C.S. Lewis e o livre arbítrio.
C.S. Lewis em seu livro “Cristianismo
puro e simples” fala sobre o livre-arbítrio humano. Ou seja, o ato do ser
humano decidir, ser sujeito de sua própria história. Ele começa afirmando que “Deus
criou os seres humanos com livre-vontade, e isso significa que temos opção de
fazer o bem e o mal”, ou seja, de decidir, senhor de sua história, da nossa
história. “Ser alguém livre para ser bom, ser alguém livre para ser mal”.
Então, diante desse fato
aterrorizante, ele pergunta: “Porque então Deus concede a livre vontade, ou livre-arbítrio?”
e responde: “Porque a livre-vontade embora possibilite o mal, também é a única
coisa que torna possível todo amor, toda bondade ou toda alegria”. “Um
mundo de robôs”, diz C.S. Lewis, “dificilmente valeria a pena ser criado”.
O amor consiste justamente no fato de termos liberdade, senão seria algo tirânico,
religioso, impessoal.
O que é felicidade, segundo
evangelho de Mateus é bem-aventurado, para Lewis “a felicidade que Deus
designou para suas criaturas superiores”, ou seja, os seres humanos, “é
a felicidade de estar em união com Ele, livre e voluntariamente em êxtase de
amor e prazer, que comparado com o amor arrebatador entre homem e uma mulher
nesta terra, este último seria água com açúcar. E para isso eles tem de ser
livres”. A felicidade então é a junção entre Deus e o ser humano, não na
base da imposição, do dever, mas na base no amor. E essa felicidade está acima
da felicidade entre um homem e uma mulher.
Mas, lewis, vai mais longe,
afirmando: “É evidente que Deus sabia que a liberdade seria usada de forma
errada. Talvez nos sintamos inclinados a discordar dEle, mas quem somos nós
para discordar de Deus?”. Grande pergunta, quem somos nós, criatura
finitas, pecadoras, egoístas para discordar de Deus. Ele diz: “Ele é a fonte
da qual vem todo o poder de raciocínio. Você não poderia estar certo e ele,
errado, da mesma forma que um riacho não pode correr no sentido contrário a sua
própria nascente”.
Quanto melhor for a matéria
de que uma criatura tenha sido feita – quanto mais inteligente, forte, livre
ela for – melhor ela se tornará se seguir o caminho certo, mas, também, pior se
tornará quando seguir o caminho errado.
Em seguida, ele pergunta: Como
o ser humano se corrompe, ou, melhor como o ser humano segue o caminho errado?
Lewis responde: “no momento em que você tem um ego, surge a possibilidade de
colocar a si mesmo em primeiro lugar – de querer ser o centro – que é o desejo,
na verdade, de ser Deus. Esse foi o pecado de Satanás, e esse foi o pecado que ele
ensinou á humanidade”. O que Satanás colocou na mente dos seres humanos foi a
ideia de que eles poderiam “ser como deuses”. Sim, foi isso que a serpente
falou para Eva, no Jardim do Eden.
"Como se pudessem estruturar-se
por si mesmos, como se tivessem criados a si mesmos -, ser os seus próprios guias
– inventar uma espécie de felicidade para si fora de Deus, à parte de Deus. É dessa
tentativo desesperada veio praticamente tudo o que chamamos de história humana:
dinheiro, pobreza, ambição, guerra, prostituição, corrupção, divisão social, impéios,
escravidão. Isto é, a longa e terrível história do homem tentando encontrar a
felicidade em algo diferente de Deus".
Por fim, C,S. Lewis, afirma
que “Deus nos criou, Deus designou o ser humano para funcionar à base dele
mesmo. Ele mesmo é combustível que nossos espíritos foram designados para
queimar, ou o alimento do qual nossos espíritos foram designados para se alimentar.
Essa é a razão pela qual simplesmente não adintar pedir a Deus para nos fazer
felizes do nosso jeito. Deus não pode nos dar felicidade e paz à parte de si
mesmo....". Finalmente, a única maneira de ser feliz, é com Deus, fora de
Deus é impossível.

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