terça-feira, 13 de outubro de 2026

 Profetizas e profetas Atos 21.1-14 

Introdução

Da última vez, o apostolo Paulo estava em Mileto, uma cidade portuária, no mar Egeu. Ele convocou os presbíteros de Éfeso, para uma reunião ministerial, com o objetivo de despedir-se deles, seria o adeus. Ele iniciou seus irmãos, relembrando os dias iniciais que chegou na cidade de Éfeso para pregar o evangelho e, em seguida, exortou-os para que cuidassem do rebanho de Deus. Porque entrariam no meio do rebanho falsos profetas, para introduzir doutrinas erradas no meio do seu povo. No final, ele se ajoelhou com os presbitérios, choraram e oraram, despedindo-se deles.

1)     “Pelo Espírito”

Saíram de Mileto, passaram pela ilha de Rodes, ao sul do MAR Egeu, e atracaram em Pátara, um porto comercial importante para navios maiores, capaz de fazer a viagem de aproximadamente 565 quilômetros até a Fenícia, sem paradas. Depois de cinco dias, navegando pelo mar mediterrâneo chegaram no Porto de Tiro. 

Em Tiro encontraram “...os discípulos locais, ficamos com eles sete dias. E eles, pelo Espírito, recomendavam a Paulo que não seguisse para Jerusalém”. No capitulo 20, o apostolo Paulo afirma que estava “compelido pelo Espirito”, para ir em Jerusalém. De um lado, temos os crentes de Tiro, que “pelo Espírito”, não queriam que Paulo fosse; do outro lado, temos o apostolo afirmando que estava compelido pelo Espirito a ir para Jerusalém. O que subentende que todos os discípulos sabiam que quando Paulo chegasse em Jerusalém seria preso pelos judeus. 

Por isso tentavam dissuadi-lo de prosseguir em uma viagem destinada a ter um final de sofrimento, de prisão. Afirmavam, que era necessário evitar a todo custo ir para Jerusalém. Mas, para o apostolo Paulo, o que importava não era que iria acontecer com ele, mas o importante era “terminar a carreira e completar o ministério que Jesus me confiou” (Atos 20.24). Ele não se abala diante do perigo, e sua dedicação ao chamado é maior do que qualquer perseguição.

Então, o apostolo Paulo resiste a seus irmãos em Cristo para obedecer ao que acredita ser a vontade de Deus. “...Quando encerrou nosso tempo naquele local partimos e demos continuidade a nossa viagem” (At 21.5). Na despedida, “...todos os discípulos com suas esposas e filhos nos acompanharam até fora da cidade, e ali na praia nos ajoelhamos e oramos” (At 21.6). Havia em Tiro uma comunidade de crentes, uma koinonia, uma igreja saudável. Havia um grupo de irmãos que se preocupavam uns com os outros. 

2)     Profetisas e profetas

“...chegamos em Cesaréia e ficamos em casa do evangelista Filipe, tinha quatro filhas solteiras que profetizavam” ou “Ele tinha quatro filhas virgens que profetizavam” (A 21). Filipe fora escolhido para ser diácono na igreja primitiva (Atos 6), para servir as viúvas gregas. Mas, depois da morte de Estevão, ele saiu de Jerusalém durante o tempo de perseguição de Saulo e foi pregar em Samaria. Diz-nos o texto: “Felipe lhes pregou as boas novas do reino de Deus e do Nome de Jesus Cristo, creram nele e foram batizados, tanto homens quanto mulheres” (At 8.12). 

Em Samaria, torna-se um evangelista nato, além de pregar a Palavra de Deus, acrescenta sinais e maravilhas, enquanto pregava. O evangelista tem um chamado especial da parte de Deus. Porque ele foi chamado para pregar o evangelho de Jesus Cristo, falar da salvação que há em Cristo Jesus, anunciar que Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados. Mas, no terceiro dia, ele ressuscitou, e está assentado a direita de Deus Pai.

“...Filipe tinha quatro filhas que profetizavam”. O dom de profetizar é um cumprimento da profecia de Joel: “...seus filhos e suas filhas profetizarão” (At 2.17). Logo esse dom, como os demais dons estão disponíveis para o corpo de Cristo. No livro de 1 Corintios 12, o apostolo Paulo afirma que os dons são manifestações do Espírito Santo na vida da igreja. Os dons espirituais são: sabedoria, conhecimento, a fé, dons de curar, operar milagres, profecia, discernimento de espírito, variedade de línguas e interpretação de línguas (1 Co 12.8-10).

Dom vem do grego “charisma”, literalmente quer dizer “presente oferecido de boa vontade”. Charisma, ou dom, é um revestimento espiritual especial para a vida da comunidade e o serviço do reino de Deus. Na Biblia temos muitas mulheres que foram profetizas: Miriam, profetiza do louvor e da libertação; Debora, a profetiza juíza e guerreira; Hulda, a profetiza da reforma espiritual; Isabel e Maria, profetizaram em seus cânticos.

As filhas de Filipe tinham dom de profetizar, predizer o futuro e anunciar a palavra de Deus. Um fato importante é que diz que elas eram “solteiras”, “virgens”, “Donzelas”. Todas essas palavras afirmam que eram mulheres que se guardavam para o casamento. Eram mulheres piedosas, que serviam a Deus, tinham compromisso com Deus e colocavam o reino de Deus em primeiro lugar. Elas serviam a igreja, o dom delas era manifestado no corpo de Cristo. Elas tinham ministério, estudavam profundamente a Palavra de Deus. 

“Demorando-nos ali alguns dias, veio da Judéia um profeta chamado Ágabo, que aproximando-se de nós, pegou o cinto de Paulo e, amarrando-o com eles os próprios pés, declarou: Assim diz o Espirito Santo: é isto que os judeus em Jerusalém farão ao dono deste cinto para entrega-lo nas mãos dos gentios” (At 21.10-11).

Ágabo havia predito anteriormente uma fome que uma fome grave se espalharia por todo mundo romano (Atos 11.27-28), como aconteceu. Agora, o mesmo profeta profetiza sobre o destino do apostolo Paulo, o que vai lhe acontecer. A profecia, portanto, não diz somente a pregar a Palavra de Deus, vai além, é quando Deus lhe abre o futuro a respeito de alguém, ou a respeito de uma nação. O profeta Ágabo dramatiza sua profecia ao tomar o cinto de Paulo e amarrar as próprias mãos e os pés. O ato de amarrar reforça o que o Espirito disse a Paulo em todas as cidades ao longo do caminho (At 20.23). 

Ágabo com certeza copiou a prática mimica de alguns profetas do Antigo Testamento, tais como Aías, que rasgou a veste de Jeroboão em doze pedaços (1 Rs 11.29); Isaias que andou nu e descalço durante três anos (Is 20.3); o profeta Ezequiel, que pôs cerco a uma representação simbólica de Jerusalém.

Em 1 Reis 22, Acabe juntamente com o rei Josafá, foram pelejar contra Ramote-Gileade. Todos os profetas profetizaram a mesma coisa: o rei vencerá a peleja, todos eles disseram a mesma coisa. Zedequias, um profeta a serviço de Acabe fez um chifre de ferro e disse: “Com esse chifre você vencera a guerra” (1 Rs 22.11). Mas havia um profeta dissonante, Micaías, que profetizou que Acabe morreria nesse combate (1 Rs 22.28), como realmente aconteceu. Somente a profecia de Micaías se cumpriu, menos dos falsos profetas.

O que Ágabo está afirmando para o apostolo Paulo nessa mímica profética é que se ele continuar marchando para Jerusalém, é isso que acontecerá com ele, será preso, as mãos e os meus amarrados, será encarcerado, humilhado pelos judeus. Será entregue nas mãos das autoridades romanas e levado para Roma.

Conclusão

Paulo diz: “Por que choram e partem meu coração? Estou pronto não apenas ser amarrado, mas também para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus”

“Pelo Espirito”, significa ouvir a voz do Espirito. Significa viver de acordo com a vontade de Deus, não obstante, os perigos, prisões, solidão. Por mais que a comunidade cristã lhe avisa, colocando cartazes pra todos os lados, de que será preso. Mas, Paulo sabe, que está debaixo da soberania de Deus, que o seu barco, desde o caminho de Damasco, é guiado, é comandado pelo Deus Eterno. E não há o que temer. NO final, todos disseram: “Que seja feita a vontade do Senhor”  ]


 

 

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