sábado, 29 de agosto de 2026

 Elifaz e o mal 

O livro de Jó é uma teodiceia, uma tentativa de explicar o caminho de um Deus bom à luz da existência do mal. No terceiro capítulo Jó lamenta diante da calamidade que lhe atingiu. Pois, ele perdeu tudo, seus bens, seus filhos e sua saúde, tudo desmoronou na vida de Jó.

Agora, no capítulo 4, Elifaz, de Temã, amigo de Jó que por sete dias se manteve calado diante da calamidade que ocorreu na vida de Jó.  Depois do primeiro discurso de Jó, agora, Elifaz tenta explicar por que Jó está sofrendo. Em seu discurso inicial Elifaz começa com um tom positivo, elogiando Jó pelos ensinamentos passados a outras pessoas em momentos de necessidade.

 Ele diz: “Você já deu ânimo a muita gente e deu força aos fracos. Suas palavras sustentaram aos que tropeçaram” (V. 3,4).

Mas, no versículo 5, Elifaz muda o tom para condenar, julgar seu amigo. Ele, presume que aquilo que Jó está vivenciando não passa de um caso rotineiro que pode ser explicado de uma forma tradicional. Mas, Elifaz vacila ao tirar conclusões precipitadas sem conhecer todos os detalhes da situação de Jó. O apostolo Tiago, admoesta: “Sejamos rápidos para ouvir, vagarosos para falar e vagarosos para se irar” (Tg 1.19).

Ao invés de julgar de modo precipitado a verdadeira compaixão se solidariza com a dor de quem sofre. Elifaz determina que o bem sempre chega as pessoas boas e o mal sempre acompanha as pessoas más. Ao encarar a vida de maneira tão simples e dicotômica, Elifaz, chega à conclusão de que Jó deve ter pecado, pois está sofrendo. Ele diz: “...os que cultivam a maldade e semeiam opressão, isto também é o que colhem” (v.8).

Elifaz presume que o padrão geral da retribuição que ele tem observado é uma lei absoluta e necessária na ordem moral de Deus. Mas, Elifaz não consegue perceber que há informações relevantes sobre Jó que se encontram além de sua visão. Elifaz não leu o prologo do livro de Jó, não viu a disputa que o diabo fez com Deus sobre a perseverança e a vida irrepreensível que Jó levava.

Ao julgar Jó inadequadamente, precipitadamente, Elifaz só aumenta a dor do amigo, mete o dedo na ferida. Para Elifaz, Deus é implacável contra pecadores como Jó.

Em 2005 o furacão katrina devastou  Nova Orlens, 1800 pessoas morreram. E o terremoto que aconteceu no Haiti em 2010, onde 200.000 pessoas morreram. Nesta semana estamos presenciando o que aconteceu em Nepal, aguas caldallosas carregando tudo pela frente. Diante dessas calamidades, algumas pessoas responderam com compaixão heroica e amorosa para ajudar os necessitados, famílias. Mas, durante o terremoto do Haiti, uma conhecida personalidade da televisão, afirmou que isso aconteceu em decorrência de anos de prática ocultista.

É o mesmo erro de Elifaz, e esse mesmo erro de julgar precipitadamente um sofrimento, tem acontecido com todos nós. Que Deus nos ajude!

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