terça-feira, 1 de setembro de 2026

 Seja Bem-Vindo a Tessalônica! At 17.1-10 

Introdução

O apostolo Paulo está em sua segunda viagem missionária com Silas, Lucas e Timóteo. Depois de passarem por Filipos vão para Anfípolis (48 Km), em seguida para Apolônia (42 km) até chegarem em Tessalônica. Ao todo andaram pela famosa via Egnácia 160 Km! Isso tudo, depois dos apóstolos, terem sofrido uma surra publica com varas e uma noite na prisão. A vontade do apostolo Paulo o levou além de suas próprias limitações físicas para realizar o que Deus havia colocado diante dele. “Invencível coragem mental e perseverança infatigável da cruz “(João Calvino). 

“Mas, como vocês sabem, apesar de termos sofrido e sido insultados em Filipos, com a ajuda do nosso Deus tivemos coragem de anunciar a vocês o evangelho dele em meio a muita luta” (2 Ts 2.2).

1)     Tessalônica

Tessalônica era uma importante cidade portuária localizada na Via Egnácia, a famosa estrada entre Bizâncio (oriente) à Macedônia (Ocidente, 1100 km de estrada), construída pelos romanos. Foi fundada em 297 a.C por Cassandro, um dos generais de Alexandre, o grande, que deu à cidade o nome da esposa, Tessalônica, que era também meia-irmã de Alexandre. 

A cidade de Tessalônica tinha um significado estratégico para Paulo e Silas, porque, era a capital da província da Macedônia e por causa do seu robusto comercio e sua população de 45 mil subiu para 200 mil habitantes. Seus habitantes eram etnias mistas, diversificadas e tinha sinagoga. Portanto, o apostolo Paulo, como bom estrategista, queria concentrar seu ministério em cidades maiores e de maior expressão populacional.

A primeira coisa que Paulo teria feito seria montar sua loja de tendas no mercado, ou perto dele, para o seu sustento, algo que ele, aludiu ao escrever para a igreja de Tessalônica: “Pois vocês se lembram de nosso trabalho e de nossas dificuldades, irmãos. Trabalhamos noite e dia para não sobrecarregar ninguém, pregamos o evangelho de Deus para vocês” (1 Ts 2.9). A venda de tendas não somente garantia a renda a Paulo, mas também lhe possibilitava o contato com muitos gentios da cidade. 

2)     Evangelização

Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das escrituras” (ARA), ou “...falou as escrituras sagradas” (NTLH), ou “...examinou com eles as escrituras” (A21), ou “...disputou” (ARC), por fim “discutiu” (NAA). O apostolo Paulo vai até a sinagoga para explicar as escrituras aos judeus e gentios. É bem certo, que os judeus na sinagoga tinham as Escrituras, mas seu verdadeiro significado permaneceu fechado até que Paulo “abriu” as escrituras. 

Ele entrou na sinagoga e “discutiu” (dialegomai) com seus irmãos judeus. Paulo “discutiu” em Tessalônica (At 17.2), em Atenas (At 17.17), em Corinto (At 18.4), Éfeso (At 18.19), em Trôade (At 20.7) e, finalmente diante do governador romano Félix, em Cesareia Marítima (At 24.25). em grego, dialegomai significa “conversar, discutir ou debater”. Durante três sábados, ele “discutiu” a partir das escrituras do Antigo Testamento, provando que o Messias tinha que morrer e ressuscitar para cumprir as profecias.

O texto da escritura com base no qual Paulo argumentou falava do sofrimento de Jesus. É necessário explicar como alguém que foi crucificado pode ser o Messias. O ensino de Paulo harmoniza com o de Jesus, que disse a seus discípulos: “Acaso o Messias não tinha de sofrer essas coisas e então entrar em sua glória” (Lc 24.126). Essa mensagem é escandalosa e incompreensível para muitos judeus. Para alguns, é tão ofensiva “.... que é motivo de escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1 Co 1.23), que provocava uma reação violenta.

Essa mensagem tornou-se a essência do Kerygma apostólico, o apostolo Pedro já havia pregado no dia do Pentecoste (At 2.22). O Keygma do evangelho é: Jesus é o verbo de Deus, o logos, a ação de Deus na criação. O verbo se encarnou, habitou entre os homens “cheio de graça e verdade” (Jo 1.14), viveu entre os homens, curou, salvou, discipulou doze discípulos. Depois, foi levado a cruz do calvário, pelos nossos pecados e morto, humilhantemente. Mas, no terceiro dias, Jesus ressuscitou, está assentado a direita de Deus Pai. 

Como resultado da mensagem: “Alguns judeus foram persuadidos e uniram-se a Paulo e Silas, bem como grande número de gregos tementes a Deus e várias mulheres proeminentes” (At 17.4). Toda pregação cria uma reação dividida. Os dois verbos da oração “...alguns judeus foram persuadidos e uniram-se a Paulo e Silas”, estão na voz passiva no grego. Esse fato destaca que não foram os argumentos dos apóstolos apresentados com refinamento astusto e persuasivo que convenceram os ouvintes. A persuasão, o convencimento vieram da mediação de Deus pelo Espirito Santo. 

“Várias” que significa literalmente “não poucas”. Isso mostra que muitas mulheres proeminentes dos círculos sociais mais elevados foram persuadidas. Atos destaca o importante papel desempenhado pelas mulheres no crescimento da igreja (At 1.14, 5.14, 8.3). Dois homens que se tornaram crentes, Aristarco e Secundo, viajaram com Paulo em sua ultima jornada para Jerusalém (At 20.4), Aristarco também o acompanhou em Roma.

O que começou com um pequeno grupo continou a crescer e a expandir, á medida que outros na cidade se tornavam crentes, durante o ministério em andamento. Mais tarde, o apostolo Paulo de seu tempo com a igreja de Tessalônica, ao escrever: “Pois sabemos, irmãos, amados de Deus, que ele os escolheu, visto que o nosso evangelho não lhes chegou apenas em palavras, mas também em poder, no Espirito Santo, e com plena certeza” (1 Ts 1.4-5). O evangelho não é somente palavras, mas também, o evangelho é poder, cura, prodígios e milagres.

O apostolo Paulo escreve para a igreja de Corinto: “...não fui com eloquência nem com sabedoria humana para lhes proclamar o testemunho a respeito de Deus” (1 Co 2.1). E afirma que que não falou “com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, explicando realidades espirituais com palavras ensinadas pelo Espirito” (1 Co 2.13).

3)    perseguição

Enquanto alguns judeus foram persuadidos, outros “ficaram com inveja. Reuniram alguns homens maus da praça e, com a multidão, iniciaram um tumulto na cidade” (At 17.7). De acordo com o evangelista Lucas, o principal motivo de sua hostilidade é a inveja. A conversão de mulheres os perturba, porque significa a possível perda de mantenedoras rica e influentes na sinagoga. 

Os apóstolos são acusados de promover crenças contraditórias a Roma, mas agora são acusados de “virar o mundo de ponta cabeça” (Atos 17.6). O céu e a terra estremecem nessa história, mas isso se deve exclusivamente à atuação de Deus. Somente Deus controla e abala o mundo e os céus, pois Deus é o criador dos céus, da terra e das nações” (At 17.24-26).

A segunda acusação é a de que os apóstolos afirmam haver outro rei, Jesus é o Senhor, o verdadeiro rei; não é Cesar, imperador romano, mas Jesus. Como Filho de Deus, Jesus, é o verdadeiro Rei, e, como aquele que morreu e ressuscitado ao terceiro dia e foi exaltado por Deus. Portanto, é o único rei digno de adoração e lealdade e o único que é digno da nossa adoração.

Conclusão

O irmão Jasom, novo convertido, foi preso por hospedar os apóstolos. Mas, solto, depois de pagar uma fiança. A situação em Tessalônica agora estava muito tensa e perigosa para Paulo e seus companheiros, de modo que, naquela noite, sob o disfarce da escuridão, os irmãos e as irmãs enviaram Paulo, Silas e Timoteo a caminho da pequena e remota cidade de Bereia (At 17.10).  


 

 

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