terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 Jonas prega em Ninive       -      Jn 3 

Introdução

Todas as versões do capítulo 3 é unânime em afirmar: “A palavra veio a Jonas pela segunda vez...”. Deus, novamente, pela segunda ordena Jonas para pregar na grande cidade de Nínive. “Levante-se, vá à grande cidade de Nínive”. Deus não dá um sermão, simplesmente, lhe dá uma nova oportunidade de cumprir sua missão. Isto é típico do caráter de Deus. 


Deus sempre dá uma segunda chance aos fracassados. Quem foi lançado ao fundo do mar, dessa vez, não foi o profeta Jonas, mas foi seu pecado. Como disse o profeta Miquéias: “Voltarás a ter compaixão de nós; pisarás nossas maldades sob teus pés e lançaras nossos pecados nas profundezas do mar” (Mq 7.19). Aliás, o profeta Isaías, enfatiza sua imensa graça: “Embora seus pecados sejam como o escarlate e os tornarei brancos como a neve; embora sejam vermelhos como o carmesim, eu os tornarei brancos como a lã” (Is 1.18).

 Vejam a atitude do apostolo Pedro. Ele bateu no peito afirmando que nunca negaria Jesus, no entanto, quando o galo cantou pela terceira vez ele negou Jesus por três vezes. Quando se reuniram as margens do mar da Galileía, Jesus olhou para o apostolo Pedro e disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. Todos nós temos falhas, algumas menores, mas outras gritantes. Mas, por causa da sua graça, Ele confia em gente que fracassa e dá, uma segunda oportunidade.

1)     Pela segunda vez

“Pela segunda vez...”. Que pena que Deus tenha precisado falar uma segunda vez com Jonas! Quantas dificuldades teriam sido evitadas se o profeta tivesse sido obediente logo da primeira vez. Por causa da desobediência, Jonas desceu para Jope, desceu para o navio, desceu para o porão do Navio e, finalmente, desceu na boca de um grande peixe. A obediência é a melhor maneira de prevenir a descida. Deus não gosta de ser desobedecido.

“Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive”. Agora a linguagem é mais incisiva. “....a mensagem que eu te ordeno”. Portanto, é uma ordem que o profeta deve acatar, deve pregar a minha Palavra. Não podia retroceder, não podia titubear, não podia sair pela tangente. O que muitos fariam alegremente para semear o evangelho, Jonas faria como uma obrigação, como uma imposição. 

Logo, o profeta Jonas não era livre para escolher por si mesmo o que diria aos homens. Não foi até eles para lhe falar sobre suas experiencias, testemunhos. Ele decidiu o conteúdo de sua pregação. Já estava decidido! O nosso testemunho deve estar firmemente ligado à Palavra de Deus. O apostolo Paulo escrevendo para a igreja de Corinto, ele diz: “Quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2.1-4).

Quando Deus lhe falou pela primeira vez, Jonas levantou-se para fugir da presença de Deus: “Levanta-te e vai a grande cidade de Ninive...Jonas se levantou, mas, foi em direção de Tarsis, a fim de fugir do Senhor” (Jn 1.1-2). Agora, se levanta para obedecer. E desta vez seu destino, sua missão, seu chamado é para Ninive. Sua atitude agora é “segundo a Palavra do Senhor” (Jn 3.1-2).

Diz-nos o texto que Ninive era uma grande cidade “Mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem discernir a sua mão direita e a esquerda”. Se essa expressão, conforme os comentaristas, é um idiomatismo hebraico, então se refere a cento e vinte mil crianças, logo, a população seria de seiscentos mil habitantes. Que vasto campo missionário para um pregador!

2)     Sua mensagem

“Daqui a quarenta dias Nínive será destruída” (Jn 3.4). “Daqui a quarenta dias Nínive será subvertida” ARC). Subvertida equivale ao mesmo verbo usado para a destruição de Sodoma e Gomorra por Deus (Gn 19.21,25,29). “Quarenta dias” são um período de provação, significa algo acabado, completado. 

Os quarenta dias na Arca de Noé foram uma provação. “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6.5).  Uma geração má, uma geração violenta, uma geração corrompida pelo pecado, levando toda sujeira para as gerações futuras.

Os quarenta anos de Moisés no deserto de Midião foi uma completude, uma escola de crescimento. E, mais, foi uma maneira de aprender que só existe só um que é portentoso, maravilhoso, poderoso: “O Senhor apareceu a Moisés numa chama de fogo do meio duma sarça” (Ex 3). Não era Faraó, mas o “Eu sou o que Sou”!

Os quarenta anos no deserto foram um treinamento para viver as promessas de Deus, viver pela fé no perigoso deserto do Sinai. Durante o dia havia uma coluna de nuvem guiando, de noite, uma coluna de fogo. Por quarenta anos, Deus mandou maná do céu, da rocha saiu água. Sim, quarenta anos, para provar que Deus cuida, como a menina dos seus olhos.

Os quarenta dias de fuga de Elias o levaram das ilusões perigosas que vinham da corte de Jezabel, que queria mata-lo,  para o lugar da revelação de Deus. Andou Elias pelo deserto com receio de ser morto, mas lá na caverna Deus manifestou ao profeta, não no vento, nem no terremoto, muito menos no fogo, mas na brisa suave do vento, ele ouviu a voz de Deus.

Os quarenta dias que Golias atormentou os israelitas “todos os homens em Israel, vendo aquele homem, fugiram diante dele, e temiam grandemente”. Todos os dias, o exército de Saul foi fustigado pelo temor; não havia um homem com coragem para enfrentar o gigante. Até que no quadragésimo dia, apareceu Davi, para mostrar “Tu vens contra mim com espada, lança e escudo pontiagudo; eu, no entanto, venho contra ti em Nome do Senhor, o Senhor dos Exercitos...” (1 Sm 17.45).

Os quarenta dias que Jonas anunciou em Nínive: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída”, era uma mensagem de misericórdia quanto uma mensagem de juízo. Se o povo se arrependesse de seus pecados Deus teria misericórdia dos ninivitas; mas se o povo continuasse em sua obstinação, a cidade seria subvertida, destruída.

Em cada caso, o número quarenta funciona como aviso, cuidado! o último dia, o quadragésimo dia, molda o conteúdo dos trinta e nove anteriores. Se os quarenta dias são bem-sucedidos, a vida começa de maneira nova. Mas, se os quarenta dias são ignorados, a vida será subvertida. A arca naufraga e todos morrem; os israelitas voltam para o Egito para ser escravo e fazer tijolo para Faraó; Elias se sucumbe diante da pressão de Jezabel; Golias vence e o povo de Israel sai derrotado; Moisés passa os restos dos seus dias cuidando de ovelhas em Midiã... 


3)     Arrependimento

Para espanto do profeta Jonas as pessoas não zombaram dele nem lhe fizeram nenhum mal. As pessoas de Nínive “creram em Deus” (Jn 3.5), e a cidade respondeu a sua pregação de três dias. O termo hebraico para “arrepender-se” ocorre quatro vezes nos versículos 8 a 10 “...converterão cada um de seu mau caminho” (v.8). isto é, contrariando, todas as expectativas, a poderosa, orgulhosa e violenta cidade de Nínive, vestiu-se de pano de saco – um sinal de arrependimento em massa.

“Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos” (v.9). Eles fizeram do “maior até o menor” (v.5). Os habitantes de Nínive creram em Deus, desde o mais importante até o mais humilde, declararam um jejum e se vestiram de pano de saco. O rei de Ninive “...desceu do trono, tirou as vestes reais, vestiu-se de pano de saco e sentou-se sobre um monte de cinzas” (v.6). 

Conclusão

Em janeiro de 1907, ocorreu uma conferencia bíblica, na capital da Coréia do Norte. A igreja tornou-se profundamente convicta de seu pecado, especialmente quando foi exortada a se arrepender de seu ódio tradicional pelos japoneses. Os coreanos presentes naquela conferencia viram que, perante Deus, eram igualmente pecadores e condenados juntamente com todos os demais seres humanos, ainda que resgatados  pela mais pura e vistosa graça de Cristo. Isso dissipou deles o orgulho e a amargura.

 As pessoas iam de casa em casa para reatar relacionamentos rompidos e devolver coisas roubadas. Os cultos de adoração estavam cheios de um novo poder. O resultado foi um crescimento explosivo da igreja. Houve muitos movimentos espirituais desse tipo ao redor do mundo na história da igreja. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

 Jonas e a graça de Deus Jn 2 


Introdução

Jonas tentou fugir da “presença do Senhor” indo para Társis. A missão era Ninive mas fugiu para Társis, Espanha. Pegou um navio, comprou passagem somente de ida, não queria de modo algum submeter-se a ordem de Deus. Pois, o que era mais importante para Jonas não era Deus, não era sua Palavra, sua presença; mas, sim, a camada mais importante era sua nacionalidade, sua etnia, israelense. 

Logo, Deus “fez soprar um forte vento sobre o mar, e caiu uma tempestade tão violenta que o barco estava prestes a se arrebentar” (Jn 1.4). Jonas, virou as costas para Deus, pensou que poderia fugir da presença de Deus, mas Deus veio através de uma tempestade. Como disse o profeta Naum: “O Senhor anda pelo meio das tempestades e dos ventos violentos...” (Na 1.3). Os marinheiros perceberam que não era uma tempestade natural, mas sobrenatural, ou seja, alguém no navio causou aquela tempestade. E acharam Jonas, lançando sortes, como causador de todo esse mal.

Então, Jonas disse aos marinheiros: “Jogue-me ao mar; e ele voltará a ficar calmo, eu sei que esta terrível tempestade é culpa minha” (Jn 1.12). Nos diz o texto: “Os marinheiros pegaram Jonas e lançaram ao mar e, no mesmo instante, a furiosa tempestade se aquietou”. Sim, “a tempestade cessou”, “a fúria do mar se acalmou”. Quando o profeta Jonas é lançado ao mar, imediatamente, subitamente, no mesmo instante, a tempestade cessou quanto uma luz que é desligada. A “fúria” da tempestade era uma expressão real da ira de Deus contra seu rebelde profeta, a qual foi deixada de lado quando Jonas foi lançado às ondas do oceano.

Houve temor. Quando o mar se torna totalmente calmo, eles são “tomados” por “grande temor” maior do que quando pensavam que se afogariam. O Temor do “Senhor” é a essência de todo conhecimento e sabedoria. Como diz Provérbios: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria...” (Pv 9.10). O temor do Senhor é o conhecimento daquele que é santo, conhecê-lo é temê-lo! Diz o texto que imediatamente “...os marinheiros lhe ofereceram sacrifícios e firmaram o compromisso de servi-lo” (Jn 1.16 NVT). 

1)     Deus mandou um grande peixe

O Senhor ordenou que um grande peixe engolisse Jonas” (Jn 1.17). Esse verbo “ordenar” é usado várias vezes no livro, como no capítulo 4 quando Deus ordenou que uma planta crescesse e depois morresse. “O Senhor Deus fez crescer ali uma planta...” (Jn 4.6); “Deus também mandou uma largata, e ela comeu o talo da planta que secou” (Jn 4.7). Olhando em retrospectiva, podemos ver que as lições mais importantes que aprendemos na vida são resultado da mais pura e simples misericórdia de Deus. São momentos difíceis, excruciantes que ocorreram em nossa vida, mas que depois, colhemos os benefícios da aflição. 

O grande peixe é um exemplo perfeito dessa misericórdia tão nua e crua. Obviamente, o peixe salvou a vida de Jonas quando o engoliu. Pois, ele estava afundando nas profundezas do mar, “até os fundamentos dos montes”, longe de qualquer ajuda ou esperança. Jonas ainda estava vivo, mas por quanto tempo? Em 2021, um homem chamado Michael, de Massachusetts foi engolido por um grande peixe, ficou 30 e 40 segundos dentro do peixe, até que a baleia subiu na superfície e cuspiu para fora.

No caso do pescador foi um acidente, mas quanto a Jonas, era devido sua desobediência a Deus. E quando desobedecemos é preciso que haja um “tratamento radical para que isso seja remediado”. O texto descreve Jonas em movimento descendente: primeiro descendo até a cidade de Jope, depois descendo até o navio, em seguida, descendo até as profundezas do mar. Quando estamos em desobediência parece que nunca vamos parar de descer. Por fim, o profeta Jonas desce na barriga de um grande peixe... 

“MAS SOMENTE QUANDO ELE DESCEU ATÉ O FUNDO DO POÇO, ENFIM, DESPOJADO DE SUA PRETENSA AUTOSSUFICENCIA, A LIBERTAÇÃO FOI POSSIVEL”.

O QUE FALAR DE JACÓ? AINDA NÃO ESTAVA PREPARADO PARA LIDERAR SUA FAMILIA ATÉ SER FORÇADO A FUGIR DE CASA, PASSAR ANOS NA MÃO DE UM SOGRO GANANCIOSO E ENFRENTAR UM ENCONTRO VIOLENTO COM ESAÚ, O IRMÃO QUE FORA LESADO. FORA ENTÃO, QUANDO ELE ESTAVA NO FUNDO DO POÇO, QUE SE ENCONTROU COM DEUS FACE A FACE (GN 32).

O QUE FALAR DE MOISÉS? CRIADO NO PALÁCIO DE FARAÓ, PREPARADO NAS LINGUAS EGIPCIAS, PREPARADO PARA LUTAR AS GUERRAS DE FARAÓ. ERA UM HOMEM QUE CONHECIA SUAS RAIZES, SABIA QUE ERA JUDEU E O SEU POVO VIVIA EM AFLIÇÃO. SABIA QUE DEUS TINHA UM CHAMADO ESPECÍFICO, UMA MISSÃO. MAS, MOISÉS, ADIANTOU-SE, E MATOU UM EGIPCIO E POR CAUSA DISSO, FUGIU, ABANDONOU TUDO E FOI MORAR EM MIDIAN, PARA CUIDAR DE OVELHAS.

Somente quanto todos os esquemas e recursos estão falidos e exauridos, é que voce finalmente se abre para aprender como depender completamente de Deus. OU, VOCE SÓ PERCEBE QUE JESUS É TUDO O QUE PRECISA QUANDO JESUS É TUDO O QUE VOCE TEM. É PRECISO PERDER A SUA VIDA PARA ACHÁ-LA. “Quem perde sua vida por minha causa a encontrará” (Mt 10.39).

Quando chegamos a fundo do poço é que encontramos o lugar que habitualmente aprendemos os maiores segredos sobre a graça de Deus. Sim, não é simplesmente o fato de estar no fundo que começa a mudar, mas, sim, quando começar a orar. Jonas começa a orar. E, no momento mais alto da oração, ele evoca a chesed (Jn 2.8), que é traduzida por “misericórdia”, “amor inabalável” ou “graça”. 

2)     Graça

Infelizmente, em nossa sociedade atravessando o “deserto do mal moral”. Vivemos numa sociedade niilista, onde os valores são relativizados, onde a família virou uma lata de conserva. Logo, não existe uma moral absoluta, como disse Dostoiévski em seu livro “Os irmãos Karamazov”: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Mas, Jonas em sua oração sabe muito bem que essa moral relativista é esterco de vaca, titica de galinha. No desespero que encontramos com Deus: “Nas profundezas do oceano me lançaste, e afundei até o coração do mar. As águas me envolveram: fui encoberto por tuas tempestuosas ondas” (Jn 2.3-4). Jonas sabia que a justiça divina existia e que ele a merecia. 

Somos impotentes, pois mais que tentemos temos que admitir “nossa impotência espiritual”. Devemos admitir não apenas nossos pecados, mas também o fato de que não podemos nos livrar ou nos purificar deles. Embora muitos estão em busca de terapia psicológica, procurar uma psicanalista etc. Outros, tentam preencher com o trabalho e observância religiosa, contudo, não conseguem restaurar seu relacionamento com Deus. no versículo 6, lemos: “Afundei até os alicerces dos montes; fiquei preso na terra, cujas portas se fecharam para sempre. Mas tu, ó Senhor, meu Deus, me resgataste da morte” (Jn 2.6). 

Ele diz que está afundando até o “submundo”, o mundo submerso mais distante da humanidade viva e de Deus em seu templo “cujas trancas se fecharam sobre mim para sempre”. Ele percebe que está condenado e permanentemente barrado por seu pecado e rebelião, e não há nenhuma forma possível de abrir os portões por si mesmo ou de pagar sua dívida.

E, mais, temos que vê o alto custo da salvação. Não apenas, uma, mas duas vezes em oração, Jonas olha não apenas para o céu, mas para “teu santo templo” (Jn 2.4). “Poderia contemplar o teu santo templo uma vez mais”. Alguém que se escondeu da presença de Deus, está ansioso para estar novamente na presença de Deus. E, vai além: “E, depois olha para o templo da tua santidade” (Jn 2.7).  

Jonas sabia que era de cima do propiciatório que Deus prometera falar conosco (Ex 25.22). o propiciatório era uma tampa de ouro que ficava em cima da arca da aliança. No dia da expiação, o sumo sacerdote aspergia o sangue do sacrifício expiatório pelos pecados do povo sobre o propiciatório (Lv 16.14-15). Diante do propiciatório aprendemos tres verdades: somos pecadores, incapazes de salvar a nós mesmos e a salvação se deu por um alto custo.

Conclusão

Ouvimos um grito de desespero do profeta: “as trancas se fecharam sobre mim para sempre”. Jonas está perdido, está condenado, incapaz de escapar daquele grande peixe, as portas da prisão se fecharam. Mas, ele ora, ele clama, ele suplica “...porém, tu me levantas da cova, ó Senhor, meu Deus” (Jn 2.6). Diante do meu quebrantamento do profeta, diz o texto: “O Senhor deu ordens ao peixe, e este vomitou Jonas na terra” (Jn 2.10). Quando confessamos nossos pecados, vem a libertação, o relacionamento é restaurado. Ele termina dizendo: “A salvação vem somente do Senhor” (Jn 2.9). 


 

 Família em conserva 

A família tem sido objeto de ataque desde quando foi fundada por Deus. No começo, a serpente enganou Eva e Adão causando o enfraquecimento da família e em seguida, o primeiro homicídio, Caim matou Abel. Atualmente, vimos, neste carnaval de 2026 uma escola de samba homenageando o atual presidente da republica, atacando a familia usando a imagem de uma família feliz como paródia, como gozação, como algo inusitado.

No livro Cartas de um diabo ao seu jovem aprendiz, Maldanado, incinta seu jovem aprendiz – Vermelindo, dedica o capitulo 18 para atacar a instituição familia. Afirmando que tem transformado  no decorrer do tempo a instituição familia “numa nota de rodapé”, ou seja, numa lata em conserva. Diante de tanta desconfiança e principalmente o numero elevado de divórcios, a familia virou algo não exequivel, possível; objeto de gozação de uma escola de samba!

O velho demônio estabelece o principio do inferno: não há como um ser que não seja outro ser. Meu bem é meu bem e seu bem é seu bem. O que um ganha, outro perde. Não existe a conta matemática divina em que dois se torna um, essa matemática não existe na conta do inferno. Para o velho diabo, existir significa “estar em competição”.  Sempre, para o velho demônio, existirão duas vontades, duas carnes, dois quereres. Infelizmente, esse é o dardo que satanás tem lançado para acabar com as famílias.

Para o velho demônio e para essa ideologia que está no poder o casamento é inviável, uma paródia, uma conta aritmética que não se fecha! No entanto, Deus em sua unidade ontológica, em sua essência  é um, mas  que se manifesta em tres pessoas. Não são tres deuses, não é politeísmo,  mas um Deus, que no decorrer da redenção vai se manifestando em pessoas diferentes, individualizadas em sua missão e com o mesmo poder.  Logo, existe viabilidade, existe possibilidade, “pois somos imagem e semelhança de Deus”.  dessa conta matemática chamada  casamento se fechar.

Sim, Deus fez a familia, Ele fez o homem e a mulher para se tornar numa carne somente. Depois, vem os filhos, uma ligação afetiva sem paralelo. Criando uma organismo, um ser,  vários seres mas um ser somente,  um dependente do outro, os filhos dependentes dos pais e os pais com a missão de cuidar dos filhos, nascendo, assim, a familia, uma constituição divina. Em tudo, na familia, gira em torno do amor, do afeto.

Logo, de um lado, temos o velho demônio  questionando  o principio “uma só carne”. Temos a sociedade secular, brincando com a familia numa escola de samba. Para o inferno poderia ser “um casal feliz no casamento”, ou “que contraiu núpcias por estar apaixonado”, mas, de modo algum “uma só carne”.

Questionei para mim mesmo porque o inferno não admite a possibilidade da familia. Logo, lembrei-me que no inferno não existe familia, não existe amor, não existe fidelidade, não existe compromisso, não existe afeição. Mas, no inferno, cada um é por si, não existe vizinhança, não existe cooperação, comunhão, impera o egoísmo, a individualidade, o que é meu é meu e o que é seu é seu...por isso que não aceitam a idéia de familia. Aliás, por isso que não aceitam a igreja, porque a igreja é um corpo de muitas pessoas sendo conduzida por um cabeça, Jesus Cristo!

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

 Quem és tu, Jonas? Jn 1.1-10 


“O Senhor, porém, fez soprar um forte vento sobre o mar, e caiu uma tempestade tão violenta que o barco estava prestes a se arrebentar” (Jn 1.4).

O Senhor “fez soprar um vento forte”, o verbo “fez” é usado para descrever a ação de atirar uma arma como lança (1 Sm 18.11). Aqui nesse texto “Saul arremessou a lança contra Davi...”. A imagem de Deus lançando uma poderosa tempestade sobre o mar, ao redor do barco de Jonas, é bem vivida. O profeta Naum expressou: “O Senhor anda pelo meio das tempestades e dos ventos violentos...” (Nm 1.3). Era um vento muito “grande” a mesma palavra para descrever a cidade de Ninive.

1)     Tempestades.

Todo ato de desobediência a Deus tem uma tempestade vinculada a si. Todo pecado lhe trará dificuldades. Se pecarmos contra Deus,  contra nosso corpo, nossos relacionamentos, eles nos atacarão de volta. Há consequências. Se violarmos a lei de Deus, estamos violando nosso próprio caminho, visto que Deus nos criou para conhecê-lo, servi-lo e amá-lo. Se edificarmos nossa vida e seu sentido em algo além de Deus, agiremos contra a natureza do universo, de nosso próprio ser. 

Há uma grande tempestade dirigida diretamente a Jonas. A maneira súbita como ela surge e sua fúria são aspectos que até mesmo os marinheiros pagãos conseguem discernir como algo de origem sobrenatural. As consequências do pecado são geralmente mais parecidas com a reação física que alguém sente diante de uma dose debilitante de radiação. A pessoa não sente dor de imediato, no exato momento que é exposta à radiação. Não é como se estivesse sendo atravessada por uma bala de revólver ou uma espada. A pessoa se sente absolutamente normal. Só mais tarde apresenta sintomas, mas aí será tarde demais. 

O pecado é um ato suicida que a vontade comete sobre si mesma. É como tomar uma droga viciante. No começo, pode parecer maravilhoso, todavia, cada vez que toma, fica mais difícil não tomar novamente. O pecado sempre endurece a consciência, aprisiona a pessoa em sua própria masmorra de defensivas e racionalizações e a consome lentamente por dentro. Todo pecado tem uma tremenda tempestade vinculada a si. E, sabemos, que não se pode subornar uma tempestade...

2)     Consequencias

Jonas rejeitou o chamado para pregar na cidade de Nínive. Ele não queria anunciar a um povo que lhe era hostil, sanguinário. Então, Jonas, fugiu para “longe da presença do Senhor”, geograficamente, para Társis, mais de 3500 km! Então, Deus mandou uma tempestade, “os marinheiros ficaram aterrorizados”, “com muito medo” (NTLH), (v.5). Estamos falando de homens acostumados com o mar, experientes em enfrentar mau tempo, mas essa tempestade era excepcionalmente aterrorizante. 

Enquanto os marinheiros se esforçavam para o navio não afundar “...parecia que o navio estava a ponde de se despedaçar” (v.4) e “cada um clamava ao seu deus e atiravam cargas ao mar”. Jonas, encontrava-se no porão dormindo profundamente. A Septuaginta, que é o Antigo Testamento traduzido para o grego, acrescenta que Jonas “roncava”. Ele estava dormindo “o sono da aflição”, ou seja, o desejo de escapar da realidade por meio do sono, ainda que por pouco tempo. 

Os marinheiros estão espiritualmente conscientes o bastante para perceber que não era apenas uma tempestade qualquer, mas uma tempestade diferente. Talvez pela forma súbita como que surgiu, sim do nada! Eles tinham discernimento, conheciam o tempo, para saber que essa tempestade que abateu o navio era sobrenatural, era divina, possivelmente em resposta ao grave pecado de alguém.

Quando o próprio capitão encontra o profeta adormecido, no porão do navio, primeiro lhe dá uma reprimenda: “O que está acontecendo com voce? Agarrado no sono?” (Jn 1.6 NAA). Depois, lhe diz: “Levante-se, clame ao seu Deus”. Interessante, que são as mesmas palavras no original que Deus usou para chamar Jonas para levantar e ir a Nínive, a fim de chamá-los ao arrependimento. Mas, enquanto Jonas ronca no porão, espreguiça e esfrega os olhos, há um marinheiro gentio em cuja boca estão as próprias palavras de Deus. Que ironia!

O capitão do navio se aproximou de Jonas e lhe disse: o que está acontecendo com voce? Agarrado ao sono? Levante-se, invoque o seu Deus! Talvez assim esse Deus se lembra de nós, para que não pereçamos” (v.6). Os marinheiros discerniram, que havia pecado humano e uma mão divina por trás da tempestade. O que fazer? “...Vamos lançar sorte para descobrir quem é o culpado desse mal que caiu sobre nós. Lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas” (Jn 1.7).

É possível que o nome de cada homem daquele navio estava em um pedaço de madeira, e o sorteado foi o profeta Jonas. Deus usou o lançar de sortes, nesse caso, para apontar o dedo para Jonas. A mesma coisa aconteceu com a família de Acã (Js 7), foi por sorte que Josué descobriu que Acã havia roubado despojos da guerra em Jericó. No entanto, os marinheiros, mesmo sabendo a causa da tempestade, fizeram todo o possível para evitar jogá-lo no mar. Em cada atitude, eles superam o profeta Jonas. 


3)     Jonas fala

Quando a sorte aponta para Jonas, os marinheiros começaram a bombardeá-lo com perguntas: “Por que essa terrível tempestade veio sobre nós?, perguntaram. Quem é voce? Qual é a sua profissão? De onde vem? Qual é a sua nacionalidade?” (Jn 1.8). Todas essas perguntas estão relacionadas à identidade do profeta. A pergunta “a que povo voce pertence?” sonda a comunidade que nos pertencemos. A pergunta “de onde vens?” aponta para a cidade, estado e país, nossa nacionalidade. A pergunta “qual é a tua missão?” o que fazer na vida, qual é a sua vocação, o que te move... 

“Levante-se e invoca o teu deus”. Para os marinheiros, todos os fatores que compunham a identidade do profeta Jonas estavam ligados aquilo que ele adorava. Quem era voce e o que voce adora eram não eram apenas dois lados de uma moeda. Era a identidade de uma pessoa! Era sua essência, aquilo que verdadeiramente era! Não podemos viver uma ambuiguidade, não podemos separar o que somos e o que que adoramos! O que adoramos é a camada mais fundamental da identidade de alguém. 

Fomos feitos a “imagem de Deus”, fomos criados por Deus do pó da terra (Gn 1.26-27). Ser “imagem de Deus” significa que os seres humanos não foram criados para existirem de forma autônoma, independente. Ser criado a imagem de Deus significa que devemos viver para o verdadeiro Deus, devemos existir para ele; devemos louvá-lo, adorá-lo. Se colocarmos algo no lugar de Deus nossa vida passará a girar em torno disso. “Quem és tu”, “de quem és”, saber quem você é significa saber que você se entregou, o que o controla, no que você conta acima de tudo.

Jonas responde: “Eu sou hebreu e adoro o Senhor, o Deus dos céus, que fez o mar e a terra” (Jn 1.9).  Primeiro, Jonas diz: “eu sou hebreu”, logo, sua origem étnica consistia no fator mais importante da sua identidade. Sua raça era mais fundamental para sua autoimagem do que sua fé, isso começa a explicar por que Jonas se opunha a chamar Nínive ao arrependimento. Logo, o relacionamento com Deus ficava em segundo lugar. 

Tem um filme evangélico e há uma conversa entre o treinador de basquete e um pastor em um hospital. O pastor começa perguntando: Quem é voce é? Ele respondeu: “Eu sou treinador de basquete”. Depois, o pastor lhe diz:  E se você perder isso?. Mas: “Eu também sou professor de história”. E se tirar isso, quem é voce? Bom eu sou um marido e um pai. Se voce perder sua esposa e sua família, quem é você? Eu sou cristão! E o que significa? Significa que eu sigo Jesus. e qual é a importância disso? Porque é muito importante! Mas, ele termina dizendo: Jesus está no final da sua lista; a sua identidade está ligada ao que você se dedica!

Conclusão

Jonas nos lembra outra figura bíblica: Pedro. Apostolo, fazia parte do circulo intimo de Cristo, e tinha muito orgulho disso. Antes da prisão de Jesus jurou lealdade “Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim” (Mt 26.33). E, vai mais longe: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo” (Mt 26.35). Em outras palavras, o que ele disse foi:  “Meu amor e minha devoção por você são mais fortes do que o amor e a devoção de qualquer outro discípulo”. Contudo, como sabemos, acabou sendo um covarde, mais do que todos os demais.  


sábado, 7 de fevereiro de 2026

 Um exército de bandeira.  Ct 6.10 

“Quem é essa que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, pura como o sol, formidável como um exército de bandeira” (Ct 6.10).

Introdução

Nesses versos o rei Salomão está elogiando sua amada – Sulamita – exaltando sua beleza; e no verso 10, um coral de mulheres exalta Sulamita que vem chegando para o seu casamento. Entendemos que o livro Cânticos dos Cânticos pode ser interpretado literalmente, como um livro romântico. Mas, também, de acordo com todos os comentaristas, pode ser interpretado figuradamente. Logo, a mulher, representa a igreja de Jesus!

Aliás, a igreja é descrita como Noiva de Cristo, é descrita como vinha, é rebanho de Deus, a igreja é família, a igreja é o corpo de Cristo, a igreja é herança do cordeiro, a igreja é menina dos olhos de Deus. A igreja é militante, a igreja está combatendo o mal. Mas, um dia, a igreja será arrebatada, e será uma igreja triunfante!

1)     Como que é a igreja?

A igreja é como a alva do dia”.

“...que se levanta como o amanhecer” (NVT). Sim, como o amanhecer, como a aurora a igreja irrompe no meio da escuridão! A igreja é como a luz da aurora que brilha mais e mais até ser dia perfeito. A igreja de Cristo transformou deserto em jardins, prisões em palácios, e onde havia escuridão (medo, angústia, depressão) chegou a luz de Cristo!

A Bíblia diz que o mundo está morto em seus delitos e pecados. O mundo vive na escuridão e no sono, na inconsciência. Mas, quando a igreja chega, as pessoas se levantam do sono da morte. Aonde a igreja chega, ouve-se o grito: “Desperta ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminarás” (Ef 5.14).

A igreja é como a alva. No começo é pequena (120 discípulos acovardados dentro do cenáculo esperando pela vinda do Espírito Santo), mas depois que o Espírito desceu sobre os 120 discípulos o evangelho cresceu na Judéia, em Samaria e até os confins da terra.... À medida que a igreja avança a escuridão é dissipada; o cego vê, o surdo ouve, o paralitico se levanta, o morto ressuscita. A luz da verdade chega nas consciências...

“...a igreja é formosa como a lua”, ou “...bela como a lua”. Assim como os luminares da noite e do dia exercem um papel de indizível importância na terra, também a igreja é importante para o mundo.

Se a igreja desaparecesse da terra, o mundo pereceria. Já imaginou um mundo sem sol e sem lua? A mesma coisa é o mundo sem igreja!  A igreja é bela, ela é a noiva do Cordeiro, ela é o diadema de gloria na mão do Senhor, ela é a poesia de Deus, ela está vestida de vestidura branca, de linho finíssimo.

A igreja, como a luz, reflete a luz de Cristo no mundo. O poder é de Cristo, a autoridade é de Cristo, mas a igreja é a testemunha de Jesus. A lua não tem luz própria, reflete a luz do sol. Cristo é o sol da justiça da igreja, a igreja reflete a luz de Cristo, a igreja reflete o poder de Cristo na terra. Recebemos poder do alto e agora Somos testemunhas de Cristo em Jerusalém, Judéia, Samaria e os confins da terra.

A igreja, como a lua, passa por diversas fases. Tem a lua nova, lua crescente, lua cheia e lua minguante. Há momentos que a igreja está como a lua cheia, bonite, vigorosa, cheia de vida; sim, estamos, vigorosos, cheios da presença de Deus, cheios de seu poder; estamos orando, cultuando, fazendo culto nos lares. Mas, tem momentos na vida da igreja que parece com a lua minguante, está sumido, desaparecido, não está mais no culto de oração, no culto de ensino, na escola dominical...está sumido. Mas, Deus nessa noite, está soprando sobre a sua vida poder do alto...

“A igreja é pura como o sol”

O sol é símbolo de pureza, pois o fogo e o calor do sol a tudo depuram. A igreja é pura aos olhos do Senhor; Jesus morreu em nosso lugar, o sacrifício de Jesus na cruz nos salvou, nos resgatou, nos justificou, nos santificou. Agora, diz o apostolo, “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Agora, somos filhos de Deus, o Espírito Santo habita dentro da igreja. E, mais: fomos batizados com Espírito Santo!

Sem a luz do sol não há agricultura; sem a luz do sol as maquinas não funcionam; sem a luz do sol não há fotossíntese; sem a luz do sol não tem fruta, verduras. Enfim, toda vida vegetal, animal expirariam! Agora, sem a igreja, a sociedade seria um caos; sem a igreja não haveria esperança; sem a igreja não teria mudança de vida; sem a igreja não haveria vida abundante em Cristo Jesus. Sem a igreja o mundo seria uma completa escuridão; sem a igreja não haveria gozo na alma; sem a igreja não haveria “A paz do Senhor”. Sem a igreja não haveria amanhã; sem a igreja não teríamos certeza da vida eterna; muito menos estaríamos participando da ceia do Senhor, a celebração da vida sobre a morte!

“A igreja é terrível como um exército com bandeiras”

A igreja é um exército sob o comando do supremo general. A igreja sobre a terra é uma igreja militante. Cada crente é um soldado do exercito de Deus, sob as ordens de Cristo, o comandante-chefe. Fomos chamados para lutar contra o diabo, o mundo e a carne. Sim, nosso comandante já derrotou o inimigo. Ele pisou na cabeça do diabo. Já triunfou sobre o inimigo e o expos ao desprezo.

Portanto, a vida cristã não é um retiro espiritual nem uma colônia de férias. Ser cristão é fazer parte do combate. Ser cristão é fazer parte do exército de Cristo. Ser cristão é cantar o hino 212: “Eu quero estar com Cristo onde a luta se travar, no lance imprevisto na frente me encontrar...”. Ser igreja é combater o mal...

A igreja como um exército com bandeiras avança. A igreja não é como o exército de Saul, acovardado, com medo de Golias. A igreja é como um exército que avança contra as portas do inferno e quebra os ferrolhos de bronze, arrancando vidas da potestade, de Satanás para Deus. Jesus disse: “Eu edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). A igreja não bate em retirada, a igreja não sente medo diante do inimigo. Não teme a morte, mas avança...

A igreja é um exército equipado para o combate. Ela não luta com armas carnais, mas com armas espirituais, poderosas em Deus para desfazer sofismas. Ela está equipada com o cinto da verdade, com o escudo da fé, com o capacete da salvação, com a sandália do evangelho, com a espada do Espírito e perseverando em oração. Davi disse para Golias: “Você vem a mim com espada, lança e escudo, mas eu venho contra você em Nome do Senhor dos Exércitos” (1 Sm 17.45).

Conclusão

A Biblia diz que o apostolo Paulo estava em Efesios, Deus estava fazendo coisas maravilhosas através do apostolo. Deus estava batizando com Espirito Santo, milagres maravilhosos, os enfermos eram curados e espíritos malignos eram expelidos. Alguns judeus tentavam praticar exorcismo em nome do Jesus de Paulo. Um dia, o espirito disse aos jovens: “Jesus eu conheço, Paulo, sei quem é; no entanto, quem sois?” (At 19.15).

 

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 Jonas – fugindo da face do Senhor. Jn 1.1-4 

Nesse sábado, 31 de janeiro, aconteceu um movimento evangélico em cinco estados do Brasil, com muitos pregadores e cantores famosos; reunindo mais de 250.000 pessoas. Em um desses eventos, uma missionária “gritou” no meio daquela multidão sobre a necessidade a missão da igreja. Ela disse “Enquanto nós estamos celebrando, ainda temos dez mil comunidades ribeirinhas onde o evangelho ainda não foi anunciado. Enquanto estamos celebrando, tem oito mil assentamentos onde nunca foi realizado um culto. Enquanto estamos cantando e nos alegrando, duzentos mil índios estão caminhando a passos largos para o inferno, nove milhões de surdos estão esperando por missionários que sinalizem; um milhão de ciganos estão esperando que ardem e desarmem tendas...”. 

1)      missão impossível

O texto começa afirmando: “A palavra do Senhor veio a Jonas” (Jn 1.1). Deus usava profetas para transmitir a sua Palavra. Existem duas convicções interligadas que caracterizam o profeta. A primeira é a de que Deus vive, que é pessoal e ativo. A segunda é que o mundo está passando por momentos conturbados, violento. Portanto, um profeta, é obcecado por Deus e vive INTENSAMENTE para o agora. 

No entanto, no caso de Jonas, essa chamada profética é diferente de qualquer uma dos profetas do Antigo testamento. Por que? Deus chama Jonas e lhe dá uma ordem: “Vai a Ninive, aquela grande cidade, e pregue contra ela...”, ou, “...anuncie meu julgamento contra ela...”(NVT). Isso era surreal! Como assim? Pregar a palavra de Deus a um povo ímpio, sanguinário? 


Era inimaginável um profeta judeu sair de sua terra para pregar numa cidade gentia. Quase todos eles foram comissionados a pregar ao povo de Israel. Isaias pregou para seu povo; Miqueias, Amós, Oséias, Daniel, Joel, Obadias, Habacuque, Ezequiel (no exilio), Jeremias, etc. Enfim, todos os profetas anunciaram a Palavra de Deus dentro de sua comunidade. Para o povo judeu.

Outrossim, ainda mais chocante era o fato de que o Deus de Israel enviar Jonas ao povo de Nínive, que era a capital da Assíria! O império Assírio foi um dos mais cruéis e violentos dos tempos antigos. Os reis da assíria celebravam suas vitórias militares, celebrando com satisfação maligna diante de uma planície inteira forrada de cadáveres e de cidades totalmente incendiadas até ao chão. O empalhamento de corpos humanos iniciou no império assírio... 

O rei Salmaneser 3 é notório por retratar nos mais horrendos detalhes atos de tortura, desmembramento e decapitações de inimigos em grandes painéis de pedra esculpida em alto relevo. E, mais, depois de capturar o inimigo, cortavam as pernas e um braço, deixavam o outro braço para poderem cumprimentar a vítima até dar o último suspiro. Forçavam os familiares das vitimas a desfilar carregando cabeças de seus entes queridos. Arrancavam a língua dos prisioneiros e esticavam seus corpos para poderem ser esfolados vivos e ter a pelo expostas nas muralhas. 

2)     Jonas

Jonas, era filho de Amitai. Era natural de Gate-Hefer, região norte da Galileia. O nome Jonas significa “pomba”; ele viveu no período do rei Jeroboão II, rei de Israel. Diferentemente de Amós e Oséias que criticaram e profetizaram contra os pecados do rei Jeroboão, Jonas, apoiou a politica expansionista militar agressiva de Jeroboão para ampliar o poder e a influência sobre a nação.

O texto diz: “No décimo ano do reinado de Amazias...Jeroboão...tornou-se rei em Samaria e reinou quarenta um ano anos. Ele fez o que o Senhor reprova e não se desviou de nenhum dos pecados que Jeroboão, filho de Nebate, levara Israel a cometer...foi ele quem restabeleceu as fronteiras de Israel... conforme a palavra do Senhor...anunciada pelo seu servo Jonas, filho de Amitai...” (2 Rs 14.23-25). Logo, Jonas era intensamente nacionalista, um combativo patriota. E, Deus envia um homem assim para pregar às pessoas a quem ele mais temia e odiava.

Deus lhe disse: “Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela...” (Jn 1.1 NVI). Mas, diz o texto: “Jonas, porém, fugiu da presença do Senhor, na direção de Társis” (Jn 1.3). O que chama atenção é que Jonas “fugiu da presença do Senhor”. Presença em hebraico significa literalmente “face”, uma metáfora carregada de experiencias complexas e intimas. O Salmo 139 afirma: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua PRESENÇA? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também” (Sl 139.7-8). Jonas tentou fugir da presença do Senhor, enquanto Moisés desejava ver a presença de Deus (Ex 33.18-20). O Salmista ansiava pela presença de Deus: “Assim como a corça anseia pelas águas correntes, também a minha alma anseia por ti, ó Deus” (Sl 42.1 A21). 

Para onde Jonas foi? “...na direção de Társis. Descendo para Jope, achou um navio que ia para Társis, pagou a passagem e embarcou nele...” (Jn 1.3). Jonas partiu em direção oposta: Társis é Espanha; nas referências bíblicas Társis era “um porto distante e às vezes idealizado”. O livro de 1 Reis 10.22 relata que a frota de Salomão ia a Társis pegar ouro, prata, marfim, macacos e pavões. Deus o mandou ir para o leste, por terra, mas, ao invés disso, vai para o oeste, por mar. Jonas comprou uma passagem só de ida para o fim do mundo.


3)     Por que fugimos de Deus?

O apostolo PAULO descreve duas maneiras de fugirmos de Deus. A primeira está no capítulo 1, quando deliberadamente rejeitamos abertamente a Deus, quando viramos as costas para Deus para vivermos a vida do nosso jeito, da nossa maneira; quando nós privatizamos nossa vida. “...mesmo havendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças; ao contrario, seus pensamentos passaram a ser levianos, imprudentes, e o coração insensato e tornou-se trevas” (Rm 1.21). 

No capitulo 2, no entanto, o apostolo Paulo, fala daqueles que procuram seguir a Biblia. “Voce confia na leia e se vangloria...em Deus...voce conhece sua vontade a aprova o que é superior, porque é instruído pela lei” (Rm 2.17-18). Jonas possuía uma compreensão de Deus rígida. Ele não estava disposto a mudar nenhuma das suas convicções. Ele não desejava crescer na compreensão de Deus. Ele sentia-se satisfeito por permanecer como estava. Ele conhecia as escrituras, mas nunca as havia aplicado no seu coração.

No fundo de sua religiosidade fria, calculista, Jonas conhecia o caráter de Deus. Sabia que ele é misericordioso, longanimo e grande em benignidade (Jn 4.2) e que iria dar oportunidade a Ninive se houvesse conversão na cidade. A dificuldade era ele mesmo, sua radicalidade, seu jeito de achar que estava certo em tudo. Que a verdade estava nele.

Logo, depois do apostolo de ter olhado para os gentios e pagãos imorais, bem como para judeus virtuosos que acreditavam na Biblia, ele chega à notável conclusão de que “não há nenhum justo, nem um sequer...todos se desviaram” (Rm 3.23). Ambos estão, de maneiras diferentes, fugindo de Deus. todos sabemos da nossa capacidade de fugir de Deus. Ou nos tornamos pessoas imorais e irreligiosas, ou, é possível evitar a Deus tornando-se uma pessoa muito religiosa, virtuosa, radical, dono da verdade.

Conclusão

Jonas fugiu de Deus. No começo, aparentemente, há uma sensação de liberdade, agora, farei minha vontade, irei para aonde quero ir; ninguém me dirá o que fazer da minha vida. Sim, o pecado sempre endurece a consciência, aprisiona a pessoa em sua própria masmorra defensiva com racionalizações e justificativas. No entanto, o Senhor “lançou sobre o mar um grande vento” (v.4). O verbo lançou é frequentemente usado para descrever a ação de atirar uma arma com uma lança...