Homem preparado, guerreiro tenaz, que participou ativamente da morte de Estevão; perseguiu a igreja de Cristo, prendendo homens e mulheres. Era como um javali que chega numa plantação e devasta. Assim, era Saulo, um javali selvagem. Até que um dia “repentinamente”, Jesus lhe aparece na estrada de Damasco e lhe chama pelo nome “Saulo, Saulo, porque me persegues”. Doravante, ele se torna um cristão, um filho de Deus.
1)
Ananias
“O Senhor o chamou em uma visão” (At 9.10). Ananias responde ao chamado do Senhor de forma diferente de Saulo. Em vez de perguntar: “Quem és tú?”, ele está pronto a obedecer: “Aqui, estou Senhor” (At 9.10). E a ordem do Senhor era: “Levanta-te, e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo” (At 911). Porém, ele levanta objeções a uma comissão divina que parece inconsequente, perigosa. Ele argumenta com o Senhor: “Senhor, eu tenho ouvido muita gente falar a respeito de todas as maldades que este homem tem feito ao teu povo em Jerusalém” (At 9.13). Outrossim: “...aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o seu nome” (At 9.14).
A reputação de Saulo era conhecida da igreja cristã, era um
homem perigoso, sanguinário, participou ativamente na morte de Estevão. Logo, o
“Aqui estou, Senhor”, as palavras iniciais de Ananias, se torna em outras
palavras “Não, Senhor”. Mas, o Senhor é insistente: “Vai, porque ele
é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios,
reis e israelitas” (At 9.15). Ele é um “instrumento”, ou um “vaso” escolhido”.
Portanto, diante dessa ordem, Ananias descobre que nem mesmo o inimigo mais
endurecido e temível pode ser excluído.
Diante da visão do Senhor e dá ordem dada, Ananias, confronta
seus próprios medos, pois precisa ser obediente a Deus e confiar que sua graça
é capaz de transformar até mesmo o pior inimigo dos cristãos. Para Deus não há impossível,
Deus mudou a vida de Zaqueu, cobrador de impostos; Deus mudou a vida de Maria,
Madalena que tinha sete demônios; Deus mudou a vida a vida da mulher samaritana,
que tivera cinco maridos. Logo, Deus é capaz de mudar a vida de qualquer pessoa.
Cheio da coragem divina, “Ananias foi até a rua direita” (At 9.11) e entrou na casa de Judas. Lá ele lhe impôs suas mãos (v. 17), para que fosse curado de sua cegueira física e ficasse cheio do Espírito Santo. Ao mesmo tempo, Ananias chamou-o de “Saulo, irmão”, ou “Saulo, meu irmão”! Podem muito bem ter sido as primeiras palavras que Saulo ouviu de lábios cristãos após a sua conversão. Devem ter sido música para seus ouvidos.
Ananias explicou como o mesmo Jesus que lhe aparecera na
estrada de Damasco o tinha enviado a ele para que pudesse recuperar sua visão e
ficar cheio do Espírito Santo. Imediatamente lhe caíram dos olhos como que
escamas e tornou a ver. “Algo como escama” (ARC), que caíram dos
olhos de Saulo. A palavra grega denota algo fino e escamoso, como as escamas de
peixes ou cobras, aconteceu uma cura sobrenatural, seus olhos voltaram a
enxergar e sua alma recebeu uma nova natureza. Depois disso, Saulo foi batizado,
com certeza diante dos cristãos de Damasco. Em seguida, se alimentou, após três
dias de jejuns, sentindo-se fortalecido.
1)
Etapas
da vida cristã
Tempos bons na presença de Jesus.
Em Damasco, Saulo “nas sinagogas, pregava a Jesus, que este era o Filho de Deus” (At 9.20). Contava a todos sobre o seu encontro com o Messias na estrada de Damasco. Todos estavam atônitos diante do seu testemunho: “Não é este que, em Jerusalém, perseguia os que invocam esse nome? Ele não veio para cá a fim de levá-los presos aos principais sacerdotes?” (At 9.21). Saulo debatia e confundia os judeus que habitavam em Damasco. Sua história chegou aos ouvidos da igreja da Judéia: “Aquele que antes nos perseguia agora prega a fé que antes tentava destruir” (Gl 1.23).
Saulo fora preparado, conhecia a lei de Moisés, formou-se aos
pés de Gamaliel, era uma pessoa influente entre as autoridades judaicas e
romanas. Agora, estava em Damasco, acolhido, aceito, encorajado, protegido por
um pequeno grupo de cristãos, de discípulos que tinham visto o Espírito Santo
cair sobre ele e assistiram como o Espírito Santo transformou o seu caráter. Saulo
desfrutava de uma comunidade unida e pregava constantemente nas sinagogas, provando aos judeus que Jesus era o Cristo, o
filho de Deus.
Tempo desérticos
“Passados muitos dias”, ou seja, depois de Saulo ter pregado em Damasco, os líderes da sinagoga de Damasco “decidiram de comum acordo matá-lo”. Agora, o perseguidor tornou-se perseguido! Saulo estava sendo vigiado pelas autoridades religiosas, dia e noite. “Então, durante a noite, alguns de seus discípulos o baixaram pela muralha da cidade num grande cesto” (At 9.25). Em Gálatas, o apostolo Paulo, fala de um período de três anos, durante o qual ele vai, de Damasco à região da Arábia. E, depois, volta para Damasco, antes de retornar a Jerusalém. “...sem me deter, segui rapidamente para Arábia e depois retornei a Damasco” (Gl 1.17-18).
A região da Arábia era um vasto território que se estendia ao sul, ao longo da margem leste do rio Jordão e do mar morto até o mar vermelho; a oeste, até a Mesopotâmia; e, ao norte, até Damasco. Também era conhecida como Nebateia, e a famosa cidade Petra, construída nos penhascos de rocha vermelha, era sua capital.
Durante esse tempo de perseguição, Saulo passou meditando nas
sagradas escrituras. Estava passando pelo deserto, perseguindo pelos líderes de
Damasco e pelo rei da Arábia. Fora nesse deserto que muitas revelações que
temos em suas cartas foram desveladas. Acerca do “mistério” (judeus e gentios,
o mesmo povo em Cristo); caindo o muro de separação. Ele fala de “revelação”, “meu
evangelho” e “o evangelho que recebi ...mediante a revelação de Jesus Cristo”,
enfim., tudo que vemos em suas cartas uma boa parte Deus lhe revelou no deserto
da Arábia.
Tempos mais difíceis
Primeiro, desconfiança na igreja. “E quando Saulo chegou a
Jerusalém” (At 9.26), “procurou juntar com os discípulos” (At 9.26),
mas eles “tinham medo” (NTlH), “o temiam” (ARA); “todos...o temiam, não
acreditando que ele fosse discípulo” (At 9.26). Provavelmente não tinham tido notícias
dele durante três anos, que ficara na Arábia. Mas dessa vez, Barnabé veio
socorrê-lo. “Tomando-0 consigo, levou-o aos apóstolos, e contou-lhes como
ele vira o Senhor no caminho, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente
em nome de Jesus” (At 9.27).
Todo mundo precisa de um Barnabé em sua vida - de alguém que seja um encorajador e que, por natureza, acredita nas pessoas e lhe dá uma chance após outra. Seu nome era José, mas lhe chamavam de Barnabé “filho do encorajamento”, ou “encorajador”.
Graças a Deus por Ananias que apresentou Saulo à comunidade
em Damasco (precisou de uma visão de Deus), e a Barnabé que fez o mesmo em
Jerusalém. Sem eles, e a recepção que asseguraram a Saulo, toda a história da
igreja teria sido diferente. A comunidade cristã precisa receber os novos
convertidos, especialmente aqueles que vem de um contexto religioso, étnico ou
social diferente. Existe uma necessidade urgente de Ananias e Barnabés modernos
que vençam seus escrúpulos e suas hesitações e tome a iniciativa de ajudar os
recém-chegados.
Segundo, tempo de perseguição. Em Jerusalém, Saulo “...falava ousadamente no nome de
Jesus, falava e disputava também contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo”.
Eram “judeus de fala grega”, este foi o mesmo grupo que instigou a campanha de
calúnia contra Estevão. Muitos provavelmente pensaram que era um golpe de
justiça, ou seja, Saulo estava colhendo os frutos das sementes que um dia
semeara contra Estevão. Mas “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm
5.21).
Os discípulos sabendo desse plano dos judeus helenistas contra Saulo, organizaram sua fuga para Cesaréia Maritima, onde ele pegaria um navio para sua cidade natal, Tarso. Passaria a década seguinte aprendendo, crescendo e aperfeiçoando para a liderança na igreja.
Conclusão
Para Saulo não foi nada fácil o começo de sua conversão. Saulo,
o perseguidor implacável, agora, tivera um encontro com Cristo.
A.W. Tozer escreveu certa vez: “É improvável que Deus possa abençoar grandemente um homem antes que o tenha ferido profundamente”. Ou, outro escritor afirmou: “Quando Deus quer fazer uma tarefa impossível, ele pega um homem e o esmaga”.























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