terça-feira, 6 de outubro de 2026

Despedidas Atos 20.17-30 

Introdução

Despedidas nunca são fáceis, especialmente em circunstâncias difíceis. Um filho que vai para a faculdade e se despede de sua mãe, os olhares se despedem carregados de lágrimas. Imagina a cena de alguém muito especial que está ali em sua frente, imóvel, sem vida, em alguns minutos será enterrada, nunca mais verá aquela pessoa em vida. Alguém disse: “Eu odeio despedidas”. O apostolo Paulo vai se despedir dos obreiros de Éfeso, um coração dele está derretido, pois talvez nunca mais os veria. 

Em Mileto.  

“De Mileto, mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja”. Mileto ficava na costa, a cerca de 48 quilômetros ao sul de Éfeso, onde o rio Meandro desagua no golfo de Latmus. Ali, em Mileto, o apostolo Paulo deu ordem para chamar os presbíteros de Éfeso. Seria uma reunião ministerial, o último discurso do apostolo Paulo aos obreiros. Ele não falou como acadêmico, teólogo, em uma torre de marfim, mas como pastor que se preocupa profundamente com a fé, as crenças, e o modo de viver dos cristãos. 

Ele começa contando sua história pessoal com o povo de Éfeso. A partir do verso 18, ele fala de sua conduta no meio deles, desde o primeiro dia. O Pastor é alguém que está no meio do seu povo, que tem conduta conhecida por todos. Paulo serviu ao Senhor com toda humildade, em momento algums ele se achou melhor dos que os outros, mas se colocou em posição de igualdade com os irmãos de Éfeso.

Ele fala de todas suas dificuldades, perseguições, por causa dos judeus. Em todo o lugar que ia pregar o evangelho era perseguido ferozmente pelos judeus.  Lhe expõe sobre seu desejo missionário de “anunciar tanto a judeus como a gregos que eles precisam se converter a Deus”, o arrependimento era para todos; ele foi incansável como evangelista pregando de “casa em casa” (At 20.20). Por mais que tivessem dificuldades no caminho, o apostolo Paulo era imbatível, não desanimava. 

Emocionado ele fala: “Agora, compelido pelo Espirito Santo, vou a Jerusalém”. Paulo sabe de sua compulsão, de sua necessidade de ir para Jerusalém, não obstante, “em todas as cidades, o Espírito Santo me adverte de que me esperam prisões e sofrimentos” (V.23). Jesus disse sobre Paulo: “Esse homem é o instrumento que escolhi para levar o meu nome diante dos gentios e dos seus reis, bem como diante do povo de Israel. Mostrarei a ele quanto deve sofrer pelo meu nome” (Atos 9.15-16).

Mas, o que é importante: “Todavia, não me importo nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, desde que eu termine a corrida e complete o ministério que o Senhor Jesus me confiou”. Ele diz, estou numa corrida, “o importante é testemunhar do evangelho da graça (At 20.24)”. Paulo tinha duas convicções: ele merecia ter morrido no caminho de Damasco, mas o Senhor estendeu misericórdia; cada dia de sua vida era um dom da graça. Segundo, se o caminho dele levasse à morte, ele não poderia segui-lo com menos entusiasmo. 

Paulo fala de uma corrida “termine a corrida e complete o ministério”. No grego é “dromos”, diz sobre completar uma corrida. Ele dá entender que a sua corrida está terminando. Na corrida da vida cristã, não podemos parar, não podemos desanimar. O escritor aos hebreus admoesta:”...nós que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, desembaracemo-nos, de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos está proposta” (Hb 12.2).  

2) advertências

Depois, ele olha para os presbíteros e diz de uma forma grave: “Vigiem a vocês mesmos e a todo o rebanho sobre o qual o Espirito Santo constitui-os bispos. Sejam pastores da igreja de Deus, que ele comprou com o seu sangue” (At 20.28).  Ouçam: “Vigiem a vocês mesmos”,  “Cuidem de vocês mesmos”. Primeiramente examinar a si mesmos para que não conduza à destruição aqueles que estão sendo pastoreados. Vocês são soldados, vocês tem que ficar de guarda. A responsabilidade de vocês é ficar acordado, é ficar vigiando. Segundo, Deus lhes confiou um tesouro inestimável e, como sentinelas em seus postos, eles deveriam ser vigilantes e diligentes. 

 “Bispo” é idêntico a “presbítero” ou “ancião”, também diz respeito à sabedoria e um tempo maior no reino de Deus. São pastores, homens de Deus.  Os bispos não são “autoridades supremas”, porque a igreja pertence a Jesus que “comprou com o seu próprio sangue”.

Paulo diz: “Sei que depois de minha partida, lobos ferozes entrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho (Atos 20.30).” Cuidado, diz o apóstolo, com os lobos vestidos de ovelhas. Ensinarão coisas heterodoxas, doutrinas de homens. Assim, como Satanás, com sua capacidade de disfarçar em anjo de luz (2 Co 2.4).Esses homens serão camuflados e enganarão a muitos, por isso que temos que discernir. Paulo está dizendo cuidados com os homens que parecem ovelhas, mas são lobos. Judas fala sobre eles: “São como as ondas bravias do mar, espumando suas próprias indecências; estrelas errantes, para as quais estão preparadas as mais densas trevas por toda eternidade” (jd 13). 

“Dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair discípulos para si. Por isso, vigiem! Lembrem-se de que, noite e dia, durante três anos, jamais cessei de advertir com lagrimas cada um de vocês” (At 20.31). Diz Paulo “noite e dia”, vejam a devoção do apostolo. Durante três anos, usei todas as oportunidades para que os cristãos de Éfeso tornassem crentes maduros. Agora, Paulo, transferia sua responsabilidade aos presbíteros.

Já quase no final do seu sermão, o apostolo estende as mãos para os presbíteros e diz: “Agora, eu os entrego a Deus e à palavra da sua graça, que os pode edificar e dar a voces herança entre todos os que são santificados” (At 20.33). Somente Deus pode nos edificar em sua palavra  e nos santificar em Cristo Jesus.

E exorta os obreiros quanto ao uso correto do dinheiro: “Não cobiceis a prata nem o ouro, nem roupas de ninguém”. Paulo sempre se sustentou como fazedor de tendas. Em todo lugar que ia se mantinha, financeiramente. Recebeu ofertas da igreja de Filipos, enquanto estava em Tessalônica. O apostolo Paulo era pregador do evangelho, em todo tempo manteve uma atitude correta sobre o dinheiro, para não dar motivos errados e escandalizar a obra de Deus. 

Conclusão

Tendo dito isso, ajoelhou-se com todos eles e orou. Todos choraram muito e, abraçando-o, o beijavam. O que mais os entristeceu foi a declaração de que numa mais voltariam a ve-lo. Então, o acompanharam até o navio” (Atos 20.38). Despedidas dói, principalmente, quando era do conhecimento de todos que não mais veriam o apostolo Paulo. O cristianismo é alegria, é jubilo, mas também, é choro. 



 

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