Um homem chamado João Batista Jo
3:22-30.
Introdução:
João Batista era corajoso e ousado em
suas palavras (Mt 3.7-8). Ele confrontou os judeus que costumavam justificar-se
diante de Deus e levava-os a enxergar, discernir a necessidade que tinham de se
arrepender-se moral e espiritualmente, através do batismo. João nunca media muito as palavras. E as
pessoas ou o amavam, ou o odiavam. E foi um dos que o odiavam que um dia mandou
cortar a sua cabeça.
Essa firmeza de caráter vemos quando
alguém lhe comunica: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual
tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele (v.26). Mas,
respondeu João: “O homem não receber cousa alguma se do céu não lhe for dada. Vós
mesmos sois testemunhas de que vos disse: Eu não sou o Cristo, mas fui enviado
como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está
presente e o ouve, muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta
alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo
3.27-30).
1) Nada é meu, tudo é dEle
Aqueles que foram interpela-lo fizeram
suas perguntas com base na suposição de que aquele povo pertencia a João, que
ele tinha conquistado para si com seu carisma pessoal. E, se assim o fosse,
estava perdendo seu estrelato como profeta.
Mas João sabia que as multidões que o
deixavam para seguir a Cristo nunca tinha sido propriedade dele. Deus as
colocara sob seus cuidados durante algum tempo, mas agora as estava recolhendo
de volta.
O que as multidões eram para ele,
serão para nós nossa carreira, nossos bens, nossos dons naturais e espirituais,
nossa saúde. Será que possuímos essas coisas ou apenas as gerimos em nome
daquele que confiou a nós?
2) Eu não sou o Cristo
“Vocês estão lembrados que eu
lhes falei que não sou o Cristo?”. E saber que não era Cristo, era uma
forma de saber quem ele era. Ele não tinha ilusões quanto a sua identidade
pessoal. Isso já estava bem claro em seu mundo interior.
Parece estar cada vez mais incapaz de
fazer distinção entre a função e a própria pessoa.
Para muitos o que fazem se confundem com o que são. É por isso que as pessoas
que já detiveram grande parcela de poder tem muita dificuldade em abandoná-lo,
e muitas vezes lutam até a morte para retê-lo.
Em nossos dias, nesse mundo
todo dirigido pelos meios de comunicação de massas, muitos homens bons e
talentosos, que ocupam posições de liderança, estão constantemente diante de
tentação de passarem a crer em seus próprios textos publicitários.
3) Ele sabia quem era
Quando indagaram a João acerca de
sua opinião a respeito da crescente popularidade daquele Homem de Nazaré, ele
comparou sua missão com a de um padrinho de casamento (João 3:29). A função do
amigo é estar ao lado do noivo, cuidando para que a atenção de todos esteja
voltada para ele.
4) Ele sabia a quem a
honra pertencia
“Convém que ele cresça e que
eu diminua” (João 3:30). Um homem “impelido” nunca teria dito o que ele
disse, pois esse tipo de individuo é compelido a buscar mais e mais atenção dos
outros, mais e mais poder, mais e mais bens materiais. “Que diferença marcante
se nota entre a vida do Rei Saul e a de João Batista”. O primeiro tentou
defender sua gaiola dourada, e saiu derrotado; o outro se contentou com um
lugar no deserto e a oportunidade de servir a Deus, e saiu vitorioso.
5) Ele se mantinha firme, apesar
das adversidades
Vemos no ministério de João Batista uma
paz que não depende de segurança profissional, porque sabia que Deus era seu
fundamento. E também gozo que não é felicidade. Porque felicidade é um estado
emocional que depende de tudo estar correndo bem. Mas gozo, apesar de perder os
níveis de audiencia, ele estava muito contente
CONCLUSÃO: COMO SE TORNAR UM
“CHAMADO”
Um fato que serve para explicar a
lucidez de João é a influencia de seus pais, que lhe formaram o caráter desde
os primeiros dias. A Biblia é límpida em dizer que Zacarias e Isabel eram
pessoas profundamente espirituais, com extraordinária sensibilidade em relação
ao chamado de João, que lhes fora revelado por meio de diversas visões de
anjos. Agora vemos João no deserto (Lc 3:1-3).
César estava em Roma, cuidando das
coisas importantes que diziam respeito aos césares. Anás e Caifas se achavam em
Jerusalém, procurando manter a ordem e a religião organizada. Mas veio a
palavra de Deus a João, um homem insignificante, que se encontrava num lugar
sem importância, um deserto.
Por quê João? E por que num deserto? O
chamado exigia total submissão aos desígnios de Deus, aos seus métodos de
trabalho e ao seu conceito de sucesso.
E num deserto, pois as pessoas
conseguem ouvir e meditar sobre questões que normalmente não ouvem nem examinam
com facilidade.
Deserto é um lugar difícil de se viver,
seja ele físico ou espiritual. No deserto aprendemos a conhecer a aridez.
No deserto as pessoas aprendem a
depender só de Deus. É no deserto que uma pessoa se torna “chamada”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário