Unção em Betânia - Jo 12.1-7
Aliás, Maria aparece três vezes
nos evangelhos. Ela é conhecida por sua adoração, sua devoção ao Senhor Jesus
Cristo e sempre aparece aos pés de Jesus. Nos três relatos em que ela aparece está aos
pés de Jesus. Em Lucas 10:39-42, Jesus estava na casa de Maria, enquanto Marta,
corre para lá e para cá fazendo os deveres domésticos “Maria, sua irmã,
ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo o que ele ensinava” (Lc 10.39). Na
segunda vez, na ocasião da morte de seu irmão, ela “se dobra aos seus pés e
disse: Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11.32).
O melhor lugar do mundo é sentar-se aos pés de Jesus.
1) Cenário
O apostolo João em seu
evangelho fala que esse fato aconteceu “Seis dias antes da Páscoa...”. Estava
chegando o momento em que Jesus seria preso, morto e crucificado. Então, ele
vai para Betânia com seus discípulos, que distava dez quilômetros de Jerusalém.
A Páscoa era a festa mais importante dos judeus; é um símbolo do livramento que
Deus deu ao seu povo lá no Egito. Na pascoa, eles matavam um cordeiro, comiam
ervas amargas e festejavam a grande libertação contra Faraó.
E, na terceira vez, que
Maria aparece nos evangelhos, “pegou uma libra de bálsamo de nardo puro, um
óleo perfumado muito caro...” (Jo 12.3). Este nardo era feito de um óleo
aromático extraído da raiz de uma planta cultivada no Himalaia. Este vaso
continha cerca de 350 gramas de perfume caríssimo. Era um perfume muito caro, caríssimo,
valiosíssimo, cujo preço era equivalente a trezentos dracmas, 300 dias de
serviço. Nos dias de hoje, seria 10 meses de trabalho! Tomado pelo salário-mínimo
atual, seria em torno de 16.000 reais!
Ou seja, ela pegou o que lhe
era caro, que conseguiu com sacrifício, custoso, valiosissimo e derramou sobre
Jesus! “Ungiu os pés de Jesus”; Lucas também fala que ela ungiu os pés
de Jesus. Mas, Marcos, o evangelista, diz que ela derramou esse perfume sobre
sua cabeça; o evangelista Mateus confirma a versão de Marcos. O mais importante
é a sua devoção, uma devoção incomensurável, uma devoção verdadeira. Jesus
falou para a mulher samaritana que “os verdadeiros adoradores adorarão ao
Pai em Espírito e em verdade” (Jo 4.24).
Diante dessa cena, alguns se
indignaram, alguns murmuravam, principalmente Judas: “Por que este bálsamo
perfumado não foi vendido por trezentos denários e dado aos pobres” (Jo
12.5). Sim, tem sempre alguns que querem questionar nossa devoção ao Senhor
Jesus. A Bíblia diz que “José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de
Barnabé (“aquele que dá animo) vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e
colocou aos pés dos apóstolos” (Atos 4.36).
Uma pergunta: o que é mais
importante as coisas dessa vida ou a vida eterna? Tem pessoas estonteantes com
as coisas desse mundo, em busca dos prazeres, dos bens materiais, daquilo que
perece nesse mundo. Maria, em contrapartida, buscava as coisas do céu, os
valores eternos, ela estava de olho na eternidade. Não importa o preço, do perfume
derramado, tua presença vale mais.
Lembro-me da minha
juventude, na cidade de Ribeirão Preto, um dia ouvia a voz do meu amado, do meu
Deus, chamando-me para o santo o ministério. Mas, eu tinha que abandonar tudo,
renunciar a boa vida, renunciar o status, ou seja, tinha que quebrar o vaso,
dar toda minha vida a Deus, toda minha vida...
Há certas ocasiões em que a devoção
tem que ser incomensurável, sem medida, extravagante. O próprio Deus brada do céu:
“quebra o vaso”. No deserto Deus solicitou a Moisés a construção de um tabernáculo,
e o povo quebrou o vaso, doando ouro, prata, tudo o que era necessário para a
confecção da tenda. Salomão, fez uma magnifico santuário, um templo suntuoso de
adoração: “Quebre o vaso”.
Você já imaginou a nova
Jerusalém que desce do céu, como ela é linda, como ela é bela. É brilhante como
jaspe, clara como cristal, seus muros são grandes e altos com doze portas de pérolas.
O muro era de jaspe; a cidade de ouro puro; o muro tem doze fundamentos: jaspe,
safira, calcedônia, esmeralda, sardônico, sardio, crisólito, berilo, topázio,
jacinto, ametista...etc. Deus enxugará dos nossos olhos toda lágrima, a morte
não existirá, nem luto”. “Quebra o vaso”.
“Derramou todo o bálsamo...”. Não
tem toalha, ela desata seus longos cabelos e enxuga os pés de Jesus. Desatar o
cabelo, era uma atitude particular, as mulheres desatavam em casa, o talmude
ensina que o marido poderia pedir o divórcio se a mulher desatasse o cabelo em público.
Mas, aqui, no meio de todos, ela desata seus cabelos e começa enxuga seus pés. Não
somente enxugar, mas suas lagrimas “molharam os pés de Jesus”.
Conclusão
O evangelista Marcos relata
as últimas palavras de Jesus sobre essa devoção incomensurável: “Com toda
certeza Eu vos asseguro: onde quer que o Evangelho for pregado, por todo mundo,
será também proclamada a obra que esta mulher realizou, e isso para que ela
seja sempre lembrada” (Mc 14.9). E você tem quebrado o vaso? Essa mulher
ela quebrou o vaso valiosíssimo e derramou aos pés de Jesus. Ela ficou com seu
nome na história. Abraão estava em Ur dos Caldeus, mas Deus chamou.... ele
quebrou o vaso. Moisés estava no deserto e Deus apareceu numa sarça ardente e
ele quebrou o vaso...












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