terça-feira, 19 de abril de 2016

Vivendo pela fé – Hebreus 11.1-16


Introdução: o que é fé?

A idéia popular a respeito da fé se trata de um certo otimismo obstinado: a esperança tenazmente assegurada, face à adversidade, de que o universo é fundamentalmente amigável e de que as coisas podem melhorar. Isso é uma atitude confiante que seja divorciada de um objeto que corresponda a essa confiança não é a fé no sentido bíblico.

Contemporânea: “O fato essencial da existencia é que esta confiança em Deus, esta fé é o alicerce sólido que sustenta qualquer coisa que faça a vida digna de ser vivida”

King James: “Ora  fé é a certeza de que haveremos de receber o que esperamos, e a prova daquilo que não podemos ver”.

NTLH:  “A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver”.

Nos antigos dias de perseguição levaram a um humilde cristão perante os juízes, o qual lhes disse que nada do que fizessem poderia comovê-lo porque cria que se era fiel a Deus, Deus seria fiel a ele. "Pensa verdadeiramente", perguntou-lhe o juiz, "que alguém tal como você participará de Deus e de sua glória?" "Não o penso", disse o homem, "sei".

Na Bíblia ter fé ou crer (no grego, o substantivo é pistis; o verbo é pisteuõ – cujo significado é “confiar para dentro de” ou “confiar sobre”. De várias maneiras o objeto da fé é descrito como sendo Deus (Rm 4.24; 1 Pe 1.21), Cristo (Rm 3.22), as promessas de Deus (Rm 4.20), etc. 

A fé que salva é a mão da alma. O pecador é como um homem que está se afogando, prestes a afundar de vez. Ele vê o Senhor Jesus Cristo oferecendo-lhe ajuda. Ele a aceita e é salvo. ISSO É FÉ.

A fé que salva é o olho da alma. O pecador é como um israelita picado por uma serpente venenosa no deserto e que esta à morte. O Senhor Jesus lhe é oferecido como a serpente de bronze, levantado para sua cura. O pecador olha para ele e é curado. ISSO É FÉ (Jo 3.14-15).

A fé que salva é a boca da alma. O pecador está definhando por falta de comida e sofrendo de uma doença dolorosa. O Senhor Jesus lhe é apresentado como, o pão da vida e o remédio universal. Ele o recebe e fica bem de saúde e forte. ISSO É FÉ (Jo 6.35).

A fé que salva é o pé da alma. O pecador é perseguido por um inimigo mortal e teme ser vencido. O senhor Jesus lhe é apresentado como uma torre forte, um refúgio e um esconderijo. O pecador corre para ele e fica em segurança. ISSO É FÉ (Pv 18.10).

1)  A fé sendo demonstrada (Hb 11:4-6).


Abel (v.4). O Deus invisível era realidade para Abel, que desejava aproximar-se dele. Ele agiu em pura obediência à palavra de Deus e o seu sacrifício foi aceito. Seu irmão Caim, porém, seguiu outro caminho, presumivelmente por achar que conhecia outro melhor. Portanto, Abel é a prova de que aqueles que se aproximam de Deus mediante a fé são aceitos; os demais, rejeitados.

Enoque (Gn 5.21-24).

Enoque andou com Deus. Andar com Deus é conhecê-lo. Fazer a sua vontade. Sentir a sua presença. De fato, esta é a essência da fé cristã. O cristianis­mo não consiste num credo ou numa filosofia, mas num relaci­onamento. Voce tem uma religião ou uma relação? (Sl 42.1). Enoque andava e conversava com Deus, até que um dia caminhou com ele até sua morada e nunca mais voltou. 

Noé (v.7).
Noé cresceu num mundo onde nunca tinha chovido, então, como é que sabia que choveria? Sabia, porque Deus lhe falou, e creu em Deus, apesar de não haver evidencias palpáveis que pudessem fornecer provas. Agindo com base nessa verdade invisivel, e agindo em temor, Noé gastou um século construindo a arca pela que ele e sua familia acabariam sendo salvos. No final, quando as aguas desceram, a sua fé foi vindicada, e o mundo à sua volta foi desmacarado por sua falta incredulidade. 


Abraão (vs. 8-10).

Abraão deixou sua terra rumo ao desconhecido, sem depender de nada exceto do fato de que Deus lhe falara e prometera uma herança. Deixou aquilo que as outras pessoas chamam de certezas pelo que tais pessoas chamam de incertezas, pois ele mesmo não via as coisas dessa forma. Abraão era homem de fé e, portanto, a Palavra de Deus era para ele mais segura do que qualquer outra coisa. Ele suportou viver como nômade em tendas todos aqueles anos. Deus lhe deu promessas, as repetiu para Isaque e depois a Jacó. 

Sara (vs. 11-12).

Sara, mulher de Abraão, demonstrou a mesma fé. Tinha lá suas dúvidas, mas sua fé era verdadeira. Era idosa demais para ter um filho. Mas ela creu que teria e, no devido tempo, concebeu, basenado-se apenas na promessa de Deus. Foi assim que um velhinho, ele mesmo como se já morto pela idade, tornou-se ancestral de um imenso povo. 

Se perguntássemos a qualquer um desses heróis o que procuravam na vida, teriam dado a mesma resposta. Estavam a procura de uma pátria (v.14). Essa realidade era tão grande no seu pensamento que não cogitavam viver como as outras pessoas. Não desejavam voltar para o que eram antes, ainda que tivessem muitas oportunidades para isso. Todo o seu coração, todas as suas esperanças – estavam na chegada, com segurança, à habitação eterna, no céu. O que, acima de tudo mais, era real para eles? Deus, o Deus invisível. De que, acima de tudo, eles tinham maior certeza? De que a Palavra de Deus é confiável e verdadeira e que a glória eterna aguarda aqueles que andam com o Senhor.

Conclusão: 

E, você tem fé? O Deus invisível é, para você, a realidade? Voce considera a Palavra dele infalível? Se sim, isso o leva a aproximar-se de Deus conforme ele ensinou, assim como fez Abel? Isso o move a ver que agradá-lo é coisa mais importante da vida, como percebeu Enoque? Isso o inspira a obedecer-lhe, mesmo quando parece estar jogando tudo fora, do mesmo modo que Abraão obedeceu? Isso o impulsiona a confiar no que Deus disse que aconteceria, ainda que parecesse impossível, como Sara confiou?


terça-feira, 12 de abril de 2016

JESUS – MEDIADOR DE UMA ALIANÇA MELHOR (Hb 8.1-13).

Introdução. 


1)   Sombras versus realidade (Hebreus 8.1-5).
O que é importante é isso: em Cristo, nós, os cristãos, temos um sacerdote que é único – segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 7.17-19) – superior aos profetas (Hb 1.2), aos anjos (Hb 1.6), a Moisés (Hb 3.3) e Arão (Hb 7.9). Ele é sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque, que pode fazer para o pecador tudo o que precisa ser feito. É capaz de salvar homens e mulheres agora, de maneira total e eterna (Hb 7.25,26).


Jesus – nosso sumo sacerdote – está assentando à destra de Deus (8.3; 1.3). Ele exerce seu ministério no céu, onde ocupa uma posição de realeza. Não ministra no tabernáculo ou no templo, que são sombras terrenos  da realidade celestial (v.2). Não,  ele ministra na própria realidade celestial. Não exerce seu sacerdócio  em uma tenda erguida por homens. Essa tenda seria apenas uma representação pictórica daquilo que é real, e é ali que ele ministra – na habitação do próprio Deus (Hb 10.1)

O apostolo estabelece essa diferença entre a lei e o evangelho, no sentido que a lei prefigurou de forma elementar e imprecisa o que hoje (no evangelho) é expresso com vivas cores e graficamente visível.


Ora, a essência mesma do sacerdócio está em que um homem se apresenta diante de Deus como representante do povo e oferece dons e sacrifícios. Se Cristo é realmente sumo sacerdote. Em Hebreus 9.11-12 diz o que Cristo ofereceu. Sua presença no céu nos fala do fato de que a sua oferta foi de uma vez para sempre.

Aqueles sacerdotes não exercitavam um ministério realmente sacerdotal. Eram representações imperfeitas, quadro em sombras das realidades celestes. A verdadeira habitação de Deus não é um tabernáculo terrestre, mas o céu. Deus instruiu Moisés a fazer um santuário que fosse cópia e sombra terrena do que existe no céu (Hb 8.5). Isso foi feito para transmitir  à nossa mente finita uma idéias das realidades invisíveis e espirituais. O ministério de nosso Senhor não é exercido na representação física, mas no próprio céu. Este é o sumo sacerdote que temos.

2)   Cristo é mediador de uma melhor aliança (Hb 8.6-13).


 a)   O que é aliança? É uma concordância entre duas ou mais partes, normalmente duas. Mas, com Deus é diferente. Pois, a aliança com Deus é uma concordância unilateral onde ele, a parte superior, promete benefícios extraordinários, mas também dita termos que não estão abertos à negociação. Por exemplo, o pacto que Deus fez com seu povo no Monte Sinai. Tendo Deus escolhido seu povo, prometeu-lhes bênçãos  e ditou os termos. Se obedecessem, gozariam as bênçãos prometidas. Se não obedecessem, perderiam as bênçãos e experimentariam, em seu lugar, as maldições de Deus. O v.6 diz que veio às nossas mãos, por meio de Cristo, uma melhor aliança. 

 O autor dá a Jesus um título importante; chama-o mediador, mesites. Este substantivo provém de mesos que neste caso significa no meio; um mesites é alguém que está no meio de dois homens para uni-los. Quando Jó desejava desesperadamente ser de algum modo capaz de levar seu caso a Deus exclama sem esperança: “Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.” (Jó 9:33). Paulo chama Moisés o mesites (Gálatas 3:19) porque interveio para trazer a Lei de Deus aos homens.

b)       Por que foi necessária uma nova aliança? (8.7-8). Se a antiga aliança tivesse dado certo, não haveria necessidade de substituí-la. Mas o fato é que ela não supria o que era exigido do pecador. Não levou ninguém a um andar mais intimo com Deus (Rm 7:7-24).

c)   Tal aliança foi alguma vez prometida (Hb 8.8-9,13)? Por exemplo, tomemos o que Jeremias disse em seu livro (Jr 31.31-34, Ez 26.26,27; Hb 8.8-9). O profeta Jeremias não via nenhuma esperança de sua nação apóstata voltar a andar com Deus. O Senhor revelou a Jeremias que faria uma nova aliança e que mediante essa aliança, a lei de Deus estaria no coração deles, e não apenas em um código escrito. 



d)  O que seriam as “superiores promessas mencionadas”? (Hb 8.10-12). Nela é prometida que Deus colocará a lei em nossa mente e a escreverá em nosso coração (v.10). Mas o que isso significa? Os judeus do Antigo Testamento não tinham uma inclinação para obedecer aos mandamentos de Deus, como repetidamente prova sua história. Tinham um código externo, mas seu coração não estava apaixonado por ele.

A Nova Aliança opera com uma finalidade bem definida: “colocar as minhas leis no seu entendimento...” e “em seu coração as escreverei”. A lei gravou em tábuas de pedra os padrões a cuja satisfação os seres humanos provaram ser incapazes. A Nova Aliança grava o desejo de agradar a Deus em nosso ser mais interior e nos leva a fazer as mesmas coisas que a Lei exigia, mas não conseguia produzir.  

O cristão da nova aliança é totalmente diferente. Ele pode dizer: “No tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Rm 7.22). Portanto, a lei não é apenas um livro-texto – é algo que ele ama do fundo do coração (Jo 14.21).



“SE EU TE ADORAR POR MEDO DO INFERNO, QUEIMA-ME NO INFERNO, SE EU TE ADORAR PELO PARAÍSO, EXCLUA-ME DO PARAÍSO, MAS SE EU TE ADORAR PELO QUE TU ÉS, NÃO ESCONDA DE MIM A TUA FACE!” (Rabia, 800 d.C.)

Outra promessa do Senhor é também enunciada no versículo 10: “Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”. Nos temos no coração o Espírito Santo, por meio de quem clama “Aba, Pai” (Rm 8.15-17). Portanto, somos filhos de Deus e estamos ligados pelos laços de amor e afeição familiar. E, o versículo ensina que na Nova Aliança – todo crente, meninos e meninas – conhecerão ao Senhor pessoalmente.

E no versículo 12, temos a promessa do perdão dos nossos pecados. No Antigo Testamento eram oferecidos sacrifícios de touros, cordeiros ou pombos e as pessoas jamais gozavam ou eram inundadas por um senso de remissão, perdão e paz com Deus (Hb 10.4). Mas em Cristo, nossos pecados foram cravados na conta de Cristo na cruz, e a sua justiça foi foi atribuída (Rm 1.17). Agora, gozamos o perdão dos nossos pecados – pecados de nossa natureza, pecados abertos, pecados secretos, pecados repetidos, pecados de ontem, pecados de hoje, pecados de amanhã, pecados de comissão ou pecados de omissão – todo pecado! Deus não se lembra mais deles.

Conclusão:

Voce anseia por essas bênçãos descritas na Nova aliança? Nenhuma religião – nem a religião do Antigo Testamento – pode oferecê-las a você. Venha até a Ele e confesse seus pecados e receberás todas as bênçãos da Nova Aliança.

Bibliografia

Bíblia de Estudo Almeida
Comentário devocional da Bíblia - CPAD - Lawrence O. Richards
Comentário de João Calvino - Hebreus
Carta aos Hebreus - bem explicadinha - Stuart Olyott 

terça-feira, 5 de abril de 2016

TEMPO, INTIMIDADE E ALIANÇA – Ct 8.6-7



Introdução: Frases sobre o casamento:
“Matrimonio – mar alto para o qual ainda não se inventou bússola”.

"De todas as formas, casem-se. Se conseguirem uma boa esposa, serão duplamente abençoados. Se conseguirem uma má esposa, voces se tornarão filósofos". Sócrates. 

“Um antigo provérbio árabe afirma que o casamento começa com um príncipe beijando um anjo e termina com um careca olhando para uma mulher gorda do outro lado da mesa”.

Luis Fernando Veríssimo, em seu livro Novas Comédias da Vida Privada, conta a história do relacionamento entre Maria Tereza e Noberto. Durante o namoro e os primeiros anos do casamento, Noberto gostava de pegar na mão de sua companheira e, diante dos amigos, referir-se a ela como “Quequinha”. Mas, com o passar do tempo, Maria Tereza passou a ser chamada de “a mulher aqui” e, às vezes, de “esta mulherzinha”. À medida que conta a história da degradação desta relação, Veríssimo constantemente faz uso das seguintes palavras:

O tempo, o tempo.
O amor tem mil inimigos, mas o pior deles é o tempo.
O tempo ataca em silêncio.
O tempo usa armas químicas...
O tempo captura o amor e não mata na hora.
Vai tirando uma asa, depois a outra.

1)   Definições: intimidade, tempo e aliança.
Intimidade:  é a matéria-prima de relacionamentos sadios e estáveis. Na medida em que uma relação aprofunda, duas pessoas vivem momentos de felicidade e de angustia,os quais se tornam parte de uma memória comum. Assim duas histórias tornam-se uma única (1 Pe 3.6).


“. . . e te prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias da minha vida.”

Tempo: o tempo tem o poder de oferecer o espaço necessário para solidificação de uma relação sadia e a concretização de uma cumplicidade conjugal. Por outro lado, o tempo também pode correr uma relação de lembranças ordinárias contadas com irreverência numa roda de amigos. Pouco a pouco o afeto se vai, as palavras de carinho desaparecem e os toques tornam-se mera cordialidade.


Quando o tempo corrói os sentimentos, duas pessoas se veem confusas quanto ao que fazer com toda a intimidade adquirida ao longos dos anos. Momentos foram vividos juntos, juras foram feitas, limitações expostas, confissões verbalizadas e sonhos descritos. E, agora? O que fazer com tudo isso? Romper? Depois de anos de intimidade, o que é meu ou o que é teu?”

Aliança: é o acordo estabelecido entre duas pessoas de buscarem, ao longo da vida, a felicidade do outro. É o compromisso de permanecerem juntas dedicando-se uma a outra, mesmo quando o sentimento se mostrar instável. É um compromisso aonde as virtudes são celebradas e as limitações acolhidas, é uma decisão mesmo quando a beleza física da juventude se esvai ou a paixão da adolescência se dissipa.

Stephen Kanitz, numa ocasião escrita por ocasião de seu 30º aniversário de casamento, escreve:
Quando você prometer amar alguém para sempre, está prometendo o seguinte: “Eu sei que nós dois somos jovens e que vamos viver até os 80 anos de idade. Sei que fatalmente encontrarei centenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que você ao longo de minha vida e que você encontrará dezenas de homens mais bonitos e mais inteligentes que eu. É justamento por isso que prometo amar você para sempre e abrir mão desde já dessas dezenas de oportunidades conjugais que surgirão em meu futuro. O objetivo do casamento não é escolher o melhor par possível mundo afora, mas construir o melhor relacionamento possível com quem você prometeu amar para sempre”.

2)     Um casal altamente bíblico.



Um anseio de intimidade. O livro de Cantares tem inicio numa declaração que manifesta todo o desejo humano por intimidade: Cantares 1.2:

“Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho”.



O vinho tem a capacidade de criar um clima de suposta intimidade. Pessoas embriagadas falam umas com as outras como se fossem intimas. No entanto, passado o efeito do álcool, sentem-se envergonhadas pelo que foi dito.

Nos dias atuais, temos muitos casamentos sendo estabelecidos sobre “muito vinho”. Como: apartamentos decorados, viagens para o exterior, eventos sócias, bens materiais, funcionam como uma espécie de vinho na relação.  Por isso, o casal do livro de Cantares opta por construir uma relação baseada na verdadeira intimidade: “muitos beijos e pouco vinho”, eles querem construir um relacionamento concreto com o outro, enquanto pessoa, e não com as coisas e eventos que giram em torno da relação.

Uma dificuldade: Encontros e desencontros (Ct 3.1,2; 5.5,6-8).

Já era tarde, e a Sulamita estava deitada esperando ansiosamente a volta do seu marido para casa. Finalmente, quando ele chegou, ela estava aborrecida com a sua demora e hesitou em abrir-lhe a porta: “Deixe-me entrar, minha querida, meu amor, minha pombinha sem defeito...(v.2). Enquanto isso, a Sulamita tentava decidir o que devia fazer: “O meu amor passou a mão pela abertura da porta, e o meu coração estremeceu” (v.4). Salomão percebeu que estava sendo rejeitado e resolveu ir embora. Quando a esposa abriu a porta, não adiantava mais. Ele havia partido: “Então abri a porta para o meu amor, mas ele já havia ido embora. Como eu queria ouvir a sua voz! Procurei-o, porém não o puder achar; chamei-o, mas ele não respondeu” (v.6).

Mas, o que isso nos mostra? Primeiramente, que a intimidade não é algo que alcançamos da noite para o dia. Ela carece de tempo e das variadas experiências, boas e ruins. Em segundo lugar, a intimidade implica em encontros e desencontros. Por último, a intimidade só é alcançada por aqueles que perseveram.

Uma demanda: Aliança (Ct 8.6).


O selo na antiguidade era o símbolo maior de um acordo estabelecido, um compromisso assumido ou uma aliança feita. Enquanto o selo no coração aponta para uma decisão íntima, o selo no braço fala de uma decisão pública. E qual é a decisão? Um homem e uma mulher não mais pertenceriam a si mesmos, mas um ao outro.
O amor é comparado com a morte. Estranha comparação, não é? No entanto, a ideia aqui aponta para o caráter definitivo da decisão de amar ao outro. Portanto, o amor não como um sentimento, mas como uma decisão ou atitude.

“Doravante, não será o amor que sustentará o casamento, mas o casamento sustentará o amor” Dietrich Bonhoeffer: a aliança (o casamento) deve sustentar o amor (sentimento, romance) e não o contrário.

Somente quando as bases de um amor estão firmadas numa aliança, é que podemos experimentar o que diz Cantares 8.7.



As muitas águas e as correntezas são sinônimos das adversidades enfrentadas que sobreveem ao amor. Os bens oferecidos em troca do amor, representam as propostas sedutoras que tentam sabotar o amor dedicando-o a outra pessoa que não o cônjuge.

Conclusão: “O segredo do casamento”, Sttephen Kanitz
 Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar.
Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.
O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.

O segredo no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.

Bibliografia:
Biblia da Familia
Feitos para Durar - Ricardo Agreste
Biblia Almeida - comentário. 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

De casa em casa- Atos 20:17-21.


Introdução: A experiência da igreja primitiva, na época dos apóstolos, os cultos ocorriam nas casas. Em  Atos 2 a igreja estava reunida em uma casa, e de repente o Espírito Santo desceu sobre os discípulos e todos ficaram cheios do poder de Deus. Atos 2.46, a igreja partia estava no templo e em casa. Em Atos 8.3, Saulo assolava toda a igreja, entrando pelas casas. Em Atos 9.11, depois da experiência que Saulo passou na estrada de Damasco, ele estava na casa de Judas, orando. Em Atos 11, nos conta que Pedro estava em Jope, na casa de Simão (Atos 9.43) e recebe o chamado para ir a casa de Cornélio, em Cesaréia. Em Atos 12.12, a igreja está reunida em oração, na casa de Maria, mãe de João Marcos, em favor de Pedro. Em Atos 16, Paulo e seus companheiros se reúnem na casa de Lidia (v.15); no v. 34, Paulo e seus companheiros vão pra casa do carcereiro e participam de uma mesa farta. Atos 18, Paulo está reunido na casa de um homem chamado (v.7)Tício Justo, que era temente a Deus. Em Atos 21.8, Paulo vai a casa de Filipe e lá recebe uma profecia sobre o que iria acontecer com ele em Jerusalém (Rm 16.5 e Cl 4.15). Portanto, a igreja se reunia em casas até o século III, com a conversão de Constantino ao cristianismo, nesse século iniciou a edificação de igrejas.

1)    O que é a igreja? o termo igreja provém do grego ecclesia, de ek kaleo, “chamar”, “chamar para fora”, “convocar”. No novo testamento, o termo assume várias acepções:

·         Igreja local – círculo de crentes de uma localidade definida, independentemente do fato de esses cristãos estarem reunidos para culto ou não (Atos 5: 11; 11:26; 1 Co 11:18; 14.19,28,35; 16.1, etc);

·         Igreja doméstica – a palavra indica o que se pode denominar ekklesia doméstica, igreja na casa de alguém (Rm 16:23; 1 Co 16:19; Cl 4:15; Fm 2);

·         Igreja como totalidade do corpo – a palavra denota a totalidade do corpo em todo o mundo, daqueles que professam exteriormente a Cristo e se organizam para fins de culto, sob a direção de oficiais designados (1 Co 10:32; 11:22; 12:28; Ef 4:11-16);

·         Igreja Universal – a palavra se refere a todo o corpo de fiéis, quer no céu quer na terra, que se uniram ou que se unirão a Cristo como seu salvador (Ef 1.22; 3:10,21; 5.23-25,27,32; Cl 1.18,24).

            Neste sentido, a igreja é vista como um organismo espiritual, composto de todos os regenerados através da fé em Cristo. Logo, podemos afirmar que a essência da igreja repousa no poder do evangelho de Jesus Cristo e, conseqüentemente, na atuação do Espírito Santo na vida dos regenerados. Desse modo, a igreja tem como meta a indicação do caminho da salvação, a advertência dos ímpios sobre a condenação que lhes sobrevirá, a consolação dos santos através das promessas de salvação, bem como o fortalecimento e encorajamento dos fracos e desanimados.

2)    O que vem a ser o pequeno grupo?



·        o que vem a ser o pequeno grupo? É uma  nova estrutura de vida congregacional que viabilize encontros genuínos entre pessoas, despidas de suas máscaras e desconfianças, num ambiente em que os relacionamentos interpessoais se dão no nível da verdadeira humanidade de Cristo. O objetivo do pequeno grupo é: em ambiente de comunhão, com propósitos diversos, como os de estudar a Palavra de Deus, compartilhar experiências de vida e orar, tendo como em vista a formação de verdadeiros seguidores de Jesus Cristo.

·         O que gera um pequeno grupo:  maior intimidade, que gera e fortalece amizades; maior flexibilidade, que propicia a adequação do grupo a cada realidade; maior integração social, que contribui para a formação de uma relação familiar dentro de uma sociedade onde a família está sucumbindo; maior mobilidade, que possibilita a presença da igreja na comunidade; e maior sensibilidade, que evidencia à igreja os problemas que ocorrem na comunidade, possibilitando sua intervenção nestes.


·         Além disso, esse tipo de grupo atua como elo entre os não-cristãos e a igreja, pois aqueles que dificilmente atenderiam a um convite para participar de um culto no templo, provavelmente, estariam mais abertos a um convite para reunir-se em casa de vizinhos ou amigos.

3)    A dinâmica de um pequeno grupo.

·        A dinâmica de apresentação  é o primeiro momento e tem o objetivo de quebrar o gelo, proporcionando maior descontração e envolvimento dos membros nas demais etapas do encontro.

·         A seguir vem o período de louvor e/ou adoração.  Para que ele torna-se mais participativo, recomendamos o uso de instrumentos musicais (preferencialmente violão) e apresentação das letras dos cânticos.

·         O Estudo bíblico. Diferentemente de uma pregação-ensino para um grande grupo, o estudo bíblico em contexto de pequeno grupo tem por objetivo não somente compartilhar a verdade das Escrituras,  mas também estimular a troca de experiências e abordar questões relevantes a seus integrantes.

·         O quarto momento, o compartilhamento de bênçãos e necessidades pessoais, concede espaço aos participantes para compartilhar bênçãos alcançadas como fruto das orações do grupo e apresentar suas necessidades pessoais.

Conclusão: Alguns princípios do discipulado: ovelha gera ovelha e pastor cuida das ovelhas, para que possam viver uma vida vitoriosa. Não é o pastor das ovelhas que dá o leite para ovelhinhas mas a ovelha mãe que a gerou. Os pastores, mestres, evangelistas estão pra edificar, treinar os santos.


sábado, 2 de abril de 2016

Quem pode “julgar” os outros?  Gálatas 5:26 – 6:1-5.




“Vá até ele, estenda-lhe a mão, levante-o novamente, console-o com palavras brandas e abrace-o com braços de mãe” (Lutero).


Introdução. O que não devemos fazer.

“Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros”. Gálatas 5.26
Este é um versículo (v.26) muito instrutivo porque mostra que a nossa conduta para com os outros é determinada pela opinião que temos de nós mesmos. “Presunçoso” (o adjetivo grego Kenodoxos) fala de uma pessoa cuja opinião de si mesma é vazia, vã ou falsa.  Ela acalenta uma ilusão acerca de si mesma ou é simplesmente convencida. Quando somos convencidos inclinamo-nos a fazer uma de duas coisas: ou “provocamos” os outros ou os “invejamos”.

Superioridade ou Inferioridade. “Provocar”, significa “desafiar alguém para uma competição”. Implica em dizer que temos tanta certeza de nossa superioridade que desejamos demonstrá-la. Segundo, invejamos os outros, seus dons e realizações. Temos uma opinião tão cheia a nosso respeito que não suportamos rivais (Rm 12:3).

1)    Como os cristãos devem tratar os outros (vs. 2-5).

Tal palavra (baros) significa, literalmente, um “peso”, algo difícil de ser transportado. No texto presente, pode significar, em sentido geral, todas as tribulações, todas as provas, todos os problemas que um irmão na fé tem de enfrentar; ou então em sentido mais especifico, podem estar em foco as tentações e quedas que um irmão mais fraco na fé encontra ao longo do seu caminho (2 Co 7:5-6).

1.1)         O perigo do julgamento (Gálatas 6:3).

"Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide-se, porém, cada um para que também não seja tentado.Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo. Se alguém se considera alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo.Gálatas 6:1-3". 

A implicação parece ser que, se não carregarmos os fardos uns dos outros, achamos que somos superiores.  A verdade é que não somos “alguma coisa”; somos “nada”. Será  um exagero? Não!  Quando o Espírito Santo abre os nossos olhos para que nos vejamos como somos, rebeldes para com Deus que nos fez à sua imagem, nada merecendo de sua mão além da destruição.

Versículos 4 e 5: Mas prove cada um seu labor, e então terá motivo de gloriar-se unicamente em si, não em outro. Porque cada um levará o seu próprio fardo. Ou seja, temos de cuidar da nossa vida! Não há contradição aqui entre o versículo 2, “Levai as cargas uns dos outros”, e o versículo 5, “cada um levará o seu próprio fardo”. A palavra grega para carga é diferente: baros (versículo 2) significa um peso ou fardo pesado, e phortion (versículo 5) é um termo comum para pacote. Assim, devemos carregar os “fardos” que são pesados demais para uma pessoa carregar sozinha. Há, porém um fardo que não podemos partilhar, e este é a nossa responsabilidade diante de Deus no dia do juízo.

2)    Um exemplo de fardos compartilhados (Gálatas 6:1).




“Surpreender”. O exemplo mais conhecido no Novo Testamento é o da mulher eu os fariseus levaram a Jesus, dizendo ter sido “apanhada em pecado de adultério” (Jô 8:4).

O que fazer? Esse é o grande teste do crente: Que faz ele com o homem que cai? Qual é a sua atitude para com aqueles que são apanhados em alguma falta? Qual é a sua obrigação para com aquele que tiver falhado? Qual é a responsabilidade do grupo ou da igreja?

“Se alguém for surpreendido nalguma falta ...corrigi-o”. O grego é katartizo, tem o sentido de “emendar”, “reparar”, “restaurar”. Quando um crente cai em pecado, torna-se necessário um “reparo”, porquanto terá sofrido certos danos devido a sua má experiência. Tal reparação haverá de restaurá-lo perante os seus próprios olhos, perante Deus e perante a comunidade cristã. . “Vá até ele, estenda-lhe a mão, levante-o novamente, console-o com palavras brandas e abrace-o com braços de mãe” (Lutero).

Quem deve fazer?  “Vós que sois espirituais, corrigi-o”. Esse ministério de amor e restauração de um irmão que errou é exatamente o tipo de coisa que devemos fazer quando andamos no Espírito. Só um cristão “espiritual” deve tentar restaurá-lo.

Como se deve fazer?  “Vós que sois espirituais, corrigi-o, com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado”.


CONCLUSÃO. “Acaso sou eu tutor do meu irmão” (Gn 4:9). Se alguém é meu irmão, então eu sou o seu tutor. Devo cuidar dele com amor e preocupar-me com o seu bem-estar.