Um só coração e uma só alma At 4.32-37
Introdução
Estamos em Atos dos Apóstolos, ou melhor, Atos do Espirito Santo. O Espirito Santo desceu sobre a igreja no dia de Pentecoste, aonde 120 discípulos falaram em outras línguas pelo Espirito. O apostolo Pedro, levantou-se em sua primeira pregação e explicou que a promessa de Deus havia se cumprido, promessa feita pelo profeta Joel, há mais de setecentos anos. As pessoas perguntam, ao final do sermão: “Caros irmãos! O que devemos fazer?” Pedro lhes disse: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para o perdão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espirito Santo” (At 2.38).
Em seguida, três mil pessoas foram arregimentadas no exército de Deus. No capítulo 3, acontece um milagre, um homem paralitico por mais de quarenta anos, foi curado poderosamente, milagrosamente pelo poder de Jesus. Deixando todos aturdidos, assombrados, pasmos; logo, os apóstolos são levados ao sinédrio pelos religiosos para explicar o que aconteceu. São instados a não falar em nome de Jesus, mas Pedro respondeu aos religiosos: “...não podemos deixar de falar de tudo quanto vimos e ouvimos” (At 4.20).
Quando
os apóstolos saíram do Sinédrio se juntaram a companhia dos demais discípulos e
contaram tudo o que aconteceu com eles. Em seguida, agradeceram a Deus pelo
livramento e oraram, unânimes ao Senhor. Nesta oração evocam a soberania de
Deus, sobre tudo e todos; citam o Salmo 2, sobre a perseguição aos seus ungidos,
se levantam contra o Messias e depois, a sua igreja. Mas, não estavam com medo
das ameaças, e clamam por ousadia, coragem e “...estende a tua mão para curar
e realizar sinais e maravilhas por meio do Nome do teu Santo Servo Jesus”. Em
seguida, o lugar em que estavam “...tremeu...todos ficaram cheios do
Espirito Santo e, com toda coragem saíram anunciando a Palavra de Deus” (At
4.31).
No pentecoste o poder de Deus desceu manifesto como luz e fluiu em cada crente. Mas, neste caso, o edifício tremeu com o poder de Deus enquanto fluía para fora de suas orações e para o mundo. Eles haviam pedido poder – cura, sinais e maravilhas – para criar oportunidades para que eles testemunhassem.
“E era um só coração e a alma da multidão dos que criam...” (ARC), ou “...um só coração, uma única mente” (A mensagem). Havia unidade na igreja primitiva, havia mutualidade, havia respeito, havia devoção, havia pureza nos relacionamentos, sem egoísmo, pois se consagravam absolutamente ao Senhor. Em seu todo, os cinco mil, pareciam ser um só coração e uma só alma. Certa vez Aristóteles foi indagado: “O que é ser amigo?”, ao que respondeu: “uma só alma, habitando em dois corpos”.
“Ninguém
dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes
eram comuns” (ARC), ou “...ninguém
dizia: isto é meu, e de ninguém mais” (A mensagem). O amor não consiste
naquilo que falamos, mas no que fazemos. A comunhão passa pelo compartilhar, a
unidade da igreja transformou-se em solidariedade. Pessoas eram mais
importantes do que coisas, pois os crentes adoravam a Deus, amavam as pessoas e
usavam as coisas.
João
Crisóstomo, que viveu no século IV, conhecido por sua oratória, deu uma linda
descrição desse período: “Aquilo era uma comunidade angelical, não consideravam
exclusivamente deles nem uma das coisas que possuíam. Imediatamente, foi cortada
a raiz de todos os males...ninguém acusava, ninguém invejava, ninguém tinha
ressentimento; não havia orgulho nem desprezo...o pobre não sabia o que era
vergonha, o rico não conhecia arrogância”.
João
Calvino, que viveu no século XVI, na época de Martinho Lutero, faz um
contraponto entre a igreja primitiva e a igreja do seu tempo. “Naqueles dias os
crentes davam abundantemente daquilo que era deles; hoje, não nos contentamos
em guardar egoisticamente aquilo que é nosso, mas insensíveis, queremos roubar
os outros. Eles vendiam seus próprios bens naqueles dias, hoje, é um desejo de
possuir que reina supremo. Naquele tempo, o amor fez com que a propriedade de
cada homem se tornasse propriedade comum para todos os necessitados, hoje, a
desumanidade de muitos é tão grande que muitos pobres estão morrendo de fome”.
“Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça” (At. 4.33). Eles “davam” testemunho da ressurreição de Jesus Cristo. Na grande primitiva havia pregação, comunhão de bens, havia sinais e milagres e, principalmente, testemunhavam que Jesus vencera a morte. Conforme a predição do Antigo Testamento, para perdão dos pecados (Rm 4.25), para nossa esperança, para eficácia da pregação. Sim, Jesus morreu, mas no terceiro ressuscitou, sua ressurreição foi confirmada pelos anjos, pelos apóstolos, pelos seus inimigos e por mais de quinhentos discípulos. E, termina dizendo: “em todos eles havia abundante graça”. Da mesma forma, que a graça os alcançou, agora, estendiam essa graça a todos!
2)
Barnabé
“Então, José, cognominado pelos apóstolos Barnabé (que quer dizer, filho da consolação), levita, natural de Chipre, possuindo um campo, vendeu-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos” (At. 4.37). Aqui, no começo da igreja, vemos um homem que se destacava no meio dos irmãos. Seu nome era José, possivelmente da estirpe sacerdotal. Deram-lhe um cognome, um apelido, “Barnabé”, Bar significa filho e nabé, consolação. Ou seja, filho da consolação, ou, aquele que dá animo. Esse apelido era devido sua prontidão em ajudar, em consolar e animar as pessoas.
Primeiro,
ele é filho da consolação, filho da exortação. Por que quando todos
desconfiavam da conversão de Saulo “...Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe
aos apóstolos e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor, e este lhe
falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus” (Atos
9.26,27). Enquanto, todos os discípulos que andaram com Jesus, desconfiavam de
Saulo, Barnabé, acreditou em seu testemunho, em sua mudança de vida.
Quando
a igreja de Antioquia fora fundada, a partir da dispersão da perseguição depois
da morte de Estevão. Era uma igreja gentílica, não havia muitos judeus nessa
congregação; era uma cidade dedicada aos deuses gregos. Logo, os apóstolos de
Jerusalém, enviaram Barnabé para supervisionar essa igreja. Quando ele foi num
culto da igreja de Antioquia, diz o texto que Barnabé viu “a graça de Deus”
(At 11.23). A mesma graça que o salvou, agora, estava salvando pessoas de uma
cidade pagã!
O que ele fez? “...possuindo um campo, vendeu-o, trouxe o preço e depositou aos pés dos apóstolos”. Barnabé era generoso, doou seu campo para ajudar aos necessitados. Não era apegado ao dinheiro, aos bens materiais. Tempo depois, durante a primeira viagem missionária, Barnabé e Saulo levam socorro aos irmãos que habitavam na Judéia por ocasião da fome que aconteceu no tempo de Claudio Cesar. Diz o texto: “...os discípulos cada um segundo as suas possibilidades, resolveram providenciar ajuda para os irmãos que viviam na Judeia...enviaram suas ofertas pelas mãos de Barnabé e Saulo” (Atos 11.29-30)
A
bíblia conta a história de Maria, irmã de Lazaro, que derramou sobre Jesus um nardo
puro do Himalaia, seu valor era de trezentos denários, quase um ano de trabalho.
E, vemos um exemplo similar, Barnabé, vendeu
um campo na ilha de Chipre e depositou aos pés dos apóstolos.
Conclusão
Somos
a igreja do Pentecoste, a igreja do batismo com Espirito Santo, a igreja que
acredita em curas, sinais e maravilhas. A igreja que acredita nos dons
espirituais, sim, Jesus concede dons ao seu povo. O dom do conhecimento, da
sabedoria, do discernimento de espíritos; o dom da profecia, variedade de línguas,
interpretação de línguas, etc.
Somos
a igreja da comunhão, da koinonia “um só coração e uma alma”, a igreja da unidade,
a igreja que é do Senhor Jesus Cristo. A igreja que estende as mãos aos que
chegam, a igreja da mutualidade, a igreja do serviço, a igreja do discipulado,
a igreja do evangelismo, a igreja da assistência social.
E, por fim, somos a igreja com o mesmo espirito de Barnabé. Filho da consolação, da exortação, do animo. Que acredita nas pessoas, que acredita em sua mudança, que encoraja, que busca os fracos na fé, que ora pelos enfermos. E, a igreja da voluntariedade, que deseja mais a presença, mais o sacrifício, do que as coisas perecíveis desse mundo.




















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