Um encontro marcado por Deus Atos 8. 26-40
A igreja iniciou na festa do Pentecoste, com o derramamento
de poder sobre cento e vinte discípulos. A igreja vai se expandindo, na
pregação de Pedro foram dois mil pessoas; depois três mil pessoas. Os discípulos
são perseguidos pelos religiosos, mas são irremovíveis em sua convicção sobre
Jesus Cristo. Com a morte de Estevão, há uma perseguição aos cristãos, a igreja
se espalha, vai para Judéia, depois Filipe, diácono, vai para Samaria, "o vento da perseguição aumenta a chama". Em Samaria,
Deus faz coisas maravilhosas, prodígios e maravilhas e muitas pessoas são
salvas pela mensagem do evangelho de Jesus Cristo. Há um avivamento acontecendo
em Samaria, Deus estava fazendo coisas maravilhosas, grandiosas. O diácono Filipe pregava e sinais e prodigiosas aconteciam.
1)
Uma
ordem
Mas, no meio do avivamento em Samaria: “Um anjo do Senhor disse a Filipe: vai em direção ao sul para a estrada – a estrada deserta – que desce de Jerusalém para Gaza” (At 8.26). Ou seja, saia do avivamento, saia do holofote e vai para o deserto de Gaza! A presença de anjo era muito comum nos dias da igreja primitiva: anjos anunciam nascimentos (Lc 1.11), fortalecem Jesus (lc 22.43), salvam apóstolos da cadeia (At 5.19), dão direcionamentos relacionados a missões (At 8.26). Agora, o anjo do Senhor, aparece a Filipe a fim de dirigir sua missão. “Apronte-se e vá para o Sul...” (NTLH), “Dispõe-te e vai para o lado do Sul...” (ARA).
Na estrada deserta indo para Gaza “...encontrou um eunuco etíope, um oficial importante de todos os tesouros de Candace” (At 8.27). Primeiro, ele era eunuco, isto é, um estrangeiro exótico, da distante África negra, onde atualmente fica o Sudão, na região chamada Cuxe nas escrituras. O povo etíope ocupava a região entre o rio Nilo e o mar Vermelho, de Assuã, no sul do Egito. Ele é rotulado “eunuco” por sua condição como pessoa sem sexo; um homem que tinha sido fisicamente castrado, alvo de desprezo e zombaria por ser considerado efeminado. Segundo “Esse homem era alto funcionário, tesoureiro e administrador das finanças da rainha da Etiópia” (NTLH).
Havia muito preconceito em relação aos eunucos: Essas pessoas
deviam ser excluídas...dos templos...de todos os lugares da assembleia publica...era
mau agouro e infortúnio ver uma pessoa dessas ao sair de casa pela manhã. E mais:
eunuco não é homem nem mulher, mas algo misto, híbrido e monstruoso, estranho à
natureza humana.
“Ele tinha ido para adorar a Deus”. O eunuco fez uma peregrinação para
adorar em Jerusalém, apesar das restrições em Deuteronômio 23.1: “Nenhum
homem castrado, que tenha esmagado os testículos, ou amputado o órgão genital
poderá fazer parte do povo de Deus”. Logo, todo eunuco era proibido de
fazer parte do povo de Deus, impedido também de entrar no templo do Senhor.
Ligado ao poder no serviço à rainha, é rico o suficiente para
viajar em uma carruagem e ter um rolo do livro de Isaias. Pergaminhos copiados à
mão, meticulosamente produzidos por um escriba judeu, custavam uma fortuna. Tudo
sobre o homem diz que ele era um adorador devoto do Deus hebreu, bem como um
homem com instrução e recursos financeiros.
“O Espírito disse a Filipe: _Vá até a carruagem e fique perto dela” (At 8.29 VFL). Filipe obedeceu prontamente, “vá até a carruagem”, significa ação fora do santuário, lá fora, onde está o movimento, na rua, nas estradas e alamedas da humanidade. Lá fora, nos lugares públicos, nas escolas, nas praças. Hudson Taylor, levou o evangelho na China em 1857 e conduziu o evangelho ao Sr. Nyi. Certo dia, este perguntou a Taylor: “Há quanto tempo vocês conhecem o evangelho na Inglaterra?” Taylor respondeu: “Há muitos anos”. Com profundo sentimento, Sr. Nyi redarguiu: “Meu pai morreu sem conhecer o evangelho. Por que vocês não vieram antes?”.
2)
Entende
o que lês?
“E estava no caminho de volta para casa. Sentado na sua carruagem, lia o livro do profeta Isaias” (At 8.28). Ele lia as escrituras, estava perplexo, curioso, querendo saber, conhecer. A história que ele lê em Isaias, porém, também fala de alguém que foi humilhado, abatido e tosquiado (cortado), mas foi considerado servo de Deus. As escrituras cativavam sua imaginação, mas ele não consegue entender seu significado pleno. No mundo antigo, não era costume ler silenciosamente, portanto quando Filipe se aproxima, ouve o eunuco lendo e identifica a passagem. Logo, Filipe, lhe pergunta: “O Senhor entende o que está lendo?”.
“Ele respondeu: Como posso entender sem que alguém me
explique?” Para
entender as escrituras é preciso estar plenamente fundamentado e ser guiado
pelo Espírito Santo. “E convidou
Filipe a subir na carruagem e sentar-se ao seu lado” (At 8.31). o texto que
ele lia em voz alta era esse: “Ele foi levado como ovelha para o matadouro;
e, como cordeiro mudo diante dos tosquiados, não abriu a boca. Na sua
humilhação foi privado de justiça. Quem pode falar de seus descendentes? Pois a
sua vida foi tirada da terra” (At 8.33).
“Então, Filipe, começando com aquela passagem da escritura, anunciou-lhe as boas novas de Jesus” (At 8.35 NVI). Filipe explica que Jesus é a ovelha levada ao matadouro, que foi humilhado, chicoteado, carregou uma cruza pesada na via dolorosa, mas não abriu sua boca. Depois, colocaram-no numa cruz, suas mãos e seus pés foram pregados, na hora da sede deram-lhe vinagre. Morreu naquela rude cruz, com dores excruciantes. Sua morte na cruz, porém, não foi o seu fim.
A boa notícia é que Deus ressuscitou dos mortos, sim, Jesus ressuscitou,
venceu a morte, e o exaltou em glória. Por causa daquilo que Deus fez, ele está
destinado a ter membros incontáveis em sua família espiritual.
Depois da pregação Filipe, depois do evangelismo pessoal, de
contar a história da salvação. “Seguindo pelo caminho, chegaram a certo
lugar onde havia água. Então o eunuco disse: _eis aqui água. O que impede que
eu seja batizado?” (At 8.36 NAA). A primeira pergunta que o eunuco fez a
Filipe, foi: “Como entenderei se alguém não me orientar? e “De quem o profeta
está falando?”. E a terceira pergunta do homem: “Que me impede de ser batizado?”.
Alguns com certeza responderiam que sua condição mutilada e suas origens étnicas
o impediam.
Mas Filipe não enxerga desse jeito. Filipe lhe diz que por causa
da morte e da ressurreição de Jesus, aqueles que haviam sido excluídos não
podiam ser deixados de fora do Israel renovado. Ele pode tornar-se parte da família
de Deus, que provê um lar para que não tem lar e uma família para que não tem família.
Ou seja, o evangelho, segundo Filipe, é para todos, e é boa-nova especialmente para
os quebrantados, os desemparados e os estrangeiros.
Conclusão
O grande desafio da igreja em nosso tempo consiste em ser a família
das boas-novas que Jesus prometeu aos que percorrem as solitárias veredas morro
abaixo e se perguntam quem é esse cordeiro que morreu e o que ele significa
para eles.
A condição vergonha do etíope era publica e, apesar de ter alcançado
um cargo elevado na corte da rainha, a vergonha deve ter marcado sua alma. Pois
todos tem segredos que consideram vergonhosos, que não são públicos e que
desejam esconder. A vergonha pode se tornar semelhante a um câncer que corrói a
alma. Amortece suas vitimas com o medo de serem expostas aos preconceitos.
Mas, Jesus, em sua morte humilhante e vergonhosa na cruz, toma sobre si a vergonha daqueles que foram envergonhados e a remove. Todos que depositam nele sua fé e são renovados, perdoados, justificados, santificados e podem recomeçar na confiança de que ele faz novas todas as coisas. A Bíblia diz: “Aquele que está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas se passaram e eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).






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