terça-feira, 22 de agosto de 2023

 Ezequiel e as visões de Deus – Ez 1 

Introdução

Quem era Ezequiel? Primeiro, era filho do sacerdote Buzi (Ez 1.3). Logo, era também sacerdote, seu sacerdócio começaria aos trinta anos de idade (Nm 4.3). Portanto, sua infância, adolescência aconteceram ao redor do Templo construído por Salomão. Ali, Ezequiel conviveu com as pessoas que frequentavam assiduamente o templo; frequentou os átrios exteriores e recebeu treinamento educação nas adjacências do templo. Ele estava familiarizado com as liturgias do templo e com os detalhes de construção do templo.

1)     Circunstancias

Em seu período de infância e juventude ouviu as primeiras mensagens do profeta Jeremias ao seu povo, principalmente aquela que condena o templo do Senhor: “Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este” (Jr 7.4).  Mas, acompanhou e celebrou a pascoa na época do rei Josias, um rei piedoso. Ouviu sobre a queda de Ninive (612 a.c), trazendo esperança para o seu povo.

Viu quando o rei Josias saiu com seu exercito para Megido, com o intuito de bloquear a passagem do Egito para o Norte (2 Rs 23.28-30). No entanto, o rei Josias foi atingido por um arqueiro e morreu no meio da peleja. Ezequiel acompanhou o luto, a desesperança se abateu sobre o povo “Todo o reino de Judá ...choraram a sua morte...Jeremias compôs uma lamentação sobre Josias...”(2 Rs 23.25). 

Os funerais de Josias, a coroação de Jeocaz e seu cativeiro e a coroação de Jeoaquim, fantoche do Egito, isso ocorreu em menos de três meses. Depois veio a Babilônia, em 605 a.C, deportou dez mil cidadãos de Judá, o profeta Ezequiel estava entre os cativos – na época da deportação com 25 anos de idade e foram levados à Babilônia.

2)    Chamada

“Ora aconteceu no trigésimo ano, no quarto do mês, no dia quinto do mês”, ou “Certo dia, no quinto dia do quarto mês do trigésimo ano” (Viva) (Ez 1.1). Ezequiel estava com trinta anos de idade, era a idade da maturidade para todo o serviço importante (Lc 3.23).  Todo sacerdote começava oficiar no templo com 30 anos. No entanto, longe do templo, longe de Jerusalém, não poderia exercer o sacerdócio, então recebeu a missão de ser profeta de Deus no meio dos exilados. Deus nos chama de forma variada: Samuel foi chamado ainda menino; Davi está com seus 17 anos de idade; Abraão com 75 anos,  Moisés com 80 anos e ... você, ouviu a voz de Deus lhe chamando? 

“...estando eu no meio dos cativos, junto ao rio quebar”. Quebar era um grande canal do rio Eufrates. Quebar era um grande canal do Eufrates, que levava água para Babilônia e irrigava toda parte Oriental. Ficava próximo da cidade de Nipur, no sul da Babilônia, o conhecido local de oração dos exilados “Junto aos rios da Babilônia sentamo-nos a chorar, com saudade de Sião” (Sl 137.1) Era um local de reunião de adoração, de oração... e ali Deus chamou Ezequiel. Lugares: Monte Sinai, arando com juntas de bois, pastoreando as ovelhas, pescando, coletoria de impostos...

“Então olhei e contemplei uma terrível tempestade que se aproximava vindo do Norte: uma nuvem enorme, com relâmpagos e raios intensos, cercada por forte luz brilhante. O centro do fogo parecia metal reluzente” (Ez 1.4). Em apocalipse, diante da visão do trono de Deus, João assim descreve: “Do trono emanavam relâmpagos, vozes e trovões...” (Ap 4.5). Tudo apresenta movimento, luz em ação “relâmpagos e faíscas”. O nosso Deus não é um se parado. Deus, portanto, não é estático, uma atividade pulsante...O Espirito dinamiza e coordena tudo. 

Também vê “Do centro da nuvem surgiram quatro seres viventes...tinha quatro faces e quatro asas...as asas de cada um dos seres tocavam as asas dos seres ao lado...cada um dos quatro seres tinha rosto humano na frente, rosto de leão à direita, rosto de boi à esquerda e rosto de águia atrás ... deslocavam-se em qualquer direção que o Espirito indicava e moviam-se para frente, sem se virar” (Ez 1.5-12). Em Apocalipse “os seres viventes aparecem novamente” (Ap 4.6). Simbolizam aspectos da criação de Deus. Na adoração a Deus todos os sinais de vida se manifestam em louvor ao criador. Toda igreja em sua multiforme adora e exalta o criador do universo. 

Na adoração todos os sinais de vida, impulsos rumo à santidade, toques de beleza e centelhas de vitalidade e patriarcas hebreus, apóstolos cristãos, animais selvagens, gado doméstico, seres humanos e pássaros altaneiros – se colocam em volta do trono que pulsa com luz e mostram o que cada criatura tem de melhor.

E o que mais ele vê? “Esses seres viventes pareciam carvão aceso; eram como tochas. O fogo ia de um lado para o outro entre os seres viventes, e do fogo saiam relâmpagos e faíscas...vi uma roda ao lado de cada um deles, diante dos seus quatro rostos...reluziam como berilo...seus aros estavam cheios de olhos...quando os seres viventes se moviam, as rodas ao seu lado se moviam...para onde quer que o Espirito fosses, os seres viventes iam e as rodas os seguiam, porque o mesmo Espirito estava nelas” (Ez 1.13-21). 

O trono de Deus é um Pentecoste, uma chamada ardente constante “O fogo que está sobre o altar arderá nele, não se apagará” (Lv 6.12),  é um carvão aceso.  Como exortou Paulo a Timoteo: “Reavivas o dom de Deus que há em ti” (2 Tm 1.6). A roda fala da unidade do corpo de Cristo, quando uma igreja tem unidade, a roda é de berilo ( a igreja é luz) a igreja caminha, ganha almas, o reino cresce, se expande. Há coerência entre os seres viventes e a o movimentar das rodas ...é o Espirito que guia, é o Espirito que move...o mesmo Espirito está dentro de nós”.

E, por cima dos querubins “havia o que parecia um trono de safira e, bem alto, sobre o trono, havia uma figura que parecia um homem. Vi que a parte de cima do que parecia ser a cintura dele, parecia metal brilhante, como que cheia de fogo, e a parte de baixo parecia fogo; e uma luz brilhante o cercava...tal como a aparência do arco-iris ...assim era o resplendor ao seu redor”. 

O rei da Babilônia se assustou quando viu:  “Então o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa; falou, dizendo aos seus conselheiros: Não lançamos nós, dentro do fogo, três homens atados? Responderam e disseram ao rei: É verdade, ó rei.  Respondeu, dizendo: Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem sofrer nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante ao Filho de Deus” (Dn 3.24-25). 

O profeta Daniel caiu em grande temor quando viu: “E levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho...o seu corpo era como berilo, e o seu rosto parecia um relâmpago, e os seus olhos como tochas de fogo, e os seus pés brilhavam como bronze polido; e a voz de suas palavras era como a voz de uma multidão” (Dn 10.5-6).

E o apostolo Paulo quando se encontrou com Cristo?  “Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho, e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu.   E caí por terra, e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E eu respondi: Quem és, Senhor? E disse-me: Eu sou Jesus Nazareno, a quem tu persegues” (At. 22.6-8)

E, João na ilha de Patmos? Estava na ilha por causa da perseguição de Domiciano, uma ilha deserta. Mas, ali, naquele ambiente desértico, sem vida, o apostolo também viu o filho de Deus glorificado: ¹³ E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. ¹⁴ E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; ¹⁵ E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. ¹⁶ E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. ¹⁷ E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; ¹⁸ E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.  Apocalipse 1:13-18 

Conclusão

Diz Ezequiel: “Quando vi, dobrei-me com o rosto em terra...”, ou “aquilo metia medo”. A palavra medo ou temor, inclui todas as emoções que surgem quando se fica apavorado, desorientado, incapacidade de saber o que vai acontecer em seguida e a constatação de que existe algo mais que não pensávamos existir.

O TEMOR DO SENHOR É O QUE NOS IMPEDE DE PENSAR QUE SABEMOS TODAS AS COISAS. E, PORTANTO, IMPEDE QUE FECHEMOS NOSSA MENTE E NOSSA CAPACIDADE DE PERCEBER O QUE É NOVO. O TEMOR DO SENHOR NOS IMPEDE QUE NOS COMPORTEMOS COM ARROGANCIA, DESTRUINDO OU VIOLANDO ALGUM ASPECTO DO QUE É BELO, VERDADEIRO OU BOM E QUE NOS PASSA DESPERCEBIDO OU FICA ASSIM DA NOSSA CAPACIDADE DE COMPREENSÃO.

O temor do Senhor é o medo sem o elemento do pavor. Temos sempre essa palavra: “Não temas”. Esse “Não temas” não é alguma coisa que acarreta ausência de medo, mas ele transforma o medo em temor do Senhor. Daniel teve a mesma reação (Dn 10.7-9), Isaias (6) e também João (Ap 1.17). 

 

 Apesar de tudo, há esperança Ez 1.1-2 

Introdução

No ano de 605 os Babilônicos tomaram Jerusalém e, Ezequiel, fora deportado, juntamente com Daniel e seus amigos, para a cidade da Babilônia.

O profeta Ezequiel viveu sua infância e juventude nesses anos conturbados, de guerra, de corrupção da nação de Israel. Portanto, era um homem marcado pelo sofrimento.

Ele viu reis tombarem. Viu a babilônia chegar e conquistar seu país. Depois, tornou-se cativo aos trinta anos de idade. Foi levada para a Babilônia.

Ezequiel era um homem casado, quando foi pro cativeiro. Mas que perdeu a sua esposa de repente na Babilônia: “Filho do homem com um só golpe tirarei de você seu tesouro mais precioso” (Ez 24.16). Além de perder sua esposa, o profeta não podia mostrar tristeza, nem lagrimas...nem sofrimento, deveria sofrer em silencio (V.17).

1)     Chamado

Não obstante, todo sofrimento: exilio na Babilônia, morte de sua queria esposa...a mão de Deus estava sobre ele (Ez 1.3). O Senhor apareceu a Ezequiel junto ao rio Quebar. Ele viu querubins de Deus e também viu o filho de Deus “...semelhante a um homem. Da cintura para cima, tinha uma aparência de âmbar reluzente que cintilava como fogo, e, da cintura para baixo, parecia uma chama ardente que brilhava como esplendor...estava rodeado por um aro luminoso, como Arco-íris. Essa era a aparência da gloria do Senhor para mim” (Ez 1.26-28). 

Levante-se, filho do homem, quero falar com você” (Ez 2.1). “Enquanto ele falava, o Espirito entrou em mim e me pôs de pé, e eu ouvi suas palavras com atenção” (Ez 2.1-2).

Ezequiel não se esquivou do chamado de Deus. Moisés tentou justificar que não era capaz porque era gago; Jeremias disse que não passava de uma criança. Mas, ele se deixou usar pelo Senhor; ele se colocou na brecha, dentro da vontade de Deus.

E O Senhor falou com ele e, depois, por meio dele. Deus coloca a mão sobre a vida de alguém, fala a essa vida e, então, fala por meio dessa vida.

Há esperança quando nos voltamos para a gloria de Deus. Muitos que estavam no cativeiro não tinham motivo para sorrir e nenhuma razão para ter esperança, mas quando ouviram Ezequiel foram lembrados de que Deus está vivo, e de que está em ação e de que sua gloria está aqui; a despeito das circunstancias.

Conclusão

Primeiro, a mão de Deus está sobre que quer causar impacto, que Deixar a palavra de Deus inundar seu coração e a mensagem flui através dele...

Segundo o sofrimento nos ajuda a manter a perseverança, a fé viva, nos amadurece, nos faz crescer. O sofrimento em alguns pode desvanecer, desanimar, mas para muitos, o sofrimento causa paciência...resiliência, robustez...

Terceiro é acreditar que nada é impossível para Deus – nem mesmo fazer que um vale de ossos secos ganhe vida (Ez 37).

“Filho do homem poderão reviver esses ossos?” Ezequiel, respondeu: Senhor Deus, tu o sabes”. Se Deus quer, nada pode impedir. Se Deus quer ressuscitar dos mortos, será ressuscitado. Se Deus quer, o cego vê. Se Deus quer o paralitico anda. Se Deus quer o leproso é curado. Se Deus quer, o caído se levanta. Se Deus quer, o desviado retorna aos braços do Pai.

Então, se ele quer “Profetiza a esses ossos”. Então profetizei: ossos ouvi a Palavra do Senhor” (v.4). “Não é a minha palavra fogo, diz o Senhor, e martelo que despedaça a rocha” (Jr 23.29).

Quando profetizei houve ruídos; depois, ajuntamento, os ossos espalhados, dispersos, se ajuntaram. Em seguida, receberam tendões e carne, mas ainda estavam mortos. Ainda não havia respiração, vida.

E ele me disse: profetiza ao espirito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espirito: Assim diz o Senhor Deus: vem dos quatro cantos, ó Espirito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. E profetei, então, o Espirito entrou neles e viveram, e se puseram em pé, um exercito grande...

Há esperança para sua vida. Somente Deus pode mudar o rumo da nossa vida e da nossa história. 


  

 

terça-feira, 15 de agosto de 2023

 Setenta vezes sete – Mt 18. 21-35 

Introdução

Hoje a sociedade está adoecida, disfuncional. Muita gente carrega dentro de si raiva e amargura. Pais contra filho, parentes que não se falam, amigos no trabalho e, mormente, no casamento. Os casais chegam com história de infidelidade conjugal, abuso físico, abuso emocional ou verbal, dificuldades quanto ao gerenciamento financeiro, falta de comunicação, pequenas queixas que se transforma em grandes diferenças, falta de amor, falta de respeito, etc. 

Todo casal tem as mesmas dúvidas. Há esperança para o casamento? Será que vou conseguir confiar no meu marido (esposa) depois do que aconteceu? Ou, nosso casamento tem salvação? Devemos entregar os pontos e pedir o divórcio ou existe uma alternativa melhor? Mas, uma coisa é certa: sempre que um casal tem dificuldade conjugal, precisa tratar, mais ou cedo ou mais tarde, das questões da raiva e da amargura.

1)     Quantas vezes devo perdoar?

O apostolo Pedro se dirige a Jesus e lhe apresenta uma pergunta que todos nós já fizemos alguma vez. Alguém falhou com Pedro e ele perdoou. O mesmo sujeito o ofendeu novamente, e Pedro o perdoou mais uma vez. Por fim, a história se repetiu, e Pedro perdoou o sujeito, mas dessa vez ficou zangado. 

Então, perguntou a Jesus: “Senhor, quantas vezes devo perdoar meu irmão quando ele peca? Então, perguntou a Jesus: “Senhor, quantas vezes devo perdoar meu irmão quando ele peca contra mim?” Ou seja, Pedro queria saber quantas vezes tinha de engolir o que faziam contra ele. Quando é hora de parar de oferecer a outra face? Quando é justificado perder as estribeiras? Chutar o pau da barraca? E emendou, já querendo dá sua resposta: “Até sete vezes?” 

Os rabinos (os mestres, como: Gamaliel, Hilel, Shamai, etc, os que interpretavam a Torá) ensinavam que uma pessoa devia perdoar a outra pessoa três vezes, depois desse número, tinha o direito de retaliação. Assim, Pedro pensou: Vou multiplicar por dois e acrescentar um. Afinal, sete é o numero da perfeição, o numero de Deus, “no sétimo dia o Senhor descansou”. Para a dizer a verdade, perdoar uma pessoa sete vezes é algo louvável, virtuosismo: “Eu já perdoei sete vezes”.

Pedro fora na verdade extremamente generoso com essa pessoa. Mas, observe a resposta de Jesus: “Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. Pedro ficou estarrecido, desnorteado! Setenta vezes sete! O total é 490 vezes!?! Ou seja, Jesus estava afirmando: “Pedro, você entendeu tudo errado. Voce não deve contar quantas vezes perdoou alguém. O perdão, Pedro, é ilimitado! 

NÃO HÁ LIMITES PARA O NUMERO DE VEZES EM QUE DEVEMOS PERDOAR ALGUÉM. DEPOIS DE PERDOAR UMA PESSOA 490 VEZES, TEREMOS DESENVOLVIDO O HABITO DE PERDOAR CONTINUAMENTE. 

2)    Uma parábola

Então, Jesus vai lhe contar uma parábola (parábola é uma pequena história inventada com o objetivo de comunicar uma mensagem) para transmitir, para ilustrar o principio do perdão. Ele começa dizendo: “Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com seus servos. E, passando a fazê-lo, trouxeram um que lhe devia dez mil talentos” (Mt 18.24). Ou, “trouxeram à sua presença um servo que lhe devia o equivalente a trezentas toneladas de prata” (A mensagem).

O talento era uma medida de peso, usada para pesar ouro e prata, equivalente, a cerca de 35 quilos. Cada talento valia cerca de 6.000 denários. O “denário” era uma moeda de prata que equivalia a um dia de trabalho braçal. Para se ter uma idéia, um homem podia trabalhar a vida inteira e ganhar, no total, dez talentos, ou talvez trinta talentos. Mas o temos diz que o homem devia dez mil talentos! Seria equivalente a cem milhões de reais...impossível pagar. 

O Salmo 14 afirma: “Dos céus o Senhor se inclina sobre a humanidade, para ver se há alguém que tenha juízo e sabedoria, alguém que busque a Deus de coração” (v.2). Parece que o Salmista está fazendo uma pergunta e, logo responde: “todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há um sequer” (v.3). Nossa dívida é impagável, somos pecadores. O rei Davi afirmou que o pecado é algo congênito à humanidade: “Em pecado me concebeu a minha mãe e em iniquidade foi formado” (Sl 51).

Então, chegou o dia do acertar de contas, e o homem estava falido, não tinha nada, absolutamente nada! Gastou tudo e não tinha mais um centavo“Como não tinha condições de pagar, o Senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que ele possuía fossem vendidos para pagar a dívida” (Mt 18.25). Mas de algum modo, a súplica toca o coração do rei. A Bíblia diz que o rei se compadeceu do devedor. “O homem se curvou diante do senhor e suplicou” (Mt 18.26). O texto diz que o rei se compadeceu do devedor. Ele não apenas liberta o homem, mas também perdoa sua dívida. Ele volta a estaca zero e limpa os registros. O homem não lhe deve mais nada. O rei perdoa essa dívida absurda, essa soma inacreditável. 


E Nosso Senhor continua sua parábola: “Mas quando aquele servo saiu, encontrou um de seus conservos, que lhe devia cem denários. Agarrou-o e começou a sufoca-lo dizendo: Pague-me o que me deve!” (Mt 18.28). Um denário correspondia ao salario de um dia de trabalho, de modo que cem denários equivaliam a cerca de três meses de salario de um trabalhador do primeiro século. Nos dias de hoje, no Brasil, poderia equivaler à (quase) 4000,00, três meses de salário, baseando em alguém que ganha um salário mínimo, mas tem gente que ganha mais do que isso. 


Duas coisas: em primeiro lugar, cem denários não era uma quantia pequena, mas também não era uma divida grande demais para ser quitada. O homem que tomou essa quantia pretendia pagá-la. Ao contrário do primeiro, quando o segundo pediu: “Seja paciente e lhe pagarei”. Não estava prometendo algo impraticável.

Em segundo lugar, apesar de não ser uma quantia pequena, cem denários são uma ninharia quando comparados com a divida de dez mil talentos! O primeiro homem não conseguiria jamais, em circunstancia alguma, pagar a sua dívida. Se não fosse pela graça do rei, teria passado o resto da vida preso. Portanto, a primeira divida era impagável, a segunda não. 

“Onde está a grana que você me deve, seu infeliz? Quero meu dinheiro agora? O versículo 29 é quase uma repetição exata do versículo 26. Esse homem tinha todo direito de exigir que a divida fosse paga. Não é essa a questão. O problema é que o primeiro homem recusou dar o segundo a chance e pagar a dívida. Ele queria o dinheiro no ato. Mas, o segundo servo, precisava de algum tempo para juntar essa soma. No entanto, o primeiro servo não quis esperar: “Antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida” (v.30).

Conclusão

  "Quando outros servos, companheiros dele, viram isso, ficaram muito tristes. Foram ao senhor e lhe contaram tudo que havia acontecido” (v.31). A noticia logo se espalhou e acaba chegando aos ouvidos do rei, que ficou furioso e manda os soldados prenderem o servo perdoado. Dessa vez, não tem dó nem piedade e diz: “Servo malvado, perdoei-te aquele divida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti” (Mt 18.32,33).

O rei havia perdoado a divida impagável do primeiro servo. Havia perdoado quando seria justo tê-lo mandado para a cadeia para o resto da vida. Merecia o castigo severo, mas, em vez disso, recebeu misericórdia. Essas palavras, portanto, são dirigidas aos cristãos. Jesus está dizendo: “O que aconteceu com esse homem também acontecerá com vocês, a menos que aprendam a perdoar, e perdoar, e perdoar” Senão, os torturadores os levarão...

Quem são os torturadores? São os torturadores ocultos da raiva e da amargura, que corroem por dentro. São os torturadores da frustração e da maldade que provocam úlceras, hipertensão, enxaquecas e dores na coluna. São os torturadores que o fazem passar a noite em insônia, remoendo as coisas horríveis que lhe aconteceram. Tudo isso porque você se recusa a perdoa de coração.

Uma pesquisa afirmou, o perdão atua de duas formas distintas: primeiro, reduz os problemas de saúde associados à raiva, ao ódio e ao rancor...esses sentimentos apresentam consequências fisiológicas, como aumento da pressão sanguínea e alterações hormonais, doenças cardiovasculares, sistema imune fragilizado, e também afeta a memória. 


Segundo o perdão promove o bem estar, pois lhe permite construir um conjunto sólido de relacionamentos sociais. “Se você dedicar a vida à busca por vingança, certifique-se, antes, de cavar duas sepulturas” (Confúcio). 


 

terça-feira, 8 de agosto de 2023

 Estou morena do sol, mas sou bela – Ct 1.1-5 

 Introdução

O livro de “Cantares de Salomão”, “Cântico dos Canticos” ou o “maior dos cânticos” é de autoria de Salomão, rei de Israel. O texto bíblico diz: “Ele (Salomão) criou três mil provérbios e compôs mil e cinco cânticos” (1 Rs 4.32). Contudo, o “Cântico dos Cânticos” foi a única divinamente inspirada para fazer parte do cânon das Escrituras Sagradas. 

 O Cantico dos cânticos é um livro poético e contém 8 textos que fala sobre o relacionamento entre Salomão e sua noiva, Sulamita. É um cântico que exalta o amor em todas as suas vicissitudes, ou altos e baixos da vida: a reciprocidade do amor, a intensidade do amor, os afagos do amor, as idas e vindas do amor, os conflitos do amor, etc. O cântico, portanto, é a quintessência das quintessências (o que há de mais excelente) do amor, ou, conforme Perteson o “santo dos santos” do relacionamento humano... 


1)     O cântico e a páscoa

Com o passar do tempo os judeus designou o cântico dos cânticos para ser lido na páscoa. A Leitura do livro demonstra que o evento histórico glorioso (a libertação da escravidão) e a salvação, era um evento de amor, de relacionamento (vertical e horizontal), onde um cordeiro era imolado (proteção) e a Seder – a refeição da Páscoa – algo comunitário, celebrado, lembrado, cantado, salmodiado.

A majestade de Deus e a miséria do povo (escravidão); o chamado de Moisés no Sinai e sua justificativa da gagueira; o coração duro de Faraó e as pragas do Egito e a vitória quando foram mortos afogados no mar vermelho; a abertura do mar vermelho por Deus; a celebração de Miriã e o cântico de Moisés: “O Senhor é a minha força e a minha canção; ele é a minha salvação! Ele é o meu Deus e o louvarei...” (Ex 15.2). 

Portanto, o Cântico dos Canticos é celebração, alegria pela salvação de Deus, nosso primeiro amor. Cantares em seus poemas nos ajuda a manter uma fé viva, vibrante, fervorosa, contrapondo a uma religiosidade ortodoxa e sem celebração. Cantares nos ajuda a colocar limites em nossa tendência em reduzir a fé a tradições, costumes, ou fazer dela um dogma acadêmico. A salvação, portanto, deve ser celebrada, cantada, pregada na comunidade de fiéis.

1)    Aliança

O Cântico dos Canticos é a aliança (berit) entre homem (Salomão) e sua esposa (Sulamita) e entre homem e o seu criador. O Cãntico é um ambiente de diálogos, onde há perguntas respondidas, convites aceitos, promessas cumpridas. O cântico procura superar as barreiras de divisão, frieza e indiferença para chegar no outro, para descobrir verdade sobre ele, para sondar o significado que nele há. O ser humano tem duas direções: relacionamento horizontal “não é bom que o homem esteja só” e vertical “Sem ti, ó Deus, nada sou”. 

O cântico dos cânticos começa: “Beija-me o meu amado com os beijos da tua boca, pois os seus afagos são melhores do que o vinho mais nobre” (BKJ), ou “Beija-me na boca! Sim! Pois o seu amor é melhor que o vinho!” (A mensagem).

O que é melhor para Sulamita? O beijo ou o vinho nobre? A palavra beijo é um apelo direto e apaixonado à intimidade. Ele não deseja conversar sobre teologia, nem discutir conceitos de amor, nem participar de conversas filosóficas, muito menos se embebedar com vinho. Para ela o mais importante é o convívio, o mais importante é o relacionamento, o mais importante é a presença do amado...

Enquanto que o vinho pode libertar a pessoa do isolamento e leva-la ao companheirismo (no bar da esquina qualquer); enquanto que o vinho libera as inibições e estimula o diálogo. No entanto, a maior parte já provou o “vinho” e não se satisfez, não preencheu, não aquietou os anseios da alma, e, deve recorrer novamente, novamente, mas o vazio da insatisfação se mantêm. 


Já o beijo, ou melhor, ao amor, é melhor, muito melhor do que o vinho. Jesus estava participando da festa das cabanas e “No ultimo dia da festa e mais importante dia da festa, Jesus se levantou e disse em alta voz: Se alguém tem sede, venha a mim e beba... do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7.37-38). O muro de separação foi quebrado, agora não estamos mais longe, mas perto do Todo Poderoso.

Depois do beijo, vem o perfume: “O aroma dos teus perfumes é suave, teu (shem) nome, é como (shemem) oléo perfumado que se derrama generosamente” (Cl 1.3 BKJ). 

Há no hebraico um jogo de palavras com “nome” e “óleo” (perfume). As duas palavras soam de modo semelhante em sua pronuncia. Então, o seu nome é como perfume. Perfume é intimidade, pessoalidade, o que caracteriza, o que é, não sofre variação, não muda. O perfume é o seu nome. O seu nome é o seu óleo, perfume. O seu nome é “El” (Deus), seu nome é: “El Eliom” (o Deus altíssimo, possuidor do céus e da terra); “Elohim” é o criador de todas as coisas “Bereshit bará Elohim” ou seja, “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). “El Shaday” (todo poderoso); “Adonay” é o Senhor, mestre e dono; “YHWH” Eu sou o que sou e pronto.

A intimidade não é uma imersão mística no mundo de alma e sim uma união pessoal e particular com o outro especifico: Adão com Eva, Salomão e Sulamita, você e sua esposa. A igreja com o seu noivo, Paulo nessa imersão, nessa intimidade diz: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2.20). 

2)    Morena do sol mas bela

“Estou morena do sol, mas conservo-me bela, ó filha de Jerusalém; escura como as tendas de nômades de Quedar, linda como as cortinas de Salomão” (Ct 1.5) 

A noite aqui é sinônimo de sombras “vale de sombra e da morte” (Sl 23.4), provações, tribulações, angustias. Ela diz para os seus observadores: “Não fique me olhando assim; foi o sol que me queimou a pele” (Ct 1.6). Lembro-me algumas semanas uma irmã perdeu seu esposo em um acidente de transito. Na sua pagina do facebook ela fala sobre coisas preciosas que aprendeu durante esses anos de convívio conjugal e termina citando o Salmo 47: “Deus está sentado no seu trono; ele reina sobre as nações...” (V.8).

O apostolo Paulo como ninguém experimentou muitas noites em seu ministério apostólico. “De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia” (2 Co 4.8-11,17). 

Mas ela diz: “Sou morena queimada no sol, mas sou bela”. Mesmo passando por tudo isso, sua essência permanece. Paulo e Silas na prisão, não perderam sua essência. Sadraque, Mesaque e Abede Nego quando foram jogados na prisão, não perderam sua essência. O profeta Daniel, quando foi lançado na cova dos leões, não perdeu sua essência. Jeremias foi jogado no poço por causa da palavra de Deus, mas não perdeu sua essência. Os apóstolos foram mortos por causa do nome de Cristo e não perderam sua essência.

Ela continua: “Diz-me tu, amado de minha alma, onde apascentas teu rebanho e onde o fazes repousar ao meio dia, se não me disseres serei como uma mulher que anda sem véu entre os rebanhos de teus companheiros” (Ct 1.7).

Ela quer saber onde ele estará ao meio dia! A sua situação é: “A noite me feriu. Sou negra, no entanto, sou bela”. Ela anseia pelo dia em que o amado virá para resgatá-la, tirá-la do vale. Como o Salmista: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5). Ela precisa dEle, necessita dEle, não consegue viver longe dele, longe da sua face, da sua presença. Ela diz que sem Ele é “uma mulher que anda sem véu entre ... teus companheiros” (Ct 1.7). Mulher sem véu é mulher sem marido, sem relacionamento, sem compromisso, sozinha....

Conclusão: mas olha os sinais

O noivo lhe diz duas coisas: “Sai” e “escuta os sinais”. Primeiro, saía da escuridão, saia do medo, saia da ansiedade, saída da depressão. “Sai” é “abre-te”, é a mesma palavra que Yeshua dirige ao seu amigo Lazaro “Sai para fora”, saia do tumulo, vem para luz...

“Escuta os sinais”. “Segue o caminho das ovelhas”. Escuta a minha palavra, escuta o que tenho lhe dito, “tenha cuidado de obedecer toda palavra...não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda” (Js 1.7). Escuta a palavra de Deus, escuta os homens de Deus...  


 

sábado, 5 de agosto de 2023

 Brasas vivas! Romanos 12.17-21 

Meus amados, vivemos tempos difíceis! Tempo de individualismo, tempo egocentrismo. Tanto no mundo como na igreja! Infelizmente as pessoas querem pagar tudo na mesma moeda. Se alguém me ofendeu, também lhe ofenderei, não quero mais falar com fulano ou com fulana. Chega na igreja e não consegue dar paz do Senhor pro irmão...ou irmã. Mas, Jesus nos disse: para oferecermos a outra face, dê a sua túnica, ande com ele mais uma milha...e orem por quem vos persegue..

A igreja primitiva de Atos dos apóstolos, fazia quatro coisas: “Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos é à comunhão (kononia), ao partir do pão e às orações”.  Se quer saber o que é ser igreja é quando participamos de todas essas coisas. Se não participo de um desses itens, então estou sendo uma igreja mutilada, segregada, sem vida, uma igreja pirata.

1)     O que fazer como igreja?

Primeiro, Paulo diz: “Não retribuam a ninguém mal por mal” (v.17). Aqui neste texto, trata-se do desejo de vingança, do desejo de pagar na mesma moeda, retaliação, isto é, do mesmo jeito.  Mas Paulo continua: “Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos”. Fazer o que é correto, é forma de agir, de vestir, como lidamos com as pessoas, ser gentil, se honesto, ter um coração alegre que aformoseia o rosto, não causar tumulto, não ser vingativo, não lamentar e não se queixar o tempo todo. VIVER DE MANEIRA QUE NINGUÉM POSSA NOS ACUSAR JUSTAMENTE.

E MAIS: “Façam todo possível para viver em paz com todos”. Viver em paz com todos. Paulo diz para nós: temos que ter paz com todos, temos que ter paz com aquele que é diferente. A igreja é corpo vivo de Deus, fomos chamados, todos foram chamados, escolhidos, todos! Tem gente que gosta de um estilo musical diferente: tem gente que gosta de adoração, tem gente que gosta de corinhos de fogo, tem gente que gosta de um estilo mais pentecostal, etc.   

²⁶ Irmãos, pensem no que vocês eram quando foram chamados. Poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento. ²⁷ Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. ²⁸ Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, ²⁹ para que ninguém se vanglorie diante dele.  1 Coríntios 1:26-29

Mas, a pessoa me ofendeu, a pessoa traiu a minha confiança, a pessoa me humilhou, será que não posso fazer nada pela minha dignidade? Paulo responde: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor” (v.19).

Se eu tentar me vingar, é pior, não sei a medida certa. Porque quando agimos, ou somos severos demais, ou somos lentos ou lenientes demais! Primeiro nos exasperamos, depois nos vingamos. A Bíblia diz que na ira humana não opera a justiça divina.

MAS PAULO DIZ: DEIXA DEUS CUIDAR DA VINGANÇA. ESSE É O MINISTERIO ESPECIAL DO SENHOR.

Deus nunca foi conveniente com o pecado, nunca! Deus agiu com Adão e Eva; Deus agiu com os egípcios no mar vermelho, todos morreram afogados; Deus agiu com os filhos de Corá, que se rebelaram contra Moisés; Deus agiu com Golias, levantado Davi; Deus agiu com Miriã por causa das maledicências contra Moisés; Deus agiu com Senaqueribe, mandando um anjo matando mais de 185.000 homens; Deus agiu com Ananias e Safira, que tentaram mentir ao Espirito Santo....Deus age, Deixa a ira nas mãos de Deus.

Deus vê tudo. Vê aquilo que não somos capazes de enxergar; Deus vê as motivações de cada coração. Deus conhece nossos pensamentos. Sabe o que fazemos antes de agirmos. Portanto, deixe o Senhor se vingar, ele é muito bom no que faz!

Conclusão: vivendo como cristão

“Se o teu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber”. Então, o que fazer, quando a pessoa que lhe machucou precisar de algo? Trata-lo de igual modo? Não! O texto está dizendo se o teu irmão que te magoou lhe cumprimentar com a paz do Senhor, não é pra você virar as costas, mas respondeu “Amem”. Se o teu irmão estiver com sede, não é pra dar veneno, mas dá um copão com água pra ele. Se ele estiver com fome não é pra dar o pão de ontem, mas o pão de hoje.

“Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele” (v.20). havia um costume egípcio de colocar brasas vivas sobre a cabeça, como sinal de arrependimento. Brasa viva é matar com a bondade, com o amor. Ao invés de rancor, de ódio.

Paulo exorta: “Que “Que toda amargura, cólera, ira , gritaria e difamação sejam eliminados do meio de vós, juntamente com toda maldade” (Ef 4.31).

Primeiro é uma amargura (ressentimento ou rancor), começa relativamente peque (uma pequena raiz de armargura), depois vira uma cólera (uma raiva violenta que vai crescendo dentro de nós, em segredo). Então quando existe uma amargura acumulada, basta uma pequena faísca para provocar uma explosão. Que ele chama de “ira” (uma inimizade profunda). E, acaba, exteriorizando com gritaria e difamação.

Amontoar brasa viva, foi o que fez José, ao invés de pagar na mesma moeda com os irmãos, pagou com a bondade. Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos” (Gn 50.20). Foi olhando para esse texto que Paulo afirmou: “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu proposito” (Rm 8.28).   Amontoar brasas vivas é pagar o bem com o mal, amontoar brasas vivas é você se libertar dessa raiz de amargura dentro de você, amontar brasa viva é perdoar, perdoar seu pai, perdoar seu marido, perdoar sua esposa, perdoa seu filho, perdoa sua filha. Amontoar brasas é viver com uma consciência que ele nos perdoou de todo nosso pecado... e perdoamos os nosso devedores.

  

terça-feira, 1 de agosto de 2023

 Uma igreja viva Atos 2.42-47 

O que presenciamos nos dias atuais é uma igreja tímida ou indo para um estado de erosão, como tem acontecido com algumas igrejas da Europa. O dicionário define erosão em termos simples: “ato de um agente que erode, que corrói pouco a pouco”. Ou seja, a erosão não ocorre rapidamente, mas sempre de modo vagaroso, age sempre em silencio. Portanto, não é algo que possa ser, às vezes, visível, mas é sutil.

A queda não acontece de uma hora para outra. Não! Ao contrário, a corrosão espiritual ocorre em etapas...de maneira lenta e destrutiva. Pode suceder a pessoas e, certamente, pode ocorrer com a igreja. Fiquei sabendo de uma igreja que deixou de funcionar mas nenhum dos vizinhos sentiram a sua falta.  

C.S. Lewis, em seu livro Cartas de um diabo a seu aprendiz, escreveu: “Com efeito, a estrada mais segura para o inferno é aquela ladeira gradual e suave de chão macio, sem curvas acentuadas, sem marcos de quilômetros e sem placas de sinalização”. Vejam os termos: “ladeira gradual e suave de chão macio”, “sem curvas acentuadas”, “sem marcos de quilômetros” ou “placas de sinalização”. A igreja precisa de marcos e placas  como placas de neon para sinalizar, para dirigir, para corrigir, para exortar, para aconselhar, para admoestar acerca dos caminhos eternos do Senhor. 

1) O começo de tudo – Cesaréia de Filipe

A palavra igreja ocorre pela primeira vez no evangelho de Mateus, em Cesáreia de Filipe, um território gentio ao Norte de Jerusalém. Jesus perguntou aos seus discípulos: “Quem os outros dizem que o Filho do homem é” (Mt 16.13). Então os discípulos responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros Elias; e ainda outros, Jeremias ou um dos profetas” (v.14). 

Então, Jesus olha para os discípulos e faz uma pergunta incisiva: “E vocês? Quem acham que eu sou? (v.15). Pedro, impulsivamente, cheio do Espirito diz: “Tú és o Cristo, o filho do Deus vivo” (v.16). Diante dessa afirmação, Jesus diz a Pedro: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Por que isto não foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus. E lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas dos Hades não poderão vencê-la” (Mt 16.17-18). Algumas lições podemos aprender desses versículos: 

Primeiro, Jesus deixa certo desde o inicio que ele seria o arquiteto da igreja “Tú és o Cristo, o Filho do Deus vivo...e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...”Ele é o idealizador, Ele é o que protege “Saulo, Saulo, por que me persegues” (Atos 9.4) é o  que a governa a igreja.

Segundo, a palavra edificarei aponta para o futuro. Jesus não disse “edifiquei” ou “estou edificando”, mas “edificarei”. Portanto, a igreja ainda não existia quando Jesus pronunciou essas palavras. A igreja iniciaria em Atos 2 e, a partir daí, cresceria e continuaria crescendo.

Terceiro, a palavra MINHA atesta domínio e autoridade. Cristo não é somente o idealizador e o construtor da igreja, mas também é o cabeça da igreja “Ele é o cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos...” (Cl 1.18). Diante disso, perguntamos: Cristo é o cabeça da nossa igreja local? Ele tem a primazia em nosso ministério? Tudo o que fazemos tem a ver com Jesus e o seu reino?

2) A manifestação – Jerusalém

Saindo de Cesaréia e descendo para o sul o cenário é Jerusalém. Jesus foi para cruz, morreu e no terceiro dia ressuscitou. Antes de ascendes aos céus exortou aos seus discípulos: “Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa de meu Pai, da qual lhes falei. Pois João batizou com água, mas dentro de poucos dias serão batizados com o Espirito Santo” (Atos 1.4). Então, no dia de Pentecostes, o Espirito Santo se derramou sobre os discípulos de Jesus – 120 discípulos – entre homens e mulheres: “todos ficaram cheios do Espirito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espirito os capacitava” (At 2.4). 

E assim eles se tornaram, com coragem e audácia, suas testemunhas em Jerusalém. O testemunho deles espalhou-se rapidamente, e não tardou a surgir discípulos, a ordem de Jesus era para serem: “...testemunhas...em Jerusalém, em toda Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1.8). o que estava acontecendo? Exatamente o que Cristo havia prometido em Cesaréia de Filipe: Jesus começara a construir a sua igreja.

Igreja é a coletividade “nós somos a igreja”. Somos templo do Espirito Santo e membro do corpo de Cristo, mas a igreja é a junção de vários membros. O termo igreja vem do grego ekkklesia é construído da raiz do verbo kaleo que significa chamar. A igreja é assembleia, congregação para reunir-se. 

 Quando o apostolo Pedro pregou o primeiro sermão em Atos 2, observem que as pessoas ao ouvirem a mensagem a respeito das boas novas de Jesus, “aceitaram” e disseram: “Irmãos, que faremos” (Atos 2.37), isto é, reconheceram a verdade pelo que ela é, e creram nela. Então, ouviram a respeito da morte de Cristo por seus pecados e então creram em Jesus: os que aceitaram na mensagem de Pedro foram batizados naquele dia: três mil pessoas. O corpo de Cristo em Jerusalém multiplicou 26 vezes, de 120 para 3120.

3) sendo igreja

Como viviam os primeiros cristãos? “Eles se dedicavam aos ensinos dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações” (Atos 2.42).

“Ensino dos apóstolos” Para que um grupo de irmãos se torne o tipo de igreja que Jesus prometeu construir é necessário haver doutrina dos apóstolos. Hoje a igreja tem acesso a toda doutrina dos apóstolos por meio da Palavra de Deus. O ensino da verdade de Deus produz na igreja raízes profundas que fornecem alimento e estabilidade. Hoje temos o Antigo Testamento e o Novo Testamento para serem estudados e garimpados, visando o nosso crescimento. 

“A comunhão”. O termo original para comunhão é koinonia e se refere a relacionamentos íntimos e mútuos nos quais as pessoas compartilham coisas em comum e permanecem envolvidas umas com as outras; dividindo tanto as dificuldades quanto as alegrias. Na igreja, a Palavra de Deus não é apenas aprendida por meio da pregação; também é vivenciada por meio da comunhão. “Alegrai com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12.15). 

“O partir do pão”. Se refere à ceia do Senhor, procedimento observado nas reuniões do primeiro cristão. Diz a palavra de Deus: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão...” (Atos 20.7). Primeiro, eles foram batizados (Atos 2.41), significando nossa vida, conversão, arrependimento, mudança de vida em Cristo Jesus. Segundo, partia o pão, representou nossa comunhão verdadeira e real com o nosso Senhor Jesus Cristo.  

“Oração”. Eles passavam tempo em adoração ao Senhor, confessando seus pecados, intercedendo pelos outros, pedindo sustento a Deus e agradecendo-lhe as bênçãos recebidas, exatamente como Jesus os ensinou a orar. 

Conclusão

“Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos” (Atos 2.46-47).

Observe que, como resultado da dedicação daqueles cristãos aos elementos essências: “ensinos dos apóstolos, comunhão, o partir do pão e a oração”, a igreja continuava a expandir e a crescer. Primeiro, os 120 discípulos do cenáculo que receberam o batismo com Espirito Santo se estenderam para 3000 discípulos. Mas não parou... 

Mas, muitos dos que tinham ouvido a mensagem creram, chegando o numero dos homens que creram a perto de cinco mil” (Atos 4.4).  Pedro e João foram presos por pregarem a palavra de Deus, mesmo assim, a igreja não parava de crescer.

“Em números cada vez maior, homens e mulheres criam no Senhor e lhes eram acrescentados” (Atos 5.14). Não obstante o pecado de Ananias e Safira, tentando mentir ao Espirito Santo, a igreja crescia, se expandi.

“Assim, a palavra de Deus se espalhava. Crescia rapidamente o numero de discípulos em Jerusalém; também um grande numero de sacerdotes obedecia à fé” (Atos 6.7). Aqui fala de diáconos como Estevão, homens cheios do Espirito Santo e sabedoria divina pregavam a palavra de Deus com ousadia.

“A igreja passava por um período de paz em toda Judéia, Galiléia e Samaria. Ela se edificava e, encorajada pelo Espirito Santo, crescia em números, vivendo no temor do Senhor” (Atos 9.31). momentos de perseguição a igreja crescia e também em momentos de paz.

E o que falar da igreja de Antioquia? “A mão do Senhor estava com eles, e muitos creram e se converteram ao Senhor. Noticias desse fato chegaram aos ouvidos da igreja de Jerusalém, e eles enviaram Barnabé a Antioquia. Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fieis ao Senhor, de todo o coração” (Atos 21.21-23).