terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 Jonas – fugindo da face do Senhor. Jn 1.1-4 

Nesse sábado, 31 de janeiro, aconteceu um movimento evangélico em cinco estados do Brasil, com muitos pregadores e cantores famosos; reunindo mais de 250.000 pessoas. Em um desses eventos, uma missionária “gritou” no meio daquela multidão sobre a necessidade a missão da igreja. Ela disse “Enquanto nós estamos celebrando, ainda temos dez mil comunidades ribeirinhas onde o evangelho ainda não foi anunciado. Enquanto estamos celebrando, tem oito mil assentamentos onde nunca foi realizado um culto. Enquanto estamos cantando e nos alegrando, duzentos mil índios estão caminhando a passos largos para o inferno, nove milhões de surdos estão esperando por missionários que sinalizem; um milhão de ciganos estão esperando que ardem e desarmem tendas...”. 

1)      missão impossível

O texto começa afirmando: “A palavra do Senhor veio a Jonas” (Jn 1.1). Deus usava profetas para transmitir a sua Palavra. Existem duas convicções interligadas que caracterizam o profeta. A primeira é a de que Deus vive, que é pessoal e ativo. A segunda é que o mundo está passando por momentos conturbados, violento. Portanto, um profeta, é obcecado por Deus e vive INTENSAMENTE para o agora. 

No entanto, no caso de Jonas, essa chamada profética é diferente de qualquer uma dos profetas do Antigo testamento. Por que? Deus chama Jonas e lhe dá uma ordem: “Vai a Ninive, aquela grande cidade, e pregue contra ela...”, ou, “...anuncie meu julgamento contra ela...”(NVT). Isso era surreal! Como assim? Pregar a palavra de Deus a um povo ímpio, sanguinário? 


Era inimaginável um profeta judeu sair de sua terra para pregar numa cidade gentia. Quase todos eles foram comissionados a pregar ao povo de Israel. Isaias pregou para seu povo; Miqueias, Amós, Oséias, Daniel, Joel, Obadias, Habacuque, Ezequiel (no exilio), Jeremias, etc. Enfim, todos os profetas anunciaram a Palavra de Deus dentro de sua comunidade. Para o povo judeu.

Outrossim, ainda mais chocante era o fato de que o Deus de Israel enviar Jonas ao povo de Nínive, que era a capital da Assíria! O império Assírio foi um dos mais cruéis e violentos dos tempos antigos. Os reis da assíria celebravam suas vitórias militares, celebrando com satisfação maligna diante de uma planície inteira forrada de cadáveres e de cidades totalmente incendiadas até ao chão. O empalhamento de corpos humanos iniciou no império assírio... 

O rei Salmaneser 3 é notório por retratar nos mais horrendos detalhes atos de tortura, desmembramento e decapitações de inimigos em grandes painéis de pedra esculpida em alto relevo. E, mais, depois de capturar o inimigo, cortavam as pernas e um braço, deixavam o outro braço para poderem cumprimentar a vítima até dar o último suspiro. Forçavam os familiares das vitimas a desfilar carregando cabeças de seus entes queridos. Arrancavam a língua dos prisioneiros e esticavam seus corpos para poderem ser esfolados vivos e ter a pelo expostas nas muralhas. 

2)     Jonas

Jonas, era filho de Amitai. Era natural de Gate-Hefer, região norte da Galileia. O nome Jonas significa “pomba”; ele viveu no período do rei Jeroboão II, rei de Israel. Diferentemente de Amós e Oséias que criticaram e profetizaram contra os pecados do rei Jeroboão, Jonas, apoiou a politica expansionista militar agressiva de Jeroboão para ampliar o poder e a influência sobre a nação.

O texto diz: “No décimo ano do reinado de Amazias...Jeroboão...tornou-se rei em Samaria e reinou quarenta um ano anos. Ele fez o que o Senhor reprova e não se desviou de nenhum dos pecados que Jeroboão, filho de Nebate, levara Israel a cometer...foi ele quem restabeleceu as fronteiras de Israel... conforme a palavra do Senhor...anunciada pelo seu servo Jonas, filho de Amitai...” (2 Rs 14.23-25). Logo, Jonas era intensamente nacionalista, um combativo patriota. E, Deus envia um homem assim para pregar às pessoas a quem ele mais temia e odiava.

Deus lhe disse: “Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela...” (Jn 1.1 NVI). Mas, diz o texto: “Jonas, porém, fugiu da presença do Senhor, na direção de Társis” (Jn 1.3). O que chama atenção é que Jonas “fugiu da presença do Senhor”. Presença em hebraico significa literalmente “face”, uma metáfora carregada de experiencias complexas e intimas. O Salmo 139 afirma: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua PRESENÇA? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também” (Sl 139.7-8). Jonas tentou fugir da presença do Senhor, enquanto Moisés desejava ver a presença de Deus (Ex 33.18-20). O Salmista ansiava pela presença de Deus: “Assim como a corça anseia pelas águas correntes, também a minha alma anseia por ti, ó Deus” (Sl 42.1 A21). 

Para onde Jonas foi? “...na direção de Társis. Descendo para Jope, achou um navio que ia para Társis, pagou a passagem e embarcou nele...” (Jn 1.3). Jonas partiu em direção oposta: Társis é Espanha; nas referências bíblicas Társis era “um porto distante e às vezes idealizado”. O livro de 1 Reis 10.22 relata que a frota de Salomão ia a Társis pegar ouro, prata, marfim, macacos e pavões. Deus o mandou ir para o leste, por terra, mas, ao invés disso, vai para o oeste, por mar. Jonas comprou uma passagem só de ida para o fim do mundo.


3)     Por que fugimos de Deus?

O apostolo PAULO descreve duas maneiras de fugirmos de Deus. A primeira está no capítulo 1, quando deliberadamente rejeitamos abertamente a Deus, quando viramos as costas para Deus para vivermos a vida do nosso jeito, da nossa maneira; quando nós privatizamos nossa vida. “...mesmo havendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças; ao contrario, seus pensamentos passaram a ser levianos, imprudentes, e o coração insensato e tornou-se trevas” (Rm 1.21). 

No capitulo 2, no entanto, o apostolo Paulo, fala daqueles que procuram seguir a Biblia. “Voce confia na leia e se vangloria...em Deus...voce conhece sua vontade a aprova o que é superior, porque é instruído pela lei” (Rm 2.17-18). Jonas possuía uma compreensão de Deus rígida. Ele não estava disposto a mudar nenhuma das suas convicções. Ele não desejava crescer na compreensão de Deus. Ele sentia-se satisfeito por permanecer como estava. Ele conhecia as escrituras, mas nunca as havia aplicado no seu coração.

No fundo de sua religiosidade fria, calculista, Jonas conhecia o caráter de Deus. Sabia que ele é misericordioso, longanimo e grande em benignidade (Jn 4.2) e que iria dar oportunidade a Ninive se houvesse conversão na cidade. A dificuldade era ele mesmo, sua radicalidade, seu jeito de achar que estava certo em tudo. Que a verdade estava nele.

Logo, depois do apostolo de ter olhado para os gentios e pagãos imorais, bem como para judeus virtuosos que acreditavam na Biblia, ele chega à notável conclusão de que “não há nenhum justo, nem um sequer...todos se desviaram” (Rm 3.23). Ambos estão, de maneiras diferentes, fugindo de Deus. todos sabemos da nossa capacidade de fugir de Deus. Ou nos tornamos pessoas imorais e irreligiosas, ou, é possível evitar a Deus tornando-se uma pessoa muito religiosa, virtuosa, radical, dono da verdade.

Conclusão

Jonas fugiu de Deus. No começo, aparentemente, há uma sensação de liberdade, agora, farei minha vontade, irei para aonde quero ir; ninguém me dirá o que fazer da minha vida. Sim, o pecado sempre endurece a consciência, aprisiona a pessoa em sua própria masmorra defensiva com racionalizações e justificativas. No entanto, o Senhor “lançou sobre o mar um grande vento” (v.4). O verbo lançou é frequentemente usado para descrever a ação de atirar uma arma com uma lança... 



domingo, 1 de fevereiro de 2026

 Quem é digno de abrir o livro? Ap 5 

Introdução

Quando olhamos para o mundo vemos duas histórias. Primeiro, temos a história que Deus permite e a história que Deus produz. A história secular é a história que Deus permite, é a história humana, é a história das grandes civilizações, é a história do homem. É uma história linear, dividida pelos historiadores em história antiga, história medieval, história moderna e história contemporânea. Essa história exalta o homem, suas realizações e suas grandes conquistas.

No livro de Daniel, capitulo 8, temos um retrato da civilização humana, em forma de animais. Quando fala do império grego, ou, o império de Alexandre, o grande -, representando pelo bode! Ou seja, para Deus, essas civilizações são passageiras, são finitas, vivem na margem, tem um começo e tem um fim. E, tudo se acaba, desvanece.

E, por fim, tem a história que Deus produz. Que é a história determinada por Deus, a que Deus faz acontecer. O livro de apocalipse, no capitulo 5, está fechado, selado por dentro e por fora. A medida que cada selo é aberto, algo acontece, Deus intervendo na história humana, ou, podemos afirmar, a irrupção de Deus na vida dos homens.

1)     Uma cena

“E VI, da dextra do que estava assentado sobre o trono, um livro, escrito por dentro e por fora, selado com sete selos” (Ap 5.1 ARC). O apostolo João, preso na ilha de Patmos, vê um livro fechado, selado com sete selos, é a história que Deus produz, é a intervenção do Eterno na vida de homens e mulheres; é quando o céu baixa, é quando o céu desce,  é quando o soberano do Universo responde, diante de todas as calamidades da história de homens ímpios.

Deus é Deus, Deus é Alfa e o Omega, Ele é o começo e o Fim de todas as coisas. Os “sete selos” fala da completude da história humana, seu começo e seu fim; “sete chifres” fala que Deus é Todo Poderoso, não há ninguém como Ele; “sete olhos” e “sete espíritos” fala de sua presença, aliás, da sua onipresença. Ele está em toda parte, é impossível o homem se esconder da face do Eterno.

O apostolo João diz: “Vi, também, um anjo forte, que proclamava com voz forte: Quem é digno de quebrar os selos e abrir o livro” (Ap 5.2). E continua dizendo: “Mas no céu não havia ninguém, nem na terra, nem debaixo da terra, que pudesse abrir o livro e olhar para ele”. Percebe uma angustia profunda diante dessa cena. “quem és digno de abrir o livro? Pergunta o anjo poderoso. Mas não havia ninguém, no céu, na terra e debaixo da terra...

“Não havia ninguém no céu”. Nem anjos, nem arcanjos, nem querubins, nem Gabriel, nem Miguel etc. Nem Abraão, nem Isaque, nem Jacó, nem Moisés, nenhuma profeta do Antigo Testamento eram aptos de abrir o livro e desatar os sete selos.

“Não havia ninguém na terra”. Nenhum homem, nenhum poderoso, nenhum ditador, nenhum presidente, nenhum caridoso, nenhum empresário, nenhum banqueiro, nenhum cientista, nenhum Papa. Por quê? Todos são como Belsazar. Por quê? Todos são como Belsazar: “Mene, mene, Tequel, Urpasim”: pesados na balança e achado em falta”. A Biblia diz que “todos pecaram e destituídos estão da presença de Deus” (Rm 3.23).

“Não havia ninguém debaixo da terra”. Ninguém no Sheol, lugar do mortos, ninguém no Hades, lugar de sofrimento. Ninguém, nem diabo, nem demônios, nem Anticristo, nem besta, nem espíritos atormentadores. Debaixo da terra ninguém foi achado digno de abrir o livro e desatar os setes selos.

Diante disso, diz o texto: “Eu chorava muito, pois ninguém fora achado digno de abrir o livro nem de olhar para ele”. É uma linguagem de desespero, de profundo lamento, por uma situação que visivelmente não havia solução. Surgem perguntas? Será que tudo caminha para o caos? Será que realmente somos homo sapiens, que viemos de uma criação casual? Será que o mundo será esfacelado? Será que a história está a deriva? Há alguém capaz de abrir o livro e desatar os sete selos?

2)     Esperança

“Então um dos anciãos me disse: Não chores! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e desatar os sete selos e abrir o livro” (Ap 5.5). Sim, Ele é o leão da tribo de Judá, Ele vem da descendência de Davi; Ele é o cumprimento da profecia de Jacó, quando disse: “...o cetro não se arredará de Judá até que venha siló” (Gn 48.8-9). Sim, Ele é o cumprimento de todas as profecias...

No livro de genesis: ele é o descendente da mulher, pisaria na cabeça da serpente

No livro de Exodo: ele é o cordeiro pascal, o sangue nos protege, nos limpa, purifica

No livro de Levitico: ele é o sacrificio expiatório, sim expiaria o pecado do mundo

No livro de Deuteronomio: ele é o profeta, não um simples profeta, mas Deus.

No livro de Josué: ele é o capitão do exercito do Senhor, ele é general de guerra.

No livro de Juizes: ele é o libertador sem pecado

No livro de 1 Sm, 2 Sm, 1 Rs e 2 rs 1 Cr e 2 Cr: ele é o rei prometido

No livro de Esdras, neemias e Ester: ele aquele que restaura nossa sorte, que restaura nossa vida.

No livro de Jó: ele é o meu redentor que se levantará sobre a terra

No livro de salmos: ele é a nossa alegria, nosso socorro na hora bem presente.

No livro de Proverbios: ele é a sabedoria do mundo

No livro de Eclesiastes: ele é sentido da vida

No livro de Cantares: ele é o amado da nossa alma

Nos profetas maiores e profetas: é o messias prometido

Nos evangelhos: ele é o salvador do mundo

No livro de Atos dos Apostolos: ele é a pedra angular, rejeitado por muitos, mas aceita pela igreja

Nas epistolas paulinas: ele é o cabeça da igreja, a igreja é o corpo, mas quem manda é o cabeça, Jesus Cristo

Nas epistolas gerais: ele é a nossa esperança em um mundo de perseguição.

No livro de apocalipse. ele é alfa e o omega, ele é todo poderoso, é o Senhor da história que virá para buscar a sua igreja.

Conclusão

Um cordeiro que parece ter estado morto”. É o cordeiro prometido, é o cordeiro do sacrifício. João Batista quando batizava no rio Jordão viu Jesus se aproximando e lhe disse: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Sim, Ele é o cordeiro que foi sacrificado, que foi moído pelos nossos pecados. É o cordeiro que morreu na cruz pelos nossos pecados, mas no terceiro dia, ressuscitou. Ele diz para João: “Não tenhas medo, eu sou o primeiro e o último; eu sou o que vive e estive morto, mas eis que estou vivo para toda a eternidade! Eu possuo as chaves da morte e do inferno” (Ap 1.17-18).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

 MEUS OLHOS ESTÃO POSTOS EM TI 2 Cro 20.1-12 

Introdução

Estamos cercados por exércitos demoníacos, existe e sempre existirá uma batalha entre o povo de Deus e o exército do mal, liderado pelo diabo. O exército do diabo é organizado e munido de estratégias para matar, roubar e destruir. Não podemos vê-los, mas está em todo lugar, atuando em todas as esferas da sociedade. Cientes disso, precisamos nos posicionar, precisamos entender que no reino espiritual não existe campo neutro, ou você, está do lado de Deus, ou você está do lado dos demônios.

1)     Reconhecendo o terreno

Primeira regra, não subestimar o inimigo. Os versículos 2 e 12, fala que quando Josafá toma ciência que “...os filhos de Moabe, os filhos de Amon, e, com eles, alguns outros amonitas vieram à peleja contra Josafá” (2 Cro 20.1). Sim, era um exército numeroso “uma multidão”; no versículo 12, ele admite não possuir força, a nível militar, suficiente para vencê-los. Eles eram mais poderosos (uma força bélica maior), mais em número, mais em força. No que dependesse do homem, o povo de Deus estava derrotado. 

Olha pela fé, nessa noite, como Eliseu diante do exército da Siria. Nós somos em menos número, aparentemente somos frágeis, perto do poder de Satanás. O Exército de Satanás monta a legiões. Literalmente, uma legião compreende cerca de seis mil demônios. Imagina, uma força dessa, agindo contra nossa igreja, nossa família, sociedade. Já sentiu a força que um único demônio pode ter? imagine o que não podem fazer milhares deles, e às vezes num só corpo!

Portanto, temos diante de nós um inimigo que nos ultrapassa em numero e força. Estamos em guerra contra um poderosíssimo exercito que não arreda pé do proposito de nos dominar e nos fazer cativos de seu reino. Os membros desse exercito estão espalhados por todos os lugares – cidades, bairros, ruas vilas, escolas, faculdades, bares, etc. Mas isso não é tudo! Existem “príncipes” que dominam continentes inteiros, países e cidades. Em Daniel 10.10-13 nós nos defrontamos com um exército infernal, responsável pelo reino da Pérsia, tentou impedir a oração de Daniel. Até que veio, Miguel, o anjo guerreiro e dissipou o ataque do inferno. 

Não podemos nos atemorizar, ou entrar em pânico diante dessa força infernal, não estamos fazendo propaganda do diabo, simplesmente mostrando como que sua força opera nesse mundo. Nosso objetivo, como igreja de Jesus, é sair em combate em nome de Jesus. Saiamos em combate “revestidos de toda armadura de Deus” (cinto da verdade, a couraça da justiça, o escudo da fé, o capacete da salvação, a espada do Espírito e a sandálias do evangelho (Ef 6). Sabendo que “as armas da nossa milicia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas” (2 Co 10.4).

Segunda regra, buscar a Deus em vitória. Quem era Josafá? Alguém cujo coração fora preparado para buscar a Deus. “...buscou a Deus de seu pai e andou nos seus mandamentos...” (2 Cro 17.4). “Exaltou-se o seu coração em seguir o caminho do Senhor e ainda tirou os altos e os bosques de Judá” (v.6). E, mais: “...enviou os seus príncipes ...para ensinarem nas cidades de Judá...e tinham consigo o livro da lei do Senhor” (vs 7-10). Portanto, Josafá era um homem de Deus, cujo coração pertencia ao Senhor, um homem quebrantado. 

Quando buscamos a face do Senhor verdadeiramente, com inteireza de coração, incomodamos o inferno, incomodamos as hostes infernais. Bastou Israel voltar os olhos para Deus e o inferno descarregou toda a sua fúria. Josafá estava conduzindo o povo a um reavivamento, fazendo-lhe voltar o coração para os desígnios de Deus. Bastou isso para provocar a reação do inimigo! Isso é um princípio espiritual: toda vez que voltamos para Deus, que arrependemos dos nossos pecados e com inteireza de coração buscamos a Deus, o inferno se levanta contra nós!

Satanás não se incomoda com aquele crente que não tem compromisso espiritual em sua vida. Ele não se importa com aquele crente que vive uma vida na igreja e uma vida no mundo. Ele não se importa com aquele crente que não tem radicalidade em sua fé, que não testemunha de Jesus para outras pessoas. Ele não se importa com aquele crente que não ora, que não consagra, que não lê a Biblia. Porque são pessoas que não fazem diferença, são pessoas que não incomoda o inferno.

2)     O que fazer?

Josafá teve medo. O medo é um sentimento normal diante de inimigos tão poderosos. Ele não tentou esconder seu estado de espírito apenas porque era rei. Apesar dessa posição de eminência, deixou bem claro o medo que lhe dominava a alma diante de situações tão adversas. Infelizmente, diante de situação imponderável, muitos procuram mascarar seus sentimentos, suas angústias ante o perigo. No entanto, todos os grandes homens de Deus sentiram medo diante do perigo. Davi, com certeza, sentiu medo diante de Golias; Josué da mesma forma, sentiu medo, diante do exército cananeu. Os discípulos sentiram medo diante da tempestade no mar. Mas, o Senhor, está conosco, no meio da peleja. 

O que fazer? “Então, Josafá temeu e pôs-se a buscar o Senhor; e apregoou jejum em todo Judá” (2 Cr 20.3). Diante do perigo, de um exercito impiedoso, o povo se coloca na presença do Senhor. O povo clama, o povo ora, consagra e jejua. Meus irmãos, precisamos nos ajuntar mais (orar, evangelizar, discipular, batalhar). Jesus orou para que sua igreja se mantivesse unida. Quando falta unidade, ajuntamento, a igreja se enfraquece, desanima. Não podemos dar brechas ao diabo!

“Judá se ajuntou, para pedir socorro ao Senhor; também de todas as cidades de Judá vieram para buscarem ao Senhor” (2 Cro 20.4). O povo veio de todas as partes e se ajuntou para buscar a Deus. Naquele momento de guerra, as diferenças ficaram para trás. Não podemos nos dividir por causa de nossas diferenças, mas devemos nos unir, devido ao nosso Senhor, Jesus Cristo. Devemos levantar a bandeira de Cristo, fazemos parte do exército de Deus, lutamos ao lado do cordeiro de Deus e as portas do inferno não podem prevalecer contra a igreja. 

Josafá orou, busca socorro em Deus, reconhecendo sua incapacidade bélica de vencer a guerra que se desenhava no horizonte. Diante do impossível, ele orou; vendo que o inimigo se chegava mais perto, prestes a atacar, não teve dúvidas: correu para os braços de Deus e começou a demandar sua graça, rogando para que manifestasse o seu poder. Não há vitória nessa batalha a menos que o povo de Deus volte-se para Ele em oração e lute até que sua gloria se manifeste.

“Porque em nós não há força perante esta grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em ti” (2 Cro 20.12). O rei Josafá está orando, em sua oração rende glória ao Senhor Deus de Israel e suplica a sua misericórdia. Ele fala que Deus é soberano sobre todos os reinos; também fala da promessa que Deus fez a Abraão e se cumpriu; sua fidelidade em tomar conta do seu povo. Por fim, ele diz que os filhos de Amom, moabitas e o povo da montanha de Seir levantaram-se contra seu povo para destruí-los, os olhos do povo de Deus estavam fitos no Senhor. 

Lhes pergunto: Em “quem” ou em “que” estão postos os nossos olhos, nossa fé, nossa esperança? Será que perdemos de vista o Senhor? Será que esquecemos sobre o seu caráter? Esquecemos do seu nome? Um dos nomes de Deus no Antigo Testamento é: “Jeová-Jireh” (Gn 22.13-14), Deus é o provedor de nossas necessidades. Jeová-Jireh virá em nosso auxilio! O que lhe falta? Um emprego? Condições básicas de sobrevivência? Coloque seus olhos em Jeová-Jireh. Ele é o Deus que provê nossas necessidades. 


Conclusão

No dia seguinte o povo de Israel saiu para peleja. O rei Josafá ordenou que cantores estivessem a frente do exercito. Eles cantavam: “Louvai ao Senhor, porque a sua benignidade dura para sempre” (2 Cro 20.21). Enquanto o povo louvava ao Senhor, Deus pôs emboscadas no meio do exercito inimigo e os exércitos ao invés de lutarem contra o povo de Deus, começou a guerrear entre si mesmo, os amonitas matando os moabitas. Quando o exercito de Israel chegou no acampamento do inimigo, viram uma multidão de corpos mortos, estendidos. E o povo de Deus pegou todos os objetos que os homens usavam, ouro, prata, jóias e demoraram tres dias para saquear todos os pertences do inimigo. 


“E, ao quarto dia, se ajuntaram no vale de Beraca, porque ali louvaram ao Senhor; por isso, chamaram àquele lugar vale de Beraca, até o dia de hoje” (2 Cr 20.26).

 

 

 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

 Vozes proféticas para nosso tempo  Ez 22.30 


Introdução

Charles Dickens escrevendo seu livro o conto de duas cidades. A França, cujo capital Paris estava tomada pelos revoltosos que cujo grito de guerra era: “Liberdade, igualdade e fraternidade”, mais de quarenta mil pessoas morreram na guilhotina. Londres, por sua vez, passando por uma crise espiritual profunda, mas Deus levantou Jonh Wesley e um avivamento iniciou na Inglaterra.

Sobre esse tempo, Charles Dickens expressou "Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos".  Como em nosso tempo atual: Vivemos tempos difíceis, tempos "cabulosos", nebulosos. Tempo que não existe mais o certo e o errado, mas tudo se inverteu, tudo virado de ponta cabeça.  Tempo que não existe verdade absoluta, porque o que importa é a minha verdade; o que importa é  o meu corpo e as minhas regras; o meu pensamento; a minha maneira de agir e de comportar, a vida foi privatizada e expulsaram Deus do seu dia a dia. Diante disso, temos tres vozes proféticas do Antigo Testamento que nos ajuda a entender nosso tempo.

1)     Ezequiel

O profeta Ezequiel foi levado para o exilio, pelo rei Nabucodonosor. Com eles, mais de dez mil pessoas. O Salmista expressa a angustia dos exilados: “Junto aos rios da Babilônia, nós nos sentamos e choramos com saudade de Sião. Ali nos salgueiros penduramos as nossas harpas; ali os nossos captores pediam-nos cancões, os nossos opressores exigiam canções alegres, dizendo: Cantem para nós uma das canções de Sião. Como poderíamos cantar as canções de Sião numa terra estrangeira” (Sl 137.1-4).

Deus chamou Ezequiel para ser profeta e exigia seu compromisso com Deus e não às pessoas ao seu redor. Deus lhe diz: “Filho do homem, fica em pé, porquanto desejo falar com você...Atenta que o povo a quem eu estou enviando é rebelde, obstinado, teimoso. Diga-lhe, pois: Assim diz o Senhor, o Soberano Deus” (Ez 2.1-3). E quando ele se colocou de pé “e lá estava a glória do Senhor...dobrei-me com o rosto em terra” (Ez 3.22-23). A mensagem de Ezequiel deveria ser proclamada, quer as pessoas o ouvissem ou não (Ez 3.7-11). E Deus lhe diz: “Eis que faço a tua testa tão forte quanto o diamante e mais resistente que a rocha mais dura” (Ez 3.9).

Ezequiel deveria permanecer firme, independente da maneira como fosse tratado. “Quanto a voce, filho do homem, seus conterrâneos estão conversando sobre voce junto aos muros e às portas das casas, dizendo uns aos outros: o meu povo vem a você como costuma fazer e se assentam para ouvir as suas palavras, mas não as põe em prática. Com a boca eles expressam devoção, mas o coração deles está ávido de ganhos injustos” (Ez 33.30-33). Como disse o Senhor Jesus: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim...” (Mt 15.8).

Na verdade, o povo não estava interessado em palavras proféticas, mas queriam palavras brandas, suaves, como expressou Peterson: “fale o que eu quero ouvir, diga-me que sou legal. Apresente alguns princípios de autoajuda para que eu possa me sentir bem. Mas, pelo amor de Deus qualquer coisa, mas não fale do meu pecado” (A mensagem).

Diante disso, Deus exorta seu profeta: “...não tenha medo dessa gente nem das suas palavras...ainda que o cerquem espinheiros e voce viva entre escorpiões” (Ez 2.6). E, a voz, por fim, diz: “Abra a boca e coma o que vou lhe dar”. Enquanto o povo estava recusando ouvir a voz de Deus, o profeta tinha que “comer” o livro. Quando ele comeu a palavra de Deus, disse: “Era doce como o mel” (Ez 3.4).

2)     Amós

Amós era uma pessoa simples de Tecoa, cidade de Judá. Era pastor de ovelhas e coletava sicômoros, figos bravos. Um dia, ouvia a voz do Senhor que lhe chamava para anunciar a sua Palavra. Ou seja, um homem do campo, acostumado com animais e com a agricultura e Deus lhe chama para ser profeta, para anunciar a sua Palavra.

Mas, ele foi confrontado enquanto profetizava no reino do norte. Amazias não queria que ele profetizasse, era como se o profeta não fosse bem vindo no meio deles. Mas, Amós, responde à Amazias: “Eu não era profeta, não faço parte de nenhuma escolha de profetas; sou apenas um criador de gado e e faço colheitas de sicômoros. Mas, Deus meu chamou e me tirou do serviço junto ao rebanho e me ordenou: Vai agora! E profetiza a Israel, o meu povo”.

           O profeta Amós predisse a vinda de um tempo em que a terra sentiria saudades dos grandes profetas de outrora, ansiando por uma voz poderosa da parte de Deus – ou seja -, qualquer pessoa que defendesse a verdade de modo corajoso e politicamente incorreto. Ele diz em sua profecia: “...mandarei fome sobre toda a terra; não simplesmente fome por comida, nem de água; mas fome de ouvir e se alimentar da Palavra do Senhor. Os homens vaguearão de um mar a outro, do Norte ao Oriente, buscando a Palavra do Senhor, mas não lhes será possível encontrar”.

Hoje, infelizmente, as pessoas não estão preocupadas com a Palavra do Senhor; hoje as pessoas, infelizmente, não estão preocupadas em vir ao culto da Palavra. Sim, estão mais preocupadas com suas vidas, suas viagens, seus bens, sua comodidade. Mas, o profeta Amós, profetiza de um tempo que a Palavra de Deus tornará escassa e voce não terá mais acesso a ela.

              As pessoas ansiarão, buscarão, procurarão o alimento para a alma, buscarão incansavelmente de um mar ao outro, mas não acharão.

3)     Joel

E, por fim, o profeta Joel, filho de Petuel. Ele profetiza sobre uma fome terrível que aconteceria com o povo de Israel, uma praga de gafanhotos. É uma visão aterradora, porque os gafanhotos iriam acabar com toda plantação de Israel. Todos os tipos de gafanhotos se puseram a destruir as plantações: os que rastejam, os que migram, os que cortam e os que destroem. Sim, Deus, traria juízo sobre o povo de Israel “o meu exercito que enviei contra vocês” (Jl 2.25).

Diante dessa calamidade, desse julgamento, Deus diz: “Fazei tocar a trombeta por toda Sião! Dai alerta no meu Santo Monte. Tremam todos os habitantes da terra, porque o dia do Senhor vem, e já está próximo” (Jl 2.1).  Toca a trombeta em Sião, pois o perigo é iminente! “Perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do Senhor vem, já está próximo” (Jl 2.1).

Diante dessa cena perturbadora o que devemos fazer? O profeta diz: “Agora, porém, diz o Senhor voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto. Rasguem o coração e não as vestes. Voltem-se para o Senhor, o seu Deus, pois ele é misericordioso e compassivo, muito paciente e cheio de amor; arrepende-se, e não envia desgraça” (Jl 2.12-13).

         Conclusão

No final, diz o profeta Joel: “E, depois disso, derramarei do meu Espirito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. Até os servos e as servas derramarei do meu Espirito naqueles dias” (Jl 2.28-29).

domingo, 28 de dezembro de 2025

 Mefibosete 2 Samuel 9.1-7 


Introdução

Graça: é quando Deus dá ao ser humano o que ele não merece. É o favor imerecido que Deus concede ao homem. Graça, portanto, é favor, é perdão, agrado. Deus nos concedeu salvação, nos concedeu perdão de pecados e vida eterna.

 Misericórdia: é quando Deus não dá a pessoa o que ela merece. Ao invés de nos tratar de acordo com o nosso pecado, somos perdoados. Ao invés de nos destituir de sua presença, envia seu filho para morrer na cruz do calvário em nosso lugar.

A misericórdia remove a culpa e a pena; a graça imputa à justiça. A misericórdia salva do perigo; a graça proporciona uma nova natureza.

1)     A pergunta do rei Davi

“Um dia Davi perguntou: Será que resta ainda alguém da familia de Saul, para que eu use de bondade para com ele, por causa de Jônatas?” (2 Sm 9.1). A palavra “bondade” no hebraico é chesed, que significa “amor constante”, “amor fiel”, “amor em aliança”. Sim, aqui, é a graça sendo manifestada na vida de Mefibosete.

Vejam, o rei Davi não pergunta: “Há alguém qualificado?”, ou “Há alguém digno?”. Mas, sim: “Há alguém? Não importa quem seja, há ALGUÉM ainda vivo que deva receber a minha graça?”. Isso é graça...

A graça é uma demonstração de amor imerecido, não adquirido e que não pode ser pago. Chesed é o amor de Deus que nada tem a ver com situações, condições emocionais. Não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais. Não há nada que possamos fazer para Deus nos amar menos.

Mefibosete era filho de Jônatas, filho do rei Saul. Ambos foram mortos na guerra contra os filisteus. Depois de Saul morto, Mefibosete que significa “Revoltada desonra”, teve que se esconder em Lo-Debar, a leste do Rio Jordão. A babá de Mefibosete o pegou para fugir e caiu, na queda quebraram-se os tornozelos do menino (2 Sm 4.4); seus ossos se calcificaram tortos. Nunca mais pode andar normalmente, cresceu manco, na obscuridade.

Cresceu em Lo-Debar sem sua identidade real, sem nenhum dos seus. privilégios de nobre. Sentia-se a escória do mundo real, sentia-se menos que um ser humano, perdera toda esperança e expectativa do futuro e sua autoimagem era a pior possível: chamando a si mesmo de “cão morto”. E pior, o lugar em que se escondera era o pior possível: Lo-debar, “sem pasto”; vivendo de favor na casa de Maquir, que significa “vendido”. Logo, Mefibosete era “vendido”, sem preço e “sem pasto”.

2)     Lo debar

E texto, diz: “Havia um servo na casa de Saul cujo nome era Ziba; chamaram-no que viesse a Davi. Perguntou-lhe o rei: És tu Ziba? Respondeu: Eu mesmo, teu servo. Disse-lhe o rei: não há ainda alguém da casa de Saul para que use eu da bondade de Deus para com ele? Então Ziba lhe respondeu ao rei: ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés” (2 Sm 9.2-3).

Como assim rei Davi? É melhor pensar duas vezes antes de agir, porque esse sujeito não vai causar boa impressão em sua corte. Ele não se ajusta ao ambiente, a esta sala do trono, esta casa nova na cidade de Jerusalém. E, mais, ele tem uma grave deficiência: “Ele é aleijado dos dois pés” (2 Sm 9.3). Mas, Davi, em algum momento condicionou, titubeou, simplesmente, mandou chamá-lo.

Assim é a graça, é a chesed. A graça não procura feitos que mereçam amor. A graça não está preocupada com defeitos físicos, emocionais etc. A graça de Deus é unilateral. Davi pergunta: “Onde ele está?” – Ziba, respondeu: “Em Lo-Debar, na casa de Maquir, filho de Amiel”. Lo significa “não” e debar é “pasto ou pastagem”. Ou seja, Mefibosete, vivia numa região obscura e desolada.

Diz o texto: “...quando compareceu diante de Davi, curvou-se com o rosto no chão. Davi disse: Saudações, Mefibosete...” Ou, “Não temas, Mefibosete...”. Agora, seu nome terá um novo significado, de aliança, sim, aliança de amor. “Não tenhas medo” (2 Sm 9.7). encontramos essa expressão na Biblia 365 vezes, não tenhas medo. Sobre ele agora não estava mais o medo, temor, mas uma aliança baseada no amor.

Mas ainda não terminou: “Então chamou Davi a Ziba, servo de Saul, e disse-lhe: tudo o que pertencia a Saul e toda a sua casa, tenho dado ao filho de teu Senhor” (2 Sm 9.9). Além, de receber, a aliança, a graça, também receberá toda herança que pertenceu a família do seu pai.

Conclusão

E, tem mais: “voce comerá sempre à minha mesa” (2 Sm 9.7). sentará a mesa do rei Davi.

Um jantar real: primeiro vem Amnom, o mais velho, esperto e astucioso e senta à direita do rei Davi. Logo em seguida, vem Tamar, filha querida de Davi, uma jovem encantadora, carismática e senta ao lado esquerdo. Depois, vem Salomão, de forma vagarosa, pensativo e senta ao lado de Tamar. Em seguida, chega Absalão, belo, com seus lindos cabelos flutuantes e senta ao lado de Salomão. E, chega, Joabe, comandante do exercito de Davi e senta ao lado de Amnom. Será que todos estão à mesa? Não, falta um, falta Mefibosete, filho de Jônatas e vem chegando, desajeitado, arrastando suas duas pernas e senta em uma das cadeiras e a toalha da mesa cobre seus pés...

Isso é graça!


 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

 SUBIU AS ALTURAS E CONCEDEU DONS AOS HOMENS Efesios 4.1-17 

Introdução

O apostolo Paulo exorta para que “...andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados...” (Ef 4.17). O termo “modo digno” no grego é axios. Que funciona como uma metáfora, como um conjunto que constitui uma balança formada por um travessão equilibrado sobre uma haste, com pratos pendentes em cada extremidade do travessão. Balança significa equilíbrio, moderação.

Peterson traduziu: “É por essa razão que insisto – e tenho o apoio de Deus – em que jamais sigam a multidão, a massa ignorante que não tem nada na cabeça” (A Mensagem). De um lado, uma sociedade à mercê do prazer, do sexo, da sensualidade, do outro lado, a igreja que caminha na contramão do mundo. Paulo diz: “Rogo-vos, pois, eu”, escreve Paulo, “que andeis (peripateo) de modo digno (axios) da vocação a que fostes chamados (kaleo).  Ou seja, temos que nos manter em equilíbrio, em moderação, “andar de modo digno”. 

1)     Chamado

Quando Deus nos chama não é para passar informações, mas para termos intimidade com Ele. Deus fez Adão e Eva para viverem em comunhão com Ele, mas eles desobedeceram a Deus, quebraram o mandamento. O equilíbrio entre a palavra de Deus e a caminhada de Adão foi quebrada. Deus chama e o homem tem que responder ao seu chamado vivendo digno da vocação que recebeu.

Abraão foi chamado por Deus a deixar Ur, sua terra, e dirigir-se para Canaã. Lá ele daria à formação de um povo de salvação. Abraão partiu, caminhou para o oeste através do deserto. Ele obedeceu, deixou toda sua herança cultural, abandonou os deuses mesopotâmicos, para servir ao Deus vivo, El-Shaday, O Deus-todo-poderoso!

Moisés apascentava ovelhas em Midiã quando do meio da sarça ardente foi chamado pelo nome: “Moisés! Moisés!”. Ele ouviu o seu nome chamado e aprendeu o nome daquele que o chamava: “Yahweh”. A resposta de Moisés, sua caminhada, àquele chamado pessoal junto à sarça ardente transformou-se numa congregação de gente caminhando para fora do Egito através do mar rumo à liberdade. 

Jesus à beira do lago da Galileia chamou quatro discípulos pelo nome. Jesus continuou chamando: os quatro logo se tornaram doze. Eles o seguiram para cima e para baixo pelas estradas da Galiléia, ouvindo, obedecendo, questionando, observando, orando. Mais tarde, depois que eles se haviam habituado ao som de sua voz, Jesus os chamou novamente. Dessa vez, o chamado era para cada um pegar a própria cruza e segui-lo até a cruz dele, sua morte em Jerusalém. Com o tempo, os discípulos se tornaram comitiva do Espírito Santo que transformou em igreja.

Um homem chamado Saulo caminhava pela estrada de Damasco a fim de perseguir os cristãos quando foi parado no meio da jornada por uma voz que se dirigia a ele pelo nome: “Saulo!Saulo!”. Como acontecera com Moisés na sarça ardente, ele aprendeu o nome daquele que o chamava nominalmente; dessa vez o nome daquele que chamava era “Jesus”. E nesse chamado o próprio nome de Saulo foi mudado. Saulo se converteu no ato, de perseguidor da igreja tornou-se discípulo de Jesus. 

O chamado de Deus entra em nossos ouvidos, convida-nos para um relacionamento com Deus, leva-nos a um estilo de vida que jamais foi experimentado dessa forma antes: uma promessa, uma coisa nova, uma benção, descobrimos nosso lugar na criação, uma vida ressuscitada. Quando o chamado e a caminhada estão em equilíbrio, somos dignos. Estamos nos pratos equilibrados de uma balança, num contato sensível e simultâneo com Deus que sabe nosso nome. Deus chama, nós caminhamos. Somos axios, dignos de andar na presença de Deus.

Na mesma que vamos andando na presença de Deus, temos uma maior intimidade com Ele; a voz de Deus em nossos ouvidos tem uma intimidade orgânica. Temos a consciência que fazemos parte de um corpo, somos peregrinos, todos diferentes e todos um só, é a igreja. Somos o “corpo de Cristo”, enquanto Cristo é a “cabeça” desse corpo. Todos diferentes, todos organicamente ligados “...bem ajustado e consolidado pelo auxilio de toda junta” (Ef 4.16). Portanto, a maturidade se desenvolve no culto à medida que que evoluímos na amizade com os amigos de Deus. Se quisermos crescer em Cristo devemos fazer na companhia de todos os que estão respondendo ao chamado de Deus.

2)     Subiu as alturas

O salmo 68 fala da adoração que acontece no templo. Sim, adoração começa no santuário e nele termina (v.35). O santuário é o lugar onde descobrimos nosso lugar e nosso papel para participarmos do drama da salvação. O culto do Salmo 68 é um ato de atenta escuta da palavra e da ação de Deus, que se transforma numa alegre participação e comunhão. O verbo final, ativado por Deus no santuário, é dar (v.35). Deus dá a seu povo. Quem é Deus e o que Deus faz, sua “força e poder”, são dados a nós, seu povo. Nessa força vai cantando ao som de adufes, desde o menor até o maior.

Quando fala de “subiu” fala da entronização de Deus e sua vitória sobre o inimigo. Aqui, o apostolo Paulo, refere-se a vitória de Jesus na cruz, sua ascensão, à direita de Deus. Em Colossenses, o apostolo Paulo fala dessa vitória: “E tendo despojado os principados e poderes, os expos em público e na mesma cruz trinfou sobre eles” (Cl 2.15).  Jesus venceu, Jesus morreu, mas, no terceiro dia ressuscitou e está assentado à direita de Deus.

Durante 40 dias Jesus esteve com seus discípulos, assimilando por completo e as implicações da sua ressurreição. Depois, Jesus lhes ordenou que ficassem em Jerusalém e aguardassem a “promessa do Pai” (At 1.8) “Recebereis poder ao descer sobre vós o Espirito Santo, e sereis minhas testemunhas”, sim, testemunhas “em Jerusalém, em toda Judéia, em Samaria e em lugares mais distantes da terra” (Atos 1.8).

Depois, Jesus ascendeu aos céus. Eles nunca mais o viram. Dez dias depois que ascendeu aos céus em Betânia a promessa se cumpriu. O Espírito Santo, conforme a promessa, desceu sobre os discípulos reunidos em Jerusalém, marcando o início da igreja num espaço e no tempo. Quando diz que Jesus está a “destra de Deus”, está em toda parte; ele é onipotente, onipresente e oniscientes.  Seu trono relativiza e marginaliza todos os tronos terrenos e todas as políticas do mundo.

O Salmo 68 fala de Deus que desfila e recebendo presentes de amigos e inimigos. Ele é coberto de presentes daqueles que o adoram. Mas, o apostolo Paulo, fala que Jesus, depois de ascender aos céus “concedeu” dons aos homens. Ao invés de receber, concedeu; os magos levaram presente para Jesus; um menino lhe deu cinco peixes e dois pães e uma multidão foi saciada; Jesus abençoou o pão e o vinho na ceia do Senhor simbolizando sua morte na cruz do calvário.

Conclusão.  

Mas, aqui, “Quando ele subiu às alturas...concedeu dons aos homens”. O que voce tem recebido? E se o recebeu, por que se orgulha, como se assim não fosse? 1 Co 4.7). Aos poucos esses dons se desenvolvem e se transformam em forças e responsabilidades da maturidade. “E a graça foi concedida a cada um segundo a proporção do dom de Cristo” (Ef 4.7). Graça (charis) é sinônimo de dom. “Proporção” é expandida como “para encher todas as medidas”.

Paulo fala de cinco dons: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Cada dom é um convite e oferece um meio para participar na obra de Jesus. Dons que nos equiparam para trabalhar na obra de Jesus e juntos com seus discípulos. Para que? “o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.12). Também, temos, nove dons em 1 Co 12.4-19; em Romanos 12.6-8, sete dons. O pastor Jonh Sttot fala em 20 dons. A diversidade dos dons constitui uma unidade de função.