domingo, 20 de setembro de 2026

 Venham a mim – Mt 11.28 

No mês de setembro, estamos falando sobre o suicídio. Antes do suicídio vem a depressão. O que é a depressão? É quando a vida não tem sentido, quando não vale a pena viver; tem pessoas depressivas que ficam pesquisando maneiras para se suicidar. Por dia mais de 38 pessoas se matam no Brasil. Temos visto, diante dos nossos olhos, pessoas se matando em nossa cidade e tem aumentado assustadoramente o número de adolescentes e jovens que tiram a própria vida.  O que fazer diante disso?

Nós temos um convite da parte de Jesus: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). Ou: “Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, eu lhe darei descanso” (NTLH).  O grande músico Handel, expressou em sua obra “Messias”: “Ele alimentará seu rebanho como um pastor; venham a Ele”. Esse apelo “Venham a mim” é a parte mais conhecida do capítulo 11 de Mateus, é a parte mais lida em nossos púlpitos. O texto contém dois convites endereçados a nós (v.28,29) e duas afirmações sobre Jesus que fez sobre si mesmo (vs 25 à 27), do evangelho de Mateus.

1)     Duas Afirmações

A primeira, Deus é revelado por Jesus Cristo: “Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar” (v.27). ou seja, a única forma de conhecer a Deus, é através de Jesus, Deus é revelado em Jesus Cristo. No evangelho de João, lemos: “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus unigênito, que está junto do Pai, que o tornou conhecido” (Jo 1.8). Também, no evangelho de João, quando Tomé perguntou: “Como podemos saber o caminho? Jesus respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar ao Pai a não ser por mim” (Jo 14.6). Olha a ênfase de Jesus “ninguém...a não ser por mim”. Somente Ele é a ponte que nos leva ao Pai.

O apostolo Pedro afirmou em Atos 4.12: “E não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há outro nome entre os homens pelo qual devamos ser salvos”. O apostolo Paulo em sua primeira carta ao jovem Timoteo afirmou: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, o homem” (1 Tm 2.5). A passagem de apocalipse, capitulo 5, fala sobre o desespero do apostolo João diante de um livro fechado por dentro e por fora e ninguém fora achado digno de abrir o livro e olhar para ele.

Mas não havia ninguém nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra que pudesse abrir o livro e ver o que estava escrito”. Vejam, não havia ninguém no céu, nem na terra e nem debaixo do céu. Então, um dos anciãos me disse: “Não chore. Olhe! O leão da tribo de Judá, o famoso descendente do rei Davi, conseguiu a vitória e pode quebrar os sete selos e abrir o livro” (Ap 5.5).

A segunda, Jesus diz: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas dos sábios e instruídos e as revelastes aos pequeninos” (Mt 11.25). Nas palavras de Jesus “pequeninos” ou “simples” são aqueles que o buscam com sinceridade e humildade. Destes Deus se deixa achar; dos orgulhos, arrogantes Deus se esconde. Deus é infinito, Deus é Poderoso, Deus é grandioso, quem somos nós perto de seu poder? Quem somos nós, seres humanos mortais, perto daquele que é eterno? Mas, para aos pequeninos, aos simples, aos que se humilham, Deus se manifesta.

2)     Dois convites

“Venham a  mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, eu lhe darei descanso” (Mt 11.28). Este convite é endereçado a todos os seres humanos, todos nós. Ele nos descreve como “cansados e sobrecarregados”, nos comparando como bois carregando arado com um jugo pesado. Assim, todos os seres humanos, estão “cansados e sobrecarregados”, há fardos, temores, medo, ansiedade, angústia, religiosidade, tentações, responsabilidades e solidão.

Há o terrível sentimento de que a vida não tem significado, não tem propósito, não tem sentido. Há fardos de pecados cometidos, consciência pesada, que nada nesse mundo consegue limpar esses fardos. Alguém disse: “Eu entrava no banheiro tão imunda, tão suja moralmente, que esfregava shampoo, sabonete, para limpar o meu pecado, mas era em vão”.

Somente Jesus Cristo pode levar nosso fardo: “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Is 53.6). “Pois ele levou o pecado de muitos” (Is 53.12). “Vejam! É o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). “Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (1 Pe 2.24). “Assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos” (Hb 9.28). 



 As boas novas de salvação é: O Deus Todo-Poderoso nos ama, apesar de nossa rebelião contra ele; ele veio ao nosso encontro na pessoa de seu filho, Jesus Cristo; assumiu nossa natureza e tornou-se um ser humano; viveu uma vida perfeita de amor e, mesmo não tendo pecado em si mesmo, na cruz identificou-se com o nosso pecado e a nossa culpa: “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado” (2 Co 5.21).

“Tomem o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.29-30). Quando vamos a Jesus nosso fardo é retirado e então coloca o seu sobre nós. O que é o jugo de Jesus? É sermos discípulos do seu reino; é nos submeter a sua autoridade. É confessar Jesus como Senhor e Salvador. Nos render totalmente a Ele, depender dEle. Saber que Ele vai cuidar de nós, vai cuidar da nossa vida.

O fardo do mundo é pesado, é cruel, é tirano, é cansativo, tirar nossa essência. Enquanto que o fardo de Jesus é “leve”, nos concedendo uma outra identidade em Cristo. O apostolo Paulo fala: “Aquele que está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas se passaram eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).

 

sábado, 19 de setembro de 2026

 O desejo de casar – Ct 8 

Introdução

Num programa de televisão no qual o homem e a mulher que moram juntos discutiam se deviam se casar. Ele queria, ela não. Ele lhe disse: Por que a gente não casa? Ela atordoada, brava, disse ao homem: “Por quê a gente não precisa de um pedaço de papel para amar um ao outro”. Este pedaço de papel, como todos sabemos, é a certidão de casamento!

1)          Somos assim

A resposta dessa mulher é um retrato da sociedade atual, que chamamos de sociedade liquida, onde tudo que é solido se desfaz. Os valores tradicionais, conservadores são varridos para fora da realidade de muitos homens e mulheres. O que importa, para muitos, é o romance, é o sentimento, é o romantismo. O que importa, para muitos é a aventura amorosa, é a liberdade. Quanto ao casamento de papel passado, quando ao compromisso, à dedicação, isso é coisa do passado.

O rei Salomão em seu livro “Cânticos dos Cânticos”, que escreveu durante seu tempo de mocidade, diferencia o amor verdadeiro com o mero sentimentalismo: Ele diz: “Beije-me o meu amado com os beijos da tua boca, pois os seus afagos são melhores do que o vinho mais nobre”. (Ct 1.1). A expressão “beijo” em Cantares fala de intimidade, aliança, cumplicidade, responsabilidade, verdade, vontade, determinação. Enquanto que “vinho” é sinônimo para diversão, sentimentos, romance, somente prazer, irresponsabilidade, etc.

No capítulo 8, o rei Salomão acentua, intensifica sobre o dever de amar. “O amor é tão forte como a morte, nem as muitas águas conseguem apagar o amor, os rios não conseguem levá-los nas correntezas” (Ct 8). O que é mais certo, para nós humanos, do que a morte? Todos sabemos que um dia morreremos. Assim tão certo como a morte, resoluta, irremediável, que não faz acepção de pessoas, é o amor. Sim, o amor, por mais que tentemos abafá-lo, desacreditá-lo, subestimá-lo, ele é tão forte quanto a morte.

Ele é tão forte que Salomão diz: “Ponha-me como um selo sobre o seu coração, como um selo sobre o teu braço”. Selo fala de aliança, aliança que começou no coração, depois se estendeu para os braços, ou, dedo esquerdo, compromisso, papel passado, responsabilidade. Ele fala sobre a consistência do seu amor: “As muitas águas não podem apagar o amor, nem os rios podem levá-los na correnteza”. Águas falam de situações, provações, dificuldades, enfermidades, tudo pode acontecer na vida de um casal. Ouvimos sempre os votos que são feitos nos casamentos: “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza...”.

“Nem os rios podem levá-los na correnteza”. Vimos as correntezas no Nepal, levando tudo pela frente, levando casas, carros, pessoas, muros, lojas, tudo era que estivesse levado pelas águas turbulentas. Mas, Salomão diz, “nem os rios podem levá-lo na correnteza”. O amor é tão forte que nem as águas e nem os rios consegue apagar o amor, que foi estabelecido por Deus em sua palavra. Ele vai além, em afirmar que nenhum dinheiro do mundo poderia comprar o amor, nenhum cartão de crédito poderia dividir o amor em mil parcelas. Pois, o amor, vem do próprio Deus, aliás, Deus é amor!

O apostolo Paulo fala sobre o amor em sua primeira carta aos coríntios, capitulo 13: “Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, mas não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o címbalo que retine. Se eu tiver do dom de profecia, souber todos os mistérios e todo o conhecimento e tiver uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei. Se eu der aos pobres tudo o que possuo e entregar o meu corpo para que eu tenha de que me gloriar, mas não tiver amor, nada disso me valerá”.

O Novo Testamento foi escrito na língua grega e temos três palavras para amor que coloca em gradação o relacionamento entre um homem e uma mulher. A primeira palavra para amor é “eros” que significa atração, desejo paixão. A segunda palavra é “phileo” que significa companheirismo, estar juntos, ter os mesmos sonhos, sonhar na mesma direção. E a terceira palavra é “agaphe” que pe amor que sela o casamento, é o amor que tirar toda condicionalidade, é como o amor de Cristo por sua igreja.

Promessas ou Juramentos

Eu, Mateus Brasil, venho diante de Deus e de todas as testemunhas lhe prometer o meu amor, não o amor do vinho que é passageiro, mas o amor do beijo que é verdadeiro. Lhe prometo ser fiel nos momentos bons e quando as águas das adversidades vieram contra nós; lhe prometo ser fiel na saúde e na doença, até que a morte nos separe.

Eu, Clara, venho diante de Deus e de todas as testemunhas lhe prometer o meu amor; não o amor do vinho que é passageiro, mas o amor do beijo que é verdadeiro, que real. Lhe prometo ser fiel nos momentos bons e quando as águas das adversidades vierem contra nós; lhe prometo ser fiel na saúde e na  doença, até que a morte nos separe.

 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

 A pornô-Corinto. Atos 18.1-10 

Introdução

O apostolo Paulo está em sua segunda viagem missionária. Depois de passar por Atenas, chegou na cidade de Corinto. Em Atenas, havia uma floresta de deuses, divindades e uma busca constante por novidades, novos conhecimentos. Em Corinto, no entanto, o comércio alimentava a vida da cidade e a sensualidade, a imoralidade sexual dominava todos os cantos. Corinto era conhecida como a cidade mais depravada do seu tempo.

1)    Corinto

Corinto foi a primeira cidade em que o apostolo Paulo residiu por algum tempo (dezoito meses). Quando chegou em Corinto, talvez tenha se sentido um pouco aflito e abalado, como veio a lembrar aos Coríntios, mais tarde, comentando que viera lhes pregar o evangelho “...em fraqueza em temor e em grande tremor” (1 Co 2.3). O tempo que que Paulo passou em Corinto foi um dos mais frutíferos em seu ministério, pois tivera liberdade para pregar o evangelho. 

Corinto era a capital da província da Acaia. Situada em um Istmo estreito entre as regiões norte e sul da Grécia; Corinto ficava numa encruzilhada natural para quem viajava por terra ou pelo mar. Sua população era de 250 mil pessoas e havia uma grande mistura de raças, línguas e culturas (grego, latino, sírio, asiático, egípcio, judeus), de diferentes classes sociais: escravos, libertos, burgueses e pobres e profissões: investidores, mercadores, ambulantes, marinheiros, filósofos, ex-soldados etc.

Havia os jogos ístmicos que eram uma série de competições atléticas e musicais dedicadas ao deus Poseidon, e eram o segundo evento mais popular depois das Olimpiadas. Em Corinto, o apostolo Paulo, trabalhou como fabricante de tendas enquanto estava ali; nesses tempos de olimpíadas deve ter sido lucrativo por causa da imensa quantidade de turistas que vinham para participar dos jogos. Em sua primeira carta, ele faz alusão aos jogos olímpicos (1 Co 9.24-27). 

Também, havia, na cidade vários templos dedicados a Afrodite; o mais famoso localizava-se no topo de Acrocorinto, uma pequena montanha que se eleva a cerca de 580 metros acima da planície em que a cidade foi construída. O Historiador Estrabão dia que “o templo de Afrodite era tão rico que possuía mais de mil escravos, e cortesãs, os quais tanto homens quanto mulheres haviam dedicado à deusa”. 

Corinto era a capital da imoralidade sexual, tão infame era a reputação desregrada desta cidade que Aristófanes cunhou a expressão “corintianizar”, como sinônimo de praticar a imoralidade sexual. Corinto era notável por sua independência moral. À semelhança dos hebreus na época dos juízes, cada um fazia o que bem desejava (Jz 21.25). Não havia a quem prestar contas nem leis para obedecer, senão a lei dos desejos. Os impulsos sexuais eram um fenômeno biológico como a fome e, portanto, deveriam ser satisfeitos.

Em Corinto, ficava os principais monumentos a Apolo, deus grego que representava a beleza do corpo masculino. A adoração a Apolo induzia a juventude, não apenas coríntia, mas a juventude grega a se entregar ao homossexualismo do mundo na época. Apolo representava o ideal de beleza masculina, havia estátuas da divindade nu, em diversas posturas, que exibiam seu corpo, inflamando seus adoradores a praticarem o homossexualismo. 

2)    O ministério de Paulo

“Ali, encontrou um judeu chamado Áquila, natural de Ponto, que havia chegado recentemente da Itália com sua esposa Priscila”. Os judeus haviam sido expulsos de Roma pelo imperador; eles eram artesãos em couro, partilhavam da mesma atividade comercial de Paulo. A fé e a vocação comuns os uniram como amigos, colegas de trabalho e cooperadores no ministério do evangelho. O texto diz que Paulo “...passou a morar e trabalhar com eles...” (v.3). Trabalhavam juntos, pregavam o evangelho e moravam na mesma casa. 

“Todos os sábados ele debatia na sinagoga, procurando persuadir judeus e gregos” (At 18.4). A palavra é dilegomai, no grego, discutia, falava, debatia, disputou. Sempre provando para os judeus que Jesus Cristo era o Messias prometido, o filho de Deus. Mas, nos diz o texto: “...se opuseram a Paulo e proferiram insultos, ele sacudiu a roupa em sinal de protesto”. A palavra insulto é blasfêmia, ou seja, caluniaram, amaldiçoaram, desprezaram, desdenharam. Diante dessa atitude desrespeitosa, o apostolo Paulo, “...sacudiu a roupa”, esse gesto significa ruptura com a sinagoga de Corinto. Agora, Paulo vai pregar o evangelho para os gentios. 

O apostolo “Paulo saiu da sinagoga e foi para casa ao lado, de Tício Justo” (At 18.7). A menção de Lucas aos muitos coríntios ouvindo e crendo “...multidão dos coríntios que o ouviam, muitos criam e eram batizados” (v.8), parece adicionar um número de judeus. Deve ter sido uma visão embaraçosa ter a sinagoga silenciosa e vazia, enquanto multidões enchiam a casa ao lado para adorar. Tornou-se ainda mais constrangedor quando o líder da sinagoga, Crispo, também levou sua família ao lado (At 18.8).

Durante esse tempo de abertura e receptividade ao evangelho, que se constituiu um cerne da estada de Paulo em Corinto, Jesus o encorajou com uma promessa de proteção: “Não tenha medo, mas continue falando e não fique calado. Pois eu estou com você, e ninguém levantará a mão para lhe fazer mal, porque tenho muita gente nesta cidade” (At 18.9-10). Então, Paulo continuou pregando evangelho de Jesus e discipulou os crentes em Corinto que cresciam rapidamente em número.

Conclusão

“vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixe enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus”.

Muitos convertidos renunciaram sua vida pregressa e tornaram-se novas criaturas em Cristo. Entre eles havia imorais, adúlteros e homossexuais passivos e ativos, como vemos na epistola de Paulo aos Corintios (1 Co 6.9-11). Para se referir aos homossexuais ativos, o apostolo usa a palavra grega para se referir aquele que toma a iniciativa, ou sodomita. Para se referir aos homossexuais passivos, usa a palavra grega “malakoi”, aquele que se permite usar, efeminado. Ele termina dizendo em sua carta: “Alguns de vocês foram assim. Contudo, foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espirito do nosso Deus” (1 Co 6.11). 

Os três verbos assinalados têm em comum o fato de estarem na voz passiva. O agente da ação não somos nós, mas Deus. Nós somos apenas objetos da ação: é Deus quem nos lavou, é Ele quem nos santifica e é Ele também quem nos justificou. Os verbos ressaltam o contraste entre o passado (o que éramos) e o presente (o que somos em Cristo).

 “Foram lavados”: o primeiro verbo era usado para se referir ao ato de pegar determinados utensílios, objetos, roupas, sujos pela utilização intensa ou indevida, para lavá-los com água corrente (Ap 7.9,13-14).

 No nosso passado podem existir marcar de erros cometidos e de deslizes ocorridos. Estas marcas nos relembram desde nossos erros mais tolos até os mais grotescos. No entanto, quando nos aproximamos de Deus, crendo no que Ele fez por nós naquela cruz, somos lavados completamente.

 “Fomos santificados”: No Antigo Testamento as peças do tabernáculo tinham uma utilização especifica: o serviço a Deus. Quando dedicadas para este fim, aquelas peças eram santificadas, ou seja, separadas para o uso exclusivo do serviço à Deus. O que faz de nós pessoas especiais não é a nossa essência, mas o fato de estarmos engajados neste processo.

  Fomos justificados. “justificar”, tem sua origem no mundo judaico. Quando alguém cometia um deslize contrariando a lei, passava a ter uma pendência para com a justiça. Quando este alguém cumpria a pena determinada ou pagava pelo dano causado à outro, ele era tido como justificado. O que Deus fez? Enviou Jesus para com sua vida e morte na cruz “pagar” nossa divida.

 

 


terça-feira, 8 de setembro de 2026

 O evangelho em Atenas At 17.15-34 

Introdução

Depois que o Apostolo Paulo saiu de Tessalônica, por causa da perseguição, passou por Bereia, onde pregou numa sinagoga e “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses...dedicaram ao estudo diários das Escrituras, com o proposito de avaliar se tudo correspondia à verdade” (At 17.11). Muitos acreditaram na pregação do apostolo Paulo, como mulheres gregas da alta sociedade e alguns homens. Mas, em seguida, os mesmos judeus que perseguiram Paulo em Tessalônica, foram até Bereia para instigar a população contra o apostolo. Os irmãos, enviaram Paulo para Atenas, enquanto Silas e Timoteo ficaram em Bereia.   

Paulo em Atenas

Atenas era o berço da Academia, conhecida por sua rica  história e her.ança cultural. Seu nome é derivado de Atena, a deusa grega da sabedoria. Foi em Atenas que surgiu o conceito de democracia, governo do povo; foi em Atenas que surgiu a filosofia, com Sócrates, Platão e Aristóteles. A população de Atenas ficava entre 20.000 a 25.000 habitantes. 

Enquanto esperava que Silas e Timoteo se juntassem a ele, Paulo aproveitou a oportunidade para conhecer a cidade, e o grande número de ídolos por lá o perturbou profundamente. Quando olhou para Atenas do alto a majestosa Acrópole, situada no centro da cidade, havia tantos templos e estatuas que parecia uma densa floresta de ídolos. Pausânias, um geografo da antiguidade, disse que “os atenienses são bem mais devotados à religião do que os outros homens”. Na teologia paulina, os ídolos nada são, mas por trás deles estão demônios. A idolatria produz cegueira espiritual e desordem moral. 

“O seu espírito se comovia em si” (At 17.16), “ficou profundamente incomodado”, significa “foi provocado a se irar” ou “ficou irado”, é a mesma palavra para se referir à ira extrema de Deus diante da idolatria (Dt 9.18).  Entretanto, o que Paulo viu não foi a beleza nem o brilhantismo da cidade, mas sua idolatria. Traduções: “cheia de ídolos”; “uma verdadeira floresta de ídolos”. “HAVIA MAIS DEUSES EM ATENAS DO QUE EM TODO O RESTO DO PAÍS”; “ERA MAIS FÁCIL ENTRAR ALI UM deus DO QUE UM HOMEM”.

A idolatria é um pecado gravíssimo porque rouba a honra e a glória do nome de Deus. É dar a outro ser a honra e a glória que só Deus merece. Quando uma pessoa diz que adora a Deus por meio de uma imagem, está desprezando a Deus, que ordenou que não se fizesse nem se adorasse nenhuma imagem. Deus diz: “Eu sou o Senhor, esse é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra às imagens de escultura” (Is 42.8). existem muitos ídolos: qualquer coisa que se coloca no lugar de Deus. A fama, a riqueza, o sexo, a comida, o álcool, drogas, os pais, esposas, filhos, trabalho. Etc.

Os ídolos são desprovidos de poder “Ai daquele que diz a madeira: Acorda! E a pedra muda: desperta! Pode o ídolo ensinar. Ele está coberto de ouro e de prata, mas dentro dele não há espirito algum”. Exemplificando: quando uma pessoa ora assim: “Ave Maria cheia de graça, bendito é o fruto do vosso ventre... Santa Maria mãe de Deus rogai por nós pecador...”. Pra Maria poder atender ao pedido, ela teria que ser onipresente, teria que ser onisciente e onipotente! 

O que Paulo fez?

No sábado, Paulo foi à sinagoga e discutiu com os judeus e gentios tementes a Deus.  Também, “todos os dias na praça com os que se apresentavam” (At 17.17). A praça era chamada de ágora, era o lugar onde movimentava toda cidade. Ali funcionava o mercado da cidade e ali também havia espaços para discussão. Era o centro de adoração aos ídolos, mas também um local de debates. Todos se reuniam na ágora para debater ideias: malabaristas, engolidores de espadas, mendigos, peixeiros, políticos e filósofos. 

Na ágora, o apostolo Paulo enfrentou os epicureus e os estoicos. Um acreditava somente na vida material, enquanto o outro acreditava numa outra vida e que o corpo não valia nada. Eles começaram a zombar do apostolo Paulo chamando-o de “exibicionista ignorante”, “pregador de deus estranho”, “tagarela”, “apanhador de sementes”, alguém que tem várias ideias sem entender completamente. Os opositores de Paulo queriam minar sua credibilidade e fazer que seus ensinamentos fossem oficialmente examinados pelo Areópago.

HOJE o equivalente mais próximo à SINAGOGA é a igreja, o local onde se encontram pessoas religiosas. O equivalente a Ágora pode ser um parque ou uma esquina, uma feira, a praça principal da cidade etc. Quanto ao Areópago, seria a escola, cursos profissionalizantes ou Universidade.

O que Paulo disse

Os epicureus e os estoicos que se opunham a Paulo levaram-no diante do Areópago, que era o conselho de anciãos da cidade. Era uma elevação denominada colina de Ares; Ares era o deus grego da guerra. As palavras “o levaram” indica uma cena de julgamento. Mas uma vez, a pregação de Paulo “chama a atenção das autoridades”, e ele precisa se defender dessa nova acusação. 

 “Então eles o levaram a uma reunião do Conselho de Atenas e disseram: — Queremos saber que nova doutrina é essa que você está ensinando.  Pois você está dizendo coisas estranhas, e nós queremos saber o que elas significam." (At 17.19-20).

O apostolo Paulo inicia seu discurso: “Varões Atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos...”. Sim, os atenienses eram religiosos, havia deuses espalhados em todos os cantos. E um altar “a um Deus desconhecido”, e diz que o Deus que ele anuncia é esse Deus, é o que eu anuncio. Logo, ele faz um proclama o seu Deus diante dos anciãos do Areópago.

O Deus que eu anuncio É O CRIADOR DO UNIVERSO, é o Senhor e não habita em templos feitos por mãos de homens (v.24). Deus é o criador pessoal de tudo o que existe e o Senhor age no meio dos homens.

O Deus que eu anuncio É O MANTENEDOR DA VIDA (v.25). Deus continua sustentando a vida que Ele criou e deu às suas criaturas humanas a vida, a respiração e todas as coisas.

O Deus que eu anuncio É O GOVERNADOR DE TODAS AS NAÇÕES (VS. 26-27). Tateando: um verbo que “denota o tatear hesitante de um cego”. O pecado distancia o homem de Deus mas Deus não está longe!

O Deus que eu anuncio  É O PAI DOS SERES HUMANOS (vss. 28-29). todos são filhos de Deus? Em termos de redenção Deus só é o Pai daqueles que estão em Cristo, e nós somos seus filhos apenas por doação, pela graça (Jo 1.12); mas em termos de criação é o pai de toda a humanidade, e todos são geração dele, suas criaturas, e recebem dele a vida.

Por fim, o Deus que eu anuncio É O JUÍZ DO MUNDO (vss. 30,31). Não levou em conta os tempos da ignorância... agora, porém, notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam. POR QUÊ? Porque é certo que haverá um juízo! Tres fatos: 1) O JUIZO SERA UNIVERSAL: Deus há de julgar o mundo. Os vivos e os mortos, os grandes e os pequenos, todos serão incluídos; ninguém escapará. 2) O JUÍZO SERÁ JUSTO: Há de julgar... com justiça. Todos os segredos serão revelados. 3) O JUÍZO ESTÁ DEFINIDO, pois o dia já foi marcado e o juiz escolhido (Jo 5.27).

Conclusão

“Algumas pessoas se tornaram seguidoras de Paulo e creram. Entre elas estava Dionisio, membro do Areópago, e também uma mulher chamada Damaris, e vários outros” (At 17.34). Diante da mensagem do apostolo Paulo a maioria não cedeu, não aceitou o Deus criador dos céus e da terra, somente algumas pessoas assentiram e reconheceram Jesus como Senhor. 


  

sábado, 5 de setembro de 2026

 “Cantarei ao Senhor” Ex 15.1-20 


Introdução

Depois da passagem pelo Mar Vermelho Moisés e Miriam compõem um cântico de louvor a adoração a Deus. É um dos cânticos poéticos mais antigos que temos conhecimento, e, trata-se de uma poesia. Poesia é uma manifestação artística que expressa sentimentos, emoções e visões de um mundo por meio da beleza das palavras. O cântico expressa seu louvor, sua adoração, exaltação, glorificação, ao Deus que abriu o Mar Vermelho. O cântico é dar testemunho do poder de Deus.

Por que? Deus fez algo maravilhoso na vida do povo de Deis, Ele abriu o Mar Vermelho. Deus enviou o vento oriental a noite toda (vento quente) e o povo passou em seco; enquanto os egípcios se afogavam no Mar. Esse cântico celebra, engrandece, magnifica, exulta, honra o Deus Todo-Poderoso, o Criador de todas as coisas, Aquele que é Eterno, o Deus do pacto, da promessa e que age no meio do seu povo...

Esse cântico é tão importante que será cantado no céu. Diz o apocalipse 15: “...e cantavam com o cântico “...e cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico de cordeiro: grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso, justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações. Quem não te temerá, ó Senhor? Quem não glorificará o teu nome? Pois tu somente é santo. Todas as nações virão à tua presença e te adorarão, pois os teus atos de justiça se tornaram manifestos” (Ap. 15.3-4).

1)     O cântico

Primeiro, a razão do cântico. Moisés e Miriã assumem a liderança do louvor e convida as pessoas a cantar, eles dizem: “Cantem ao Senhor, pois ele é grandemente exaltado” (v. 21). E o que ele fez? “Cantarei ao Senhor, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavalo e seu cavaleiro” (v.1). E quem é o Senhor? “O Senhor é a minha força e a minha canção; ele é a minha salvação! Ele é o meu Deus e eu o louvarei, é o Deus de meu pai, e eu o exaltarei” (v.2). Nós cantávamos antigamente: “Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, cantai ao Senhor. O que Ele fez, Ele faz maravilhas. O que Ele fez, Ele faz maravilhas...

O cântico de Moisés é uma experencia pessoal. Diz-nos: “Cantarei ao Senhor”.  O povo de Deus teve uma experiencia em primeira mão com Deus. Deus agiu em favor do seu po.vo. Foi entre Pi-Hairote e Baal-Zefom, quando tudo parecia perdido, que não havia mais escape, Deus abriu o Mar Vermelho e o povo passou em seco. E quanto a nós, “cantaremos ao Senhor”? Engrandeceremos o Seu nome? Nossa geração precisa conhecer o Deus que abre o Mar Vermelho.

Segundo, Por que temos que cantar ao Senhor? “O Senhor é um guerreiro, o seu nome é Senhor” (v.3). Moisés já havia exortado o povo antes de cruzar o Mar Vermelho: “Não tenham medo. Fiquem firmes...o Senhor lutarás por vocês, tão somente acalmem-se” (Ex 14.13-14). Deus é o Senhor dos Exércitos que vai a frente do seu povo; é o Deus que esteve com Josué para desfazer o muro de Jericó. O profeta Isaias descreve esse guerreiro: “Ele vestiu de justiça, como de uma couraça, e pôs na cabeça o capacete da salvação; e se pôs sobre si vestes de vingança e cobriu-se de zelo, como de um manto” (Is 59.17). o que o guerreiro fez? “...lançou no mar os carros de guerra e o exército de Faraó. Os seus melhores oficiais afogaram-se no Mar Vermelho. Águas profundas os encobriram; como pedra desceram ao fundo”(Ex 15.4).

Terceiro “...tua mão direita foi majestosa em poder” (Ex 14.6). Sim, “...a tua mão direita despedaçou o inimigo” (Ex 14.6). Moisés usa uma figura de linguagem sobre a mão de Deus. A mão de Deus significa seu poder, sua autoridade. O que a mão de Deus faz? “...a tua mão direita despedaçou o inimigo...derrubaste os teus adversários, enviaste o teu furor flamejante, que consumiu como palha”.

Sim, “O inimigo se gloriava: Eu os perseguirei e os alcançarei, dividirei o despojo e os devorareis. Mas enviaste o teu sopro, e o mar os encobriu. Afundaram como chumbo nas águas volumosas” (Ex 15,8-10). O poema termina perguntando: “Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Que é semelhante a ti? Majestoso em Santidade, terrível em feitos gloriosos, autor de maravilhas” (Ex 15.11). E termina afirmando: “Estendes a tua mão direita e a terra os engole” (Ex 15.12). Quem é semelhante a ti? Moises pergunta, não há Deus como o nosso Deus.

Quarto, “as nações ouvem e estremecem”. Moisés está falando diante do que Deus fez no meio do seu povo, abrindo o Mar Vermelho, o medo se apoderou das nações em Canaã. Sim, todos eles se apoderaram, ficaram com medo do Deus de Israel. Os cananeus, os heveus, os fereseus, os hititas, filisteus, jebuseus, gigaseus, moabitas, amonitas, edomitas, midianitas etc.,

“...angústias se apodera do povo da Filistia. Os chefes de Edom fica aterrorizados, os poderosos de Moabe são tomados de tremor, o povo de Canaã esmorece; terror e medo caem sobre eles, pelo poder do teu braço ficam paralisados como pedra, até que passe o teu povo, ó Senhor, até que passe o povo que tu compraste” (Ex 15.14-16).

Quinto, Moisés fala da promessa do Senhor em cumprir sua palavra e da presença do Senhor constante no meio do seu povo. Ele diz: “Tu o farás entrar e o plantarás no monte da tua herança”. E lá, no lugar da sua herança, da terra santa, terra que mana leite e mel, farás sua habitação. Duas coisas: a promessa de uma terra se cumprindo, e a promessa da presença de Deus no meio do seu povo. E termina afirmando: “O Senhor reinará eternamente” (Ex 15.18).

Conclusão

Houve uma celebração de alegria. Diz o texto: “Então Miriam, a profetisa, irmã de Arã, pegou um tamborim e todas as mulheres a seguiram, tocando tamboris e danando. E Miriam lhes respondia, cantando: “Cantem ao Senhor, pos triunfou gloriosamente, lançou ao mar o cavalo e o seu cavaleiro” (Ex 15.20-21). Com canções e danças, Miriam conduz os israelistas em louvor sincero ao Senhor. Se os israelitas são intensos em seu louvor a Deus, os cristãos tem ainda mais razões para se regozijarem na vitória de Cristo sobre Satanás e os poderes do mal.

 

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

 Seja Bem-Vindo a Tessalônica! At 17.1-10 

Introdução

O apostolo Paulo está em sua segunda viagem missionária com Silas, Lucas e Timóteo. Depois de passarem por Filipos vão para Anfípolis (48 Km), em seguida para Apolônia (42 km) até chegarem em Tessalônica. Ao todo andaram pela famosa via Egnácia 160 Km! Isso tudo, depois dos apóstolos, terem sofrido uma surra publica com varas e uma noite na prisão. A vontade do apostolo Paulo o levou além de suas próprias limitações físicas para realizar o que Deus havia colocado diante dele. “Invencível coragem mental e perseverança infatigável da cruz “(João Calvino). 

“Mas, como vocês sabem, apesar de termos sofrido e sido insultados em Filipos, com a ajuda do nosso Deus tivemos coragem de anunciar a vocês o evangelho dele em meio a muita luta” (2 Ts 2.2).

1)     Tessalônica

Tessalônica era uma importante cidade portuária localizada na Via Egnácia, a famosa estrada entre Bizâncio (oriente) à Macedônia (Ocidente, 1100 km de estrada), construída pelos romanos. Foi fundada em 297 a.C por Cassandro, um dos generais de Alexandre, o grande, que deu à cidade o nome da esposa, Tessalônica, que era também meia-irmã de Alexandre. 

A cidade de Tessalônica tinha um significado estratégico para Paulo e Silas, porque, era a capital da província da Macedônia e por causa do seu robusto comercio e sua população de 45 mil subiu para 200 mil habitantes. Seus habitantes eram etnias mistas, diversificadas e tinha sinagoga. Portanto, o apostolo Paulo, como bom estrategista, queria concentrar seu ministério em cidades maiores e de maior expressão populacional.

A primeira coisa que Paulo teria feito seria montar sua loja de tendas no mercado, ou perto dele, para o seu sustento, algo que ele, aludiu ao escrever para a igreja de Tessalônica: “Pois vocês se lembram de nosso trabalho e de nossas dificuldades, irmãos. Trabalhamos noite e dia para não sobrecarregar ninguém, pregamos o evangelho de Deus para vocês” (1 Ts 2.9). A venda de tendas não somente garantia a renda a Paulo, mas também lhe possibilitava o contato com muitos gentios da cidade. 

2)     Evangelização

Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das escrituras” (ARA), ou “...falou as escrituras sagradas” (NTLH), ou “...examinou com eles as escrituras” (A21), ou “...disputou” (ARC), por fim “discutiu” (NAA). O apostolo Paulo vai até a sinagoga para explicar as escrituras aos judeus e gentios. É bem certo, que os judeus na sinagoga tinham as Escrituras, mas seu verdadeiro significado permaneceu fechado até que Paulo “abriu” as escrituras. 

Ele entrou na sinagoga e “discutiu” (dialegomai) com seus irmãos judeus. Paulo “discutiu” em Tessalônica (At 17.2), em Atenas (At 17.17), em Corinto (At 18.4), Éfeso (At 18.19), em Trôade (At 20.7) e, finalmente diante do governador romano Félix, em Cesareia Marítima (At 24.25). em grego, dialegomai significa “conversar, discutir ou debater”. Durante três sábados, ele “discutiu” a partir das escrituras do Antigo Testamento, provando que o Messias tinha que morrer e ressuscitar para cumprir as profecias.

O texto da escritura com base no qual Paulo argumentou falava do sofrimento de Jesus. É necessário explicar como alguém que foi crucificado pode ser o Messias. O ensino de Paulo harmoniza com o de Jesus, que disse a seus discípulos: “Acaso o Messias não tinha de sofrer essas coisas e então entrar em sua glória” (Lc 24.126). Essa mensagem é escandalosa e incompreensível para muitos judeus. Para alguns, é tão ofensiva “.... que é motivo de escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1 Co 1.23), que provocava uma reação violenta.

Essa mensagem tornou-se a essência do Kerygma apostólico, o apostolo Pedro já havia pregado no dia do Pentecoste (At 2.22). O Keygma do evangelho é: Jesus é o verbo de Deus, o logos, a ação de Deus na criação. O verbo se encarnou, habitou entre os homens “cheio de graça e verdade” (Jo 1.14), viveu entre os homens, curou, salvou, discipulou doze discípulos. Depois, foi levado a cruz do calvário, pelos nossos pecados e morto, humilhantemente. Mas, no terceiro dias, Jesus ressuscitou, está assentado a direita de Deus Pai. 

Como resultado da mensagem: “Alguns judeus foram persuadidos e uniram-se a Paulo e Silas, bem como grande número de gregos tementes a Deus e várias mulheres proeminentes” (At 17.4). Toda pregação cria uma reação dividida. Os dois verbos da oração “...alguns judeus foram persuadidos e uniram-se a Paulo e Silas”, estão na voz passiva no grego. Esse fato destaca que não foram os argumentos dos apóstolos apresentados com refinamento astusto e persuasivo que convenceram os ouvintes. A persuasão, o convencimento vieram da mediação de Deus pelo Espirito Santo. 

“Várias” que significa literalmente “não poucas”. Isso mostra que muitas mulheres proeminentes dos círculos sociais mais elevados foram persuadidas. Atos destaca o importante papel desempenhado pelas mulheres no crescimento da igreja (At 1.14, 5.14, 8.3). Dois homens que se tornaram crentes, Aristarco e Secundo, viajaram com Paulo em sua ultima jornada para Jerusalém (At 20.4), Aristarco também o acompanhou em Roma.

O que começou com um pequeno grupo continou a crescer e a expandir, á medida que outros na cidade se tornavam crentes, durante o ministério em andamento. Mais tarde, o apostolo Paulo de seu tempo com a igreja de Tessalônica, ao escrever: “Pois sabemos, irmãos, amados de Deus, que ele os escolheu, visto que o nosso evangelho não lhes chegou apenas em palavras, mas também em poder, no Espirito Santo, e com plena certeza” (1 Ts 1.4-5). O evangelho não é somente palavras, mas também, o evangelho é poder, cura, prodígios e milagres.

O apostolo Paulo escreve para a igreja de Corinto: “...não fui com eloquência nem com sabedoria humana para lhes proclamar o testemunho a respeito de Deus” (1 Co 2.1). E afirma que que não falou “com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, explicando realidades espirituais com palavras ensinadas pelo Espirito” (1 Co 2.13).

3)    perseguição

Enquanto alguns judeus foram persuadidos, outros “ficaram com inveja. Reuniram alguns homens maus da praça e, com a multidão, iniciaram um tumulto na cidade” (At 17.7). De acordo com o evangelista Lucas, o principal motivo de sua hostilidade é a inveja. A conversão de mulheres os perturba, porque significa a possível perda de mantenedoras rica e influentes na sinagoga. 

Os apóstolos são acusados de promover crenças contraditórias a Roma, mas agora são acusados de “virar o mundo de ponta cabeça” (Atos 17.6). O céu e a terra estremecem nessa história, mas isso se deve exclusivamente à atuação de Deus. Somente Deus controla e abala o mundo e os céus, pois Deus é o criador dos céus, da terra e das nações” (At 17.24-26).

A segunda acusação é a de que os apóstolos afirmam haver outro rei, Jesus é o Senhor, o verdadeiro rei; não é Cesar, imperador romano, mas Jesus. Como Filho de Deus, Jesus, é o verdadeiro Rei, e, como aquele que morreu e ressuscitado ao terceiro dia e foi exaltado por Deus. Portanto, é o único rei digno de adoração e lealdade e o único que é digno da nossa adoração.

Conclusão

O irmão Jasom, novo convertido, foi preso por hospedar os apóstolos. Mas, solto, depois de pagar uma fiança. A situação em Tessalônica agora estava muito tensa e perigosa para Paulo e seus companheiros, de modo que, naquela noite, sob o disfarce da escuridão, os irmãos e as irmãs enviaram Paulo, Silas e Timoteo a caminho da pequena e remota cidade de Bereia (At 17.10).  


 

 

sábado, 29 de agosto de 2026

 Elifaz e o mal 

O livro de Jó é uma teodiceia, uma tentativa de explicar o caminho de um Deus bom à luz da existência do mal. No terceiro capítulo Jó lamenta diante da calamidade que lhe atingiu. Pois, ele perdeu tudo, seus bens, seus filhos e sua saúde, tudo desmoronou na vida de Jó.

Agora, no capítulo 4, Elifaz, de Temã, amigo de Jó que por sete dias se manteve calado diante da calamidade que ocorreu na vida de Jó.  Depois do primeiro discurso de Jó, agora, Elifaz tenta explicar por que Jó está sofrendo. Em seu discurso inicial Elifaz começa com um tom positivo, elogiando Jó pelos ensinamentos passados a outras pessoas em momentos de necessidade.

 Ele diz: “Você já deu ânimo a muita gente e deu força aos fracos. Suas palavras sustentaram aos que tropeçaram” (V. 3,4).

Mas, no versículo 5, Elifaz muda o tom para condenar, julgar seu amigo. Ele, presume que aquilo que Jó está vivenciando não passa de um caso rotineiro que pode ser explicado de uma forma tradicional. Mas, Elifaz vacila ao tirar conclusões precipitadas sem conhecer todos os detalhes da situação de Jó. O apostolo Tiago, admoesta: “Sejamos rápidos para ouvir, vagarosos para falar e vagarosos para se irar” (Tg 1.19).

Ao invés de julgar de modo precipitado a verdadeira compaixão se solidariza com a dor de quem sofre. Elifaz determina que o bem sempre chega as pessoas boas e o mal sempre acompanha as pessoas más. Ao encarar a vida de maneira tão simples e dicotômica, Elifaz, chega à conclusão de que Jó deve ter pecado, pois está sofrendo. Ele diz: “...os que cultivam a maldade e semeiam opressão, isto também é o que colhem” (v.8).

Elifaz presume que o padrão geral da retribuição que ele tem observado é uma lei absoluta e necessária na ordem moral de Deus. Mas, Elifaz não consegue perceber que há informações relevantes sobre Jó que se encontram além de sua visão. Elifaz não leu o prologo do livro de Jó, não viu a disputa que o diabo fez com Deus sobre a perseverança e a vida irrepreensível que Jó levava.

Ao julgar Jó inadequadamente, precipitadamente, Elifaz só aumenta a dor do amigo, mete o dedo na ferida. Para Elifaz, Deus é implacável contra pecadores como Jó.

Em 2005 o furacão katrina devastou  Nova Orlens, 1800 pessoas morreram. E o terremoto que aconteceu no Haiti em 2010, onde 200.000 pessoas morreram. Nesta semana estamos presenciando o que aconteceu em Nepal, aguas caldallosas carregando tudo pela frente. Diante dessas calamidades, algumas pessoas responderam com compaixão heroica e amorosa para ajudar os necessitados, famílias. Mas, durante o terremoto do Haiti, uma conhecida personalidade da televisão, afirmou que isso aconteceu em decorrência de anos de prática ocultista.

É o mesmo erro de Elifaz, e esse mesmo erro de julgar precipitadamente um sofrimento, tem acontecido com todos nós. Que Deus nos ajude!