terça-feira, 2 de maio de 2023

 Vencendo a ansiedade – Mt 6.25-34 

Introdução

Ansiedade é um sentimento íntimo de apreensão, mal-estar, preocupação, incerteza, angustia e medo. Ela pode surgir como uma reação a um perigo especifico identificável, ou em resposta a um perigo imaginário , ou seja, a pessoa sente que alguma coisa terrível vai acontecer, mas não sabe o que é e nem por que.

Temos alguns níveis de ansiedade. A ansiedade aguda, sua intensidade é grande, e de pequena duração. A ansiedade crônica, diferente da aguda, é persistente e duradoura, mas tem menor intensidade. E a ansiedade neurótica que envolve sentimentos intensamente exagerados de desespero e medo, mesmo quando o perigo é pequeno ou inexistente.

1)     Cuidados da vida

Tendemos por ficar ansiosos acerca de nossa vida, acerca do que comeremos, acerca do que beberemos, e também por ficar ansiosos acerca do corpo, quanto aquilo que vestiremos. Quantas pessoas parecem viver inteiramente dentro desses estreitos limites: o que comer, o que beber e o que vestir. Parecem, para muitos, representar a totalidade da vida humana... 

Tudo gira em torno disso: alimento, bebida e vestuário. É só olhar para internet, as propagandas, os sites de vendas, as mídias sociais, etc. As pessoas passam o tempo todo pensando sobre essas coisas, falando sobre elas, discutindo com os outros sobre elas. Em suma, a humanidade vive para essas coisas...É neste sentido que Shakespeare, em sua peça “Henrique VIII”, faz este apelo a Thomas Cromwell: “Cromwell, eu te desafio, põe de lado a ambição. Por causa desse pecado caíram anjos...”. Ambição de uma pessoa é aquilo que a impele, motiva...

2)     Não andeis ansiosos

“Não andeis ansiosos”, “Não vos inquieteis”, “Não vos preocupeis”, são as versões mais conhecidas. A palavra usada por Jesus é extremamente interessante, porquanto indica algo que divide, que separa ou que distrai a atenção. Em Lucas 12.29, que é uma passagem paralela do sermão da Montanha usa a expressão: “Não vos entregueis a inquietações”. A mente está dividida em segmentos ou compartimentos e não funciona como um todo. Estar inquieto, portanto, é uma espécie de visão dupla, ou um olhar lançado para duas direções simultaneamente. 

No Novo Testamento temos um exemplo de uma pessoa ansiosa – mente dividida, mente segmentada, distraída -, Marta, irmã de Maria. Diz o texto: “Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços” (Lc 10.40). Portanto, era ansiosa, preocupada e o Senhor Jesus a repreendeu, dizendo-lhe: “Marta! Marta! Andas inquietas e te preocupas com muitas coisas”. Marta se deixara “distrair”, preocupada com os afazeres de casa e com as coisas desta vida. 

Enquanto que Maria estava: “...assentada aos pés do Senhor, ouvia o seu ensino”(Lc 10.39). Paulo afirma em sua carta aos Filipenses: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela suplica, com ações de graça. E a paz de Deus, que excede todo entendimento guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus” (Fl 4.6-7).

O nosso texto diz: “...não andeis preocupados com a vossa própria vida, quanto...comer ou beber; nem pelo vosso corpo...vestir. Não é a vida mais importante do que o alimento, e o corpo mais do que as roupas” (Mt 6.25). “Não é a vida mais do que o alimento...”. Como que temos a vida? De onde ela veio? Ora, a vida é um dom de Deus. E o próprio fato de estarmos vivos nesse instante deve-se inteiramente a Deus que assim quis e assim decidiu. Paráfrase: “Se eu lhe dei o dom da vida – o maior de todos os dons – você imagina que eu não cuidaria que a sua vida fosse mantida, sustentada”? 

Naturalmente, devemos arar, semear, plantar, acordar cedo, colher e armazenar o produto da terra em celeiros. Cumpre-nos fazer as coisas que Deus determinou que o homem fizesse nesta vida. Todavia, tudo quanto ele diz é que nós nunca precisaremos sentir-nos ansiosos ou preocupados com a possibilidade de não haver o suficiente para manter a continuidade das nossas vidas.

3)     “Observem as aves dos céus”

“Observem as aves dos céus...” Olhai para elas...o assunto é sério, pois o verbo grego nesta ordem de Jesus significa: “fixe os olhos em algo para enxergar bem”.  

Ou seja, veja o que está diante de vocês – esses pássaros, essas aves dos céus “Não semeiam e nem colhem nem ajuntam em celeiros; contudo, o Pai Celestial as alimenta” (Mt 6.26). Essas pequenas aves que não fazem provisão, no sentido de prepararem ou produzirem o alimento por si mesmas, recebem a provisão necessária. Deus cuida delas, e delas não se esquece.

Vejam, escreve Martinho Lutero com muita beleza, “ele está fazendo das aves nossos professores e mestres. É uma grande e permanente vergonha para nós o fato de, no evangelho, um frágil pardal se tornar um teólogo e pregador para o mais sábio dentre os homens... Portanto, sempre que você ouvir a voz de um rouxinol, está ouvindo um excelente pregador... É como se ele estivesse dizendo: Eu prefiro estar na cozinha do Senhor. Ele fez o céu e a terra, e ele mesmo é o cozinheiro e o anfitrião. Todos os dias ele alimenta e nutre inúmeros passarinhos em sua mão”.

“Disse a rolinha ao pardal: Gostaria de saber

Por que os homens são ansiosos, nunca param de correr!”

Respondeu o pardalzinho: Minha amiga, eu penso assim:

“Eles não sabem que o Pai celeste cuida de ti e de mim” 

“Não tem vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês por mais que se preocupe, pode acrescentar um côvado que seja a sua vida” (Mt 6.27). Isto é, “Quantos de vocês, pelo fato de toda essa perturbação e preocupação, pelo fato de toda essa ansiedade e apreensão, pode prolongar a duração de sua vida terrena ao menos por um momento? Os milionários podem comprar todo alimento e bebida que quiserem, mas não podem prolongar a vida.

Portanto um ser humano não pode acrescentar um único côvado ao curso de sua vida. Os nossos dias estão na mão de Deus, a vida é uma dadiva divina. Deus é quem lhe dá o começo, e ele é quem determina o seu ponto final. Então, faça o seu trabalho, semeie, colha e armazene o produto da terra em celeiros, do resto, Deus cuida.

Conclusão: “Vejam como crescem os lírios do campo”.

“Olhem para essas coisas e considerem. Essas plantas, essas flores, não labutam e nem fiam, e, no entanto, olhem para elas. Contemplem a maravilha, contemplem a beleza, contemplem a perfeição. Ora, nem o próprio Salomão se vestiu como um mero lírio.  

Todos conhecemos a fama de Salomão, suas vestes suntuosas, todo o aparato de sua corte, seus palácios revestidos de cedro, moveis cobertos de ouro e engastados com pedras preciosas. No entanto, toda essa beleza que chamou a atenção da rainha de sabá, empalidece, ofusca, comparado com a beleza dos lírios dos campos.  

A erva do campo, apesar de toda a sua beleza, sua formosura, seu cheiro, era queimada. Era assim que antigamente, assava o pão. A erva daninha era cortada e ressecada, e então era posta no forno para queimar. Diz Jesus de forma irônica: “Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé?” (Mt 6.30).

“Mas buscai o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhe serão acrescentadas” (Mt 6.33). qual é o objetivo do reino: 1) termos comunhão com Deus; 2) servimos em comunhão com os irmãos  e levarmos o evangelho a todos os povos; 3) Maranata, ora vem Senhor Jesus.  


   

quarta-feira, 26 de abril de 2023

 Jogral – Rasgai os corações e não as vestes

 (Narrador) Vivemos em um momento difícil, tempo de esfriamento da igreja, muitos vivem longe da presença de Deus, vivendo deleitosamente em seus pecados, como se nada fosse acontecer. Assim como Deus levantou o profeta Joel no seu tempo para profetizar, para ser a boca de Deus, para ser vaso nas mãos do oleiro. Deus busca homens e mulheres de Deus para se colocarem na brecha e anunciar o juízo de Deus ao seu povo.

Todos: “É tempo de rasgar os corações e não as vestes. É tempo de voltar para o Senhor, arrependei-vos dos vossos pecados, pois Ele é misericordioso e compassivo”

1: escute:  “Ouçam todos, escutem todos vocês. Será que vocês já ouviram algo assim nos seus dias? Ou nos dias dos nossos pais? Anunciem o que acontecerá aos seus filhos, aos seus netos, e a geração seguinte”. Pois uma grande calamidade está para acontecer...

Todos: “É tempo de rasgar os corações e não as vestes. É tempo de voltar para o Senhor, arrependei-vos dos vossos pecados, pois Ele é misericordioso e compassivo”

2: Eis que se aproxima o dia do Senhor. Será um dia como qualquer outro dia. As pessoas estarão comendo, bebendo e dando-se em casamento...mas de repente, num abrir e fechar o olhos, o céu irá se rasgar, e o Senhor descerá ao som da trombeta do querubim para buscar a sua igreja...E a igreja subirá ao encontro do Noivo...

Todos: “É tempo de rasgar os corações e não as vestes. É tempo de voltar para o Senhor, arrependei-vos dos vossos pecados, pois Ele é misericordioso e compassivo”

3: Toquem a trombeta em Sião; deem alarme no meu santo monte. Tremam todos os habitantes do país, pois o dia do Senhor chegou...para os salvos será dia de alegria, de jubilo; mas para os não preparados será dia de angustia, de ranger de dentes...

Todos: “É tempo de rasgar os corações e não as vestes. É tempo de voltar para o Senhor, arrependei-vos dos vossos pecados, pois Ele é misericordioso e compassivo”

4:   Será um dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e negridão. Assim como a luz da aurora estende-se pelos montes, um grande e poderoso exercito de anjos se aproximam... diante deles o fogo devora, atrás deles arde uma chama...diante deles a terra é como um jardim do Eden, atrás deles, um deserto arrasado.

Todos: Agora, declara o Senhor, voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto. Rasguem o coração, e não as vestes. Voltem-se para o Senhor, para o seu Deus, pois ele é misericordioso e compassivo...

5 : Toquem a trombeta em Sião, decretem jejum santo, convoquem uma assembleia sagrada. Reúna o povo, consagrem-se; ajuntem os anciãos, as crianças, os adolescentes, os jovens, as irmãs, os irmãos....é tempo de consagração, é tempo de arrependimento,  é tempo de buscar ao Senhor, é tempo de santidade...

Todos:

Santificai-vos 3x

Santidade no falar,

Santidade no andar

Santidade no vestir

Santidade no agir

6 : Diz o Senhor, se voltares para mim de todo o coração, com jejum, lamentos e prantos então, enviarei sobre vós a minha benção: trigo, vinho e azeite, o suficiente para satisfazê-los. E, mais: eu, diz o Senhor, derrotarei o vosso inimigo e o seu mau cheiro se espalhará...

Todos: “É tempo de rasgar os corações e não as vestes. É tempo de voltar para o Senhor, arrependei-vos dos vossos pecados, pois Ele é misericordioso e compassivo”

7 : E mais, diz o Senhor, se voltares para mim de todo o coração, com jejum, lamentos e prantos então, diz o Senhor, derramarei sobre vós o meu Espírito, os seus filhos e suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões.

Todos: “É tempo de rasgar os corações e não as vestes. É tempo de voltar para o Senhor, arrependei-vos dos vossos pecados, pois Ele é misericordioso e compassivo”

terça-feira, 25 de abril de 2023

 Vencendo a depressão – Sl 42 

Introdução

Depois da morte de sua esposa, um pastor conseguiu resumir as fases da vida de um cristão: “A experiencia cristã processa-se em três níveis. O primeiro, estão os dias de “cimo da montanha” em que tudo vai bem e o mundo parece cheio de Sol. Segundo “os dias comuns” são aqueles em que fazemos nossos trabalhos usuais e não nos sentimos nem exultantes nem deprimidos. Terceiro “os dias sombrios”, quando nos arrastamos pesadamente através do desanimo, desespero, duvida e confusão, que pode se depressão.

Os sinais dos dias sombrios, ou de depressão incluem tristeza, apatia, inercia, tornando difícil continuar vivendo ou tomar decisões; perda de energia e fadiga, insônia (não consegue dormir, muitos pensamentos), pessimismo, ansiedade, desesperança, medo, autocontrole negativo, sentimento de culpa, vergonha, senso de indignidade, perda de interesse no trabalho no sexo e atividades comuns, perda de espontaneidade; incapacidade de apreciar acontecimentos e atividades agradáveis. A depressão tem dois níveis: tem a depressão crônica de longa duração e a depressão aguda, de curta duração e quase sempre se corrige sozinha. 

1)     Um anseio por Deus.

O Salmo 42 foi escrito pelos filhos de Coré, músicos do templo, e retrata o anelo profundo da alma, longe do santuário e do culto congregacional. O salmista vinha enfrentando “os dias sombrios”. Ele a adversidade circunstancial e escárnio impiedoso dos adversários, que colocam em duvida a presença protetora de Deus em sua vida “Onde está o seu Deus?” (Sl 42.3). 

Por estar longe do templo, ele se assemelha a uma corça que anela por água e, no ermo do seu isolamento, ele anseia por Deus. O anseio dele é como uma gazela que, sedentamente, corre aos ribeiros para dessedentar-se, mas ele, está com sede não de prosperidade e riqueza, mas de Deus “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vido” (Sl 42.2). 

Portanto, o Salmista está com sede de Deus, do Deus vivo, e anseia pelas moradas do Altíssimo e anela pela contemplação da face de Deus. A sede é mais forte que a fome e é implacável, tanto que esmaga e mata. Ele cita os elementos mais essências da vida cristã: ar (suspira), água e alimento(Sl 42.1-3), mas, sem adoração a vida não faz sentido para ele ...

“QUANDO ME LEMBRO DESTAS COISAS CHORO ANGUSTIADO. POIS EU CONSTUMAVA IR COM A MULTIDÃO, CONDUZINDO A PROCISSÃO À CASA DE DEUS, COM CANTOS DE ALEGRIA E DE AÇÃO DE GRAÇAS ENTRE A MULTIDÃO QUE FESTEJAVA” (SL 42.2-4).

2)     Uma angustia mais do que geográfica

O que fazemos quando há alma está abatida? O que fazemos quando tudo está desmoronando? O salmista foge, como o profeta Elias fugiu de Jezabel para o deserto do Horebe (1 Rs 19). Primeiro, ele está no deserto, com muita sede de Deus, como uma gazela; está no deserto da Judéia, região cáustica, erma, pedregosa, sem vida, está com muita sede, tanta sede como uma corça, como uma gazela no deserto. Ele diz: “Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus” (Sl 42.1). 

Aonde fosse esse homem, as situações lhe lembravam seu estado interior: sua busca, suas perguntas, questões não resolvidas. Sai do deserto da Judéia e se dirige à região norte de Israel. Os versículos 6 e 7 diz que ele está no extremo norte da Palestina, no sopé do Monte Hermon, a mais alta montanha de Israel, e perto de Mizar, um pequeno Monte nas terras onde nasce o rio Jordão. 

O Monte Hermon é a montanha mais alta de Israel, e seu cume sempre está coberto de neve. Com o degelo, descem ali torrentes de águas, como verdadeiras cachoeiras, em catadupas, ou seja, queda de grande volume de água corrente. O salmista olha para esse cenário e imagina a sua alma sendo arrastada de abismo em abismo; ele perdeu o apoio para os pés e sente todas as ondas e vagas passando por cima dele. 


“ABISMO CHAMA OUTRO ABISMO AO RUGIR DAS TUAS CACHOEIRAS; TODAS AS TUAS ONDAS E VAGALHÕES SE ABATERAM SOBRE MIM” (SL 42.7).

As aflições espirituais e mentais de um homem podem ser ilustradas por essas cascatas e escadas escorregadias, cheias de lodo, que nos levam a um abismo cada vez maior. É por isso que ele diz: “Um abismo chama abismo” (Sl 42.7). A palavra hebraica aqui para abismo é a mesma usada em Genesis 1.2: caos – um caos, outro caos, uma depressão, outra depressão; um choro, outro choro; uma agonia, outra agonia; uma pergunta, outra pergunta; um desespero, outro desespero. 

 3)     Quando a alma está angustiada, o que acontece?

Primeiro começamos a viver no ciclo das lágrimas. Passamos a viver do choro e nos alimentar dele: é o processo de retroalimentação da agonia e da tristeza. Diz o Salmista: “Minhas lagrimas tem sido o meu alimento dia e noite” (Sl 42.3).

Segundo surge uma incapacidade de assumir um espirito de louvor e celebração com o povo de Deus. Fica difícil louvar racionalmente; você pode ter toda teologia do mundo; mas na hora em que a coisas dói na carne, se enfia nas emoções, se atravessa no peito, confunde a cabeça, agoniza a alma, mexe com as entranhas, é difícil equacionar a dor. Na hora do louvor, parece que estamos alheios e indiferentes ao povo de Deus; não conseguimos entender como as pessoas cantam, celebram, louvam, dão graças. 

Houve um tempo que eu estava no meio da adoração: “Quando me lembro destas coisas choro angustiado. Pois eu costumava ir com a multidão, conduzindo a procissão à casa de Deus, com cantos de alegria e de ação de graças entre a multidão que festejava” (Sl 42.4).

Terceiro envolvimento no mundo das sensações. Você fica todo sensação, todo emoção, todo sentimento. Voce abre mão das promessas de Deus, da fé...agora vive no mundo das sensações, de automotivações, de momentos da alma, sensação inclusive de depressão. Ele diz: “A minha alma está profundamente triste, por isso de ti me lembro” (Sl 42.6). Simples lembrança, álbum doutrinário, foto envelhecida, amarelada, da graça divina – nada de novo, nada aqui e agora...

Quarto uma desesperada atitude de devoção. O salmista diz para a sua alma perturbada: “Conceda-me o Senhor o seu fiel amor de dia; de noite esteja comigo a sua canção. É a minha oração ao Deus que me dá vida”(Sl 42.8). Em seguida, porém, acrescenta: “Direi a Deus, minha Rocha: Por que te esqueceste de mim? Por que devo sair vagueando e pranteando oprimido pelo inimigo?” (Sl 42.9). Veja ele oscila! Ele é devoto, depois manifesta uma queixa: a misericórdia de Deus está comigo, e eu oro toda noite. E quando a gente pensa que ele está saindo do buraco, ele diz: “Ó Deus, por que te esqueceste de mim”? (Sl 42.9). 

  Conclusão: sai depressão

Primeiro precisamos inquirir quais são as razões de nossa alma. Veja o que diz o versículo 11: “Por que está abatida, ó minha alma?”. Quais são as tuas razões, ó minha alma, para estares abatida? “Por que te perturbas dentro de mim?”  O que fazer? Temos que enfrentar essa cova, essa depressão terrível e começar a questionar. Estamos muito cheios de autopiedade, achamos que pelo fato de sermos de Deus nada de mal irá acontecer conosco. Mas o que aconteceu com Abraão em Moriá? Olha o que aconteceu com Jó?

A maior benção é ser uma alma de Deus. Homem, a maior benção que tens é seres homens! Mulher a maior benção que tens é seres Mulher! Podia ser nada, podia ser não existência, mas és existência! Não somente existência, és essência, és de Deus, és filhos – mais do que isso -, és herdeiro e coerdeiro com Cristo.

Segundo é saber e afirmar que o auxilio de Deus não falha; precisamos dizer a nós mesmos que o socorre vem, não demora. “Espera em Deus, pois ainda o louvarei” (V.11). Pois, “ele é o meu auxilio e Deus meu”. “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5) e diz ainda o Salmo 30: “Mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste de alegria” (v.11). 


   

sexta-feira, 21 de abril de 2023

 Igreja Católica e as invasões barbaras e os acréscimos...

A história tem suas divisões, essas divisões ocorreram posteriormente pelos historiadores no século XX. A história antiga termina em 476 d.C, quando os bárbaros invadem Roma e a partir daqui se assinala um novo período na história do ocidente. A igreja nesse tempo,  já estava a pleno vapor, desde que Constantino oficializou o cristianismo como religião oficial do império. Agora, surge um tempo de incerteza, pois “vândalos, suevos, burgúndios, ostrogodos, lombardos, bretões, saxões, etc”, começaram a tomar todo o território que antes fazia parte do império romano. 

Nesse mapa mostra os bárbaros tomando possessões romanas

Com o cristianismo tornando-se uma religião oficial e sem perseguição, umas das coisas que surgem desde que Constantino oficializou o cristianismo é a figura do anacoreta, ou cenobitas, que são homens que vão ao deserto para fugir das vaidades do mundo. Vivem em cavernas, em desertos, meditando, orando. E nos tempos das invasões surgem as ordens religiosas, como a de São Bento, que se instala no Monte Cassino, agora com a intenção não só de orar, mas também de ler, escrever, etc. Um religioso fixado num mosteiro, tinha por dia duas horas e meia de leituras, ao ano 1265 horas e no decorrer de cinquenta anos dentro do mosteiro, teria lido mais de 8000 volumes. 

Foi nesse período de invasão bárbara que surgiram os primeiros papas (quinhentos anos depois do nascimento da igreja), os mais conhecidos são: São Leão Magno (440 – 461) e o papa São Gregório Magno (560 -604).São Gregório  foi certamente o mais notável de todo o período compreendido entre as invasões e a Idade Média, aquele em que o Papado passou definitivamente a ocupar o primeiro lugar, e que conservará até os dias de hoje. A partir de 532, o Papa passa adotar sempre o nome de um apostolo, de um santo ou de um dos seus predecessores mais gloriosos, o que assinala de maneira simbólica a sua filiação histórica e a sua projeção espiritual. 

O que surgiu nesse tempo de incerteza?

Primeiro, o culto aos santos. A admiração e reverencia para com os mártires de fé cristã, assumem nos tempos bárbaros a feição de um verdadeiro culto, de uma latria: já que Deus é tão temível, serão necessários mediadores humanos para atingi-lo e para dobrá-lo, e os santos que estão perto dEle certamente intercederão por suas necessidades. Pede-se a esses mediadores, não só que sejam intercessores junto ao Todo-Poderoso, mas também que prestem os serviços mais concretos, desde uma chuva que regue o campo até o feliz desenlace de partos difíceis. 


Segundo o culto das relíquias. Esse culto na verdade nasceu no século III, mas nesse período se amadureceu. Disputavam-se os pedaços das vestes que o santo usou e até os cabelos e pedaços das suas unhas. Um alto funcionário do governo francês passando por uma cidadezinha do interior da França soube que determinado comerciante possuía a relíquia de São Jorge; corre a casa dele, assedia-o, e obriga-o a cortar um dedo do glorioso esqueleto. 

Terceiro a confissão auricular. Havia um sentido profundo da miséria do homem e da necessidade que sente de ser perdoado. Antes, havia somente a confissão publica concedida pelo bispo, que nos primeiros tempos do cristianismo dizia respeito apenas aos pecados mais graves, ao que causavam escândalos público, fora-se transformando pouco a pouco; estabelecera nos conventos o habito de confessar todos os pecados, mesmo aqueles que se davam no mais recôndito da consciência. Assim, a confissão deixou de ser publica passou a ser auricular, privada, e feita a um sacerdote.  Nesse tempo criou-se verdadeiros manuais de direção espiritual e catálogos de pecados com as correspondentes penitencias. 

Quarto, mediação de Maria. Foi nesse tempo de invasões barbaras, tempos angustiantes, que se instaurou a devoção à Virgem Maria, que com o passar dos tempos ganha ampla projeção pelos concílios católicos. Mas, a primeira igreja edificada em homenagem a Maria, mãe de Jesus, deu-se em 431; simultaneamente, as festas marianas começam a balizar o calendário do ocidente – não só a da Purificação, mas a da Natividade de Maria.


fonte: A Igreja dos tempos Bárbaros - Daniel-Rops - Editora quadrante. 

 

quarta-feira, 19 de abril de 2023

 JOGRAL: “Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder”

Declamação Inicial

Vivemos tempos difíceis, tempos nebulosos. Estamos “nos últimos dias”, nas “dores de parto” do tempo do fim. Tempo de pandemia, tempo de guerra e rumores de guerra, tempo de esfriamento espiritual. Nesses dias, Deus procura homens e mulheres cheios de coragem; o profeta Ezequiel estava em busca de “alguém que se colocasse na brecha”. Quando o profeta Isaias entrou no templo e viu a visão de serafins dizendo “Santo, Santo é o Senhor, toda terra está cheia da tua glória...” Ele ouviu a voz da trindade conclamando: “A quem enviarei e quem há de ir por nós”. E, você aceita o desafio de Deus para sua vida?

(Entrada inicial, com instrumentos musicais, ou bateria).

“Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Vistam toda armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo. PORQUE nossa luta não é contra carne e nem sangue, mas contra poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. Pois isso, vistam toda armadura de Deus, para que possam resistir no dia mal e permanecer inabaláveis...”

Voz do General: Atenção igreja minha...

Todos: Sim Senhor!

Voz do General: “Quanto ao mais...”, “a partir de agora...”, “durante o tempo que resta...”. Não é tempo de busca material, não é tempo de satisfação própria, mas é tempo de lutar, é tempo de guerrear, pois temos um inimigo que não descansa, nem de dia e nem de noite. Igreja minha, como diz o velho hino: “Na batalha contra o mal, sê valente... Segue em marcha triunfal, sê valente...”

Todos: “Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder, vistam de toda armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as astutas ciladas do diabo”.

 

General: Igreja de Cristo, qual é a sua missão?

Todos: “Fortalecer no Senhor e na força do Seu poder e permanecer firmes; anunciando o evangelho que Jesus Cristo Salva, Jesus Cristo batiza com Espirito Santo e Jesus leva para o céu”. Temos que ser testemunhas em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra...

Todos: “Estamos ouvindo Senhor: Eis-me aqui, envia-me a mim...”

General: Igreja de Cristo, qual é o vosso lema?

Todos: “FORTALECEI-VOS NO SENHOR E NA FORÇA DO SEU PODER. VISTAM-SE TODA ARMADURA DE DEUS, PARA PODEREM FICAR FIRMES CONTRA AS CILADAS DO DIABO”

 

Voz do General: Igreja de Cristo está pronta para o combate?

Todos: Sim Senhor!

“Eu quero estar com Cristo

Onde a luta se travar

No lance imprevisto

Na frente m'encontrar

Até que O possa ver na glória

Se alegrando da vitória

Onde Deus vai me coroar!”

 

General: Igreja de Cristo, a vossa luta é contra carne?

Não, Senhor. Nossa luta não é contra nossos irmãos, não é contra seres humanos. Mas, nossa luta é contra os principados e potestades, dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. Mas sabemos que “maior é aquele que está conosco, do que aqueles que estão no mundo...

Voz do general: igreja de Cristo, quem é o vosso general?

Todos: É o Senhor dos Senhores; é o Rei dos reis; é o alfa e o Omega; é a estrela da manhã; é o lírio dos vales; é a rosa de Sarom; é o caminho, a verdade e a vida, é a porta das ovelhas, é o grande Eu Sou, é o desejado das Nações. É o bom pastor que deu a sua vida por suas ovelhas; é aquele que morreu, mas no terceiro dia, ressuscitou e está assentado à direita de Deus Pai...que virá buscar sua igreja para reinar eternamente com Ele...

General: igreja de Cristo, porque tem que “ficar firmes”?

Todos: “Porque estamos rodeados de uma grande nuvem de testemunhas, pessoas que viveram sua fé em Cristo Jesus, lutaram contra o pecado, contra satanás e venceram. Como, Abraão, Sara, Isaque, Jacó, Gideão, Isaias, Jeremias, Pedro, Paulo, Tiago, o apostolo João... Se eles venceram nós também venceremos. Sempre olhando para Jesus, autor e consumador da nossa fé”.

Voz do general: igreja de Cristo, já vestiu a armadura de Deus?

Todos: Sim, Senhor!

Voz do General: quais são elas?

Todos: “O cinto da verdade, a couraça da justiça, as sandálias do evangelho, o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito”.

 

Voz do General: igreja minha, estás vestida do cinto da verdade?

Irmã (1): “Sim, Senhor. Estou vestida com o cinto da verdade. Atualmente, o certo é errado e o errado é certo. A verdade, infelizmente, não é mais a verdade da Palavra de Deus. Muitas coisas estão sendo ensinadas, como: a destituição do casamento, e a cada dia mais cresce o divorcio no mundo; o comportamento homossexual é ensinado como algo normal  a ideologia de gênero, o que você sentir, deve ser. Mas, EU VESTI O CINTO DA VERDADE, ESTOU CONVICTO DE QUE A VERDADE ESTÁ NA PALAVRA DE DEUS. ELA É LAMPADA PARA OS MEUS PÉS E LUZ PARA OS MEUS CAMINHOS. Sim, senhor, me vestir com o cinto da verdade!

Todos: “FORTALECEI-VOS NO SENHOR E NA FORÇA DO SEU PODER. VISTAM-SE TODA ARMADURA DE DEUS, PARA PODEREM FICAR FIRMES CONTRA AS CILADAS DO DIABO

Voz do General: igreja de Cristo,  vestiu a couraça da justiça?

Irmã (2): Sim, Senhor! Estou vestida com a couraça da justiça! Não tenho condição de me chegar até a sua presença, meu Deus. Porque sou pecadora; a tua palavra nos diz: “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Então, me curvei a ti, Ó Senhor Jesus, como meu Salvador, como meu redentor, como minha única esperança. E o seu sacrifício me purificou, me santificou, o meu pecado que era vermelho como carmesim, com o sangue de Cristo, tornou-se mais branco que a neve. A tua palavra nos diz “Que nenhuma condenação há para que estão em Cristo Jesus, que não anda mais segunda a carne, mas segundo o Espirito”. Sim, Senhor, estou vestida da couraça da justiça!

Todos: Todos: “FORTALECEI-VOS NO SENHOR E NA FORÇA DO SEU PODER. VISTAM-SE TODA ARMADURA DE DEUS, PARA PODEREM FICAR FIRMES CONTRA AS CILADAS DO DIABO”

Voz do general: igreja de Cristo, já calçou as sandálias do evangelho da paz?

Irmã (3): Sim, Senhor! Estou vestida com as sandálias do evangelho da paz! Diante de um mundo tão sem esperança, diante de um mundo despedaçado pelo pecado, diante de irmãos que estão escorregando da fé, abrindo mão dos seus valores, pelos valores do mundo. Diante de uma geração gospel que só quer saber de entretenimento, de reteté, de pula pula, mas não quer saber de obedecer, de pagar o preço, de ser discipulado, santificar (porque sem santificação ninguém verá o Senhor).  Eu, no entanto, vesti as sandálias do evangelho da paz. E ficarei firme...

Todos: “FORTALECEI-VOS NO SENHOR E NA FORÇA DO SEU PODER. VISTAM-SE TODA ARMADURA DE DEUS, PARA PODEREM FICAR FIRMES CONTRA AS CILADAS DO DIABO”

Voz do general: Igreja de Cristo, tem o escudo da fé?

Sim, Senhor (irmã 4). Tenho o escudo da fé que me protege das setas do diabo e demônios. Quantas vezes o inimigo tentou me parar, me desanimar, me apontando pecados passados, da velha vida. Mas, empunhei o meu escudo da fé, dizendo que “o sangue de Jesus me purifica de todo pecado; o sangue de Jesus pegou o meu pecado que era vermelho como carmesim e deixou branco como a neve”. Agora, nenhuma condenação há para os estão em Cristo Jesus, que não anda segundo a carne, mas segundo o Espírito. Sim, general, estou com o escudo da fé...

Todos: “FORTALECEI-VOS NO SENHOR E NA FORÇA DO SEU PODER. VISTAM-SE TODA ARMADURA DE DEUS, PARA PODEREM FICAR FIRMES CONTRA AS CILADAS DO DIABO”

Voz do General: Igreja de Cristo, tem o capacete da salvação?

Irmã (5) Sim, Senhor! Tenho o capacete da salvação. Tenho certeza que da morte e da ressureição do Senhor Jesus, me deu direito a salvação eterna. A tua palavra nos diz: “Quem ouve a minha Palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas PASSOU DA MORTE PARA VIDA”. A tua palavra também nos diz: “Que Deus amou o mundo de tal maneira que Deus seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”. Sim, tenho o capacete da salvação. E NINGUEM VAI TIRAR ESSA CONVICÇÃO DA MINHA VIDA...Sim, eu vesti o capacete da salvação...

Todos: “FORTALECEI-VOS NO SENHOR E NA FORÇA DO SEU PODER. VISTAM-SE TODA ARMADURA DE DEUS, PARA PODEREM FICAR FIRMES CONTRA AS CILADAS DO DIABO”

Voz do general: igreja de Cristo, tem a espada do Espírito?

Irmã (6)  Sim, Senhor. A  palavra de Deus é “lâmpada para os meus pés e luz para os meus caminhos”; A  palavra de Deus, é guia, é norte, é bussola, é verdade, é santidade. A palavra de Deus é inspirada, veio do Espírito Santo, soprada nos profetas “Assim diz o Senhor”, ou “Veio a mim a Palavra do Senhor”; veio sobre os apóstolos de Cristo. O profeta Jeremias afirmou: “Quando as tuas palavras foram encontradas eu as comi, elas são a minha alegria e meu júbilo, pois pertenço a ti, Senhor dos Exércitos”. Sim, Senhor, eu tenho a Espada do Espírito...

Todos: “FORTALECEI-VOS NO SENHOR E NA FORÇA DO SEU PODER. VISTAM-SE TODA ARMADURA DE DEUS, PARA PODEREM FICAR FIRMES CONTRA AS CILADAS DO DIABO”

Voz do GeneraL: igreja de Cristo, além do cinto da verdade, da couraça da justiça, da sandálias do envangelho da paz, do escudo da fé, do capacete da salvação e da espada do Espírito, o que mais a igreja de Cristo necessita, que é vital?

Todos: OREM NO ESPÍRITO, EM TODAS AS OCASIÕES, COM TODA ORAÇÃO E SUPLICA; TENDO ISSO EM MENTE, ESTEJAM ATENTOSS E PERSEVEREM NA ORAÇÃO POR TODOS OS SANTOS...

Todos: “FORTALECEI-VOS NO SENHOR E NA FORÇA DO SEU PODER. VISTAM-SE TODA ARMADURA DE DEUS, PARA PODEREM FICAR FIRMES CONTRA AS CILADAS DO DIABO”

 

FIM

Pastor João Vicente

terça-feira, 18 de abril de 2023

 Judá e Tamar Gn 38 

Introdução

O capítulo 37 de Genesis conta o início da história de José, com seus sonhos (dois sonhos), suas diferenças com seus irmãos, seu privilégio (ganhou uma blusa do seu pai) e todas suas desventuras ao ser colocado no poço e depois vendido para os ismaelitas. No entanto, Deus estava com José em todas as circunstancias, boas ou ruins. Agora, no capitulo 38, temos Judá, irmão de José que segue um caminho totalmente oposto, o caminho da desobediência, do apartar-se das promessas de Deus.

1)     Na terra dos cananeus

Por essa época, Judá deixou seus irmãos e passou a viver na casa de um homem de Adulão, chamado Hira” (Gn 38.1). Judá distancia-se de sua família e busca novos ares, novas oportunidades, novos horizontes. O Salmo 1 fala da bem-aventurança daquele: “...que não segue o conselho dos ímpios... não imita a conduta dos pecadores...e nem se assenta na roda dos escarnecedores” (Sl 1.1-2). 

Ali Judá encontrou a filha de um cananeu chamado Suá e casou-se com ela” (Gn 38.2). Judá quebra a tradição de sua família. Abraão se preocupou com o casamento de Isaque e mandou seu servo Eliezer buscar uma esposa para seu filho no meio da sua parentela; o mesmo fizeram Isaque e Rebeca com respeito a Jacó. Judá é como Sansão, vê uma jovem cananéia e a toma para si como esposa. 


O que está em jogo nesse tipo de casamento não era apenas a questão racial (povos), mas sobretudo a questão espiritual, uma vez que os cananeus tinham outros deuses, costumes e valores. Ao casar-se com a filha de um cananeu, agiu deliberadamente contra o juramento que Abraão havia pedido ao seu servo Eliezer: “...para que eu faça...que não tomarás esposa para meu filho das filhas dos cananeus”.

2)     Filhos ímpios

Judá teve três filhos com sua mulher Suá – Er, Onã e Selá (Gn 38.3-5). Para o mais velho, ele escolheu uma moça cananéia chamada Tamar. “Mas o Senhor reprovou a conduta perversa de Er... por isso o matou” (Gn 38.7). Ou, “as contínuas atitudes perversas ...praticava” (BKJ) Em Provérbios fala de seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta: “olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente...coração que traça planos perversos...” (Pv 16.18). O texto afirma: “...e por isso o matou” (Gn 38.7). É a primeira vez que a Bíblia menciona de forma direta que Deus faz alguém morrer por causa de sua perversidade. 

De acordo com a lei do levirato se um irmão casado morresse sem ter filhos, seu irmão mais velho deveria se casar com a viúva para lhe suscitar descendência (Dt 25. 5,6). Portanto, o segundo filho de Judá, Onã, casou-se com Tamar, viúva de seu irmão, para lhe suscitar descendência. Porém, ele desonra a lei do levirato, desonra a memória do seu irmão e desonra Tamar, coabitando com ela, mas derramando o sêmen no chão, jogando-o fora. Isso também foi mau perante o Senhor, e também a este o Senhor fez morrer (Gn 38.8-10). 

Hoje temos um termo no meio cientifico chamado “Onanismo”. Pessoa que pratica o onanismo; quem se masturba ou obtém prazer através da estimulação de seus próprios órgãos genitais. Que exerce o onanismo; que interrompe o ato sexual antes da ejaculação. 

Pouco sabemos sobre o terceiro filho de Judá, Selá, mas era o mais novo. O que se observa, doravante, é que Judá, não sei se ficou com medo que seu filho também fosse morrer, como se ela fosse uma viúva negra. Ou, sonegou deliberadamente a Tamar, desonrando o Levirato. E mandou ela ir para casa do seu pai.

O que podemos inferir, que a associação de Judá com os cananeus lhe rende um casamento fora da aliança, filhos perversos e luto precoce. Outra coisa, a ausência de tristeza, de luto pela morte de seus filhos contrasta com a angustia inconsolável de Jacó pela perda de José.

3)     Lascívia

Dois fatos: Primeiro, a esposa de Judá faleceu. Segundo, depois de ter passado o luto, Judá foi para Timna ver os tosquiadores com o seu amigo Hira (Gn 38.12). Quando essa noticia chega a Tamar, ela se despe da sua roupa de viuvez, cobriu-se com o véu, disfarçou-se e se assentou à entrada de Enaim. O véu servia para lhe dar a aparência de prostituta (o véu escondia o rosto). Mas o proposito de Tamar era chamar a atenção de Judá e despertar seus desejos lascivos. 

“Ele vê a mulher a distância”, diz João Calvino, “e, portanto não é possível que tenha sido atraído por sua beleza”. Ou, “ele nem sequer viu a face da mulher que desejou. Já era o suficiente o fato de ser uma mulher”.

Mas o texto bíblico diz: “Ela fez isso porque viu que, embora Selá já fosse crescido, ela não lhe tinha sido dada em casamento” (Gn 38.14). Tudo o que ela sabe sobre si mesma é que foi cruelmente ofendida e que, agora, está sendo levada a fazer um protesto publico contra uma injustiça.

Então, ele se dirigiu a ela no caminho e lhe disse: “Venha cá, quero deitar-me com você” (Gn 38.16). Enquanto que seu irmão José, lá no Egito, disse não para a esposa de Potifar, Judá é cedeu, guiado pelos olhos cheios de luxuria e que age de acordo com a torrente impetuosa de suas paixões.

Ela lhe perguntou: “O que você me dará para deitar-se comigo”. Disse ele: “Eu lhe mandarei um cabritinho do meu rebanho”. Não confiando em suas palavras exige que lhe entregue o selo, o cordão e o cajado, como garantia de que ele enviaria um cabritinho como pagamento pelo favor que ela faria. “Não existe paixão que, mesmo por um breve momento, não destitua um homem de si mesmo”. 

“Existe em nós uma inclinação latente para o desejo, a qual desperta súbita e ardentemente. Com poder irresistível, o desejo domina a carne. De repente, um fogo secreto, sem chamas, se acende. A carne queima e arde. Não faz diferença que seja um desejo sexual, ambição, vaidade, desejo de vingança, amor pela fama e poder, ou cobiça pelo dinheiro... Neste momento Deus é praticamente irreal para nós. Ele perde toda a realidade e só o desejo pela criatura é real. A única realidade é o diabo. Satanás  não nos enche aqui com ódio de Deus, mas nos faz esquecer dele...A cobiça assim despertada envolve a mente e a vontade do homem na mais profunda escuridão. Os poderes da discriminação e das decisões claras são tiradas de nós. Portanto, a Bíblia ensina que em tempos de tentação da carne, HÁ UM SÓ MANDAMENTO: FUJA DA FORNICAÇÃO. FUJA DA IDOLATRIA. FUJA DAS PAIXÕES DA JUVENTUDE. FUJA DA SENSUALIDADE DO MUNDO”. Dietrich Bonhoeffer. 

Conclusão:

No dia seguinte, Judá mandou seu amigo levar o cabritinho para a prostituta cultual, mas não foi achada. E a comunidade respondeu em uma só voz: “Aqui não há nenhuma prostitua cultual” (Gn 38.21).

Cerca de três meses mais tarde”, diz o texto, “sua nora Tamar prostitui-se, e na sua prostituição ficou gravida” (Gn 38.24). A ira de Judá se inflama, sentenciando-a às chamas tal qual um justo juiz, agindo sem qualquer piedade”. Ele deu a sentença: “Tragam-na para fora e queimem-na viva” (Gn 38.24).

Mas, ela declara: “Estou grávida do que é dono destas coisas”. “E acrescentou: veja se o Senhor reconhece a quem pertence este selo, este cordão e este cajado” (Gn 38.25).

Sabe o que é levar um tapa na cara no meio de todo mundo; sabe quando a verdade grita de cima do telhado; sabe quando Davi ouviu da boca do profeta “tú és o homem”; sabe quando você não tem pra onde correr, a não ser encarar os fatos de frente”

E justifica, apequenando o seu pecado, sem nenhum sentimento, ou arrependimento: “Ela é mais justa do que eu, pois eu devia tê-la entregue a meu filho Selá” (Gn 38.26).

Tamar dá luz a dois filhos. Um deles foi Perez, outro Zerá. Os filhos de Tamar são contados entre o povo de Deus. Mais do que isso, eles estão na genealogia de Jesus: “Abraão gerou Isaque; Isaque gerou Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos; Judá gerou Perez e Zerá, cuja mãe foi Tamar” (Mt 1.2-3). Não há impossível para Deus, da vergonha, da humilhação, do desespero, de famílias disfuncionais, Deus faz o impossível, Deus exalta, Deus restaura, Deus transforma e coloca na genealogia do seu Filho.