terça-feira, 23 de junho de 2026

 Saulo versus Paulo At 9.1-5 


Saulo nasceu e cresceu em Tarso, a principal cidade da Cilícia. Era uma cidade populosa, prospera e era ladeada pelo monte Tauro, escarpados e cobertos de neve; havia vinhedos exuberantes e terras para o cultivo de grãos e linho. A economia de Tarso girava em torno da indústria têxtil que produzia tecidos de linho fino, mas a cidade era conhecida também pelo tecido grosso, áspero e resistente feito de pelo de cabra, usado para fazer tendas e outros itens. A profissão de Saulo era fazedor de tendas, que vinha de sua cidade natal. 

Seus pais conseguiram a cidadania romana na época do imperador Augusto, que concedeu a Tarso o status de “cidade livre”, ou seja, todos os habitantes adquiriram a cidadania romana. Todo cidadão romano usava uma fórmula de três nomes, como é atualmente. O primeiro nome (Saulo), o sobrenome da família (?) e o cognome correspondia ao nome do meio dos nossos dias (Paulo). O nome Saulo, com certeza em homenagem ao rei famosos da tribo de Benjamim, Saul e lhe deram o cognome de “Paulo”, que era relativamente raro. Paulo em latim é “paulus”, significa “pequeno”, ou “pequenino”, que podia ser alguma qualidade física (tamanho)ou um traço de seu caráter.

1)     Saulo

De Tarso, em sua adolescência mudou-se para Jerusalém, tornando-se aluno de um dos rabinos mais respeitados de sua época, Gamaliel, que era neto de Hilel. Ele fala sobre sua história: “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamin, hebreu dos hebreus; quanto à lei, fariseu” (Fp 3.5). Aqui está toda linhagem de Saulo, passando por todo processo (desde ao oitavo dia de nascimento), até o último processo (fariseu, significa “separados”) o grupo religioso mais importante de seus dias.

Como fariseu, Saulo participou da acusação, condenação e morte de Estevão. Saulo, juntamente com seus pares, ouviram a confrontação do diácono Estevão: “...povo rebelde, obstinado de coração e ouvidos” (At 7.51). Ele não atirou pedras sobre Estevão, mas “...as testemunhas deixaram as suas capas com um jovem que se chamava Saulo” (At 7.58). Ainda era jovem, é justamente na juventude que radicalidade se intensifica, é na juventude que somos tomados pelas “ideologias”.   

Nos diz Atos que depois da morte de Estevão “...a igreja de Jerusalém começou sofrer perseguição... Saulo procurava destruir a igreja. Ele ia nas casas onde eles costumavam se reunir, arrastava para fora tanto homens como mulheres e os pinha na cadeia” (At 8.3-4). Alguns termos que Lucas usa para descrever Saulo é para compará-lo a “um animal selvagem e feroz”. A palavra destruição é empregada no Salmo 80.13: “Os javalis da floresta destroem a sua vinha, e os animais selvagens a devoram”. Saulo, como o javali, queria destruir a igreja do Senhor Jesus. O seu sentido específico é “destruição de um corpo por um animal selvagem”. 

Depois de anos mais tarde, ele dá esse testemunho diante do rei Agripa: “Muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia” (Atos 26.11)

Seu ódio na verdade, não era propriamente contra os cristãos, mas contra Cristo. Ele testemunha ao rei Agripa: “Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas deviam eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno” (At 26.9). Escrevendo ao jovem Timóteo, anos mais tarde, ele confessa: “A mim que, noutro tempo, era blasfemo e perseguidor e insolente ...” (1 Tm 1.13). Seu coração estava cheio de ódio e sua mente estava envenenada por preconceitos. Em suas próprias palavras, ele estava demasiadamente enfurecido.

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor...” (ARC). Ou, “.... Saulo, motivado pela ânsia de matar os discípulos do Senhor...” (NVT). “...respirando ameaças e mortes” faz “alusão ao arfar e ao bufar dos animais selvagens”. Saulo parecia mais um animal selvagem do que um homem. Na linguagem dos crentes de Damasco, Saulo era um exterminador (At 9.21), era um monstro celerado, um carrasco impiedoso, um perseguidor truculento, um tormento da vida dos cristãos piedosos. Em cada pisada de Saulo o evangelho se disseminava, suas brasas quentes, acendiam em outros lugares. Jerusalém, Judéia, Samaria, Damasco...

“...e pediu-lhes cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso encontrasse alguns do Caminho, tanto homens como mulheres, os conduzisse preso a Jerusalém” (At 9.2). Primeiro pediu permissão ao Sinédrio de Jerusalém para extraditar os cristãos que estivessem em Damasco. Esses cristãos são chamados do “...caminho”. O nome talvez tenha origem na citação de Isaias 40.3: “Preparai o caminho do Senhor”, uma referência ao João Batista que viera preceder a vinda do Messias. Também, pode se referir ao que Jesus disse: “Eu sou o caminho...” (Jo 14.6). Ele é o caminho para salvação, caminho para o céu. 

Segundo, escoltados por soldados do Sinédrio, os mesmos que prenderam Jesus, Saulo marcha para Damasco. Marcha para perseguir e prender os cristãos e levá-los como prisioneiros para Jerusalém, a fim de puni-los, exatamente no local onde eles afirmavam que Jesus havia ressuscitados dentre os mortos (At 22.5).

2)     Paulo

Saulo partiu com os soldados em uma jornada de aproximadamente 218 quilômetros, de Jerusalém a Damasco. Quando se aproximavam da cidade, sem aviso, uma luz muito mais brilhante do que o sol os banhou com um brilho ofuscante que derrubou Saulo de Joelhos. “...aproximando-se de Damasco, de repente, uma luz resplandecente, vinda do céu, o cercou” (At 9.3). “...vi uma luz do céu, mais resplandecente que o sol, brilhando ao meu redor” (At 26.12-14).  “De repente” indica que o evento veio sobre eles de forma rápida e inesperada.  

A luz parecia como um feixe ou uma coluna que vinha do céu. O verbo traduzido por brilhou sugere a ideia de relâmpago; a intensidade ofuscou o sol, iluminando tudo naquela área. De acordo com o relato posterior de Saulo, isso ocorrer “por volta do meio-dia” (At 22.6). Essa luz que veio sobre Saulo é um exemplo de teofania, a presença manifestada de Deus. No Antigo Testamento, o Senhor indicou sua presença na forma de uma luz sobrenatural, mais tarde chamada de Shekinah.

Essa luz apareceu para Moisés na sarça ardente (Ex 3.1-3), essa luz conduziu os israelitas pelo deserto numa coluna e se estabeleceu no Monte Sinai na frente do povo. Quando o tabernáculo foi construído, a Shekinah pairou sobre a arca da aliança atrás de um véu espesso no lugar santíssimo (Ex 25.22). Fora a mesma luz que apareceu para Salomão, depois que terminou de orar: “...desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor encheu a casa” (2 Cr 7.1).

De dentro daquela luz, mais forte que o sol, Saulo ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” (At 9.4). Voce não está perseguindo minha igreja, mas está me perseguindo. A igreja é, para Cristo, seu próprio corpo. E quanto às pessoas que Saulo vinha espancando e matando? O Espirito Santo as batizara em Cristo, tornando-as uma unidade com Ele, assim como Cristo é um com o Pai e o Espirito (Jo 17.18-21). Coletivamente, nós, a igreja somos representação visível de Jesus Cristo no mundo! Perseguir a igreja é agredir o Filho de Deus.

Naquela luz, Saulo viu Jesus resplandecente, sim, o próprio Senhor apareceu para ele. Ele escreveu um dos poemas mais belos da natureza de Jesus: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Pois tudo foi criado por ele, no céu e na terra, o visível e o invisível, sejam tronos ou domínios, ou governantes ou autoridades. Todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e por ele todas as coisas subsistem” Cl 1.15-17).

Conclusão, a conversão de Saulo em Paulo

Primeiro, ele viu uma luz (At 9.3). “De repente”, “subitamente” uma grande luz brilhou ao seu redor, tão forte que lhe abriu os olhos da alma e lhe tirou a visão física. Os olhos espirituais foram abertos, mas seus olhos físicos foram fechados.

Segundo ele caiu por terra (At 22.7). O touro indomável, selvagem, estava subjugado. Aquele que prendia, matava, estava preso. Aquele que encerrava na prisão, estava dominado. O Senhor Jesus quebrou todas as resistências.

Terceiro, ele ouviu uma voz (At 9.4). “...Saulo, Saulo, por que me persegues”. A voz do Senhor é poderosa, “...a voz do Senhor é majestosa. A voz do Senhor quebra os cedros do Libano” (Sl 29.4-5). Ela despede chama de fogo. Faz tremer o deserto. Paulo, então, pergunta: “Quem és tu, Senhor? Ao que ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem persegues” (At 9.5). 


 

domingo, 21 de junho de 2026

 O poder de Deus em Efésios Atos 19. 1-7; 11-20 

Assembleia de Deus 115 anos

Em 18 de junho de 1911 a igreja Assembleia de Deus foi fundada no Brasil, completamos 115 anos de história. Dois missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren que moravam nos Estados Unidos receberam uma revelação para pregar o evangelho no estado do Pará. E, assim obedeceram a ordem do Senhor. Começaram na primeira igreja Batista de Belém, depois saíram porque acreditavam nos dons espirituais e na cura divina. O lema dos missionários eram: “Jesus salva, Jesus liberta, Jesus batiza com Espírito Santo e Jesus levará para o céu”.

1)     Jesus batiza com Espirito Santo

Paulo está em Efésios, uma cidade cheia de vaidade, com duzentos mil habitantes. Ali havia a famosa estátua da deusa Diana dos Efésios, deusa da fertilidade. E havia os “pergaminhos de Efésios”, que eram cartas que garantia que pessoas viajasse com segurança, concedia filhos para mulheres estéreis e êxito no amor.

Em Efésios ele encontra alguns discípulos de João Batista, o mesmo que viera para preparar o caminho do Senhor e que tivera o privilégio de batizar o Messias. Agora, anos depois, seus discípulos estão espalhados pela Asia. Então, o apostolo lhes perguntou: “Vocês receberam o Espírito Santo quando creram”? Eles responderam: “Não. Nem sequer ouvimos dizer que há o Espírito Santo”. (At 19.2). Os primeiros discípulos de Jesus foram batizados com Espírito Santo em Atos 2: “...começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o próprio Espirito lhes concedia que falassem” (At 2.4).

Em atos 8, fala de um avivamento que estava acontecendo em Samaria, Deus estava salvando e fazendo sinais e prodígios maravilhosos. Pedro e João oraram por eles para que recebessem o batismo com Espírito Santo. Diz-nos o texto que a medida que “...Pedro e João impunham as mãos recebiam estes o Espirito Santo” (Atos 8.17). O poder de Deus, a unção de Deus, caiu sobre os samaritanos e muitos se converteram ao evangelho de Jesus. E muitos foram batizados com Espirito Santo!

E, aqui no capítulo 19, o apostolo Paulo aborda esses discípulos de João e lhes pergunta: “Foste batizado com Espírito Santo?”. disseram: “de forma alguma nem sequer soubemos que existe o Espírito Santo”. Experimentaram o batismo de João, batismo de arrependimento de pecados. Mas ainda não tinham experimentado a presença maravilhosa, poderosa, ungida, a dinamite, o revestimento de poder. O batismo que inunda nosso ser da presença de Deus.

O apostolo Paulo, logo explica: “O Batismo realizado por João foi um batismo de arrependimento. Ele ordenava ao povo que cresse naquele que viria depois dele, ou seja, em Jesus” (At 19.4). Aliás, João Batista afirmou: “Eu vos batizo com água para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu... ele vos batizará com Espírito Santo e poder” (Mt 3.11).

O texto fala que “Quando ouviram isto, eles foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, quando Paulo colocou suas mãos sobre eles, o Espírito Santo veio sobre todos e eles começaram a falar em línguas e a profetizar. Eram ao todo uns doze homens” (At 19.6).

2)     Jesus liberta e cura

Além de batizar com Espirito Santo, “Deus fazia milagres extraordinários por meio de Paulo, de modo que até lenços e aventais que Paulo usava eram levados e colocados sobre os enfermos. Estes eram curados de suas doenças, os espíritos malignos saiam deles”. (Atos 19.11-12). Sim, Deus estava realizando coisas maravilhosas em Efésios; Deus fazia milagres, as pessoas eram curadas de suas doenças e os endemoninhados eram libertados pelo poder de Jesus.

Havia um espírito na cidade de Efésios, o espirito do mal, espirito do engano, enganando as pessoas. Havia uma luta acirrada entre o bem e o mal. O mal representado por toda sorte de superstição e religiosidade e bem representando pelo apostolo Paulo.

Diz o texto que: “Alguns judeus andavam expulsando espíritos malignos e tentaram o invocar o nome do Senhor Jesus sobre os endemoninhados: em nome de Jesus, a quem Paulo prega, eu lhes ordeno que saiam...um dia, o espirito maligno lhes respondeu: Jesus, eu conheço, Paulo, eu sei quem é; mas vocês, quem são?” E a consequência: “Então o endemoninhado saltou sobre eles e os dominou, espancando-os com tamanha violência que eles fugiram da casa nus e feridos” (At 19.16).

Diante do que aconteceu com aqueles meninos: “...todos foram tomados de temor; e o nome do Senhor Jesus era engradecido” (At 19.17). As pessoas entregavam publicamente os seus instrumentos, os seus livros, seus santos, os seus artefatos de ocultismo e de práticas religiosas exotéricas e queimaram em praça pública, dando 50 mil denários!

Conclusão

O que é isso? Uma declaração publica no mundo espiritual. Estou rompendo com todos os espíritos que eu me relacionei, a partir de agora, o meu Senhor é Jesus Cristo, somente ele. Não podemos temer os poderes espirituais, hoje Jesus está do nosso lado. Hoje não temos medo “do terror noturno, nem da seta que voe de dia, nem da peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que assola o meio-dia” (Sl 91.5-6).

É preciso tomar uma posição, você quer receber o batismo com Espirito Santo, você quer ser salvo pelo sangue de Cristo e você quer ser liberto de todo espirito maligno? É uma tomada de posição...

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

 Um encontro marcado por Deus Atos 8. 26-40 

A igreja iniciou na festa do Pentecoste, com o derramamento de poder sobre cento e vinte discípulos. A igreja vai se expandindo, na pregação de Pedro foram dois mil pessoas; depois três mil pessoas. Os discípulos são perseguidos pelos religiosos, mas são irremovíveis em sua convicção sobre Jesus Cristo. Com a morte de Estevão, há uma perseguição aos cristãos, a igreja se espalha, vai para Judéia, depois Filipe, diácono, vai para Samaria, "o vento da perseguição aumenta a chama". Em Samaria, Deus faz coisas maravilhosas, prodígios e maravilhas e muitas pessoas são salvas pela mensagem do evangelho de Jesus Cristo. Há um avivamento acontecendo em Samaria, Deus estava fazendo coisas maravilhosas, grandiosas. O diácono Filipe pregava e sinais e prodigiosas aconteciam. 

1)     Uma ordem

Mas, no meio do avivamento em Samaria: “Um anjo do Senhor disse a Filipe: vai em direção ao sul para a estrada – a estrada deserta – que desce de Jerusalém para Gaza” (At 8.26). Ou seja, saia do avivamento, saia do holofote e vai para o deserto de Gaza! A presença de anjo era muito comum nos dias da igreja primitiva: anjos anunciam nascimentos (Lc 1.11), fortalecem Jesus (lc 22.43), salvam apóstolos da cadeia (At 5.19), dão direcionamentos relacionados a missões (At 8.26). Agora, o anjo do Senhor, aparece a Filipe a fim de dirigir sua missão. “Apronte-se e vá para o Sul...” (NTLH), “Dispõe-te e vai para o lado do Sul...” (ARA). 

Na estrada deserta indo para Gaza “...encontrou um eunuco etíope, um oficial importante de todos os tesouros de Candace” (At 8.27). Primeiro, ele era eunuco, isto é, um estrangeiro exótico, da distante África negra, onde atualmente fica o Sudão, na região chamada Cuxe nas escrituras. O povo etíope ocupava a região entre o rio Nilo e o mar Vermelho, de Assuã, no sul do Egito.   Ele é rotulado “eunuco” por sua condição como pessoa sem sexo; um homem que tinha sido fisicamente castrado, alvo de desprezo e zombaria por ser considerado efeminado. Segundo “Esse homem era alto funcionário, tesoureiro e administrador das finanças da rainha da Etiópia” (NTLH). 

Havia muito preconceito em relação aos eunucos: Essas pessoas deviam ser excluídas...dos templos...de todos os lugares da assembleia publica...era mau agouro e infortúnio ver uma pessoa dessas ao sair de casa pela manhã. E mais: eunuco não é homem nem mulher, mas algo misto, híbrido e monstruoso, estranho à natureza humana.

“Ele tinha ido para adorar a Deus”. O eunuco fez uma peregrinação para adorar em Jerusalém, apesar das restrições em Deuteronômio 23.1: “Nenhum homem castrado, que tenha esmagado os testículos, ou amputado o órgão genital poderá fazer parte do povo de Deus”. Logo, todo eunuco era proibido de fazer parte do povo de Deus, impedido também de entrar no templo do Senhor.

Ligado ao poder no serviço à rainha, é rico o suficiente para viajar em uma carruagem e ter um rolo do livro de Isaias. Pergaminhos copiados à mão, meticulosamente produzidos por um escriba judeu, custavam uma fortuna. Tudo sobre o homem diz que ele era um adorador devoto do Deus hebreu, bem como um homem com instrução e recursos financeiros.

O Espírito disse a Filipe: _Vá até a carruagem e fique perto dela” (At 8.29 VFL). Filipe obedeceu prontamente, “vá até a carruagem”, significa ação fora do santuário, lá fora, onde está o movimento, na rua, nas estradas e alamedas da humanidade. Lá fora, nos lugares públicos, nas escolas, nas praças. Hudson Taylor, levou o evangelho na China em 1857 e conduziu o evangelho ao Sr. Nyi. Certo dia, este perguntou a Taylor: “Há quanto tempo vocês conhecem o evangelho na Inglaterra?” Taylor respondeu: “Há muitos anos”. Com profundo sentimento, Sr. Nyi redarguiu: “Meu pai morreu sem conhecer o evangelho. Por que vocês não vieram antes?”. 

2)     Entende o que lês?

E estava no caminho de volta para casa. Sentado na sua carruagem, lia o livro do profeta Isaias” (At 8.28). Ele lia as escrituras, estava perplexo, curioso, querendo saber, conhecer. A história que ele lê em Isaias, porém, também fala de alguém que foi humilhado, abatido e tosquiado (cortado), mas foi considerado servo de Deus. As escrituras cativavam sua imaginação, mas ele não consegue entender seu significado pleno. No mundo antigo, não era costume ler silenciosamente, portanto quando Filipe se aproxima, ouve o eunuco lendo e identifica a passagem. Logo, Filipe, lhe pergunta: “O Senhor entende o que está lendo?”. 

“Ele respondeu: Como posso entender sem que alguém me explique?” Para entender as escrituras é preciso estar plenamente fundamentado e ser guiado pelo Espírito Santo.  E convidou Filipe a subir na carruagem e sentar-se ao seu lado” (At 8.31). o texto que ele lia em voz alta era esse: “Ele foi levado como ovelha para o matadouro; e, como cordeiro mudo diante dos tosquiados, não abriu a boca. Na sua humilhação foi privado de justiça. Quem pode falar de seus descendentes? Pois a sua vida foi tirada da terra” (At 8.33).

Então, Filipe, começando com aquela passagem da escritura, anunciou-lhe as boas novas de Jesus” (At 8.35 NVI). Filipe explica que Jesus é a ovelha levada ao matadouro, que foi humilhado, chicoteado, carregou uma cruza pesada na via dolorosa, mas não abriu sua boca. Depois, colocaram-no numa cruz, suas mãos e seus pés foram pregados, na hora da sede deram-lhe vinagre. Morreu naquela rude cruz, com dores excruciantes. Sua morte na cruz, porém, não foi o seu fim. 

A boa notícia é que Deus ressuscitou dos mortos, sim, Jesus ressuscitou, venceu a morte, e o exaltou em glória. Por causa daquilo que Deus fez, ele está destinado a ter membros incontáveis em sua família espiritual.

Depois da pregação Filipe, depois do evangelismo pessoal, de contar a história da salvação. “Seguindo pelo caminho, chegaram a certo lugar onde havia água. Então o eunuco disse: _eis aqui água. O que impede que eu seja batizado?” (At 8.36 NAA). A primeira pergunta que o eunuco fez a Filipe, foi: “Como entenderei se alguém não me orientar? e “De quem o profeta está falando?”. E a terceira pergunta do homem: “Que me impede de ser batizado?”. Alguns com certeza responderiam que sua condição mutilada e suas origens étnicas o impediam.

Mas Filipe não enxerga desse jeito. Filipe lhe diz que por causa da morte e da ressurreição de Jesus, aqueles que haviam sido excluídos não podiam ser deixados de fora do Israel renovado. Ele pode tornar-se parte da família de Deus, que provê um lar para que não tem lar e uma família para que não tem família. Ou seja, o evangelho, segundo Filipe, é para todos, e é boa-nova especialmente para os quebrantados, os desemparados e os estrangeiros. "Então, Filipe e o unuco desceram à água, e Filipe o batizou" (Atos 8.38). E termina afirmando que "...O Espirito do Senhor arrebatou Filipe repentinamente. O eunuco não o viu mais e, cheio de alegria, seguiu seu caminho" (At 8.40). 

Conclusão

O grande desafio da igreja em nosso tempo consiste em ser a família das boas-novas que Jesus prometeu aos que percorrem as solitárias veredas morro abaixo e se perguntam quem é esse cordeiro que morreu e o que ele significa para eles.

A condição vergonha do etíope era publica e, apesar de ter alcançado um cargo elevado na corte da rainha, a vergonha deve ter marcado sua alma. Pois todos tem segredos que consideram vergonhosos, que não são públicos e que desejam esconder. A vergonha pode se tornar semelhante a um câncer que corrói a alma. Amortece suas vitimas com o medo de serem expostas aos preconceitos.

Mas, Jesus, em sua morte humilhante e vergonhosa na cruz, toma sobre si a vergonha daqueles que foram envergonhados e a remove. Todos que depositam nele sua fé e são renovados, perdoados, justificados, santificados e podem recomeçar na confiança de que ele faz novas todas as coisas. A Bíblia diz: “Aquele que está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas se passaram e eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17). 


 

 

domingo, 14 de junho de 2026

 Quem fica de pé? 1 Samuel 4.1-17 

Vivemos uma geração que tem colocado Deus em segundo lugar. Deus não tem tido primazia na vida de muita gente. Gente que não Deus a sério. Queremos viver uma vida de “leveza”, sem compromisso. “Leviano” é alguém que não leva a vida muito a sério. É uma pessoa inconstante, que não finca seus pés em Deus. Ora está na igreja, ora está no mundo. Ora quer se levantar, ora quer ficar no mundo.

Já o termo “pesado”, muitas vezes está associado a algo sério, quando falamos de uma ideia de peso, de um coração pesado, de perdas pesadas, de um baque pesado. Em hebraico, a palavra “glória” (Kaboad) tem a mesma raiz que a palavra “pesado”. A glória de Deus é a extensão de seu peso.  

1)     A gloria de Deus

Em 1 Samuel 4.1, os israelitas saem para lutar contra os filisteus. A história não começa bem. Israel é leviano com Deus. Vai para batalha sem Deus...e perde, quatro mil pessoas perecem nessa batalha. O povo fica desnorteado e depois da derrota na batalha, pergunta: “...porque o Senhor deixou que os filisteus nos derrotassem?”. Não conseguem olhar para dentro de si mesmo, vivem em estado de autocomiseração, sempre apontando suas derrotas para o Senhor.  

Logo, disseram: “Vamos buscar a arca da aliança do Senhor” (1 Sm 4.3). A arca era retangular, feita de acácia, revestida de ouro é trazia dentro as tabuas da lei de Moisés, maná do deserto e a vara de Arão. É justamente sobre a arca que a presença de Deus se manifestava no deserto. Era sobre a arca do Senhor que a fumaça descia e Deus visitava seu povo.

Mas, a arca era pra ficar no lugar do culto, em Siló. Os israelitas a levam para o campo de batalha. Pois acreditam que se levarem a arca com eles no campo de batalha venceria a peleja contra os filisteus; da mesma forma que aconteceu com Josué em Jericó. Então, quando a arca chega no acampamento, em Ebenezer “...todos os judeus gritaram tão alto que o chão estremeceu” (1 Sm 4.5). É uma maneira de tentar usar Deus, manipular Deus para si.

Os filisteus ouvindo todo aquele barulho no arraial dos israelitas ficam com medo. Lembram da história de Êxodo: “Ai de nós! Quem nos livrará das mãos desses deuses poderosos? São os deuses que feriram os egípcios com toda espécie de praga, no deserto”. Os filisteus sabem que precisarão lutar como nunca lutaram na vida. A batalha se deu em Ebenezer; Israel saiu à batalha sem Deus e perdeu. Não obstante, levavam a arca da aliança, mesmo assim, perdeu, o povo foi derrotado na guerra. Deus não pode ser usado, Deus não pode ser manipulado.

2)     Foi-se a gloria

A noticia da derrota e da morte de seus filhos chega a Eli (1 Sm 4.12-17). Ela o mata: “Quando o mensageiro mencionou a arca de Deus, ele caiu da cadeira para trás, ao lado do portão, quebrou o pescoço e morreu, pois era velho e pesado. Ele liderou Israel durante quarenta anos” (1 Sm 4.18). Sua nora grávida ouve a noticia e entra em trabalho de parto; ela morre ao dar à luz, mas não antes de dar nome ao seu filho. Esta derrota é perpetuada em um nome “Icabode”, que significa “Onde está a glória” ou “a glória se foi de Israel”.

Onde está a glória”, foi roubada pela família de Eli; seus filhos abusaram dos sacrifícios e tiveram relações sexuais com mulheres no tabernáculo, e Eli não deu um basta nisso. Os sacerdotes não honraram a Deus. Eles roubaram a glória dEle! Não se engane: precisamos levar Deus a sério.

“Onde está a glória?”  A mulher de Finéias responde: “...a glória se foi de Israel, pois a arca de Deus foi tomada”. Agora, a glória de Deus representada pela arca de Deus está na cidade filisteia de Asdode (1 Sm 5.1). Os filisteus colocaram a gloria de Deus no templo de Dagom, o deus dos filisteus, o deus com cara de peixe. Mas, de manhã, acharam a estátua de Dagom curvada diante da arca de Deus (v.3). Então, eles colocam seu “deus” de pé. Na manhã seguinte, Dagom está decapitado! Sim, a cabeça e as mãos da estátua foram quebradas. E, mais, os homens de Asdode foram afligidos com tumores (v.6).

DIANTE DE DEUS TODOS OS OUTROS DEUSES PRECISAM CAIR. SOMENTE YAHWEH é o DEUS DE ISRAEL, TEM PESO. SOMENTE DEUS TEM SUBSTÂNCIA.

Onde está a glória? Então, o povo de Asdode decide enviar a arca à cidade Filisteia de Gate (1 Sm 5.7-8). Será que Gate vai conseguir lidar com o peso da gloria de Deus? Mas, também ali, Deus envia tumores; enviaram a arca do Senhor á cidade filisteia de Ecrom. Ocorre o mesmo! No fim, querem mandar a arca embora, pois “havia pânico mortal em toda cidade, a mão de Deus pesava muito sobre ela” (v.11). todos eram afetados “...aqueles que não morriam rapidamente eram afligidos com vários tumores, e gritos de dor e aflição subiam incessantemente ao céu” (1 Sm 5.12).

Onde está a gloria de Deus? Os filisteus enviam a arca novamente para Israel, em Bete-Semes, mas “O Senhor, contudo, feriu alguns dos homens de Bete-Semes, matando setenta deles. O povo chorou por causa do pesado golpe que o Senhor desferira...” Por que esses mortos foram mortos? 1) ostentaram a arca, colocando-a em uma grande pedra para que todos olhassem, quando deveria te-la coberto; 2) olharam para dentro da arca. Os homens da cidade perguntam: “Quem pode permanecer na presença do Senhor, esse Deus Santo? a quem enviaremos a arca, para que ele se afaste de nós?” (1 Sm 6.19-20).

Conclusão

Como fica de pé diante da gloria de Deus? o povo volta para Deus (1 Sm 7.2). o povo não só confessa seus pecados, mas também age, livrando-se de seus baalins e astarotes. Para servir “somente ao Senhor”. Isso é verdadeiro arrependimento. Não só palavras (7.6), mas ações. 

SEGUNDO o povo adorou. Samuel lidera o povo em um ato coletivo de adoração (1 Sm 7.5-6). O verdadeiro arrependimento é um movimento para longe do pecado e de volta para Deus. A reunião, o jejum, a confissão... tudo estava focado em Deus. 

TERCEIRO, um sacrifício é oferecido a Deus. “Samuel tomou um cordeiro...e ofereceu inteiro como holocausto ao Senhor” (1 Sm 7.9). Isso aponta para cruz. A cruz é a realidade. Na cruz, o próprio Deus, na pessoa de seu Filho, experimentou o juízo.

terça-feira, 9 de junho de 2026

 Filipe em Samaria At 8.1-13 

O capitulo 8 verso 1, diz: “Saulo estava ali, consentindo na morte de Estevão”. Este versículo é um ponto de mudança entre a história da expansão da igreja em Jerusalém e a expansão da igreja para além das muralhas das cidades. “Naquele mesmo dia a igreja de Jerusalém começou a sofrer com grande perseguição” (At 8.1). Mas a perseguição é como um vento em relação à semente: apenas a espalha.

1)     Perseguição

O evangelista Lucas relata que Saulo assolava a igreja (At 8.3). O mesmo Saulo que guardou as vestes dos religiosos que mataram Estevão (At 7.58) e consentiu na sua morte. Agora, Saulo, assola a igreja. O verbo “assolar” descreve um animal selvagem despedaçando a vítima; uma crueldade sádica e violenta. A palavra no grego se aplica a um javali que invade uma vinha, uma plantação, para arruiná-la; ou, uma fera selvagem que salta sobre uma presa para devorá-la. 


Saulo, tinha sangue nos olhos, não poupava nem as mulheres, também as lançava em prisões. Ele buscava a prisão e a morte de suas vítimas em Jerusalém e fora dela. Devastava e assolava a igreja, exterminando os que invocam o nome de Jesus (At 9.21); forçando-os a blasfemar por meio de tortura, encerrava-os nas prisões e dava o seu voto quando os matavam (At 26.9-11). 

A perseguição não é um acidente de percurso, mas uma agenda. A primeira etapa do plano de Deus compreendeu a chegada do Espírito Santo, o batismo com Espirito Santo que veio no dia de Pentecostes. “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espirito Santo e ser-me-eis testemunhas...” (Atos 1.8). Os discípulos estavam testemunhando em Jerusalém. Com a perseguição, “...todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria” (At 8.1). 

A palavra traduzida como “dispersos” é o termo usado para indicar “sementeira, semeadura, espalhar sementes”. A perseguição faz com a igreja aquilo que o vento faz com a semente, espalhando-a e aumentando a colheita. Os cristãos em Jerusalém eram as sementes de Deus, e a perseguição foi usada por Deus para plantá-los em nosso solo, a fim de que dessem frutos. Daí nasceu o provérbio, no período da perseguição: “O sangue dos mártires é a sementeira da igreja”.

Portanto, a perseguição tornou-se o elemento catalisador da segunda fase da igreja: “Judeia e Samaria” (At 1.8). A medida que os discípulos se espalhavam pela região da “Judeia e Samaria”, continuavam a anunciar Jesus ressuscitado como o Messias de Israel, o Salvador do Mundo. O diabo pensou que fosse parar a igreja, com a morte de Estevão, mas o efeito se deu ao contrário. A igreja, ao invés de desanimar, parar, estacionar, começou a espalhar o evangelho em outros lugares. 

Sim, “o vento aumenta a chama”. Na China, em 1949, quando o governo foi derrotado pelos comunistas. 637 missionários da Missão para o Interior da China foram obrigados a deixar o país. Parecia um desastre total. Dentro de quatro anos, 286 deles foram trabalhar no Japão e no Sudoeste da Asia, enquanto que os cristãos chineses, mesmo sob severa perseguição, começaram a se multiplicar e agora perfazem um numero trinta ou quarenta vezes maior do que existente quando os missionários saíram.

2)     Filipe

Filipe foi a uma cidade de Samaria e ali anunciava o Cristo”. Samaria era um território odiado pelos judeus. Pois, os samaritanos eram etnicamente contaminados, religiosamente confusos e moralmente corrompidos. Os habitantes dessa região se casaram com gentios e estabeleceram seu próprio templo no Monte Gerizim e tinham seu pentateuco particular. Mas, nada disso, impediu Filipe de pregar o evangelho em Samaria. Deus tem um coração missionário que bate pelo mundo todo. Ele não vê mestiços, ele não vê gentios. Ele vê pessoas perdidas precisando de resgate. 

Os cristãos são sementes de Deus, e a perseguição foi usada por Deus para plantá-los em novo solo, em nova terra, a fim de que dessem frutos. A evangelização não é um programa, mas um estilo de vida. Aonde você vai, o evangelho vai com você, lhe acompanha. No trabalho, nas ruas, no mercado, nas faculdades, nas praças da cidade, em todo lugar.  O projeto de Deus é o evangelho todo, por toda igreja, a todo mundo, a cada criatura, em cada geração: “...os que foram dispersos iam por toda parte pregando (Kerysso) a Palavra” (At 8.4).

Dos sete diáconos nomeados pelos apóstolos para cuidarem da distribuição dos alimentos às viúvas, Estevão e Filipe são os únicos cujas atividades foram narradas por Lucas. Ambos eram judeus helenistas, ou sejam, falavam o grego e pregavam o evangelho de Cristo. Estevão se dedicou aos judeus helenistas em Jerusalém; Filipe foi a Samaria. Filipe não era apostolo, era diácono, separado para servir à mesa, mas sobretudo um ganhador de almas.

Não pode haver evangelização sem evangelho uma vez que a evangelização pressupõe as boas novas de Jesus Cristo. O grande esportista e missionário Calos Studd disse: “Se Jesus Cristo é Deus e ele deu sua vida por mim, nada é sacrificial demais que eu possa fazer por ele”. 

Quando a multidão ouviu Filipe e vi os sinais milagrosos que ele realizava, deu atenção unânime ao que ele dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia....os espíritos imundos saiam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade” (At 8.6-8). A pregação não consiste somente em palavras, mas deve ser uma demonstração do Espirito e do poder. A pregação é lógica em fogo. É a proclamação do evangelho, e o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.

As pessoas não apenas ouviam dele belas palavras, mas também viam grandes prodígios e maravilhas: endemoninhados libertados, paralíticos e coxos curados e muita alegria. Hoje há gigantes do saber nos púlpitos, mas anões na demonstração do poder. Os samaritanos foram libertados de aflições físicas, controle demoníaco, pecados. O evangelho produziu salvação, libertação e alegria. Antonio Vieira pergunta: “Se a boa semente produz a trinta, sessenta e cem por um, por que hoje a semente não produz nem a um por cento? É que hoje a igreja prega apenas aos ouvidos, mas não aos olhos!” 

E estava ali um certo homem chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica e tinha iludido a gente de Samaria, dizendo que era um grande personagem...”. Simão era um mago de Samaria que se tornara um especialista em artes mágicas. Ele tinha “poder sobrenatural”, mas era algo vindo dos demônios, vindo do mal. Ele atendia a todos em Samaria “desde o menor até o maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus”. Ele era cultuado por todos em Samaria, pessoas saiam de Roma para ser atendido por ele e, até uma estatua ergueu-se em sua honra. No fim do segundo século, Irineu apresentou como “glorificado pelos homens como se fosse um deus”. 

Conclusão

Filipe os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, depois criam. Eles creram no evangelho de Filipe, muito mais, se converteram ao evangelho, mudança de vida em Cristo. Uma nova criatura. Em seguida “iam sendo batizados, assim como homens como mulheres”. E diz: “E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito” (At 8.13).

Há quatro derramamentos do Espirito Santo no livro de Atos dos Apostolos: o primeiro, sobre os judeus, em Jerusalém (Atos 2); o segundo, sobre os samaritanos (Atos 8); o terceiro, sobre a casa de Cornelio (Atos 10); e quarto, sobre os gentios em Efesios (At 19). Sobre esses quatro grupos o Espirito Santo foi derramado, mostrando a universalidade do evangelho. 


 

terça-feira, 2 de junho de 2026

 A vida no fio da navalha Atos 6.8, 7. 

A expressão “fio da navalha” é uma metáfora para situações perigosas, arriscadas. Estevão (coroa) fora separado para ser diácono para servir o corpo de Cristo, servir à mesa. Mas, ele ia além desse ministério, era um pregador da Palavra de Deus. O texto diz: “Estevão, homem cheio da graça e do poder de Deus, realizava grandes maravilhas e sinais no meio do povo”. (At 6.8). Jesus, em seu ministério, realizou grandes sinais e maravilhas; os apóstolos, realizavam grandes sinais e maravilhas no meio do seu povo.

Mas, agora, está falando que um diácono, chamado para servir à mesa, estava em nome de Jesus, no poder de Jesus,  fazendo prodígios. Estevão era corajoso, destemido e testemunhava da sua fé nas sinagogas de Jerusalém. Por causa disso, ele é perseguido e morto, por testemunha de sua fé. Em países da Africa, da Asia, muitos cristãos estão morrendo por causa de sua fé em Cristo Jesus. Atualmente, a Nigéria, está perseguido e matando muitos cristãos. Na India, cristãos são perseguidos e igrejas são queimadas. Todas vivendo no fio da navalha da fé. 

1)     Estevão

Estevão não veio de uma longa linhagem de grandes pregadores, nem de sacerdotes. Na verdade, nada sabemos muito sobre o seu passado. Mas, que foi escolhido pelo povo para ser diácono, para fazer parte do corpo diaconal da igreja de Jerusalém. Com fé, Estevão submeteu-se à direção do Espirito Santo e trabalhou para servir à igreja. Este é o tipo de cristão fiel que Deus ama usar para fazer grandes coisas. Estevão levou sua fé a sério e cedeu ao controle do Espirito Santo. O texto diz que ele era: “...cheio de graça e de poder” (At 6.8). Sendo cheio de graça e de poder, fora capaz de realizar prodígios e maravilhas no meio do povo. 

Contudo”, diz o texto, “levantou-se oposição dos membros da chamada sinagoga dos libertos” (Atos 6.9). “Libertos” eram ex-escravos que haviam comprado sua liberdade ou foram libertados. Eram judeus helenistas que vieram de diversos lugares ao longo do arco do mediterrâneo. Vieram de Cirene e Alexandria, norte da Africa; Cilicia, Norte da Antioquia e da Asia, mais ao leste da Europa. A sinagoga era o local para adoração e ensino, mas também um local para discutir teologia. 

Esses homens, esses “judeus libertos”, “começaram a discutir com Estevão mas não podiam resistir à sabedoria e ao espirito com que ele falava”.  Estevão era homem de Deus, era cheio do Espirito Santo e cheio da sabedoria de Deus, cheio de conhecimento. Os argumentos de Estevão eram persuasivos em favor da fé em Jesus Cristo. Ele usava as Escrituras do Antigo Testamento para convencer os outros judeus da messianidade de Jesus Cristo. Era um apologista da fé cristã.

Então, não tendo vantagem sobre Estevão, esses judeus “...subornaram alguns outros homens para o caluniarem: nós temos ouvido palavras ultrajantes contra Moisés e contra Deus (Atos 6.11 BKJ). Ele foi acusado de duas coisas: falava contra o templo religioso (“este lugar santo”) e blasfemava contra a lei de Moisés. Interessante, que são as mesmas acusações que levaram Jesus para a morte de cruz! Mas, nessas acusações, havia um elemento de verdade: Jesus veio para “...mudar os costumes que Moisés nos deixou” (At 6.14).

Enquanto era acusado por falsas testemunhas, os homens fixaram o rosto “...em Estevão, viram que o seu rosto parecia como o rosto de um anjo” (At 6.15). Da mesma forma que o rosto de Moisés iluminava quando falava com Deus e que precisava de um véu, assim, o rosto de Estevão brilhava diante de seus acusadores.

2)     A defesa de Estevão

Diante do Sinédrio, todos os anciãos, quase setenta homens, Estevão é colocado pela manhã. Uma cena, que aconteceu com os apóstolos por duas vezes. Então o Sumo Sacerdote, Caifás, representante máximo da religião judaica, pergunta a Estevão: “Porventura são verdadeiras estas acusações contra ti?” (At 7.1). Sozinho diante de uma turba religiosa, sendo acusado por testemunhas falsas, Estevão, com todo coragem e cheio do Espírito Santo anunciou o que estavam em seu coração e o que lhe movia, lhe enchia de esperança. 

Ele começa falando sobre a chamada de Abraão, em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia. Deus chamou Abraão, tirou de uma terra onde adoravam vários deuses e lhe chamou para terra prometida. Saiu com seu pai, seu sobrinho Ló e passaram algum tempo em Harã, na Siria. Depois da morte de seu pai, Abraão prosseguiu até Canaã. Deus lhe deu a promessa de um filho, da sua descendência e que abençoaria todas as famílias da terra. Sim, Isaque nasceu depois de 25 anos, e Abraão estava com 100 anos! Isaque foi pai de Jacó, que passou a ser chamado Israel. Jacó teve 12 filhos que se tornaram as doze tribos de Israel. 


Em seguida, fala de José, filho de Jacó e toda injustiça que seus irmãos cometeram contra ele; colocando-o num poço e depois vendendo para o Egito como escravo. Mas no Egito “Deus estava com ele” (At 7.9), tornou-se governador do Egito, somente abaixo de Faraó. Em Canaã havia fome, os irmãos de José foram para o Egito em busca de comida; lá se José se apresenta aos seus irmãos e todos vão para o Egito e são instalados na terra de Gósen, um lugar frutífero. 

Depois da morte de José, o povo de Israel torna-se escravo e viveram escravos por quatrocentos anos. O Senhor levantou Moisés (chamou Moisés na sarça ardente) para libertar o povo da escravidão de seus captores e conduzi-los à terra que ele havia prometido a Abrãao. Mas, os israelitas, deixaram o cativeiro arrastando os pés, carregando consigo os ídolos que adoravam no Egito, murmurando com Moisés e até construindo ídolos (Moloque, Renfã, etc) pelo caminho. Mesmo assim, o Senhor, continuou a proteger e prover para o seu povo, levando-o a terra que havia prometido, terra que mana leite e mel. 

E mais, Deus levou seu povo a Canaã, sobre a direção de Josué, deu-lhes capacidade de conquistar os habitantes daquela terra e os ajudou a se estabelecer na terra, vencendo a maioria dos inimigos. Durante esse tempo, Moisés prometeu a Israel um profeta (Dt 18.15), um homem entre eles que seria porta voz e representante de Deus – o Messias.

Por fim, Estevão fala de Davi e Salomão. O período mais importante da história de Israel. Davi, homem segundo o coração de Deus, escolhido por Deus para ser o rei de Israel. Em seguida, vem seu filho Salomão, que reinou por quarenta anos, em seu reinado construiu o templo, a casa do Senhor, para abrigar a arca do concerto, o local da presença, da Shekiná. Mas, o Senhor não está limitado a um templo: “O céu é o meu trono, e a terra é o suporte dos meus pés...acaso não foram minhas mãos que criaram o céu e a terra?” (At 7.49-50). 

Agora, Estevão se dirige aos religiosos que estavam com uma sentença de morte contra ele: “Povo teimoso! Voces tem o coração incircuncidado e são surdos para a verdade. Resistirão para sempre ao Espirito Santo” (At 7.51). “...povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos”. “Que profetas seus antepassados não perseguiram? Mataram até aqueles que predisseram avinda do Justo, a quem vocês traíram e assassinaram!” (At 7.52-53). Quando foram confrontados com o pecado, enfureceram ao invés de se arrependerem “enfureceram com a acusação de Estevão e rangiam os dentes contra ele” (At 7.54). 

O contraste é que diante do ódio deles, diz o texto: “Mas Estevão, cheio do Espirito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus. Olhem, disse ele: vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé no lugar de honra, à direita de Deus” (Atos 7.55-56). Pela quarta vez, Lucas descreve Estevão como estando completamente cheio do Espirito Santo. A primeira vez foi quando escolheram para o diaconato (At 6.3), a segunda vez, na relação dos nomes, o único adjetivado foi Estevão “...homem cheio de fé e do Espirito Santo” (At 6.5), na terceira vez, quando fala que Estevão realizava milagres e sinais e era cheio do Espirito Santo. E, por fim, diante dos seus acusadores, estava cheio do Espirito Santo. 

Conclusão

Enquanto os homens lançavam pedras, Estevão orou: “Senhor Jesus recebe o meu espírito. Então caiu de joelhos e gritou: Senhor, não os culpes por este pecado! E, com isso, adormeceu” (At 7.59). A história não terminou, pois fala de um personagem chamado Saulo, que estava presente nesse momento e os homens que mataram Estevão “tiraram os mantos e os deixaram aos pés de um jovem chamado Saulo” (At 7.58).

Saulo, depois Paulo. O pupilo de Gamaliel, parece que Saulo estava envolvido nessa história, participou ativamente para que Estevão morresse. Ele não atirou pedras sobre o acusado, mas guardou os mantos dos que atiravam. Enquanto atiravam pedras em Estevão, Saulo percebeu uma força sobrenatural, que vinha de dentro, para resistir àquelas pedradas. Na hora da morte, Estevão estava cheio do Espírito Santo e vendo o céu aberto sobre a sua cabeça e pediu que Deus tivesse misericórdia dos seus acusadores. Que Deus tivesse misericórdia de Saulo.