terça-feira, 9 de junho de 2026

 Filipe em Samaria At 8.1-13 

O capitulo 8 verso 1, diz: “Saulo estava ali, consentindo na morte de Estevão”. Este versículo é um ponto de mudança entre a história da expansão da igreja em Jerusalém e a expansão da igreja para além das muralhas das cidades. “Naquele mesmo dia a igreja de Jerusalém começou a sofrer com grande perseguição” (At 8.1). Mas a perseguição é como um vento em relação à semente: apenas a espalha.

1)     Perseguição

O evangelista Lucas relata que Saulo assolava a igreja (At 8.3). O mesmo Saulo que guardou as vestes dos religiosos que mataram Estevão (At 7.58) e consentiu na sua morte. Agora, Saulo, assola a igreja. O verbo “assolar” descreve um animal selvagem despedaçando a vítima; uma crueldade sádica e violenta. A palavra no grego se aplica a um javali que invade uma vinha, uma plantação, para arruiná-la; ou, uma fera selvagem que salta sobre uma presa para devorá-la. 


Saulo, tinha sangue nos olhos, não poupava nem as mulheres, também as lançava em prisões. Ele buscava a prisão e a morte de suas vítimas em Jerusalém e fora dela. Devastava e assolava a igreja, exterminando os que invocam o nome de Jesus (At 9.21); forçando-os a blasfemar por meio de tortura, encerrava-os nas prisões e dava o seu voto quando os matavam (At 26.9-11). 

A perseguição não é um acidente de percurso, mas uma agenda. A primeira etapa do plano de Deus compreendeu a chegada do Espírito Santo, o batismo com Espirito Santo que veio no dia de Pentecostes. “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espirito Santo e ser-me-eis testemunhas...” (Atos 1.8). Os discípulos estavam testemunhando em Jerusalém. Com a perseguição, “...todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria” (At 8.1). 

A palavra traduzida como “dispersos” é o termo usado para indicar “sementeira, semeadura, espalhar sementes”. A perseguição faz com a igreja aquilo que o vento faz com a semente, espalhando-a e aumentando a colheita. Os cristãos em Jerusalém eram as sementes de Deus, e a perseguição foi usada por Deus para plantá-los em nosso solo, a fim de que dessem frutos. Daí nasceu o provérbio, no período da perseguição: “O sangue dos mártires é a sementeira da igreja”.

Portanto, a perseguição tornou-se o elemento catalisador da segunda fase da igreja: “Judeia e Samaria” (At 1.8). A medida que os discípulos se espalhavam pela região da “Judeia e Samaria”, continuavam a anunciar Jesus ressuscitado como o Messias de Israel, o Salvador do Mundo. O diabo pensou que fosse parar a igreja, com a morte de Estevão, mas o efeito se deu ao contrário. A igreja, ao invés de desanimar, parar, estacionar, começou a espalhar o evangelho em outros lugares. 

Sim, “o vento aumenta a chama”. Na China, em 1949, quando o governo foi derrotado pelos comunistas. 637 missionários da Missão para o Interior da China foram obrigados a deixar o país. Parecia um desastre total. Dentro de quatro anos, 286 deles foram trabalhar no Japão e no Sudoeste da Asia, enquanto que os cristãos chineses, mesmo sob severa perseguição, começaram a se multiplicar e agora perfazem um numero trinta ou quarenta vezes maior do que existente quando os missionários saíram.

2)     Filipe

Filipe foi a uma cidade de Samaria e ali anunciava o Cristo”. Samaria era um território odiado pelos judeus. Pois, os samaritanos eram etnicamente contaminados, religiosamente confusos e moralmente corrompidos. Os habitantes dessa região se casaram com gentios e estabeleceram seu próprio templo no Monte Gerizim e tinham seu pentateuco particular. Mas, nada disso, impediu Filipe de pregar o evangelho em Samaria. Deus tem um coração missionário que bate pelo mundo todo. Ele não vê mestiços, ele não vê gentios. Ele vê pessoas perdidas precisando de resgate. 

Os cristãos são sementes de Deus, e a perseguição foi usada por Deus para plantá-los em novo solo, em nova terra, a fim de que dessem frutos. A evangelização não é um programa, mas um estilo de vida. Aonde você vai, o evangelho vai com você, lhe acompanha. No trabalho, nas ruas, no mercado, nas faculdades, nas praças da cidade, em todo lugar.  O projeto de Deus é o evangelho todo, por toda igreja, a todo mundo, a cada criatura, em cada geração: “...os que foram dispersos iam por toda parte pregando (Kerysso) a Palavra” (At 8.4).

Dos sete diáconos nomeados pelos apóstolos para cuidarem da distribuição dos alimentos às viúvas, Estevão e Filipe são os únicos cujas atividades foram narradas por Lucas. Ambos eram judeus helenistas, ou sejam, falavam o grego e pregavam o evangelho de Cristo. Estevão se dedicou aos judeus helenistas em Jerusalém; Filipe foi a Samaria. Filipe não era apostolo, era diácono, separado para servir à mesa, mas sobretudo um ganhador de almas.

Não pode haver evangelização sem evangelho uma vez que a evangelização pressupõe as boas novas de Jesus Cristo. O grande esportista e missionário Calos Studd disse: “Se Jesus Cristo é Deus e ele deu sua vida por mim, nada é sacrificial demais que eu possa fazer por ele”. 

Quando a multidão ouviu Filipe e vi os sinais milagrosos que ele realizava, deu atenção unânime ao que ele dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia....os espíritos imundos saiam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade” (At 8.6-8). A pregação não consiste somente em palavras, mas deve ser uma demonstração do Espirito e do poder. A pregação é lógica em fogo. É a proclamação do evangelho, e o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.

As pessoas não apenas ouviam dele belas palavras, mas também viam grandes prodígios e maravilhas: endemoninhados libertados, paralíticos e coxos curados e muita alegria. Hoje há gigantes do saber nos púlpitos, mas anões na demonstração do poder. Os samaritanos foram libertados de aflições físicas, controle demoníaco, pecados. O evangelho produziu salvação, libertação e alegria. Antonio Vieira pergunta: “Se a boa semente produz a trinta, sessenta e cem por um, por que hoje a semente não produz nem a um por cento? É que hoje a igreja prega apenas aos ouvidos, mas não aos olhos!” 

E estava ali um certo homem chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica e tinha iludido a gente de Samaria, dizendo que era um grande personagem...”. Simão era um mago de Samaria que se tornara um especialista em artes mágicas. Ele tinha “poder sobrenatural”, mas era algo vindo dos demônios, vindo do mal. Ele atendia a todos em Samaria “desde o menor até o maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus”. Ele era cultuado por todos em Samaria, pessoas saiam de Roma para ser atendido por ele e, até uma estatua ergueu-se em sua honra. No fim do segundo século, Irineu apresentou como “glorificado pelos homens como se fosse um deus”. 

Conclusão

Filipe os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, depois criam. Eles creram no evangelho de Filipe, muito mais, se converteram ao evangelho, mudança de vida em Cristo. Uma nova criatura. Em seguida “iam sendo batizados, assim como homens como mulheres”. E diz: “E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito” (At 8.13).

Há quatro derramamentos do Espirito Santo no livro de Atos dos Apostolos: o primeiro, sobre os judeus, em Jerusalém (Atos 2); o segundo, sobre os samaritanos (Atos 8); o terceiro, sobre a casa de Cornelio (Atos 10); e quarto, sobre os gentios em Efesios (At 19). Sobre esses quatro grupos o Espirito Santo foi derramado, mostrando a universalidade do evangelho. 


 

terça-feira, 2 de junho de 2026

 A vida no fio da navalha Atos 6.8, 7. 

A expressão “fio da navalha” é uma metáfora para situações perigosas, arriscadas. Estevão (coroa) fora separado para ser diácono para servir o corpo de Cristo, servir à mesa. Mas, ele ia além desse ministério, era um pregador da Palavra de Deus. O texto diz: “Estevão, homem cheio da graça e do poder de Deus, realizava grandes maravilhas e sinais no meio do povo”. (At 6.8). Jesus, em seu ministério, realizou grandes sinais e maravilhas; os apóstolos, realizavam grandes sinais e maravilhas no meio do seu povo.

Mas, agora, está falando que um diácono, chamado para servir à mesa, estava em nome de Jesus, no poder de Jesus,  fazendo prodígios. Estevão era corajoso, destemido e testemunhava da sua fé nas sinagogas de Jerusalém. Por causa disso, ele é perseguido e morto, por testemunha de sua fé. Em países da Africa, da Asia, muitos cristãos estão morrendo por causa de sua fé em Cristo Jesus. Atualmente, a Nigéria, está perseguido e matando muitos cristãos. Na India, cristãos são perseguidos e igrejas são queimadas. Todas vivendo no fio da navalha da fé. 

1)     Estevão

Estevão não veio de uma longa linhagem de grandes pregadores, nem de sacerdotes. Na verdade, nada sabemos muito sobre o seu passado. Mas, que foi escolhido pelo povo para ser diácono, para fazer parte do corpo diaconal da igreja de Jerusalém. Com fé, Estevão submeteu-se à direção do Espirito Santo e trabalhou para servir à igreja. Este é o tipo de cristão fiel que Deus ama usar para fazer grandes coisas. Estevão levou sua fé a sério e cedeu ao controle do Espirito Santo. O texto diz que ele era: “...cheio de graça e de poder” (At 6.8). Sendo cheio de graça e de poder, fora capaz de realizar prodígios e maravilhas no meio do povo. 

Contudo”, diz o texto, “levantou-se oposição dos membros da chamada sinagoga dos libertos” (Atos 6.9). “Libertos” eram ex-escravos que haviam comprado sua liberdade ou foram libertados. Eram judeus helenistas que vieram de diversos lugares ao longo do arco do mediterrâneo. Vieram de Cirene e Alexandria, norte da Africa; Cilicia, Norte da Antioquia e da Asia, mais ao leste da Europa. A sinagoga era o local para adoração e ensino, mas também um local para discutir teologia. 

Esses homens, esses “judeus libertos”, “começaram a discutir com Estevão mas não podiam resistir à sabedoria e ao espirito com que ele falava”.  Estevão era homem de Deus, era cheio do Espirito Santo e cheio da sabedoria de Deus, cheio de conhecimento. Os argumentos de Estevão eram persuasivos em favor da fé em Jesus Cristo. Ele usava as Escrituras do Antigo Testamento para convencer os outros judeus da messianidade de Jesus Cristo. Era um apologista da fé cristã.

Então, não tendo vantagem sobre Estevão, esses judeus “...subornaram alguns outros homens para o caluniarem: nós temos ouvido palavras ultrajantes contra Moisés e contra Deus (Atos 6.11 BKJ). Ele foi acusado de duas coisas: falava contra o templo religioso (“este lugar santo”) e blasfemava contra a lei de Moisés. Interessante, que são as mesmas acusações que levaram Jesus para a morte de cruz! Mas, nessas acusações, havia um elemento de verdade: Jesus veio para “...mudar os costumes que Moisés nos deixou” (At 6.14).

Enquanto era acusado por falsas testemunhas, os homens fixaram o rosto “...em Estevão, viram que o seu rosto parecia como o rosto de um anjo” (At 6.15). Da mesma forma que o rosto de Moisés iluminava quando falava com Deus e que precisava de um véu, assim, o rosto de Estevão brilhava diante de seus acusadores.

2)     A defesa de Estevão

Diante do Sinédrio, todos os anciãos, quase setenta homens, Estevão é colocado pela manhã. Uma cena, que aconteceu com os apóstolos por duas vezes. Então o Sumo Sacerdote, Caifás, representante máximo da religião judaica, pergunta a Estevão: “Porventura são verdadeiras estas acusações contra ti?” (At 7.1). Sozinho diante de uma turba religiosa, sendo acusado por testemunhas falsas, Estevão, com todo coragem e cheio do Espírito Santo anunciou o que estavam em seu coração e o que lhe movia, lhe enchia de esperança. 

Ele começa falando sobre a chamada de Abraão, em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia. Deus chamou Abraão, tirou de uma terra onde adoravam vários deuses e lhe chamou para terra prometida. Saiu com seu pai, seu sobrinho Ló e passaram algum tempo em Harã, na Siria. Depois da morte de seu pai, Abraão prosseguiu até Canaã. Deus lhe deu a promessa de um filho, da sua descendência e que abençoaria todas as famílias da terra. Sim, Isaque nasceu depois de 25 anos, e Abraão estava com 100 anos! Isaque foi pai de Jacó, que passou a ser chamado Israel. Jacó teve 12 filhos que se tornaram as doze tribos de Israel. 


Em seguida, fala de José, filho de Jacó e toda injustiça que seus irmãos cometeram contra ele; colocando-o num poço e depois vendendo para o Egito como escravo. Mas no Egito “Deus estava com ele” (At 7.9), tornou-se governador do Egito, somente abaixo de Faraó. Em Canaã havia fome, os irmãos de José foram para o Egito em busca de comida; lá se José se apresenta aos seus irmãos e todos vão para o Egito e são instalados na terra de Gósen, um lugar frutífero. 

Depois da morte de José, o povo de Israel torna-se escravo e viveram escravos por quatrocentos anos. O Senhor levantou Moisés (chamou Moisés na sarça ardente) para libertar o povo da escravidão de seus captores e conduzi-los à terra que ele havia prometido a Abrãao. Mas, os israelitas, deixaram o cativeiro arrastando os pés, carregando consigo os ídolos que adoravam no Egito, murmurando com Moisés e até construindo ídolos (Moloque, Renfã, etc) pelo caminho. Mesmo assim, o Senhor, continuou a proteger e prover para o seu povo, levando-o a terra que havia prometido, terra que mana leite e mel. 

E mais, Deus levou seu povo a Canaã, sobre a direção de Josué, deu-lhes capacidade de conquistar os habitantes daquela terra e os ajudou a se estabelecer na terra, vencendo a maioria dos inimigos. Durante esse tempo, Moisés prometeu a Israel um profeta (Dt 18.15), um homem entre eles que seria porta voz e representante de Deus – o Messias.

Por fim, Estevão fala de Davi e Salomão. O período mais importante da história de Israel. Davi, homem segundo o coração de Deus, escolhido por Deus para ser o rei de Israel. Em seguida, vem seu filho Salomão, que reinou por quarenta anos, em seu reinado construiu o templo, a casa do Senhor, para abrigar a arca do concerto, o local da presença, da Shekiná. Mas, o Senhor não está limitado a um templo: “O céu é o meu trono, e a terra é o suporte dos meus pés...acaso não foram minhas mãos que criaram o céu e a terra?” (At 7.49-50). 

Agora, Estevão se dirige aos religiosos que estavam com uma sentença de morte contra ele: “Povo teimoso! Voces tem o coração incircuncidado e são surdos para a verdade. Resistirão para sempre ao Espirito Santo” (At 7.51). “...povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos”. “Que profetas seus antepassados não perseguiram? Mataram até aqueles que predisseram avinda do Justo, a quem vocês traíram e assassinaram!” (At 7.52-53). Quando foram confrontados com o pecado, enfureceram ao invés de se arrependerem “enfureceram com a acusação de Estevão e rangiam os dentes contra ele” (At 7.54). 

O contraste é que diante do ódio deles, diz o texto: “Mas Estevão, cheio do Espirito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus. Olhem, disse ele: vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé no lugar de honra, à direita de Deus” (Atos 7.55-56). Pela quarta vez, Lucas descreve Estevão como estando completamente cheio do Espirito Santo. A primeira vez foi quando escolheram para o diaconato (At 6.3), a segunda vez, na relação dos nomes, o único adjetivado foi Estevão “...homem cheio de fé e do Espirito Santo” (At 6.5), na terceira vez, quando fala que Estevão realizava milagres e sinais e era cheio do Espirito Santo. E, por fim, diante dos seus acusadores, estava cheio do Espirito Santo. 

Conclusão

Enquanto os homens lançavam pedras, Estevão orou: “Senhor Jesus recebe o meu espírito. Então caiu de joelhos e gritou: Senhor, não os culpes por este pecado! E, com isso, adormeceu” (At 7.59). A história não terminou, pois fala de um personagem chamado Saulo, que estava presente nesse momento e os homens que mataram Estevão “tiraram os mantos e os deixaram aos pés de um jovem chamado Saulo” (At 7.58).

Saulo, depois Paulo. O pupilo de Gamaliel, parece que Saulo estava envolvido nessa história, participou ativamente para que Estevão morresse. Ele não atirou pedras sobre o acusado, mas guardou os mantos dos que atiravam. Enquanto atiravam pedras em Estevão, Saulo percebeu uma força sobrenatural, que vinha de dentro, para resistir àquelas pedradas. Na hora da morte, Estevão estava cheio do Espírito Santo e vendo o céu aberto sobre a sua cabeça e pediu que Deus tivesse misericórdia dos seus acusadores. Que Deus tivesse misericórdia de Saulo. 


 

domingo, 31 de maio de 2026

 O que falar do inferno? Lc 16.19-26 

O que falar sobre o inferno? Uma pesquisa foi feita junto com pessoas a respeito desse tema e o resultado é: de 100 cem pessoas, 49% não acreditam em vida após a morte; 23% acreditam em alguma coisa, qualquer coisa; 7% acreditam na reencarnação e somente 19% acreditam que existe céu e inferno.

E mais, um historiador procurou sobre o tema inferno em várias bibliotecas e não encontrou nenhum livro sobre esse tema. Aliás, em nossos púlpitos não se prega mais sobre o inferno.  “O inferno”, disse o historiador, “desapareceu e ninguém percebeu”. Enfim, o inferno causa resistência em muitas pessoas.

Um ator americano foi perguntado sobre o céu e o inferno, ele respondeu: “sou ateu, estou muito tranquilo quanto a isso”. Angelie Jolie, disse: “Não há necessidade de acreditar nisso”. O Cantor Chico Buarque afirmou: “eu perdi a fé”. E, por fim, Brad Pitt, diante dessa pergunta disse: “Eu sou 20% por cento ateu, 80% agnóstico, acredito numa força superior, mas ninguém sabe ao certo. Você vai descobrir quando morrer, até lá é inútil pensar sobre isso”.

1)     Uma história

Mas o texto bíblico prova que o inferno existe. O evangelista Lucas fala de um homem rico “que se vestia de purpura” e “linho finíssimo”. Todos os dias ele se regalava esplendidamente. Todos os dias havia um banquete onde se alimentava com toda sua família (UM IMENSO BANQUETE).

Agora, temos, um segundo personagem, Lazaro. Ele era mendigo, todo coberto de chagas, com certeza o corpo fedido, com certeza ninguém gostava de ficar perto dele; vivia pedindo esmola na casa do homem rico, alimentando das sobras, ou, das migalhas que caiam da sua mesa.

O texto diz que os dois morreram. Lazaro morreu e foi levado pelos anjos dos céus, ao paraiso, ao seio de Abraão. Enquanto o rico morreu e tivera um sepultamento suntuoso, onde toda sociedade compareceu.

Contudo, depois dessa vida, cada um foi levado para um lugar. O rico foi levado para o Hades, enquanto Lazaro fora conduzido ao seio de Abraão. Em outras palavras, o inferno existe e é um local geográfico, enquanto que o céu existe e é também é geográfico. Jesus disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas...vou preparar-vos um lugar” (Jo 14.2). O inferno, também é um local, não um estado de espírito, mas um lugar real povoado por seres físicos.

Abraão, estando no paraíso, disse ao homem rico, no tormento: “Está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá” (Lc 16.26). Portanto, não dá para sair do inferno para passar as férias no céu.

1)     O que é o inferno

Primeiro, Jesus foi quem mais falou sobre a existência do inferno. Um terço dos seus ensinos se referem ao juízo eterno e ao inferno. Dois terços de suas parábolas estão relacionadas à ressureição e ao inferno. Vejam o resumo do evangelho: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que Deus o seu filho unigênito para que todo aquele que crê não PEREÇA...” (Jo 3.16). Jesus não era cruel ou caprichoso, mas contundente, verdadeiro. Sua sinceridade é impressionante.

Ele fala concretamente: “Temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10.28). Nessa parábola do Rico e o Lazaro cita um homem suplicando para que lazaro “molhe na água a ponta do seu dedo e refresque sua língua” (Lc 16.24). Palavras como corpo, dedo e língua pressupõem um estado físico no qual a garganta anseia por água e a pessoa implora por alivio – alivio físico. O inferno é um lugar de tormento, de desolação, de desespero.

Dante Aliguiere, em sua “Divina Comédia”, quando o viajante chega diante do inferno, tem um dizer em cima: “Abandonem a esperança, todos vós que por aqui entrais”.

O inferno é um sofrimento infinito. O apostolo João afirmou: “E a fumaça do seu tormento sobe para todo sempre; e não tem repouso, nem de dia nem de noite” (At 14.11). Jesus fala que o inferno é “pranto e ranger dos dentes” (Mt 8.12). Jesus fala que o inferno é o lugar onde o “bicho não morre, e fogo nunca se apaga” (Mc 9.48). Sim, o bicho não morre e o fogo não se apaga – o texto fala sobre a consumação contínua de algo. E, também, Jesus fala de pecadores sendo “lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mc 8.12).

Fogo, trevas, enxofre, e fumaça são apenas uma tentativa débil de descrever a realidade muito mais aterrorizante do que qualquer uma destas palavras possa comunicar.

O inferno é o lar escolhido dos insurretos, prisão perpetua dos descontentes. O inferno está reservado, não para aquelas almas que buscam a Deus, mas para aquelas que desafiam a Deus e se rebelam, preferem viver suas vidas longe de Deus e de sua Palavra. O Salmista diz: “Diz o insensato no seu coração: não há Deus. Todos são corruptos e as coisas que eles fazem são nojentas ....” (Sl 14.1).

O inferno é ausência de Deus. Sim, apesar de todo sofrimento neste mundo, mas a presença de Deus está espalhada por todos os cantos. Vê-se a presença de Deus na natureza, nos animais, nos pássaros, nos homens, nas mulheres, nas crianças, etc. Mas, no final, não haverá a presença de Deus manifestada, haverá angustia, tristeza, pesar, solidão, medo, remorso, ressentimento, inquietude, lamentos, lamurias por aquilo que devia ter feito e não fez. No inferno, não tem festa, alegria, bebedeira, mulheradas ou homens, prazeres, sexo. Nada disso, mas somente lamento, lamento infinito.

Conclusão

O apostolo João exorta: “...Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo” (Jo 3.17). Jesus morreu na cruz, para nos salvar, nos libertar da condenação eterna. O amor de Deus é imensurável, é mais fácil você colocar o Oceano Pacifico em uma jarra do que descrever o sacrifico de Jesus por nós. Jesus morreu, ressuscitou, e está assentado à direita de Deus Pai. Ele venceu e tem as chaves da morte e do inferno.

terça-feira, 26 de maio de 2026

 Crise na igreja Atos 6.1-7 

A igreja em Atos é cheia do Espirito Santo, é ousada, destemida, de oração. Foi intimada pelas autoridades religiosas para não falar no Nome de Jesus, mas não cedeu. Enfrentou crise interna, Ananias e Safira, tentaram dissimular uma doação, mas experimentaram o juízo de Deus. Novamente, são perseguidos e presos pelo Sinédrio, mas foram soltos pelo anjo do Senhor. Era uma igreja que crescia, no começo era 120 discípulos, depois passou para três mil pessoas e outros cinco mil confessaram Jesus como Messias, Salvador.

A igreja de Atos era uma “chama que se espalha”, como um fogo que se espalha pelo campo. No começo não havia constituição, organização, estatuto etc., mas, somente a presença do Espírito Santo para mantê-la forte, coesa e na direção certa.

1)     Perigo à vista

Diz-nos o texto: “Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número de discípulos, houve murmuração” (ARA), uma “queixa”, é a mesma palavra usada para expressar a murmuração dos israelitas contra Moisés no deserto (Ex 16.7). E o som da palavra murmuração, ou queixa, sugere zumbir das abelhas, ou, quando milhares de aves voam juntas (imagina milhares de periquitos voando juntos!) Estava acontecendo um tumulto no meio da comunidade cristã e estava colocando em risco a comunhão da igreja de Jesus Cristo. 

Quem estava murmurando? “...houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus” (ARC), ou “...dos helenistas contra os hebreus” (NAA), uma outra tradução diz: “...os judeus de fala grega murmuravam contra os judeus de fala hebraica” (NVI). A igreja era constituída de judeus nativos e judeus vindo da dispersão, chamados de helenistas. Até agora, a igreja ainda era totalmente judia, estavam anunciando o evangelho em Jerusalém, conforme a ordem de Jesus. 

Os helenistas vinham de diversos lugares e tinham estabelecido na Palestina e falavam grego (koiné) e traziam muito da cultura grega em sua maneira de ser, por exemplo, o apostolo Paulo era um helenista, pois crescera em Tarso. No entanto, eram seguidores de Cristo. Os judeus hebreus eram nativos da Palestina, nasceram ali, viveram ali durante todo tempo. Eram tradicionalmente judeus em seu modo de vida, em sua vestimenta e costumes. Seguiam a lei de Moisés e eram recém-convertidos ao cristianismo.

O que estava acontecendo na igreja? “...porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária” (ARA), ou “...porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano” (ARC) e mais uma: “...porque as viúvas estavam sendo discriminadas na distribuição diária de comida” (a Mensagem). Essas três versões asseveram que as viúvas helenistas estavam sendo “esquecidas, desprezadas e discriminadas”, pela igreja primitiva. Ou seja, estavam beneficiando as viúvas nativas  e desprezando as viúvas helenistas. Desprezar é tratar algo ou alguém com indiferença, desdém e falta de consideração. 

Nesses dias da igreja primitiva, muitas pessoas carentes se juntaram à igreja e para cuidar de suas necessidades básicas, a igreja, através de generosidade de homens como Barnabé (At 4.36-37), compravam alimentos, preparava-os e servia-os em cestas ou em mesas aos necessitados. E ninguém precisava de mais ajuda do que as viúvas, muitas eram abandonadas pelos familiares e muitas morriam de fome. As viúvas idosas não podiam ter filhos nem suportar trabalhos forçados. Enquanto, que as viúvas nativas estavam sendo assistidas.

Portanto, alguns judeus helenistas, murmuravam que suas viúvas haviam sido negligenciadas na distribuição de alimentos, sugerindo sutilmente que o viés cultural era o culpado, ou seja, somente pelo fato de serem viúvas helenistas! Em outras palavras, os cristãos de língua hebraica e os de língua grega estavam divididos em dois grupos separados.

2)     O que fazer?

“E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas” (At 6.2). Os apóstolos não trataram com indiferença a murmuração dos helenistas, mas convocou a igreja para resolver essa situação. O evangelista Moody costumava dizer: “É melhor colocar dez homens para trabalhar do que tentar fazer o trabalho de dez homens”. A tarefa prioritária, principal dos apóstolos de Jesus, era pregar a Palavra de Deus. Ministério não somente está relacionado com o presbitério e pastorado, mas tudo que acontece na igreja é ministério. Tem o ministério da mocidade, ministério dos diáconos, ministério de adoração, ministério da oração, ministério da escola dominical, ministério do círculo de oração, ministério infantil etc. 

Quando o pastor quer fazer tudo na igreja, além de pregar e ensinar, torna-se superatarefados com a igreja e as consequências são terríveis. O nível de pregação e do ensino caem, já que o pastor tem pouco tempo para se dedicar ao estudo e à oração. Por essa razão, a igreja é impedida de chegar à maturidade em Cristo.

“Todos os cristãos, sem exceção, sendo seguidores daquele que veio “não para ser servido, mas para servir”, são chamados para ministrar, ou melhor, para darem suas vidas em ministério” (John Sttot).

“Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, e os encarregaremos desta tarefa” (At 6.3). Os apóstolos deram a responsabilidade para igreja escolher. “Escolher” significa “observar por inspeção e exame”. A igreja deveria olhar para as responsabilidades exigidas e achar homens capacitados que pudessem dar conta da responsabilidade. Não podia ser qualquer um para servir à mesa, mas que tivessem bom testemunho, cheios do Espírito Santo e cheio de sabedoria. Testemunho fala da nossa vida pública; cheio do Espirito Santo é batizado com Espírito Santo e tivesse sabedoria do alto, do céu. 


Tal proposta agradou a todos. Então, escolheram Estevão, homem cheio de fé e do Espirito Santo, além de filipe, Prócoro, Nicanor, timom, Pármenas e Nicolau, que havia se convertido do judaísmo e era proveniente de Antioquia” (At 6.5). Todos os nomes têm uma entonação grega, são nomes helenísticos. Nicolau é chamado expressamente de prosélito de Antioquia, mais tarde se torna numa igreja missionária. Ele não era judeu, era um prosélito, que havia se tornado cristão. Os mais conhecidos são:  Filipe que pregou em Samaria a palavra de Deus e muitos milagres eram realizados; e Estevão, um diácono cheio do Espírito Santo, com muita sabedoria e morreu por causa do Nome de Jesus.

“Apresentaram esses homens aos apóstolos, os quais oraram e lhes impuseram as mãos” (At 6.5). A prática de “imposição de mãos” remonta aos primórdios do povo hebreu. O gesto simboliza a passagem de alto intangível de uma pessoa para outra, como benção (Gn 48.14). A igreja do Novo Testamento adotou como um meio de comissionar alguém para a realização de uma tarefa específica. Ananias impôs as mãos sobre Saulo, e voltou a enxergar (At 9.17); em Antioquia o Espírito Santo chamou Barnabé e Saulo para a obra missionária “...impuseram as mãos sobre eles e os enviaram em sua missão” (At 13.3). 

Conclusão

E crescia a Palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (At 6.7). os dois verbos “crescia” e “multiplicava” estão no tempo imperfeito, indicando que o crescimento da palavra  e a multiplicação da igreja eram contínuos. Muitos sacerdotes estavam seguindo a fé cristã, isso significa que o evangelho é o poder de Deus, que invade as fileiras do inimigo.

Quanto maior o alcance da palavra, maior é o crescimento da igreja. a palavra é o principal instrumento usado por Deus para levar sua igreja ao crescimento espiritual e numérico. Sempre que a palavra de Deus for anunciada com fidelidade e poder, a igreja cresceu. Lucas faz questão de relatar o crescimento da igreja, oferecendo-nos estáticas:

Atos 1.15: 120 pessoas

Atos 2.41: quase três mil pessoas

Atos 4.4: quase cinco mil pessoas

Atos 5.14: E crescia mais e mais a multidão de crentes

Atos 6.1: Multiplica-se o numero dos discipulos

Atos 6.7: Crescia a Palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o numero dos discipulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.

Atos 9.31: a igreja crescia em numero

Atos 16.5: as igrejas aumentavam em numero.

 


 

terça-feira, 19 de maio de 2026

 Quando o céu desce Atos 5.11-30 

Introdução

A igreja está caminhando, aliás, a igreja não pode parar, apesar dos ataques de todos os lados. No capitulo 4, os lideres religiosos, por causa do milagre da porta formosa, lançaram Pedro e João na prisão, para intimidá-los. No dia seguinte, com todo Sinédrio reunido, os religiosos tentaram calá-los para que não falassem do “nome de Jesus” (Atos 4.18). Mas, os apóstolos, corajosamente responderam: “...não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” (Atos 4.20). Mas, o Diabo, continua atacando a igreja, não desiste! Dessa vez, tenta criar cisão, divisão dentro da igreja, usando Ananias e Safira, para quebrar a unidade da igreja. Eles “mentiram ao Espirito Santo” (Atos 5.4). Em consequência morreram por causa da mentira.

Por causa do que acontecera com Ananias e Safira, “...grande temor apoderou-se de toda a igreja e de todos os que ouviram falar desses acontecimentos” (At 5.11). “Temor”, não é medo, mas é reverencia pela santidade do Senhor; o temor do Senhor é o conhecimento daquele que é Santo, Santo, Santo. Todos que tiveram experiencia com o “temor do Senhor” não conseguiram ficar de pé. O apostolo João na ilha de Patmos, curvou-se diante da presença do Senhor; o profeta Isaias, desesperou-se diante do Santo que lhe apareceu; o profeta Ezequiel, caiu e ficou com a cabeça baixa. E,  Moisés no monte Sinai, Deus no meio de uma sarça, lhe disse: “Tira a sandálias dos seus pés, porque esse lugar é santo” (Ex 3.5). 

Em seguida “os apóstolos realizavam muitos sinais e maravilhas entre o povo” (v.12). O culto pentecostal tem que ter louvores, o culto pentecostal tem que ter testemunhos, o culto pentecostal tem que ter pregação poderosa da palavra de Deus.  Mas, também o culto pentecostal, temos que acreditar que Deus ainda realiza sinais e maravilhas no meio do seu povo. Daniel Berg, fundador da Assembleia de Deus no Brasil, sempre repetia a mesma frase: “Jesus Salva, Jesus cura, Jesus batiza com Espirito Santo e breve voltará”. 

Sim, Jesus Salva, somente Jesus salva, somente Jesus é o caminho, a verdade e a vida, ele é o único mediador entre Deus e os homens. Jesus cura, ele é poderoso para curar enfermidades, Ele é poderoso para curar depressão, ansiedade. Jesus batiza com Espirito Santo, ser batizado com Espirito Santo é ser revestido de sua presença, é ser testemunha de Jesus, é falar em outras línguas. Por fim, Jesus, voltará, virá, o céu vai se rasgar, o Filho de Deus descerá com miríades de anjos para arrebatar sua igreja que lhe espera ansiosamente.

O texto de Atos diz: “Em numero cada vez maior, homens e mulheres criam no Senhor e lhes eram acrescentados de modo que o povo também levava os doentes às ruas e os colocavam em camas e macas, para que pelo menos a sombra de Pedro se projetasse sobre alguns, enquanto ele passava. Afluíam também multidões das cidades próximas a Jerusalém, trazendo seus doentes e os que eram atormentados por espíritos imundos; e todos eram curados” (Atos 5. 14-16). Coisas que aconteciam na igreja primitiva: Primeiro, Deus salvava as pessoas, o culto tinha salvação; desde o primeiro sermão de Pedro no Pentecoste, Deus estava salvando, libertando. Segundo, Deus curava enfermidades, a sombra do apostolo Pedro curava as pessoas. Terceiro: Deus libertava as pessoas de espíritos malignos.

1)     Mas, o diabo não descansa

Em razão da igreja continuar aumentando em números, além do povo de Jerusalém ter os apóstolos em alta consideração, os lideres religiosos “cheios de inveja” (Atos 5.17), prendem os apóstolos e os jogam na prisão. “No entanto, durante a noite, um anjo do Senhor abriu as portas do cárcere, levou-os para fora e disse: Dirijam-se ao templo e relatem ao povo toda mensagem desta Vida” (At 5.20). A presença de anjos era constante nos dias dos apóstolos. Anjos se manifestaram na ressureição de Jesus (Lc 24), anjos aparecem aos discípulos quando Jesus ascendia aos céus (Atos 1); anjos libertaram os discípulos da prisão (Atos 5), um anjo libertou o apostolo Pedro da prisão (Atos 12). 

Depois de libertá-los da prisão, o anjo deu uma ordem: “Vão ao templo e transmitam ao povo esta mensagem de vida!” (NVT). É a mensagem da qual depende a vida e a morte, a vida eterna ou a morte eterna das pessoas. Estas palavras precisam ser ditas sob quaisquer circunstancias.

Mas, pela manhã, os discípulos não estavam na cadeia. Onde eles foram? Algo sobrenatural aconteceu, porque a “...prisão estava trancada com toda segurança, com guardas diante da porta” (Atos 5.23). Quando abriram a cela, estava vazia! Muitos ficaram assustados, afinal eram doze apóstolos!  Alguém disse: “os homens que os senhores puseram na prisão estão no pátio do templo, ensinando o povo” (Atos 5.25).  Quando os discípulos se puseram diante do Sinédrio, Caifás lhes disse: “...vos ordenamos expressamente que não ensinásseis nesse nome? Mas encheste Jerusalém desse vosso ensino e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem” (At 5.28). Caifás, sumo sacerdote, cuidadosamente, evitou falar do nome de Jesus; em vez disso, ele usou “nesse nome” e “desse homem”. Ainda hoje, o nome de Jesus deixa as pessoas desconfortáveis. 

“Respondendo, Pedro e os apóstolos disseram: é mais importante obedecer a Deus que aos homens” (At 5.29). Cristãos de todas as épocas enfrentaram autoridades que exigiram desobediência a Deus. Os pais de Moisés se recusaram a obedecer à ordem do Faraó do Egito para matar o bebê, uma vez que “não temeram o decreto do rei” (Hb 11.23). Daniel e seus amigos desobedeceram aos decretos governamentais que os proibiam de adorar ao Deus criador (Dn 3.6). O apostolo Paulo permaneceu firme diante daqueles que detinham o poder de tirar-lhe a vida por pregar a Cristo (At 25-26).

Não esqueçamos que somos cidadãos desse mundo, devemos obedecer às autoridades constituídas, a menos que isso implique em desobedecer a Deus. Pedro disse: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens”. É preciso também estar preparado para sofrer as consequências disso, para perseguições. 

E mais disseram os apóstolos: Em primeiro lugar, “...o Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem os lideres judeus mataram, pendurando-o num madeiro” (v.30). Os mesmos religiosos que estavam diante deles, tinham mandado matar Jesus. E fazem um contraponto:  Voces o mataram, mas Deus o ressuscitou; vocês o rejeitaram, mas Deus o exaltou. Em segundo lugar, Deus, com a sua destra, o exaltou a príncipe e Salvador, e é capaz de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados. Em terceiro lugar, dizem os apóstolos, “Nós somos testemunhas destas coisas, bem como o Espirito Santo, que Deus concedeu aos que lhe obedecem” (v.32).  

Os lideres religiosos não soltaram os apóstolos depois de adverti-los. Dessa vez acrescentaram golpes aos insultos: “Chamaram os apóstolos e mandaram açoita-los. Depois, ordenaram-lhes que não falassem em nome de Jesus e os deixaram sair em liberdade” (At 5.40). eles foram açoitados, no original transmite a ideia de que foram golpeados ou espancados repetidas vezes. Tente imaginar os apóstolos enfileirados e surrados vezes sem conta. Você já foi açoitado? Alguma vez sofreu na pele por causa de sua fé em Jesus Cristo?

Agora, observe a reação dos apóstolos: “Os apóstolos saíram do Sinédrio alegres por terem sido considerados dignos de serem humilhados por causa do Nome. Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e de proclamar que Jesus é o Cristo” (At 5.21,42). Alegraram, pelo privilegio de sofrer afrontas por causa de Jesus. Foi a primeira que os apóstolos experimentaram dor física como resultado de seguir a Jesus. Não parece um paradoxo, se alegrar por sofrer pelo nome de Jesus? Sim, o maior prazer deles era sofrer pelo nome de Jesus. 

Conclusão:

A igreja enfrenta lutar do lado de fora, perseguição da sociedade, por causa da nossa fé em Jesus Cristo. Mesmo que as pessoas tentem nos calar, temos que ter a mesma atitude de Pedro: “Não podemos deixar de falar daquilo que temos visto e ouvido”.

A igreja enfrenta crise internamente, como Ananias e Safira, quiseram tirar a harmonia do corpo de Cristo com mentira. O inimigo, ataca em todas as frentes, ataca do lado de fora, usando pessoas (autoridades). Mas, ataca do lado de dentro (dissensões, desarmonia, etc), quando permitiram que o diabo usasse suas bocas para mentir, para fraudar.

E, por fim, a igreja enfrenta prisão por causa do nome de Jesus. Os apóstolos foram presos e coagidos a não falar do Nome de Jesus. Mas, os discípulos foram destemidos: é mais importante obedecer a Deus do que os homens. Sim, a minha fé é irremovível, como os meninos na Babilônia, que não quiseram adorar a imagem de Nabuconosor.

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

 Ananias e Safira Atos 5.1-11 

Características da igreja primitiva

Uma igreja compromissada com a pregação de Cristo, seu ministério, sua morte e sua ressurreição. Uma igreja corajosa e destemida: “Não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” (At 4.20). Uma igreja que orava, falava com Deus, que passava tempo em oração em comunidade. Uma igreja que queria mais: “...estendes a mão para curar, e para que se faça sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus” (At 4.30).

Uma igreja compromissada com a comunhão. “Não havia, pois, entre eles, necessitado algum: porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos” (At 4.34). E para comprovar, Lucas, conta história de Barnabé que “...possuindo uma herdade vendeu-a, trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos” (4.37). Seu nome era José, mas lhe deram o apelido de Barnabé, encorajador, que dá animo, força. Ele pegou um campo seu na ilha de Chipre e doou todo o valor, cem por cento do campo vendido, colocou aos pés dos apóstolos, para as necessidades da igreja. Como disse João Crisóstomo “aquilo era uma comunidade angelical...onde foi cortada a raiz de todos os males...o pobre não sabia o que  vergonha e o rico não conhecia arrogância”.

1)     Ananias e Safira

Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade”. Primeiro o texto quebra a coesão, a unidade, a comunhão, pois temos um “mas”. O que aprendemos é que nem todo mundo que estava inserido na igreja primitiva fazia parte da “comunidade angelical”. Quanto mais gente, quanto mais a igreja aumenta seu número de membros (cinco mil membros), mais joio é acrescentado. 

“Ananias”, forma grega do nome hebraico “Hananiah” que significa “Yahweh tratou graciosamente”. Nada sabemos sobre ele, talvez, um dos cento e vinte discípulos que estavam presentes no dia de Pentecoste. Um comentarista afirmou: “Talvez tivesse grandes dons, mas não tinha graça...”, ou seja, um homem desprovido de carisma, de ternura, de popularidade. Mas, vendo os louvores dados a Barnabé, por meio de seu ato de sacrifício, ficou incomodado e quis receber os mesmos louvores. Sua esposa “Safira”, em aramaico essa palavra significa “bela”, ou “linda”. Apesar do significado do nome, Safira, não correspondeu ao significado do seu nome e participou ativamente da dissimulação do marido. 

Quando Deus fez a mulher da costela do homem, Adão exclamou: “Essa é osso dos meus ossos e da carne da minha carne” (Gn 2.23). Ele poderia ter dito: meu encaixe, minha metade, parte do meu eu. Mas, a mulher não é uma unidade e, sim, unicidade.  Unidade é duas coisas, ou dois seres que se unem, mas não se fundem, não tem profundidade; mas unicidade vai além disso, são duas pessoas que se fundem, ou seja, na unicidade há uma fundição de sentimentos, pensamentos, propósitos, metas, sonhos, corpo etc. Logo, quando existe unicidade no proposito de servir a Deus, Deus é glorificado, a verdade é exaltada. Mas, quando existe unicidade para mentir, fraudar, enganar, tudo desmorona!

Veja a unicidade de Ananias e Safira: “Havia, porém, um homem chamado Ananias que, com sua esposa, Safira, vendeu uma propriedade. Levou apenas parte do dinheiro aos apóstolos, mas, com aprovação da esposa, afirmou que aquele era o valor total e ficou com o resto” (At 5.1-2). “...Safira sabia disso e concordou com a atitude do marido...” (VFL). Logo, aconteceu uma decisão conjunta, de Ananias e Safira, sim, uma unicidade para mentir. Tudo fora acertado em casa sobre o que eles iam dizer aos apóstolos. A frieza com que o casal planejou o engano agravou a sua culpa.

“...reteve parte do preço” (ARA), “...entregou uma parte do dinheiro aos apóstolos” (NTLH), ou “...guardou parte do valor da venda para si” (A mensagem). A palavra reteve significa apropriar-se indevidamente de algo que lhe fora confiado. Pegou a maior parte do dinheiro e entregou o restante para Deus. A mesma palavra fora usada em Josué 7.1, quando Acã reteve parte do despojo consagrado de Jericó; tudo em Jericó era anátema, tudo amaldiçoado por Deus (Js 6.18). Mas Acã desejou, cobiçou uma capa babilônica, duzentos ciclos de prata e uma barra de ouro. Diz o texto: “Eu os cobicei e os tomei” (Js 7.21).  Acã e toda sua casa pereceram, foram apedrejados até a morte. 

O profeta Malaquias pergunta: “Pode um homem roubar a Deus? Contudo, vocês estão me roubando. Ainda perguntam: em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Vocês estão debaixo de grande maldição, porque estão me roubando...” (Ml 4.8-9). Assim, como Ananias e Safira reteve o valor do preço da venda, as pessoas estão retendo o seu dízimo, a sua oferta. E se justificando, como se justificaram nos tempos de Malaquias. Estamos passando por dificuldades econômicas, tem muita coisa para pagar. Mas o profeta interpreta isso como se fosse o sinal exterior de um desprezo interno por Deus.  

2)     O juízo de Deus

“Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, ao ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade?”. A apostolo PEDRO lembrou-se das vezes em que Satanás também encheu seu coração. Sim, quando ele fez aquela confissão em Cesaréia de Filipe: “Tú és o Cristo, o Filho do Deus Vivo” (Mt 16.16). Depois, o Senhor Jesus, começou a falar de sua morte na cruz, e Pedro lhe repreendeu para que não falasse essas coisas. Então Jesus Lhe repreendeu: “Para trás de mim, Satanás...” (Mt 16.23). Pedro, em sua carta, exortou sobre a sutileza do diabo: “Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar” (1 Pe 5.8). 

Ananias e Safira, ao reterem parte do valor da propriedade e mentirem sobre isso, tinham o coração voltado aos interesses do homem, e não aos de Deus. Pedro deve ter balançado a cabeça em sinal de perplexidade, espanto. Sim, o que é mais importante é a presença do Senhor. Ao invés de buscar os interesses humanos, se encantando com “passarinhos e belas flores”, o mais importante, é a presença de Deus, é a glória do Senhor. O importante é exaltar o Cristo. Pedro lhe disse: “Você não mentiu aos homens, mas sim, a Deus”.

Ela não pertencia a você antes de ser vendida? E, depois de vendida, o dinheiro não estava em seu poder? O que levou a pensar fazer tal coisa? Voce não mentiu aos homens, mas a Deus. Ouvindo isso, Ananias caiu morto. Grande temor se apoderou-se de todos os que ouviram o que tinha acontecido” (At 5.4-5). Como cristão não podemos agir de modo irresponsável com nosso dinheiro e esperar que isso não traga nenhuma consequência. Nosso dinheiro pertence a Deus. Há um preço terrível a pagar, pois Deus considera seu povo responsável por seus atos. Não pertencemos a nós mesmos. Lembre-se: prestamos contas a Deus, não aos homens. 

Se Deus tratasse as pessoas, hoje, como um dia tratou Ananias e Safira todas as igrejas precisariam manter um necrotério no porão. Deus leva a sério o pecado.

Conclusão

Em primeiro lugar, a gravidade do pecado de Ananias e Safira. A mentira deles não foi dirigida ao Espírito Santo, isto é, a Deus. E Deus odeia a hipocrisia. Mas Ananias e Safira também pecaram contra a igreja (v.11). A falsidade acaba com a comunhão.

 Em segundo lugar, a importância da consciência humana. Lucas registra a afirmação de Paulo perante Festo de que ele sempre procurou manter sua “consciência” pura diante de Deus e dos homens (Atos 24.16). Parece ser isto o que João quis dizer com “andar na luz”. É ter uma vida transparente diante de Deus, sem engano ou evasivas, cuja consequência é termos “comunhão uns com os outros”.  “Viver numa casa sem telhados, ou seja, de não permitir que nada se ponha entre eles e Deus ou entres eles e outras pessoas. Essa abertura que Ananias e Safira não conseguiram manter”.

  Em terceiro lugar, esse incidente nos ensina que é necessário haver disciplina na igreja. Nessa área, a igreja tem oscilado entre a severidade extrema (disciplinando membros pelas ofensas mais triviais) e a permissividade extrema (não exercendo nenhuma disciplina, mesmo em casos de ofensas sérias).