sexta-feira, 7 de agosto de 2026

 Escola de profetas     2 RS 4.38-44 

Introdução

Viajando de norte a sul, Eliseu anunciava a sua mensagem, sempre acompanhado de extraordinários sinais e maravilhas, como a dizer: “As coisas que faço, faço pelo poder Daquele que me enviou; o único e verdadeiro Deus, o Senhor, o Deus Eterno”. Abandonem, pois, a idolatria e voltem seus corações ao Senhor, nosso Deus.

Nos dias de Elias, a apostasia e a vergonhosa idolatria haviam se alastrado entre o povo de Deus, impulsionado pelos devaneios de Acabe e Jezabel. O povo de Deus havia trocado a glória de seu Senhor pela fútil veneração ao ídolo Baal “o senhor da chuva”. Mas o assombroso confronto no Monte Carmelo e os fenomenais prodígios de Eliseu começaram a reverter a triste situação. Aqules que antes se escondiam pelo de Jezabel, por toda parte, surgiram “escolas teológicas” formando os mensageiros da Palavra de Deus. Havia grupos de estudantes em Ramá, Gibeá, Betel, Gilgal e Jericó (2 Rs 2.3,5,7,15). Muitos séculos depois, o nosso Senhor exortava seus discípulos: “A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.37,38). 

1)     Deus chama os obreiros

Nem todos os profetas do passado tiveram formação teológica convencional (estudar numa escola de teologia). Amós, por exemplo, saiu diretamente do campo, boiadeiro e catador de sicômoros, anunciando a mensagem profética da única maneira que sabia. Com Elias se deu o mesmo; era um homem rústico e de poucas palavras, mas o pouco que sabia usou para glorificar o nome de Deus. A maioria dos profetas, no entanto, até mesmo aqueles que nos são desconhecidos, receberam uma formação teológica mais “especializada”. Pastor Billy Graham disse se tivesse três anos de vida, passaria dois anos estudando a Palavra de Deus e apenas um ano pregando.

Geralmente os estudantes moravam juntos em uma casa ou em pequenas comunidades, onde o ensino era ministrado (2 Rs 6.1-2). Alguns “estudantes” eram casados e mantinham seus próprios lares (2 Rs 4.1). É bem provável que tenha sido Samuel  o primeiro a tomar a iniciativa de organizar esse tipo de “ensino teológico” (1 Sm 10.5; 19.23). A formação acadêmica dos discípulos de profetas consistia no estudo das Escrituras e das leis mosaicas. Hoje, em nossas escolas teológicas a grade curricular é muito mais abrangente. Havia espaço ainda mais a instrução na musica sacra e na poesia (1 Sm 10.5). O “professor”, um profeta mais experiente, transmita o ensino com seu exemplo de vida e seu trabalho, e eram eles mesmos que consagravam os novos obreiros à missão de reconduzir o rebanho desgarrado de Israel ao aprisco do Senhor, o pastor da nossa alma (Sl 23).

2)     Deus cuida de seus obreiros.

a vida diária nas escolas de profetas não era nada cômoda. Os estudos eram exaustivos, as acomodações precárias (2 Rs 6.1), a falta de recursos era uma constante (2 Rs 4.1), o trabalho era árduo e, se não bastasse isso tudo, a comida era escassa, geralmente produzida por eles mesmos, em hortas comunitárias. As coisas ficaram ainda piores quando Deus enviou uma estiagem que durou sete anos (2 Rs 8.1). Se a nação toda padeceu, quanto mais aqueles que deixaram tudo pelo ministério!

Foi exatamente nesse contexto de crise que Eliseu, o “homem de Deus”, chegou no seminário de Gilgal para uma série de conferências, de pregações. A receptividade foi calorosa, mas a despensa estava vazia. Eliseu enviou um dos alunos ao campo para colher frutos e raízes comestíveis, a fim de preparar um sopão para todos. Mas algo saiu errado; um dos ingredientes estragou a sopa, tornando-a amarga e venenosa. A “colocíntida”, “uma trepadeira do campo” (NVT) (2 Rs 4.39), uma espécie de pepino selvagem, em pequenas quantidades era usada para fins medicina, mas em grande quantidade tornava-se tóxica e extremamente amarga.

“Cortou os frutos em pedaços e os colocou na panela, sem saber exatamente o que eram” (2 Rs 4.39 NVT). Você comeria? Diz-nos o texto: “O ensopado foi servido aos homens...”. Todos comeram, todos participaram desse banquete sem saber o que estavam comendo! Até que alguém grita: “Homem de Deus, há veneno neste ensopado! E não puderam comê-lo”. (2 Rs 4.40).  

Deus usa o profeta Eliseu, “Tragam-me um pouco de farinha”. O homem de Deus não era baiano, mas usou o que tinha na mão “farinha”. “Jogou a farinha na panela e disse: “Agora podem comer. E o ensopado não lhes fez mal” (2 Rs 4.41). O milagre aconteceu, não por causa da farinha, mas pela fé de Eliseu. Ele poderia ter usado cevada, hortelã, pão ou qualquer outra coisa, e o resultado seria o mesmo.

O ministério de Eliseu e seus discípulos começou a dar bons resultados, visto que o poder de Deus acompanhava suas pregações, enquanto Baal – o “deus da chuva”, permanecia inoperante. Um dos sinais de mudança pode ser visto pelo fato de um homem da cidade vizinha (Baal-Salisa) ter vindo à “casa de profetas” trazer uma oferta em mantimentos para o sustento de Eliseu, conforme prescrevia a lei de Moisés (Nm 18.13). A oferta era generosa para um só homem, mas insuficiente para cem alunos (2 Rs 4.43). “Como servirei a cem homens?”

Era um direito de Eliseu reter a oferta para si, pois “digno é o trabalhador do seu salário” (Lc 10.7), contudo, preferiu repartir aquela benção com os demais colegas de ministério, e Deus abençoou a sua decisão “todos comeram e ainda sobrou” (2 Rs 4.43). O milagre operado por Eliseu com vinte pães e algumas espigas e o fato de ter ele multiplicado o azeite da viúva nos trazem à lembrança um outro grande profeta de Deus, aliás, o Messias, que, com cinco pães e dois peixinhos, alimentou uma grande multidão de famintos (Mt. 14.15-21).

Conclusão

Em qualquer época, sejam tempos de fartura ou tempo de escassez, de paz ou de guerra, de bonança ou de tempestade, a seara permanece operante, e o Senhor continua convocando trabalhadores para sua Seara, na promessa de que sempre zelará pelos que estão a Seu serviço.

 

fonte: Editora Cristã Evangélica. 

 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

 Barnabé e Paulo em Chipre. Atos 13.1-12 


A igreja de Antioquia é uma igreja gentia, judeus helenistas anunciaram Jesus como Senhor. “E a mão do Senhor era com eles, e um grande número de pessoas creu e se converteu ao Senhor”. Antioquia era congregação de Jerusalém, mas uma igreja constituída de gentios, enquanto que Jerusalém, era somente judeus. E foi em Antioquia que os discípulos foram chamados pela primeira vez de cristãos, pequenos Cristos. Esse nome foi dado pejorativamente, como zombaria, como escarnio.

A igreja é formada por gente limitada e imperfeita, a igreja é, em sua própria essência, um espaço muito propicio para decepções. Especialmente quando nos aproximamos dela com grandes expectativas. A igreja, quando reunida, não é um lugar de pessoas resolvidas e acabadas, mas de pessoas que reconhece sua impotência e, por isso, entrega-se à graça de Deus. "Os são não precisam de médicos, mas sim, os doentes" (Mc 2.17). 

A igreja primitiva tinha um mandato, Atos 1.8, ser discípulo de Jesus começando por Jerusalém até os confins da terra. Primeiro, a igreja tinha que avançar em direção aos que não ouviram o evangelho, não compreenderam ou não acolheram a verdade de Deus; Segundo, a igreja tem que romper barreiras geográficas, socias, étnicas, culturais; Terceiro, a igreja seria uma comunidade capacitada de orientada pelo Espirito Santo. Dietrich Bonhoeffer, pastor da igreja confessional na Alemanha, afirmou: “A igreja só é igreja quando o é para os de fora”.

1)     Igreja de Antioquia

Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger; Lúcio, de Cirene; Manaém, que tinha sido criado com Herodes; e Saulo”(At 13.1) . Era uma igreja cheia de dons, principalmente nas ministeriais. O apostolo Paulo em Efésio fala sobre “...a multiforme sabedoria de Deus” (Ef 3.10), que é manifestada na igreja reunida. “Barnabé”, era levita, originário da ilha de Chipre, seu nome era José, mas a igreja lhe deu o apelido de “Barnabé” que significa “encorajador”, ou “consolador”. 

“Simeão, chamado Níger”. Níger (negro), provavelmente era um africano negro, alguns sugerem que esse Simão é o mesmo homem de Cirene que levou a cruz de Cristo  (Lc 23.26), e seus filhos Alexandre e Rufo eram conhecidos na igreja (Rm 16.13). “Lúcio, de Cirene”, também era do norte da África. “Manaém, que tinha sido criado com Herodes”, amigo de infância de Herodes Antipas, tinha conexão com o poder e a aristocracia, e é provável que ele tivesse 65 anos. Por fim, “Saulo”, judeu, nascido em Tarso, também cidadão romano. Nesse tempo, o primeiro nome sempre indica ascensão e aqui aparece “Barnabé”, e Saulo, aparece em último lugar.

E, servindo-os ao Senhor, e jejuando, disse o Espirito Santo: Apartai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2 ARA). “...quando eles estavam adorando o Senhor e jejuando...” (NTLH). Os membros estavam adorando ao Senhor, todos estavam juntos. Deus se manifesta quando sua igreja se reúne para cultuar ao Senhor, cantar louvores e ouvir a pregação da Palavra de Deus. É aqui que Deus se manifesta e revela sua vontade. 

Gunnar Vingren e Daniel Berg estavam em culto de oração na cidade de Chicago, Estados Unidos da América. Nessa reunião havia o irmão Adolf Uldin que se levantou e disse para os dois suecos: “A chamada de Deus é para ir ao Pará”. Eles não sabiam onde ficava essa cidade, procuraram uma biblioteca e descobriram que este lugar ficava no Brasil, no norte do Brasil. Em 19 de novembro de 1910, os dois suecos pegaram o navio Clements e vieram ao Brasil.

“Apartai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (ARC). Como Deus levantou o irmão Adolfo Uldin, assim na igreja de Antioquia Deus levantou um dos profetas da igreja de Antioquia para anunciar essa mensagem.  O Espírito não especifica a obra na vida dos missionários. Não foi muito diferente da chamada de Abraão: “Vai para a terra que te mostrarei” (Gn 12). Em ambos os casos, o chamado para ir estava evidente, mas o país e o trabalho não. Assim, em ambos os casos, a resposta ao chamado de Deus exigia um ousado passo de fé.

O que a igreja fez? “Então, depois de terem jejuado e orado, puseram as mãos sobre eles e os deixaram partir” (v.3 VFL). Diferentemente de muitas igrejas, que tenta fazer de suas vontades e preferencias a pauta da agenda da missão de Deus no mundo, a igreja de Antioquia demonstra: Primeiro, grande atenção, sensibilidade ao mover de Deus; segundo prontidão em submeter-se ao mesmo. Deus queria que, a partir de Antioquia, muitas outras igrejas fossem plantadas e muita gente tivesse a oportunidade de ouvir, compreender e render-se ao Evangelho.

2)     Missão

Os dois ... navegaram de lá para Chipre. Quando chegaram a Salamina, proclamaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas. João estava com eles como seu auxiliar” (At 13.5). João Marcos era auxiliar, filho de Maria (onde os irmãos se reuniram para orar por Pedro), primo de Barnabé. Quando os missionários chegaram em Salamina, uma cidade comercial na costa leste de Chipre, “...anunciaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas”. Era uma cidade com grande número de judeus dispersos e com muitas sinagogas. 


Depois deixaram Salamina e fizeram VIAGEM DE cento e sessentaquilômetros por toda a ilha, parando em várias cidades, até que chegaram em Pafos. “Ali encontraram um judeu, chamado Barjesus, que praticava magia e era falso profeta”( At 13.6).  Saulo e Barnabé são identificados como “profetas e mestres” (At 13.1) e são enviados pelo Espírito, que prepara um confronto com Barjesus, identificado como falso profeta que perverte “...os caminhos retos do Senhor” (At 13.10). Mas o nome dele era “Elimas”, é um nome árabe cujo significado é “habilidoso” ou “especialista”, um mago ou um sábio.


 Pafos era a sede da ilha de Chipre, lá estava seu governador, Sérgio Paulo. O texto fala que ele era “um homem inteligente ...e desejava ouvir a palavra de Deus” (At 13.7). Havia uma inquietação no coração do governador sobre a vida e desejava ouvir as boas novas dos missionários. Como disse Agostinho de Hipona: “Minha alma está inquieta enquanto não repousar em ti”. Mas, “Elimas, vendo o perigo à vista, “...se opunha a eles, procurando apartar da fé o governador” (v.8). 

E o mago era o astrólogo, ocultista, prevendo o futuro e interpretando sonhos e sinais do governador. O nome Barjesus significa “filho de Jesus”, além de não ser seguidor de Jesus, é um judeu paganizado que se opõe a Jesus e é, na verdade “filho do Diabo, cheio de todo o engano, inimigo de toda justiça” (AT 13.10). Engano vem do termo vigarista, dissimulado, maldoso. Ele não era filho da salvação, mas filho do Diabo. Elimas via nos missionários cristãos uma ameaça contra o seu prestígio e o seu meio de vida.

Mas, “Saulo. Também chamado Paulo, cheio do Espirito Santo, olhando firmemente para Elimas, disse: “Eis que, agora, a mão do Senhor está contra você, e você ficará cego, não vendo o sol por algum tempo. No mesmo instante, caiu sobre ele névoa e escuridão, e, andando em círculos, procurava quem o guiasse pela mão” (v.11). O homem que cegava os outros com seu ocultismo, através do seu engano, tornou-se fisicamente cego (At 13.11). 

“Então o governador, vendo o que sucedera, creu, maravilhado com a doutrina do Senhor” (At 13.12). O que o deixou atônito foi a combinação entre a palavra e o sinal, o ensino dos apóstolos e a derrota do feiticeiro. Nessa luta entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, os missionários evidenciaram que Deus é maior.

Conclusão.

“Então, Saulo, também chamado Paulo...”. Até aqui, ele foi identificado como Saulo, o nome hebraico pelo o qual Jesus se dirige a ele ao chama-lo (At 9.4). De acordo com Paulo, o fato de ele pertencer a tribo de Benjamin, era um de seus antigos motivos de vanglória, e ele não mudou de nome em sua conversão. Agora, é Paulo (Paulus) era seu apelido latino, cujo significado é pequeno. Agora, será um apostolo para os gentios.  


sábado, 1 de agosto de 2026

 Peregrinação do povo de Deus Nm 33 

Introdução

Todos temos uma história para contar, uma história de vida, uma história de derrota, mas também história de vitória. Uma história antes de Cristo e depois de Cristo. A minha história começa no interior de São Paulo, na cidade de Pirangi; ali eu cresci, ali mora minha mãe e minhas irmãs, ali eu estudei, ali eu trabalhei e ali me distanciei dos caminhos do Senhor. Depois, mudei-me para Ribeirão Preto, mergulhei mais fundo no pecado, mas ali Deus me salvou, mudou a minha e começou uma nova história. Com 18 anos, fui estudar em Pindamonhangaba SP, ficando ali por três anos da minha vida, a fase de estudo e de espiritualidade com Deus.

Mas, tem um momento na minha história que é significativo, peculiar, maravilhoso, revolucionário. Foi quando Deus se manifestou para mim, quando eu tive uma experiencia com Deus. Como aconteceu com Samuel, como aconteceu com Moisés, como aconteceu com Jeremias. Também tive meu momento místico com Deus. Deus me chamou para o ministério e aceitei, disse: “Eis-me aqui”. E Logo, coloquei-me a sua disposição. Em 2007, vim morar em Posto da Mata BA, para pastorear esta igreja. Desde então, estou aqui servindo esse povo abençoado. Isso é um pouco da minha história.

1)     Passado

Vemos aqui a ordem do Senhor para Moisés de escrever os lugares onde o povo caminhou, peregrinou no deserto nesses quarenta anos. A palavra “Números” significa “no deserto”, pois é a história da caminhada do povo de Deus no deserto, desde a saída do Egito até a fronteira de Canaã, são inúmeras histórias. Nesses quarenta Deus cuidou do seu povo, zelou do seu povo, mas também o povo se rebelou, murmurou  contra o Senhor.

 Estamos no final da história. A primeira geração se rebelou contra Deus, não acreditou, subestimou o poder de Deus, murmurou de Deus em quase todos os momentos. E Deus disse: “Vocês não vão entrar na terra prometida, irão vagar pelo deserto até que todos os adultos morram no deserto”. Agora, diante de nós, temos uma segunda geração, uma geração que nasceu e cresceu no deserto, uma geração que não vivenciou o que aconteceu no Egito e no Mar vermelho.  O Senhor, então, fala pra Moisés: “Escreva a caminhada do meu povo pelo deserto desde a saída do Egito até a entrada na terra prometida”.

Moisés, a essa altura está com 120 anos de idade. Como que deve ter sido difícil para ele revisitar esses lugares do passado. Lugares de bons dias e maus dias. Moisés faz a sua lista, muitos lugares citados são conhecidos por nós, como Ramessés (Egito), Pi-Hairote Baal Zefom (uma encruzilhada), Mar Vermelho (Deus abriu para o seu povo passar), Mara (águas amargas), Elim (lugar de Palmeiras e água, oásis), deserto de Sim, Refidim (lugar da murmuração), deserto do Sinai (onde o mandamento foi dado), Cades Barnéia, Edom, Monte Hor, etc.

Tem lugares cuja lembranças são positivas (pensa no livramento no Egito, as dez pragas, depois da travessia do Mar Vermelho, Mirian dançou), mas tem outros lugares que carregam imagens negativas (Mara, deserto de Sim, Monte Sinai, Cades Barneia), que seria bom esquecer, não trazer a memória. E tem alguns lugares que passaram despercebidos, locais de passagem, em que nada aconteceu. Mas, é uma lista memorável para mostrar que o povo de Deus é peregrino nessa terra. Todos nós somos peregrinos e temos lugares que são marcantes, significativos em nossas vidas.

Muitos daquela geração não atravessaram o mar vermelho, não presenciaram o Monte Sinai, não viu o dia em que a montanha tremeu com relâmpagos e trovões. Mas fazem parte da história do povo de Deus. Mesmo que a gente não tenha vivido é a nossa história.  Aqueles que nos representaram viveram essas histórias. Local como o Egito, onde Deus mandou as pragas e libertou o seu povo do jugo de Faraó, matando os primogênitos e o sangue nas casas protegeu o seu povo da morte.

Quantas histórias aprendemos, as palmeiras de Elim, a vitória de Josué sobre os amalequitas. As histórias não são somente da geração antiga, mas histórias do povo de Deus. Por isso que estamos celebrando a história da morte de Jesus, do sofrimento de Cristo, do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Mas nessa lista tem alguns lugares que Israel queria esquecer. Mara e o sufoco que passaram lá, águas salgadas (Ex 15), o deserto de Zim (Nm 20), Refidim (Ex 17), Cades Barneia, são momentos de fraqueza, de pecado, de murmuração, de infidelidade. Moisés se detém um pouco, no v.38 em diante, fala da morte de Arão, seu irmão( sacerdote da casa do Senhor), mas sabemos que ele confeccionou um bezerro, sabemos sobre sua rebelião contra Moisés (nm 12). Por fim, subiu no Monte Hor, lá subiu e ficou, morreu com 123 anos. Mas, Deus não está jogando o pecado na cara do seu povo, porque o sangue é suficiente para perdoar nossos pecados. Isso é história, a história do povo de Deus. História de sucesso, mas também de fracasso. O mais importante é que na nossa história o passado não nos prende, porque fomos perdoados pelo sangue carmesim.

Se nos fizermos uma lista de lugares que passamos, que vivemos, geograficamente ou existencialmente, tem lugares que é doloroso se lembrar; tem geografia que relutamos em lembrar. Nossa jornada tem imperfeição, mas se você está aqui, sentado à mesa do cordeiro, significa que o passado não tem poder de lhe prender. O passado não tem poder de estagnar sua vida. O apostolo Paulo afirma: “Uma coisa eu faço: esquecendo das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, para o prêmio supremo da soberana vocação em Deus em Cristo Jesus” (Fl 3.14).

2)     Futuro

 "Quando vocês atravessarem Jordão para entrar em Canaã”. O povo ainda estava no deserto, chegando as planícies de Moabe, mas ainda não tinha chegado a terra prometida. Ainda tinha o Jordão para atravessar, do jeito que a geração passada atravessou o Mar Vermelho, essa nova geração atravessaria o rio Jordão. O mesmo Deus que atuou no passado, é o mesmo Deus que atua no presente.

Do outro lado do Jordão, tem batalha, tem missão, tem objetivo, tem nossas lutas, do outro lado tem exércitos poderosos. Do outro lado tem ídolos e o povo teria que derrubar todas as imagens esculpidas. O povo somente tinha que adorar o Senhor.  Sim, Moisés, fala do que ainda tem pela frente. A terra tinha que ser distribuída para todas as tribos de Israel, de forma justa e igualitária, não podia ter imparcialidade na mesa do Senhor.

Moisés faz uma advertência ao seu povo: “Se vocês não expulsarem os habitantes da terra, aqueles que vocês permitirem ficar se tornarão farpas em seus olhos e espinhos nas suas costas” (v.55).

Conclusão

No capítulo 34, Moisés dá dimensão da terra de Canaã para o seu povo. Uma terra grande, uma terra fértil, uma terra que mana leite e mel, uma terra prospera. Do mar Mediterrâneo até o rio Jordão, estendendo até o rio tigre, indo até a fronteira com o Egito. Essa era também que eles tinham que conquistar.  Assim, também a igreja espera uma terra que mana leite e mel, um novo céu e uma nova terra.

Temos uma missão, somos uma igreja militante, lutamos em favor do reino de Deus; o domínio da igreja é muito maior do que a terra que Deus prometeu ao povo de Israel. Sim, é para alcançarmos os confins da terra, temos o poder de Deus sobre nossas vidas, temos a armadura de Deus sobre nós.

 

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

 Pedro é libertado da prisão. At 12.1-19

Introdução

A igreja tem um chamado absoluto com Deus, desafiando as exigências totalitária do Estado. A igreja aponta para uma atividade mais elevada, e isso sempre atinge e ofende o orgulho dos dominadores deste mundo. O Estado tem se levantado contra a igreja, porque a igreja não pode negar sua essência, não pode negar suas convicções. O apostolo Pedro foi coagido a não pregar o evangelho, mas ele foi firme, irremovível: “Julgais vós mesmos se é justo diante de Deus obedecer a vós mais do que a Deus” (At 4.19). a igreja estava incomodando os poderosos com sua mensagem cristocêntrica e espalhando o evangelho em todos os cantos.  

 1)     O caráter da igreja

O texto diz: “Por esta época, o Rei Herodes ...mandou matar à espada Tiago, irmão de João” (At 12.1). Como disse Jesus, João beberia do mesmo cálice que Jesus enfrentou (Mc 10.39), e é executado à espada, morte de decapitação. Mas, Herodes, vendo “que isso agradava os judeus...prendendo também Pedro” (At 12.5). O apostolo Pedro foi lançado na prisão, mas, não sofreu sozinho. Toda igreja sofreu com ele. Em 1 Coríntios 12, o apostolo Paulo compara a igreja ao corpo humano, por causa da natureza orgânica da união das várias partes do corpo, devido à intima conexão vital dos nervos e do suprimento sanguíneo. “Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si” (Rm 14.7). 

Herodes entregou Pedro a quatro escoltas de quatro soldados cada um para cuidar dele. Isso significa que havia dezesseis soldados vigiando Pedro. Acorrentou Pedro a dois soldados, um a cada mão, e além disso postou guardas diante da porta. De um lado, temos o rei Herodes que tranca Pedro com quatro soldados para que ela não venha escapar da prisão. Do outro lado, temos uma igreja que ora.

Somos lembrados quais são as armas da igreja. Herodes é poderoso, governava toda Palestina, tem legiões romanas ao seu dispor, possuindo armas e espadas, cavalos, lanças e escudos. Mas, a igreja não possui grande exércitos de soldados e também não luta com espada, pois segundo o apostolo Paulo “as armas da nossa milicia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas” (2 Co 10.4). A única arma que a igreja contava nessa ocasião quando encarava as ameaças de Herodes era a arma da oração. Diz o texto: “A igreja fazia constante e fervorosa oração a Deus em favor dele” (At 12.5). O apostolo Paulo exorta os crentes: “Orai sem cessar” (1 Ts 5.17). 


2) Deus reponde oração

E, quando Herodes estava para apresentá-lo” (Atos 12.6). ou “Na noite anterior ao dia em que Herodes iria submetê-lo a julgamento” (NVI). Quando foi isso? Nos dias ao final “a celebração da Festa dos Pães sem fermento”, que era uma festa judaica que acontecia após a Páscoa e durava sete dias. Herodes estava ansioso para agradar o povo, mas não podia fazer isso durante a celebração da festa dos pães asmos. “Apresentar” não era determinar sua culpa ou inocência, mas definir as acusações pelas quais ele poderia ser executado. Herodes planejava um julgamento seguido de execução. 

Não há menor dúvida de que Pedro, ao deitar-se para dormir, tenha pensado que essa seria sua última noite na terra, e que na próxima manhã ele sabia que tudo aconteceria bem cedo. Mas Pedro se encontra dormindo tranquilamente. Seu sono é tão pesado como naquela ocasião em que os discípulos tentaram despertar Jesus quando as águas tempestuosas de um vendaval ameaçavam afundar o barco em que estavam (Lc 8.22-25). O Salmista afirmou: “Deito-me e pego no sono; acordo porque o Senhor me sustenta” (Sl 3.5). Uma coisa é deitar na cama, mas outra coisa bem diferente é dormir! Diz o Salmista: “Aos seus amados ele o dá enquanto dormem” (Sl 127.2).

Agora, você se lembra daquela madrugada fria em que Pedro estavam bem acordado, em frente uma fogueira, mentindo e negando o Senhor por três vezes? Quando ele ouviu o galo cantar em seus ouvidos? Um canto que cortava sua alma! Agora, Pedro está na cadeia, preso por falar do Nome de Jesus, e Deus lhe concedeu ao seu amado sono. Alguns anos depois, os cristãos enfrentarão nas arenas leões famintos com um sorriso no rosto, agradecendo a Deus por serem considerados dignos de sofrer pele nome dEle.

E aconteceu que... Pedro estava dormindo entre dois soldados, com algemas presas a duas correntes, e as sentinelas guardavam o cárcere diante da porta...de repente, uma luz intensa brilhou na cela” (At 12.6). Em Genesis diz que no começo de tudo “a terra era sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo” (Gn 1.2). Disse Deus: “Haja luz” (Gn 1.3). “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 Jo 1.5). Ele é o “pai das luzes, em que não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Deus se mostrou como luz na sarça ardente que Moises viu; Paulo, no caminho de Damasco, subitamente viu uma luz que brilhou diante dele. 

O que isso significa? Significa a luz em oposição as trevas do pecado, do mal e da iniquidade. As forças do mal, do maligno, sempre se opuseram à igreja quando dava seu testemunho. O inferno se levanta contra a igreja, isso é as trevas, à escuridão. Se de um lado temos as trevas, do outro lado, temos a santidade (kabode), a pureza de Deus, e a alvura da eternidade. Na hora da aflição, vemos a diferença entre as trevas e o mal, e a luz e a santidade de Deus.

Vemos Pedro na prisão, dentro de uma cela, vemos um punhado de gente, de irmãos orando em favor dele. Era a última noite de Pedro, tudo parecia sem esperança; a luta era desigual demais. Alguns até falavam: “Não se pode fazer nada, terá o mesmo fim de Tiago”. Portanto, não havia certeza, somente desesperança e desespero. De repente, “subitamente, surgiu um anjo do Senhor”. De repente “brilhou uma luz”, a luz de Deus, a luz de esperança, a luz nas trevas “Nem mesmo as trevas serão escuras para ti; a noite brilhará como o dia, pois para ti as trevas são luz” (Sl 139.12).

Não parecia haver saída para Pedro, tudo era desespero.  Aí então brilha uma luz e lhe revela a saída. Subitamente ele lança seus raios sobre o caminho escuro e vemos a luz iluminando o caminho. A luz é aquilo que nos aponta a saída para o que parecia ser uma situação impossível. A luz indica o caminho que temos de seguir quando não saber o que fazer “uma luz resplandeceu na escuridão”

Pedro está dormindo, acorrentado a dois soldados, com outros soldados parados do lado de fora da porta, que provavelmente estava trancada e fechada. O grande portão de ferro separa toda prisão do restante da cidade. Não se pode fazer nada. Mas, Deus interveio, nada é impossível para o Nosso Deus.

Não importa qual seja nossa situação, quão essa seja a escuridão, quão escuro esteja seu caminho, quão apertado sejam suas algemas, quão aprisionado e amarrado você esteja, se Deus quer você livre, isso pode ser feito, isso será feito. Não importa os obstáculos, suas cadeias, os soldados, as grades e as trancas de ferro, o peso do maciço portão de ferro, a espessura da parede. Mas com Deus todas as coisas são possíveis.

Conclusão

“O anjo tocou em Pedro e lhe disse: Depressa! Depressa! Levante-se e as correntes caíram dos pulsos de Pedro. Então o anjo lhe disse: vista-se e calce as sandálias” (Atos 12.8). Parecia, para o apostolo, que isso era uma visão, mas depois percebeu que era real. Quando finalmente, chegou do lado de fora da cadeia, depois de terem caminhado ao longo de uma rua, o anjo sumiu... 

Quando Pedro chegou na casa de Maria, não estava acreditando que fosse ele, pensavam que fosse um anjo. Os irmãos questionaram a menina que foi receber Pedro no portão, lhe dizendo: “você perdeu o juízo”, “você está maluca”, “fora de contato com a realidade”. Mas, era Pedro que estava lá fora, querendo entrar para dentro da casa.

Algumas lições: 1) Peça a Deus o que você quer e seja ousado! Ore com ousadia pelo que é bom. 2) confie na soberania de Deus e na bondade de Deus para prevalecer. As pessoas na casa de Maria se reuniram para orar por Pedro.

 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Chamados de cristãos At 11.19-30 

Introdução

O que é ser cristão nos dias de hoje? Nos definimos não mais como seguidores de Cristo, mas estamos sob uma placa denominacional. Sou da igreja do “Ultimo dia”, sou da igreja “Juizo final”, etc, sim, nos identificamos em uma “denominação”, não como seguidor de Cristo. Os cristãos tinham um simbolo que era o peixe, que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. Mas, será que temos sido um representante de Cristo onde estamos? É isso que vamos estudar nessa noite. 

A perseguição iniciada com a morte de Estevão, ao invés de acovardar os discípulos, espalhou os discípulos. A perseguição faz com a igreja aquilo que o vento faz com a semente, espalhando-a e aumentando a colheita. Os discípulos saíram pregando a Palavra de Deus “...caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia...” (At 11.19). O mandato de Jesus em Atos 1.8, está sendo concretizado: Jerusalém, Judéia, Samaria, agora subindo mais ao norte de Israel, Fenícia; depois saem do continente e vão para a ilha de Chipre, terra natal de Barnabé. Por fim, chegam em Antioquia.

1)     Antioquia

Antioquia era uma cidade com quinhentos mil habitantes, era a terceira maior cidade do Império Romano, depois de Roma e Alexandria. Era uma cidade bela com construções grandiosas, sua rua principal tinha mais de 7 quilômetros de extensão, com calçada de mármore e ladeada de colunas. Também era sinônimo de imoralidade e luxuria, infestada de clubes noturnos. Era famosa pelo culto a ninfa Dafne,  um templo de imoralidade sexual. 

“...alguns dos discípulos que foram de Chipre e Cirene até Antioquia começaram a anunciar aos gentios as Boas-Novas a respeito do Senhor Jesus Cristo” (At 11.20). Esses judeus são helenistas, como Estevão e Filipe, e estão espalhando a semente do evangelho aos gentios. Eles não apresentam Jesus como “Messias”, mas como “Senhor”. O objetivo é levar os ouvintes a abandonarem os deuses falsos e voltarem para o único Senhor verdadeiro.  Eles adoravam ídolos romanos e gregos e precisavam conhecer o único Senhor, que é Jesus Cristo.

“E a mão do Senhor era com eles, e um grande numero de pessoas creu e se converteu ao Senhor” (At 11.21). “A mão do Senhor”, ou “o poder do Senhor” (NTLH) estava sobre os discípulos. Assim como aconteceu com o apostolo Pedro em Jerusalém, como aconteceu com Filipe em Samaria, estava acontecendo em Antioquia, sim, Deus estava fazendo coisas extraordinárias. A partir de agora, a cidade passou a ser o centro da missão da igreja ao mundo gentio.

“E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia” (At 11.22). Da mesma forma que aconteceu em Samaria, enviado os apóstolos Pedro e João, agora enviaram Barnabé para supervisionar a obra em Antioquia. E o que ele vê? “...viu a graça de Deus, ficou muito alegre”.  O que ele fez? “encorajou” (VFL), “incentivou” (NVT), “exortou” (ARC), para que fossem perseverantes e íntegros.  O verbo é parakaleo que carrega a ideia de estar ao lado de alguém, coragem, conforto, esperança, perspectiva positiva. É como um incentivador que desafia sem condenar, inspira sem condescender e ajuda o outro a caminhar em direção à excelência. 

O texto fala que Barnabé “era homem bom, cheio do Espirito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor” (At 11.24). Diante da personalidade de Barnabé, que era cheio do Espirito Santo e fé “...muita gente se uniu”. Lucas usou esse verbo duas vezes em relação ao dia de Pentecoste, primeiro em relação aos três mil que foram acrescentados naquele dia (At 2.41) e depois em relação aos acréscimos diários subsequentes (At 2.47). Mais tarde, ele descreveu que “mais e mais” homens e mulheres crentes no Senhor foram acrescidos à igreja (At 5.14), enquanto em Antioquia da Síria, “muita gente” foi acrescentada (At 11.24).

2)     A obra não pode parar.

“Depois Barnabé foi a Tarso à procura de Saulo” (At 11.25). O caminho de Antioquia à Tarso era de 150 quilômetros. Mas, Barnabé tinha ciência que Deus havia chamado Saulo para pregar o evangelho aos gentios (At 9.15) e que Saulo pregou com destemor em Damasco (At 9.19) e em Jerusalém (At 9.28). Ele foi mandado para Tarso, porque os judeus queriam mata-lo. Agora, depois de quase 14 anos, Barnabé sabe que Saulo fora preparada para esse momento. Crescera em Tarso, falava o grego, tinha cidadania romana, em sua adolescência estudou aos pés de Gamaliel. E, por fim, foi chamado por Deus para pregar aos gentios. 

“Tendo-o achado, levou-o para Antioquia. E, durante um ano inteiro, reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente. Em Antioquia, os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez” (At 11.26). um ano de formação ministerial. Os dois, durante um ano, trabalharam juntos, não apenas evangelizando, mas estabelecendo os crentes como igreja, os crentes foram ensinados. Nesse tempo, Saulo aprendeu os fundamentos da formação, organização e estabilização da igreja. Barnabé e Saulo trabalhavam com afinco, evangelizando, ensinando, pregando o evangelho em todos os lugares de Antioquia.

“...os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez”. Os seguidores de Jesus eram chamados de “discípulos” (At 6.1), “santos” (At 9.13), “irmãos” (At 1.16), “fiéis” (At 10.45).  Agora pela primeira vez os discípulos foram chamados de “cristãos”, isto é, pequenos Cristos. Cristão é alguém que pertence a Cristo, esse nome foi dado pejorativamente, como zombaria, denegrir, escarnio. Mesmo que tivesse esse objetivo de escarnecer os discípulos, ser cristão, significava viver a mensagem de Cristo, viver do jeito que Cristo viveu. 


“...naqueles dias, desceram profetas de Jerusalém para Antioquia” (At 11.27). Assim como no Antigo Testamento, os profetas eram porta-vozes humanos que Deus usava para revelar sua vontade. As filhas de Filipe, diácono, eram profetizas (At 21.9). A Bíblia diz que a profecia tem três funções: edificar, exortar e consolar (1 Co 14.3). Um dos profetas “...chamado Ágabo, levantou-se e, pelo poder do Espirito Santo, anunciou: haverá uma grande falta de alimentos no mundo inteiro” (At 11.28). Isso aconteceria na época do governo de Claudio, imperador Romano. Flavio Josefo, historiador, escreveu sobre uma grande fome que oprimiu o povo da Judéia e muitas pessoas morreram por não terem como obter alimento. 

Mas a igreja de Antioquia não ficou estacionada diante dessa necessidade “E os discípulos, cada um conforme suas posses, resolveram enviar ajuda aos irmãos que habitavam na Judeia” (At 11.29). A igreja de Antioquia, como as igrejas da Macedônia, recebeu “graça” para contribuir (2 Cr 8.2). Pela graça somos salvos dos pecados, libertados por Cristo e, pela graça, recebemos de Deus o dom de contribuir. A graça é radical!  Da mesma forma, como aconteceu no inicio da igreja primitiva em que compartilhava seus recursos com os necessitados (At 2.44-46). Barnabé já deu exemplo de compartilhamento generoso de bens materiais, e ele e Paulo são encarregados de levar a oferta. 


Conclusão

Diante do exposto como estamos? Somos como os cristãos helenistas dispostos a pregar o evangelho numa cultura totalmente tomada pelo pecado?

Se estamos, podemos ter a certeza absoluta que a mão do Senhor, o poder do Senhor será conosco. Nos capacitando a pregar o evangelho e realizar sinais e maravilhas.

Diante da obra do Senhor, diante da sua igreja, temos sido como Barnabé? Encorajador, incentivador, um parakaleo? Ou será que temos atuado contra o crescimento da obra de Deus?

Será que temos aproveitado os instrumentos que Deus tem colocado diante de nós? Como Barnabé andando por mais de cento e cinquenta quilômetros para trazer Saulo em Antioquia.

Será que temos ouvido de Deus suas profecias? Será que temos estendido as mãos para ajudar os necessitados? 



domingo, 19 de julho de 2026

 Um africano conhece Jesus Atos 8.26 

Introdução

A igreja está passando por um momento de avivamento. Ou seja, o evangelho está sendo pregado anunciado, começando por Jerusalém, Judéia e agora, chegou em Samaria. Filipe, diácono escolhido para servir à mesa, pregava poderosamente em Samaria e Deus realizava sinais e prodígios. Mas, um anjo aparece a Filipe e lhe diz: “vai em direção ao sul para a estrada – a estrada deserta que desce de Jerusalém para Gaza” (At 8.26).

1)     Um africano

Filipe não indagou, não perguntou, somente obedeceu a ordem do anjo do Senhor. Indo pela estrada deserta de Gaza: “...encontrou um eunuco etíope, um oficial importante de todos os tesouros de Candace”. Primeiro, Ele era um eunuco, por sua condição como pessoa sem sexo, um homem que tinha sido fisicamente castrado, alvo de desprezo e zombaria por ser considerado efeminado. Mas, era alto funcionário, tesoureiro administrador das finanças da rainha da Etiópia. Segundo ele era estrangeiro, da distante África negra, etíope. O povo etíope ocupava a região entre o Rio Nilo e o Mar Vermelho.  

Havia muito preconceito em relação aos eunucos. Essas pessoas deviam ser excluídas dos templos, a lei de Moisés já afirmava: “Nenhum homem castrado, que tenha esmagado os testículos, ou amputado o órgão genital poderá fazer parte do povo de Deus” (Dt 23.1). Ver um eunuco pela manhã era sinal de mau agouro e infortúnio. E mais: eunuco não é homem, nem mulher, mas algo misto, híbrido e monstruoso, esquisito à natureza humana.

O Espirito disse a Filipe: “Vá até a carruagem e fique perto dela” (At 8.29). Filipe obedeceu prontamente “vá até a carruagem”. É uma ordem dada por Deus, vai lá fora, onde está o movimento, vá na rua, nas estradas, nas alamedas, nas vielas e prega a minha palavra. Vá nas escolas, nas universidades, nas praças e pregue a minha palavra. Tem muita gente precisando, necessitando de ouvir a Palavra de Deus.

2)     Entende o que lê?

“E estava no caminho de volta para casa. Sentado na sua carruagem, lia o livro do profeta Isaias” (At 8.28). Ele lia as escrituras, estava confuso, curioso, lia mais não entendia, ele estava querendo saber, conhecer o significado. A história que ele lê está em Isaias, capítulo 53, fala de alguém que foi humilhado, abatido, tosquiado, mas foi considerado servo de Deus. As escrituras cativavam sua imaginação, mas ele não conseguia entender seu significado pleno. No mundo antigo, havia um costume de fazer leitura alta, logo, Filipe ouvindo o eunuco lendo se identifica com a passagem e lhe pergunta: “O Senhor entende o que está lendo?”

“Ele respondeu: Como posso entender sem que alguém me explique?”. Para entender as escrituras é preciso estar plenamente fundamentado e ser guiado pelo Espírito Santo. “E convidou Filipe a subir na carruagem” (At 8.31). O texto que o eunuco lia em volta alta era esse: “Ele foi levado como ovelha para o matadouro; e, como cordeiro mudo diante dos tosquiadores, não abriu a boca. Na sua humilhação foi privado de justiça. Quem pode falar de seus descendentes? Pois a sua vida foi tirada da terra” (At 8.33).

Então, Filipe, começando com aquela passagem da escritura, anunciou-lhe as boas novas de Jesus” (At 8.35). Filipe explica que Jesus é a ovelha levada ao matadouro, que sofreu, foi humilhado, chicoteado, carregou uma cruz pesada na via dolorosa, mas não abriu a sua boca. Depois, colocaram-no numa cruz, suas mãos e seus pés foram pregados, na hora da sede deram-lhe vinagre. Morreu naquela rude cruz, com dores excruciantes. Sua morte, porém, não era o fim.

A boa notícia é que Deus ressuscitou dos mortos, sim, Jesus ressuscitou, ele vive,  venceu a morte, todo o poder lhe foi dado, Deus o exaltou em glória. Por causa daquilo que Deus fez, ele está destinado a ter membros incontáveis em sua família espiritual.

Depois da pregação, depois de contar a história da cruz, a história de Jesus, diz o texto: “Seguindo pelo caminho, chegaram a certo lugar onde havia água. Então o eunuco disse: eis aqui água. O que me impede que eu seja batizado?”. E, agora Filipe? Alguns responderiam, sua condição de mutilado ou sua condição racial ou étnica.

Conclusão

Mas Filipe não enxerga desse jeito. Filipe lhe diz que por causa da morte e da ressurreição de Jesus, aqueles que haviam sido excluídos não podiam ser deixados de fora do Israel renovado. Deus tem um lar para quem não tem lar, Deus tem família para quem não tem família. O evangelho é para todos, é a boa nova, especialmente os quebrantados, mutilados pela vida, tolos, e os que nada são. “Então, Filipe e o eunuco desceram à água, e Filipe o batizou” (At 8.38).