Ananias e Safira Atos 5.1-11
Características da igreja primitiva
Uma igreja compromissada com a pregação de Cristo, seu ministério,
sua morte e sua ressurreição. Uma igreja corajosa e destemida: “Não podemos
deixar de falar do que temos visto e ouvido” (At 4.20). Uma igreja que orava,
falava com Deus, que passava tempo em oração em comunidade. Uma igreja que queria
mais: “...estendes a mão para curar, e para que se faça sinais e prodígios pelo
nome do teu santo Filho Jesus” (At 4.30).
Uma igreja compromissada com a comunhão. “Não havia, pois,
entre eles, necessitado algum: porque todos os que possuíam herdades ou casas,
vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos”
(At 4.34). E para comprovar, Lucas, conta história de Barnabé que “...possuindo
uma herdade vendeu-a, trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos”
(4.37). Seu nome era José, mas lhe deram o apelido de Barnabé, encorajador, que
dá animo, força. Ele pegou um campo seu na ilha de Chipre e doou todo o valor,
cem por cento do campo vendido, colocou aos pés dos apóstolos, para as
necessidades da igreja. Como disse João Crisóstomo “aquilo era uma comunidade
angelical...onde foi cortada a raiz de todos os males...o pobre não sabia o que
vergonha e o rico não conhecia arrogância”.
1)
Ananias
e Safira
“Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua
mulher, vendeu uma propriedade”. Primeiro o texto quebra a coesão, a
unidade, a comunhão, pois temos um “mas”. O que aprendemos é que nem todo mundo
que estava inserido na igreja primitiva fazia parte da “comunidade angelical”. Quanto
mais gente, quanto mais a igreja aumenta seu número de membros (cinco mil
membros), mais joio é acrescentado.
“Ananias”, forma grega do nome hebraico “Hananiah” que significa “Yahweh tratou graciosamente”. Nada sabemos sobre ele, talvez, um dos cento e vinte discípulos que estavam presentes no dia de Pentecoste. Um comentarista afirmou: “Talvez tivesse grandes dons, mas não tinha graça...”, ou seja, um homem desprovido de carisma, de ternura, de popularidade. Mas, vendo os louvores dados a Barnabé, por meio de seu ato de sacrifício, ficou incomodado e quis receber os mesmos louvores. Sua esposa “Safira”, em aramaico essa palavra significa “bela”, ou “linda”. Apesar do significado do nome, Safira, não correspondeu ao significado do seu nome e participou ativamente da dissimulação do marido.
Quando Deus fez a mulher da costela do homem, Adão exclamou: “Essa
é osso dos meus ossos e da carne da minha carne” (Gn 2.23). Ele poderia ter
dito: meu encaixe, minha metade, parte do meu eu. Mas, a mulher não é uma unidade
e, sim, unicidade. Unidade é duas
coisas, ou dois seres que se unem, mas não se fundem, não tem profundidade; mas
unicidade vai além disso, são duas pessoas que se fundem, ou seja, na unicidade
há uma fundição de sentimentos, pensamentos, propósitos, metas, sonhos, corpo
etc. Logo, quando existe unicidade no proposito de servir a Deus, Deus é glorificado,
a verdade é exaltada. Mas, quando existe unicidade para mentir, fraudar, enganar,
tudo desmorona!
Veja a unicidade de Ananias e Safira: “Havia, porém, um homem
chamado Ananias que, com sua esposa, Safira, vendeu uma propriedade. Levou
apenas parte do dinheiro aos apóstolos, mas, com aprovação da esposa, afirmou
que aquele era o valor total e ficou com o resto” (At 5.1-2). “...Safira
sabia disso e concordou com a atitude do marido...” (VFL). Logo, aconteceu
uma decisão conjunta, de Ananias e Safira, sim, uma unicidade para mentir. Tudo
fora acertado em casa sobre o que eles iam dizer aos apóstolos. A frieza com
que o casal planejou o engano agravou a sua culpa.
“...reteve parte do preço” (ARA), “...entregou uma parte do dinheiro aos apóstolos” (NTLH), ou “...guardou parte do valor da venda para si” (A mensagem). A palavra reteve significa apropriar-se indevidamente de algo que lhe fora confiado. Pegou a maior parte do dinheiro e entregou o restante para Deus. A mesma palavra fora usada em Josué 7.1, quando Acã reteve parte do despojo consagrado de Jericó; tudo em Jericó era anátema, tudo amaldiçoado por Deus (Js 6.18). Mas Acã desejou, cobiçou uma capa babilônica, duzentos ciclos de prata e uma barra de ouro. Diz o texto: “Eu os cobicei e os tomei” (Js 7.21). Acã e toda sua casa pereceram, foram apedrejados até a morte.
O profeta Malaquias pergunta: “Pode um homem roubar a
Deus? Contudo, vocês estão me roubando. Ainda perguntam: em que te roubamos? Nos
dízimos e nas ofertas. Vocês estão debaixo de grande maldição, porque estão me
roubando...” (Ml 4.8-9). Assim, como Ananias e Safira reteve o valor do
preço da venda, as pessoas estão retendo o seu dízimo, a sua oferta. E se
justificando, como se justificaram nos tempos de Malaquias. Estamos passando
por dificuldades econômicas, tem muita coisa para pagar. Mas o profeta interpreta
isso como se fosse o sinal exterior de um desprezo interno por Deus.
2)
O
juízo de Deus
“Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, ao ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade?”. A apostolo PEDRO lembrou-se das vezes em que Satanás também encheu seu coração. Sim, quando ele fez aquela confissão em Cesaréia de Filipe: “Tú és o Cristo, o Filho do Deus Vivo” (Mt 16.16). Depois, o Senhor Jesus, começou a falar de sua morte na cruz, e Pedro lhe repreendeu para que não falasse essas coisas. Então Jesus Lhe repreendeu: “Para trás de mim, Satanás...” (Mt 16.23). Pedro, em sua carta, exortou sobre a sutileza do diabo: “Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar” (1 Pe 5.8).
Ananias e Safira, ao reterem parte do valor da propriedade e
mentirem sobre isso, tinham o coração voltado aos interesses do homem, e não
aos de Deus. Pedro deve ter balançado a cabeça em sinal de perplexidade, espanto.
Sim, o que é mais importante é a presença do Senhor. Ao invés de buscar os
interesses humanos, se encantando com “passarinhos e belas flores”, o mais
importante, é a presença de Deus, é a glória do Senhor. O importante é exaltar
o Cristo. Pedro lhe disse: “Você não mentiu aos homens, mas sim, a Deus”.
“Ela não pertencia a você antes de ser vendida? E, depois de vendida, o dinheiro não estava em seu poder? O que levou a pensar fazer tal coisa? Voce não mentiu aos homens, mas a Deus. Ouvindo isso, Ananias caiu morto. Grande temor se apoderou-se de todos os que ouviram o que tinha acontecido” (At 5.4-5). Como cristão não podemos agir de modo irresponsável com nosso dinheiro e esperar que isso não traga nenhuma consequência. Nosso dinheiro pertence a Deus. Há um preço terrível a pagar, pois Deus considera seu povo responsável por seus atos. Não pertencemos a nós mesmos. Lembre-se: prestamos contas a Deus, não aos homens.
Se Deus tratasse as pessoas, hoje, como um dia tratou Ananias
e Safira todas as igrejas precisariam manter um necrotério no porão. Deus leva
a sério o pecado.
Conclusão
Em
primeiro lugar, a gravidade do pecado de Ananias e Safira. A mentira deles não
foi dirigida ao Espírito Santo, isto é, a Deus. E Deus odeia a hipocrisia. Mas
Ananias e Safira também pecaram contra a igreja (v.11). A falsidade acaba com a
comunhão.
Em
segundo lugar, a importância da consciência humana. Lucas registra a afirmação
de Paulo perante Festo de que ele sempre procurou manter sua “consciência” pura
diante de Deus e dos homens (Atos 24.16). Parece ser isto o que João quis dizer
com “andar na luz”. É ter uma vida transparente diante de Deus, sem engano ou
evasivas, cuja consequência é termos “comunhão uns com os outros”. “Viver
numa casa sem telhados, ou seja, de não permitir que nada se ponha entre eles e
Deus ou entres eles e outras pessoas. Essa abertura que Ananias e Safira não
conseguiram manter”.
Em terceiro lugar, esse incidente nos ensina que é necessário haver disciplina na igreja. Nessa área, a igreja tem oscilado entre a severidade extrema (disciplinando membros pelas ofensas mais triviais) e a permissividade extrema (não exercendo nenhuma disciplina, mesmo em casos de ofensas sérias).




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