Jonas e a graça de Deus Jn 2
Introdução
Jonas tentou fugir da “presença
do Senhor” indo para Társis. A missão era Ninive mas fugiu para Társis,
Espanha. Pegou um navio, comprou passagem somente de ida, não queria de modo
algum submeter-se a ordem de Deus. Pois, o que era mais importante para Jonas
não era Deus, não era sua Palavra, sua presença; mas, sim, a camada mais importante
era sua nacionalidade, sua etnia, israelense.
Logo, Deus “fez soprar um
forte vento sobre o mar, e caiu uma tempestade tão violenta que o barco estava
prestes a se arrebentar” (Jn 1.4). Jonas, virou as costas para Deus, pensou
que poderia fugir da presença de Deus, mas Deus veio através de uma tempestade.
Como disse o profeta Naum: “O Senhor anda pelo meio das tempestades e dos
ventos violentos...” (Na 1.3). Os marinheiros perceberam que não era uma
tempestade natural, mas sobrenatural, ou seja, alguém no navio causou aquela tempestade.
E acharam Jonas, lançando sortes, como causador de todo esse mal.
Então, Jonas disse aos
marinheiros: “Jogue-me ao mar; e ele voltará a ficar calmo, eu sei que esta terrível
tempestade é culpa minha” (Jn 1.12). Nos diz o texto: “Os marinheiros
pegaram Jonas e lançaram ao mar e, no mesmo instante, a furiosa tempestade se
aquietou”. Sim, “a tempestade cessou”, “a fúria do mar se acalmou”. Quando
o profeta Jonas é lançado ao mar, imediatamente, subitamente, no mesmo
instante, a tempestade cessou quanto uma luz que é desligada. A “fúria” da
tempestade era uma expressão real da ira de Deus contra seu rebelde profeta, a
qual foi deixada de lado quando Jonas foi lançado às ondas do oceano.
Houve temor. Quando o mar se
torna totalmente calmo, eles são “tomados” por “grande temor” maior do que
quando pensavam que se afogariam. O Temor do “Senhor” é a essência de todo
conhecimento e sabedoria. Como diz Provérbios: “O temor do Senhor é o princípio
da sabedoria...” (Pv 9.10). O temor do Senhor é o conhecimento daquele que
é santo, conhecê-lo é temê-lo! Diz o texto que imediatamente “...os
marinheiros lhe ofereceram sacrifícios e firmaram o compromisso de servi-lo”
(Jn 1.16 NVT).
1)
Deus mandou um grande peixe
“O Senhor ordenou que um
grande peixe engolisse Jonas” (Jn 1.17). Esse verbo “ordenar” é usado
várias vezes no livro, como no capítulo 4 quando Deus ordenou que uma planta crescesse
e depois morresse. “O Senhor Deus fez crescer ali uma planta...” (Jn 4.6);
“Deus também mandou uma largata, e ela comeu o talo da planta que secou”
(Jn 4.7). Olhando em retrospectiva, podemos ver que as lições mais importantes
que aprendemos na vida são resultado da mais pura e simples misericórdia de Deus.
São momentos difíceis, excruciantes que ocorreram em nossa vida, mas que
depois, colhemos os benefícios da aflição.

O grande peixe é um exemplo perfeito
dessa misericórdia tão nua e crua. Obviamente, o peixe salvou a vida de Jonas
quando o engoliu. Pois, ele estava afundando nas profundezas do mar, “até os
fundamentos dos montes”, longe de qualquer ajuda ou esperança. Jonas ainda
estava vivo, mas por quanto tempo? Em 2021, um homem chamado Michael, de Massachusetts
foi engolido por um grande peixe, ficou 30 e 40 segundos dentro do peixe, até
que a baleia subiu na superfície e cuspiu para fora.
No caso do pescador foi um
acidente, mas quanto a Jonas, era devido sua desobediência a Deus. E quando
desobedecemos é preciso que haja um “tratamento radical para que isso seja
remediado”. O texto descreve Jonas em movimento descendente: primeiro descendo
até a cidade de Jope, depois descendo até o navio, em seguida, descendo até as
profundezas do mar. Quando estamos em desobediência parece que nunca vamos parar
de descer. Por fim, o profeta Jonas desce na barriga de um grande peixe...
“MAS SOMENTE QUANDO ELE
DESCEU ATÉ O FUNDO DO POÇO, ENFIM, DESPOJADO DE SUA PRETENSA AUTOSSUFICENCIA, A
LIBERTAÇÃO FOI POSSIVEL”.
O QUE FALAR DE JACÓ? AINDA
NÃO ESTAVA PREPARADO PARA LIDERAR SUA FAMILIA ATÉ SER FORÇADO A FUGIR DE CASA,
PASSAR ANOS NA MÃO DE UM SOGRO GANANCIOSO E ENFRENTAR UM ENCONTRO VIOLENTO COM
ESAÚ, O IRMÃO QUE FORA LESADO. FORA ENTÃO, QUANDO ELE ESTAVA NO FUNDO DO POÇO,
QUE SE ENCONTROU COM DEUS FACE A FACE (GN 32).
O QUE FALAR DE MOISÉS?
CRIADO NO PALÁCIO DE FARAÓ, PREPARADO NAS LINGUAS EGIPCIAS, PREPARADO PARA
LUTAR AS GUERRAS DE FARAÓ. ERA UM HOMEM QUE CONHECIA SUAS RAIZES, SABIA QUE ERA
JUDEU E O SEU POVO VIVIA EM AFLIÇÃO. SABIA QUE DEUS TINHA UM CHAMADO ESPECÍFICO,
UMA MISSÃO. MAS, MOISÉS, ADIANTOU-SE, E MATOU UM EGIPCIO E POR CAUSA DISSO, FUGIU,
ABANDONOU TUDO E FOI MORAR EM MIDIAN, PARA CUIDAR DE OVELHAS.
Somente quanto todos os
esquemas e recursos estão falidos e exauridos, é que voce finalmente se abre
para aprender como depender completamente de Deus. OU, VOCE SÓ PERCEBE QUE
JESUS É TUDO O QUE PRECISA QUANDO JESUS É TUDO O QUE VOCE TEM. É PRECISO PERDER
A SUA VIDA PARA ACHÁ-LA. “Quem perde sua vida por minha causa a encontrará” (Mt
10.39).
Quando chegamos a fundo do
poço é que encontramos o lugar que habitualmente aprendemos os maiores segredos
sobre a graça de Deus. Sim, não é simplesmente o fato de estar no fundo que
começa a mudar, mas, sim, quando começar a orar. Jonas começa a orar. E, no
momento mais alto da oração, ele evoca a chesed (Jn 2.8), que é traduzida por “misericórdia”,
“amor inabalável” ou “graça”.
2)
Graça
Infelizmente, em nossa sociedade
atravessando o “deserto do mal moral”. Vivemos numa sociedade niilista, onde os
valores são relativizados, onde a família virou uma lata de conserva. Logo, não
existe uma moral absoluta, como disse Dostoiévski em seu livro “Os irmãos
Karamazov”: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Mas, Jonas em sua oração
sabe muito bem que essa moral relativista é esterco de vaca, titica de galinha.
No desespero que encontramos com Deus: “Nas profundezas do oceano me
lançaste, e afundei até o coração do mar. As águas me envolveram: fui encoberto
por tuas tempestuosas ondas” (Jn 2.3-4). Jonas sabia que a justiça divina
existia e que ele a merecia.

Somos impotentes, pois mais
que tentemos temos que admitir “nossa impotência espiritual”. Devemos admitir
não apenas nossos pecados, mas também o fato de que não podemos nos livrar ou
nos purificar deles. Embora muitos estão em busca de terapia psicológica, procurar
uma psicanalista etc. Outros, tentam preencher com o trabalho e observância religiosa,
contudo, não conseguem restaurar seu relacionamento com Deus. no versículo 6,
lemos: “Afundei até os alicerces dos montes; fiquei preso na terra, cujas
portas se fecharam para sempre. Mas tu, ó Senhor, meu Deus, me resgataste da
morte” (Jn 2.6).
Ele diz que está afundando
até o “submundo”, o mundo submerso mais distante da humanidade viva e de Deus
em seu templo “cujas trancas se fecharam sobre mim para sempre”. Ele percebe
que está condenado e permanentemente barrado por seu pecado e rebelião, e não
há nenhuma forma possível de abrir os portões por si mesmo ou de pagar sua dívida.
E, mais, temos que vê o alto
custo da salvação. Não apenas, uma, mas duas vezes em oração, Jonas olha não apenas
para o céu, mas para “teu santo templo” (Jn 2.4). “Poderia contemplar o teu
santo templo uma vez mais”. Alguém que se escondeu da presença de Deus,
está ansioso para estar novamente na presença de Deus. E, vai além: “E,
depois olha para o templo da tua santidade” (Jn 2.7).
Jonas sabia que era de cima
do propiciatório que Deus prometera falar conosco (Ex 25.22). o propiciatório
era uma tampa de ouro que ficava em cima da arca da aliança. No dia da expiação,
o sumo sacerdote aspergia o sangue do sacrifício expiatório pelos pecados do
povo sobre o propiciatório (Lv 16.14-15). Diante do propiciatório aprendemos tres
verdades: somos pecadores, incapazes de salvar a nós mesmos e a salvação se deu
por um alto custo.
Conclusão
Ouvimos um grito de
desespero do profeta: “as trancas se fecharam sobre mim para sempre”. Jonas está
perdido, está condenado, incapaz de escapar daquele grande peixe, as portas da
prisão se fecharam. Mas, ele ora, ele clama, ele suplica “...porém, tu me
levantas da cova, ó Senhor, meu Deus” (Jn 2.6). Diante do meu quebrantamento do
profeta, diz o texto: “O Senhor deu ordens ao peixe, e este vomitou Jonas na
terra” (Jn 2.10). Quando confessamos nossos pecados, vem a libertação, o
relacionamento é restaurado. Ele termina dizendo: “A salvação vem somente do
Senhor” (Jn 2.9).