terça-feira, 16 de junho de 2026

 Um encontro marcado por Deus Atos 8. 26-40 

A igreja iniciou na festa do Pentecoste, com o derramamento de poder sobre cento e vinte discípulos. A igreja vai se expandindo, na pregação de Pedro foram dois mil pessoas; depois três mil pessoas. Os discípulos são perseguidos pelos religiosos, mas são irremovíveis em sua convicção sobre Jesus Cristo. Com a morte de Estevão, há uma perseguição aos cristãos, a igreja se espalha, vai para Judéia, depois Filipe, diácono, vai para Samaria, "o vento da perseguição aumenta a chama". Em Samaria, Deus faz coisas maravilhosas, prodígios e maravilhas e muitas pessoas são salvas pela mensagem do evangelho de Jesus Cristo. Há um avivamento acontecendo em Samaria, Deus estava fazendo coisas maravilhosas, grandiosas. O diácono Filipe pregava e sinais e prodigiosas aconteciam. 

1)     Uma ordem

Mas, no meio do avivamento em Samaria: “Um anjo do Senhor disse a Filipe: vai em direção ao sul para a estrada – a estrada deserta – que desce de Jerusalém para Gaza” (At 8.26). Ou seja, saia do avivamento, saia do holofote e vai para o deserto de Gaza! A presença de anjo era muito comum nos dias da igreja primitiva: anjos anunciam nascimentos (Lc 1.11), fortalecem Jesus (lc 22.43), salvam apóstolos da cadeia (At 5.19), dão direcionamentos relacionados a missões (At 8.26). Agora, o anjo do Senhor, aparece a Filipe a fim de dirigir sua missão. “Apronte-se e vá para o Sul...” (NTLH), “Dispõe-te e vai para o lado do Sul...” (ARA). 

Na estrada deserta indo para Gaza “...encontrou um eunuco etíope, um oficial importante de todos os tesouros de Candace” (At 8.27). Primeiro, ele era eunuco, isto é, um estrangeiro exótico, da distante África negra, onde atualmente fica o Sudão, na região chamada Cuxe nas escrituras. O povo etíope ocupava a região entre o rio Nilo e o mar Vermelho, de Assuã, no sul do Egito.   Ele é rotulado “eunuco” por sua condição como pessoa sem sexo; um homem que tinha sido fisicamente castrado, alvo de desprezo e zombaria por ser considerado efeminado. Segundo “Esse homem era alto funcionário, tesoureiro e administrador das finanças da rainha da Etiópia” (NTLH). 

Havia muito preconceito em relação aos eunucos: Essas pessoas deviam ser excluídas...dos templos...de todos os lugares da assembleia publica...era mau agouro e infortúnio ver uma pessoa dessas ao sair de casa pela manhã. E mais: eunuco não é homem nem mulher, mas algo misto, híbrido e monstruoso, estranho à natureza humana.

“Ele tinha ido para adorar a Deus”. O eunuco fez uma peregrinação para adorar em Jerusalém, apesar das restrições em Deuteronômio 23.1: “Nenhum homem castrado, que tenha esmagado os testículos, ou amputado o órgão genital poderá fazer parte do povo de Deus”. Logo, todo eunuco era proibido de fazer parte do povo de Deus, impedido também de entrar no templo do Senhor.

Ligado ao poder no serviço à rainha, é rico o suficiente para viajar em uma carruagem e ter um rolo do livro de Isaias. Pergaminhos copiados à mão, meticulosamente produzidos por um escriba judeu, custavam uma fortuna. Tudo sobre o homem diz que ele era um adorador devoto do Deus hebreu, bem como um homem com instrução e recursos financeiros.

O Espírito disse a Filipe: _Vá até a carruagem e fique perto dela” (At 8.29 VFL). Filipe obedeceu prontamente, “vá até a carruagem”, significa ação fora do santuário, lá fora, onde está o movimento, na rua, nas estradas e alamedas da humanidade. Lá fora, nos lugares públicos, nas escolas, nas praças. Hudson Taylor, levou o evangelho na China em 1857 e conduziu o evangelho ao Sr. Nyi. Certo dia, este perguntou a Taylor: “Há quanto tempo vocês conhecem o evangelho na Inglaterra?” Taylor respondeu: “Há muitos anos”. Com profundo sentimento, Sr. Nyi redarguiu: “Meu pai morreu sem conhecer o evangelho. Por que vocês não vieram antes?”. 

2)     Entende o que lês?

E estava no caminho de volta para casa. Sentado na sua carruagem, lia o livro do profeta Isaias” (At 8.28). Ele lia as escrituras, estava perplexo, curioso, querendo saber, conhecer. A história que ele lê em Isaias, porém, também fala de alguém que foi humilhado, abatido e tosquiado (cortado), mas foi considerado servo de Deus. As escrituras cativavam sua imaginação, mas ele não consegue entender seu significado pleno. No mundo antigo, não era costume ler silenciosamente, portanto quando Filipe se aproxima, ouve o eunuco lendo e identifica a passagem. Logo, Filipe, lhe pergunta: “O Senhor entende o que está lendo?”. 

“Ele respondeu: Como posso entender sem que alguém me explique?” Para entender as escrituras é preciso estar plenamente fundamentado e ser guiado pelo Espírito Santo.  E convidou Filipe a subir na carruagem e sentar-se ao seu lado” (At 8.31). o texto que ele lia em voz alta era esse: “Ele foi levado como ovelha para o matadouro; e, como cordeiro mudo diante dos tosquiados, não abriu a boca. Na sua humilhação foi privado de justiça. Quem pode falar de seus descendentes? Pois a sua vida foi tirada da terra” (At 8.33).

Então, Filipe, começando com aquela passagem da escritura, anunciou-lhe as boas novas de Jesus” (At 8.35 NVI). Filipe explica que Jesus é a ovelha levada ao matadouro, que foi humilhado, chicoteado, carregou uma cruza pesada na via dolorosa, mas não abriu sua boca. Depois, colocaram-no numa cruz, suas mãos e seus pés foram pregados, na hora da sede deram-lhe vinagre. Morreu naquela rude cruz, com dores excruciantes. Sua morte na cruz, porém, não foi o seu fim. 

A boa notícia é que Deus ressuscitou dos mortos, sim, Jesus ressuscitou, venceu a morte, e o exaltou em glória. Por causa daquilo que Deus fez, ele está destinado a ter membros incontáveis em sua família espiritual.

Depois da pregação Filipe, depois do evangelismo pessoal, de contar a história da salvação. “Seguindo pelo caminho, chegaram a certo lugar onde havia água. Então o eunuco disse: _eis aqui água. O que impede que eu seja batizado?” (At 8.36 NAA). A primeira pergunta que o eunuco fez a Filipe, foi: “Como entenderei se alguém não me orientar? e “De quem o profeta está falando?”. E a terceira pergunta do homem: “Que me impede de ser batizado?”. Alguns com certeza responderiam que sua condição mutilada e suas origens étnicas o impediam.

Mas Filipe não enxerga desse jeito. Filipe lhe diz que por causa da morte e da ressurreição de Jesus, aqueles que haviam sido excluídos não podiam ser deixados de fora do Israel renovado. Ele pode tornar-se parte da família de Deus, que provê um lar para que não tem lar e uma família para que não tem família. Ou seja, o evangelho, segundo Filipe, é para todos, e é boa-nova especialmente para os quebrantados, os desemparados e os estrangeiros. "Então, Filipe e o unuco desceram à água, e Filipe o batizou" (Atos 8.38). E termina afirmando que "...O Espirito do Senhor arrebatou Filipe repentinamente. O eunuco não o viu mais e, cheio de alegria, seguiu seu caminho" (At 8.40). 

Conclusão

O grande desafio da igreja em nosso tempo consiste em ser a família das boas-novas que Jesus prometeu aos que percorrem as solitárias veredas morro abaixo e se perguntam quem é esse cordeiro que morreu e o que ele significa para eles.

A condição vergonha do etíope era publica e, apesar de ter alcançado um cargo elevado na corte da rainha, a vergonha deve ter marcado sua alma. Pois todos tem segredos que consideram vergonhosos, que não são públicos e que desejam esconder. A vergonha pode se tornar semelhante a um câncer que corrói a alma. Amortece suas vitimas com o medo de serem expostas aos preconceitos.

Mas, Jesus, em sua morte humilhante e vergonhosa na cruz, toma sobre si a vergonha daqueles que foram envergonhados e a remove. Todos que depositam nele sua fé e são renovados, perdoados, justificados, santificados e podem recomeçar na confiança de que ele faz novas todas as coisas. A Bíblia diz: “Aquele que está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas se passaram e eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17). 


 

 

domingo, 14 de junho de 2026

 Quem fica de pé? 1 Samuel 4.1-17 

Vivemos uma geração que tem colocado Deus em segundo lugar. Deus não tem tido primazia na vida de muita gente. Gente que não Deus a sério. Queremos viver uma vida de “leveza”, sem compromisso. “Leviano” é alguém que não leva a vida muito a sério. É uma pessoa inconstante, que não finca seus pés em Deus. Ora está na igreja, ora está no mundo. Ora quer se levantar, ora quer ficar no mundo.

Já o termo “pesado”, muitas vezes está associado a algo sério, quando falamos de uma ideia de peso, de um coração pesado, de perdas pesadas, de um baque pesado. Em hebraico, a palavra “glória” (Kaboad) tem a mesma raiz que a palavra “pesado”. A glória de Deus é a extensão de seu peso.  

1)     A gloria de Deus

Em 1 Samuel 4.1, os israelitas saem para lutar contra os filisteus. A história não começa bem. Israel é leviano com Deus. Vai para batalha sem Deus...e perde, quatro mil pessoas perecem nessa batalha. O povo fica desnorteado e depois da derrota na batalha, pergunta: “...porque o Senhor deixou que os filisteus nos derrotassem?”. Não conseguem olhar para dentro de si mesmo, vivem em estado de autocomiseração, sempre apontando suas derrotas para o Senhor.  

Logo, disseram: “Vamos buscar a arca da aliança do Senhor” (1 Sm 4.3). A arca era retangular, feita de acácia, revestida de ouro é trazia dentro as tabuas da lei de Moisés, maná do deserto e a vara de Arão. É justamente sobre a arca que a presença de Deus se manifestava no deserto. Era sobre a arca do Senhor que a fumaça descia e Deus visitava seu povo.

Mas, a arca era pra ficar no lugar do culto, em Siló. Os israelitas a levam para o campo de batalha. Pois acreditam que se levarem a arca com eles no campo de batalha venceria a peleja contra os filisteus; da mesma forma que aconteceu com Josué em Jericó. Então, quando a arca chega no acampamento, em Ebenezer “...todos os judeus gritaram tão alto que o chão estremeceu” (1 Sm 4.5). É uma maneira de tentar usar Deus, manipular Deus para si.

Os filisteus ouvindo todo aquele barulho no arraial dos israelitas ficam com medo. Lembram da história de Êxodo: “Ai de nós! Quem nos livrará das mãos desses deuses poderosos? São os deuses que feriram os egípcios com toda espécie de praga, no deserto”. Os filisteus sabem que precisarão lutar como nunca lutaram na vida. A batalha se deu em Ebenezer; Israel saiu à batalha sem Deus e perdeu. Não obstante, levavam a arca da aliança, mesmo assim, perdeu, o povo foi derrotado na guerra. Deus não pode ser usado, Deus não pode ser manipulado.

2)     Foi-se a gloria

A noticia da derrota e da morte de seus filhos chega a Eli (1 Sm 4.12-17). Ela o mata: “Quando o mensageiro mencionou a arca de Deus, ele caiu da cadeira para trás, ao lado do portão, quebrou o pescoço e morreu, pois era velho e pesado. Ele liderou Israel durante quarenta anos” (1 Sm 4.18). Sua nora grávida ouve a noticia e entra em trabalho de parto; ela morre ao dar à luz, mas não antes de dar nome ao seu filho. Esta derrota é perpetuada em um nome “Icabode”, que significa “Onde está a glória” ou “a glória se foi de Israel”.

Onde está a glória”, foi roubada pela família de Eli; seus filhos abusaram dos sacrifícios e tiveram relações sexuais com mulheres no tabernáculo, e Eli não deu um basta nisso. Os sacerdotes não honraram a Deus. Eles roubaram a glória dEle! Não se engane: precisamos levar Deus a sério.

“Onde está a glória?”  A mulher de Finéias responde: “...a glória se foi de Israel, pois a arca de Deus foi tomada”. Agora, a glória de Deus representada pela arca de Deus está na cidade filisteia de Asdode (1 Sm 5.1). Os filisteus colocaram a gloria de Deus no templo de Dagom, o deus dos filisteus, o deus com cara de peixe. Mas, de manhã, acharam a estátua de Dagom curvada diante da arca de Deus (v.3). Então, eles colocam seu “deus” de pé. Na manhã seguinte, Dagom está decapitado! Sim, a cabeça e as mãos da estátua foram quebradas. E, mais, os homens de Asdode foram afligidos com tumores (v.6).

DIANTE DE DEUS TODOS OS OUTROS DEUSES PRECISAM CAIR. SOMENTE YAHWEH é o DEUS DE ISRAEL, TEM PESO. SOMENTE DEUS TEM SUBSTÂNCIA.

Onde está a glória? Então, o povo de Asdode decide enviar a arca à cidade Filisteia de Gate (1 Sm 5.7-8). Será que Gate vai conseguir lidar com o peso da gloria de Deus? Mas, também ali, Deus envia tumores; enviaram a arca do Senhor á cidade filisteia de Ecrom. Ocorre o mesmo! No fim, querem mandar a arca embora, pois “havia pânico mortal em toda cidade, a mão de Deus pesava muito sobre ela” (v.11). todos eram afetados “...aqueles que não morriam rapidamente eram afligidos com vários tumores, e gritos de dor e aflição subiam incessantemente ao céu” (1 Sm 5.12).

Onde está a gloria de Deus? Os filisteus enviam a arca novamente para Israel, em Bete-Semes, mas “O Senhor, contudo, feriu alguns dos homens de Bete-Semes, matando setenta deles. O povo chorou por causa do pesado golpe que o Senhor desferira...” Por que esses mortos foram mortos? 1) ostentaram a arca, colocando-a em uma grande pedra para que todos olhassem, quando deveria te-la coberto; 2) olharam para dentro da arca. Os homens da cidade perguntam: “Quem pode permanecer na presença do Senhor, esse Deus Santo? a quem enviaremos a arca, para que ele se afaste de nós?” (1 Sm 6.19-20).

Conclusão

Como fica de pé diante da gloria de Deus? o povo volta para Deus (1 Sm 7.2). o povo não só confessa seus pecados, mas também age, livrando-se de seus baalins e astarotes. Para servir “somente ao Senhor”. Isso é verdadeiro arrependimento. Não só palavras (7.6), mas ações. 

SEGUNDO o povo adorou. Samuel lidera o povo em um ato coletivo de adoração (1 Sm 7.5-6). O verdadeiro arrependimento é um movimento para longe do pecado e de volta para Deus. A reunião, o jejum, a confissão... tudo estava focado em Deus. 

TERCEIRO, um sacrifício é oferecido a Deus. “Samuel tomou um cordeiro...e ofereceu inteiro como holocausto ao Senhor” (1 Sm 7.9). Isso aponta para cruz. A cruz é a realidade. Na cruz, o próprio Deus, na pessoa de seu Filho, experimentou o juízo.

terça-feira, 9 de junho de 2026

 Filipe em Samaria At 8.1-13 

O capitulo 8 verso 1, diz: “Saulo estava ali, consentindo na morte de Estevão”. Este versículo é um ponto de mudança entre a história da expansão da igreja em Jerusalém e a expansão da igreja para além das muralhas das cidades. “Naquele mesmo dia a igreja de Jerusalém começou a sofrer com grande perseguição” (At 8.1). Mas a perseguição é como um vento em relação à semente: apenas a espalha.

1)     Perseguição

O evangelista Lucas relata que Saulo assolava a igreja (At 8.3). O mesmo Saulo que guardou as vestes dos religiosos que mataram Estevão (At 7.58) e consentiu na sua morte. Agora, Saulo, assola a igreja. O verbo “assolar” descreve um animal selvagem despedaçando a vítima; uma crueldade sádica e violenta. A palavra no grego se aplica a um javali que invade uma vinha, uma plantação, para arruiná-la; ou, uma fera selvagem que salta sobre uma presa para devorá-la. 


Saulo, tinha sangue nos olhos, não poupava nem as mulheres, também as lançava em prisões. Ele buscava a prisão e a morte de suas vítimas em Jerusalém e fora dela. Devastava e assolava a igreja, exterminando os que invocam o nome de Jesus (At 9.21); forçando-os a blasfemar por meio de tortura, encerrava-os nas prisões e dava o seu voto quando os matavam (At 26.9-11). 

A perseguição não é um acidente de percurso, mas uma agenda. A primeira etapa do plano de Deus compreendeu a chegada do Espírito Santo, o batismo com Espirito Santo que veio no dia de Pentecostes. “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espirito Santo e ser-me-eis testemunhas...” (Atos 1.8). Os discípulos estavam testemunhando em Jerusalém. Com a perseguição, “...todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria” (At 8.1). 

A palavra traduzida como “dispersos” é o termo usado para indicar “sementeira, semeadura, espalhar sementes”. A perseguição faz com a igreja aquilo que o vento faz com a semente, espalhando-a e aumentando a colheita. Os cristãos em Jerusalém eram as sementes de Deus, e a perseguição foi usada por Deus para plantá-los em nosso solo, a fim de que dessem frutos. Daí nasceu o provérbio, no período da perseguição: “O sangue dos mártires é a sementeira da igreja”.

Portanto, a perseguição tornou-se o elemento catalisador da segunda fase da igreja: “Judeia e Samaria” (At 1.8). A medida que os discípulos se espalhavam pela região da “Judeia e Samaria”, continuavam a anunciar Jesus ressuscitado como o Messias de Israel, o Salvador do Mundo. O diabo pensou que fosse parar a igreja, com a morte de Estevão, mas o efeito se deu ao contrário. A igreja, ao invés de desanimar, parar, estacionar, começou a espalhar o evangelho em outros lugares. 

Sim, “o vento aumenta a chama”. Na China, em 1949, quando o governo foi derrotado pelos comunistas. 637 missionários da Missão para o Interior da China foram obrigados a deixar o país. Parecia um desastre total. Dentro de quatro anos, 286 deles foram trabalhar no Japão e no Sudoeste da Asia, enquanto que os cristãos chineses, mesmo sob severa perseguição, começaram a se multiplicar e agora perfazem um numero trinta ou quarenta vezes maior do que existente quando os missionários saíram.

2)     Filipe

Filipe foi a uma cidade de Samaria e ali anunciava o Cristo”. Samaria era um território odiado pelos judeus. Pois, os samaritanos eram etnicamente contaminados, religiosamente confusos e moralmente corrompidos. Os habitantes dessa região se casaram com gentios e estabeleceram seu próprio templo no Monte Gerizim e tinham seu pentateuco particular. Mas, nada disso, impediu Filipe de pregar o evangelho em Samaria. Deus tem um coração missionário que bate pelo mundo todo. Ele não vê mestiços, ele não vê gentios. Ele vê pessoas perdidas precisando de resgate. 

Os cristãos são sementes de Deus, e a perseguição foi usada por Deus para plantá-los em novo solo, em nova terra, a fim de que dessem frutos. A evangelização não é um programa, mas um estilo de vida. Aonde você vai, o evangelho vai com você, lhe acompanha. No trabalho, nas ruas, no mercado, nas faculdades, nas praças da cidade, em todo lugar.  O projeto de Deus é o evangelho todo, por toda igreja, a todo mundo, a cada criatura, em cada geração: “...os que foram dispersos iam por toda parte pregando (Kerysso) a Palavra” (At 8.4).

Dos sete diáconos nomeados pelos apóstolos para cuidarem da distribuição dos alimentos às viúvas, Estevão e Filipe são os únicos cujas atividades foram narradas por Lucas. Ambos eram judeus helenistas, ou sejam, falavam o grego e pregavam o evangelho de Cristo. Estevão se dedicou aos judeus helenistas em Jerusalém; Filipe foi a Samaria. Filipe não era apostolo, era diácono, separado para servir à mesa, mas sobretudo um ganhador de almas.

Não pode haver evangelização sem evangelho uma vez que a evangelização pressupõe as boas novas de Jesus Cristo. O grande esportista e missionário Calos Studd disse: “Se Jesus Cristo é Deus e ele deu sua vida por mim, nada é sacrificial demais que eu possa fazer por ele”. 

Quando a multidão ouviu Filipe e vi os sinais milagrosos que ele realizava, deu atenção unânime ao que ele dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia....os espíritos imundos saiam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade” (At 8.6-8). A pregação não consiste somente em palavras, mas deve ser uma demonstração do Espirito e do poder. A pregação é lógica em fogo. É a proclamação do evangelho, e o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.

As pessoas não apenas ouviam dele belas palavras, mas também viam grandes prodígios e maravilhas: endemoninhados libertados, paralíticos e coxos curados e muita alegria. Hoje há gigantes do saber nos púlpitos, mas anões na demonstração do poder. Os samaritanos foram libertados de aflições físicas, controle demoníaco, pecados. O evangelho produziu salvação, libertação e alegria. Antonio Vieira pergunta: “Se a boa semente produz a trinta, sessenta e cem por um, por que hoje a semente não produz nem a um por cento? É que hoje a igreja prega apenas aos ouvidos, mas não aos olhos!” 

E estava ali um certo homem chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica e tinha iludido a gente de Samaria, dizendo que era um grande personagem...”. Simão era um mago de Samaria que se tornara um especialista em artes mágicas. Ele tinha “poder sobrenatural”, mas era algo vindo dos demônios, vindo do mal. Ele atendia a todos em Samaria “desde o menor até o maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus”. Ele era cultuado por todos em Samaria, pessoas saiam de Roma para ser atendido por ele e, até uma estatua ergueu-se em sua honra. No fim do segundo século, Irineu apresentou como “glorificado pelos homens como se fosse um deus”. 

Conclusão

Filipe os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, depois criam. Eles creram no evangelho de Filipe, muito mais, se converteram ao evangelho, mudança de vida em Cristo. Uma nova criatura. Em seguida “iam sendo batizados, assim como homens como mulheres”. E diz: “E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito” (At 8.13).

Há quatro derramamentos do Espirito Santo no livro de Atos dos Apostolos: o primeiro, sobre os judeus, em Jerusalém (Atos 2); o segundo, sobre os samaritanos (Atos 8); o terceiro, sobre a casa de Cornelio (Atos 10); e quarto, sobre os gentios em Efesios (At 19). Sobre esses quatro grupos o Espirito Santo foi derramado, mostrando a universalidade do evangelho. 


 

terça-feira, 2 de junho de 2026

 A vida no fio da navalha Atos 6.8, 7. 

A expressão “fio da navalha” é uma metáfora para situações perigosas, arriscadas. Estevão (coroa) fora separado para ser diácono para servir o corpo de Cristo, servir à mesa. Mas, ele ia além desse ministério, era um pregador da Palavra de Deus. O texto diz: “Estevão, homem cheio da graça e do poder de Deus, realizava grandes maravilhas e sinais no meio do povo”. (At 6.8). Jesus, em seu ministério, realizou grandes sinais e maravilhas; os apóstolos, realizavam grandes sinais e maravilhas no meio do seu povo.

Mas, agora, está falando que um diácono, chamado para servir à mesa, estava em nome de Jesus, no poder de Jesus,  fazendo prodígios. Estevão era corajoso, destemido e testemunhava da sua fé nas sinagogas de Jerusalém. Por causa disso, ele é perseguido e morto, por testemunha de sua fé. Em países da Africa, da Asia, muitos cristãos estão morrendo por causa de sua fé em Cristo Jesus. Atualmente, a Nigéria, está perseguido e matando muitos cristãos. Na India, cristãos são perseguidos e igrejas são queimadas. Todas vivendo no fio da navalha da fé. 

1)     Estevão

Estevão não veio de uma longa linhagem de grandes pregadores, nem de sacerdotes. Na verdade, nada sabemos muito sobre o seu passado. Mas, que foi escolhido pelo povo para ser diácono, para fazer parte do corpo diaconal da igreja de Jerusalém. Com fé, Estevão submeteu-se à direção do Espirito Santo e trabalhou para servir à igreja. Este é o tipo de cristão fiel que Deus ama usar para fazer grandes coisas. Estevão levou sua fé a sério e cedeu ao controle do Espirito Santo. O texto diz que ele era: “...cheio de graça e de poder” (At 6.8). Sendo cheio de graça e de poder, fora capaz de realizar prodígios e maravilhas no meio do povo. 

Contudo”, diz o texto, “levantou-se oposição dos membros da chamada sinagoga dos libertos” (Atos 6.9). “Libertos” eram ex-escravos que haviam comprado sua liberdade ou foram libertados. Eram judeus helenistas que vieram de diversos lugares ao longo do arco do mediterrâneo. Vieram de Cirene e Alexandria, norte da Africa; Cilicia, Norte da Antioquia e da Asia, mais ao leste da Europa. A sinagoga era o local para adoração e ensino, mas também um local para discutir teologia. 

Esses homens, esses “judeus libertos”, “começaram a discutir com Estevão mas não podiam resistir à sabedoria e ao espirito com que ele falava”.  Estevão era homem de Deus, era cheio do Espirito Santo e cheio da sabedoria de Deus, cheio de conhecimento. Os argumentos de Estevão eram persuasivos em favor da fé em Jesus Cristo. Ele usava as Escrituras do Antigo Testamento para convencer os outros judeus da messianidade de Jesus Cristo. Era um apologista da fé cristã.

Então, não tendo vantagem sobre Estevão, esses judeus “...subornaram alguns outros homens para o caluniarem: nós temos ouvido palavras ultrajantes contra Moisés e contra Deus (Atos 6.11 BKJ). Ele foi acusado de duas coisas: falava contra o templo religioso (“este lugar santo”) e blasfemava contra a lei de Moisés. Interessante, que são as mesmas acusações que levaram Jesus para a morte de cruz! Mas, nessas acusações, havia um elemento de verdade: Jesus veio para “...mudar os costumes que Moisés nos deixou” (At 6.14).

Enquanto era acusado por falsas testemunhas, os homens fixaram o rosto “...em Estevão, viram que o seu rosto parecia como o rosto de um anjo” (At 6.15). Da mesma forma que o rosto de Moisés iluminava quando falava com Deus e que precisava de um véu, assim, o rosto de Estevão brilhava diante de seus acusadores.

2)     A defesa de Estevão

Diante do Sinédrio, todos os anciãos, quase setenta homens, Estevão é colocado pela manhã. Uma cena, que aconteceu com os apóstolos por duas vezes. Então o Sumo Sacerdote, Caifás, representante máximo da religião judaica, pergunta a Estevão: “Porventura são verdadeiras estas acusações contra ti?” (At 7.1). Sozinho diante de uma turba religiosa, sendo acusado por testemunhas falsas, Estevão, com todo coragem e cheio do Espírito Santo anunciou o que estavam em seu coração e o que lhe movia, lhe enchia de esperança. 

Ele começa falando sobre a chamada de Abraão, em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia. Deus chamou Abraão, tirou de uma terra onde adoravam vários deuses e lhe chamou para terra prometida. Saiu com seu pai, seu sobrinho Ló e passaram algum tempo em Harã, na Siria. Depois da morte de seu pai, Abraão prosseguiu até Canaã. Deus lhe deu a promessa de um filho, da sua descendência e que abençoaria todas as famílias da terra. Sim, Isaque nasceu depois de 25 anos, e Abraão estava com 100 anos! Isaque foi pai de Jacó, que passou a ser chamado Israel. Jacó teve 12 filhos que se tornaram as doze tribos de Israel. 


Em seguida, fala de José, filho de Jacó e toda injustiça que seus irmãos cometeram contra ele; colocando-o num poço e depois vendendo para o Egito como escravo. Mas no Egito “Deus estava com ele” (At 7.9), tornou-se governador do Egito, somente abaixo de Faraó. Em Canaã havia fome, os irmãos de José foram para o Egito em busca de comida; lá se José se apresenta aos seus irmãos e todos vão para o Egito e são instalados na terra de Gósen, um lugar frutífero. 

Depois da morte de José, o povo de Israel torna-se escravo e viveram escravos por quatrocentos anos. O Senhor levantou Moisés (chamou Moisés na sarça ardente) para libertar o povo da escravidão de seus captores e conduzi-los à terra que ele havia prometido a Abrãao. Mas, os israelitas, deixaram o cativeiro arrastando os pés, carregando consigo os ídolos que adoravam no Egito, murmurando com Moisés e até construindo ídolos (Moloque, Renfã, etc) pelo caminho. Mesmo assim, o Senhor, continuou a proteger e prover para o seu povo, levando-o a terra que havia prometido, terra que mana leite e mel. 

E mais, Deus levou seu povo a Canaã, sobre a direção de Josué, deu-lhes capacidade de conquistar os habitantes daquela terra e os ajudou a se estabelecer na terra, vencendo a maioria dos inimigos. Durante esse tempo, Moisés prometeu a Israel um profeta (Dt 18.15), um homem entre eles que seria porta voz e representante de Deus – o Messias.

Por fim, Estevão fala de Davi e Salomão. O período mais importante da história de Israel. Davi, homem segundo o coração de Deus, escolhido por Deus para ser o rei de Israel. Em seguida, vem seu filho Salomão, que reinou por quarenta anos, em seu reinado construiu o templo, a casa do Senhor, para abrigar a arca do concerto, o local da presença, da Shekiná. Mas, o Senhor não está limitado a um templo: “O céu é o meu trono, e a terra é o suporte dos meus pés...acaso não foram minhas mãos que criaram o céu e a terra?” (At 7.49-50). 

Agora, Estevão se dirige aos religiosos que estavam com uma sentença de morte contra ele: “Povo teimoso! Voces tem o coração incircuncidado e são surdos para a verdade. Resistirão para sempre ao Espirito Santo” (At 7.51). “...povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos”. “Que profetas seus antepassados não perseguiram? Mataram até aqueles que predisseram avinda do Justo, a quem vocês traíram e assassinaram!” (At 7.52-53). Quando foram confrontados com o pecado, enfureceram ao invés de se arrependerem “enfureceram com a acusação de Estevão e rangiam os dentes contra ele” (At 7.54). 

O contraste é que diante do ódio deles, diz o texto: “Mas Estevão, cheio do Espirito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus. Olhem, disse ele: vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé no lugar de honra, à direita de Deus” (Atos 7.55-56). Pela quarta vez, Lucas descreve Estevão como estando completamente cheio do Espirito Santo. A primeira vez foi quando escolheram para o diaconato (At 6.3), a segunda vez, na relação dos nomes, o único adjetivado foi Estevão “...homem cheio de fé e do Espirito Santo” (At 6.5), na terceira vez, quando fala que Estevão realizava milagres e sinais e era cheio do Espirito Santo. E, por fim, diante dos seus acusadores, estava cheio do Espirito Santo. 

Conclusão

Enquanto os homens lançavam pedras, Estevão orou: “Senhor Jesus recebe o meu espírito. Então caiu de joelhos e gritou: Senhor, não os culpes por este pecado! E, com isso, adormeceu” (At 7.59). A história não terminou, pois fala de um personagem chamado Saulo, que estava presente nesse momento e os homens que mataram Estevão “tiraram os mantos e os deixaram aos pés de um jovem chamado Saulo” (At 7.58).

Saulo, depois Paulo. O pupilo de Gamaliel, parece que Saulo estava envolvido nessa história, participou ativamente para que Estevão morresse. Ele não atirou pedras sobre o acusado, mas guardou os mantos dos que atiravam. Enquanto atiravam pedras em Estevão, Saulo percebeu uma força sobrenatural, que vinha de dentro, para resistir àquelas pedradas. Na hora da morte, Estevão estava cheio do Espírito Santo e vendo o céu aberto sobre a sua cabeça e pediu que Deus tivesse misericórdia dos seus acusadores. Que Deus tivesse misericórdia de Saulo. 


 

domingo, 31 de maio de 2026

 O que falar do inferno? Lc 16.19-26 

O que falar sobre o inferno? Uma pesquisa foi feita junto com pessoas a respeito desse tema e o resultado é: de 100 cem pessoas, 49% não acreditam em vida após a morte; 23% acreditam em alguma coisa, qualquer coisa; 7% acreditam na reencarnação e somente 19% acreditam que existe céu e inferno.

E mais, um historiador procurou sobre o tema inferno em várias bibliotecas e não encontrou nenhum livro sobre esse tema. Aliás, em nossos púlpitos não se prega mais sobre o inferno.  “O inferno”, disse o historiador, “desapareceu e ninguém percebeu”. Enfim, o inferno causa resistência em muitas pessoas.

Um ator americano foi perguntado sobre o céu e o inferno, ele respondeu: “sou ateu, estou muito tranquilo quanto a isso”. Angelie Jolie, disse: “Não há necessidade de acreditar nisso”. O Cantor Chico Buarque afirmou: “eu perdi a fé”. E, por fim, Brad Pitt, diante dessa pergunta disse: “Eu sou 20% por cento ateu, 80% agnóstico, acredito numa força superior, mas ninguém sabe ao certo. Você vai descobrir quando morrer, até lá é inútil pensar sobre isso”.

1)     Uma história

Mas o texto bíblico prova que o inferno existe. O evangelista Lucas fala de um homem rico “que se vestia de purpura” e “linho finíssimo”. Todos os dias ele se regalava esplendidamente. Todos os dias havia um banquete onde se alimentava com toda sua família (UM IMENSO BANQUETE).

Agora, temos, um segundo personagem, Lazaro. Ele era mendigo, todo coberto de chagas, com certeza o corpo fedido, com certeza ninguém gostava de ficar perto dele; vivia pedindo esmola na casa do homem rico, alimentando das sobras, ou, das migalhas que caiam da sua mesa.

O texto diz que os dois morreram. Lazaro morreu e foi levado pelos anjos dos céus, ao paraiso, ao seio de Abraão. Enquanto o rico morreu e tivera um sepultamento suntuoso, onde toda sociedade compareceu.

Contudo, depois dessa vida, cada um foi levado para um lugar. O rico foi levado para o Hades, enquanto Lazaro fora conduzido ao seio de Abraão. Em outras palavras, o inferno existe e é um local geográfico, enquanto que o céu existe e é também é geográfico. Jesus disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas...vou preparar-vos um lugar” (Jo 14.2). O inferno, também é um local, não um estado de espírito, mas um lugar real povoado por seres físicos.

Abraão, estando no paraíso, disse ao homem rico, no tormento: “Está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá” (Lc 16.26). Portanto, não dá para sair do inferno para passar as férias no céu.

1)     O que é o inferno

Primeiro, Jesus foi quem mais falou sobre a existência do inferno. Um terço dos seus ensinos se referem ao juízo eterno e ao inferno. Dois terços de suas parábolas estão relacionadas à ressureição e ao inferno. Vejam o resumo do evangelho: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que Deus o seu filho unigênito para que todo aquele que crê não PEREÇA...” (Jo 3.16). Jesus não era cruel ou caprichoso, mas contundente, verdadeiro. Sua sinceridade é impressionante.

Ele fala concretamente: “Temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10.28). Nessa parábola do Rico e o Lazaro cita um homem suplicando para que lazaro “molhe na água a ponta do seu dedo e refresque sua língua” (Lc 16.24). Palavras como corpo, dedo e língua pressupõem um estado físico no qual a garganta anseia por água e a pessoa implora por alivio – alivio físico. O inferno é um lugar de tormento, de desolação, de desespero.

Dante Aliguiere, em sua “Divina Comédia”, quando o viajante chega diante do inferno, tem um dizer em cima: “Abandonem a esperança, todos vós que por aqui entrais”.

O inferno é um sofrimento infinito. O apostolo João afirmou: “E a fumaça do seu tormento sobe para todo sempre; e não tem repouso, nem de dia nem de noite” (At 14.11). Jesus fala que o inferno é “pranto e ranger dos dentes” (Mt 8.12). Jesus fala que o inferno é o lugar onde o “bicho não morre, e fogo nunca se apaga” (Mc 9.48). Sim, o bicho não morre e o fogo não se apaga – o texto fala sobre a consumação contínua de algo. E, também, Jesus fala de pecadores sendo “lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mc 8.12).

Fogo, trevas, enxofre, e fumaça são apenas uma tentativa débil de descrever a realidade muito mais aterrorizante do que qualquer uma destas palavras possa comunicar.

O inferno é o lar escolhido dos insurretos, prisão perpetua dos descontentes. O inferno está reservado, não para aquelas almas que buscam a Deus, mas para aquelas que desafiam a Deus e se rebelam, preferem viver suas vidas longe de Deus e de sua Palavra. O Salmista diz: “Diz o insensato no seu coração: não há Deus. Todos são corruptos e as coisas que eles fazem são nojentas ....” (Sl 14.1).

O inferno é ausência de Deus. Sim, apesar de todo sofrimento neste mundo, mas a presença de Deus está espalhada por todos os cantos. Vê-se a presença de Deus na natureza, nos animais, nos pássaros, nos homens, nas mulheres, nas crianças, etc. Mas, no final, não haverá a presença de Deus manifestada, haverá angustia, tristeza, pesar, solidão, medo, remorso, ressentimento, inquietude, lamentos, lamurias por aquilo que devia ter feito e não fez. No inferno, não tem festa, alegria, bebedeira, mulheradas ou homens, prazeres, sexo. Nada disso, mas somente lamento, lamento infinito.

Conclusão

O apostolo João exorta: “...Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo” (Jo 3.17). Jesus morreu na cruz, para nos salvar, nos libertar da condenação eterna. O amor de Deus é imensurável, é mais fácil você colocar o Oceano Pacifico em uma jarra do que descrever o sacrifico de Jesus por nós. Jesus morreu, ressuscitou, e está assentado à direita de Deus Pai. Ele venceu e tem as chaves da morte e do inferno.

terça-feira, 26 de maio de 2026

 Crise na igreja Atos 6.1-7 

A igreja em Atos é cheia do Espirito Santo, é ousada, destemida, de oração. Foi intimada pelas autoridades religiosas para não falar no Nome de Jesus, mas não cedeu. Enfrentou crise interna, Ananias e Safira, tentaram dissimular uma doação, mas experimentaram o juízo de Deus. Novamente, são perseguidos e presos pelo Sinédrio, mas foram soltos pelo anjo do Senhor. Era uma igreja que crescia, no começo era 120 discípulos, depois passou para três mil pessoas e outros cinco mil confessaram Jesus como Messias, Salvador.

A igreja de Atos era uma “chama que se espalha”, como um fogo que se espalha pelo campo. No começo não havia constituição, organização, estatuto etc., mas, somente a presença do Espírito Santo para mantê-la forte, coesa e na direção certa.

1)     Perigo à vista

Diz-nos o texto: “Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número de discípulos, houve murmuração” (ARA), uma “queixa”, é a mesma palavra usada para expressar a murmuração dos israelitas contra Moisés no deserto (Ex 16.7). E o som da palavra murmuração, ou queixa, sugere zumbir das abelhas, ou, quando milhares de aves voam juntas (imagina milhares de periquitos voando juntos!) Estava acontecendo um tumulto no meio da comunidade cristã e estava colocando em risco a comunhão da igreja de Jesus Cristo. 

Quem estava murmurando? “...houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus” (ARC), ou “...dos helenistas contra os hebreus” (NAA), uma outra tradução diz: “...os judeus de fala grega murmuravam contra os judeus de fala hebraica” (NVI). A igreja era constituída de judeus nativos e judeus vindo da dispersão, chamados de helenistas. Até agora, a igreja ainda era totalmente judia, estavam anunciando o evangelho em Jerusalém, conforme a ordem de Jesus. 

Os helenistas vinham de diversos lugares e tinham estabelecido na Palestina e falavam grego (koiné) e traziam muito da cultura grega em sua maneira de ser, por exemplo, o apostolo Paulo era um helenista, pois crescera em Tarso. No entanto, eram seguidores de Cristo. Os judeus hebreus eram nativos da Palestina, nasceram ali, viveram ali durante todo tempo. Eram tradicionalmente judeus em seu modo de vida, em sua vestimenta e costumes. Seguiam a lei de Moisés e eram recém-convertidos ao cristianismo.

O que estava acontecendo na igreja? “...porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária” (ARA), ou “...porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano” (ARC) e mais uma: “...porque as viúvas estavam sendo discriminadas na distribuição diária de comida” (a Mensagem). Essas três versões asseveram que as viúvas helenistas estavam sendo “esquecidas, desprezadas e discriminadas”, pela igreja primitiva. Ou seja, estavam beneficiando as viúvas nativas  e desprezando as viúvas helenistas. Desprezar é tratar algo ou alguém com indiferença, desdém e falta de consideração. 

Nesses dias da igreja primitiva, muitas pessoas carentes se juntaram à igreja e para cuidar de suas necessidades básicas, a igreja, através de generosidade de homens como Barnabé (At 4.36-37), compravam alimentos, preparava-os e servia-os em cestas ou em mesas aos necessitados. E ninguém precisava de mais ajuda do que as viúvas, muitas eram abandonadas pelos familiares e muitas morriam de fome. As viúvas idosas não podiam ter filhos nem suportar trabalhos forçados. Enquanto, que as viúvas nativas estavam sendo assistidas.

Portanto, alguns judeus helenistas, murmuravam que suas viúvas haviam sido negligenciadas na distribuição de alimentos, sugerindo sutilmente que o viés cultural era o culpado, ou seja, somente pelo fato de serem viúvas helenistas! Em outras palavras, os cristãos de língua hebraica e os de língua grega estavam divididos em dois grupos separados.

2)     O que fazer?

“E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas” (At 6.2). Os apóstolos não trataram com indiferença a murmuração dos helenistas, mas convocou a igreja para resolver essa situação. O evangelista Moody costumava dizer: “É melhor colocar dez homens para trabalhar do que tentar fazer o trabalho de dez homens”. A tarefa prioritária, principal dos apóstolos de Jesus, era pregar a Palavra de Deus. Ministério não somente está relacionado com o presbitério e pastorado, mas tudo que acontece na igreja é ministério. Tem o ministério da mocidade, ministério dos diáconos, ministério de adoração, ministério da oração, ministério da escola dominical, ministério do círculo de oração, ministério infantil etc. 

Quando o pastor quer fazer tudo na igreja, além de pregar e ensinar, torna-se superatarefados com a igreja e as consequências são terríveis. O nível de pregação e do ensino caem, já que o pastor tem pouco tempo para se dedicar ao estudo e à oração. Por essa razão, a igreja é impedida de chegar à maturidade em Cristo.

“Todos os cristãos, sem exceção, sendo seguidores daquele que veio “não para ser servido, mas para servir”, são chamados para ministrar, ou melhor, para darem suas vidas em ministério” (John Sttot).

“Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, e os encarregaremos desta tarefa” (At 6.3). Os apóstolos deram a responsabilidade para igreja escolher. “Escolher” significa “observar por inspeção e exame”. A igreja deveria olhar para as responsabilidades exigidas e achar homens capacitados que pudessem dar conta da responsabilidade. Não podia ser qualquer um para servir à mesa, mas que tivessem bom testemunho, cheios do Espírito Santo e cheio de sabedoria. Testemunho fala da nossa vida pública; cheio do Espirito Santo é batizado com Espírito Santo e tivesse sabedoria do alto, do céu. 


Tal proposta agradou a todos. Então, escolheram Estevão, homem cheio de fé e do Espirito Santo, além de filipe, Prócoro, Nicanor, timom, Pármenas e Nicolau, que havia se convertido do judaísmo e era proveniente de Antioquia” (At 6.5). Todos os nomes têm uma entonação grega, são nomes helenísticos. Nicolau é chamado expressamente de prosélito de Antioquia, mais tarde se torna numa igreja missionária. Ele não era judeu, era um prosélito, que havia se tornado cristão. Os mais conhecidos são:  Filipe que pregou em Samaria a palavra de Deus e muitos milagres eram realizados; e Estevão, um diácono cheio do Espírito Santo, com muita sabedoria e morreu por causa do Nome de Jesus.

“Apresentaram esses homens aos apóstolos, os quais oraram e lhes impuseram as mãos” (At 6.5). A prática de “imposição de mãos” remonta aos primórdios do povo hebreu. O gesto simboliza a passagem de alto intangível de uma pessoa para outra, como benção (Gn 48.14). A igreja do Novo Testamento adotou como um meio de comissionar alguém para a realização de uma tarefa específica. Ananias impôs as mãos sobre Saulo, e voltou a enxergar (At 9.17); em Antioquia o Espírito Santo chamou Barnabé e Saulo para a obra missionária “...impuseram as mãos sobre eles e os enviaram em sua missão” (At 13.3). 

Conclusão

E crescia a Palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (At 6.7). os dois verbos “crescia” e “multiplicava” estão no tempo imperfeito, indicando que o crescimento da palavra  e a multiplicação da igreja eram contínuos. Muitos sacerdotes estavam seguindo a fé cristã, isso significa que o evangelho é o poder de Deus, que invade as fileiras do inimigo.

Quanto maior o alcance da palavra, maior é o crescimento da igreja. a palavra é o principal instrumento usado por Deus para levar sua igreja ao crescimento espiritual e numérico. Sempre que a palavra de Deus for anunciada com fidelidade e poder, a igreja cresceu. Lucas faz questão de relatar o crescimento da igreja, oferecendo-nos estáticas:

Atos 1.15: 120 pessoas

Atos 2.41: quase três mil pessoas

Atos 4.4: quase cinco mil pessoas

Atos 5.14: E crescia mais e mais a multidão de crentes

Atos 6.1: Multiplica-se o numero dos discipulos

Atos 6.7: Crescia a Palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o numero dos discipulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.

Atos 9.31: a igreja crescia em numero

Atos 16.5: as igrejas aumentavam em numero.