sábado, 3 de outubro de 2026

 Mergulhando no rio de Deus Ez 47.1-7 

Ezequiel era filho de Buzi, sacerdote. Fora levado ao exilio na Babilonia, com 25 anos de idade. Quando estava com trinta anos, viu “...viu uma terrível tempestade vinda do norte...”, no meio dessa tempestade “...viu quatro seres viventes”, são os querubins de Deus, que guardam a santidade do Eterno. Viu também rodas “...reluziam como berilo e seus aros estavam cheios de olhos”. As rodas obedeciam ao movimento do Espirito Santo de Deus; por cima de tudo, ele viu o trono de Deus “uma figura que parecia homem”, que reluzia e resplandecia como fogo. Diante dessa visão maravilhosa, diz-nos: “...coloquei o rosto no pó”; todo seu corpo tremia e não conseguia ficar de pé diante da face de Deus.

1)     Um homem com uma vara de medir

No capítulo 37 o profeta Ezequiel é transportando no vale de ossos secos, ossos sem vida, inumeráveis, ele profetiza sobre os ossos;  capitulo 38 ainda está no vale profetizando para Gogue e Magogue e no capitulo 39 continua no vale. Mas no capítulo 40, a mesma mão que havia levado o profeta para o vale, agora, a mão do Senhor colocou-o sobre um monte muito alto. Nesse monte, ele viu alguém no templo “...um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo um cordel de linha na sua mão e uma cana de medir, e estava em pé na porta” (Ez 40.3).

Diz-nos o texto: “O homem me levou de volta até a entrada do Templo. Debaixo da entrada, saia água que corria na direção leste...a água corria por baixo do lado sul do templo, ao sul do altar” (Ez 40.1). Essas águas correm do trono de Deus, representa ou simboliza a presença do Espírito Santo. Essas águas estão fluindo, todos os dias. Não se condiciona ao ser humano, pois vem do próprio Deus. Essas águas representam o poder de Deus, o dínamo de Deus, a força de Deus na história humana. Nós precisamos dessas águas sobre nossas vidas.

Uma pergunta: “Quem é este homem?” “...cuja aparência era como a de bronze?”. Este homem é uma teofania, é uma manifestação do próprio Deus em forma humana. Quem é este homem? Que carregava um “...cordel de linha na sua mão e uma cana de medir, e estava em pé na porta”? Esse homem é o mesmo que apareceu para João na ilha de Patmos: “Os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha” (Ap 1.15). É o mesmo que apareceu para Moisés, no meio de uma sarça que não sem consumia. É o mesmo que apareceu para Jacó, no vale de Jaboque. É o mesmo que apareceu à Manoá, para anunciar o nascimento de Sansão, o seu nome é Maravilhoso.

Quem era esse homem? É o mesmo homem que apareceu para Josué ao pé da muralha de Jericó, com uma espada nua em sua alma. Ele é o capitão do exército do Senhor. Quem é esse homem? É o mesmo homem que quando Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não quiseram adorar a imagem feita por Nabucodonosor e foram lançados na fornalha de fogo ardente, esse mesmo homem apareceu no meio da fornalha e andava com eles.  Esse homem é Jesus, o verbo de Deus, aquele que era, que é e que há de vir.

2)     Medindo a esfera da nossa ação

“O homem saiu para o oriente, levando a mão uma corda de medir; ele mediu mil côvados e me fez passar pelas águas que batiam na altura do tornozelo” (Ez 47.3). Olha o que o texto diz: “...e me fez passar”. Estamos aqui pela misericórdia de Deus, é Ele que chama, é Ele que salva, é Ele que capacita, é Ele que batiza com Espirito Santo. Não é por nós, mas por Ele; não é pelo nosso esforço, mas pela morte dEle na cruz do calvário. Tudo é para Ele, tudo é para glorificar o Nome dEle. O apostolo Paulo afirma em Efésios: “Pois pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).  Mas, é somente o começo da vida cristã.

“De novo mediu mil côvados e me fez passar pelas águas, que batiam na altura dos joelhos...”. Toda medida na vida cristã, nunca é definida por nós, mas sempre é definida por Deus. Primeiro, o homem mediu mil côvados e chegou no tornozelo; agora, mede mais mil côvados e vai na altura do joelho. A vida cristã não é estagnada, não é parada, estacionada, quanto mais você anda nas águas do Espírito mais profundidade tem para você.

Tem irmãos que estão na presença do Senhor faz tempo, mas continua com as águas no tornozelo, ainda estão contando sempre as mesmas experiencias.  Mas, tem irmãos que chegaram bem depois, no entanto, mergulharam mais profundamente nas águas do Espírito; saíram do tornozelo e já estão com ás aguas no joelho. São pessoas que tem prazer de orar, são pessoas que gostam de aprender, são pessoas abertas ao novo de Deus. Mas, ainda não é o suficiente.

Tem mais, “outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas, que batiam na cintura” (Ez 47.4). Primeiro, levou-me até o tornozelo, depois levou-me até o joelho e agora, as águas estão nas cinturas. Fala de uma experiencia mais profunda com Deus, fala de uma comunhão significativa com Deus, fala de uma entrega a Deus. Mas, ainda estamos no controle da situação. Pois, entramos até o tornozelo, estou no controle da situação; entrei até cobrir os joelhos, mas ainda estou andando por cima das águas. Agora, cheguei a cintura, já aprofundei significativamente na minha vida cristã.

Todas as medidas eram iguais, mas os níveis diferentes. Mil côvados, mil côvados, mil côvados, mas o nível era outro. Pra você mudar de nível é necessário caminhar, movimentar. Quanto mais você caminha, mais você vai desaparecendo nas águas, desaparecendo. Nunca é para aparecer, nunca é para chamar a atenção para si. Mas, quanto mais desce, mas o nome de Jesus é glorificado. quer ser profundo, mas não ora, não desce, quer ser profundo, mas não se dedica.

Conclusão

Quando pensamos que nos aprofundamos suficientemente na vida cristã, Deus lhe diz: “...mediu mais mil côvados, e era um rio, que eu não podia atravessar; pois as águas tinham subido, tornando-se um rio que não se podia atravessar, a não ser a nado” (Ez 47.5). Ezequiel não foi e o texto diz: “Então me levou e me fez voltar à margem do rio” (Ez 47.6). Do outro lado havia abundância de arvores, as águas que descem do templo, fazem as águas do mar morto se tornar águas saudáveis; do outro lado existe vida de todas as espécies; do outro lado existe abundância espiritual e material, até os pântanos se tornarão saudáveis. Do outro lado tem todos os tipos de frutos que servem de alimento...

Mas, Ezequiel não quis ir para o outro lado, ficou com medo. Porque quando você se lança no rio de Deus, teria que ir pra onde o rio te lançar. Isso não queremos, porque não queremos perder nossa autonomia. Quando mergulhamos, perdemos nossa vontade, e fazermos o que o rio quer. Quando você se deixa levar pelo rio, não tem mais condicionalidade, mas faz a vontade de Deus. Se deixa levar pelo rio, deixa o Espirito lhe guiar.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário