sábado, 4 de abril de 2026

 Os discípulos de Emaús -  Lucas 24:13-35. 

 Jesus sofreu de forma excruciante. Sobre Jesus aplicaram golpes terríveis, azorragues em seu corpo (com pedaços de ossos e ferro) dilacerando seu rosto, suas costas. Fizeram-no que carregasse a parte da cruz horizontal, andou pela via dolorosa, sendo humilhado, sendo xingado desprezado,  zombado pela multidão.

 Colocaram-no em cima de uma cruz, pregaram suas mãos e seus pés; vestiram-lhe com um manto; colocaram uma coroa de espinho sobre sua cabeça, em forma de zombaria. Quando estava com sede, deram-lhe vinagre. As últimas horas de Jesus na cruz foram horríveis, pendurado em uma cruz, ladeado com dois bandidos. Até que Ele gritou: “Pai, está consumado”. Ali, Jesus deu sua vida por nós!

 Tudo isso aconteceu na sexta-feira da paixão! Os discípulos ficaram desnorteados, arrasados, desvanecidos, desesperançados!  Seu corpo foi sepultado no tumulo de José de Arimatéia. Os discípulos não podiam acreditar que o seu mestre morrera, fora sepultado. Um dia alguém pichou sobre o muro de uma igreja: “Deus morreu”, assinado Nietzche. Sim, na sexta-feira parecia que todos os jornais estampavam a mesma notícia, “Jesus Cristo morreu”. Para os discípulos, fora a sexta-feira do sofrimento, da angustia, do tormento, da agonia; todos fugiram, todos ficaram com medo de serem presos.

 Mas, João nos diz, “No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres levaram ao sepulcro as especias aromáticas que haviam preparado” (Lc 24.1). As mulheres  vão em busca do cadáver, de um morto, para terminar o embalsamar seu corpo. Mas, quando chegaram no sepulcro, a porta de uma tonelada fora removida, seu corpo não estava lá, somente os lençóis que lhe cobriam. De repente, aparece dois anjos com roupas resplandecentes para elas e diz: “Por que vocês estão procurando aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou! (Lc 24.6). Sim, Jesus ressuscitou, Ele Vive, Ele está vivo, vai avisar os discípulos que Ele está vivo. Sim, Ele continua Vivo, mas Nieztche morreu!!!

 

1)         Dos doze encontros que a Bíblia relata que Cristo teve com seus discípulos após sua ressurreição este tinha um significado especial!

 

Jesus permaneceu com os discípulos durante 40 dias, andando com os discípulos; ensinando sua palavra. Mas, de todos os encontros de Jesus, este dos dois discípulos de Emaús, é especial...

 

Por quê? pelo fato deles estarem caminhando, não apenas fisicamente. Eles iam em direção a aldeia de Emaús, mas a mente deles, o pensamento deles, estavam presos à cidade de Jerusalém...

 As lembranças da sexta feira da paixão, as lembranças do sofrimento de Jesus, a lembrança da deserção dos discípulos, sua crucificação, sua morte, escureciam, embotava a mente desses dois caminhantes.

 Eles estavam chegando na aldeia de Emaús, mas ainda estavam presos à cidade de Jerusalém. 

 Quando o passado nos arrasta e nos prende, perdemos a capacidade de enxergar o que está ocorrendo em nosso presente. Diz-nos o texto: “Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles...”. (Lc 24.15).

 Mas, “Os seus olhos estavam embotados – sem energia, impedidos, insensíveis, sem capacidade para perceber – “de modo que não o reconheceram”. Ou, “Mas alguma coisa não deixou que eles o reconhecessem” (NTLH). Quando o texto diz que “alguma coisa” tem a ver com algo do passado, no caso dos discípulos, os eventos de sexta feira. Em nosso caso, pode ser algo que diz respeito a nós, ao nosso passado...

 O Senhor Ressuscitou, está vivo, mas os discípulos não reconheceram, não perceberam. Quando o passado nos arrasta e nos prende, perdemos a capacidade de enxergar o que está acontecendo em nosso presente. A vida não tem vivacidade, energia...força no Espirito Santo.

 E esse passado tem o poder de neutralizar a nossa fé no presente e tirar toda perspectiva do futuro. Quando você relembra um fato do seu passado, a sua força parece diminuir, enfraquecer! Sim, pior, nos deixa desfigurado, abatidos...os discípulos ainda estavam vivendo as dores da morte do Senhor. Para eles, ainda era sexta feira, nada do que aconteceu, nada do que as mulheres disseram que o tumulo estava vazio, tinham valor algum!

 

2)         Jesus se aproxima e fala com eles

 

Lucas 24:17: “Que palavras são essas que caminhando, trocais entre vós? Eles pararam entristecidos”. Jesus percebe o estado de espírito dos dois; estavam com o rosto entristecidos, sombrio, sem vida!


 Vivemos dias difíceis, as coisas estão difíceis, vivemos um cenário de guerra no mundo (é guerra na Ucrania, é guerra no Irã), a situação econômica não está nada boa, vivemos situações de enfermidade dentro de casa. O céu de muitos está escuro, carregado de nuvens! E seguir em frente, tendo algo que nos amarra no passado, isso incomoda, espezinhando nossa consciência, é muito difícil!

Eles respondem para Jesus: “És o único, porventura, que tendo estado em Jerusalém, ignorais as ocorrências destes últimos dias? Ele lhe perguntou: Quais?”. (v.18). Eles ficaram indignados pela desinformação daquele homem que surgira de repente. Todos estavam falando, era do conhecimento de todos o que aconteceu em Jerusalém.

Nós sabemos que esquecer um erro, um fracasso, uma doença, uma traição, não é nada fácil! É quase impossível, deixa marcas, deixa sequelas, cicatrizes na alma...


Conclusão

Quando Jesus diz “quais”, sim, o que aconteceu com Ele, evidencia que não estava preso no passado. Ele estava afirmando que o passado não pode mais pesar sobre nossas vidas!

O apostolo Paulo arrazoa em Romanos, “Quem nos separará do amor de Cristo?”, “Será a tribulação, ou a ansiedade, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada....em todas as coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou...estou seguro de que “nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos afastar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.35-39).

Sua morte, seu sacrifício na cruz, nos perdoo. O apostolo Paulo exclama: “...agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8.1).

Esse sentimento não pode dominar os nossos corações. O que está em jogo, nessa noite, é a Palavra de Deus. É por causa dessa palavra você não poderá ser derrotado.

“Então se lhes abriram os olhos, e o reconheceram, mas ele desapareceu da presença deles”. Voce sabe por que Jesus desapareceu? Foram renovados para continuar a caminhada. É isto que Deus espera de cada um de nós. Não é hora de ficarmos parados, com medo, com angustia de com coração. Não se esqueça: o que está em jogo é a Palavra de Deus!

 

 

 

 

 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

            Um leproso curado   (Mc 1.40-45) 

Durante a pandemia do covid-19 ficamos sem poder cumprimentar, sem poder abraçar e, o pior, éramos obrigados a usar uma máscara! Ficávamos distantes das pessoas, nos cultos separávamos as cadeiras, colocávamos fitas para separar os bancos. Muita gente morreu, perdemos parentes, conhecidos, tudo por causa de uma doença que espalhou por todos os cantos do mundo.

Durante os dias de Jesus, havia gente de quem as pessoas não podiam chegar perto, ou, não sentiam à vontade. Não chegavam perto de bandido, criminoso, prostitutas, samaritanos, pessoas portadoras de certas doenças, como a lepra. Toda vez que alguém via um leproso, tinha que se manter a distância, longe, não podia nem passar perto dele.

1)     Um leproso se aproxima de Jesus

Nos tempos de Jesus, os leprosos não se aproximavam de ninguém. A palavra “lepra” incluía uma serie de doenças de pele, algumas contagiosas, outras difíceis ou impossíveis de serem curadas. A lepra era vista como evidência de pecado e consequente castigo de Deus, olha o exemplo de Miriam. Quando uma pessoa desenvolvia uma doença de pele, o sacerdote tinha a função de avaliar as lesões e determinar se ela estava pura ou impura (Lv 13). A partir do momento em que a lepra era confirmada, a pessoa era considerada impura e deveria viver isolada, fora da comunidade.

Pior que isso. Quando alguém visse, ela mesma deveria gritar: “Impuro, Impuro!”, para que ninguém se aproximasse. Um leproso era considerado impuro de corpo e alma.

O evangelista Lucas, que era médico, relata em seu evangelho que “...um homem coberto de lepra veio em sua direção” (Lc 5.12), indicando um estágio avançado da doença. Todo corpo dele estava tomado pela lepra; os dedos, as mãos, os pés, o rosto deformado, as costas, as coxas, mobilidade etc. Esse leproso que não podia se aproximar de ninguém, foi atraído pela presença de Jesus de tal forma que rompeu o isolamento. Ele estava desobedecendo a leia de Moisés que afirmava que o leproso tinha que permanecer afastado, separado, não podia ter nenhuma aproximação.

Diz-nos o evangelista Marcos: “Certo leproso aproxima-se de Jesus...”. O seu desejo era encontrar com o Senhor Jesus e nada lhe impedia...

Certo leproso aproxima-se de Jesus e suplica-lhe de joelhos...”; o evangelista Mateus fala que “Ele o adorou...”; ele reconheceu a autoridade de Jesus, dobrou-se com o rosto em terra (Lc 5.12). Vemos um homem curvado diante do Senhor, em atitude de submissão e adoração. E isso antes de o milagre acontecer, antes de ser curado. A postura diante do Senhor, em si, já era um ato milagroso de fé!

2)     Cura

Ele disse a Jesus: “Senhor, se quiser, pode me purificar” (Mt 8.2), foi a expressão de quem reconhecia que Jesus tinha poder para fazer o impossível. A palavra que o leproso usou em seu pedido, traduzida como “purificar”, significa tornar puro o que é impuro, livrar da culpa do pecado.

Ou seja, o leproso reconheceu que precisava de muito mais do que cura física. Como só Deus é capaz de purificar alguém do pecado, logo, ele sabia que Jesus era o Messias, o Filho de Deus! Somente o Messias prometido por Deus, o Ungido de Deus, Yeshua Hamashiach podia salvá-lo e curá-lo de sua lepra! Não é somente a cura, mas reconhecer que Jesus é o Filho de Deus, o Unigênito do Pai!

O evangelista MARCOS diz que Cristo foi movido por profunda compaixão. Antes de falar, Jesus estendeu a mão e tocou o leproso. Não foi um toque por acaso, mas um toque intencional. Cristo tocou o intocável! Depois de meses, depois de anos, sem receber nenhum toque, nenhum abraço, nem sequer carinho humano, Jesus o tocou. Apesar de tudo o que dizia a lei a respeito da impureza, Jesus o tocou. Diferente de todos, que corriam, que evitavam, que desprezavam, Jesus o tocou!

Em seguida, Cristo respondeu ao leproso: “Quero sim, fique limpo!”. Com prontidão, certeza e amor, Jesus disse: “Quero” O leproso pediu purificação, e a palavra de ordem do Senhor foi “fica limpo”. Jesus curou física, emocional e espiritualmente. Ele ficou imediatamente limpo, curado, purificado, restaurado à comunhão e ao convívio.

 

Conclusão

Somente Jesus pode nos curar, curar de nossas doenças físicas, curar de nossas doenças emocionais (depressão, angústia, ansiedade, pânico etc.), somente Jesus pode nos libertar verdadeiramente, pois Ele é o Messias, o Filho de Deus!

 

  

terça-feira, 31 de março de 2026

 Esperando pelo Pentecoste Atos 1.1-14 

O livro de Atos dos Apóstolos é de autoria de Lucas, “o médico amado” (Cl 4.14). O livro de Atos relata basicamente as ações de dois apóstolos – Pedro e Paulo. Talvez um título mais adequado seria “Atos do Espírito Santo”. O evangelista Lucas procura fazer um relato acurado do começo da igreja primitiva. Tanto o livro de Lucas, quanto o livro de Atos, é endereçado a Teófilo “aquele que ama a Deus”, pode ser aquele que estava bancando financeiramente esses escritos. E Lucas fala do objetivo: “Para que tenhas certeza das coisas que te foram ensinadas (a respeito de Jesus)” (Lc 1.4). Logo, o objetivo de Lucas ao escrever Atos pode ser dois: 1) alguém defendendo sua fé, defendendo os cristãos contra a desinformação. 2) mostrar a expansão do cristianismo, que começou em Jerusalém e se expandiu para “os confins da terra”.

1)     “...sereis minhas testemunhas”

Jesus ressuscitou dentre os mortos “...lhes deu muitas e indiscutíveis provas que estava vivo” (At 1.3). E mais: “...lhes apareceu durante quarenta dias” (v. 3). Primeiro, Jesus provou para todos os discípulos que estava vivo, ressurreto, que morte perdeu seu aguilhão, sua força. Segundo lhes falou sobre o Reino de Deus (Basileia tou theou), o qual tinha sido o centro de sua mensagem durante seu ministério. E, terceiro, Ele lhes ordenou que esperassem pela dádiva do batismo do Espírito prometida por Ele, por seu Pai e por João Batista, e que iriam receber “Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa do meu Pai, da qual falei a vocês. Pois João batizou com água, mas vocês serão batizados com o Espirito Santo dentro de poucos dias” (Atos 1.4). 

Mas, uma pergunta surge, enquanto Jesus falava: “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel” (At 1.6 NVI), ou “É agora, Senhor, que vai devolver o reino para Israel” (VFL). Ou seja, para os discípulos o reino de Deus era um território que podia ser localizado num mapa, como o Reino Unido. Mas “Basileia tou Theou” não consta - e não pode constar – em nenhum mapa. Os apóstolos estavam confundindo o reino de Deus com o reino de Israel. Sim, sonhavam com o domínio político, o restabelecimento da monarquia, a libertação de Israel do jugo colonial de Roma.

A pergunta dos discípulos: “Senhor, será esse o tempo em que restaure o reino de Israel?”. João Calvino comenta: “Os erros são tantos quantas são as palavras. O verbo, o objeto e o adverbio dessa frase, todos eles evidenciam uma confusão doutrinária sobre o reino de Deus”. O verbo RESTAURES mostra que eles estavam esperando uma restauração do reino de Israel; o objeto ISRAEL, mostram que eles estavam esperando um reino nacional; e SERÁ ESTE O TEMPO, que estavam esperando uma restauração imediata. Em sua resposta, Jesus corrigiu essas noções falsas da natureza e extensão e chegada do reino de Deus. 

Ele lhes respondeu: Não compete a vocês saber os tempos ou as épocas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade” (v.6), (NVI), Ou, “O Pai é o único que tem autoridade de decidir sobre a data e tempos; não cabe a vocês saber essas coisas” (VFL). A resposta de Jesus foi dupla. “Tempos” (chronoi) ou “épocas” (kairoi), juntos, formam o plano de Deus. Os tempos ou momentos críticos de sua história e as épocas de seu desenvolvimento. Sim, o Pai havia determinado os tempos pela sua própria autoridade, assim os apóstolos são forçados a abafar a curiosidade e permanecer na ignorância. “Não vos compete conhecer”. Os mistérios pertencem a Deus e não cabe a nós espreitá-los; são as coisas reveladas que nos pertencem e devemos nos contentar com elas.

2)     “...recebereis poder do alto...”

Logo, o que nos compete? “Mas receberão poder quando o Espirito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8). O poder do Espirito Santo não havia sido derramado, no Antigo Testamento, sobre toda carne, somente reis, sacerdotes e profetas. Ser cheio do Espirito Santo era um dom raro e quase temporário. “Poder”, no grego é “dynamis”, refere-se a capacidade, ou habilidade de fazer algo. Poder para serem testemunhas de Jesus, representantes do Reino de Deus.  

O Espírito Santo iria descer sobre os discípulos e seriam suas testemunhas. Começaria por Jerusalém, depois Judéia, em seguida Samaria e até os confins da terra. Os capítulos de atos 1 ao 7, descrevem os acontecimentos iniciais em Jerusalém, o começo da igreja, o batismo com Espirito, o primeiro sermão de Pedro, a primeira cura; o capitulo 8 menciona os discípulos se espalhando pela Judéia e, no capítulo 8, relata a evangelização de uma cidade samaritana por meio do diácono Filipe (Atos 8.5-24). No capítulo 9, fala da conversão de Saulo de Tarso; e nos capítulos subsequentes de Atos, o evangelho se espalha pela Asia e Europa.

A igreja é o povo de Deus. Ela está em movimento, correndo para os cantos da terra para implorar que todos os homens se reconciliem com Deus, correndo par ao final dos tempos para encontrar o seu Senhor que reunirá a todos....

COM O PODER DO ESPÍRITO SANTO, os discípulos seriam cheios de sua presença, cheios da graça, cheios de discernimento, cheios de unção, cheios de sabedoria, cheios do dom da profecia etc. E, mais, Os discípulos precisavam saber que receberiam poder para que, no período entre a vinda do Espírito Santo sobre a igreja e a segunda vinda de Jesus, pudessem ser suas testemunhas, em círculo cada vez maiores. Na verdade, todo o período entre o Pentecoste e a Parusia (a volta de Jesus) deve ser preenchido com a missão mundial da igreja no poder do Espírito Santo.

3)     “...Jesus foi elevado às alturas...”

“Tendo dito isso, foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles” (At 1.9). Enquanto os discípulos olhavam para Jesus subindo pelas nuvens dos céus, “...dois homens vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vós foi elevado aos céus, voltará da mesma forma que o viram subir” (Atos 1.11). Sim, disseram os anjos, “Esse mesmo Jesus”, certamente indicando que a sua vinda será pessoal, virá com um corpo glorificado, vestido de manto branco, com uma cinturão no peito, com os olhos como chama de fogo, seus pés como bronze polido e na sua boca uma espada afiada de dois gumes. 

“Do mesmo modo”, diz o evangelista Lucas, indica que sua vinda será visível e gloriosa. Como diz o evangelho de Mateus: “Porque, como o relâmpago sai do oriente e se mostra no ocidente, assim será a vinda do Filho do homem” (Mt 24.27). Os discípulos viram sua partida; eles veriam a sua volta. “Então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória” (Lc 21.27). Mas, haverá algumas diferenças importantes entre a partida de Jesus e seu retorno. Sua volta será pessoal, mas ela não será vista por poucos, como na ascensão. Mas, quando Ele voltar “todo olho o verá” (Ap 1.7). Em vez de voltar sozinho (como partiu), na sua vinda, haverá miríades de anjos e santos...sua vinda será para todos...como um relâmpago brilhando na extremidade do céu. 

Conclusão: “...todos se dedicaram unânimes em oração”

Depois da exortação dos anjos “eles voltaram a Jerusalém, desde o monte chamado Oliveiras, cuja distância da cidade é de uma caminhada de sábado” (Atos 1.12). Uma volta com grande júbilo, com grande alegria.

Em seguida, foram para o cenáculo, onde estavam hospedados. O cenáculo foi o palco das promessas e o lugar da busca. Ali Jesus orou pelos discípulos e ali os discípulos oraram pelo derramamento do Espírito Santo.

O grupo reunido somava 120 pessoas (At 1.15). todos reunidos, os discípulos de Jesus, a família de Jesus, outras mulheres e outros irmãos. Não havia entre eles nenhuma supremacia de Pedro ou Maria. Todos estavam unidos na mesma condição e com o mesmo proposito. Vale ressaltar que esta é a última referência das escrituras à Maria, mãe de Jesus.

Todos perseveraram unanimes em oração. Aqueles 120 discipulos reunidos não estavam mais, como os apóstolos, trancados com medo dos judeus, porém, aguardavam o revestimento de poder. O grupo estava unido na busca e manteve-se perseverante na oração até que foram revestidos de poder. 


 

terça-feira, 24 de março de 2026

 Joana, esposa de Cuza Lc 8.1-3 

Depois disso, Jesus ia passando pelas cidades e pelos povoados, pregando o evangelho do reino de Deus. Os Doze estavam com ele 2e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, chamada Madalena, de quem haviam saído sete demônios; 3Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de Herodes; Susana e muitas outras. Essas mulheres lhes serviam com os seus bens (Lc 8.1-3). 

Introdução

Joana que significa “Deus é gracioso”, ou “agraciada por Deus”. O texto diz que ela era esposa de Cuza “administrador da casa de Herodes”. Os primeiros comentaristas ou escritores da história da igreja, identifica seu esposo como o oficial do rei, que está no evangelho de João 4. 46 em diante. Jesus estava em Caná da Galileia, onde havia transformado água em vinho numa festa de casamento. Esse oficial se aproxima de Jesus e pediu que curasse seu filho que estava a beira da morte, em Cafarnaum. O verso 49 diz: “Senhor, vem, antes que o meu filho morra!”. 

Jesus respondeu: “Pode ir. O seu filho continuará vivo”. Pode ir, confia! O oficial confiou nas palavras de Jesus e voltou para Cafarnaum. E o texto diz: “Estando ele ainda a caminho, os seus servos vieram ao seu encontro com notícias de que o menino estava vivo. Quando perguntou a que horas o filho tinha melhorado, eles lhe disseram: A febre o deixou ontem, à uma hora da tarde. Então, o pai constatou que aquela fora exatamente a hora em que Jesus lhe dissera: o seu filho continuará vivo. Assim, ele e todos os da sua casa creram” (Lc 4.51-53). Esse homem seria Cuza e toda sua casa se converteu ao Senhor. Joana, sua esposa, tornou-se uma discipula fiel de Jesus.

1)     Uma mulher curada por Jesus

O texto de Lucas 8 diz: “...algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças”. Logo o texto apresenta as mulheres, a primeira, mais conhecida Maria Madalena que tinha sete demônios, vivendo uma vida atormentada em Magdala, mas que fora liberta por Jesus. A segunda é Joana, mulher de Cuza. Ambas, foram curadas no corpo e foram curadas na alma. “Todo lugar é comum até Jesus passar por ele”. Ela tinha um filho doente, quase morto, e Jesus curou seu filho e a salvação chegou para toda sua casa. 

Quando a pessoa sente num beco sem saída, quando ela percebe que não tem mais esperança para sua vida. Quando ela tentou por si mesma várias vezes, dizendo: Eu vou mudar, eu vou deixar de fazer isso e aquilo, mas nunca consegue. Quando existe o impossível em sua casa e ninguém pode lhe ajudar. É nessa hora que Deus entra na vida de uma pessoa; é nessa hora que o poder de Deus se derrama copiosamente sobre a nossa vida. 

 Quando Jesus chega na vida de uma pessoa a história muda, um nascimento do alto se inicia.  Como diz o apostolo Paulo: “Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que fizeram novas!” (2 Co 5.17 NVI). A expressão “en Christo” significa que em Cristo fomos batizados nEle, somos dele, vivemos uma nova criação. Cristo é o cabeça, somos o corpo de Cristo; não vivemos mais para nós, agora vivemos para Cristo. Estamos inseridos em um corpo coletivo, em uma igreja local que adora e exalta a Deus.

E, mais, diz-nos Lucas: “Essas mulheres lhes serviam com os seus bens” (Lc 8.3). Jesus tinha um grupo de doze homens, andando por todos os cantos de Israel. Uma pergunta: quem é que financiava o ministério de Jesus? Havia uma retaguarda em torno de Jesus: Maria Madalena, Joana, Suzana e muitas outras. Elas ajudavam a sustentar o ministério de Cristo. 

Uma pessoa abençoada por Jesus, uma pessoa libertada por Jesus, uma pessoa curada por Jesus, uma pessoa liberta das drogas por Jesus, nunca será um expectador no reino de Deus, sempre agirá, sempre abençoará a obra de Deus. Infelizmente, em nossas igrejas, tem muitos expectadores, pessoas que ficam vendo a coisa acontecer sem interagir, sem fazer, sem contribuir para o sustento da casa do Senhor.

Sabemos que uma das áreas mais delicadas da igreja é o bolso, é o ato de contribuir, de investir no reino de Deus. Essa mulher, depois que seu filho fora curado pelo poder de Deus, usara seus bens para sustentar o ministério de Jesus. O coração dela se apegara a obra de Deus. Ela se envolveu com a obra de Deus, ela mergulhou no reino de Deus. O dinheiro era servir na obra de Deus. Enquanto tem muitos que o dinheiro lhe domina, o dinheiro tomou seu coração.

Infelizmente, tem muitos irmãos que gostam de falar:  o que importa é o louvor que você dá pra Deus, é o nosso culto. Não, estamos errados, o que importa também é a oferta, é o dízimo, é o voto que você fez a Deus. Isso tem absoluta importância em nossa vida espiritual. Não adianta você querer fazer troca com seu dízimo na obra do Senhor, isso está errado! 

2)     Ela foi testemunha da morte e da ressurreição de Cristo.

O evangelista Lucas narra que essas mulheres “...seguiram José, viram o sepulcro e como o corpo de Jesus fora colocado nele”. As mesmas mulheres eram testemunhas oculares da morte do seu Senhor. Em seguida, voltaram “...casa e prepararam perfumes e especiarias aromáticas”. E, termina, Lucas, “descansaram no sábado, em obediência ao mandamento” (Lc 23.55-56). Talvez elas estivessem pensando, será que vai acabar tudo assim. Talvez, uma começou a dizer a outra: “Nós vimos seus milagres, nós vimos Ele ressuscitar os mortos; nós vimos o que Ele fez com o cego”. Uma começou a falar para outra dos milagres de Jesus... 

Na vida cristã passamos por altos e baixos, como aconteceu com essas mulheres. Não podemos parar, não devemos desistir. Temos que continuar lutando contra as hostes infernais da maldade. Um dia alguém pichou na frente de uma igreja: “Deus morreu”, assinado Nietzche, filosofo alemão. Depois, alguém, assinou assim: “Eu continuo vivo, mas Nietzsche morreu”, assinado: Deus. Deus continua vivo, Jesus continua vivo, o cristianismo continua vivo em todos os lugares do mundo. Pode estar muito escuro, pode parecer que é escuro, mas Deus continua vivo.

No sábado as mulheres pararam e descansaram por causa da Páscoa, mas no domingo, elas foram até o sepulcro de Jesus. Lucas narra: “No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres levaram ao sepulcro as especiarias aromáticas que haviam preparado” (Lc 24.1). Elas vão em busca de um cadáver, mas não estava lá, a porta estava aberta, os lençóis estavam intactos! De repente, dois anjos com roupas resplandecentes aparecem para elas e diz: “Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou!” (Lc 24.6). 

O capítulo 23 termina com escuridão, morte, tristeza, cruz, grito, vergonha, humilhação. Mas, o capítulo 24, começa com um novo dia, domingo pela manhã. O sol nasceu, um novo dia surgiu! Cristo está vivo, Ele ressuscitou. O Cristo morto declina, o Cristo morto tira a esperança, mas Ele ressuscitou, tem esperança, tem alegria, tem vida eterna, tem salvação, tem justificação dos nossos pecados, tem aleluias, tem igreja cantando, louvando ao Senhor!

Conclusão

Ela participou da morte e da ressurreição de Jesus. Elas voltam com essa noticias aos discípulos, diz Lucas: “As que contaram essas coisas aos apóstolos foram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago...” (Lc 24.10). Falaram o que? “Ele vive, ele ressuscitou”. A tradição cristã conta que Joana dava um testemunho tão forte, que ela se tornou uma testemunha da ressureição de Jesus. Por causa do seu testemunho, diz a tradição.  seu marido, Cuza, perdeu sua posição no palácio de Herodes.

Em Atos 13, Joana não está aqui, mas alguém do palácio está. Alguém da casa de Herodes encontra-se, diz-nos o texto: “Na igreja de Antioquia, havia profetas e mestres; Barnabé; Simeão, chamado Níger, Lúcio, de Cirene; Manaém, que fora criado com Herodes...” (Atos 13.1). Esse Manaém fora evangelizado por Joana, ela o ganhou para Cristo. Agora, fazia parte dos obreiros de Antioquia. Joana, esposa de Cuzo, viveu uma vida intensa na presença de Deus. 


 

 

 

 

 

 

 

também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, chamada Madalena, de quem haviam saído sete demônios; 3Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de Herodes; Susana e muitas

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terça-feira, 17 de março de 2026

 Deus faz milagres            Atos 3.1-10

Introdução

Os milagres faziam parte do ministério de Jesus. Todo ministério de Jesus os milagres aconteciam: o cego enxergava, o surdo ouvia, o coxo levantava-se, o morto ressuscitava, o leproso era curado, o pão era multiplicado. Quando chegamos em Atos dos Apóstolos que poderia ser chamado “Atos do Espírito”, Deus usa os apóstolos poderosamente para fazer milagres. E o primeiro milagre que Deus vai fazer será no templo, à porta formosa, depois virão muitos milagres no livro de Atos. Acreditamos em milagres, acreditamos que o nosso Deus é o mesmo Deus, não mudou, acreditamos que Ele ainda cura, ressuscita, faz o cego vê, o paralitico andar.

1)     Oração

O texto diz: “E Pedro e João subiram juntos, ao templo, à hora da oração, a nona” (ARC) ou “...Pedro e João estavam indo ao Templo para a oração das três horas” (NTLH).  O dia do judeu começava às 06:00 da manhã e terminava às 18:00; havia três turnos de oração: às 09:00 da manhã, ao meio-dia e às 15:00. Logo, eles estavam indo no terceiro turno da oração, indo ao templo para buscar a Deus. 

Aliás, a oração era prioridade na vida dos apóstolos. Eles oraram para receber o batismo com Espirito Santo (At 1.14); eles oraram diante da ameaça das autoridades religiosas quando queriam obriga-los a parar de falar no Nome de Jesus, mas oraram e a casa tremeu (Atos 4.31); enquanto os diáconos foram estabelecidos para servir na casa do Senhor, os apóstolos, disseram: “Quanto a nós, devotaremos à oração e ao ministério da Palavra”.

Perguntaram certa feita a Charles Spurgeon qual era o segredo do sucesso de seu ministério: “Eu trabalho de joelhos. Meu lugar santo de oração vale mais do que toda minha biblioteca”. John knox, no século XVI, durante o governo de Maria, à sanguinária, em tempo de perseguição e morte, agonizava em oração, seu clamor era constante: “Dá—me a Escócia para Cristo, senão eu morro”. Jonh Wesley que atuou para o avivamento da Inglaterra, expressou: “Deus nada faz a não ser em resposta à oração”. E, mais: “A fé é onipotente só quando está de joelhos” (anônimo”.

Ao longo da história, os que venceram e triunfaram nas pelejas e viram as manifestações grandiosas de Deus foram aqueles que oraram. Foi assim com Moisés diante dos amalequitas, enquanto estava com as mãos levantadas o povo derrotava o inimigo. Assim, também com Josué em redor as muralhas de Jericó, sete dias caminhando para que as muralhas caíssem. Assim, aconteceu com o rei Josafá e Ezequias, oraram o inimigo foi derrotado. Foi Assim com Neemias na reconstrução de Jerusalém. Uma igreja que ora, cresce, e se fortalece quando seus líderes são de oração. 

2)     Pedro e João

Pedro e João, antes de serem apóstolos eram pescadores, eram sócios no negócio da pesca. Faziam parte dos discípulos mais íntimos de Jesus; prepararam a ultima páscoa dos judeus para Jesus; estiveram no domingo de manhã no tumulo de Jesus e constataram que o sepulcro estava vazio. Os dois estavam indo para a oração das três horas da tarde e o texto diz que: “Havia no templo um portão chamado Formoso. Todos os dias um homem que era paralitico desde que nascera era carregado até lá... pedindo esmolas às pessoas que passavam na área do templo” (Atos 3.2VFL). 

O paralitico pediu uma esmola, ou pediu-lhes dinheiro. Os discípulos poderiam ter ignorado o paralitico. Aliás, quantas pessoas em Jerusalém pediam esmolas? Outrossim, estavam envolvidos numa atividade religiosa, indo ao templo para orar. Mas, não fizeram assim, diz o texto: “Pedro e João voltaram para ele. Olhe para nós!, disse Pedro” (Atos 3.4). Eram discípulos de Jesus, eram testemunhas de Jesus, não podiam ignorar um homem que precisava da ajuda deles.

Pedro e João olharam e encararam o mendigo de frente. Trataram-no como gente. Pedro falou diretamente com ele: “Olhe para nós”. A maioria das pessoas preferiam virar os olhos, tratar com indiferença. Como o cego Bartimeu em Jericó.  Mas, eles disseram: “Olhe para nós”. Eles se colocaram à disposição para ajudar, para ser referência e modelo. O poder que Deus nos dá não é para benefício próprio, mas para abençoar as pessoas, poder para exercer compaixão. 

Disseram: “Olhe para nós”, mas nós falamos aos outros: “Não olhe para nós; olhe para Jesus. Não olha para os crentes, olhe para Jesus”. Jesus havia alertado sobre a conduta dos fariseus (Mt 23.3). Eles falavam uma coisa e viviam de forma diferente. O apostolo Paulo fala aos coríntios: “Voces mesmos são a nossa carta, escrito no nosso coração, conhecida e lida por todos” (2 Co 3.2). Ele também diz: “sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Co 11.1). Pedro e João disseram ao paralitico: olhe para nós! Podemos dizer ao mundo: olhe para nós? Os pais podem dizer aos filhos: Olhem para nós. Os patrões podem dizer aos empregados: olhem para nós?

Erlo Stegen, da Africa do Sul, certa vez foi interrompido em sua pregação por uma jovem que orou a Deus e disse: “Oh! Deus, nós ouvimos como era a igreja primitiva. Será que não podes descer para estares entre nós, como fizeste há dois mil anos? Será que a igreja hoje não pode ser a mesmo que foi em Jerusalém?” Uma semana depois, Deus fendeu os céus e desceu e houve ali um poderoso reavivamento. Como almejo o profeta Isaias: “Oh! Se fendesse os céus e descesses, e os montes tremessem à tua presença, como quando o fogo acende os gravetos e faz a água ferver...” (Is 64.1-2).

Pedro disse: “Eu não tenho prata nem ouro, mas o que tenho dou a você. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande” (Atos 3.6). Tomas de Aquino viu o Papa Inocêncio IV contando uma grande quantidade de moeda de ouro e de prata. Ao vê-lo, o papa disse: “Irmão, como você pode perceber, não posso dizer como Pedro disse ao paralitico: Não tenho ouro nem prata”. Então, Aquino, lhe respondeu: “Isso é verdade, mas também o senhor não pode mais dizer ao paralitico: levanta e anda”. 

“Em Nome de Jesus Cristo, o Nazareno”. Em nome designa a autoridade que está por trás do falar e do agir de pessoas frágeis. O Nome tem magnitude e poder, força e gloria. O poder era de Cristo, mas a mão era de Pedro. A Biblia diz que o apostolo Paulo estava em Efésios e “Deus fazia milagres maravilhosos por meio das mãos de Paulo” (Atos 19.11). O milagre da cura deste coxo e dos milagres de Paulo vinha do poder do Nome de Jesus.  O reino de Deus foi inaugurado por Jesus, fazendo milagres e prodígios e esse mesmo poder está sobre sua igreja.

Jesus prometeu à igreja poder “...permanecei na cidade, até que sejais revestidos do poder do alto!” (Lc 24.49). Esse poder viria por intermédio do derramamento do Espirito Santo “...recebereis poder quando o Espirito Santo descer sobre vós, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1.8). Portanto, o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder, poder do alto (1 Co 4.20). Jesus em seu ministério terreno, não abriu mão desse poder: ao ser batizado no rio Jordão, enquanto orava, os céus se abriram e o Espirito Santo desceu sobre ele (Lc 3.21-22). Jesus em todo seu ministério andava no poder do Espirito Santo (Lc 4.18).

Conclusão

Diz-nos o texto: “E, segurando-o pela mão direita, ajudou-o a levantar-se e, naquele mesmo instante, os pés e tornozelos do homem ficaram firmes. E deu um salto e pôs-se em pé e começou a andar” (Atos 3.7-8).

A cura foi em Nome de Jesus. “Tomai conhecimento vós todos e todo o povo de Israel, de que, em Nome de Jesus Cristo, o Nazareno..., é que este está curado perante vós” (Atos 3.12).

A cura foi realizada mediante a fé. “Pela fé em o Nome de Jesus, o Nome curou este homem aqui...” (Atos 3.16). A mulher do fluxo de sangue, em meio aquela multidão tinha sua fé: “Se eu tão somente tocar em seu manto ficarei curada” (Mt 9). Fé é pistes no grego é confiança, acreditar que Jesus pode curar.

A cura foi instrumentalizada por meio do apostolo Pedro. “Em nome de Jesus, o Nazareno, ergue-te e anda” (Atos 3.6). Pedro foi instrumento usado por Deus, em Nome de Jesus, levantar o paralitico. Pedro o tomou pela mão, levantou-o e aprumou-o, depois foi conduzido ao tempo, à casa de Deus. Ele andou, saltou e louvou a Deus. ‘  



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terça-feira, 10 de março de 2026

 Carta à igreja  - Ap 1.4-8 

Introdução

A igreja foi estabelecida por Jesus. Igreja é assembleia, é ekklesia, ajuntamento de pessoa para adorar a Deus. Não tem igreja de uma pessoa, não! Quando nos individualizamos em nosso egoísmo, em nosso confinamento, estamos nos separando de Deus e do próximo. O pecado fragmenta, divide, separa; mas o evangelho restaura, une e insere em uma comunidade. Uma das principais mudanças que o evangelho opera é gramatical: nós em lugar do eu, nosso em vez do meu. 

“Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18); “...tornarei a sua descendia tão numerosa como o pó da terra” (Gn 12); “...não deixemos de reunir-nos como igreja, como é costume de alguns” (Hb 10.25). Jesus ensinou a oração: “...vocês orem assim: Pai Nosso que está nos céus” (Mt 7) e mais: “Ame o seu próximo como a si mesmo”.

Quando João se voltou na direção da voz de trombeta que chamava a sua atenção, a primeira coisa que o apostolo viu foram os “sete candelabros de ouro” (Ap 1.12), que “são as sete igrejas” da Asia Menor. Então, no meio dos candelabros, ele viu “alguém semelhante a um filho de homem”. É impossível ter Cristo sem a igreja! 

“Escreva às sete igrejas”. Seria mais de nosso agrado ir diretamente da visão maravilhosa de Cristo (Ap 1.12-18), para o êxtase glorioso do céu (Ap 4 e 5), ou então para as grandes vitoriosas batalhas contra o dragão, a besta que surge do mar, ou a besta que surge da terra (Ap 12-14). Mas é impossível. É necessário lidar com a igreja; o caminho do céu e às batalhas contra o pecado passa pela igreja. Não apenas uma igreja, mas sete!

1)     O que é igreja?

Igreja é a reunião do povo de Deus, uma comunidade de crentes, um ajuntamento de pessoas, sim, de pessoas comuns em uma região geográfica especifica. As comunidades não são citadas em termos de caráter, piedade ou heroísmo, mas apenas pela localização: Igreja de Éfeso, igreja de Esmirna, igreja de Pérgamo, igreja de Tiatira, igreja de Filadélfia, igreja Assembleia de Deus Betesda; igreja batista, etc. 

Os cristãos ouviram a voz de Deus: “Desperta, ó tu que dormes, levante-te dentre os mortos, e Cristo te iluminarás” (Ef 5.14). A igreja foi criada por Deus, a igreja tem relacionamento com Jesus Cristo. A igreja recebeu o poder do Espírito Santo, além disso, tem recebido dons espirituais para atuar no corpo de Cristo. Uma igreja somente existe em relação ao Espirito Santo, fora de Deus, ela teria uma localização geográfica, mas seria destituída de identidade.

Cada igreja tem a sua identidade. A igreja de Éfeso, ele diz: “...daquele que tem as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os sete candelabros de ouro”; a igreja de Esmirna, ele diz: “...daquele que é o primeiro e o último, que morreu e tornou a viver”; a igreja de Pérgamo, ele diz: “...daquele que tem a espada afiada de dois gumes...”; a igreja de Tiatira, ele diz: “...daquele cujos olhos são como chama de fogo e os pés como bronze reluzente...”; a igreja de Sardes, ele diz: “...daquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas...”.

A igreja de Filadelfia, ele diz: “...daquele que é santo e verdadeiro, que tem a chave de Davi. O que ele abre ninguém pode fechar, e o que ele fecha ninguém pode abrir”. E, a igreja de Laodiceia, ele diz: “...Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus”. Logo, toda igreja tem sua identidade, não existe igreja fora de Cristo!

Cada igreja recebe uma parte: só um elemento da visão. Nenhuma igreja exibe a perfeição de Cristo. É impossível olhar para uma congregação e encontrar nela toda representação de Cristo, embora com toda certeza possamos ser levados a essa totalidade se ouvirmos o que “o Espírito diz às igrejas” e respondermos em adoração.

“Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espirito diz às igrejas”. Ouvir é a tarefa comum na igreja. As congregações são postos de escuta. Ouvir é muito mais do que uma função acústica, ouvir é um ato espiritual. O profeta Isaias, diz: “...todas as manhãs, ele faz com que eu tenha vontade de ouvir com atenção o que ele vai dizer” (Is 50.5). Qual é a qualidade do meu ouvir? 1) estarão os meus ouvidos endurecidos, tampados, insensíveis à sua voz? 2) será minha atenção apenas superficial, como um solo rochoso em que tudo brota mas nada firma raízes; 3) tenho um ouvido de que não discerne nada, aceita tudo o que ouve e raramente fica com a verdade?; 4) ou serão eles como o solo bom, que recebe a Palavra de Deus prontamente. 

2)     Deus fala

O primeiro elemento da orientação espiritual é uma afirmação precisa. Cada mensagem, cada carta às igrejas do apocalipse com o Senhor dizendo: “...conheço” (oida), eu discirno, eu vejo tudo, eu sei de tudo, nada pode escapar dos meus olhos, tudo está patente diante de mim. É um conhecimento preciso, do que significa viver como um povo de Deus naquele lugar.

As igrejas recebem elogios, palavras de estímulo. A igreja de Éfeso fala do seu “trabalho árduo e incansável e atento. A igreja de Esmirna fala do seu sofrimento corajoso. A igreja de Pérgamo fala da “ousadia do seu testemunho”. A igreja de Tiatira fala do “crescimento e desenvolvimento do discipulado”. E, por fim, a igreja de Filadélfia fala de sua bravura e constância. Somente duas igrejas não recebem palavras de estímulos, ou seja, a igreja de Sardes e a igreja de Laodiceia.

Mas, tem disciplina, tem correção. Ele diz: “...tenho contra você”. Nenhuma igreja existiu em estado puro. É composta de pecadores. A igreja atrai pessoas que apreciam um ambiente santo, mas que não tem o menor interesse em desenvolver a santidade pessoal. Assim, a igreja precisa passar constantemente por renovações. 

A igreja de Éfeso “abandonou o primeiro amor” (Ap 2.4); a igreja de Pérgamo era “indiferente aos ensinamentos heréticos”, sim, estavam tolerando a doutrina de Balaão e a doutrina dos nicolaítas. A igreja de Tiatira “estava tolerando a imoralidade sexual”, estava sendo conivente com o espírito de Jezabel em seu meio; na igreja havia três tipos de pessoas: os fiéis, os que vivem na pratica do pecado e os tolerantes. Na igreja de Sardes havia apatia espiritual “tens fama de estar vivo, mas de fato, estás morto”. E, por fim, a igreja de Laodiceia, estava permitindo que a riqueza e o luxo substituíssem a vida no Espirito.

Portanto, a igreja é o lugar onde vamos descobrir o que estamos fazendo certo – lugar de afirmação, de elogio, arrazoamento. Mas a igreja também é o lugar onde buscamos saber em que estamos errando, lugar de correção, lugar de disciplina. E somos ensinados a nos arrepender dos nossos pecados.

Somos coagidos a nos arrepender. Ele diz “repreendo e disciplino (paideia) aqueles que eu amo” (Hb 12.4-8). O treinamento acontece em sete áreas: somos ensinados a voltar ao primeiro amor; ensinados a sofrer; ensinados a falar a verdade; ensinados a ser santos; ensinados a ser autêntico; ensinados a cumprir a missão e adorar a Deus.

Conclusão

Por fim, temos promessa:  a vida eterna. Mas é apresentada sob imagens diferentes: a igreja de Éfeso, arvore da vida; a igreja de Esmirna, coroa da vida; a igreja de Pergamo, pedra branca; a igreja de Tiatira, estrela da manhã; a igreja de Sardes, vestes brancas; a igreja de Filadélfia, coluna do templo e a igreja de Laodiceia, comer e reinar com Cristo.