terça-feira, 5 de maio de 2026

 Um só coração e uma só alma At 4.32-37 

Introdução

Estamos em Atos dos Apóstolos, ou melhor, Atos do Espirito Santo. O Espirito Santo desceu sobre a igreja no dia de Pentecoste, aonde 120 discípulos falaram em outras línguas pelo Espirito. O apostolo Pedro, levantou-se em sua primeira pregação e explicou que a promessa de Deus havia se cumprido, promessa feita pelo profeta Joel, há mais de setecentos anos. As pessoas perguntam, ao final do sermão: “Caros irmãos! O que devemos fazer?” Pedro lhes disse: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para o perdão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espirito Santo” (At 2.38). 

 Em seguida, três mil pessoas foram arregimentadas no exército de Deus. No capítulo 3, acontece um milagre, um homem paralitico por mais de quarenta anos, foi curado poderosamente, milagrosamente pelo poder de Jesus. Deixando todos aturdidos, assombrados, pasmos; logo, os apóstolos são levados ao sinédrio pelos religiosos para explicar o que aconteceu. São instados a não falar em nome de Jesus, mas Pedro respondeu aos religiosos: “...não podemos deixar de falar de tudo quanto vimos e ouvimos” (At 4.20).  

Quando os apóstolos saíram do Sinédrio se juntaram a companhia dos demais discípulos e contaram tudo o que aconteceu com eles. Em seguida, agradeceram a Deus pelo livramento e oraram, unânimes ao Senhor. Nesta oração evocam a soberania de Deus, sobre tudo e todos; citam o Salmo 2, sobre a perseguição aos seus ungidos, se levantam contra o Messias e depois, a sua igreja. Mas, não estavam com medo das ameaças, e clamam por ousadia, coragem e “...estende a tua mão para curar e realizar sinais e maravilhas por meio do Nome do teu Santo Servo Jesus”. Em seguida, o lugar em que estavam “...tremeu...todos ficaram cheios do Espirito Santo e, com toda coragem saíram anunciando a Palavra de Deus” (At 4.31).

No pentecoste o poder de Deus desceu manifesto como luz e fluiu em cada crente. Mas, neste caso, o edifício tremeu com o poder de Deus enquanto fluía para fora de suas orações e para o mundo. Eles haviam pedido poder – cura, sinais e maravilhas – para criar oportunidades para que eles testemunhassem.  

 1)     COMUNHÃO

E era um só coração e a alma da multidão dos que criam...” (ARC), ou “...um só coração, uma única mente” (A mensagem). Havia unidade na igreja primitiva, havia mutualidade, havia respeito, havia devoção, havia pureza nos relacionamentos, sem egoísmo, pois se consagravam absolutamente ao Senhor. Em seu todo, os cinco mil, pareciam ser um só coração e uma só alma. Certa vez Aristóteles foi indagado: “O que é ser amigo?”, ao que respondeu: “uma só alma, habitando em dois corpos”. 

“Ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns” (ARC), ou “...ninguém dizia: isto é meu, e de ninguém mais” (A mensagem). O amor não consiste naquilo que falamos, mas no que fazemos. A comunhão passa pelo compartilhar, a unidade da igreja transformou-se em solidariedade. Pessoas eram mais importantes do que coisas, pois os crentes adoravam a Deus, amavam as pessoas e usavam as coisas.  

João Crisóstomo, que viveu no século IV, conhecido por sua oratória, deu uma linda descrição desse período: “Aquilo era uma comunidade angelical, não consideravam exclusivamente deles nem uma das coisas que possuíam. Imediatamente, foi cortada a raiz de todos os males...ninguém acusava, ninguém invejava, ninguém tinha ressentimento; não havia orgulho nem desprezo...o pobre não sabia o que era vergonha, o rico não conhecia arrogância”.

João Calvino, que viveu no século XVI, na época de Martinho Lutero, faz um contraponto entre a igreja primitiva e a igreja do seu tempo. “Naqueles dias os crentes davam abundantemente daquilo que era deles; hoje, não nos contentamos em guardar egoisticamente aquilo que é nosso, mas insensíveis, queremos roubar os outros. Eles vendiam seus próprios bens naqueles dias, hoje, é um desejo de possuir que reina supremo. Naquele tempo, o amor fez com que a propriedade de cada homem se tornasse propriedade comum para todos os necessitados, hoje, a desumanidade de muitos é tão grande que muitos pobres estão morrendo de fome”.

Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça” (At. 4.33). Eles “davam” testemunho da ressurreição de Jesus Cristo. Na grande primitiva havia pregação, comunhão de bens, havia sinais e milagres e, principalmente, testemunhavam que Jesus vencera a morte. Conforme a predição do Antigo Testamento, para perdão dos pecados (Rm 4.25), para nossa esperança, para eficácia da pregação. Sim, Jesus morreu, mas no terceiro ressuscitou, sua ressurreição foi confirmada pelos anjos, pelos apóstolos, pelos seus inimigos e por mais de quinhentos discípulos. E, termina dizendo: “em todos eles havia abundante graça”. Da mesma forma, que a graça os alcançou, agora, estendiam essa graça a todos! 

2)     Barnabé

“Então, José, cognominado pelos apóstolos Barnabé (que quer dizer, filho da consolação), levita, natural de Chipre, possuindo um campo, vendeu-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos” (At. 4.37). Aqui, no começo da igreja, vemos um homem que se destacava no meio dos irmãos. Seu nome era José, possivelmente da estirpe sacerdotal. Deram-lhe um cognome, um apelido, “Barnabé”, Bar significa filho e nabé, consolação. Ou seja, filho da consolação, ou, aquele que dá animo. Esse apelido era devido sua prontidão em ajudar, em consolar e animar as pessoas. 

Primeiro, ele é filho da consolação, filho da exortação. Por que quando todos desconfiavam da conversão de Saulo “...Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor, e este lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus” (Atos 9.26,27). Enquanto, todos os discípulos que andaram com Jesus, desconfiavam de Saulo, Barnabé, acreditou em seu testemunho, em sua mudança de vida.

Quando a igreja de Antioquia fora fundada, a partir da dispersão da perseguição depois da morte de Estevão. Era uma igreja gentílica, não havia muitos judeus nessa congregação; era uma cidade dedicada aos deuses gregos. Logo, os apóstolos de Jerusalém, enviaram Barnabé para supervisionar essa igreja. Quando ele foi num culto da igreja de Antioquia, diz o texto que Barnabé viu “a graça de Deus” (At 11.23). A mesma graça que o salvou, agora, estava salvando pessoas de uma cidade pagã!

O que ele fez? “...possuindo um campo, vendeu-o, trouxe o preço e depositou aos pés dos apóstolos”. Barnabé era generoso, doou seu campo para ajudar aos necessitados. Não era apegado ao dinheiro, aos bens materiais. Tempo depois, durante a primeira viagem missionária, Barnabé e Saulo levam socorro aos irmãos que habitavam na Judéia por ocasião da fome que aconteceu no tempo de Claudio Cesar. Diz o texto: “...os discípulos cada um segundo as suas possibilidades, resolveram providenciar ajuda para os irmãos que viviam na Judeia...enviaram suas ofertas pelas mãos de Barnabé e Saulo” (Atos 11.29-30) 

A bíblia conta a história de Maria, irmã de Lazaro, que derramou sobre Jesus um nardo puro do Himalaia, seu valor era de trezentos denários, quase um ano de trabalho.  E, vemos um exemplo similar, Barnabé, vendeu um campo na ilha de Chipre e depositou aos pés dos apóstolos.

Conclusão

Somos a igreja do Pentecoste, a igreja do batismo com Espirito Santo, a igreja que acredita em curas, sinais e maravilhas. A igreja que acredita nos dons espirituais, sim, Jesus concede dons ao seu povo. O dom do conhecimento, da sabedoria, do discernimento de espíritos; o dom da profecia, variedade de línguas, interpretação de línguas, etc.

Somos a igreja da comunhão, da koinonia “um só coração e uma alma”, a igreja da unidade, a igreja que é do Senhor Jesus Cristo. A igreja que estende as mãos aos que chegam, a igreja da mutualidade, a igreja do serviço, a igreja do discipulado, a igreja do evangelismo, a igreja da assistência social.

E, por fim, somos a igreja com o mesmo espirito de Barnabé. Filho da consolação, da exortação, do animo. Que acredita nas pessoas, que acredita em sua mudança, que encoraja, que busca os fracos na fé, que ora pelos enfermos. E, a igreja da voluntariedade, que deseja mais a presença, mais o sacrifício, do que as coisas perecíveis desse mundo. 

 

sábado, 2 de maio de 2026

 Unção em Betânia - Jo 12.1-7  

Este relato aparece em todos os evangelhos sinóticos (Mc 14.3-9; Mt 26.1-5; Lc 7.36-50) e, aparece também no evangelho de João (Jo 12.1-8). Jesus fora convidado para um jantar, na casa de Simão, o leproso, que tinha sido curado por Jesus, pelo poder de Jesus. O motivo dessa refeição era para agradecer, gratidão pela cura. Lazaro, que era de Betânia, e que fora ressuscitado por Jesus estava presente nessa mesa (era um dos convidados). Mulheres não podiam sentar-se a mesa, mas Marta estava servido à mesa, a Maria estava aos pés de Jesus, por trás de dele.  

Aliás, Maria aparece três vezes nos evangelhos. Ela é conhecida por sua adoração, sua devoção ao Senhor Jesus Cristo e sempre aparece aos pés de Jesus.  Nos três relatos em que ela aparece está aos pés de Jesus. Em Lucas 10:39-42, Jesus estava na casa de Maria, enquanto Marta, corre para lá e para cá fazendo os deveres domésticos “Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo o que ele ensinava” (Lc 10.39). Na segunda vez, na ocasião da morte de seu irmão, ela “se dobra aos seus pés e disse: Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11.32). O melhor lugar do mundo é sentar-se aos pés de Jesus.

1)     Cenário

O apostolo João em seu evangelho fala que esse fato aconteceu “Seis dias antes da Páscoa...”. Estava chegando o momento em que Jesus seria preso, morto e crucificado. Então, ele vai para Betânia com seus discípulos, que distava dez quilômetros de Jerusalém. A Páscoa era a festa mais importante dos judeus; é um símbolo do livramento que Deus deu ao seu povo lá no Egito. Na pascoa, eles matavam um cordeiro, comiam ervas amargas e festejavam a grande libertação contra Faraó.

E, na terceira vez, que Maria aparece nos evangelhos, “pegou uma libra de bálsamo de nardo puro, um óleo perfumado muito caro...” (Jo 12.3). Este nardo era feito de um óleo aromático extraído da raiz de uma planta cultivada no Himalaia. Este vaso continha cerca de 350 gramas de perfume caríssimo. Era um perfume muito caro, caríssimo, valiosíssimo, cujo preço era equivalente a trezentos dracmas, 300 dias de serviço. Nos dias de hoje, seria 10 meses de trabalho! Tomado pelo salário-mínimo atual, seria em torno de 16.000 reais!

Ou seja, ela pegou o que lhe era caro, que conseguiu com sacrifício, custoso, valiosissimo e derramou sobre Jesus! “Ungiu os pés de Jesus”; Lucas também fala que ela ungiu os pés de Jesus. Mas, Marcos, o evangelista, diz que ela derramou esse perfume sobre sua cabeça; o evangelista Mateus confirma a versão de Marcos. O mais importante é a sua devoção, uma devoção incomensurável, uma devoção verdadeira. Jesus falou para a mulher samaritana que “os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em Espírito e em verdade” (Jo 4.24).

Diante dessa cena, alguns se indignaram, alguns murmuravam, principalmente Judas: “Por que este bálsamo perfumado não foi vendido por trezentos denários e dado aos pobres” (Jo 12.5). Sim, tem sempre alguns que querem questionar nossa devoção ao Senhor Jesus. A Bíblia diz que “José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé (“aquele que dá animo) vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e colocou aos pés dos apóstolos” (Atos 4.36).

Uma pergunta: o que é mais importante as coisas dessa vida ou a vida eterna? Tem pessoas estonteantes com as coisas desse mundo, em busca dos prazeres, dos bens materiais, daquilo que perece nesse mundo. Maria, em contrapartida, buscava as coisas do céu, os valores eternos, ela estava de olho na eternidade. Não importa o preço, do perfume derramado, tua presença vale mais.

Lembro-me da minha juventude, na cidade de Ribeirão Preto, um dia ouvia a voz do meu amado, do meu Deus, chamando-me para o santo o ministério. Mas, eu tinha que abandonar tudo, renunciar a boa vida, renunciar o status, ou seja, tinha que quebrar o vaso, dar toda minha vida a Deus, toda minha vida...

Há certas ocasiões em que a devoção tem que ser incomensurável, sem medida, extravagante. O próprio Deus brada do céu: “quebra o vaso”. No deserto Deus solicitou a Moisés a construção de um tabernáculo, e o povo quebrou o vaso, doando ouro, prata, tudo o que era necessário para a confecção da tenda. Salomão, fez uma magnifico santuário, um templo suntuoso de adoração: “Quebre o vaso”.

Você já imaginou a nova Jerusalém que desce do céu, como ela é linda, como ela é bela. É brilhante como jaspe, clara como cristal, seus muros são grandes e altos com doze portas de pérolas. O muro era de jaspe; a cidade de ouro puro; o muro tem doze fundamentos: jaspe, safira, calcedônia, esmeralda, sardônico, sardio, crisólito, berilo, topázio, jacinto, ametista...etc. Deus enxugará dos nossos olhos toda lágrima, a morte não existirá, nem luto”. “Quebra o vaso”.

“Derramou todo o bálsamo...”. Não tem toalha, ela desata seus longos cabelos e enxuga os pés de Jesus. Desatar o cabelo, era uma atitude particular, as mulheres desatavam em casa, o talmude ensina que o marido poderia pedir o divórcio se a mulher desatasse o cabelo em público. Mas, aqui, no meio de todos, ela desata seus cabelos e começa enxuga seus pés. Não somente enxugar, mas suas lagrimas “molharam os pés de Jesus”.

Conclusão

O evangelista Marcos relata as últimas palavras de Jesus sobre essa devoção incomensurável: “Com toda certeza Eu vos asseguro: onde quer que o Evangelho for pregado, por todo mundo, será também proclamada a obra que esta mulher realizou, e isso para que ela seja sempre lembrada” (Mc 14.9). E você tem quebrado o vaso? Essa mulher ela quebrou o vaso valiosíssimo e derramou aos pés de Jesus. Ela ficou com seu nome na história. Abraão estava em Ur dos Caldeus, mas Deus chamou.... ele quebrou o vaso. Moisés estava no deserto e Deus apareceu numa sarça ardente e ele quebrou o vaso...

 

terça-feira, 28 de abril de 2026

 Religião e cristianismo Atos 4 

Kal Marx, fundador do comunismo, afirmou sobre religião: “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições sem alma. É o ópio do povo”. A religião vem do latim religare e atua como um laço entre o homem e o divino. Tem religião que possui um efeito mortífero e embotador, pois, coloca a estrutura no lugar do Salvador. Afirmam que a denominação é a única igreja que salva e detém as respostas para as grandes questões da vida. A religião diz: “Seja seguidor, se encaixa no sistema, quanto a Jesus, está em segundo lugar”.  No entanto, sabemos que o cristianismo não tem nada a ver com religiosidade, é Cristo que vai em busca da pessoa, é Cristo que muda; como diz o apostolo Paulo: “Aquele que está em Cristo nova criatura é, as coisas velhas já passaram e tudo se tornou novo” (2 Co 5.17).

1)     Um milagre na porta formosa 

Em atos 3, Pedro e João foram ao templo para orar. Era a oração das três da tarde e havia um paralitico junto a porta formosa pedindo esmolas. Este paralitico era levado nesse portão  todos os dias, todos os dias, ele pedia esmolas. Aliás, quase todos os dias de sua vida! Quando os apóstolos passaram por ele, logo, estendeu as mãos para pedir esmolas, mas Pedro olhando fixamente em seus olhos, disse: “Não tenho prata, nem ouro, mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, levante-te e anda” (At 3.7). No mesmo instante, aquele paralitico levantou-se e pulava de alegria e foi para o templo.

O povo ficou maravilhado diante da cura do paralitico, diz-nos o texto: “E ficaram cheios de pasmo e assombro, pelo que lhe acontecera” (Atos 3.10). Diante dessa cena, o apostolo Pedro, novamente coloca-se em pé e prega seu segundo sermão. Começando com Abraão, Isaque e Jacó, depois, falando da morte de Jesus pelas autoridades religiosas e de sua ressurreição dentre os mortos, arrazoava para que se arrependessem de seus pecados para que viessem “os tempos de refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3.19).  O apostolo Pedro usa o Antigo Testamento, apontando para Jesus Cristo. Esse sermão afetou muito os que ouviram (At 4.4), dando um total de cinco mil convertidos. Isso chamou a atenção dos religiosos ...

2) Religiosos 

Estando eles falando ao povo, sobrevieram os sacerdotes, e o capitão do templo e os saduceus” (Atos 4.1). Veio um batalhão de religiosos, indignados com o milagre na porta formosa. Os sacerdotes, encarregados de observar a lei de Moisés e oficiar no templo, oferecendo sacrifícios a Deus; os guardas do templo, os policiais que tinham por obrigação de manter a ordem no templo; os saduceus, que tinham autoridade sobre o templo, os que mandava e desmandava e não acreditava no poder sobrenatural de Deus. 

Essas autoridades – os sacerdotes, os capitães e os saduceus – tiveram dificuldades com os apóstolos. Primeiro, esses eram seguidores do homem – Jesus – que haviam matado e ensinavam o povo. Segundo eles estavam ensinando em nome desse mesmo homem. Terceiro, eles alegavam que aquele homem assassinado havia ressuscitado dos mortos e que as pessoas que cressem nele também poderiam ressuscitar.

“E lançaram mão deles e os encerraram na prisão até ao dia seguinte, pois já era tarde” (Atos 4.3). Vamos deixá-los uma noite em prisão (colocados na fortaleza Antônia, onde ficou João Batista) para ver se irão continuar falando, se irão ainda testemunhar de Jesus, se irão ainda fazer milagres. Era uma forma de intimidar, colocar medo nos apóstolos. 

No dia seguinte, são levados no Sinédrio à presença dos religiosos. Diz o texto: “...os principais, os anciãos, os escribas. E Anás, o sumo sacerdote, e Caifás, e João, e Alexandre, e todos quantos da linhagem do sumo sacerdote”. O sinédrio judaico era composto por mais de setenta pessoas. Essas autoridades religiosas queriam intimidar os apóstolos, usar a autoridade para gerar medo nos corações. Eles tinham uma tradição para defender, tradição religiosa. E, por fim, queriam obrigá-los a parar de pregar em Nome de Jesus Cristo.

“E, pondo-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em nome de quem fizeste isto?” (Atos 4.7). Dois discípulos, galileus, pescadores, agora, de frente com o mesmo sinédrio que condenou Jesus (no mesmo local), cercados de autoridades religiosas que mataram e mandaram crucificar Jesus! A religião acha segurança na quantidade, no formalismo, na tradição, na hierarquia, no protocolo, no status, nos títulos, no que é “adequado”. Os religiosos usam tudo isso para intimidar “...com que poder e em nome de quem...”. 

Diante da pergunta das autoridades religiosas, o apostolo Pedro, se levantou corajosamente, cheio do Espírito Santo e disse-lhes: “Principais do povo, e vós, anciãos de Israel...”. Ele inicia saudando todos os representantes. Em seguida, responde a pergunta dos anciãos, religiosos: “...seja conhecido de vós todos, e de todo povo de Israel, quem em nome de Jesus Cristo, o Nazareno...em nome desse que este está são diante de vós” (At 4.10). Quem é Jesus? O apostolo Pedro lembrou-se das palavras de Jesus: “Quando os levarem às sinagogas e diante dos governadores e das autoridades, não se preocupem com a forma pela qual se defenderão nem com o que dirão, pois, naquela hora, o Espírito Santo lhes ensinará o que deverão dizer” (Lc 12.12).

E disse cheio de coragem e do Espírito Santo: “Ele é a pedra que foi rejeitada por vocês, os edificadores, a qual foi posta por cabeça da esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também, debaixo do céu, nenhum outro nome há dado entre os homens, pelo qual devemos ser salvos” (Atos 4. 11-12). O apostolo Pedro está afirmando que Jesus Cristo é o Messias, é o cabeça da esquina, pedra rejeitada pelos líderes religiosos, mas pedra principal. E, afirma, que a salvação somente consiste em Jesus, sim, debaixo do céu, não existe nenhum nome que pode nos salvar, somente Jesus é poderoso para nos salvar. 

Como foi a reação dos líderes religiosos? “Vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras (homens que tinham estudado teologia) e indoutos (incultos), se maravilhavam; e tinham conhecimento que eles haviam estado com Jesus” (Atos 4.13). Eles não sabiam, mas coragem veio do Espírito Santo, que desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes. Todos foram cheios do Espírito Santo, todos foram revestidos, e todos começaram a falar em línguas. O apostolo Paulo exorta seu filho na fé, Timóteo: “Deus não lhe deu espírito de covardia”, medo, de temor, de vergonha. E continua, o apostolo Paulo: “mas de poder, de amor e de moderação” (2 Tm 1.7). 

Havia uma prova inegável diante dos olhos daquelas autoridades: um homem de quarenta anos, que nunca tinha andado em sua vida, ali estava ele, de pé, ao lado dos apóstolos. Assim, “nada tinha que dizer em contrário” (v,14). Eles não podiam negar e não podiam reconhecer. Diante de um fato inegável, somente deram aos discípulos uma advertência: “...chamando-os, disseram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem, no nome de Jesus” (At 4.18). Mas, os apóstolos responderam: “...não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” (Atos 4.20). 

 O maior argumento do evangelho é um homem transformado, um coxo andando, um cego vendo, um bêbado sóbrio, um drogado cheio do Espírito, um blasfemo reverente, um avarento honesto. O ateu desafiou o crente acerca de sua fé. O crente respondeu: "Traga-me um homem que foi transformado pelo ateísmo e lhe apresentarei um séquito de ladrões, prostitutas e avarentos que foram transformados por Jesus". 

Conclusão: a igreja que ora

A igreja fez três pedidos principais: O primeiro era que OLHASSE PARA SUAS AMEAÇAS (v.29 a). O segundo pedido era que Deus os capacitasse a serem seus servos (literalmente "escravos") para falar da sua Palavra com toda a intrepidez (v.29 b). A terceira petição era para que Deus lhes estendesse a mão para fazer curas, sinais e prodígios, por intermédio do nome... Jesus (v.30, Atos 5.12).

Em resposta a essa oração sincera e unânime: 1) tremeu o lugar e, segundo comentou Crisóstomo "aquilo os tornou mais inabaláveis"; 2) todos ficaram cheios do Espírito Santo; e 3) em resposta aos seu pedido especifico (v.29), anunciavam a palavra de Deus, com intrepidez (v.31).  


domingo, 26 de abril de 2026

 Os aguilhões de Paulo At 26.14 

Introdução

Francis Thompson foi um poeta. Viveu uma vida solitária e sem amor, tentou várias coisas em sua vida, mas não foi até o fim. Durante todo esse tempo, viveu longe do amor de Deus. Então, depois de ser achado por Deus, ele fez um poema:

“Dele fugi, noites e dias adentro; Dele fugi, pelos arcos dos anos; Dele fugi, pelos caminhos dos labirintos...De minha própria mente; e no meio das lagrimas. Dele me ocultei, e sob riso incessante. Por sobre esperanças panorâmicas corri; e lancei-me, precipitado, para baixo de titânicas trevas de temores abissais, para longe daqueles fortes Pés que seguiam, seguiam após mim...]”. Nesse poema, Thompson é fugitivo do chamado de Deus para sua vida e tenta buscar satisfação em toda parte, mas nada consegue preencher. Por fim, caiu em si, diante do fato, que sem Deus a vida não tem significado.

1)     Aguilhões

“Todos caímos por terra. Então ouvi uma voz que me dizia em aramaico: Saulo, Saulo, por que você está me perseguindo? Resistir ao aguilhão só lhe trará dor”.  (At 26.14).

A palavra Kentron poderia ser traduzida como “espora”, “chicote” ou “aguilhão”. o aguilhão era uma vara com uma ponta de ferro, usada para ferir os animais.  Provérbios diz: “O chicote é para o cavalo, o freio para o jumento, e a vara para as costas do tolo” (Pv 26.3).

Ao falar com Saulo, Jesus estava se comparando a um fazendeiro incitando um boi obstinado. Jesus estava perseguindo, cutucando e espetando Saulo. Mas ele estava resistindo à pressão, e era difícil, doloroso e até mesmo fútil para ele resistir aos aguilhões. Isso nos leva a uma pergunta natural. Quais eram os aguilhões com os quais Jesus Cristo estava cutucando Saulo de Tarso?

Jesus estava cutucando Saulo em sua mente. Saulo foi educado aos pés de Gamaliel, um dos rabis mais conceituados do primeiro século. Ele tinha um alto conhecimento do judaísmo, mormente da Torá. Ele era fariseu, seu conhecimento sobrepujava. Portanto, como todos os judeus, Saulo estava convencido de que Jesus de Nazaré não era o Messias. Para ele, era inconcebível, impensável que o Messias fosse rejeitado, humilhado e morto numa cruz. Pois a lei afirmava: “Qualquer que for pendurado está debaixo da maldição da lei” (Dt 21.23). Não, não, Jesus para Saulo, era um impostor!

No entanto, sua mente estava cheia de dúvidas por causa do que as pessoas falavam acerca de Jesus. Todos afirmavam que Jesus havia curado o cego de nascença, que Jesus havia libertado o endemoninhado de Gadara, que tinha libertado Maria Madalena de sete demônios. Falavam também que Jesus tinha andado por cima das águas e ressuscitou Lazaro. E, mais, todos os discípulos afirmavam que Jesus tinha ressuscitado no terceiro dia e aparecido para mais de quinhentos discípulos! Jesus estava cutucando a mente de Saulo.

Jesus estava cutucando Saulo em sua memória. Ele estava presente no julgamento do diácono Estevão, a quem Lucas descreveu como “homem cheio de fé e do Espirito Santo” (Atos 6.5). Saulo viu com os seus próprios olhos a face de Estevão brilhando como a face de um anjo. Ele viu Estevão sendo apedrejado até a morte e pedindo que Deus perdoasse esses homens. Ele achava inexplicável a coragem dos cristãos que estavam prontos para morrer pelo Nome de Jesus. Jesus estava cutucando a memória de Saulo.

Jesus estava cutucando Saulo em sua consciência. Saulo era fariseu. Vivia uma vida irrepreensível e tinha uma reputação sem mancha. No entanto, sua piedade, sua religião era exterior. Pois, interiormente, tinha consciência de sua pecaminosidade. Ele poderia ter dito como C.S.Lewis: “Pela primeira vez examinei a mim mesmo com um proposito seriamente prático. E ali encontrei o que me assustou: um bestiário de luxurias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados. Meu nome era legião”.

No caso de Saulo, o ultimo dos dez mandamentos o condenava. Ele poderia lidar bem com os primeiros nove porque eles tinham a ver somente com suas palavras e obras. Mas o decimo proibia a cobiça. E a cobiça não é nem uma obra nem uma palavra, mas um desejo, uma luxuria insaciável. Ele mesmo confessa:

“Eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é a cobiça se a lei não dissesse: Não cobiçaras. Mas o pecado... produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso...antes eu vivia sem lei, mas quando o mandamento veio, o pecado reviveu, e eu morri” (Rm 7.7-9). Jesus cutucava Saulo em sua consciência!

Jesus cutucava Saulo em seu espírito. Como judeu, Saulo acreditava em Deus, desde a infância. Havia buscado servir a Deus na juventude com uma consciência limpa, mas sabia que estava separado de Deus, não tinha comunhão com Deus. Ele acreditava nele, mas não o conhecia, estava alienado dEle. A mesma coisa Jesus disse para Nicodemos, um líder religioso: “Voce tem que nascer do alto, você tem que nascer do céu, você tem que nascer do Espirito Santo”.

Conclusão:

Indo para Damasco para perseguir os cristãos de repente “Saulo viu uma luz”, tão forte como a luz do sol. Em seguida, caiu por terra, sim, ele se rende ao poderio de Jesus. Ouve uma voz: “...Saulo, Saulo, por que me persegues...” Ele pergunta: “quem és tu, Senhor”, Jesus responde: “Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu persegues” (Atos 22.8). Por fim, Saulo reconhece que Jesus é o Senhor e se rende ao seu senhorio. 


 Bibliografia: John Stott, Por que sou cristão, editora Ultimato.

 

terça-feira, 21 de abril de 2026

 Qual é a igreja verdadeira? Atos 2.42-47 

Hoje tem uma infinidade de igrejas espalhadas pelo Brasil. Surge uma pergunta? Qual é a igreja certa para congregar? Qual igreja devo fazer parte? Como marca de café, temos uma variedade de igrejas. Tem igrejas de campanhas de “prosperidade”; tem igrejas “modernas”, uma linguagem mais jovial, com paredes pretas (imitando as discotecas da década de 90) cujo líder parece mais com um “coach”, com roupas apertadas etc. E, tem as igrejas tradicionais que se baseiam mais nos “usos e costumes” do que nas escrituras... enfim, temos um imensidades de igrejas. 

 Um grupo de jovens tinha essa mesma indagação, durante algum tempo não congregaram, não visitaram igreja alguma. Num dia qualquer, eles se deparam com um senhor já experimentado, vivido, e começaram a conversar sobre igreja. E o senhor pergunta que tipo de igreja eles procuravam. Entre eles, havia o que mais falava, expressava-se. Prontamente ele respondeu: estamos buscando uma igreja firmada na Palavra, que expusessem as escrituras; estamos buscando uma igreja que tivessem comunhão real, onde os membros se preocupassem mutuamente uns com os outros; estamos buscando uma igreja que adora, que se expressasse em “espírito e em verdade” ao Deus criador. E, por fim, disse o jovem: estamos buscando uma igreja preocupada em evangelizar o mundo. Sem saber, esses jovens estavam definindo a igreja de Atos dos Apóstolos.

1)     Qualidades de uma igreja verdadeira

O apostolo Pedro pregou no dia Pentecoste e três mil pessoas se renderam aos pés de Jesus. Eles se arrependeram de seus pecados e foram batizados para perdão de seus pecados; e a promessa do Pai era para todos, sim, a promessa do batismo com Espírito Santo não ficou para os dias dos apóstolos, é uma promessa para os nossos dias. “A promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe ...”.

“Eles se dedicaram ao ensino dos apóstolos...”, “E todos continuavam firmes...” (NTLH), ou “Eles perseveravam na doutrina dos apóstolos...” (ARC). Os apóstolos que foram preparados por Jesus ensinavam os novos convertidos. Baseando tanto no Antigo Testamento, quanto nos ensinos de Jesus. Eles se assentavam aos pés dos apóstolos, ansiosos por receberem instruções, e nisso perseveravam”. Mais que isso, a autoridade didática dos apóstolos era autenticada por milagres: “muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos” (At 2.43). Logo, vemos duas coisas: ensino e milagres. Uma igreja verdadeira se dedica no estudo da Palavra de Deus. A Bíblia é a única fonte de verdade! 

“...e na comunhão”. Comunhão é koinonia (comum). Temos dois tipos de igrejas. Uma delas é descrita como um saco de bolinhas de gude. As pessoas se reúnem para comunhão, fazem bastante barulho, brilham e jogam luz lindamente e roçam uma nas outras. Elas se conectam, mas não se misturam. Isso não é koinonia. Outro tipo de igreja é descrita como um saco de uvas. Agite um pouco o saco e ele começa a pingar. Ao olhar para dentro, a visão não é bonita, mas elas estão se misturando. Cada vida sangra nas outras. Essa é uma comunhão autêntica e fortalecida pelo Espírito. 

Temos a comunhão com “...Pai e com seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo 1.3) e a “comunhão do Espírito Santo” (2 Co 13.13); uma comunhão vertical. Também, a comunhão uns com os outros. Koinonia é a palavra que Paulo usou para a oferta que recolheu entre as igrejas da macedônia (2 Co 9.13). Eles compartilhavam suas propriedades uns com os outros, é o caso de Barnabé que vendeu um terreno e colocou o valor aos pés dos apóstolos, um ajudava o outro (At 2.44-45 e At 4.34-35). Uma igreja verdadeira tem comunhão!

“no partir do pão, e nas orações”. A ceia do Senhor tornou-se um hábito no seio da igreja, uma representação da morte do Nosso Senhor Jesus Cristo. Nas reuniões havia a festa do “amor” que era um momento de compartilhar refeições, saciar a fome, fraternidade. No final dessa festa, pão e vinho eram tomados de acordo com a ordem do Senhor e, depois de darem graças a Deus, eram comidos e bebidos em memória de Cristo. Diz-nos o texto: “...comiam com alegria e simplicidade no coração” (At 2.46). NA ceia do Senhor, temos a comunhão vertical, como o Nosso Senhor e a comunhão horizontal, com nossos irmãos. Uma igreja verdadeira se senta à mesa para participar do pão e do vinho! 


“E nas orações”. A igreja primitiva não apenas possuía um interesse genuíno pela palavra de Deus, na comunhão e no partir do pão, mas também era uma igreja que orava. Era uma igreja totalmente dependente de Deus, era uma igreja que vivia em oração. Em quase todos os capítulos de Atos, a igreja ora, busca intensivamente a presença de Deus. Em atos 1, todos perseveravam em oração, esperando o batismo com Espírito Santo. Em atos 2, a igreja ainda ora, até que o Espírito Santo foi derramado sobre todos os discípulos de Jesus. 

Em atos 3, os líderes da igreja vão as três horas da tarde no templo para orar, lá Deus fez com que um paralitico fosse curado pelo poder de Deus; em atos 4, depois da perseguição religiosa, a igreja ora com intensidade e o lugar é sacudido pela presença do Senhor. Em Atos 5, através da oração, Deus deu discernimento a Pedro sobre a falsidade de Ananias e Safira. Em atos 6, os apóstolos entenderam que a maior prioridade é a oração e a pregação da Palavra de Deus. Em atos 9, o primeiro sinal de que Saulo havia se convertido é que ele estava orando; em Atos 12, o apostolo Pedro estava preso, mas a igreja orava em seu favor, e é libertado miraculosamente pelo poder de Deus.

Em atos 13, a igreja de Antioquia ora, e Deus abre as portas das missões mundiais. Em atos 16, Paulo e Silas oram na prisão, e Deus abre as portas da prisão. Em atos 20, Paulo ora com os presbíteros da igreja em Éfeso na praia. Hoje, a igreja fala de oração, mas não ora. Sem oração não tem poder, não tem discernimento, não tem força para vencer o pecado, sem oração não tem dependência de Deus, sem oração não tem batismo com Espirito Santo. Sem oração a pregação é sem vida, sem oração o louvor não sobe, sem oração não tem fogo em nossos cultos.

Se não tivesse oração, Davi não teria derrubado o gigante Golias; sem a oração de Moisés, o povo de Deus não teria vencido o exército amalequita; sem oração a muralha de Jericó não teria caído; sem oração o povo não teria atravessado o mar vermelho. Sem oração, não tem cura, não tem sinais, não tem maravilhas... Portanto, uma igreja verdadeira ora, busca a face do Senhor!

“...louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo”. Uma igreja cheia do Espírito canta com fervor e louva a Deus com entusiasmo. O culto era um deleite. Eles amavam a casa de Deus. Uma igreja verdadeira tem alegria de estar na casa de Deus, para adorá-lo na beleza de sua santidade. A comunhão de estar na igreja é uma das marcas ao longo dos séculos. O escritor aos hebreus exortava: “Não deixemos de reunir-nos ...encorajemos uns aos outros” (Hb 10. 25). Quando se ajuntavam tinham “.... alegria e singeleza de coração”, havia exultação, alegria no coração dos discípulos, enquanto adoravam e exaltavam o Senhor Jesus. 

Conclusão

Enquanto, aprendiam a palavra de Deus, tinham koinonia, participavam no partir do pão e nas orações e louvavam “...Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos” (NVI), “...todos os dias acrescentava o Senhor, à igreja, aqueles que se haviam de salvar” (ARC). O que aprendemos: primeiro, foi o Senhor quem fez. “Acrescentava-lhes o Senhor”, fez pelo testemunho dos apóstolos e pela pregação.  Segundo o Senhor acrescentava todos os dias. Eles buscavam pessoas de fora continuamente, e logo, os convertidos eram acrescentados. 



 

terça-feira, 14 de abril de 2026

 O que quer isto dizer?  Atos 2.12-39 

No dia de Pentecoste o Espirito Santo desceu como “...um som, como de um vento veemente e impetuoso e encheu toda a casa em que estavam assentados...foram vistas por eles linguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles”. Todos os judeus que estavam em Jerusalém ficaram “...pasmados e se maravilhavam, dizendos uns aos outros: Não são galileus....como, pois, ouvimos, cada um, na nossa propria lingua em que somos nascidos?”. Profundamente pertubados, eles perguntaram: “O que quer isto dizer?”

1)     Pedro se levantou... 

O verbo “levantou-se” signfica “ficar de pé”, ou “ser colocado à frente”. Torna possivel entender que eles olharam uns para os outros e concordaram que Pedro era o homem para a ocasião. O apostolo Pedro não trazia consigo um esboço pronto, mas tinha duas coisas que eram infinitamente mais importantes: Pedro tinha algo a dizer, e tinha o poder do Espirito Santo. Ele dividiu sua mensagem em duas partes: 1) uma explicação do batismo com Espirito Santo, e uma declaração sobre Jesus Cristo.

O apostolo Pedro se dirigiu aos expectadores como “homens da Judeia” e “todos os que vivem em Jerusalém”, ou seja, os residentes permanentes em Jerusalém e os alojados em Jerusalém para a festa do Pentecoste. A frase usada “ouçam com atenção” é usada apenas aqui em todo o Novo Testamento, ressaltando algo de grande importancia. “Homens da Judéia e todos os que vivem em Jerusalém, deixem-me explicar isto! Escutem o que lhes digo!” (At 2.14).  O profeta Joel, por exemplo, abriu seu oráculo dessa maneira: “Ouçam isto, anciãos; escutem, todos os habitantes do país” (Jl 1.2). 

“Estes homens não estão bebados, como voces supoem. Ainda são noves horas da manhã” (Atos 2.15). Os judeus tinham o habito de tomar vinho durante o jantar, ou seja, à noite. “Mas”, diz o apostolo Pedro, “o que está acontecendo é o que foi dito por meio do profeta Joel. Ele citou o profeta Joel de memória sobre a promessa que Deus derramaria do seu Espirito Santo sobre “todos os povos” (Jl 2.28). isto é, toda pessoa seria cheia do Espirito Santo.

Nos ultimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todas as pessoas” (Atos 2.17). Os ultimos dias são os dias que vão da ascensão de Jesus até a segunda vinda de Jesus. Portanto, os ultimos dias seriam marcas pelo derramamento do Espirito Santo. Deus está dizendo: “...derramarei do meu Espirito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos.Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão” (vs 17 e 18). 

O Espirito é derramado sobre filhos e filhas, servos e servas. Não há distinção, não há separação. Não há acepção. Na igreja não há espaço para marginalização, discriminação, sim, o Espirito Santo seria derramado sobre todos. “vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões”.  Deus enche de seu Espirito os jovens e os velhos. Os velhos, não obstante, a idade, terão capacidade de sonhar; como Calebe sonhava em sua velhice com Hebrom e conseguiu conquistar. Aonde tem o Espirito Santo, Deus levanta jovens, com visões, com capacidade de pregar, com discernimento e sabedoria. 

E, aponta para o fim: “Mostrarei maravilhas em cima no céu e sinais em baixo, na terra, sangue e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (vs. 19,20-21). O derramamento do Espirito apojta para o julgamento de Deus às nações. Na abertura do sexto selo do apocalipse todos esses sinais aparecem: o sol se tornou negro, e a lua toda, como sangue. Deus virá com sua justiça. Mas, o apostolo Pedro admoesta: “E todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo”. Somente o Nome de Jesus Salva, o apostolo Pedro subscreve essa afirmação: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4.12). 

2)     Declaração sobre Jesus Cristo

O apostolo Pedro fala do ministério terreno de Jesus, acompanhado de “...milagres, maravilhas e sinais...” (At 2.22). sim, Ele foi aprovado, houve reconhecimento publico da divindade de Jesus. Jesus realizou milagres (multiplicou pães, ressuscitou mortos), realizou maravilhas (andou por cima das águas) e sinais (curou o cego, paralitico, leproso). Todos isso lhe validou como Cristo, o enviado de Deus ao mundo.

Ele foi crucificado (Atos 2.23). O destino de Jesus era a cruz, era a morte. A expressão “proposito determinado”, Deus designou, atribuiu seu Filho a missão. Ele diz: “O filho do homem vai (para cruz), como foi determinado...” (Lc 22.22). Ele foi entregue com ajuda de “...homens perversos”, “o mataram” por voces. 

“Mas Deus o ressusscitou dos mortos, rompendo os laços da morte” (Atos 2.24). Martin Loyd Jones agradece a Deus pelo “mas” na Biblia! Sim,porque era impossivel que a morte o detivesse! O apostolo Pedro cita um salmo de Davi falando sobre sua esperança, sim, o Messias que viria da sua linhagem não seria abandonado no hades, porque ressuscitaria! “...tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu Santo sofra decomposição” (Atos 2.27). No domingo pela manhã quando as mulheres foram ao sepulcro de Jesus, ouviram dois anjos afirmando: “Por que voces estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou!” (Lc 24.6). 

Jesus foi “...exaltado à direita de Deus” (Atos 2.33). Deus lhe deu um Nome que está sobre todo o nome. Todo joelho vai ter que se ajoelhar diante Dele, toda lingua vai ter que confesar seu nome, sim, Ele é o Senhor, é o Kyrios! Novamente o apostolo Pedro cita um Salmo de Davi para reforçar a soberania do Filho de Deus: “O Senhor disse ao meu Senhor: assente-se à minha direita até que eu faça dos seus inimigos um estrado para os seus pés” (Atos 2.35).

E, termina afirmando: “Este Jesus, a quem voces crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo”(Atos 2.36). Deus o fez Senhor, é o mesmo Senhor do verso 21: “Quem invocar o Nome do Senhor...”. Jesus Cristo, o Senhor. Ele é o Senhor (Kyrios), é o Ungido de Deus, o Messias prometido!

Conclusão: e agora?

O apostolo Pedro ainda não tinha acabado de pregar seu sermão e diz o texto: “Quando ouviram isso, os seus corações ficaram aflitos, e eles perguntaram a Pedro e aos outros apostolos: “irmãos, o que faremos?” (Atos 2.37). A palavra foi pregada, anunciada e “ficaram aflitos em seu coração”,  “comovidos”,  “compugidos”, “coração pesaroso” como se tivessem sido “esfaqueado ou perfurado”, e sentiram uma dor aguda, como uma lamina bem afiada, penetrando em suas consciencias e trazendo a necessidade do arrependimento.

Logo, o apostolo respondeu: “Arrependam-se”. Arrependimento é mudança de direção, é inverter o curso, e buscar ajuda de Deus. E disse em seguida: “e cada um de voces seja batizado em nome de Jesus Cristo...” (Atos 2.38). batizados é ser “mergulhado”, “imergir”, “afundar”, “banhar” ou “lavar-se”. O batismo é um simbolo exterior para uma mudança interior.  “Em nome de Jesus Cristo”, na autoridade e no poder do Nome de Jesus Cristo. “Para perdão de seus pecados”, o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado! E “receberão o dom do Espirito Santo”, ou seja, o mesmo Espirito que acabara de ser derramado sobre os discipulos, seria derramado sobre eles.

“Pois a promessa é para voces, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos quantos o Senhor, o nosso Deus, chamar” (Atos 2.39). a promessa do Espirito Santo é para todos, para os pais, para os filhos. A promessa é para nossa geração, é para geração vindoura. Dessa pregação do apostolo Pedro, houve um acrescimo de tres mil pessoas!