terça-feira, 8 de novembro de 2022

 Elias e o arrebatamento da igreja 2 Rs 2.1-16 

Introdução: a vinda de Jesus

Certa feita alguém perguntou a John Wesley, o que ele gostaria de estar fazendo quando Jesus voltar. Ele respondeu: "Eu gostaria de estar fazendo o que faço todos os dias, pois estou sempre aguardando a sua volta". Lutero afirmava que teremos três grandes surpresar quando chegarmos no céu: a primeira é a de estarmos lá; a segunda é encontrar pessoas que nunca imaginaria estar lá; e, não encontrar pessoas que imaginávamos que estaria lá”

Elias sabia que seria levado num redemoinho ao céu. Ele tinha certeza que seria levado aos céus. Uma pergunta: Você tem certeza que será arrebatado aos céus? No hebraico redemoinho é “num estouro, num momento, numa tempestade”. Paulo fala sobre esse grande dia: “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados” (1 Co 15.52).

Jesus nos exorta: “Dois homens estarão no campo: um será levado e o outro deixado. Duas mulheres estarão trabalhando num moinho: uma será levada e outra deixada. Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor” (Mt 24.40-42).

1)     Antes do redemoinho 

Então, “Elias e Eliseu saíram de Gilgal”. Gilgal significa “afastar”, é o inicio da vida cristã. Foi ali que ficaram os filhos de Israel logo depois de terem cruzado o Jordão em direção a Canaã. “No décimo dia do primeiro mês o povo subiu do Jordão e acampou em Gilgal na fronteira leste de Jericó... Josué levantou doze pedras...o Senhor secou o rio Jordão como fizera com o mar vermelho...”(Js 4.19-24).  É o início da vida cristão, é o tempo em que somos novos convertidos. Quando descobrimos a segurança da casa do Senhor, comunhão, compartilhamento e somos preparados por Deus.

Depois, “Então foram para Betel”. Era o lugar de oração. Bet – el significa “casa de Deus”. Foi ali que Abraão construiu um altar e constantemente se encontrava com Deus. Em Betel “onde pela primeira vez, tinha construído um altar. Ali Abrão invocou o nome do Senhor” (Gn 13.4). Portanto, Betel é o local de levantar altares ao nosso Deus; Elias levantou vários altares em sua caminhada com Deus: Querite, Sarepta, Monte Carmelo, Monte Horebe...e você tem levantado altares ao Senhor? 

 Elias foi então para Jericó, o lugar da Batalha. Foi ali que as muralhas caíram e Deus deu uma vitória estrondosa para seu povo. Josué marchou seis dias ao redor de Jericó e no sétimo dia, as muralhas caíram.  Elias, como se voltasse ao passado, vira as muralhas caindo; ouviu o zunido das flechas, a batalha das espadas e o grito do inimigo. Mas, no final, Deus deu a vitória ao seu povo.  Dá pra você se lembrar, reviver, as batalhas de sua própria vida? 

Por fim, Elias se dirige ao Jordão, o lugar da morte, não da morte física, mas da morte do eu. Onde Jesus se batizou. No Jordão nós morremos para o nosso eu, para os nossos desejos, nossas vontades e nos entregamos totalmente ao rei dos reis. O Jordão também é o símbolo da nossa confiança em Deus depois dessa vida... Aqui, no Jordão, por mais que Elias tentasse se esquivar de Eliseu, mas continuamente falava: “Tão certo como vive o Senhor, não te deixarei”.

Então, lembrando do que aconteceu com Josué em Jericó:  “Elias, tomando o seu manto, bateu com ele nas aguas do rio Jordão, e elas se separaram, formando um caminho por onde os dois passaram, atravessando o rio Jordão a seco”. Depois, perguntou ao seu discipulo:  “O que posso fazer em teu favor antes que eu seja levado para longe de você”. Eliseu respondeu: Faze-me de mim o teu principal herdeiro de teu espirito profético”. Se você me vir no momento em que partir para o céu, então isso que você pediu será feito. Se não vir, não será feito”. 

Enquanto conversavam: “...um carro de fogo, com cavalos de fogo, surgiu no meio deles e separou os dois; Eliseu, admirado, viu quando Elias era levado ao céu num redemoinho! “Meu Pai! Meu Pai! Carros de Israel e seu cavaleiros!” E olhando para o céu não viu mais nada; tudo havia desaparecido”. Então, lembrando das palavras de Elias, ele se abaixa e pega o manto do profeta. Então bateu nas águas do rio com o manto e perguntou: “Onde está agora o Senhor, o Deus de Elias?”. Tendo batido nas águas, elas se dividiram e ele atravessou.

2)     Cadê Elias? Cadê a igreja? 

Diante do arrebatamento de Elias, os cinquenta profetas inquiriram Eliseu: “Olha, nós, teus servos, temos cinquenta homens fortes. Deixa-os sair à procura do teu mestre. Talvez o Espírito do Senhor o tenha levado e deixado em algum monte ou em algum vale” (2 Rs 2.16).

Mas, respondeu Eliseu: “Não mandem ninguém”. Mas, procuraram por três dias, mas não acharam. Pois, Eliseu sabia que Elias fora transladado aos céus. Transladar é transferir residência, é mudar de um lugar para o outro. A igreja será arrebatada aos céus, isto é, arrebatar é tirar com violência, ou força, arrancar, raptar. O arrebatamento de Elias pode servir como advertência aos cristãos que estão mais com os olhos neste mundo, do que no céu: “Sabes que o Senhor, hoje, tomará o teu Senhor, elevando-o por sobre a tua cabeça”. Respondeu ele. Também o sei; calai-vos” (2 Rs 2.3,5).

Tem uma pergunta: em que estado se achará a pessoa que não foi arrebatada? Em Mateus 25, na parábola das dez virgens, cinco eram prudentes, cinco loucas. As prudentes tinham óleo em sua lâmpadas, enquanto as imprudentes, não reservaram óleo em sua lâmpada. Aí, vem o noivo, as que tinham óleo foram ao encontro do noivo, as que não tinham, ficaram atemorizadas, tentaram compra óleo, mas não acharam. Elas gritavam do lado de fora: “Senhor! “Senhor! Abra a porta para nós” (Mt 25.11). Mas, já era tarde... 

Cuidado com os escarnecedores: “...nos últimos dias, surgirão escarnecedores, zombando e seguindo suas próprias paixões. Eles dirão: “O que houve com a promessa da sua vinda? (...) Não se esqueçam disto, amados: para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pe 3.3,8). Paulo admoesta: “Que ele fortaleça o coração de vocês para serem irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo com todos os santos” (1 Ts 3.13). Paulo ensina: “...nós os que estivermos vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, certamente não precederemos os que dormem. Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus...” (1 Ts 4.15,16).

Apesar de não sabermos o dia e a hora (Mt 25.13), nossa reunião com ele ocorrerá por meio do arrebatamento, em que receberemos novos corpos “num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista da imortalidade...” (1 Co 15.52-53). É bom lembrar que todos os que morreram estão com o Senhor em espírito, mas quando formos arrebatados com eles, tanto eles como nós receberemos corpos glorificados para esta reunião que será no céu. 

3)     Porção dobrada do teu espírito

Antes de ser arrebatado aos céus, Elias perguntou a Eliseu: “O que posso fazer por você antes que eu seja levado para longe de você? Respondeu Eliseu: Faze de mim o principal herdeiro de teu espirito profético” (2 Rs 2.9). Jesus diz: “Enquanto é dia, precisamos realizar a obra daquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9.4). o que falar de homens e mulher que labutaram na obra do Senhor. Poderia falar de William Carey, que deu toda sua vida para o trabalho missionário na India; o que falar de Adoniram Judson, que trabalhou muitos anos na Birmânia; o que dizer de Amy Carmichael, que labutou com crianças na India.

 Conclusão: o que tens feito com o seu dom?

Paulo no final de seu ministério, afirmou: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça...não somente a mim, mas a todos os que amam a sua vinda” (2 Tm 3.7-8).  Jesus contou uma parábola do Senhor que saiu para viajar e deixou talentos para os seus servos. O que recebeu cinco, granjeou mais cinco; o que recebeu dois, granjeou mais dois. Mas, o que recebeu um talento, cavou e escondeu na terra. Pergunta: o que você tem feito com os talentos que Deus tem lhe dado?  


  

terça-feira, 1 de novembro de 2022

 Elias e Baal-Zabube   - 2 Rs 1 

Introdução

Elias era muito conhecido por toda terra de Israel. Ele era famoso... mas não popular. Todo mundo – especialmente o rei – queria pôs as mãos naquele estranho vidente que saíra de lugar nenhum – Tisbé – lançando maldição sobre a vida deles. Deus fora com Elias no confronto com os profetas de Baal, mandando fogo sobre o altar e enviando chuva sobre Israel.

No ultimo encontro entre Elias e a Acabe, na vinha de Nabote, Elias profetizou como ele morreria: “...No local onde os cães lamberam o sangue de Nabote, também lamberão o seu sangue” (1 Rs 22). Acabe morreu exatamente do mesmo modo como Deus dissera: “Morto o rei, levaram-no a Samaria, onde o sepultaram. Quando levaram o carro junto ao açude de Samaria, os cães lamberam o sangue do rei, segundo a Palavra que o Senhor tinha dito...” (1 Rs 22).

1)     Acazias e Baal-Zebube

“Acabe descansou com os seus antepassados, e seus filho Acazias foi o seu sucessor” (1 Rs 22.40). Seu filho, Acazias, o sucedeu no trono. Infelizmente, o filho era igual ao Pai e, portanto, nos dois anos que reinou, Acazias “fez o que era mau perante o Senhor”. Como era da mesma carne de seu pai e sua mãe, ele também serviu a Baal. 

Mas, nos diz o texto: “Certo diz, Acazias caiu da sacada do seu quarto no Palácio de Samaria e ficou muito ferido. Então enviou mensageiros para consultar Baal-Zebube, Deus de Ecrom, para saber se ele se recuperaria” (2 Rs 1.2). “Caiu da sacada...”, talvez com a queda tenha quebrado sua perna, ou ferido as costas ou tenha rompido algum órgão interno. Talvez tenha havido infecções e hemorragias internas. A queda levou a um sério ferimento ou doença. 

“Então enviou mensageiros para consultar Baal-Zebube, Deus de Ecrom, para saber se ele se recuperaria”. Baal-Zebube significa “senhor ou deus”. Zebube significa “balançar, mover-se rapidamente de uma lado para o outro”. Na forma de substantivo significa “mosca”. Juntas, as palavras significam “deus das moscas” ou “senhor das moscas”. 

 Tal divindade era adorada pelos filisteus, na cidade bíblica de Ecrom, a mais ou menos 30 km de Jerusalém. Os cananeus depositavam oferendas perecíveis, com o passar do tempo, elas apodreciam nos altares, pois tudo aquilo virava uma verdadeira estercaria e só atraiam insetos, por isso o nome “Senhor das moscas”.  

O nome Baal-Zebube aparece somente neste capitulo do Antigo Testamento, em que é mencionado quatro vezes. Em todos os lugares está referindo-se à mesma divindade, o falso deus de Ecrom. O nome aparece novamente, porém no Novo Testamento, na forma grega, Belzebu: “Depois disso, levaram-lhe um endemoninhado que era cego e mudo, e Jesus o curou, de modo que ele pôde falar e ver. Todo povo ficou atônito e disse: Não será este o filho de Davi. Mas quando os fariseus ouviram isso, disseram: É somente por Belzebu, o príncipe dos demônios que ele expulsa demônios” (Mt 12.22-24). 

Não podemos dizer com certeza que este Belzebu se refere especificamente a Satanás. O nome poderia ser uma referencia a um dos príncipes dos demônios que dominava algum reino do mundo demoníaco. Mas, o deus adorado em Ecrom, Baal-Zebube, ou “Senhor das Moscas”, estava diretamente ligado ao mundo satânico dos demônios.

Acazias, diante de um futuro incerto, vai em busca de saber o futuro e não se importou com a fonte do poder que estava buscando. Tal como seus pais, ele é ímpio até os ossos. Tudo o que lhe interessava era saber o futuro e, para alcançar isso, ele se conectou ao poder de Baal-Zebube. 

Talvez, alguém possa perguntar: mas qual é o impedimento? “Este deus é apenas um pedaço de madeira. Ele não está vivo”. Mas a grande dificuldade não está no que o objeto representa e, especialmente, no que ele faz para o adorador daquele ídolo. Com certeza o ídolo em si é apenas um pedaço de matéria, mas, por ser adorado, ele se torna um ponto de habitação do mundo demoníaco.

Paulo escrevendo aos coríntios, atesta que: “Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios” (1 Co 10.19-20).

 2)     Confronto 

“...Dispõe-te, e sobe para te encontrares com os mensageiros do rei de Samaria, e dize-lhes: Porventura, não há Deus em Israel, para irdes consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom? Por isso, assim diz o Senhor: da cama a que subistes, não descerás, mas, sem falta, morrerás. Então, Elias partiu” (2 Rs 1.3-4).

Lá está o rei Acazias, confinado em sua cama, sem se recuperar, querendo saber o seu futuro. O Senhor entra em cena e diz: “Vá dizer a Acazias que o simples fato de ter-se decidido a fazer uma consulta a este falso deus vai lhe provocar uma doença incurável. Ele nunca se recuperará”. Os mensageiros voltaram antes da hora e o rei pergunta: “Por que vocês voltaram?” (v.5). E os mensageiros, portanto, falam do encontro que tiveram com o profeta Elias no caminho.

E o rei pergunta: “Como era o homem que os encontrou e lhes disse isso? (v.7)”. Eles responderam: “Ele vestia roupas de pelos e usava um cinto de couro” (v.8). De acordo com a aparência, o rei deduziu: “...Era o Tesbita Elias”. Elias era famoso, conhecidos, principalmente nos dias de Acabe, seu pai. Acazias conhecia a fama do profeta. Ele já ouvira seus pais falaram desse “profeta pedra no sapato”. Elias fora o empecilho do reino deles e agora lá estava ele de novo, rondando o filho. 

Acazias tenta intimidar o profeta: “...enviou o rei um capitão de cinquenta...que subiram ao profeta, pois estava assentado no cimo do monte. Disse-lhe o capitão: Homem de Deus, o rei diz: desce. Elias, porém, respondeu ao capitão de cinquenta: Se seu sou homem de Deus, desça fogo do céu e te consuma a ti e aos teus cinquentas. Então, fogo desceu do céu e o consumiu a ele e aos cinquentas” (2 Rs 1.9-10). Essa intimidação aconteceu pela segunda vez, e o capitão e os cinquentas são queimados pelo fogo (2 Rs 1.11-12). 

Agora, na terceira vez, o capitão se humilhou: “...pôs-se de joelhos diante de Elias, e suplicou-lhe, e disse-lhe: Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida e a vida destes cinquenta, teus servos...” (2 Rs 1.13-14). Então, o anjo do Senhor disse a Elias: desce com este, não temas...” (2 Rs 1.15). Sem temor, Elias confronta-se com Acazias face a face. O profeta está sozinho, diante do rei mais jovem e, certamente, cercados de guerreiros armados, mas Elias era corajoso.

Repreendeu Acazias por substituir a verdadeira fonte de poder (O Senhor Deus de Israel) por uma imagem de escultura (Baal-Zebube). “Porventura, não há Deus em Israel, para irdes consultar Baal-Zebube, Deus de Ecrom?”. Em seguida pronunciou a sentença final: “Da cama que subiste, não descerás, mas, sem falta, morrerás”. E a profecia é fatal: “Assim, pois, morreu, segundo a Palavra do Senhor, que Elias falara” (2 Rs 1.17).

Conclusão: heroísmo, coragem.

Vemos essas virtudes no profeta Elias. Também, Martinho Lutero, reformador do século XVI, era corajoso. Diante da dieta de Worms, convocada pelo papa Leão X, para se defender, muitos dos seus amigos insistiam para que não fosse, mas ele disse: “Não ir a Worms, eu irei a Worms nem que haja tantos demônios quanto telhas no telhado!”. Na dieta de Worms, diante da pressão católica, ele disse: “Você pode esperar de mim qualquer coisa menos medo ou abjuração. Não fugirei e muito menos me retratarei”. 


 

terça-feira, 25 de outubro de 2022

 Elias e a vinha de Nabote – 1 Rs 21 

Introdução

“O homem que muitas vezes é repreendido endurece a cerviz será quebrantado de repente sem que haja cura” (Pv 29.1). Ou, “Quem insiste no erro depois de muita repreensão, será destruído, sem aviso e irremediavelmente”. Neste versículo Deus está revelando a verdade sobre si mesmo e sobre o homem que, teimosamente, se recusa a ouvir a voz do Senhor.

O termo “homem” se refere à humanidade em sentido genérico – homens e mulheres. A pessoa em questão é aquela que “endurece a cerviz”. A versão na linguagem de hoje traduz essa expressão por “teima em não se corrigir”. Em outras palavras, trata-se da pessoa que ouve e não reage – uma pessoa ensurdecida por sua vontade inflexível. Deus diz que tal pessoa depois de muitas repreensões “será quebrantado de repente se que haja cura”.

1)     Uma linda vinha

Os desejos podem se tornar fonte de pecado e crueldade. “...Nabote...possuía uma vinha ao lado do palácio, rei de Samaria... Disse Acabe a Nabote: Dá-me a tua vinha para que me sirva de horta...” ( Rs 21.1-2). Nabote é um homem simples que tem um pequeno pedaço de terra onde plantou uma vinha. Esta vinha que fora herdada de seu pai, por acaso estava ao lado do majestoso palácio do Rei Acabe. 

A vinha estava ao lado do majestoso palácio do rei Acabe. Então, certo dia, Acabe desejou essa vinha: “Quero este pedaço de terra. Dou-lhe até outra vinha ainda melhor em troca deste pedaço de terra. Se você preferir, posso pagar em dinheiro”. Interessante, que Acabe possuía terrenos melhores do que aquele que agora cobiçava, mas seu coração pecaminoso lhe fazia desejar exatamente o que o outro possuía. Que não se lembra da história de adultério de Davi e Golias? Desejo a mulher de Urias...

“Porém Nabote disse a Acabe: Guarda-me o Senhor de que eu dê a herança de meus pais” (1 Reis 21.3). De acordo com o livro de Levítico, a terra pertencia ao Senhor “A terra não poderá ser vendida definitivamente, porque ela é minha...” (Lv 25.23). Os judeus sabiam que o Senhor lhe havia dado o direito de explorar a terra como uma concessão. O livro de Números destaca esse fato: “...a herança dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo; pois os filhos de Israel se chegarão cada um à herança da tribo de seus pais” (Nm 36.7).  

2)     Cobiça

Acabe ficou literalmente “doente de vontade” de possuir aquilo que pertencia a outro “...Acabe veio desgostoso e indignado para sua casa, por causa da Palavra que Nabote lhe falara...deitou-se na sua cama, voltou o rosto e não comeu pão” (1 Rs 21.4). A palavra do Senhor a Caim cabe nesse momento: “Se todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4.7). Aqui “o seu desejo” se refere ao desejo dominador do pecado, que “jaz à porta”.  


Quando Acabe conta a Jezabel o motivo do seu desgosto, ela ironiza: “É ASSIM QUE VOCE AGE COMO REI EM ISRAEL?” A resposta é que quem manda mesmo é Jezabel! E, ela então, lhe assegura: “Levante-se e coma! Anime-se. Conseguirei para você a vinha de Nabote, de Jezreel” (1 Rs 21.7). Acabe deixa de ter o controle de sua vida e a entrega a Jezabel – e ela usa esse controle do jeito que ela quer! 

O que ela faz? “Escreveu cartas em nome do Rei, pôs nelas o selo do rei, e as enviou às autoridades e aos nobres da cidade de Nabote”. Qual era o conteúdo das cartas? “Decretem um dia de jejum e ponham Nabote sentado num lugar de destaque entre o povo. E mandem dois homens vadios sentar-se em frente dele e façam com que testemunhem que ele amaldiçoou tanto a Deus quanto ao rei. Levem-no para fora e apedrejem-no até a morte” (1 Rs 21,9-10). 

É importante notar que os envolvidos neste esquema não foram apenas os homens que mentiram – homens vadios, desprezíveis, filhos de belial. Mas “os anciãos e os nobres” que seguiram as instruções de Jezabel. Ou seja, o sistema inteiro era corrupto. Justiça e integridade não faziam parte desta administração ímpia. Ninguém buscou a verdade. Não passavam de um bando de mentirosos e assassinos. 

Agora veja a reação de Acabe: “Então mandaram informar a Jezabel: "Nabote foi apedrejado e está morto. Assim que Jezabel soube que Nabote tinha sido apedrejado até a morte, disse a Acabe: Levante-se e tome posse da vinha que Nabote, de Jezreel, recusou-se a vender-lhe. Ele não está mais vivo; está morto! Quando Acabe ouviu que Nabote estava morto, levantou-e e foi tomar posse da vinha” (1 Rs 21.14-16).

Acabe não pergunta como as coisas aconteceram. Não quis saber o motivo da morte de Nabote. Ele simplesmente aceita aquilo que desejava havia tanto tempo: a vinha de Nabote.“Viva durante muito tempo sob a influência de um líder imoral, não ético e idólatra, e você não ficará mais indignado com coisa alguma”.

3)     O juízo de Deus

“Então a palavra do Senhor veio ao tesbita Elias” (1 Rs 21.17). O termo “então” aparece sempre anunciando uma nova ação. No versículo 17, o texto anuncia uma ação de Deus “Você assassinou um homem e ainda se apossou de sua propriedade? E acrescentou: Assim diz o Senhor: No local onde os cães lamberam o sangue de Nabote, lamberão também o seu sangue; isso mesmo, o seu sangue". O fato do Senhor permitir que certas coisas ruins aconteçam não significa que Ele está fora do processo. Ele sabe todas as coisas e atua segundo sua soberania no tempo. No seu tempo, ele vai agir. 

“Acabe disse a Elias: Então você me achou, meu inimigo! Eu o achei, ele respondeu, porque você se vendeu para fazer o que o Senhor reprova” (1 Rs 21.20,21). “...porque você se vendeu”, essa palavra, contém a ideia de uma atividade constante e frequente: lidar com o mal, ou “casar”. Ou seja, Acabe se casara com uma mulher ímpia e, ao fazê-lo, também se casou com o reino do pecado e do mal. Ele abraçou isso em todas as áreas de sua vida como consequência de ter tomado Jezabel como parceira para toda vida.

E o juízo de Deus é severo: “Vou trazer desgraça sobre você. Devorarei os seus descendentes e eliminarei da sua família todos os do sexo masculino...e acerca de Jezabel o Senhor diz: os cães devorarão Jezabel junto ao muro de Jezreel. Os cães comerão os que pertencem a Acabe e que morreram na cidade, e as aves do céu se alimentarão dos que morrerem no campo” (1 Rs 21.21-24). 

Tal qual Natã diante do Rei Davi, o rei assombrado pela culpa, Elias se levanta diante do rei ímpio rei Acabe. Com um olhar inquisitivo, o profeta olha para o profundo da alma depravada daquele homem e entrega o pacote. A morte é iminente. Elias era o Monte sinai em forma humana, com um coração semelhante a uma tempestade.

E temos um parêntese: ( Nunca existiu ninguém como Acabe, que se vendeu para fazer o que o Senhor reprova, pressionado por sua mulher Jezabel. Ele se comportou da maneira mais detestável possível, indo atrás de ídolos, como faziam os amorreus, que o Senhor tinha expulsado de diante de Israel) (1 Rs 21.25,26).

 

Conclusão: restauração mudança de vida.

“Quando Acabe ouviu essas palavras, rasgou as suas vestes, vestiu-se de pano de saco e jejuou. Passou a dormir sobre panos de sacos e agia com mansidão” (1 Rs 21.27). O problema não está em quão o pecador possa ser, mas se de fato há uma experiencia de arrependimento. 


 

terça-feira, 18 de outubro de 2022

 Elias e Eliseu  - 1 Rs 19.15-21

Introdução:

Os tempos eram difíceis, nebulosos, com extraordinário afastamento de Deus e influencia do mundo dentro da comunidade do povo de Deus. O profeta Elias estava cansado, desanimando e deprimido, e isso lhe fazia crer que estava de fato sozinho “sou o único que sobrou e agora também estão procurando matar-me”. Elias teve um diagnostico de depressão: a) solidão, estava sozinho em Berseba; b) Suicídio “...tira a minha vida...”; c) perda de apetite “levanta-te e come”; d) sono ou insônia – duas vezes foi chamado pelo anjo e, e) autocomiseração “Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais”. 

Há momentos, que pensamos que tudo está indo pro ralo e nos desesperamos. Mas, o Senhor disse a Elias: “Que fazes aqui, ou o que você está fazendo com a sua vida”. Agora, “Saia da caverna...Unja Eliseu, filho de Safate, de Abel Meolá para suceder você como profeta... fiz sobrar ainda sete mil em Israel... cujos joelhos não se inclinaram ...cujas bocas não o beijaram” (1 Rs 19,16,18).

1)     Quando Deus chama

Quando somos jovens, estamos preocupados em construir nossos sonhos, estudar, arrumar bom emprego, fazer o futuro. Quando somos adultos, estamos no mercado de trabalho, com família organizada, com projetos em andamentos. Mas do ponto de vista de Deus, as coisas não são bem assim...Moisés estava cuidando de ovelhas, quando foi chamado por Deus. Gideão estava no lagar debulhando trigo; Davi pastoreava o rebanho de seu pai; Neemias era copeiro do rei. Pedro estava lançando as reder no mar. Mateus estava cobrando impostos na coletoria... 

E Eliseu? Vivia numa fazenda no município de Abel-Meolá (lugar de festa). Ele devia ser de uma família rica. Suas terras eram férteis. Elias o encontrou na companhia de outros homens lavrando a terra – eram doze parelhas de bois – todos estavam trabalhando – e foi entre eles que Deus chamou um para servir como profeta.

E hoje? As pessoas a quem o Senhor decide usar em sua obra são trabalhadores, pessoas que vão abrir mão de seus muitos sonhos. Os chamados podem estar num cursinho pré-vestibular, ou numa sapataria, numa fábrica, num escritório, numa universidade, numa fazenda. Estamos dispostos a abrir mão de seus próprios projetos para atender o chamado de Deus? O QUE IMPORTA NÃO É O QUE ESTAMOS FAZENDO, MAS O QUE DEUS NOS CHAMA PARA FAZER! 

2)     O chamado é urgente

“Elias o alcançou e lançou sua capa sobre ele” (1 Rs 19.19). A capa era um símbolo de autoridade profética. Elias de modo algum titubeou diante da voz de Deus e cumpriu o que Deus lhe mandou.  Por outro lado, Eliseu sabia bem o que significava o ato praticado por Elias “Eliseu deixou os bois e correu atrás de Elias”. A um cabia a obediência em ungir, e ao outro cabia o dever de seguir imediatamente a ordem que lhe fora comunicada. 

“Deixa-me dar um beijo de despedida em meu pai e minha mãe e então irei contigo” (1 Rs 19.20). Em Mateus, temos algo similar: “...Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai...deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos” (Mt 8.21,22). Aqui, o discipulo somente seguiria Jesus, quando seus pais morressem e fossem sepultados. No caso de Eliseu, foi diferente. Tratava-se de alguém que “imediatamente” deixou os bois, “correu” após Elias, e demonstrou seu carinho e compromisso com os seus pais.

Conforme o próprio principio bíblico: Se alguém não é fiel com os de sua própria casa, não tem autoridade para sair por aí dizendo-se profeta de Deus. “Se alguém não cuida dos seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descente” (1 Tm 5.8).

3)     O chamado é celebração

“E Eliseu voltou, apanhou a sua parelha de boi e os matou. Queimou o equipamento para arar e cozinhar a carne e deu ao povo e eles comeram” (1 Rs 19.21).

O chamado de Deus para Eliseu fora motivo de celebração, de alegria, de regozijo! Então, ele deu uma festa de despedida e sacrificou tudo o que representava sua vida anterior ao chamado (matando mesmo!) Ouço aqui o eco das palavras de Jesus: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo...” (Lc 9.23). Não haveria como olhar para trás porque os bois haviam sido sacrificados, os aparelhos de trabalho haviam sido queimados, e tudo era passado – história de outro momento em sua vida. 

Devemos lamentar que tantos irmãos que já “sentiram o manto de Elias” sobre os seus ombros continuam divididos, sempre temerosos de sacrificar “os seus bois”. “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lc 9.62).

4)     O chamado é para servir

“Depois partiu com Elias, tornando seu servo” (1 Rs 19.21). Em outros textos do Antigo Testamento, essa palavra é traduzida como “atendente” ou “auxiliar”. Como no caso do menino Samuel que “ficou servindo ao Senhor, perante o sacerdote Eli” (1 Sm 2.11). A atitude de servo requer humildade. O que é humildade? Qualidade de humilde, de quem é modesto, simples, e não expressa vaidades; simplicidade. Qualidade de quem tem consciência de suas limitações.

É fácil identificar os humildes. Eles nunca têm a pretensão de saber tudo. Enquanto, outros, acham que sabem tudo! Os humildes reconhecem que há sempre lugar para mais aprendizagem e conhecimento. Querem crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Os humildes estão prontos a admitir que podem aprender com os outros, sobretudo com aqueles que possuem mais experiencia que ele, mais tempo de ministério, mais experiencia de relacionamento com Deus.

Elias e Eliseu andaram juntos por 10 anos (um longo período de formação que parece que as pessoas lutam muito para evitar), instruindo o povo na adoração ao Deus verdadeiro, confrontando a idolatria e opondo-se à corrupção moral e social que destruía a nação. Juntos abriram a escola dos profetas, ensinando-lhes a Lei do Senhor e preparando-os para servir ao Senhor na obra do ministério. 

Eliseu estava presente quando Elias teve o confronto com Acabe acerca do assassinato de Nabote e viu como Acabe se arrependeu e humilhou perante o Senhor (1 Rs 21.17-29). Da mesma forma, estava presente, quando Elias foi enviado a Acazias, para avisá-lo das consequências de seu desejo de consultar os ídolos dos filisteus, em vez de buscar ao Senhor o Deus de Isral (2 Rs 1.1-17). Enfim, Elias acreditou em Eliseu, enquanto que Eliseu estava motivado a aprender, crescer.

 Conclusão: a lealdade de Eliseu

Eliseu fora leal a Elias até o fim. Tres vezes teve a oportunidade de deixa-lo, mas a cada uma delas respondeu: “Tão certo como vive o Senhor e vive a tua alma, não te deixarei” (2 Rs 2.2,4.6).



 

 

 

 

 

 

terça-feira, 11 de outubro de 2022

 Elias e a depressão 1 Rs 19.1-18 

Introdução

O general Douglas McArtur. O bravo líder das forças americanas no Ásia durante a segunda guerra mundial, escreveu um artigo com quatro princípios de suma importância. Primeiro, a lei moral, que era um desejo de vencer, persistir. Segundo, Força, ou animo em meio a peleja. Terceiro, uma boa fonte de suprimento. 4) Quarto, conhecer o inimigo, ele escreveu: “Quanto mais se conhece o inimigo, maior a probabilidade de vitória”. O apostolo Paulo sabia da importância desse princípio: “pois não lhe ignoramos os desígnios” (2 Co 2.11).

Em 1 Rs 19 encontramos a estratégia de Satanás. Há qualquer coisa de inebriante na vitória; em nossa euforia de vencedores, perdemos a noção da realidade e ficamos vulneráveis às flechas devastadoras do diabo. A distancia entre o topo do Carmelo e o fundo do vale do desespero é bem curta. 

1)     Cena um: ameaça

No capitulo 18 narra a derrota dos profetas de Baal, depois Acabe sobe na carruagem e desce o monte a galope, indo até a planície de Jezreel (1 Rs 18.45). O percurso do Monte Carmelo até Jezreel era longo, por isso ele deve ter chegado em casa tarde da noite. E, diz o texto: “Ora, Acabe contou a Jezabel tudo o que Elias tinha feito e como havia matado todos aqueles profetas à espada” (1 Rs 18).

Jezabel era dominadora, cajado cor de rosa, mandona e enviou uma mensagem ao profeta Elias: “Que os deuses me castiguem com todo rigor, se amanhã nesta hora eu não fizer com a sua vida o que você fez com a deles” (1 Rs 19.2). Algumas características: Primeiro, ela toma o assunto em suas próprias mãos; segundo, ela faz o trabalho do seu marido do jeito que quer; terceiro, passar usar intimidação e esquemas quando vê seu marido fraco diante da pressão. O que Jezabel estava realmente dizendo a Elias era: “Amanhã, a esta hora, você estará morto”. 

O que fez Elias? “Elias teve medo e fugiu para salvar a vida. Em Berseba de Judá ele deixou seu servo e entrou no deserto” (1 Rs 19.4). Aqui, é o mesmo Elias que chega diante de Acabe e lhe profetiza que não iria chover, segundo a sua Palavra. É o mesmo Elias que foi abastecido no Rio Querite; é o mesmo Elias que fez a farinha e o azeite multiplicar e o seu filho ressuscitar. É o mesmo Elias do Monte Carmelo, que fogo desceu do céu e queimou todo o altar.

Mas, nesse instante, ele descuidou-se e, como se estivesse olhando do lado errado das lentes do binóculo, olhou para a circunstancias. Foi como os discípulos de Jesus, quando entraram naquele barco, enquanto Jesus despedia da multidão. O barco, em uma determinada hora, começou a ser fustigado pelas ondas do mar, porque o vento soprava contra ele. De repente, aparece alguém andando por cima das águas, os discípulos ficam aterrorizados e com muito medo. Jesus lhes disse: “Sou eu, não tenham medo” (Mt 14.27) Pedro lhe disse: “Se és tu, manda-me ir ao teu encontro por sobre as águas”. Jesus disse: “Vem”. Quando Pedro ia andando sobre as aguas “reparou no vento e ficou com medo”. E gritava: “Senhor, salva-me!” 

2)     Cena dois: fuga

Depois de se colocar uma distancia de aproximadamente 200 km entre si e a rainha (Berseba), Elias, ainda sentindo-se ameaçado “Se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se sentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta, toma agora, o Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais”(1 Rs 19.4). uma pergunta: Por que Elias fugiu da responsabilidade de servir a Deus e se escondeu, morto de medo, debaixo da sombra de uma arvore solitária no meio do nada? 

Primeiro, Elias não estava pensando de modo claro e realista. A ameaça não viera de Deus: fora feita por um ser carnal e ímpio que vivia uma vida sem Deus. Ele poderia ter pensado consigo: “Ei, é Deus quem está no controle dessa situação, não Jezabel. Não dê a mínima para as suas ameaças. Confie em Deus, do jeito que você tem feito todos esses anos”.

Segundo, Elias afastou-se dos relacionamentos encorajadores. A Bíblia diz que ele “deixou o seu moço” e “ele mesmo...se foi ao deserto, caminho de um dia”. Pessoas desencorajadas são pessoas solitárias. Só há espaço para uma pessoa debaixo de um zimbro no deserto. Debaixo dos galhos secos da desmotivação e solidão há somente uma pequena sombra.

Terceiro, Elias foi pego na contracorrente de uma grande vitória. Nossos momentos mais vulneráveis muitas vezes surgem logo depois de uma grande vitória, especialmente se a vitória é uma experiencia com Deus do tipo “topo do monte”. Aqueles são momentos em que precisamos armar uma barricada de defesa contra o inimigo. É como o alpinista, depois de moer os ossos subindo a montanha e, quando chega, é um sentimento indescritível; mas, o maior desafio é descer a encosta, ficam mais vulneráveis a uma queda. 

Quarto, Elias estava fisicamente exausto e emocionalmente exaurido. Ele percorreu 32 km do Monte Carmelo a Jezreel e, correu tanto que passou na frente da carruagem de Acabe (1 Rs 18.46) – uma maratona incrível, mesmo para quem está movido pelo poder do Senhor. A seguir, percorreu mais 192 quilômetros fugindo de Jezabel. Para completar, caminhou um dia inteiro pelo deserto. Não é de admirar que acabasse caindo de cansaço debaixo de uma arvore, pronto para ser levado por Deus.  

Há um velho ditado grego que diz: “Voce vai acabar quebrando o cântaro se o mantiver sempre escorado na parede”. Em outras palavras, se você estiver vivendo sob constante e forte estresse, vai terminar esmorecendo diante da pressão. Você precisa de um tempo para descansar e reanimar no Senhor.

Quinto, Elias perdeu-se na autocomiseração. O que é? Sentimento de autopiedade, de pena de si mesmo; que sente dó de si próprio. A autocomiseração é uma emoção inútil. Ela vai mentir para você. Vai exagerar. Vai leva-lo às lágrimas. Vai cultivar a “mentalidade de vítima” em sua cabeça. E, na pior das hipóteses, vai leva-lo a desejar a morte, exatamente como aconteceu com Elias. Ele disse: “tira a minha vida; não sou melhor do que os meus irmãos” (1 Rs 19.4). Quem disse que ele precisava ser? Ninguém disse que ele tinha de ser melhor que seus pais. Foi ele mesmo quem falou isso! 

Sexto, Deus vem ao encontro do profeta. “Eis que um anjo tocou e lhe disse: Levanta-te e come. Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir” (1 Rs 19.5-6). Deus não chegou com um sermão ríspido, ou moralista, mas veio socorrer o profeta. Mais tarde, “voltou segunda vez e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo” (1 Rs 19.7). Deus supre as necessidades de seus servos. “Fortalecido com aquela comida, viajou quarenta dias e quarenta noites, até chegar a Horebe, o monte de Deus. Ali entrou numa caverna e passou a noite” (1 Rs 19.8). Horebe ficava a 160 km ao sul de onde se encontrava; por isso Elias acabou percorrendo ao todo mais de 480 quilômetros depois que Jezabel o ameaçou de morte. 

Conclusão: Elias na caverna

“...entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a Palavra do Senhor e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? (1 Rs 19.9).

Elias respondeu: “...tenho sido zeloso pelo Senhor... porque os filhos de Israel deixaram a sua aliança... e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida” (1 Rs 19.10). Elias estava acreditando numa enorme mentira: “Estou sozinho aqui. Sou a única voz de Deus. E ainda estão tentando me matar” 

“Sai-te e põe-te neste monte perante o Senhor... um grande forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto; depois do terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava no fogo...” Vento, terremoto, fogo. Mas, Deus não estava em nenhum destes fenômenos poderosos...

“...E, depois do fogo, um cicio tranquilo e suave. Ouvindo-o Elias, envolveu o rosto em seu manto e, saindo, pôs-se a entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: “Que fazes aqui, Elias? (1 Rs 19.12-13). Você viu o que Deus fez? Ele puxou Elias para fora da caverna da autocomiseração, da desmotivação e da depressão. E, uma vez fora da caverna, Deus lhe pergunta mais uma vez: “Que fazes aqui Elias?” 

Vai e profeta a Hazael, será o próximo rei da Síria.

Vai e profeta a Jeú, seria rei de Israel...

E unge, Eliseu, profeta em sua lugar.

“E ainda tem sete mil em Israel, cujos joelhos não se inclinaram diante de Baal”

É ISSO, PRECISAMOS SAIR DO NOSSO CASULO E ARREGAÇAR AS MANGAS E FAZER A VONTADE DO NOSSO PAI.