terça-feira, 18 de agosto de 2026

 O que pode e o que não pode – At 15.1-22 

Introdução

A palavra “santidade” quando usada em um contexto de legalismo, pode parecer severa, associada a elementos externos, mudança exterior, mudança da capa religiosa. Enquanto quando usada em um contexto permeado pela graça “santidade” se torna uma palavra magnifica, aponta para a semelhança com Cristo, mudança interior, regeneração, novo nascimento,  significa aproximar-nos de nosso Pai, assinala uma vida cheia do Espirito Santo, cheia do poder de Deus. 

1)     Legalismo x graça

Paulo e Barnabé terminaram a primeira viagem missionária e retornaram para Antioquia da Siria. Chegando “...relataram tudo o que Deus havia feito por meio deles e como abrira a porta da fé aos gentios”. Mas, alguns homens estavam espalhando heresias no meio da igreja e afirmavam: “...eles não poderiam ser salvos se não fossem circuncidados, como manda a lei de Moisés” (At 15.1 NTLH). 

Os homens incircuncisos eram excluídos da membresia do povo de Deus. Seguir a lei de Deus exigia circuncidar-se, como Moisés ensinou (Lv. 12.3). Esses homens tinham o proposito, a missão, de colocar sobre os ombros dos irmãos uma rígida demanda especificando se eles podem ou não ser salvos e insistindo que o rito judaico da circuncisão é necessário para a salvação dos gentios. Eles tentavam misturar a lei e a graça, colocar vinho novo (evangelho) em odres velhos (judaísmo); queriam costurar o véu que foi rasgado pelo sangue de Jesus.  

Desejavam acrescentar um asterisco à mensagem de que somos salvos pela fé. O asterisco anexa outros requisitos à salvação na nota de rodapé. Esses requisitos adicionais impõem fardos que oprimem as pessoas e anulam a graça que pode levantá-las. É como se cada um de nós tivesse que preencher: “Voce pode ser salvo, a menos que também ______________”. Convém perguntar: Essa condição é condizente com o evangelho?

O apostolo Paulo, no entanto, pregava o evangelho da graça de Deus mediante a fé em Jesus como suficiente para justificar os gentios tornando-os membros do povo de Deus e herdeiros de Abraão. A obra completa de Cristo firmou uma nova aliança, baseada na presença e na habitação do Espirito Santo, não na adesão á letra da lei de Moisés. Conforme profetizou Jeremias: “Dias virão, afirma o Senhor, quando estabelecerei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá”, não uma aliança como aquela de Moisés, uma aliança de pedra, mas uma que eu “porei a minha lei na mente deles e no coração deles a escreverei” (Jr 31.31).

Paulo e Barnabé travaram uma séria e prolongada discussão com esses religiosos, judaizantes cristãos. O apostolo Paulo vinha sofrendo durante toda sua primeira viagem missionária com os judeus que defendiam a lei de Moisés para salvação, fora até apedrejado em Listra por esses judeus. Em Antioquia ele havia afirmado: “Por meio dele, todo aquele é justificado de tudo aquilo de que vocês não podiam ser justificados pela lei de Moisés” (At 13.39). Mas, agora, o legalismo instaurou-se dentro da igreja. Logo, apelaram para sua única fonte de autoridade divina, os apóstolos em Jerusalém. 

No caminho para Jerusalém, Paulo e Barnabé passaram pela Fenícia, onde os crentes eram todos judeus e , depois, foram para Samaria, para visitar os crentes, região que era desprezada pelos judeus. Mas, os samaritanos foram evangelizados por Jesus e pelo diácono Filipe. Um grande avivamento aconteceu enquanto Filipe pregava a palavra de Deus. Os crentes samaritanos regozijaram com o testemunho da primeira viagem missionária. Enfim, depois de viajarem quase 500 quilômetros, chegaram em Jerusalém, foram recebidos calorosamente pela igreja que ansiava ouvir o relato de tudo que Deus havia feito através de Paulo e Barnabé. 

2)     O concilio de Jerusalém

A pauta do concilio era o que pode e o que não pode na fé cristã. Toda liderança da igreja estava envolvida nessa reunião, os membros estavam presentes. O grupo de oposição formado pelos crentes fariseus foi o primeiro a se levantar para apresentar sua defesa e afirmaram: “...os não judeus têm de ser circuncidados e tem de obedecer a lei de Moisés” (At 15.5 NTLH). 

Diante dessa afirmação ocorreu grande contenda, discussão, conversas, murmúrios. Então, o apostolo Pedro, levantou-se no meio da congregação e anuncia sua mais profunda convicção e fé inabalável. Enquanto ele pregava na casa de Cornélio (Atos 10.17), que era um centurião romano, o Espírito Santo desceu sobre todos (At 10.44) e começaram a falar em outras línguas. Ele conclui que Deus não fazia distinção entre judeus e gentios. E termina afirmando: “Por que vocês estão testando a Deus colocando um jugo sobre o pescoço dos discípulos que nem nossos antepassados nem nós pudemos suportar? Ao contrário, cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus da mesma forma que eles são” (At 15.9-11).

Pôr Deus à prova, expressão usada pelo apostolo Pedro, é uma ofensa grave, tendo vista que foi isso que a geração do deserto fez durante quarenta anos (Hb 3.9), que Ananias e Safira fizeram ao mentirem ao Espirito Santo (At 5.9) e que o Diabo continua a tentar outros a fazer (Lc 4.2). Se eles impuseram a lei como meio de salvação, condenarão os gentios ao fracasso.

Em seguida, “...toda assembleia ficou em silêncio, enquanto ouvia Paulo e Barnabé relatando todos os sinais miraculosos e prodígios que por meio deles, Deus realizara entre os gentios” (At 15.12). Deus esteve presente na viagem que fizeram na ilha de Chipre, enfrentando um homem que praticava magia e era falso profeta, esse homem ficou cego pelo poder de Deus. Contou também a salvação do governador Sergio Paulo, um homem inquieto pela verdade e foi salvo pelo poder de Deus. Contaram sobre um homem paralitico, desde o nascimento, na cidade de Listra que foi curado pelo poder de Jesus. E quantas almas se renderam a Cristo, quantas almas foram salvas em Antioquia da Psídia, em Icônio, Listra e Derbe. 

Por fim, Tiago se pronunciou, era o líder da igreja de Jerusalém. Era “irmão do Senhor” (Gl 1.19), filho de Maria com José. Ele fala como líder, como cabeça da igreja de Jerusalém. Inicia seu discurso citando o profeta Amós: “Depois disso, voltarei e reconstruirei a tenda caída de Davi...para que o restante dos homens busque o Senhor e todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome” (At 15.16-18). É a promessa feita a Abraão, que através dele e da sua descendência, todas as famílias da terra seriam abençoadas.

O ponto que destacou foi que ao incluir os gentios Deus estava escolhendo um povo para si que era um povo de Deus novo e restaurado – verdadeiro Israel – composto de judeus e gentios em Cristo. Como o apostolo Paulo afirmou em Efésios: “Ele é a nossa paz. De ambos os povos fez um só e, derrubando o muro de separação, em seu próprio corpo desfez toda inimizade” (2.14). A decisão do apostolo Tiago foi que “...não devemos causar dificuldades aos gentios que se voltam para Deus” (At 15.19). 

Conclusão

Enfim, no final do Concilio de Jerusalém, os líderes sentiram-se compelidos pelo Espirito Santo a “impor” algumas exigências aos crentes gentios: não ofender as sensibilidades judaicas  - que consideravam os ídolos e a carne contaminada com sangue especialmente repugnantes – e abster-se da imoralidade sexual. Ou seja: “...não comam carne de animais que foram oferecidos em sacrifícios aos ídolos, que não pratiquem imoralidade sexual, que não comam a carne de nenhum animal que tenha sido estrangulado e que não comam sangue” (At 15.20).   

 “Quanto à fé, devemos ser invencíveis, e mais duros, se possível, do que um diamante; mas quanto ao amor, devemos ser mansos, e mais flexíveis do que uma vara de cana ou uma folha levada pelo vento, e prontos para nos submeter a tudo”. Lutero.

 

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

 O evangelho chega na Galácia       Atos 13.13-52 

Introdução

A viagem dos missionários prossegue, saíram da ilha de Chipre e “navegaram para Perge, que fica na Panfilia” (At 13.13). Panfilia ficava em uma planície costeira, aninhada entre o Mar Mediterrâneo ao sul e os acidentados Montes Tauro, que ficam cobertos de neve. Em Perges, a equipe missionária sofreu um revés: “João Marcos os deixou ali e regressou a Jerusalém”. O verbo para deixar é “deserção”, “abandonar”. Por que, João Marcos, desertou? Várias são as possibilidades: 

Pode ser que ele estivesse com saudade de casa e que o esforço para jornada estivesse lhe cobrando um preço (escalar as montanas do Taurus não era fácil e infestadas de bandidos e malária). É possível que o grupo tenha ficado doente, o que foi além do que podia suportar. Alguns sugeriram que Barnabé, primo de Marcos, assumira a liderança na missão em Chipre, mas, agora, era Paulo quem estava definindo a agenda, e isso não agradou a Marcos. Qualquer que fosse a razão, o apostolo Paulo não ficou satisfeito com a decisão repentina de Marcos. 

1)     Galácia

Primeiro, “navegaram para Perge, que fica na Panfilia”, mas não ficaram na Panfília, iniciaram uma jornada de 240 km (1100 metros acima do nível do mar), levando cerca de dez dias e “...chegaram a Antioquia da Pisídia” (At 13.14). Logo, estavam na Galácia, seu nome deriva dos gauleses (mercenários europeus) que se espalharam por toda essa região e fixaram residência em diversas cidades. Os missionários permaneceram na parte do sul da região, evangelizando Antioquia da Psídia, Icônio, Listra e Derbe. 


Em Antioquia da Psídia havia uma população de dez mil habitantes, com um número considerável de judeus e italianos, além dos habitantes locais. Era a cidade mais importante do sul da Galácia, economicamente muito forte. “No dia de sábado, entraram na sinagoga e se assentaram” (v.14). Os líderes da sinagoga notaram Paulo e Barnabé e convidaram para que trouxesse uma “palavra de encorajamento”. Paulo aceitou o convite e fez um sermão que foi um marco divisório. 

Em sua mensagem ele resume a história de Israel e apresentou Jesus como o auge de tudo o que Deus havia feito e prometido. Paulo demonstrou que Jesus era o descendente escolhido de Davi como o cumprimento do Messias profetizado (At 13.23). Ele prosseguiu explicando quem é Jesus, o que ele fez em sua ressureição – o evangelho. Falou de seu batismo, de sua rejeição, de sua crucificação sob Poncio Pilatos, de sua morte e sepultamento (v.24-30). Mas, Jesus venceu a morte, para jamais conhecer a deterioração, mostrando ser o filho prometido de Davi. Ele vive, e nos garante o pleno perdão dos pecados está disponível por meio da fé nele.

“Por meio dele, todo aquele é justificado de tudo aquilo de que vocês não podiam ser justificados pela lei de Moisés” (At 13.39). Nesses versículos Paulo fala do pecado, da fé, da justificação, da lei e da graça.  A mensagem do apostolo Paulo era revolucionária e profunda que pediram que voltasse no sábado seguinte para falar mais sobre ela. Outros se tornaram crentes naquele dia. No outro sábado, “toda cidade se reuniu para ouvir a palavra” (At 13.44). Todos estavam ansiosos para ouvir o apostolo falar sobre Jesus. 

Mas, “...judeus ...tomados de inveja...contradiziam o que Paulo pregava” (v.45). diante da recusa dos judeus declarou: “Era necessário que primeiro a palavra de Deus fosse pregada a vocês. Visto que vocês a rejeitam e se julgam indignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios” (At 13.46). Paulo cita Isaias: “Eu te constitui como luz para os gentios, a fim de que tu leves a salvação até os confins da terra” (Is 49.6, At 13.47). Os gentios se regozijaram, porque agora eram designados para a vida eterna pela fé em Cristo (At 13.48). 

“Em Icônio, Paulo e Barnabé, como costumavam fazer, foram juntos à sinagoga dos judeus” (At 14.1). eles percorreram a estrada imperial de Antioquia da Psídia a Icônio, cerca de 140 quilometros a sudeste. Lá na sinagoga “...falaram de tal modo que veio a crer grande multidão, tanto de judeus como de gregos” (At 14.1). Mas os judeus “incitaram os gentios e envenenaram a mente deles contra os irmãos” (v.2). O evangelho da graça que o apostolo pregava significava que os gentios não precisavam ser circuncidados nem seguir os costumes judaicos; mas os judeus insistiam que se convertessem ao judaísmo, seguindo a lei de Moisés.

Paulo e Barnabé não retrocederam, continuaram a pregar com ousadia sobre o Senhor, que confirmou a mensagem capacitando-os a realizar sinais e maravilhas (At 14.3). Novamente vemos uma associação intimas entre palavras e sinais. Como comentou Calvino: “Deus dificilmente permite que eles sejam desvinculados da sua Palavra”. Quando os apóstolos descobriram que seus oponentes estavam tramando para que recebessem a pena de morte por apedrejamento, decidiram deixar Icônio e ir para as cidades vizinhas de Listra e Derbe, pregando a palavra de Deus ao longo do caminho.

“Em Listra”, uma cidade localizada a 36 quilometros de Icônio. Essa cidade era um lar de romanos, gregos e judeus, mas a população judaica era tão pequena que não conseguia manter uma sinagoga local. A maioria dos cidadãos dessa cidade era exclusivamente pagão. Paulo viu um homem, aleijado de nascença, sentado perto da multidão que se reuniu para ouvi-lo pregar” (At 14.8). Ele ouvia com atenção a mensagem sobre Jesus que curava os coxos, trazia visão ao cegos e amava os mais humildes da sociedade. 

Paulo, vendo que esse homem tinha fé para ser curado, disse em alta voz: “Levante-se!” (At 14.10). Imediatamente “deu um salto e começou a andar”. Todos ficaram surpresos e admirados com o que viram. Eles nunca viram nada parecido. Eles gritaram: “Os deuses descerão até nós em forma humana” (v.11). Eles pensaram que Barnabé, por ser mais velho, fosse Jupiter, e Paulo, fosse Mercúrio, pois era quem trazia a Palavra. Houve um alvoroço na cidade de Listra, quiseram sacrificar um touro em homenagem a eles.

Até que que os apóstolos perceberam o que estava acontecendo e ficaram horrorizados. Rasgaram suas vestes em uma demonstração de pesar para deter a multidão. “Nós também somos humanos, assim como vocês, e estamos anunciando as boas-novas para que vocês se convertam dessas coisas vãs e se voltem para o Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo que neles há” (Atos 14.15). Paulo pregou um sermão (vs 14-18), anunciando que Deus é o criador do mundo. Uma mensagem contextualizada para a cultura de um povo pagão.

Os judeus de Icônio ficaram sabendo os apóstolos estavam em Listra, e alvoroçou a multidão contra Paulo. Agarram Paulo à força e o arrastaram para uma planície, fora dos portões da cidade, e depois começaram a lhe atirar pedras na cabeça. Até que Paulo caiu, imóvel, pensando que estava morto se retiraram. Mas os discípulos ficaram perto dele, até que seus olhos se abriram e levantou-se do chão. Pode ser a isso que ele se referiu na carta aos Gálatas: “Trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl 6.17). Depois disso, Paulo e Barnabé permaneceram por um tempo em Listra para pregar e discipular seu pequeno rebanho de novos crentes. 


Conclusão

Por fim, “...partiu Paulo com Barnabé para Derbe”. Lucas narra que pregaram “...as boas novas naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Iconio e Antioquia” (At 14.21). Em Derbe, não aconteceu nenhuma perseguição, foi um ministério bem-sucedido. Gaio um dos convertidos de Derbe, mais tarde se juntou a Paulo como membro de sua equipe ministerial (At 19.29).

Depois “navegaram de volta a Antioquia...reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus tinha feito por meio deles e como havia aberto a porta da fé aos gentios” (At 14.21). Constituindo presbíteros, fortalecendo os discípulos. 


  

domingo, 9 de agosto de 2026

 Jairo, um pai desesperado. Mc 5.23-44 

 Jairo é um pai de uma menina de 12 anos. A Bíblia não fala que ele tinha outro filho, mas pelo contexto do texto é mais certo em afirmar que essa menina era a sua única filha. Alexandre, o grande, dominou todo o mundo do seu tempo e tem uma frase que lhe é atribuída: “Quando dedicamos nosso tempo a alguém, entregamos uma parte da própria vida”. No livro pequeno principe, do autor Antoine de Saint-Exupéry, tem uma frase: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. E, Jairo, havia dedicado anos de dedicação por sua filha e seu coração era totalmente cativado por ela.

1)     Um pai desesperado

O sofrimento bateu as portas da casa de Jairo. Aliás, o sofrimento tem batido nas portas de muitas casas. Muitos tem sido impactado com o sofrimento em sua vida.  Jairo era um homem respeitado, era chefe da sinagoga, organizava os cultos, era muito zeloso naquilo que fazia, todo mundo lhe respeitava. Era marido dedicado e um pai que amava sua filha. Até que um desastre aconteceu em sua casa, sua filha está quase morta...  “...à beira da morte” (Lc 8.42).

Jesus está em seu ministério, pregando, ensinando, cercado constantemente pela multidão e, então, naquele dia, apareceu Jairo, desesperado diante de Jesus: “...ajoelhou-se diante de Jesus e disse: Minha filha acaba de morrer. Vem e impõe sua mão sobre ela, e ela viverá”. Jairo está desesperado, pois sua filha, sua única filha, sua linda menina, havia falecido. O evangelista Marcos narra o desespero do pai: “Minha filhinha está morrendo! Vem, por favor, impõe as mãos sobre ela, para que seja curada e viva” (Mc 5.23).  

Imediatamente, Jesus entendeu o sofrimento do pai, diz o texto: “Jesus então levantou-se e seguiu com ele, e seus discípulos os acompanharam” (Mt 9.19). Jesus é cheio de compaixão, entendeu a profundidade do sofrimento do pai e se levantou para ajudá-lo. Mas, quando chegou na casa de Jairo “...viu os flautistas fúnebres e a multidão agitada”. O ambiente era de morte, a menina já não respirava. Sim, os flautistas e as pranteadeiras lamentavam a morte da menina. Era um local de tristeza, de angustia, e de pranto, todos estavam agitados com a noticia.

A menina estava morta, não havia sinais de vida, ela não respirava mais, havia somente um corpo sem vida. Havia somente um corpo imóvel, havia um corpo de uma criança destituída de vida. Imagine, meus irmãos, a tristeza, a desolação da família, da mãe e do pai, dos parentes, dos conhecidos, todos estavam atordoados, era um cenário de morte.

O que Jesus faz diante de um cenário de morte? Ele grita para multidão: “Saiam! A menina não está morte, mas dorme” (Mt 9.24). As pessoas achavam que Jesus havia chegado tarde demais, não tinha mais jeito, demorou muito. Como Marta: “Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido” (Jo 11.21). Já fazia quatro dias que lazaro tinha morrido e não havia mais esperança, segundo Marta.

Mas, quando Jesus afirma: “...a menina não está morta, mas dorme”, estava afirmando que a morte não era definitiva, quando os pranteadores e os flautistas pensavam. Porque na presença de Jesus, a própria morte deve fugir. Na presença de Jesus, a lepra desaparece, na presença de Jesus, a cegueira vai embora. Na presença de Jesus, a água se transforma em vinho. Na presença de Jesus, os demônios batem em retirada. Na presença de Jesus, o vento cessa e o mar se acalma.

Quando Jesus confronta nosso maior inimigo, nosso inimigo fatal – a própria morte – é a morte quem perde. O apostolo Paulo grita de exultação: “Onde está ó morte a sua vitória, onde está ó morte o seu aguilhão”. Sim, a morte foi vencida por Cristo, o pecado foi vencido por Cristo e o aguilhão da morte rompido pela cruz de Cristo. Para Jesus, a morte, é como um sono.

Jesus diz a Jairo: “Não tenha medo, tão somente creia”. Ou, não temas, não se desespere, eu estou no controle de tudo, eu sou o comandante de tudo. Ignore o grito da multidão, ignore o barulho dos flautistas, ignore os lamentos dos pranteadores. Não é o fim. Fecha os olhos, e somente ouça: “Não tenha medo, somente creia”.

O que Jesus está dizendo para você nesta noite? Ignore aqueles que dizem que é tarde demais para começar de novo...

Ignore aqueles que dizem que você nunca será nada na vida, sua vida é um fracasso...

Ignore as profecias de maldição, mas creia que Ele é poderoso para soprar o vento do Espirito sobre a sua vida...

Não tenha medo, meu filho, tão somente creia, tão somente acredita em mim!

Jesus impele Jairo vê o invisível. Quando Jesus diz: “Tão somente crê”, ele está afirmando: “Não limite suas possibilidades ao que é visível”. Não ouça apenas o que é visível, não seja controlado pela lógica da multidão. Mas, que ainda existe vida aí, mas creia que essa menina irá ressuscitar.

Numa parede de um campo de concentração da segunda guerra, um prisioneiro havia escrito essas palavras: “Acredito no sol, embora ele não brilhe. Acredito no amor, mesmo quando ele não é demonstrado. Acredito em Deus, mesmo quando ele não fala”.

Conclusão

O texto de Mateus é muito sucinto, diz que Jesus “entrou e tomou a menina pela mão, e ela se levantou” (Mt 9.25). O evangelista Marcos dá sua versão com mais detalhes: “Tomou-a pela mão e lhe disse “Talita Cumi, que significa: Menina, eu lhe ordeno, levante-se! Imediatamente a menina, que tinha doze anos de idade, levantou-se e começou a andar. Isso os deixou atônitos” (Mc 5.41,42).

 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

 Escola de profetas     2 RS 4.38-44 

Introdução

Viajando de norte a sul, Eliseu anunciava a sua mensagem, sempre acompanhado de extraordinários sinais e maravilhas, como a dizer: “As coisas que faço, faço pelo poder Daquele que me enviou; o único e verdadeiro Deus, o Senhor, o Deus Eterno”. Abandonem, pois, a idolatria e voltem seus corações ao Senhor, nosso Deus.

Nos dias de Elias, a apostasia e a vergonhosa idolatria haviam se alastrado entre o povo de Deus, impulsionado pelos devaneios de Acabe e Jezabel. O povo de Deus havia trocado a glória de seu Senhor pela fútil veneração ao ídolo Baal “o senhor da chuva”. Mas o assombroso confronto no Monte Carmelo e os fenomenais prodígios de Eliseu começaram a reverter a triste situação. Aqules que antes se escondiam pelo de Jezabel, por toda parte, surgiram “escolas teológicas” formando os mensageiros da Palavra de Deus. Havia grupos de estudantes em Ramá, Gibeá, Betel, Gilgal e Jericó (2 Rs 2.3,5,7,15). Muitos séculos depois, o nosso Senhor exortava seus discípulos: “A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.37,38). 

1)     Deus chama os obreiros

Nem todos os profetas do passado tiveram formação teológica convencional (estudar numa escola de teologia). Amós, por exemplo, saiu diretamente do campo, boiadeiro e catador de sicômoros, anunciando a mensagem profética da única maneira que sabia. Com Elias se deu o mesmo; era um homem rústico e de poucas palavras, mas o pouco que sabia usou para glorificar o nome de Deus. A maioria dos profetas, no entanto, até mesmo aqueles que nos são desconhecidos, receberam uma formação teológica mais “especializada”. Pastor Billy Graham disse se tivesse três anos de vida, passaria dois anos estudando a Palavra de Deus e apenas um ano pregando.

Geralmente os estudantes moravam juntos em uma casa ou em pequenas comunidades, onde o ensino era ministrado (2 Rs 6.1-2). Alguns “estudantes” eram casados e mantinham seus próprios lares (2 Rs 4.1). É bem provável que tenha sido Samuel  o primeiro a tomar a iniciativa de organizar esse tipo de “ensino teológico” (1 Sm 10.5; 19.23). A formação acadêmica dos discípulos de profetas consistia no estudo das Escrituras e das leis mosaicas. Hoje, em nossas escolas teológicas a grade curricular é muito mais abrangente. Havia espaço ainda mais a instrução na musica sacra e na poesia (1 Sm 10.5). O “professor”, um profeta mais experiente, transmita o ensino com seu exemplo de vida e seu trabalho, e eram eles mesmos que consagravam os novos obreiros à missão de reconduzir o rebanho desgarrado de Israel ao aprisco do Senhor, o pastor da nossa alma (Sl 23).

2)     Deus cuida de seus obreiros.

a vida diária nas escolas de profetas não era nada cômoda. Os estudos eram exaustivos, as acomodações precárias (2 Rs 6.1), a falta de recursos era uma constante (2 Rs 4.1), o trabalho era árduo e, se não bastasse isso tudo, a comida era escassa, geralmente produzida por eles mesmos, em hortas comunitárias. As coisas ficaram ainda piores quando Deus enviou uma estiagem que durou sete anos (2 Rs 8.1). Se a nação toda padeceu, quanto mais aqueles que deixaram tudo pelo ministério!

Foi exatamente nesse contexto de crise que Eliseu, o “homem de Deus”, chegou no seminário de Gilgal para uma série de conferências, de pregações. A receptividade foi calorosa, mas a despensa estava vazia. Eliseu enviou um dos alunos ao campo para colher frutos e raízes comestíveis, a fim de preparar um sopão para todos. Mas algo saiu errado; um dos ingredientes estragou a sopa, tornando-a amarga e venenosa. A “colocíntida”, “uma trepadeira do campo” (NVT) (2 Rs 4.39), uma espécie de pepino selvagem, em pequenas quantidades era usada para fins medicina, mas em grande quantidade tornava-se tóxica e extremamente amarga.

“Cortou os frutos em pedaços e os colocou na panela, sem saber exatamente o que eram” (2 Rs 4.39 NVT). Você comeria? Diz-nos o texto: “O ensopado foi servido aos homens...”. Todos comeram, todos participaram desse banquete sem saber o que estavam comendo! Até que alguém grita: “Homem de Deus, há veneno neste ensopado! E não puderam comê-lo”. (2 Rs 4.40).  

Deus usa o profeta Eliseu, “Tragam-me um pouco de farinha”. O homem de Deus não era baiano, mas usou o que tinha na mão “farinha”. “Jogou a farinha na panela e disse: “Agora podem comer. E o ensopado não lhes fez mal” (2 Rs 4.41). O milagre aconteceu, não por causa da farinha, mas pela fé de Eliseu. Ele poderia ter usado cevada, hortelã, pão ou qualquer outra coisa, e o resultado seria o mesmo.

O ministério de Eliseu e seus discípulos começou a dar bons resultados, visto que o poder de Deus acompanhava suas pregações, enquanto Baal – o “deus da chuva”, permanecia inoperante. Um dos sinais de mudança pode ser visto pelo fato de um homem da cidade vizinha (Baal-Salisa) ter vindo à “casa de profetas” trazer uma oferta em mantimentos para o sustento de Eliseu, conforme prescrevia a lei de Moisés (Nm 18.13). A oferta era generosa para um só homem, mas insuficiente para cem alunos (2 Rs 4.43). “Como servirei a cem homens?”

Era um direito de Eliseu reter a oferta para si, pois “digno é o trabalhador do seu salário” (Lc 10.7), contudo, preferiu repartir aquela benção com os demais colegas de ministério, e Deus abençoou a sua decisão “todos comeram e ainda sobrou” (2 Rs 4.43). O milagre operado por Eliseu com vinte pães e algumas espigas e o fato de ter ele multiplicado o azeite da viúva nos trazem à lembrança um outro grande profeta de Deus, aliás, o Messias, que, com cinco pães e dois peixinhos, alimentou uma grande multidão de famintos (Mt. 14.15-21).

Conclusão

Em qualquer época, sejam tempos de fartura ou tempo de escassez, de paz ou de guerra, de bonança ou de tempestade, a seara permanece operante, e o Senhor continua convocando trabalhadores para sua Seara, na promessa de que sempre zelará pelos que estão a Seu serviço.

 


terça-feira, 4 de agosto de 2026

 Barnabé e Paulo em Chipre. Atos 13.1-12 


A igreja de Antioquia é uma igreja gentia, judeus helenistas anunciaram Jesus como Senhor. “E a mão do Senhor era com eles, e um grande número de pessoas creu e se converteu ao Senhor”. Antioquia era congregação de Jerusalém, mas uma igreja constituída de gentios, enquanto que Jerusalém, era somente judeus. E foi em Antioquia que os discípulos foram chamados pela primeira vez de cristãos, pequenos Cristos. Esse nome foi dado pejorativamente, como zombaria, como escarnio.

A igreja é formada por gente limitada e imperfeita, a igreja é, em sua própria essência, um espaço muito propicio para decepções. Especialmente quando nos aproximamos dela com grandes expectativas. A igreja, quando reunida, não é um lugar de pessoas resolvidas e acabadas, mas de pessoas que reconhece sua impotência e, por isso, entrega-se à graça de Deus. "Os são não precisam de médicos, mas sim, os doentes" (Mc 2.17). 

A igreja primitiva tinha um mandato, Atos 1.8, ser discípulo de Jesus começando por Jerusalém até os confins da terra. Primeiro, a igreja tinha que avançar em direção aos que não ouviram o evangelho, não compreenderam ou não acolheram a verdade de Deus; Segundo, a igreja tem que romper barreiras geográficas, socias, étnicas, culturais; Terceiro, a igreja seria uma comunidade capacitada de orientada pelo Espirito Santo. Dietrich Bonhoeffer, pastor da igreja confessional na Alemanha, afirmou: “A igreja só é igreja quando o é para os de fora”.

1)     Igreja de Antioquia

Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger; Lúcio, de Cirene; Manaém, que tinha sido criado com Herodes; e Saulo”(At 13.1) . Era uma igreja cheia de dons, principalmente nas ministeriais. O apostolo Paulo em Efésio fala sobre “...a multiforme sabedoria de Deus” (Ef 3.10), que é manifestada na igreja reunida. “Barnabé”, era levita, originário da ilha de Chipre, seu nome era José, mas a igreja lhe deu o apelido de “Barnabé” que significa “encorajador”, ou “consolador”. 

“Simeão, chamado Níger”. Níger (negro), provavelmente era um africano negro, alguns sugerem que esse Simão é o mesmo homem de Cirene que levou a cruz de Cristo  (Lc 23.26), e seus filhos Alexandre e Rufo eram conhecidos na igreja (Rm 16.13). “Lúcio, de Cirene”, também era do norte da África. “Manaém, que tinha sido criado com Herodes”, amigo de infância de Herodes Antipas, tinha conexão com o poder e a aristocracia, e é provável que ele tivesse 65 anos. Por fim, “Saulo”, judeu, nascido em Tarso, também cidadão romano. Nesse tempo, o primeiro nome sempre indica ascensão e aqui aparece “Barnabé”, e Saulo, aparece em último lugar.

E, servindo-os ao Senhor, e jejuando, disse o Espirito Santo: Apartai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2 ARA). “...quando eles estavam adorando o Senhor e jejuando...” (NTLH). Os membros estavam adorando ao Senhor, todos estavam juntos. Deus se manifesta quando sua igreja se reúne para cultuar ao Senhor, cantar louvores e ouvir a pregação da Palavra de Deus. É aqui que Deus se manifesta e revela sua vontade. 

Gunnar Vingren e Daniel Berg estavam em culto de oração na cidade de Chicago, Estados Unidos da América. Nessa reunião havia o irmão Adolf Uldin que se levantou e disse para os dois suecos: “A chamada de Deus é para ir ao Pará”. Eles não sabiam onde ficava essa cidade, procuraram uma biblioteca e descobriram que este lugar ficava no Brasil, no norte do Brasil. Em 19 de novembro de 1910, os dois suecos pegaram o navio Clements e vieram ao Brasil.

“Apartai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (ARC). Como Deus levantou o irmão Adolfo Uldin, assim na igreja de Antioquia Deus levantou um dos profetas da igreja de Antioquia para anunciar essa mensagem.  O Espírito não especifica a obra na vida dos missionários. Não foi muito diferente da chamada de Abraão: “Vai para a terra que te mostrarei” (Gn 12). Em ambos os casos, o chamado para ir estava evidente, mas o país e o trabalho não. Assim, em ambos os casos, a resposta ao chamado de Deus exigia um ousado passo de fé.

O que a igreja fez? “Então, depois de terem jejuado e orado, puseram as mãos sobre eles e os deixaram partir” (v.3 VFL). Diferentemente de muitas igrejas, que tenta fazer de suas vontades e preferencias a pauta da agenda da missão de Deus no mundo, a igreja de Antioquia demonstra: Primeiro, grande atenção, sensibilidade ao mover de Deus; segundo prontidão em submeter-se ao mesmo. Deus queria que, a partir de Antioquia, muitas outras igrejas fossem plantadas e muita gente tivesse a oportunidade de ouvir, compreender e render-se ao Evangelho.

2)     Missão

Os dois ... navegaram de lá para Chipre. Quando chegaram a Salamina, proclamaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas. João estava com eles como seu auxiliar” (At 13.5). João Marcos era auxiliar, filho de Maria (onde os irmãos se reuniram para orar por Pedro), primo de Barnabé. Quando os missionários chegaram em Salamina, uma cidade comercial na costa leste de Chipre, “...anunciaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas”. Era uma cidade com grande número de judeus dispersos e com muitas sinagogas. 


Depois deixaram Salamina e fizeram VIAGEM DE cento e sessentaquilômetros por toda a ilha, parando em várias cidades, até que chegaram em Pafos. “Ali encontraram um judeu, chamado Barjesus, que praticava magia e era falso profeta”( At 13.6).  Saulo e Barnabé são identificados como “profetas e mestres” (At 13.1) e são enviados pelo Espírito, que prepara um confronto com Barjesus, identificado como falso profeta que perverte “...os caminhos retos do Senhor” (At 13.10). Mas o nome dele era “Elimas”, é um nome árabe cujo significado é “habilidoso” ou “especialista”, um mago ou um sábio.


 Pafos era a sede da ilha de Chipre, lá estava seu governador, Sérgio Paulo. O texto fala que ele era “um homem inteligente ...e desejava ouvir a palavra de Deus” (At 13.7). Havia uma inquietação no coração do governador sobre a vida e desejava ouvir as boas novas dos missionários. Como disse Agostinho de Hipona: “Minha alma está inquieta enquanto não repousar em ti”. Mas, “Elimas, vendo o perigo à vista, “...se opunha a eles, procurando apartar da fé o governador” (v.8). 

E o mago era o astrólogo, ocultista, prevendo o futuro e interpretando sonhos e sinais do governador. O nome Barjesus significa “filho de Jesus”, além de não ser seguidor de Jesus, é um judeu paganizado que se opõe a Jesus e é, na verdade “filho do Diabo, cheio de todo o engano, inimigo de toda justiça” (AT 13.10). Engano vem do termo vigarista, dissimulado, maldoso. Ele não era filho da salvação, mas filho do Diabo. Elimas via nos missionários cristãos uma ameaça contra o seu prestígio e o seu meio de vida.

Mas, “Saulo. Também chamado Paulo, cheio do Espirito Santo, olhando firmemente para Elimas, disse: “Eis que, agora, a mão do Senhor está contra você, e você ficará cego, não vendo o sol por algum tempo. No mesmo instante, caiu sobre ele névoa e escuridão, e, andando em círculos, procurava quem o guiasse pela mão” (v.11). O homem que cegava os outros com seu ocultismo, através do seu engano, tornou-se fisicamente cego (At 13.11). 

“Então o governador, vendo o que sucedera, creu, maravilhado com a doutrina do Senhor” (At 13.12). O que o deixou atônito foi a combinação entre a palavra e o sinal, o ensino dos apóstolos e a derrota do feiticeiro. Nessa luta entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, os missionários evidenciaram que Deus é maior.

Conclusão.

“Então, Saulo, também chamado Paulo...”. Até aqui, ele foi identificado como Saulo, o nome hebraico pelo o qual Jesus se dirige a ele ao chama-lo (At 9.4). De acordo com Paulo, o fato de ele pertencer a tribo de Benjamin, era um de seus antigos motivos de vanglória, e ele não mudou de nome em sua conversão. Agora, é Paulo (Paulus) era seu apelido latino, cujo significado é pequeno. Agora, será um apostolo para os gentios.  


sábado, 1 de agosto de 2026

 Peregrinação do povo de Deus Nm 33 

Introdução

Todos temos uma história para contar, uma história de vida, uma história de derrota, mas também história de vitória. Uma história antes de Cristo e depois de Cristo. A minha história começa no interior de São Paulo, na cidade de Pirangi; ali eu cresci, ali mora minha mãe e minhas irmãs, ali eu estudei, ali eu trabalhei e ali me distanciei dos caminhos do Senhor. Depois, mudei-me para Ribeirão Preto, mergulhei mais fundo no pecado, mas ali Deus me salvou, mudou a minha e começou uma nova história. Com 18 anos, fui estudar em Pindamonhangaba SP, ficando ali por três anos da minha vida, a fase de estudo e de espiritualidade com Deus.

Mas, tem um momento na minha história que é significativo, peculiar, maravilhoso, revolucionário. Foi quando Deus se manifestou para mim, quando eu tive uma experiencia com Deus. Como aconteceu com Samuel, como aconteceu com Moisés, como aconteceu com Jeremias. Também tive meu momento místico com Deus. Deus me chamou para o ministério e aceitei, disse: “Eis-me aqui”. E Logo, coloquei-me a sua disposição. Em 2007, vim morar em Posto da Mata BA, para pastorear esta igreja. Desde então, estou aqui servindo esse povo abençoado. Isso é um pouco da minha história.

1)     Passado

Vemos aqui a ordem do Senhor para Moisés de escrever os lugares onde o povo caminhou, peregrinou no deserto nesses quarenta anos. A palavra “Números” significa “no deserto”, pois é a história da caminhada do povo de Deus no deserto, desde a saída do Egito até a fronteira de Canaã, são inúmeras histórias. Nesses quarenta Deus cuidou do seu povo, zelou do seu povo, mas também o povo se rebelou, murmurou  contra o Senhor.

 Estamos no final da história. A primeira geração se rebelou contra Deus, não acreditou, subestimou o poder de Deus, murmurou de Deus em quase todos os momentos. E Deus disse: “Vocês não vão entrar na terra prometida, irão vagar pelo deserto até que todos os adultos morram no deserto”. Agora, diante de nós, temos uma segunda geração, uma geração que nasceu e cresceu no deserto, uma geração que não vivenciou o que aconteceu no Egito e no Mar vermelho.  O Senhor, então, fala pra Moisés: “Escreva a caminhada do meu povo pelo deserto desde a saída do Egito até a entrada na terra prometida”.

Moisés, a essa altura está com 120 anos de idade. Como que deve ter sido difícil para ele revisitar esses lugares do passado. Lugares de bons dias e maus dias. Moisés faz a sua lista, muitos lugares citados são conhecidos por nós, como Ramessés (Egito), Pi-Hairote Baal Zefom (uma encruzilhada), Mar Vermelho (Deus abriu para o seu povo passar), Mara (águas amargas), Elim (lugar de Palmeiras e água, oásis), deserto de Sim, Refidim (lugar da murmuração), deserto do Sinai (onde o mandamento foi dado), Cades Barnéia, Edom, Monte Hor, etc.

Tem lugares cuja lembranças são positivas (pensa no livramento no Egito, as dez pragas, depois da travessia do Mar Vermelho, Mirian dançou), mas tem outros lugares que carregam imagens negativas (Mara, deserto de Sim, Monte Sinai, Cades Barneia), que seria bom esquecer, não trazer a memória. E tem alguns lugares que passaram despercebidos, locais de passagem, em que nada aconteceu. Mas, é uma lista memorável para mostrar que o povo de Deus é peregrino nessa terra. Todos nós somos peregrinos e temos lugares que são marcantes, significativos em nossas vidas.

Muitos daquela geração não atravessaram o mar vermelho, não presenciaram o Monte Sinai, não viu o dia em que a montanha tremeu com relâmpagos e trovões. Mas fazem parte da história do povo de Deus. Mesmo que a gente não tenha vivido é a nossa história.  Aqueles que nos representaram viveram essas histórias. Local como o Egito, onde Deus mandou as pragas e libertou o seu povo do jugo de Faraó, matando os primogênitos e o sangue nas casas protegeu o seu povo da morte.

Quantas histórias aprendemos, as palmeiras de Elim, a vitória de Josué sobre os amalequitas. As histórias não são somente da geração antiga, mas histórias do povo de Deus. Por isso que estamos celebrando a história da morte de Jesus, do sofrimento de Cristo, do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Mas nessa lista tem alguns lugares que Israel queria esquecer. Mara e o sufoco que passaram lá, águas salgadas (Ex 15), o deserto de Zim (Nm 20), Refidim (Ex 17), Cades Barneia, são momentos de fraqueza, de pecado, de murmuração, de infidelidade. Moisés se detém um pouco, no v.38 em diante, fala da morte de Arão, seu irmão( sacerdote da casa do Senhor), mas sabemos que ele confeccionou um bezerro, sabemos sobre sua rebelião contra Moisés (nm 12). Por fim, subiu no Monte Hor, lá subiu e ficou, morreu com 123 anos. Mas, Deus não está jogando o pecado na cara do seu povo, porque o sangue é suficiente para perdoar nossos pecados. Isso é história, a história do povo de Deus. História de sucesso, mas também de fracasso. O mais importante é que na nossa história o passado não nos prende, porque fomos perdoados pelo sangue carmesim.

Se nos fizermos uma lista de lugares que passamos, que vivemos, geograficamente ou existencialmente, tem lugares que é doloroso se lembrar; tem geografia que relutamos em lembrar. Nossa jornada tem imperfeição, mas se você está aqui, sentado à mesa do cordeiro, significa que o passado não tem poder de lhe prender. O passado não tem poder de estagnar sua vida. O apostolo Paulo afirma: “Uma coisa eu faço: esquecendo das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, para o prêmio supremo da soberana vocação em Deus em Cristo Jesus” (Fl 3.14).

2)     Futuro

 "Quando vocês atravessarem Jordão para entrar em Canaã”. O povo ainda estava no deserto, chegando as planícies de Moabe, mas ainda não tinha chegado a terra prometida. Ainda tinha o Jordão para atravessar, do jeito que a geração passada atravessou o Mar Vermelho, essa nova geração atravessaria o rio Jordão. O mesmo Deus que atuou no passado, é o mesmo Deus que atua no presente.

Do outro lado do Jordão, tem batalha, tem missão, tem objetivo, tem nossas lutas, do outro lado tem exércitos poderosos. Do outro lado tem ídolos e o povo teria que derrubar todas as imagens esculpidas. O povo somente tinha que adorar o Senhor.  Sim, Moisés, fala do que ainda tem pela frente. A terra tinha que ser distribuída para todas as tribos de Israel, de forma justa e igualitária, não podia ter imparcialidade na mesa do Senhor.

Moisés faz uma advertência ao seu povo: “Se vocês não expulsarem os habitantes da terra, aqueles que vocês permitirem ficar se tornarão farpas em seus olhos e espinhos nas suas costas” (v.55).

Conclusão

No capítulo 34, Moisés dá dimensão da terra de Canaã para o seu povo. Uma terra grande, uma terra fértil, uma terra que mana leite e mel, uma terra prospera. Do mar Mediterrâneo até o rio Jordão, estendendo até o rio tigre, indo até a fronteira com o Egito. Essa era também que eles tinham que conquistar.  Assim, também a igreja espera uma terra que mana leite e mel, um novo céu e uma nova terra.

Temos uma missão, somos uma igreja militante, lutamos em favor do reino de Deus; o domínio da igreja é muito maior do que a terra que Deus prometeu ao povo de Israel. Sim, é para alcançarmos os confins da terra, temos o poder de Deus sobre nossas vidas, temos a armadura de Deus sobre nós.