O evangelho chega na Galácia Atos 13.13-52
Introdução
A viagem dos missionários prossegue, saíram da ilha de Chipre e “navegaram para Perge, que fica na Panfilia” (At 13.13). Panfilia ficava em uma planície costeira, aninhada entre o Mar Mediterrâneo ao sul e os acidentados Montes Tauro, que ficam cobertos de neve. Em Perges, a equipe missionária sofreu um revés: “João Marcos os deixou ali e regressou a Jerusalém”. O verbo para deixar é “deserção”, “abandonar”. Por que, João Marcos, desertou? Várias são as possibilidades:
Pode ser que ele estivesse com saudade de casa e que o esforço para jornada estivesse lhe cobrando um preço (escalar as montanas do Taurus não era fácil e infestadas de bandidos e malária). É possível que o grupo tenha ficado doente, o que foi além do que podia suportar. Alguns sugeriram que Barnabé, primo de Marcos, assumira a liderança na missão em Chipre, mas, agora, era Paulo quem estava definindo a agenda, e isso não agradou a Marcos. Qualquer que fosse a razão, o apostolo Paulo não ficou satisfeito com a decisão repentina de Marcos.
1)
Galácia
Primeiro, “navegaram para Perge, que fica na Panfilia”, mas não ficaram na Panfília, iniciaram uma jornada de 240 km (1100 metros acima do nível do mar), levando cerca de dez dias e “...chegaram a Antioquia da Pisídia” (At 13.14). Logo, estavam na Galácia, seu nome deriva dos gauleses (mercenários europeus) que se espalharam por toda essa região e fixaram residência em diversas cidades. Os missionários permaneceram na parte do sul da região, evangelizando Antioquia da Psídia, Icônio, Listra e Derbe.
Em sua mensagem ele resume a
história de Israel e apresentou Jesus como o auge de tudo o que Deus havia
feito e prometido. Paulo demonstrou que Jesus era o descendente escolhido de
Davi como o cumprimento do Messias profetizado (At 13.23). Ele prosseguiu
explicando quem é Jesus, o que ele fez em sua ressureição – o evangelho. Falou
de seu batismo, de sua rejeição, de sua crucificação sob Poncio Pilatos, de sua
morte e sepultamento (v.24-30). Mas, Jesus venceu a morte, para jamais conhecer
a deterioração, mostrando ser o filho prometido de Davi. Ele vive, e nos garante
o pleno perdão dos pecados está disponível por meio da fé nele.
“Por meio dele, todo aquele é justificado de tudo aquilo de que vocês não podiam ser justificados pela lei de Moisés” (At 13.39). Nesses versículos Paulo fala do pecado, da fé, da justificação, da lei e da graça. A mensagem do apostolo Paulo era revolucionária e profunda que pediram que voltasse no sábado seguinte para falar mais sobre ela. Outros se tornaram crentes naquele dia. No outro sábado, “toda cidade se reuniu para ouvir a palavra” (At 13.44). Todos estavam ansiosos para ouvir o apostolo falar sobre Jesus.
Mas, “...judeus ...tomados de inveja...contradiziam o que Paulo pregava” (v.45). diante da recusa dos judeus declarou: “Era necessário que primeiro a palavra de Deus fosse pregada a vocês. Visto que vocês a rejeitam e se julgam indignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios” (At 13.46). Paulo cita Isaias: “Eu te constitui como luz para os gentios, a fim de que tu leves a salvação até os confins da terra” (Is 49.6, At 13.47). Os gentios se regozijaram, porque agora eram designados para a vida eterna pela fé em Cristo (At 13.48).
“Em Icônio, Paulo e Barnabé,
como costumavam fazer, foram juntos à sinagoga dos judeus” (At
14.1). eles percorreram a estrada imperial de Antioquia da Psídia a Icônio,
cerca de 140 quilometros a sudeste. Lá na sinagoga “...falaram de tal modo
que veio a crer grande multidão, tanto de judeus como de gregos” (At 14.1).
Mas os judeus “incitaram os gentios e envenenaram a mente deles contra os
irmãos” (v.2). O evangelho da graça que o apostolo pregava significava que
os gentios não precisavam ser circuncidados nem seguir os costumes judaicos;
mas os judeus insistiam que se convertessem ao judaísmo, seguindo a lei de
Moisés.
Paulo e Barnabé não retrocederam,
continuaram a pregar com ousadia sobre o Senhor, que confirmou a mensagem capacitando-os
a realizar sinais e maravilhas (At 14.3). Novamente vemos uma associação intimas
entre palavras e sinais. Como comentou Calvino: “Deus dificilmente permite que
eles sejam desvinculados da sua Palavra”. Quando os apóstolos descobriram que
seus oponentes estavam tramando para que recebessem a pena de morte por
apedrejamento, decidiram deixar Icônio e ir para as cidades vizinhas de Listra
e Derbe, pregando a palavra de Deus ao longo do caminho.
“Em Listra”, uma cidade localizada a 36 quilometros de Icônio. Essa cidade era um lar de romanos, gregos e judeus, mas a população judaica era tão pequena que não conseguia manter uma sinagoga local. A maioria dos cidadãos dessa cidade era exclusivamente pagão. Paulo viu um homem, aleijado de nascença, sentado perto da multidão que se reuniu para ouvi-lo pregar” (At 14.8). Ele ouvia com atenção a mensagem sobre Jesus que curava os coxos, trazia visão ao cegos e amava os mais humildes da sociedade.
Paulo, vendo que esse homem tinha fé para ser curado, disse em alta voz: “Levante-se!” (At 14.10). Imediatamente “deu um salto e começou a andar”. Todos ficaram surpresos e admirados com o que viram. Eles nunca viram nada parecido. Eles gritaram: “Os deuses descerão até nós em forma humana” (v.11). Eles pensaram que Barnabé, por ser mais velho, fosse Jupiter, e Paulo, fosse Mercúrio, pois era quem trazia a Palavra. Houve um alvoroço na cidade de Listra, quiseram sacrificar um touro em homenagem a eles.
Até que que os apóstolos perceberam
o que estava acontecendo e ficaram horrorizados. Rasgaram suas vestes em uma
demonstração de pesar para deter a multidão. “Nós também somos humanos,
assim como vocês, e estamos anunciando as boas-novas para que vocês se
convertam dessas coisas vãs e se voltem para o Deus vivo, que fez o céu, a
terra, o mar e tudo que neles há” (Atos 14.15). Paulo pregou um sermão (vs
14-18), anunciando que Deus é o criador do mundo. Uma mensagem contextualizada
para a cultura de um povo pagão.
Os judeus de Icônio ficaram sabendo os apóstolos estavam em Listra, e alvoroçou a multidão contra Paulo. Agarram Paulo à força e o arrastaram para uma planície, fora dos portões da cidade, e depois começaram a lhe atirar pedras na cabeça. Até que Paulo caiu, imóvel, pensando que estava morto se retiraram. Mas os discípulos ficaram perto dele, até que seus olhos se abriram e levantou-se do chão. Pode ser a isso que ele se referiu na carta aos Gálatas: “Trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl 6.17). Depois disso, Paulo e Barnabé permaneceram por um tempo em Listra para pregar e discipular seu pequeno rebanho de novos crentes.
Conclusão
Por fim, “...partiu Paulo
com Barnabé para Derbe”. Lucas narra que pregaram “...as boas novas
naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Iconio e Antioquia”
(At 14.21). Em Derbe, não aconteceu nenhuma perseguição, foi um ministério bem-sucedido.
Gaio um dos convertidos de Derbe, mais tarde se juntou a Paulo como membro de
sua equipe ministerial (At 19.29).
Depois “navegaram de volta a Antioquia...reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus tinha feito por meio deles e como havia aberto a porta da fé aos gentios” (At 14.21). Constituindo presbíteros, fortalecendo os discípulos.



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