Ah! Que saudade de Deus. Jó 29.1-6
Introdução
Qual é o seu tempo de vida passada que lhe faz suspirar? A infância! Como no poema do Casimiro de Abreu: Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Ou, “Ah! Que saudade da minha mãe e do meu pai”.
Ou, “Ah! Que saudade da cidade onde nasci”, ou “Ah! Que saudade dos anos 80 e
90 e toda a simplicidade que vivia aquela geração”. “Ah! Que saudade quando
meus filhos eram pequenos”. Enfim, todos nós temos uma saudade guardada no peito,
na alma. Hoje, vamos analisar sobre a saudade de Jó, o que suspirava, o que era
mais importante para em sua vida.
1) temos dificeis
Jó está passando por um tempo muito difícil, está passando
pela pior prova de sua vida. Era um tempo de angustia, tempo de aflição, um
tempo conturbado, o mar estava encapelado, as ondas bravias, passava pela noite
escura da alma. Ele havia perdido tudo, seus filhos, seus bens materiais, sua
saúdem dignidade, e sua mulher pediu para amaldiçoar a Deus e morrer. Por fim,
Jó está do lado de fora da cidade, no monturo, com um pedaço de caco coçando
suas feridas.
Os seus amigos vieram para lhe consolar, lhe ajudar nessa hora
difícil. Mas, ao invés de consolar, sobrecarregaram ainda mais, afirmando que o
motivo do sofrimento dele era por causa do pecado. Sim, para eles, quando você passa pelo sofrimento, é porque alguma
coisa você fez, algum pecado você cometeu. Mas, sabemos, que no caso de Jó, não
era por causa de pecado, mas estava sendo provado por Deus.
Nesse momento de dor, do que Jó sente falta? Dos tempos em
que tinha tudo, materialmente falando? Tempo
em que nada lhe faltava, uma vida sossegada, confortável? Ou, Jó sentia falta
do tempo em que seus filhos estavam todos vivos, das festas, das alegrias? Ou,
Jó sentia falta do tempo em que tinha saúde, em que podia se levantar, ir pra
cima e para baixo, abaixar e levantar?
Mas, muito mais do que dinheiro, do que bens materiais. Muito
mais do que filhos, por mais queridos e preciosos que FOSSEM. Muito mais do que saúde
física, saúde emocional, quando tudo estava bem. O que mais doía no coração de
Jó era a SAUDADE de Deus. Saudade de sua presença, saudade dum tempo em que Deus
estava com ele, falava com ele, operava poderosamente em sua vida.
SAUDADE
“Ah! Que saudade ...dos bons dias em que Deus me protegia de
todo mal”. Saudade dos
dias em que Deus cuidava de mim, zelava de mim...estava comigo.
“Ah! Que saudade...quando Deus fazia resplandecer a sua lâmpada
sobre a minha cabeça, quando eu era guiado por sua luz...”. Sim, nesse tempo, eu caminhava seguro
em meio à mais densa escuridão.
Aqui, temos a benção aroonica é de fundamental importância: “Que
o Senhor te abençoe e te guarde e faça resplandecer a sua face sobre ti e lhe
de paz”. Quando fala de rosto resplandecer, fala da presença de Deus, a
presença de Deus é sobre a sua vida. Fala da sua bondade sobre nós, da sua
misericórdia sobre nossas vidas, sua graça imerecida sobre nós.
“Ah que saudade...quando a amizade de Deus abençoava a minha
casa”. “...protegia minha tenda”. Quantas bençãos
recebidas de Deus sobre a minha casa, sobre a minha família. Bençãos inumeráveis,
a mão do Senhor sempre esteve sobre nós.
“Ah! Que saudade quando o Todo Poderoso permanecia junto a
mim enquanto caminhávamos...”. Quantas caminhadas que fizemos juntos,
quantos momentos de intimidade, de conversa, de aconchego tivemos ...
“Ah! Que saudade... quando meus passos eram banhados em
leite, e da rocha fluía torrentes de azeite puro sobre a minha cabeça” (v. 6). Ou,
“Em casa sempre havia leite à vontade e também azeite, tirado das oliveiras
plantadas entre as pedras” (NTLH). É uma linguagem figurada que fala das bençãos
de Deus sobre nós; do mesmo modo que a terra de Canaã era chamada como “terra onde
manam leite e mel”.
Jó está afirmando que delícias festivas como creme de leite batido
e azeite, fluíam por toda sua vida, até mesmo a rocha estéril manava óleo, uma
imagem da benção ilimitada de Deus sobre nossas vidas. O que podemos falar
dessas bençãos? Da salvação que Deus nos deu em Cristo Jesus, do novo nascimento,
uma nova história se escreveu em nossas vidas. Do batismo com Espírito Santo...
e quantas e quantas bençãos recebemos da parte de Deus.
Conclusão
O que é mais importante nessa vida para você? O que move seu
coração? Agostinho, andou por muitos lugares, experimentou todos os prazeres
que a vida lhe podia dar, mas no fim, ele diz: “Tu me criaste, ó Deus, e a
minha alma vive inquieta enquanto não repousar em ti”.
C. S. Lewis, depois de ter procurado vários caminhos, ele
afirma: “O fato é que o nosso coração não consegue ser preenchido pelas coisas
da terra, essa é a prova de que o céu deve ser a nossa casa”.
O rei Salomão, escreveu: “Deus colocou a eternidade no
coração do homem” (Ec 3.11). É disso que no final da vida, o coração sente
falta, de Deus. Do criador, do redentor, do Senhor, dAquele que nos amou.
No começo Adão e Eva, quando criados por Deus, se
relacionavam com Deus, falavam com Deus, ao entardecer. Mas, depois do pecado,
depois da separação, da desobediência, o homem não falou mais com Deus.
Mas, Deus enviou seu filho, Jesus Cristo, para o mundo, a fim
de morrer pelos nossos pecados e nos dá uma salvação maravilhosa. E, melhor de
tudo, agora, em Cristo Jesus, temos comunhão com Deus, temos acesso a presença
de Deus. É disso que precisamos.

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