sábado, 3 de outubro de 2026

 Mergulhando no rio de Deus Ez 47.1-7 

Ezequiel era filho de Buzi, sacerdote. Fora levado ao exilio na Babilonia, com 25 anos de idade. Quando estava com trinta anos, viu “...viu uma terrível tempestade vinda do norte...”, no meio dessa tempestade “...viu quatro seres viventes”, são os querubins de Deus, que guardam a santidade do Eterno. Viu também rodas “...reluziam como berilo e seus aros estavam cheios de olhos”. As rodas obedeciam ao movimento do Espirito Santo de Deus; por cima de tudo, ele viu o trono de Deus “uma figura que parecia homem”, que reluzia e resplandecia como fogo. Diante dessa visão maravilhosa, diz-nos: “...coloquei o rosto no pó”; todo seu corpo tremia e não conseguia ficar de pé diante da face de Deus.

1)     Um homem com uma vara de medir

No capítulo 37 o profeta Ezequiel é transportando no vale de ossos secos, ossos sem vida, inumeráveis, ele profetiza sobre os ossos;  capitulo 38 ainda está no vale profetizando para Gogue e Magogue e no capitulo 39 continua no vale. Mas no capítulo 40, a mesma mão que havia levado o profeta para o vale, agora, a mão do Senhor colocou-o sobre um monte muito alto. Nesse monte, ele viu alguém no templo “...um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo um cordel de linha na sua mão e uma cana de medir, e estava em pé na porta” (Ez 40.3).

Diz-nos o texto: “O homem me levou de volta até a entrada do Templo. Debaixo da entrada, saia água que corria na direção leste...a água corria por baixo do lado sul do templo, ao sul do altar” (Ez 40.1). Essas águas correm do trono de Deus, representa ou simboliza a presença do Espírito Santo. Essas águas estão fluindo, todos os dias. Não se condiciona ao ser humano, pois vem do próprio Deus. Essas águas representam o poder de Deus, o dínamo de Deus, a força de Deus na história humana. Nós precisamos dessas águas sobre nossas vidas.

Uma pergunta: “Quem é este homem?” “...cuja aparência era como a de bronze?”. Este homem é uma teofania, é uma manifestação do próprio Deus em forma humana. Quem é este homem? Que carregava um “...cordel de linha na sua mão e uma cana de medir, e estava em pé na porta”? Esse homem é o mesmo que apareceu para João na ilha de Patmos: “Os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha” (Ap 1.15). É o mesmo que apareceu para Moisés, no meio de uma sarça que não sem consumia. É o mesmo que apareceu para Jacó, no vale de Jaboque. É o mesmo que apareceu à Manoá, para anunciar o nascimento de Sansão, o seu nome é Maravilhoso.

Quem era esse homem? É o mesmo homem que apareceu para Josué ao pé da muralha de Jericó, com uma espada nua em sua alma. Ele é o capitão do exército do Senhor. Quem é esse homem? É o mesmo homem que quando Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não quiseram adorar a imagem feita por Nabucodonosor e foram lançados na fornalha de fogo ardente, esse mesmo homem apareceu no meio da fornalha e andava com eles.  Esse homem é Jesus, o verbo de Deus, aquele que era, que é e que há de vir.

2)     Medindo a esfera da nossa ação

“O homem saiu para o oriente, levando a mão uma corda de medir; ele mediu mil côvados e me fez passar pelas águas que batiam na altura do tornozelo” (Ez 47.3). Olha o que o texto diz: “...e me fez passar”. Estamos aqui pela misericórdia de Deus, é Ele que chama, é Ele que salva, é Ele que capacita, é Ele que batiza com Espirito Santo. Não é por nós, mas por Ele; não é pelo nosso esforço, mas pela morte dEle na cruz do calvário. Tudo é para Ele, tudo é para glorificar o Nome dEle. O apostolo Paulo afirma em Efésios: “Pois pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).  Mas, é somente o começo da vida cristã.

“De novo mediu mil côvados e me fez passar pelas águas, que batiam na altura dos joelhos...”. Toda medida na vida cristã, nunca é definida por nós, mas sempre é definida por Deus. Primeiro, o homem mediu mil côvados e chegou no tornozelo; agora, mede mais mil côvados e vai na altura do joelho. A vida cristã não é estagnada, não é parada, estacionada, quanto mais você anda nas águas do Espírito mais profundidade tem para você.

Tem irmãos que estão na presença do Senhor faz tempo, mas continua com as águas no tornozelo, ainda estão contando sempre as mesmas experiencias.  Mas, tem irmãos que chegaram bem depois, no entanto, mergulharam mais profundamente nas águas do Espírito; saíram do tornozelo e já estão com ás aguas no joelho. São pessoas que tem prazer de orar, são pessoas que gostam de aprender, são pessoas abertas ao novo de Deus. Mas, ainda não é o suficiente.

Tem mais, “outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas, que batiam na cintura” (Ez 47.4). Primeiro, levou-me até o tornozelo, depois levou-me até o joelho e agora, as águas estão nas cinturas. Fala de uma experiencia mais profunda com Deus, fala de uma comunhão significativa com Deus, fala de uma entrega a Deus. Mas, ainda estamos no controle da situação. Pois, entramos até o tornozelo, estou no controle da situação; entrei até cobrir os joelhos, mas ainda estou andando por cima das águas. Agora, cheguei a cintura, já aprofundei significativamente na minha vida cristã.

Todas as medidas eram iguais, mas os níveis diferentes. Mil côvados, mil côvados, mil côvados, mas o nível era outro. Pra você mudar de nível é necessário caminhar, movimentar. Quanto mais você caminha, mais você vai desaparecendo nas águas, desaparecendo. Nunca é para aparecer, nunca é para chamar a atenção para si. Mas, quanto mais desce, mas o nome de Jesus é glorificado. quer ser profundo, mas não ora, não desce, quer ser profundo, mas não se dedica.

Conclusão

Quando pensamos que nos aprofundamos suficientemente na vida cristã, Deus lhe diz: “...mediu mais mil côvados, e era um rio, que eu não podia atravessar; pois as águas tinham subido, tornando-se um rio que não se podia atravessar, a não ser a nado” (Ez 47.5). Ezequiel não foi e o texto diz: “Então me levou e me fez voltar à margem do rio” (Ez 47.6). Do outro lado havia abundância de arvores, as águas que descem do templo, fazem as águas do mar morto se tornar águas saudáveis; do outro lado existe vida de todas as espécies; do outro lado existe abundância espiritual e material, até os pântanos se tornarão saudáveis. Do outro lado tem todos os tipos de frutos que servem de alimento...

Mas, Ezequiel não quis ir para o outro lado, ficou com medo. Porque quando você se lança no rio de Deus, teria que ir pra onde o rio te lançar. Isso não queremos, porque não queremos perder nossa autonomia. Quando mergulhamos, perdemos nossa vontade, e fazermos o que o rio quer. Quando você se deixa levar pelo rio, não tem mais condicionalidade, mas faz a vontade de Deus. Se deixa levar pelo rio, deixa o Espirito lhe guiar.

 

 C.S. Lewis e o livre arbítrio. 

C.S. Lewis em seu livro “Cristianismo puro e simples” fala sobre o livre-arbítrio humano. Ou seja, o ato do ser humano decidir, ser sujeito de sua própria história. Ele começa afirmando que “Deus criou os seres humanos com livre-vontade, e isso significa que temos opção de fazer o bem e o mal”, ou seja, de decidir, senhor de sua história, da nossa história. “Ser alguém livre para ser bom, ser alguém livre para ser mal”.

Então, diante desse fato aterrorizante, ele pergunta: “Porque então Deus concede a livre vontade, ou livre-arbítrio?” e responde: “Porque a livre-vontade embora possibilite o mal, também é a única coisa que torna possível todo amor, toda bondade ou toda alegria”. “Um mundo de robôs”, diz C.S. Lewis, “dificilmente valeria a pena ser criado”. O amor consiste justamente no fato de termos liberdade, senão seria algo tirânico, religioso, impessoal.

O que é felicidade, segundo evangelho de Mateus é bem-aventurado, para Lewis “a felicidade que Deus designou para suas criaturas superiores”, ou seja, os seres humanos, “é a felicidade de estar em união com Ele, livre e voluntariamente em êxtase de amor e prazer, que comparado com o amor arrebatador entre homem e uma mulher nesta terra, este último seria água com açúcar. E para isso eles tem de ser livres”. A felicidade então é a junção entre Deus e o ser humano, não na base da imposição, do dever, mas na base no amor. E essa felicidade está acima da felicidade entre um homem e uma mulher.

Mas, lewis, vai mais longe, afirmando: “É evidente que Deus sabia que a liberdade seria usada de forma errada. Talvez nos sintamos inclinados a discordar dEle, mas quem somos nós para discordar de Deus?”. Grande pergunta, quem somos nós, criatura finitas, pecadoras, egoístas para discordar de Deus. Ele diz: “Ele é a fonte da qual vem todo o poder de raciocínio. Você não poderia estar certo e ele, errado, da mesma forma que um riacho não pode correr no sentido contrário a sua própria nascente”.

Quanto melhor for a matéria de que uma criatura tenha sido feita – quanto mais inteligente, forte, livre ela for – melhor ela se tornará se seguir o caminho certo, mas, também, pior se tornará quando seguir o caminho errado.

Em seguida, ele pergunta: Como o ser humano se corrompe, ou, melhor como o ser humano segue o caminho errado? Lewis responde: “no momento em que você tem um ego, surge a possibilidade de colocar a si mesmo em primeiro lugar – de querer ser o centro – que é o desejo, na verdade, de ser Deus. Esse foi o pecado de Satanás, e esse foi o pecado que ele ensinou á humanidade”. O que Satanás colocou na mente dos seres humanos foi a ideia de que eles poderiam “ser como deuses”. Sim, foi isso que a serpente falou para Eva, no Jardim do Eden.

"Como se pudessem estruturar-se por si mesmos, como se tivessem criados a si mesmos -, ser os seus próprios guias – inventar uma espécie de felicidade para si fora de Deus, à parte de Deus. É dessa tentativo desesperada veio praticamente tudo o que chamamos de história humana: dinheiro, pobreza, ambição, guerra, prostituição, corrupção, divisão social, impéios, escravidão. Isto é, a longa e terrível história do homem tentando encontrar a felicidade em algo diferente de Deus". 

Por fim, C,S. Lewis, afirma que “Deus nos criou, Deus designou o ser humano para funcionar à base dele mesmo. Ele mesmo é combustível que nossos espíritos foram designados para queimar, ou o alimento do qual nossos espíritos foram designados para se alimentar. Essa é a razão pela qual simplesmente não adintar pedir a Deus para nos fazer felizes do nosso jeito. Deus não pode nos dar felicidade e paz à parte de si mesmo....". Finalmente, a única maneira de ser feliz, é com Deus, fora de Deus é impossível.

 

  

terça-feira, 29 de setembro de 2026

 Saia da janela Atos 20.1-10 



Introdução

Da última vez, o apostolo Paulo, estava na cidade de Éfeso no duelo entre Deus e a deusa Diana. Por causa da perseguição que se levantou contra ele nessa cidade “...partiu para Macedônia” (At 20.1). Mas, o apostolo não estava sozinho, “...Sópatro...de Bereia; Aristarco e Secundo, de Tessalônica; Gaio de Derbe; e Timóteo, além de Tiquico e Trófimo da província da Ásia” (At 20.4). No verso 6 tem novamente “nós”, entendendo que Lucas estava nessa caravana. 

Aristarco é mencionado em Atos 19.29 e Paulo o chama de “companheiro de prisão” (Cl 4.10) e um de seus “colaboradores” (Fm 24). Tiquico é mencionado como

“irmão amado e servo fiel do Senhor” (Ef 6.21) e como alguém que Paulo envia a outras igrejas (2 tm 4.12). Todos esses nomes representam o sucesso do trabalho missionário de Paulo nas províncias da Macedônia, Galácia e Asia. Essa lista de nomes exemplifica a declaração de Paulo de que proclamou totalmente e evangelho de Cristo “desde Jerusalém e arredores, até Ilírico” (Rm 15.19).

1)     Trôade

“...em Troâde, onde ficamos sete dias”. Nesta cidade o apostolo Paulo tivera a visão do macedônio lhe dizendo: “Passa a Macedônia e nos ajuda” (ATOS 16.9). Novamente o apostolo Paulo com sua equipe de obreiros pararam nessa cidade, ficando sete dias. “No primeiro dia da semana, quando nos reunimos para partir o pão...”. Era “o primeiro dia da semana”, ou seja, domingo. O domingo passou a ser chamado de Dia do Senhor, pois nesse dia Jesus ressuscitou dentre os mortos. Também foi no primeiro dia da semana que o Espirito Santo desceu sobre a igreja (Atos 2.1). O apostolo João, estava na ilha de Patmos e diz: “E, no dia do Senhor, achei-me exaltado no Espirito” (Ap 1.9). 

Estavam participando de um culto de domingo à noite, era culto da ceia do Senhor e Paulo estava pregando a Palavra de Deus. Como sabia que partiria à luz do dia, pregou até a meia-noite, em uma sala iluminada de muitas candeias. O apostolo Paulo era apaixonado em pregar a Palavra de Deus, ele discutia, anunciava, falava do grande amor de Deus, em todos os cantos. Em Filipos ele pregou perto do rio; em Tessalonica pregou na sinagoga; pregou em Bereia e em Atenas; pregou em Corinto, a capital do sexo; pregou em Éfeso, na terra da deusa Diana dos Efésios. E, agora, está em Trôade, era um culto de domingo, um culto de ceia do Senhor. O ato de partir pão traz à lembrança a última ceia de Jesus antes de sua morte, agora a ceia do Senhor (1 Co 11.20). 

O discurso que se estende “até a meia-noite” é um exemplo concreto do que Lucas quer dizer quando relata em 20.2 que Paulo falava “muitas palavras de encorajamento”. Ele não tinha muito tempo para ficar com eles, e aproveitava da melhor maneira possível as horas de que dispunha para ensinar as igrejas. E ainda mais: falar noite adentro é impressionante e dá testemunho de sua dedicação a seu chamado e do poder do Espírito Santo sobre sua vida.

O texto diz que estavam reunidos no terceiro andar. A sala estava quente e lotada e “havia muitas tochas iluminando a grande sala”, enquanto os crentes, sentados, louvavam, testemunhavam, adoração e ouviam Paulo ensiná-los. Um jovem Êutico nome que significa “afortunado” – subiu na janela e tentou ficar acordado com a brisa fresca que soprava do Mar Egeu. Seus esforços foram em vão, pois ele mergulhou em um sono profundo. “Adormeceu profundamente durante o longo sermão de Paulo” (At 20.9). 

Sabemos que ficar na janela no terceiro andar é muito perigoso, pode cair. Mas, infelizmente, o ser humano namora com o perigo. Mais uma coisa, enquanto, todos estavam prestando atenção nas palavras do apostolo Paulo, o jovem Êutico, não estava conectado com o culto, estava sonolento. Deus nos chama par acordar, para despertar do sono, pois a sua vinda está mais próxima do que quando aceitamos a Cristo Jesus.

Êutico deve ter chegado mais tarde, deve ter procurado um lugar para se sentar, olhou em todos os cantos, olhou em todos os bancos, em todas as cadeiras, mas todos os lugares estavam tomados pelas pessoas. Diante disso, o Diabo sussurra em nossos ouvidos que não existe um lugar para nós, que esse lugar já está fechado, que não tem mais espaço. No entanto, sabemos que sempre tem um lugar, sempre tem uma cadeira, sempre tem um banco disponível. Esse é o local que nós precisamos, a igreja, o ajuntamento, quando todos se reúnem. É o local de cura, de salvação, de restauração, é o local em que Deus fala conosco!

Já que não tem lugar para se sentar, vou me sentar na janela. Da janela dá pra ver a rua, ver as pessoas passando por baixo, dá para ver os homens e as mulheres, ou seja, quem está na janela está sempre espiando do lado de fora. Ficar na janela é ter atenção dividida, e o coração entre dois pensamentos, coxeando entre dois pensamentos. Mas, do lado de dentro, tem culto, tem presença, tem o apostolo Paulo pregando, tem aleluias, tem gloria a Deus. O Espírito está movendo do lado de dentro, movendo no meio dos louvores e da pregação. 

Hoje temos uma geração que está se sentindo confortável na janela. Uma geração sem convicção. Como a geração do profeta Elias: “Ouçam. Até quando vocês estarão mornos? Por quanto tempo vão vacilar ou hesitar? Não é possível seguir dois caminhos” (1 Rs 18.21). Uma geração que não experimentou o sobrenatural de Deus; uma geração que não sabe o que é o batismo com Espirito Santo; a pessoa que está na janela não tem foco; a pessoa que está na janela é facilmente conduzido por outros. E quando chega na igreja está com sono, está desatento, não está focando no culto que acontece. 


 Mas, não podemos nos acomodar, não podemos ficar na janela, não podemos ficar titubeando entre dois pensamentos. É hora de servir ao Senhor, buscar a sua presença poderosa. Tem que estar do lado do Senhor. A salvação é preciosa, custou o sangue de Nosso Senhor; fomos resgatados do pecado, depois fomos batizados com Espirito Santo. sentimos a presença maravilhosa do Senhor nos inundando, nos dirigindo, nos capacitando, nos concedendo dos espirituais, nos abençoando em todos os sentidos.

2)     Queda

“Adormeceu profundamente durante o longo discurso de Paulo. Vencido pelo sono, caiu do terceiro andar. Quando o levantaram, estava morto” (Atos 20.9).  Nenhuma queda acontece do dia para noite. O processo da queda é lento. As pessoas falam: “o fulano caiu”. Mas já vinha caindo há algum tempo. E Êutico caiu da janela! Quem cai de janela cai para fora, não para dentro, caiu do terceiro andar e morreu na mesma hora!

Jesus escrevendo para a igreja de Éfeso admoestou: “Lembre-se de onde caíste” (Ap 2.5). Depois, diz: “arrepende-Te”. Arrependimento não é remorso, não é sentimento, é decisão, é atitude, é responsabilidade,  de se levantar, voltar para Deus e deixar o pecado.

Êutico caiu do terceiro andar, no meio do culto, no meio da pregação. A pior coisa que pode existir no meio do povo de Deus, é gente que frequenta a igreja, gente que canta nos grupos da igreja, gente que frequenta escola dominical, mas que está sentado na janela. Está brincando com sua fé, achando que pode viver assim e que nada lhe acontecerá. A pior coisa que pode existir é crente na igreja, nos bancos, nos púlpitos, vivendo a vida do jeito que quer, achando que nunca vai prestar contas para Deus.

A pior coisa que pode acontecer na igreja é crente que perdeu o temor de Deus. Perdeu o respeito por Deus, perdeu a reverencia, Deus não significa mais nada. Tanto faz, tanto fez! 

Mas, quando Êutico caiu da janela, a igreja não ficou indiferente, apática, sem compaixão. “Paulo desceu, inclinou-se sobre o rapaz e o abraçou, dizendo: Não fiquem alarmados! Ele está vivo!” (At 20.10). O apostolo Paulo desceu do terceiro andar, onde estava o corpo do jovem e viu que o rapaz estava morto, sem vida. Do mesmo modo, que o profeta Elias fez com o filho da viúva, envolveu seu corpo no corpo do menino, assim, o apostolo Paulo, envolveu seu corpo sobre o corpo do menino sem vida. 

E diz, para toda igreja reunida: “Não vos alarmeis, pois sua alma vive”. O Espírito ainda está nele...ainda tem vida ai, ainda vive, ainda respira, ainda tem história, ainda tem esperança...

Conclusão

Hoje é noite de você sair da janela para ter um encontro com Deus, é noite de decidir, é noite de decisão, é noite para experimentar o milagre de Deus em sua vida; é noite de sair da janela para ser batizado com Espirito Santo, é noite de sair da janela porque Deus quer se manifestar em sua vida. Entenda, meu irmão: O que está aqui dentro é mais importante do que está lá fora, nada do que tem do lado de fora da janela lhe saciará, nada lhe será suficiente, somente Deus é suficiente em sua vida! 



 

 

 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

 Duelo de deuses – Atos 19.1-19 


Introdução

O apostolo Paulo está em sua segunda viagem missionária. Passou por Tessalônica, onde pregou o evangelho na sinagoga por três semanas  e muitas pessoas se converteram a Cristo como mulheres proeminentes da sociedade. Por causa da perseguição dos judeus, ele foi para Atenas, a capital do conhecimento, da filosofia, tomadas por deuses, da democracia. Lá disputou o evangelho nas sinagogas, com os estoicos e epicureus na ágora. Depois, passou em Corinto, cidade imoral, ficando um ano e oito meses. Por fim, o apostolo Paulo, chega na cidade de Éfeso para pregar o evangelho.

1)     Éfeso

Éfeso estava localizada no centro de todas as áreas do ministério do apostolo Paulo, ficava na encruzilhada entre Tessalônica, Corinto, Filipos e Antioquia da Psídia. A população da cidade girava em torno de 200 mil habitantes, que fazia dela a quarta maior cidade do império Romano.  A cidade ficava perto da foz do rio Caíster, no local em que desaguava no Mar Egeu, ficava entre os montes Pion e Coressus. Como cidade portuária era um centro comercial importante. 

Éfeso era mais famosa pelo templo de Ártemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo e o maior templo grego da antiguidade, era quatro vezes maior do que o Partenon em Atenas. O templo ocupava uma área de setenta metros por 130 metros; nele havia 127 colunas, cada uma com aproximadamente dois metros de diâmetro e vinte metros de altura. Multidões de adoradores faziam peregrinações a Éfeso toda primavera para o festival anual de Artemísia. 

O filosofo grego Estrabão observou certa vez: “Ártemis tem esse nome pelo fato de fazer as pessoas artemeas”. A palavra grega artemeas significa “são e salvo”. Esse anseio pela sensação de segurança e bem-estar é um poderoso motivador de adoração, definindo o que as pessoas adoram e porquê. De fato, inscrições para Ártemis aclamavam-na como “salvadora” e “redentora”, ela era vista como detentora de um domínio cósmico sobre poderes sobrenaturais e demônios. 

Essa cidade era famosa por suas práticas de magia. Os arqueólogos encontraram inúmeros pergaminhos, amuletos e encantamentos, conhecidos como “escritos efésios”. Usavam esses artefatos para afastar espíritos malignos, para as pessoas viajar com segurança, concedia filhos para mulheres engravidar, e dava sorte no amor. A magia era usada para exorcismos invocando-se os nomes dos espíritos ou divindades superiores.

2)     O ministério de Paulo

Quando o apostolo chega em Éfeso, diz o texto: “Ali encontrou alguns cristãos e perguntou: Quando vocês creram vocês receberam o Espirito Santo” (At 19.2).  ou, “Foste batizado com Espírito Santo quando crestes?” (Atos 19.2). Ao que responderam: “De forma alguma, nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo”.  Quando lhes perguntou qual batismo receberam, eles responderam que havia sido “o batismo de João” (At 19.3). Da mesma forma, em Atos 18, fala de Apolo: “...um judeu natural de Alexandria, homem eloquente e que acumulava, grande experiencia nas escrituras” (At 18.24). 

Conhecia os fatos a respeito de Jesus, era pregador fervoroso, “fervoroso no espírito”, avivalista, no entanto, seu conhecimento, como os discípulos em Efésios, estava limitado ao “batismo de João”. somente conhecia o batismo de arrependimento de pecados, regeneração, que João Batista estava pregando no rio Jordão. Então, Priscila e Áquila “...lhe expuseram com mais precisão o caminho de Deus” (At 18.26).

“Então Paulo lhes explicou: o batismo realizado por João foi um batismo de arrependimento. Ele ordenava ao povo que cresse naquele que viria depois dele, ou seja, em Jesus” (Atos 19.4). Este é o batismo das águas, do arrependimento, do perdão de pecados, é um batismo necessário, como Jesus disse em seu ide: “Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crê será condenado” (Mc 16.16). 


Agora, tem que ir para frente, vocês têm que receber o batismo com Espírito Santo. Tem uma promessa, como disse o apostolo Pedro: “Nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre todos os povos, os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões; os velhos terão sonhos” (At 2.17). Então, diz o texto: “Quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo veio sobre eles, e falaram em línguas e profetizaram. Eram todos cerca de doze” (At 19.6-7). Como aconteceu no dia de Pentecoste, como aconteceu com os samaritanos, falaram em línguas e profetizaram, o que confirma a realidade da presença do Espirito Santo. 

Quando os judeus não quiseram receber a mensagem do apostolo Paulo, então “começou a falar diariamente na escola de um homem chamado Tirano” (Atos 19.9). O apostolo Paulo pregou nessa escola durante dois anos “até que todos os moradores da província da Ásia...ouviram a mensagem do Senhor” (At 19.10). De manhã Paulo trabalhava como fazedor de tendas e a tarde ensinava a Palavra de Deus na escola. O evangelho expandiu para Colossos, Laodiceia, Hierapolis, no vale do Rio Lico.

“Deus, pelas mãos de Paulo, fazia maravilhas extraordinárias a ponto de levaram aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vítimas, e os espíritos malignos se retiravam” (At 19.11-12 ARA). O ministério do apostolo Paulo não só resultou na expansão do evangelho para Efésios e cidades vizinhas, mas também foi uma demonstração do poder de Deus sobre deuses e deusas dos efésios (At 19.11-18). A palavra grega traduzida nesse versículo por “extraordinários” significa “fora do comum”. As peças de roupa ou lençóis que Paulo usava eram levados aos doentes, as pessoas eram curadas, sem terem tido contato direito com o apostolo. 

“E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o Nome do Senhor Jesus sobre pessoas possuídas de espíritos malignos, dizendo: _Ordeno que saiam pelo poder de Jesus, a quem Paulo prega. E os que faziam isso eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes” (At 19.13 ARC).  Duas coisas importantes a considerar: as forças e os poderes “principados e potestades” que atual nesse universo não são apenas impessoais, mas são seres espirituais.  Esses seres espirituais afetam a vida das pessoas. Segundo, nesse universo há um Nome que é respeitado, reverenciado pelas forças espirituais, que é o Nome de Jesus.

“Mas o espírito maligno lhes respondeu: _Conheço Jesus e sei quem é Paulo; mas vocês, quem são?” (At 19.15). Sim, conhecemos Jesus, mas não reconhecemos a autoridade de vocês. Portanto, os “principados e potestades” não apenas reconhecem a autoridade do Nome de Jesus, mas também quem pertence a Ele “...sei quem é Paulo”. Quem é de Jesus, quem pertence a Jesus, quem foi comprado no sangue de Jesus tem legitimidade para usar o Nome de Jesus. 

Dito isso, atacou os homens espancando-os severamente até que fugiram, nus e aterrorizados” (At 19.16). infelizmente, tem muita gente zombando do Nome de Jesus, pessoas que indevidamente usam o Nome de Jesus, em vão! Aqueles homens foram humilhados, envergonhados e o Nome de Jesus foi glorificado na cidade de Efésios (Atos 19.17). Os moradores da cidade “...ficaram com muito medo. Isso fez que o Nome de Jesus fosse ainda mais respeitado” (At 19.17).

Conclusão

  O nome de Jesus foi engrandecido, as pessoas entregaram publicamente os seus instrumentos, os seus livros, os seus artefatos de ocultismo e de práticas religiosas exotéricas e queima em praça pública e valor de tudo o que foi queimado chega a 50 mil dracmas, ou seja, 50 mil diárias de um trabalhador comum.  (Atos 19.17-19 ).

O que é isso: uma declaração de posição no mundo espiritual. Aquilo que eu usei para servir outros espíritos eu queimo e jogo fora, é importante que façamos isso. Ou seja, estou rompendo a todos os espíritos que eu me relacionei, a partir de agora, o meu Senhor é Jesus Cristo, somente Ele. 


 

domingo, 20 de setembro de 2026

 Venham a mim – Mt 11.28 

No mês de setembro, estamos falando sobre o suicídio. Antes do suicídio vem a depressão. O que é a depressão? É quando a vida não tem sentido, quando não vale a pena viver; tem pessoas depressivas que ficam pesquisando maneiras para se suicidar. Por dia mais de 38 pessoas se matam no Brasil. Temos visto, diante dos nossos olhos, pessoas se matando em nossa cidade e tem aumentado assustadoramente o número de adolescentes e jovens que tiram a própria vida.  O que fazer diante disso?

Nós temos um convite da parte de Jesus: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). Ou: “Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, eu lhe darei descanso” (NTLH).  O grande músico Handel, expressou em sua obra “Messias”: “Ele alimentará seu rebanho como um pastor; venham a Ele”. Esse apelo “Venham a mim” é a parte mais conhecida do capítulo 11 de Mateus, é a parte mais lida em nossos púlpitos. O texto contém dois convites endereçados a nós (v.28,29) e duas afirmações sobre Jesus que fez sobre si mesmo (vs 25 à 27), do evangelho de Mateus.

1)     Duas Afirmações

A primeira, Deus é revelado por Jesus Cristo: “Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar” (v.27). ou seja, a única forma de conhecer a Deus, é através de Jesus, Deus é revelado em Jesus Cristo. No evangelho de João, lemos: “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus unigênito, que está junto do Pai, que o tornou conhecido” (Jo 1.8). Também, no evangelho de João, quando Tomé perguntou: “Como podemos saber o caminho? Jesus respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar ao Pai a não ser por mim” (Jo 14.6). Olha a ênfase de Jesus “ninguém...a não ser por mim”. Somente Ele é a ponte que nos leva ao Pai.

O apostolo Pedro afirmou em Atos 4.12: “E não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há outro nome entre os homens pelo qual devamos ser salvos”. O apostolo Paulo em sua primeira carta ao jovem Timoteo afirmou: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, o homem” (1 Tm 2.5). A passagem de apocalipse, capitulo 5, fala sobre o desespero do apostolo João diante de um livro fechado por dentro e por fora e ninguém fora achado digno de abrir o livro e olhar para ele.

“Mas não havia ninguém nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra que pudesse abrir o livro e ver o que estava escrito”. Vejam, não havia ninguém no céu, nem na terra e nem debaixo do céu. Então, um dos anciãos me disse: “Não chore. Olhe! O leão da tribo de Judá, o famoso descendente do rei Davi, conseguiu a vitória e pode quebrar os sete selos e abrir o livro” (Ap 5.5).

A segunda, Jesus diz: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas dos sábios e instruídos e as revelastes aos pequeninos” (Mt 11.25). Nas palavras de Jesus “pequeninos” ou “simples” são aqueles que o buscam com sinceridade e humildade. Destes Deus se deixa achar; dos orgulhos, arrogantes Deus se esconde. Deus é infinito, Deus é Poderoso, Deus é grandioso, quem somos nós perto de seu poder? Quem somos nós, seres humanos mortais, perto daquele que é eterno? Mas, para aos pequeninos, aos simples, aos que se humilham, Deus se manifesta.

2)     Dois convites

“Venham a  mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, eu lhe darei descanso” (Mt 11.28). Este convite é endereçado a todos os seres humanos, todos nós. Ele nos descreve como “cansados e sobrecarregados”, nos comparando como bois carregando arado com um jugo pesado. Assim, todos os seres humanos, estão “cansados e sobrecarregados”, há fardos, temores, medo, ansiedade, angústia, religiosidade, tentações, responsabilidades e solidão.

Há o terrível sentimento de que a vida não tem significado, não tem propósito, não tem sentido. Há fardos de pecados cometidos, consciência pesada, que nada nesse mundo consegue limpar esses fardos. Alguém disse: “Eu entrava no banheiro tão imunda, tão suja moralmente, que esfregava shampoo, sabonete, para limpar o meu pecado, mas era em vão”.

Somente Jesus Cristo pode levar nosso fardo: “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Is 53.6). “Pois ele levou o pecado de muitos” (Is 53.12). “Vejam! É o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). “Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (1 Pe 2.24). “Assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos” (Hb 9.28). 



 As boas novas de salvação é: O Deus Todo-Poderoso nos ama, apesar de nossa rebelião contra ele; ele veio ao nosso encontro na pessoa de seu filho, Jesus Cristo; assumiu nossa natureza e tornou-se um ser humano; viveu uma vida perfeita de amor e, mesmo não tendo pecado em si mesmo, na cruz identificou-se com o nosso pecado e a nossa culpa: “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado” (2 Co 5.21).

“Tomem o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.29-30). Quando vamos a Jesus nosso fardo é retirado e então coloca o seu sobre nós. O que é o jugo de Jesus? É sermos discípulos do seu reino; é nos submeter a sua autoridade. É confessar Jesus como Senhor e Salvador. Nos render totalmente a Ele, depender dEle. Saber que Ele vai cuidar de nós, vai cuidar da nossa vida.

O fardo do mundo é pesado, é cruel, é tirano, é cansativo, tirar nossa essência. Enquanto que o fardo de Jesus é “leve”, nos concedendo uma outra identidade em Cristo. O apostolo Paulo fala: “Aquele que está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas se passaram eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).

 

sábado, 19 de setembro de 2026

 O desejo de casar – Ct 8 

Introdução

Num programa de televisão no qual o homem e a mulher que moram juntos discutiam se deviam se casar. Ele queria, ela não. Ele lhe disse: Por que a gente não casa? Ela atordoada, brava, disse ao homem: “Por quê a gente não precisa de um pedaço de papel para amar um ao outro”. Este pedaço de papel, como todos sabemos, é a certidão de casamento!

1)          Somos assim

A resposta dessa mulher é um retrato da sociedade atual, que chamamos de sociedade liquida, onde tudo que é solido se desfaz. Os valores tradicionais, conservadores são varridos para fora da realidade de muitos homens e mulheres. O que importa, para muitos, é o romance, é o sentimento, é o romantismo. O que importa, para muitos é a aventura amorosa, é a liberdade. Quanto ao casamento de papel passado, quando ao compromisso, à dedicação, isso é coisa do passado.

O rei Salomão em seu livro “Cânticos dos Cânticos”, que escreveu durante seu tempo de mocidade, diferencia o amor verdadeiro com o mero sentimentalismo: Ele diz: “Beije-me o meu amado com os beijos da tua boca, pois os seus afagos são melhores do que o vinho mais nobre”. (Ct 1.1). A expressão “beijo” em Cantares fala de intimidade, aliança, cumplicidade, responsabilidade, verdade, vontade, determinação. Enquanto que “vinho” é sinônimo para diversão, sentimentos, romance, somente prazer, irresponsabilidade, etc.

No capítulo 8, o rei Salomão acentua, intensifica sobre o dever de amar. “O amor é tão forte como a morte, nem as muitas águas conseguem apagar o amor, os rios não conseguem levá-los nas correntezas” (Ct 8). O que é mais certo, para nós humanos, do que a morte? Todos sabemos que um dia morreremos. Assim tão certo como a morte, resoluta, irremediável, que não faz acepção de pessoas, é o amor. Sim, o amor, por mais que tentemos abafá-lo, desacreditá-lo, subestimá-lo, ele é tão forte quanto a morte.

Ele é tão forte que Salomão diz: “Ponha-me como um selo sobre o seu coração, como um selo sobre o teu braço”. Selo fala de aliança, aliança que começou no coração, depois se estendeu para os braços, ou, dedo esquerdo, compromisso, papel passado, responsabilidade. Ele fala sobre a consistência do seu amor: “As muitas águas não podem apagar o amor, nem os rios podem levá-los na correnteza”. Águas falam de situações, provações, dificuldades, enfermidades, tudo pode acontecer na vida de um casal. Ouvimos sempre os votos que são feitos nos casamentos: “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza...”.

“Nem os rios podem levá-los na correnteza”. Vimos as correntezas no Nepal, levando tudo pela frente, levando casas, carros, pessoas, muros, lojas, tudo era que estivesse levado pelas águas turbulentas. Mas, Salomão diz, “nem os rios podem levá-lo na correnteza”. O amor é tão forte que nem as águas e nem os rios consegue apagar o amor, que foi estabelecido por Deus em sua palavra. Ele vai além, em afirmar que nenhum dinheiro do mundo poderia comprar o amor, nenhum cartão de crédito poderia dividir o amor em mil parcelas. Pois, o amor, vem do próprio Deus, aliás, Deus é amor!

O apostolo Paulo fala sobre o amor em sua primeira carta aos coríntios, capitulo 13: “Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, mas não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o címbalo que retine. Se eu tiver do dom de profecia, souber todos os mistérios e todo o conhecimento e tiver uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei. Se eu der aos pobres tudo o que possuo e entregar o meu corpo para que eu tenha de que me gloriar, mas não tiver amor, nada disso me valerá”.

O Novo Testamento foi escrito na língua grega e temos três palavras para amor que coloca em gradação o relacionamento entre um homem e uma mulher. A primeira palavra para amor é “eros” que significa atração, desejo paixão. A segunda palavra é “phileo” que significa companheirismo, estar juntos, ter os mesmos sonhos, sonhar na mesma direção. E a terceira palavra é “agaphe” que pe amor que sela o casamento, é o amor que tirar toda condicionalidade, é como o amor de Cristo por sua igreja.

Promessas ou Juramentos

Eu, Mateus Brasil, venho diante de Deus e de todas as testemunhas lhe prometer o meu amor, não o amor do vinho que é passageiro, mas o amor do beijo que é verdadeiro. Lhe prometo ser fiel nos momentos bons e quando as águas das adversidades vieram contra nós; lhe prometo ser fiel na saúde e na doença, até que a morte nos separe.

Eu, Clara, venho diante de Deus e de todas as testemunhas lhe prometer o meu amor; não o amor do vinho que é passageiro, mas o amor do beijo que é verdadeiro, que real. Lhe prometo ser fiel nos momentos bons e quando as águas das adversidades vierem contra nós; lhe prometo ser fiel na saúde e na  doença, até que a morte nos separe.

 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

 A pornô-Corinto. Atos 18.1-10 

Introdução

O apostolo Paulo está em sua segunda viagem missionária. Depois de passar por Atenas, chegou na cidade de Corinto. Em Atenas, havia uma floresta de deuses, divindades e uma busca constante por novidades, novos conhecimentos. Em Corinto, no entanto, o comércio alimentava a vida da cidade e a sensualidade, a imoralidade sexual dominava todos os cantos. Corinto era conhecida como a cidade mais depravada do seu tempo.

1)    Corinto

Corinto foi a primeira cidade em que o apostolo Paulo residiu por algum tempo (dezoito meses). Quando chegou em Corinto, talvez tenha se sentido um pouco aflito e abalado, como veio a lembrar aos Coríntios, mais tarde, comentando que viera lhes pregar o evangelho “...em fraqueza em temor e em grande tremor” (1 Co 2.3). O tempo que que Paulo passou em Corinto foi um dos mais frutíferos em seu ministério, pois tivera liberdade para pregar o evangelho. 

Corinto era a capital da província da Acaia. Situada em um Istmo estreito entre as regiões norte e sul da Grécia; Corinto ficava numa encruzilhada natural para quem viajava por terra ou pelo mar. Sua população era de 250 mil pessoas e havia uma grande mistura de raças, línguas e culturas (grego, latino, sírio, asiático, egípcio, judeus), de diferentes classes sociais: escravos, libertos, burgueses e pobres e profissões: investidores, mercadores, ambulantes, marinheiros, filósofos, ex-soldados etc.

Havia os jogos ístmicos que eram uma série de competições atléticas e musicais dedicadas ao deus Poseidon, e eram o segundo evento mais popular depois das Olimpiadas. Em Corinto, o apostolo Paulo, trabalhou como fabricante de tendas enquanto estava ali; nesses tempos de olimpíadas deve ter sido lucrativo por causa da imensa quantidade de turistas que vinham para participar dos jogos. Em sua primeira carta, ele faz alusão aos jogos olímpicos (1 Co 9.24-27). 

Também, havia, na cidade vários templos dedicados a Afrodite; o mais famoso localizava-se no topo de Acrocorinto, uma pequena montanha que se eleva a cerca de 580 metros acima da planície em que a cidade foi construída. O Historiador Estrabão dia que “o templo de Afrodite era tão rico que possuía mais de mil escravos, e cortesãs, os quais tanto homens quanto mulheres haviam dedicado à deusa”. 

Corinto era a capital da imoralidade sexual, tão infame era a reputação desregrada desta cidade que Aristófanes cunhou a expressão “corintianizar”, como sinônimo de praticar a imoralidade sexual. Corinto era notável por sua independência moral. À semelhança dos hebreus na época dos juízes, cada um fazia o que bem desejava (Jz 21.25). Não havia a quem prestar contas nem leis para obedecer, senão a lei dos desejos. Os impulsos sexuais eram um fenômeno biológico como a fome e, portanto, deveriam ser satisfeitos.

Em Corinto, ficava os principais monumentos a Apolo, deus grego que representava a beleza do corpo masculino. A adoração a Apolo induzia a juventude, não apenas coríntia, mas a juventude grega a se entregar ao homossexualismo do mundo na época. Apolo representava o ideal de beleza masculina, havia estátuas da divindade nu, em diversas posturas, que exibiam seu corpo, inflamando seus adoradores a praticarem o homossexualismo. 

2)    O ministério de Paulo

“Ali, encontrou um judeu chamado Áquila, natural de Ponto, que havia chegado recentemente da Itália com sua esposa Priscila”. Os judeus haviam sido expulsos de Roma pelo imperador; eles eram artesãos em couro, partilhavam da mesma atividade comercial de Paulo. A fé e a vocação comuns os uniram como amigos, colegas de trabalho e cooperadores no ministério do evangelho. O texto diz que Paulo “...passou a morar e trabalhar com eles...” (v.3). Trabalhavam juntos, pregavam o evangelho e moravam na mesma casa. 

“Todos os sábados ele debatia na sinagoga, procurando persuadir judeus e gregos” (At 18.4). A palavra é dilegomai, no grego, discutia, falava, debatia, disputou. Sempre provando para os judeus que Jesus Cristo era o Messias prometido, o filho de Deus. Mas, nos diz o texto: “...se opuseram a Paulo e proferiram insultos, ele sacudiu a roupa em sinal de protesto”. A palavra insulto é blasfêmia, ou seja, caluniaram, amaldiçoaram, desprezaram, desdenharam. Diante dessa atitude desrespeitosa, o apostolo Paulo, “...sacudiu a roupa”, esse gesto significa ruptura com a sinagoga de Corinto. Agora, Paulo vai pregar o evangelho para os gentios. 

O apostolo “Paulo saiu da sinagoga e foi para casa ao lado, de Tício Justo” (At 18.7). A menção de Lucas aos muitos coríntios ouvindo e crendo “...multidão dos coríntios que o ouviam, muitos criam e eram batizados” (v.8), parece adicionar um número de judeus. Deve ter sido uma visão embaraçosa ter a sinagoga silenciosa e vazia, enquanto multidões enchiam a casa ao lado para adorar. Tornou-se ainda mais constrangedor quando o líder da sinagoga, Crispo, também levou sua família ao lado (At 18.8).

Durante esse tempo de abertura e receptividade ao evangelho, que se constituiu um cerne da estada de Paulo em Corinto, Jesus o encorajou com uma promessa de proteção: “Não tenha medo, mas continue falando e não fique calado. Pois eu estou com você, e ninguém levantará a mão para lhe fazer mal, porque tenho muita gente nesta cidade” (At 18.9-10). Então, Paulo continuou pregando evangelho de Jesus e discipulou os crentes em Corinto que cresciam rapidamente em número.

Conclusão

“vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixe enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus”.

Muitos convertidos renunciaram sua vida pregressa e tornaram-se novas criaturas em Cristo. Entre eles havia imorais, adúlteros e homossexuais passivos e ativos, como vemos na epistola de Paulo aos Corintios (1 Co 6.9-11). Para se referir aos homossexuais ativos, o apostolo usa a palavra grega para se referir aquele que toma a iniciativa, ou sodomita. Para se referir aos homossexuais passivos, usa a palavra grega “malakoi”, aquele que se permite usar, efeminado. Ele termina dizendo em sua carta: “Alguns de vocês foram assim. Contudo, foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espirito do nosso Deus” (1 Co 6.11). 

Os três verbos assinalados têm em comum o fato de estarem na voz passiva. O agente da ação não somos nós, mas Deus. Nós somos apenas objetos da ação: é Deus quem nos lavou, é Ele quem nos santifica e é Ele também quem nos justificou. Os verbos ressaltam o contraste entre o passado (o que éramos) e o presente (o que somos em Cristo).

 “Foram lavados”: o primeiro verbo era usado para se referir ao ato de pegar determinados utensílios, objetos, roupas, sujos pela utilização intensa ou indevida, para lavá-los com água corrente (Ap 7.9,13-14).

 No nosso passado podem existir marcar de erros cometidos e de deslizes ocorridos. Estas marcas nos relembram desde nossos erros mais tolos até os mais grotescos. No entanto, quando nos aproximamos de Deus, crendo no que Ele fez por nós naquela cruz, somos lavados completamente.

 “Fomos santificados”: No Antigo Testamento as peças do tabernáculo tinham uma utilização especifica: o serviço a Deus. Quando dedicadas para este fim, aquelas peças eram santificadas, ou seja, separadas para o uso exclusivo do serviço à Deus. O que faz de nós pessoas especiais não é a nossa essência, mas o fato de estarmos engajados neste processo.

  Fomos justificados. “justificar”, tem sua origem no mundo judaico. Quando alguém cometia um deslize contrariando a lei, passava a ter uma pendência para com a justiça. Quando este alguém cumpria a pena determinada ou pagava pelo dano causado à outro, ele era tido como justificado. O que Deus fez? Enviou Jesus para com sua vida e morte na cruz “pagar” nossa divida.