terça-feira, 5 de novembro de 2019


Sai Vasti, entra Ester – Ester 1


Introdução:
Quase todos os dias começam iguais. Poderíamos muito bem colocar em nosso diário, dia após dia, as mesmas três palavras: “NADA DE NOVO”. Mas, de repente, tudo muda!
Noé demorou 120 anos para construir a arca, até que aconteceu o grande dilúvio na terra, destruindo todos os seres com vida, exceto Noé e sua família e os animais que entraram na Arca.

Ou, aquela manhã no deserto do Sinai quando o arbusto pareceu queimar com fogo que não se consumia, convencendo Moisés que Deus o estava chamando.
Ou, aquele dia nas montanhas da Judéia quando um adolescente judeu que cuidava de ovelhas, ouviu a voz do pai, Jessé, chamando-o para que fosse para casa. E, naquele mesmo dia ficara sabendo que seria rei de Israel.

Se falar do nascimento de Jesus! Não havia um cidadão da Judéia que tivesse acordado naquela manhã esperando que o dia trouxesse um evento tão transformador de vidas na aldeia de Belém. E o que se falar da ressureição de Jesus? Ninguém esperava por isso – nem os seus mais íntimos discípulos. Seu cadáver fora colocado numa sepultura. No entanto, aquela manhã comum de primavera o filho de Deus ressuscitou!

O episódio com Ester foi exatamente assim. Ela era uma jovem desconhecida, órfã, cuja vida não tinha absolutamente qualquer ligação com o homem mais poderoso do império persa.  QUANTO A NÓS, TEMOS QUE NOS PREPARAR PARA O SERVIÇO DE DEUS, PARA O KAIROS DE DEUS EM NOSSAS VIDAS. A FLECHA POR ENQUANTO ESTÁ OCULTA EM SUA ALJAVA, COBERTA PELA SUA MÃO; MAS, NO MOMENTO EXATO EM QUE FIZER O MAIOR EFEITO, ELA VAI SURGIR E SER LANÇADA NO AR.

1)    UM GRANDE BANQUETE
Assuero estava no terceiro ano do seu reinado (V.3). É-nos dito que o rei deu um banquete (vs. 3-4). Um banquete de 180 dias! Nesses seis meses, as demonstrações e troféus alardeavam a majestade e a glória do rei Assuero. As exibições eram de toda espécie, desde escravos que o rei fizera dentre os povos conquistados, até as riquezas que ele acumulara. Era uma celebração pagã: MUSICA ALTA, DANÇAS SELVAGENS, MUITA COMIDA, BEBIDA EM EXCESSO, ETC. 


Em seguida, outro grupo foi convidado para um segundo banquete. O rei abriu as portas e deixou que todos entrassem, desde os menores até os maiores. “as tapeças eram de pano branco, verde, e azul celeste, pendentes de cordões de linho fino e purpura, e argolas de prata, e colunas de mármore; os leitos de ouro e prata, sobre um pavimento de mármore vermelho, e azul, e branco, e preto” (v.6). “Dava-se-lhes de beber em vaso de várias espécies, e havia muito vinho real, graças a generosidade do rei” (v.7).

2)    A rainha Vasti
O nome Vashti ou Vasti é na realidade um título, um título e uma expressão persa que significa “bela”, “esplendorosa”. Algo, porém, aconteceu... um desses acontecimentos que mudam tudo. O verso 9 afirma que enquanto o rei se divertia com os homens, Vasti deu um banquete às mulheres na casa real do rei Assuero.

A essa altura o rei já se encontrava embriagado. Então, decidiu exibir outros de seus tesouros: a beleza física da sua rainha. Ordenou que ela fosse levada ao salão do banquete, usando a coroa real (v.11). “PORÉM A RANHA VASTI RECUSOU VIR POR INTERMÉDIO DOS ENUCOS” (V.12). 



A Corajosa rainha recusou-se a obedecer. Sua beleza era só dela e do marido, não se destinava a exibições públicas diante de centenas de homens embriagados.
SUBMISSÃO NÃO SIGNIFICA QUE A MULHER TENHA DE CEDER AOS DESEJOS CARNAIS DO MARIDO, COMO SE FOSSE UM SIMPLES FANTOCHE. NUNCA FOI  A INTENÇÃO DE DEUS SUJEITAR A ESPOSA ÀS INCLINAÇÕES PEVERSAS DO MARIDO. O CASAMENTO NÃO DÁ AO MARIDO O DIREITO OU A LICENÇA DE REALIZAR SUAS FANTASIAS LOUCAS USANDO A MULHER COMO OBJETO SEXUAL.

E, AGORA, O QUE FAZER DIANTE DA RECUSA DE VASTI? O rei monta um conselho às pressas, convocando os sábios e os mais chegados do rei, são eles: Carsena, Setar, Adamata, Társis, Meres, Mersena e Memucã. O primeiro a tomar a palavra foi Memucã:

“Não foi apenas ao rei que a rainha Vasti ofendeu. Todos nós, as autoridades e todo povo de todas as províncias do rei Assuero, fomos ofendidos. Não tenham dúvida de que a notícia vai se espalhar: Voce soube o que a rainha Vasti fez? O rei Assuero ordenou que ela se apresentasse diante dele, e ela se recusou! Quando as mulheres ouvirem isso, vão começar a tratar o marido com desprezo. O dia em que as mulheres, dos oficias da Pérsia e da Média ficarem sabendo da recusa da rainha, perderemos o controle. É isso que queremos? Um país cheio de mulheres rebeldes, que não aceitam sua condição?”

QUASE QUE SE PODE OUVIR AQUELA PORÇÃO DE HOMENS, MURMURANDO E RESMUGANDO: “É ISSO MESMO, COMPANHEIRO. A MINHA MULHER É ASSIM, TEIMOSA COMO ELA SÓ. ESPERE ATÉ QUE FIQUE SABENDO DISTO. NÃO HAVERÁ MEIOS DE CONTROLÁ-LA”.

Tudo isso levou Memucã ao seu ultimato: “Se bem parecer ao rei, promulgue de sua parte um edito real, e que se inscreva nas leis dos persas e dos medos, e não se revogue, que Vasti não entre jamais na presença do rei Assuero;  E O REI DÊ O REINO DELA A AOUTRA QUE SEJA MELHOR DO QUE ELA (V.19).

NA verdade, quatro palavras bastariam para esclarecer: sai Vasti e entra Ester. Nas estrelinhas da história Deus age (Is 55.8-11). Deus tem o controle sobre tudo e todos; Deus atua na história. “Como ribeiros de água, assim é o coração do rei na mão do Senhor. Este, segundo o seu querer, o inclina” (Pv 21.1).

3)    Passados estas coisas...
No começo o rei Assuero é o maior monarca do mundo, rico e poderoso, distante mas generoso; agora, no final do capítulo, tenta manter sua dignidade frente ao desafio da esposa.

“Passados estas coisas, e apaziguando o furor do rei Assuero, lembrou-se de Vasti, e do que ela fizera, e do que se tinha decretado contra ela” (Ester 2.1).
Que coisas? No começo vimos “no terceiro ano do seu reinado” (v.3).  Agora, “depois dessas coisas”; no capítulo 2.16, diz: “assim foi levada Ester ao rei Assuero, a casa real, no décimo mês, que é o mês de Tebete, no sétimo ano do seu reinado”.

Quatro anos se passaram entre os capítulos 1 e 2! Assuero reinou de 485 a 465 a.C. os eventos do capitulo 1 devem ter ocorrido, portanto, em 483, porque era o terceiro ano do seu reinado. Enquanto os eventos do capitulo 2 em 479, que era o sétimo ano do seu reinado. Durante esse período, o rei Assuero fez uma tentativa ambiciosa, porém, desastrosa de conquistar a Grécia. “Depois dessas coisas” significa que os acontecimentos  tiveram lugar depois de ele ter liderado uma incursão contra a Grecia e voltado vencido para a sua casa, Susã. 



Quando voltou, “...lembrou-se de Vasti”. Assuero quer uma esposa, alguém que fique ao seu lado em todas as situações, uma companheira, que se importe com ele. Agora, ele não está embriagado e os servos expediram uma ordem (Ester 2.3-4).

“Varreremos as 127 provincias e traremos toda jovem virgem e formosa que encontrarmos. Deixaremos até realcem sua beleza com cosméticos” (v.12). Levou, portanto, um ano inteiro para preparar aquelas mulheres, a fim de serem apresentadas. Seis meses com oléo de mirra e seis meses com especiarias e com perfumes e unguentos. INTERESSANTE NUM PERÍODO RELATIVAMENTE CURTO, A BELEZA EXTERNA PODE SER ACENTUADA. MAS NÃO EXISTEM ATALHOS PARA O CULTIVO DA BELEZA INTERIOR.

Conclusão:

Em Susã temos um judeu chamado Mardoqueu e sua prima Hadassa, que é Ester. Hadassa, nome judeu, tem como raiz a palavra “murta” – um arbusto de pequeno porte e significa “fragancia”. Ester, nome da persa, que significa “estrela”, que brilha.


terça-feira, 29 de outubro de 2019


Martinho Lutero e a reforma protestante – Rm 1.17 

Introdução: 
A Igreja Católica Apostólica Romana, no século XVI, sob o papado de Leão X, estava apregoando alguns ensinamentos contraditórios, por exemplo: o Papado; a venda de relíquias – pedaço do berço de Jesus, espinho da coroa de Jesus, pedaços da cruz que dava pra fazer uma arca de Noé, etc. E a venda de indulgencias.
Muitos homens antes de Lutero foram levantados para advertir os erros da igreja católica: os albigenses foram mortos na França por ordem do Papa; Wyclif, que traduziu o Novo Testamento para o inglês, também foi morto e suas cinzas lançadas no rio; John Huss, discípulo de Wclif, morreu queimado numa fogueira por pregar a justificação pela fé, somente. E, Savonarola, foi enforcado e seu corpo reduzido a cinzas, por ordem da igreja romana. De todos esses mártires temos Huss que profetizou antes de morrer: “Podem matar o ganso (na língua eslava huss é “ganso”, mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderá queimar.
                  
1)        INFANCIA DE LUTERO e sua religiosidade

Martinho Lutero nasceu em Eisleben, Alemanha, no dia 10 de novembro de 1483, sendo batizado no dia seguinte e recebido o nome de Martinho, em homenagem ao santo do dia. Seus pais, Hans e Margarete Luder, foram agricultores e depois trabalhou em minas de cobre. Veja as palavras do próprio Lutero:  “ Sou filho de camponeses; meu pai, meu avô e meu bisavô eram verdadeiros camponeses". Os pais de Martinho, para vestir, alimentar e educar seus sete filhos, esforçavam-se incansavelmente.

  Educação religiosa. A base da sua religião formava-se mais em que Deus é um juiz vingativo, do que um amigo de crianças. Quando já era adulto, Lutero escreveu: "Estremecia e tornava-me pálido ao ou vir al­guém mencionar o nome de Cristo, porque fui ensinado a considerá-lo como um juiz encolerizado. Fomos ensinados que devíamos, nós mesmos, fazer propiciação por nossos pecados; que não podemos fazer compensação suficiente por nossa culpa, que é necessário recorrer aos santos nos céus, e clamar a Maria para desviar de nós a ira de Cristo." Ele se apresentava constantemente no confessionário, onde o padre lhe impunha a penitencias e o obrigava a praticar boas obras, para obter o perdão dos pecados. 



 Aos dezoito anos, Martinho ansiava estudar numa uni­versidade. Seu pai, reconhecendo a idoneidade do filho, enviou-o a Erfurt, o centro intelectual     do país, onde cursa­vam mais de mil estudantes. O moço estudou com tanto afinco que, no fim do terceiro semestre, obteve o grau de bacharel em filosofia.

2)      Mudanças
         Primeiro, achou na biblioteca o maravilhoso Livro dos livros, a Bíblia completa, em latim. "Oh! se a Providência me desse um livro como este, só para mim!" Continuando a ler as Escrituras, o seu coração começou a perceber a luz, e a sua alma a sentir ainda mais sede de Deus. 


        Segundo,  O  que mais o aba­lou em espírito, foi o que experimentou durante uma terrí­vel tempestade, quando voltava de visitar seus pais. Não havia abrigo próximo. Os céus estavam em brasa, os raios rasgavam as nuvens a cada instante. De repente um raio caiu ao seu lado. Lutero, tomado de grande susto, e sentin­do-se perto do Inferno, prostrou-se gritando: "Sant'Ana, salva-me e tornar-me-ei monge!". "A minha estrada, ca­minho de Damasco"          Na es­curidão da mesma noite, o moço, antes de completar vinte e dois anos, dirigiu-se ao convento dos agostinianos e ba­teu. A porta abriu-se e Lutero entrou. 


         No convento ganhou uma Biblia de Staupitz, seu mentor.  Lutero leu em Romanos “o justo viverá da fé”. Por quanto tempo tinha ele anelado: "Oh! se Deus me desse um livro destes só para mim!" - e agora o possuía!          Depois de completar vinte e cinco anos de idade, Lutero foi nomeado para a cadeira de filosofia em Wittenberg, para onde se mudou para viver no convento da sua ordem.


Terceiro,         Martinho Lutero, em 1510, visita a cidade de Roma. Um dia, subindo a Santa Escada de joelhos, desejando a indulgência que o chefe da igreja pro­metia por esse ato, ressoaram nos seus ouvidos como voz de trovão, as palavras de Deus: "O justo viverá da fé" (Rm. 1.17). Lutero ergueu-se e saiu envergonhado. O Significado: "Desejando ardentemente compreender as palavras de Paulo, comecei o estudo da Epístola aos Romanos. Porém, logo no primeiro capítulo consta que a justiça de Deus se revela no Evangelho (vv. 16,17). Eu detestava as palavras: a justiça de Deus, por­que, conforme fui ensinado, eu a considerava como um atributo do Deus santo que o leva a castigar os pecadores. Apesar de viver irrepreensivelmente, como monge, a cons­ciência perturbada me mostrava que era pecador perante Deus. Assim odiava a um Deus justo, que castiga os peca­dores... Senti-me ferido de consciência, revoltado intima­mente, contudo voltava sempre para o mesmo versículo, porque queria saber o que Paulo ensinava. Contudo, de­pois de meditar sobre esse ponto durante muitos dias e noi­tes, Deus, na sua graça, me mostrou a palavra: 'O justo vi­verá da fé.' Vi então que a justiça de Deus, nesta passagem, é a justiça que o homem piedoso recebe de Deus pela fé, como dádiva."

NO livro "O peregrino" quando o personagem chamado cristão, começa sua trajetória, ele tem um fardo em suas costas – que é o seu pecado. Ele sabe que tem um fardo nas costas; as pessoas da vila não reconheciam esse fardo, mas ele sabia. Então, cristão, começa sua trajetória. A primeiro obstáculo que se depara é uma montanha chamada lei; ele tenta escalar mas não consegue; a lei revela nossa incapacidade de livrar-nos dos nossos pecados. Até, que o cristão, vê a cruz, e a fivela que carregava o fardo caiu das suas costas e cai num cemitério e, então, ele fica livre. Cristo cumpriu a lei e levou nossos pecados (fardos).  



3)     Enfrentando a igreja católica

       Tetzel:  "Ouça a voz de seus entes queridos e amigos que já morreram, suplicando-lhes e dizendo: 'Tenha pena de nós, tenha pena de nós. Estamos passando por tormentos  horríveis dos quais você pode nos redimir, contribuindo com uma pequena esmola'. Vocês não desejam fazer isso?". 




     Por causa das indulgências, Lutero afixou em 31 de outubro de 1517 às 95 teses. Contrapondo os ensinos das indulgências do Papa Leão X. Foi desse ato de afixar as 95 teses da Igreja de Wittenberg, que nasceu a Reforma, isto é, que to­mou forma o grande movimento de almas que em todo o mundo ansiavam voltar para a fonte pura, a Palavra de Deus.
      Quando a bula de excomunhão, enviada pelo Papa, chegou em Wittenberg, Lutero respondeu com um tratado dirigido ao Papa Leão X, exortando-o, no nome do Senhor, a que se arrependesse. A bula do Papa foi queimada fora do muro da cidade de Wittenberg, perante grande ajunta­mento do povo.  
     Dieta de Worms, convocado pelo Imperador Carlos V.  Oração de Martinho Lutero: "Oh! Deus todo-poderoso! A carne é fraca, o Diabo é forte! Ah! Deus, meu Deus, que perto de mim estejas con­tra a razão e a sabedoria do mundo! Fá-lo, pois somente tu o podes fazer. Não é a minha causa, mas sim a tua. - Que tenho eu com os grandes da terra? É a tua causa, Senhor, a tua justa e eterna causa. Salva-me, oh! Deus fiel! Somente em ti confio, oh! Deus! meu Deus... vem, estou pronto a dar, como um cordeiro, a minha vida. O mundo não conse­guirá prender a minha consciência, ainda que esteja cheio de demônios, e, se o meu corpo tem de ser destruído, a mi­nha alma te pertence, e estará contigo eternamente..."

Conclusão:
    É convidado a se retratar mas ele responde: “Se não me refutardes pelo testemunho das Escrituras ou por argumentos - desde que não creio somente nos papas e nos concílios, por ser evidente que já muitas vezes se engana­ram e se contradisseram uns aos outros - a minha cons­ciência tem de ficar submissa à Palavra de Deus. Não pos­so retratar-me, nem me retratarei de qualquer coisa, pois não é justo nem seguro agir contra a consciência. Deus me ajude! Amém."







terça-feira, 22 de outubro de 2019


Quem reina: deus rá ou Javé?  Ex 3


Introdução: A ausência de Deus
Nos dois primeiros capítulos do Exôdo percebemos que o povo de Israel viveu 430 anos em escravidão. Aí surge uma pergunta: Onde Deus estava durante todo esse tempo? Aquelas palavras da aliança que Deus fez com Abraão, Isaque e Jacó ainda vigoravam?

Quando lemos os Salmos, observamos que a ausência de Deus era sentida em muitos Salmos. “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? ” (Sl 22.1). “Porque, Senhor, te conservas longe? E te escondes nas horas de tribulação? (Sl 10.1). “Até quando, Senhor? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? (Sl 13.1). “Porque te esqueceste de mim? (Sl 42.9). “Desperta! Porque dormes, Senhor? Desperta! Não nos rejeites para sempre! Porque esconde a face e te esqueces da nossa miséria e da nossa opressão? (Sl 44.23-24).

1)    A presença de Deus
Deus se fez presente para Moisés enquanto ele cuidava de um rebanho no deserto de Midiã. Uma sarça ardente que não era consumida pelo fogo chamou a atenção de Moisés; ele se aproximou para ver o que estava acontecendo (Ex 3.2-3). Do meio do fogo, Deus proferiu o nome de Moisés, e Moisés respondeu, iniciando-se, assim um diálogo entre os dois. 


Deus anunciou a intenção de livrar o seu povo da escravidão no Egito e comissionou Moisés a tarefa libertadora (Ex 3.11). Moisés, relutou, mas, depois de uma longa argumentação, concordou e recebeu instruções da parte de Deus.

Moisés, então, indagou (v.13) concernente ao nome de Deus, porque o povo lhe perguntaria. Deus, então, respondeu: EU SOU O QUE SOU. Ouvir e responder ao EU SOU O QUE SOU fazia dos hebreus testemunhas participantes do magnifico drama histórico da salvação, que desafia e, em seu devido tempo, desintegra todos os estilos de vida contrários, os principados e potestades do mundo, contra os quais Paulo posteriormente conclamará os cristãs a lutar (Ef 6.10-20).

EU SOU O QUE SOU, Foi abreviada para o substantivo verbal de quatro letras YHWH – cujo pronuncia é Javé, Senhor. Tornou-se o termo preferido dos hebreus para se dirigirem ou se referirem ao Deus de Israel que se revelou ao seu povo, usado 6.700 vezes no Antigo Testamento, em comparação com 2500 ocorrências para Elohim. Agora, não mais deuses de madeira e pedra; não mais deuses que precisavam ser apaziguados, subornados ou cortejados.

2)    Egito – potestade
O Egito era uma civilização que impressionava por sua civilização, engenharia e sua arquitetura. Sua religião complexa e o respectivo sacerdócio que procurava controlar todos os aspectos da vida diária. E, um exército agressivo e determinado a submeter todos à servidão, o Egito dominava o Oriente Médio. 


No relato bíblico, o Egito é sinônimo de morte. Toda a magnificência e a arrogância egípcias foram reduzidas naquela sarça ardente à sua essência, um montículo de cinzas. O antônimo do Egito que oferecia a morte é Javé, o Deus que oferece vida aqui e agora, o Deus vivo e salvifico.

3)    Purificando as portas da percepção
É neste ponto que entram em cena as dez pragas. Cada uma das dez pragas serviu de água e sabão e alvejante para efetuar uma limpeza completa. Quando Moisés começou a trabalhar com seus irmãos e irmãs hebreus, eles sofriam de uma “ânsia de espírito” (Ex 6.9), ou angustia, e a única “verdade” à qual tinham acesso era essa grande mentira egípcia.

Mas o Egito e o Faraó não eram o “mundo real”. Era o mundo real desfigurado, profanado e endemoninhado. As dez pragas desconstruíram essa mentira gigantesca item por item, peça por peça, até que não sobrasse nada para cativar a imaginação do povo de Deus.  

QUEM ESTÁ NO CONTROLE? QUEM DIRIGE OS ACONTECIMENTOS? ACASO É O DEUS RÁ, REPRESENTADO PELO FARAÓ? OU É JAVÉ, REPRESENTADO POR MOISÉS? O FARAÓ CORPORIFICA A PESSOA DO GRANDE deus EGIPCIO RÁ; MOISÉS É O PROFETA DE DEUS QUE SE REVELOU A ISRAEL COMO EU SOU O QUE SOU. 



Rodada após rodada, o Faraó e Moisés se enfrentam, tendo o país todo como arena abarrotada de espectadores. Tanto egípcios quanto hebreus observam cada movimento. Dois modos de vida estão em jogo. Dez confrontos. Todos na arena – arquibancadas, cadeiras e camarotes lotados – vem que Faraó não tem controle sobre nada.

As pragas são como a produção de uma peça teatral com dez cenas. Em cada uma das cenas, uma bola de aço gigantesco, balançando de uma grande altura, despedaça mais uma parte do modo de vida egípcio.

O mundo egípcio tão poderoso, uma superioridade militar, com suas estátuas colossais de deuses e seus templos sofisticados e, a maior mentira de todas, seus túmulos imensos em forma de pirâmide se elevando no deserto.

O desenrolar da história começa um pouco lento. As duas primeiras que Moisés trouxe ao palco, o sangue e as rãs, são repetidas pelos magos de Faraó, gerando um impasse. Na quarta praga, a das moscas, fica evidente que os magos do Faraó não podem mais acompanha-lo. Depois da sexta praga, a das ulceras, os magos não apenas são vencidos como também estão fora de ação, incapacitados pelas ulceras; portanto, saem de cena. As quatro ultimas, ancoradas pela praga da morte resolvem uma vez por todas a questão da soberania. O Faraó toma uma “lavada”.

Sangue – (bam!)
Rãs – (Bam!)
Piolhos – (Bam!)
Moscas – (BAm!)
Pestilencia – (Bam!)
Ulceras – (Bam!)
Chuvas de pedras ( Bam!)
Gafanhotos ( Bam!)
Trevas (Bam!)
Morte (Bam!)

Conclusão:
O soberano é o grande EU SOU O QUE SOU, mas ninguém! 


terça-feira, 15 de outubro de 2019


As facetas da igreja 1 Corintios 1.1-17

1)    O apostolo de Jesus Cristo (v.1)
“Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus)...”
O uso da palavra apostolo no Novo Testamento se dá em relação aos doze, e aos quais com certeza Paulo e provavelmente Tiago foram mais tarde acrescentados. Eles não eram “apóstolos das igrejas” mas “apóstolos de Cristo”. Algumas qualidades necessárias para se tornar apostolo:

a)     Eles tinham sido pessoalmente escolhidos, chamados e designados diretamente por Jesus Cristo.
b)    Eles foram testemunhas do Jesus histórico – do seu ministério público por três anos (Mc 3.14, Jo 15.27), ou pelo menos sua ressurreição (Atos 1.21,22).
c)     A eles foi prometido uma inspiração especial do Espírito da verdade.

2)    A cidade de Corinto
Por causa de sua localização, a cidade administrava as rotas comerciais tanto no sentido norte-sul por terra, como no sentido leste-oeste por mar. Era, portanto, um centro manufatureiro e comercial.

Corinto era também uma cidade religiosa que adorava “muitos deuses e muitos senhores”. Havia o templo de Afrodite e o templo de Apolo. Era uma cidade imoral, tanto que o verbo “CORINTIANIZAR” era “viver uma vida licenciosa”. Portanto, era uma cidade agitada, progressista, rica, arrogante e permissiva.

Nesta cidade havia um pequeno grupo de pessoas a quem Paulo chamou de “a igreja de Deus que está em Corinto”, a comunidade divina dentro da comunidade humana. Era como uma flor perfumada que brotava da lama mal cheirosa e ali crescia.

No v.2, as facetas aparecem com suas duas moradias – a terrena e a celeste -, e suas duas santidades – santificado em Cristo Jesus e chamado para ser santa. E, dois chamados, pois Deus nos chama a ser santos e nós chamamos a Deus para que nos santifique.

“EU NÃO SOU O QUE DEVERIA SER, NÃO SOU O QUE GOSTARIA DE SER, NÃO SOU O QUE ESPERO SER NUM OUTRO MUNDO. MAS, AINDA ASSIM, NÃO SOU O QUE EU ERA, E PELA GRAÇA DE DEUS SOU O QUE SOU”

3)    PAULO SAÚDA A IGREJA (VS. 1-3)
“...aqueles santificados em Jesus Cristo, chamados para ser santos juntamente com todos os que, em toda parte, invocam o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e o nosso”

“Graça a vós outros, e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”.
4)    Os dons da igreja (vs. 4-9)

“Sempre dou graças a Deus a vosso respeito”. Mas pelo que ele dá graças? Pela graça Que vos foi dada em Cristo Jesus (v.4). “Porque em tudo foste enriquecidos, nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento” (v.5).

“De maneira que não vos falte nenhum dom” (v.7). Será que é possível alguém no corpo de Cristo ter todos os dons enumerados em Corintios 12, o dom da sabedoria, o dom do conhecimento, o dom da fé, o dom da cura, operação de maravilhas, profecia, discernir os espíritos, variedade de línguas e interpretação de línguas (1 Co 12.8-10)?

Isso não quer dizer que cada cristão possua todos os dons espirituais, mas que a igreja local pode receber coletivamente todos os dons de que precisa.

Tendo em vista, “a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual vos confirmará também até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo” (vs. 7 e 8).

5)    Unidade (vs. 10-17)
“Eu tenho somente uma igreja”. Há apenas uma família, porque há apenas um pai; há apenas um só corpo e um só Espírito que habita nele; e há somente uma fé, uma esperança  um batismo porque há somente um senhor que está sobre todos (Ef 4.4-6). Em Corinto, Paulo mais tarde escreverá: “somos lavoura de Deus” (3.9); “sois santuário de Deus” (3.16) e “vós sois o corpo de Cristo” (12.27).

Mas os coríntios tinham conseguindo dividir o indivisível! Paulo tinha dado graças por eles; agora ele apela para eles. Eles os tinha aprovado; agora ele os reprova.

O que podemos aprender com os apelos de Paulo? Primeiro, devemos notar que por duas vezes ele se dirige a eles como irmãos (vs. 10,11). Olha o apelo: que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisão; antes sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer (v.10).

A seguir, ele entra em detalhes. Alguns membros da casa de Cloe tinham-no informado que há contenda entre vós (v. 11), isto é, refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas (Pedro), e eu de Cristo (v.12).

A questão em Corinto dizia respeito às personalidades, e não as doutrinas. Os grupos eram separados um do outro pelo culto à celebridade, pelo orgulho, pela inveja e pela soberba.

Três perguntas:
1)    Acaso Cristo está dividido? Não!
2)    Foi Paulo crucificado em favor de vós? Não!
3)    Foste, porventura batizados em nome de Paulo? Não!

Conclusão:
“Proclamar o evangelho, não por meio de palavras de sabedoria humana, para que a cruz de Cristo não seja esvaziada”.



terça-feira, 8 de outubro de 2019


Um homem chamado João Batista  Jo 3:22-30.


Introdução:
João Batista era corajoso e ousado em suas palavras (Mt 3.7-8). Ele confrontou os judeus que costumavam justificar-se diante de Deus e levava-os a enxergar, discernir a necessidade que tinham de se arrepender-se moral e espiritualmente, através do batismo.  João nunca media muito as palavras. E as pessoas ou o amavam, ou o odiavam. E foi um dos que o odiavam que um dia mandou cortar a sua cabeça.

Essa firmeza de caráter vemos quando alguém lhe comunica: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele (v.26). Mas, respondeu João: “O homem não receber cousa alguma se do céu não lhe for dada. Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: Eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve, muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.27-30).

1)    Nada é meu, tudo é dEle

Aqueles que foram interpela-lo fizeram suas perguntas com base na suposição de que aquele povo pertencia a João, que ele tinha conquistado para si com seu carisma pessoal. E, se assim o fosse, estava perdendo seu estrelato como profeta.

Mas João sabia que as multidões que o deixavam para seguir a Cristo nunca tinha sido propriedade dele. Deus as colocara sob seus cuidados durante algum tempo, mas agora as estava recolhendo de volta.

      O que as multidões eram para ele, serão para nós nossa carreira, nossos bens, nossos dons naturais e espirituais, nossa saúde. Será que possuímos essas coisas ou apenas as gerimos em nome daquele que confiou a nós?
   
2)    Eu não sou o Cristo

     Vocês estão lembrados que eu lhes falei que não sou o Cristo?”. E saber que não era Cristo, era uma forma de saber quem ele era. Ele não tinha ilusões quanto a sua identidade pessoal. Isso já estava bem claro em seu mundo interior.

Parece estar cada vez mais incapaz de fazer distinção entre a função e a própria pessoa. Para muitos o que fazem se confundem com o que são. É por isso que as pessoas que já detiveram grande parcela de poder tem muita dificuldade em abandoná-lo, e muitas vezes lutam até a morte para retê-lo.

       Em nossos dias, nesse mundo todo dirigido pelos meios de comunicação de massas, muitos homens bons e talentosos, que ocupam posições de liderança, estão constantemente diante de tentação de passarem a crer em seus próprios textos publicitários.

3)   Ele sabia quem era
      Quando indagaram a João acerca de sua opinião a respeito da crescente popularidade daquele Homem de Nazaré, ele comparou sua missão com a de um padrinho de casamento (João 3:29). A função do amigo é estar ao lado do noivo, cuidando para que a atenção de todos esteja voltada para ele.

4)   Ele sabia a quem a honra pertencia
     Convém que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30). Um homem “impelido” nunca teria dito o que ele disse, pois esse tipo de individuo é compelido a buscar mais e mais atenção dos outros, mais e mais poder, mais e mais bens materiais. “Que diferença marcante se nota entre a vida do Rei Saul e a de João Batista”. O primeiro tentou defender sua gaiola dourada, e saiu derrotado; o outro se contentou com um lugar no deserto e a oportunidade de servir a Deus, e saiu vitorioso. 


5) Ele se mantinha firme, apesar das adversidades
Vemos no ministério de João Batista uma paz que não depende de segurança profissional, porque sabia que Deus era seu fundamento. E também gozo que não é felicidade. Porque felicidade é um estado emocional que depende de tudo estar correndo bem. Mas gozo, apesar de perder os níveis de audiencia, ele estava muito contente

CONCLUSÃO:  COMO SE TORNAR UM “CHAMADO”
Um fato que serve para explicar a lucidez de João é a influencia de seus pais, que lhe formaram o caráter desde os primeiros dias. A Biblia é límpida em dizer que Zacarias e Isabel eram pessoas profundamente espirituais, com extraordinária sensibilidade em relação ao chamado de João, que lhes fora revelado por meio de diversas visões de anjos. Agora vemos João no deserto (Lc 3:1-3).

César estava em Roma, cuidando das coisas importantes que diziam respeito aos césares. Anás e Caifas se achavam em Jerusalém, procurando manter a ordem e a religião organizada. Mas veio a palavra de Deus a João, um homem insignificante, que se encontrava num lugar sem importância, um deserto.

Por quê João? E por que num deserto? O chamado exigia total submissão aos desígnios de Deus, aos seus métodos de trabalho e ao seu conceito de sucesso. 

E num deserto, pois as pessoas conseguem ouvir e meditar sobre questões que normalmente não ouvem nem examinam com facilidade.

Deserto é um lugar difícil de se viver, seja ele físico ou espiritual. No deserto aprendemos a conhecer a aridez.

No deserto as pessoas aprendem a depender só de Deus. É no deserto que uma pessoa se torna “chamada”.