domingo, 8 de julho de 2018


Satanás usa o desejo sexual


Texto: 

Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher; Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência. Digo, porém, isto como que por permissão e não por mandamento. Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra (1 Corintios 7).

O texto ensina pelo menos quatro coisas.
1. Celibato é um dom a ser celebrado
Você poderia chamar 1 Coríntios 7 o manifesto de Paulo para a vida solteira. Quando ele diz no versículo 1 “bom seria que o homem não tocasse em mulher”, tem em vista a mesma coisa que no versículo 8: “Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu.” “Bom seria que o homem não tocasse em mulher” significa “É bom ser solteiro.”
Paulo versus a Concepção Moderna de Celibato
Paulo estava tão plenamente comprometido com a vida de celibato que ansiava que todos tivessem a mesma vida. Mas a razão porque ele tinha grande apreço pela vida solteira é exatamente oposta daquela por que muitos hoje gostam da vida solteira e mesmo romperiam casamentos a fim de novamente gozar a solteirice. Hoje a solteirice é apreciada por muitos porque traz a liberdade suprema para a auto-realização. Você mexe os seus próprios pauzinhos. Ninguém restringe o seu modo de ser.
Mas Paulo estimava a sua solteirice porque ela o deixava totalmente à disposição do Senhor Jesus. Nem esposa nem filhos precisariam ser levados em conta quando a missão por Cristo fosse perigosa. Nenhum dinheiro precisaria ser gasto em roupas e na educação do pequeno Paulo júnior. Não precisaria ser dispensado tempo preservando e cultivando a relação com sua esposa.
Celibato Como Propósito de Escravidão a Cristo
Segundo os versículos 32-35, Paulo promovia o celibato porque ele se deleitava em servir a Cristo com tão poucas distrações quanto fosse possível, e almejava isso para os outros também. A disposição contemporânea promove solteirice (mas não castidade) porque ela livra da escravidão. Paulo promove a solteirice (e castidade) porque ela livra para a escravidão — ou seja, escravidão a Cristo.
Deus chamou muitos de vocês para uma vida de celibato. O ensino dessa passagem para você é que esse é um dom a ser celebrado. Você estaria pensando — como muitos de vocês — em que sentido a sua liberdade pode ser maximizada pela causa de Cristo aqui e pelo mundo. Você tem algumas vantagens que a pessoa casada não tem.
2. Celibato não é para todas as pessoas
Nem todos são chamados ao celibato como Paulo. O versículo 7: “Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra.” Da mesma forma que Paulo gostaria de recomendar o celibato a todas as pessoas, ele faz referência à sabedoria de Deus que chama alguns para casar. Celibato não é para todas as pessoas.

3. Casamento é uma barreira para a torrente de fornicação e adultério
Casamento é uma barreira para a onda de fornicação — relações sexuais fora do casamento. Após dizer no versículo 1 que bom seria que o homem não tocasse em mulher (isto é, celibato é bom), Paulo diz no versículo 2: “Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido.”
A Clara Proibição ao Intercurso Sexual Pré-marital
Essa é uma clara proibição ao intercurso sexual pré-marital. Há evangélicos alegando hoje que a palavra para “imoralidade” no Novo Testamento (porneia) refere-se somente à promiscuidade, mas não ao intercurso sexual pré-marital para casais comprometidos. Mas esse é um exemplo de se definir uma palavra com muito pouca sensibilidade ao contexto moral e teológico em que ela é empregada.
Quando no capítulo proibiu a imoralidade, Paulo mais definitivamente tinha em mente sexo pré-marital entre casais comprometidos. Veja, por exemplo, em 1 Coríntios 7:36-37. “Mas, se alguém julga que trata indignamente a sua virgem, se tiver passado a flor da idade, e se for necessário, que faça o tal o que quiser; não peca; casem-se. Todavia o que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas com poder sobre a sua própria vontade, se resolveu no seu coração guardar a sua virgem, faz bem.” O que nos leva de volta ao ponto do versículo 1, “bom seria que o homem não tocasse em mulher.” Agora, sejamos honestos. Não está claro o que Paulo ensina sobre sexo prémarital para casais comprometidos? Ele ensina que a vida de solteiro é o preferido (como vimos antes), mas que se o desejo sexual é forte… o quê? Vão em frente e durmam juntos, desde que vocês estejam comprometidos um com o outro e tenham gozado todas as outras formas de intimidade? Não! Ele diz que se o desejo é forte, case. Intercurso sexual pré-marital para casais comprometidos não é uma opção cristã. E eu recomendo um artigo de um conselheiro cristão da Standard deste mês, pela excelente exposição de algumas das razões por trás desse padrão divino de castidade (“The Eroding Effect of Premarital Sex”, por P. Roger Hillerstrom).
A mesma coisa é clara a partir do nosso texto no versículo 2. “Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido.” Ele não diz que ficar comprometido é a solução para a tentação sexual. Ele não diz que um compromisso verbal anterior ao casamento justifica o ato do intercurso sexual. Ele diz “Se o seu desejo por relações sexuais com a sua companheira é forte, vá em frente, case.” Casamento é a barreira designada por Deus à torrente de fornicação no mundo. Você não pode cometer fornicação após estar casado. 

Uma Barreira contra o Adultério
Mas você pode cometer adultério. Este é o porquê de Paulo se pôr a mostrar que casamento tem também o propósito de ser uma barreira contra o adultério. Os versículos 3-5: “O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência.”
É claro a partir desse texto que as boas relações sexuais no casamento pretendem ser uma barreira contra a torrente de adultério. Maridos e esposas têm o dever de se dispor às relações sexuais um com o outro de forma tal que a tentação do adultério seja significativamente enfraquecida.
Três Elementos da Satisfação Sexual no Casamento
Note cuidadosamente a forma como eu disse isso. Maridos e esposas têm o dever de se dispor às relações sexuais um com o outro de modo tal que a tentação do adultério seja significativamente mitigada. A implicação desse texto é que maridos e esposas devem satisfazer sexualmente um ao outro, tal que seus olhos e corações não perambulem atrás de satisfação em outro lugar. Há muitos elementos que cooperam com essa satisfação. Deixe-me mencionar três deles.
1. A Freqüência do Intercurso Sexual
Um desses elementos é mencionado por Paulo no versículo 5, isto é, a freqüência do intercurso sexual. Ele diz que casais não devem se abster por muito tempo das relações sexuais para que não sejam vítimas da tentação do adultério. Freqüência é um elemento que coopera com a satisfação nas relações sexuais.
2. Atração Física
Outro elemento seria se marido e esposa são fisicamente atraídos um ao outro. Eu admito que essa é uma questão muito delicada e complexa. É delicada porque há muitas coisas em nós que não podemos mudar e outras que são difíceis de mudar. É complexa porque a união íntima de duas pessoas pode fazer com que elas vejam beleza uma na outra que outras pessoas não podem ver.
Todavia, se é verdade que a atração física de um pelo outro é parte daquilo que torna satisfatória uma relação sexual, penso que esse texto implica que maridos e esposas têm o dever espiritual de tentarem ser atrativos um ao outro. Nenhum de nós pode competir com os símbolos sexuais dos nossos dias. E nem deveríamos tentar isso. Há alguns de nós, de fato, que colocam ênfase demasiada na aparência exterior. Mas certamente a visão bíblica é um balanço entre uma autoconsciência excitada por cada ruga e quilograma e fio de cabelo grisalho de um lado, e por outro lado uma negligência descuidada que não atenta à consideração do nosso parceiro quanto à forma que deveríamos nos vestir, comer, tomar banho ou agir em público. A exortação dessa porção das Escrituras é que deveríamos ser sexualmente satisfatórios ao nosso cônjuge a fim de afastar os pensamentos da tentação de procurar satisfação em outro lugar.
(Deixe-me inserir uma advertência. Não infira a partir disso que se o seu parceiro não o satisfaz você tem o direito de procurar satisfação em outro lugar. Casamento é infinitamente mais do que sexo. E um desapontamento nessa área não é uma dispensa honrada dessa relação.)
3. A Integridade de Ambos os Lados no Relacionamento
A despeito da freqüência das relações sexuais e da atratividade de um pelo outro, a satisfação também depende, em terceiro lugar, da dignidade de ambos os lados no relacionamento. Se há raiva, mágoa, ressentimento, sentimentos feridos, nós usualmente não procuramos o contato mútuo, tanto menos nos abraçamos. Assim, o texto é também uma exortação para que nos humilhemos, nos arrependamos e busquemos perdão e renovação em nosso casamento.
[…]
Até o momento definimos, então, que:
1. Celibato é um dom a ser celebrado.
2. Celibato não é para todas as pessoas.
3. Casamento é uma barreira para a torrente de fornicação e adultério, pois dispõe a forma de Deus para a satisfação do desejo sexual.
4. Satanás usa o desejo sexual
Eu não estou dizendo que Satanás cria o desejo sexual. Deus é que criou o desejo sexual. Sentir desejo sexual não é algo pecaminoso ou satânico. Satanás não cria o desejo sexual; ele o usa — ou mais precisamente, abusa dele.
Desejo Forte e Vulnerabilidade a Satanás
O versículo 5 diz “Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência.” Quando o desejo sexual aumenta, Satanás dirige a sua bateria de mísseis em marcha rápida. O aumento do desejo sexual não significa vitória de Satanás, mas vulnerabilidade a ele.
Há uma verdade muito simples operando aqui: quanto mais intenso for o desejo sexual, mais propensos estaremos ao engano de julgar que não é errado satisfazer esse desejo por meio da fornicação, adultério ou masturbação. A mesma verdade se aplica a todas as áreas da nossa vida: quanto mais forte for o nosso desejo por alguma satisfação, mais vulneráveis estaremos ao engano sobre o que é certo ou errado no que se refere à forma que tentamos satisfazer esse desejo.
Por exemplo, esta é a razão porque quando você ou sua companhia espera que você esteja sozinho num carro para decidir o que é certo ou errado a respeito da fornicação é quase certo que você decidirá a favor dela. Satanás toma o desejo e usa o poder do desejo para fazer a sugestão soar aceitável. Nós estamos numa condição melhor para a reflexão moral quando o desejo está num nível baixo, tal que quando as ondas das racionalizações satânicas quebrem sobre nossas mentes no momento da tentação, teremos um ponto de apoio na verdade e não seremos lançados para a conduta que parece ser tão boa.
Os Esforços de Satanás Para Destruir a Pérola do Desejo Sexual
Deixe-me dizer isso novamente. Satanás não cria o desejo sexual. O desejo é bom e Satanás nunca produziu algo bom. Seu objetivo pleno é destruir o que Deus criara para ser bom. Existem dois modos pelos quais você pode destruir uma pérola. Você pode cortar ela fora da ostra antes que tenha amadurecido ou você pode dar ela de alimento aos porcos. Satanás faz o possível para remover o desejo sexual da ostra da graça e da verdade de Deus. Se ele conseguir que pessoas isolem o sexo da realidade de Deus, ele terá virtualmente destruído seu verdadeiro significado e beleza. Ele também faz o possível para tomar a pérola do desejo sexual e, ao invés de colocá-la no pendente do casamento, dá de comer aos porcos da fornicação, do adultério, da pornografia, do incesto, do abuso infantil e da homossexualidade.
Mas a pérola do desejo sexual é feita para crescer e chegar à plenitude da sua beleza na graça e na verdade de Deus, seu fabricante, e então ser tomada e colocada no pendente dourado do casamento. Ou, para aqueles que são chamados para tomar o caminho do celibato, a pérola do desejo sexual é feita para ser um tipo de rolamento minúsculo no carango da criatividade humana.
Pitirim Sorokin, um professor de sociologia em Harvard, e J. D. Udwin realizaram um estudo em história social que concluiu que “os períodos de liberdade sexual foram os mais pobres do ponto de vista cultural, ao passo que aqueles períodos em que a moralidade e a convenção social impuseram restrições sobre a atividade sexual foram os mais ricos na produção criativa” (Christianity Today, Nov. 23, 1984, p. 29). Mas Satanás usará qualquer coisa que puder para arruinar essa pérola do desejo sexual, cortando-a da graça e da verdade de Deus, ou dando-a de comer aos porcos do adultério e da pornografia, ou restringindo pessoas solteiras de porem suas energias a serviço de uma vida de diligência criativa pela causa de Cristo.
Satanás é Real e Poderoso
Por favor, tome isso com bastante seriedade. Satanás não é alguém fácil de derrotar. Ele é real e poderoso. Ele mantém milhões de pessoas firmemente em sua servidão. E ele está procurando mais pessoas a todo o momento. Eu ouvi ontem de alguém da nossa comunidade a respeito de uma pessoa que rejeitou uma refeição num vôo, e quando inquirida do por que disso, essa pessoa disse que estava jejuando e orando a Satanás. Quando inquirida acerca do que estava orando, ela disse que estava orando pelo rompimento do casamento de pastores.
Se você fosse um adorador de Satanás, e procurasse saber quais são os objetivos do seu mestre, tal que saberia então como orar, onde iria para saber mais a respeito? Você iria ao encontro da Bíblia, pois ela dá um retrato verdadeiro daquilo com que Satanás está ocupado no mundo. E você leria, entre outras coisas, que ele está ocupado em destruir casamentos. Satanás é totalmente comprometido com o adultério e com todos os problemas pessoais que levam a ele. Aprenda das Escrituras esta manhã. Quando você luta contra a tentação sexual, sua luta é contra Satanás. Não porque ele criou o desejo, mas porque ele usa o desejo de forma muito poderosa e enganadora.
Resistindo às mentiras de Satanás pelo conhecimento de Deus
Mas nunca esqueça, “O Filho de Deus veio ao mundo para desfazer as obras do diabo.” O significado do advento é a vitória para todos aqueles que conhecem o Filho de Deus. Há uma forma de resistir à tentativa de Satanás de usar o seu desejo sexual.
Deixe-me encerrar dirigindo a sua atenção à passagem em 1 Tessalonicenses 4, mais exatamente os versículos 3-5. Aqui Paulo mostra a diferença crucial entre aqueles governados por suas paixões e aqueles governados por um senso de santidade e reverência. “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus.”
O ponto-chave é “que não conhecem a Deus.” Se você perguntasse a Paulo ‘O que eu posso fazer para que eu fique protegido do poder de Satanás de me enganar no pecado sexual?’ sua resposta seria ‘Conheça a Deus.’ Dedique-se com esmero ao conhecimento de Deus. Seja diligente na busca por uma visão sempre mais ampla de Deus.
Ele disse em Romanos 1:28, “E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm.” Mas se você acumula o conhecimento de Deus é diligente em sua busca, a escravidão da torpeza será rompida. Em Gálatas 4:8, Paulo disse “Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses.” Libertação da escravidão de Satanás e das suas forças vem pelo conhecimento de Deus.
Ou, como Pedro expressou em sua segunda carta (1:3): “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude.” Quanto melhor conhecer a glória e a virtude de Deus, menor será o poder que Satanás terá sobre você. Você não pode ser facilmente enganado de que o caminho de Satanás é melhor quando você realmente conhece o caminho de Cristo.
A única forma de lutar contra a mentira do prazer pecaminoso é com a verdade do prazer reto. Quando você chegar ao conhecimento pleno de Deus — que “em Sua presença há plenitude de alegria e em Sua mão direita estão prazeres para todo o sempre” — você terá vencido Satanás de uma vez por todas. Ele é um mentiroso e não tem poder sobre aqueles que realmente conhecem a Deus.

Por: John Piper. © Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: Satan Uses Sexual Desire.


terça-feira, 3 de julho de 2018


Jacó, a caminho de casa – Gn 31


Introdução: Jacó

Filho de Isaque e Rebeca.  Rebeca era estéril, demorou 20 anos para que nascessem seus filhos.  Esaú significa “cabeludo”, depois sua descendência  mudou-se  para Edom que significa “vermelho”, por haver comido o guisado avermelhado  (Gn 25.30). Jacó significa “o que segura pela calcanhar”, porém mais tarde Esaú o interpretou como “suplantador”-;  Dicionário:  transpor obstáculos, superar, exceder (Gn 27.36). Jacó toma a benção do seu irmão, se passando pelo próprio irmão, ardilosamente. Esaú promete em tirar a vida de Jacó, então, sua mãe, envia Jacó para a terra dos seus parentes, em Padã Arã. 


Na época que isso aconteceu Jacó devia ser um menino inconsequente, irresponsável, que ainda precisa amadurecer.  No entanto, se você examinar o texto, Jacó tinha exatamente 71 anos quando sai de casa! Ele passa vinte anos em Padã – Arã, onde constitui família; saiu de casa pobre. Vinte anos depois, tem família, filhos e muita riqueza. E, retorna depois do nascimento de José, com 91 anos. Em Genesis 30.43: “E cresceu o homem em grande maneira, e teve muitos rebanhos, e servas, e servos e camelos e jumentos”.  Jacó está fugindo de seu sogro e retornado para terra dos seus pais.

   1)    A decisão de voltar (vs. 1-16). 

     A)    Comentário dos cunhados (v.1)
“Então ouvia as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacó tem tomado tudo o que era de nosso pai; e do que era de nosso pai fez ele toda esta glória”. Perceba que o comentário era maldoso. Isso acontece em muitas famílias. O dinheiro sempre será motivo de contendas no seio familiar. Diante desse cenário de inveja, Jacó, percebe que o ambiente lhe era hostil.

    a)     Semblante desfavorável do sogro (v.2).
“Viu também Jacó o rosto de Labão, eis que não era para com ele como anteriormente”. No começo a relação era boa, gentil. Veja a confissão do próprio Labão: “E aconteceu que, como Raquel deu à luz a José, disse Jacó a Labão: Deixa-me ir, que me vá ao meu lugar, e à minha terra. Dá-me minhas mulheres e os meus filhos, pelas quais te tenho servido, e ir-me-ei; pois tu sabes o serviço que te tenho feito. Então lhe disse Labão: Se agora tenho achado graça em teus olhos, fica comigo. Tenho experimentado que o Senhor me abençoou por amor de ti. E disse mais: Determina-me o teu salario, que to darei. (Gn 30.25-27). Os cunhados falando constantemente no ouvido de Labão, acabou com que o semblantes já não era mais o mesmo; isso foi uma das razões pelas quais Jacó resolveu voltar.

   b)    Por ordem expressa de Deus (v.3)
“E disse o Senhor a Jacó: Torna à terra de teus pais e de tua parentela; e eu serei contigo”. “Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma coluna, onde me fizeste uma voto; levante-te agora, sai desta terra e volta para a terra de tua parentela” (v.13).
O desenrolar do projeto de Deus na vida de Canaã seria em Canaã, não mais em Padã Arão. Depois de vinte anos, ele precisa voltar.

    c)     Conselhos das mulheres (v.4)
“Então,  Jacó mandou vir Raquel e Lia ao campo, para junto do seu rebanho”. VEJA JACÓ NÃO VAI PRA CASA, ELAS SÃO CHAMADAS AO CAMPO. “Então responderam Raquel e Lia: Há ainda para nós parte ou herança na casa de nosso pai?”  A CRISE ESTÁ INSTALADA. E SE AS MULHERES TOMASSEM O LADO DO PAI DELAS? PORQUE NEM TODO MUNDO FAZ A MESMA LEITURA. E responderam: “Não nos considera ele como estrangeira? Pois nos vendeu e consumiu tudo o que nos era devido” (v.15).  JACÓ TRABALOU 14 ANOS PELAS MENINAS E NÃO VIRAM NENHUM CENTAVO. FAMILIAS QUE GIRAM EM TORNO DO DINHEIRO. SOMOS MERCADORIAS DO PAPAI; DEUS ENRIQUECEU PAPAI ATRAVÉS DO TRABALHO DE JACÓ E ELE NOS TRATOU COMO ESTRANGEIRO. V.16: “Por que toda riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos fihos; agora, pois, faze tudo o que Deus te disse”. É HORA DE ROMPER, É HORA DE ARRUMAR AS MALAS... 


     2)    FUGA DE JACÓ   (vs. 17 à 24).
 “Então, se levantou Jacó e, fazendo montar seus filhos e suas mulheres em camelos, levou todo o seu gado e todos os seus bens que chegou a possuir; o gado de sua propriedade que acumulara em Padã Arã, para ir a Isaque, sei pai, à terra de Canaã”. O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O SEU SOGRO? V.19: “Tendo ido labão fazer tosquia das ovelhas, Raquel furtou os ídolos do lar que pertenciam a seu pai. E Jacó enganou a Labão, o arameu, não lhe dando a saber que fugia. E fugiu com tudo o que lhe pertencia; levantou-se, passou o Eufrates e tomou o rumo da montanha de Gileade. No terceiro dia, Labão foi avisado que Jacó ia fugindo”(19-22). FOGE CLANDESTINAMENTE SABENDO QUE NÃO DAVA PARA COSTURAR UM ACORDO. V.31: “Eu fugi porque tive medo, POIS CALCULEI:  não suceda que me tome à força as suas filhas ”.  Elas foram mercadoria há vinte anos, e se meu sogro me tira minhas mulheres e meus filhos, o que farei da minha vida?

    3)    Perseguição de Labão – vs 22-25
“No terceiro dia, Labão foi avisado que Jacó ia fugindo. Tomando, pois, consigo a seus irmãos, saiu-lhe no encalço, por sete dias de jornada, e o alcançou na montanha de Gileade”. ELE ESTÁ INDO NO ENCALÇO. PARA ABRAÇAR? PARA SE DESPEDIR? Não! Ele está irado. Veja o que diz o v. 24: “De noite, porém, veio Deus a Labão, o arameu, em sonhos, e lhe disse: Guarda-te, não fales a Jacó nem bem nem mal”.  Vemos aqui a GRAÇA de Deus na vida de Jacó, afinal era um suplantador. Jacó está voltando com 91 anos de idade MAS ainda não era convertido. Somente no capitulo 32, no vau de Jaboque que ele tem um encontro com Deus.  TODOS SOMOS JACÓ, O CORAÇÃO DE JACÓ PULSA EM NÓS. MAS A MISERICÓRDIA É QUE FAZ DEUS SE APROXIMAR DE NÓS. 



A MOTIVAÇÃO DE LABÃO ERA TRÍPLICE: MATERIAL: Deus abençoava Jacó, logo Labão se enriquecia. EMOCIONAL: Acabou a chance de conviver com as filhas e netos. RELIGIOSA: os seus deuses foram roubados. UM CARA QUE TEM UM DEUS E PODE SER ROUBADO ESTÁ EM MAUS LENÇOIS! UM DEUS QUE FICA DEBAIXO DA SAIA DE UMA MULHER. V.29: “Há poder em minhas mãos para vos fazer o mal, mas o Deus de vosso pai me falou, ontem à noite, e disse: Guarda-te, não fales a Jacó nem bem nem mal”. NÃO FOSSE DEUS EU TE ARREBENTAVA, FOI DEUS QUE ME CERCOU.

    4)    Acusações de Labão
Jacó é irresponsável (v.26) “E Disse Labão a Jacó: que fizeste, me enganaste e levaste minhas filhas como cativas pela espada”. CATIVAS, OU SEQUESTRO!  No entanto, as meninas tinham consciência de que Jacó era mais justo do que seu pai. QUEM ACUSA NÃO ESTÁ PREOCUPADO COM A VERDADE. Temos que tomar cuidado com as motivações do coração (Jr 17.9). Temos que tomar cuidado com a raiva no seio da família.

Labão acusa Jacó de ter sido enganado com a sua fuga oculta (v.27): “Porque fugiste ocultamente, e me enganaste, e nada me fizeste saber, para que eu te despedisse com alegria, e com cânticos, e com tamboril, e com harpa?”. Festa, dança, cânticos, alegria... Amontoado de mentiras! Pior coisa é “quando a boca fala o que o coração não sente”. O coração está cheio de ódio.   “QUANDO A BOCA NÃO CONSEGUE DIZER O QUE O CORAÇÃO SENTE, O MELHOR É DEIXAR A BOCA SENTIR O QUE O CORAÇÃO DIZ” William Shakespeare.

Não ter dado oportunidade de beijar suas filhas e seus netos (v.18). “E porque não me permitiste beijar meus filhos e minhas filhas? Nisso procedeste insensatamente’. Pergunta. PORQUE NÃO BEIJOU ANTES? POR QUE ESSA NECESSIDADE? PORQUE NÃO APROVEITOU A OPORTUNIDADE? ELE PASSOU 20 ANOS SEM BEIJAR! AS MENINAS FORAM EXPLORADAS, NEGOCIADAS. “SE PERDEMOS A OPORTUNIDADE NO DIA A DIA, AMANHÃ NOSSA CONSCIÊNCIA IRÁ NOS COBRAR”.

Infelizmente, dentro da cultura brasileira defunto recebe mais flor que gente viva. Por que os mortos recebem mais flor que gente viva? PORQUE A VOZ DO REMORSO É MAIOR QUE A VOZ DA GRATIDÃO. 



E MAIS, LABÃO DIZ PARA JACÓ QUE SOMENTE NÃO SE VINGA PORQUE FOI IMPEDIDO POR DEUS. NÃO TE ARREBENTO PORQUE DEUS NÃO DEIXA (V.29).

    5)    Acusações de Jacó
Qual é o meu pecado que tão furiosamente tem me perseguido (v.36). “Então, se irou Jacó e alterou com Labão; e lhe disse: Qual é a minha transgressão? Qual o meu pecado, que tão furiosamente me tens perseguido?” FURIOSAMENTE: desabafo! Jacó aguentou calado por 20 anos. EXPLODIR POR QUALQUER MOTIVO É RUIM, AGORA, REPRESAR POR TANTO TEMPO, É PERIGOSO!

Jacó defende a sua integridade (v.38). “Vinte anos eu estive contigo, as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca perderam as crias, e não comi os carneiros de teu rebanho. Nem te apresentei o que era despedaçado pelas feras; sofri dano; da minha mão o requerias, tanto o furtado de dia como de noite. De maneira que eu andava, de dia consumido pelo calor, de noite, pela geada; e o meu sono me fugia dos olhos” (vs.39-40).  ELE ERA UM ESCRAVO DO SOGRO. A BÍBLIA DIZ QUE NÃO PODE ATAR A BOCA DO BOI QUE DEBULHA. A PESSOA QUE TRABALHA TEM O DIREITO DE RECEBER. JACÓ NÃO TINHA DIREITO DE COMER UM CABRITO.  VSS. 41 E 42: “Tenho estado agora vinte anos na tua casa, cartoze anos te servi por duas filhas, e seis anos por teu rebanho; mas o meu salário tens mudado dez vezes. Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o temor de Isaque não fora comigo, por certo me despedirias agora vazio. Deus atendeu à minha aflição, e ao trabalho das minhas mãos, e repreendeu-te ontem à noite”

CONCLUSÃO: A RECONCILIAÇÃO
Vejam a insensatez de Labão (v.43): “Então, respondeu Labão a Jacó: as filhas são minhas filhas, os filhos são meus filhos, os rebanhos são meus rebanhos, e tudo o que vês é meu; que posso fazer hoje a estas minhas filhas ou aos filhos que elas deram à luz?” Agora, vem e façamos aliança. Primeiro ele chuta a canela de Jacó, depois quer fazer uma aliança! TUDO O QUE ELE FALOU NÃO É VERDADE! As filhas são esposas de Jacó; os filhos são seus netos e não filhos. ISSO É UM DESRESPEITO AOS PAIS. Os rebanhos não são deles, era fruto do trabalho de Jacó.

Mas, Jacó foi manso. Tem hora que é necessário ter um controle emocional. Jacó nos ensina sobre mansidão. O que é mansidão? É ter poder ou controle. VOCE TEM O PODER DE REVIDAR E NÃO PAGA NA MESMA MOEDA. É COMO UM ANIMAL QUE TEM FORÇA MAS É DOMESTICADO. “A palavra dura suscita a ira, mas a resposta branda desvia o furor” (Pv 15.1). No versículo 50, ele aconselha “cuida bem das minhas filhas...”.

V.52: “Seja o montão testemunha, e seja a coluna testemunha de que para o mal não passarei o montão para lá, e tu não passarás o montão e a coluna para cá”. VAMOS PARA COM AS BRIGAS, AS DIFERENCIAS, VAMOS CELEBRAR A VIDA. A COISA MAIS IMPORTANTE QUE DEUS NOS DEU NESTA TERRA, FOI A FAMILIA!

v. 45: ERIGIU UMA COLUNA; 
V. 54, JACÓ OFERECEU UM SACRIFICIO;
 V.54, COMERAM E DORMIRAM ALI NA MONTANHA;
 V.55. LABÃO BEIJOU S SUAS FILHAS E OS SEUS NETOS.


VOCÊ BEIJA OS SEUS FILHOS? 




terça-feira, 26 de junho de 2018


A sina de Jefté – Jz 11.1-11


Introdução: compreendendo uma cultura...

Depois que “Josué despediu o povo... para ocupar a terra” (Jz 2.6), “o povo cultuou o Senhor”. Durante a vida de Josué e de seus líderes. Essa geração havia “visto os grandes feitos que o Senhor havia realizado em favor de Israel” (v.7). Ao introduzi-lo e ao derrotar seus inimigos. Josué foi um “SERVO DO SENHOR” (v.8). Ele teve o privilégio de morrer  ser enterrado “no território de sua herança” (v.9). “Ele morreu com cento e dez anos e sepultaram no termo de sua herança, em Timnate Heres, no monte de Efraim”.

No entanto, Josué advertiu o povo: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servi ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Js 24.15. E mais, “Não podereis cultuar o Senhor... se abandonardes o Senhor e cultuardes deuses estrangeiros, então ele virá contra vós, vos punirá e vos destruirá. Jogai fora os deuses estrangeiros, que há no meio de vós; e inclinai o coração ao Senhor, Deus de Israel” (Js 24.19).

O capítulo 2.10,11 descreve uma rebelião que aconteceu em dois estágios. PRIMEIRO, a geração que veio depois de Josué “não CONHECIA o Senhor, nem o que ele havia feito por Israel” (v.10). O verbo “conhecia” não significa que esses israelitas não sabiam nada sobre o Êxodo, o Mar vermelho, a travessia do Jordão e a derrubada das muralhas de Jericó, mas, sim, que os atos salvadores de Deus haviam deixado de ser preciosos ou importantes aos olhos deles. OU SEJA, essa geração se esqueceu do “EVANGELHO” de que foi salva da escravidão no Egito e levado a terra prometida por meio do poder e da bondade de Deus.

SEGUNDO, como resultado de terem esquecido o evangelho, eles “fizeram o que era mau aos olhos do Senhor e cultuaram os Baalins” (v.11). O QUE É MAU AOS OLHOS DO SENHOR? Amar e servir aos ídolos, deuses pífios, deuses inexistentes. “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra”. “BAAL” é um termo cananeu para “Senhor”. Portanto, a nova geração se esqueceu de tudo sobre o Senhor e passou a adorar senhores insignificantes. Aliás, o lema de Juízes era: “Naqueles dias não havia rei em Israel, cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Jz 17.6). 


“Serviram aos Baalins, às imagens de Astarote, aos deuses de Arã, aos deuses de Sidom, aos deuses de Moabe, aos deuses dos amonistas e aos deuses dos filisteus” (Jz 10.6). Os baalins e as imagens de Astarote eram deuses dos cananeus “nativos”. Mas, os deuses de Arã (ao nordeste) e de Sidom (ao norte) ou de Amom e Moabe (ao leste) e dos filisteus (ao sul) eram adorados pelas nações que invadiram Canaã e oprimiram os israelitas. Quando adoravam os ídolos de uma nação acabava sendo oprimidos pela nação. Desta vez, Israel adorou os deuses dos amonistas e dos filisteus -,e como resultado, os israelistas foram oprimidos por esses povos (Jz 10.7).

1)    Jefté – o rejeitado.
Jefté fora rejeitado por seus irmãos. Era filho de Gileade, que era muito importante, possuía riquezas e projeção social. Mas, “era, então, Jefté, o gileadita, homem valente, porém, filho de uma prostituta; Gileade gerara Jefté” (Jz 11.1). A palavra PORÉM é significativa. Ele era um homem valoroso, filho de um cidadão respeitado e influente, porém SUA MÃE ERA PROSTITUTA. Ainda quando estava no ventre materno, já carregava o estigma de ser filho ilegítimo e isso deveria acompanha-lo até o seu último dia na face da terra. 


O feto (no latim FETUS significa pequenino, o dicionário define feto como “filho no ventre), embora não seja capaz de falar ou pensar, e ainda não tenha sido totalmente formado, ou seja é um ser humano nos primeiros estágios do seu desenvolvimento. Ele já é capaz de perceber os sentimentos e expectativas que seus pais carregam no que se tange à aprovação ou rejeição. O profeta Isaias afirmou: “Ouvi-me, terras do mar, e vós povos de longe, escutai! O Senhor me chamou desde o meu nascimento, desde o ventre de minha mãe fez menção do meu nome” (Is 49.1).

Aos olhos do mundo, líderes são pessoas que estudaram em universidades, tem linhagem familiar centenária e poderosa, sem antecedentes criminais. Então, os “filhos legítimos” de Gileade expulsaram Jefté de casa “Não herdarás na casa de nosso pai, porque és filho doutra mulher”, disseram-lhe (v.2).

2)    As consequências da rejeição
A Bíblia diz que Jefté fugiu para a terra de TOBE, um principado aramaico situado a leste do rio Jordão e ao norte de Gileade. Tobe era um deserto, um lugar árido, inóspito, selvagem e solitário.  Assim, nos dias atuais, várias pessoas ao sentirem-se rejeitadas, abandonam a família, os amigos e a igreja, passando a frequentar lugares perigosos e deprimentes, como que dizendo no seu interior: “Eu não mereço coisa melhor”.

Há feridas que não são vistas, mas que podem se alojar profundamente em nossa alma e conviver conosco pelo resto das nossas vidas. São as feridas emocionais, as marcas das dificuldades vividos na infância e que determinam, muitas vezes, como será nossa qualidade de vida quando adultos. Uma das feridas emocionais mais profundas é a da rejeição, porque quem sofre com ela se sente rejeitado internamente. Rejeitar significa resistir, desprezar ou recusar.



ADEMAIS, o texto conta que ‘homens levianos se ajuntaram com ele e com ele saiam” (v.3). Ele enveredou pelo caminho da marginalidade, do crime. Juntos passaram a assaltar as caravanas, os viajantes e os pequenos povoados, espalhando medo e terror por onde iam. Essa era a sua resposta à sociedade, aos pais, aos irmãos, aos conterrâneos e a todos que o haviam feito sofrer. Era a sua vingança. “O CORAÇÃO CONHECE A SUA PROPRIA AMARGURA, E DA SUA ALEGRIA NÃO PARTICIPARÁ O ESTRANHO” (Pv 14.10). As ruas de nossas cidades estão hoje cheias de “Jeftés”. Gente que foi desprezada, magoada, feridas e que fez da revolta e da rebeldia o seu jeito de sobreviver.

Eis o pensamento de Jefté:
Todos me rejeitaram – rejeitarei todos!
Deus me rejeitou – rejeitarei a Deus!

No entanto, Deus escolheu Jefté para ser libertador. Quando os amonistas “entraram em guerra contra Israel” (v.4), os líderes de Gileade (seus irmãos) “foram buscar Jefté” e pediram que ele comandasse seu exército na luta contra o inimigo (v. 5,6).  NOSSO DEUS É AQUELE QUE JOGA POR TERRA TODAS AS PREVISÕES, DIAGNÓSTICOS, PROGNÓSTICOS, EXPECTATIVAS E PROFECIAS DOS HOMENS.

Tudo quanto não pode ser
Tudo quando os homens ignoravam em mim
Disso fui digno diante de Deus
Cujas rodas amoldaram o vaso.

Conclusão: respostas à rejeição

O filosofo Jean Paul Satre disse certa vez: “Não importa o que os outros fizeram de você; importa o que você fez com que os outros fizeram de você”.


A resposta a rejeição dos pais é o fato de que estávamos nos planos de Deus. “O Senhor “nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” ( Tm 1.9). No Salmo 139, vemos: “Tu formaste o intimo do meu ser e me fizeste no útero de minha mãe (...) Meus ossos não te eram encobertos, quando fui formado ocultamente e tecido nas profundezas da terra. Teus olhos viam meu embrião, e em teu livro foram registrados todos os meus dias; prefixados, antes mesmo que um só deles existisse”. (Sl 139.13-16).

A resposta a rejeição dos homens é o fato de que Jesus também conheceu a rejeição. Seus irmãos disseram que ele estava louco e os fariseus o tacharam de endemoninhado. Em Isaias 53.3, vemos: “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum”. “PORQUE NÃO TEMOS UM SUMO SACERDOTE QUE NÃO POSSA COMPADERCER-SE DAS NOSSAS FRAQUEZAS; ANTES, FOI ELE TENTADO EM TODAS AS COUSAS, A NOSSA SEMELHANÇA, MAS SEM PECADO” (Hb 4.15).

E, por fim, Deus transforma a rejeição em benção. “A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos” (Sl 118.22-23).  Foi necessário Jefté ser expulso da casa dos seus irmãos; porque ele aprendeu a lutar, aprendeu a malicia, aprendeu a se virar no deserto. Tudo isso estava preparando Jefté para esse momento 







terça-feira, 19 de junho de 2018


Um retrato da nossa geração – Gn 19: 30-38.



Introdução:  Há algum tempo, o evangelista Billy Graham escreveu: “A obsessão pelo sexo sempre foi uma marca das civilizações decadentes”.  Nossa cultura ocidental é viciada no sexo. Por exemplo, o que aparece na televisão e nos outdoors costumava ser considerado pornografia. Um pesquisa nos Estados Unidos afirma que “51% dos meninos e 32% das meninas viram pornografia antes dos 13 anos de idade”.

A imutável lei de plantar e colher continua firme e forte. Somos agora infelizes depravados morais, e buscamos em vão uma cura. As ervas daninhas da indulgência cresceram mais do que o trigo do comedimento moral.  Nossos lares sofreram. O divórcio cresceu a ponto de alcançar proporções epidêmicas. Quando os padrões de conduta estão desajustados, a família é a primeira a sofrer. O lar é a unidade básica de nossa sociedade, e uma nação é tão forte quanto seus lares. A ruptura de um lar não costuma aparecer nas manchetes, mas ela corrói como cupim a estrutura da nação”. Billy Graham

1)   Um retrato da nossa geração.

O sociólogo Carle Zimmerman, da Universidade de Harvard examinou a ascensão e a queda de impérios no decorrer do século, deu uma grande atenção à correlação entre a vida familiar e a vida nacional.  Alguns aspectos da pesquisa do sociólogo:

·        O casamento perdera sua sacralidade, o divórcio se tornara lugar comum e formas alternativas de casamento foram aceitas.

·        Os movimentos feministas tinham minado os papéis complementares e cooperativos, uma vez que as mulheres haviam perdido o interesse na maternidade e buscado poder pessoal.

·        Criar filhos tornara-secada vez mais difícil, o desrespeito público pelos pais e pela autoridade aumentara e a delinquência e a promiscuidade haviam se tornado mais comum. 



·        O adultério passara a ser celebrado, não punido; pessoas que tinham rompido seus votos matrimoniais eram admiradas.

·        Havia tolerância crescente em relação ao sexo incestuoso e homossexual, com um aumento nos crimes relacionados ao sexo.

Parece que as conclusões do sociólogo são tão atuais que chegam a ser assustadoras. Na verdade, ele as escreveu em 1947, ao amanhecer daquela que muitos considerariam a era de ouro da família nuclear!

O pecado, depois da queda de Adão e Eva, alcançou uma profundidade maior. Paulo explica a razão disso: “Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem (Adão), e pelo pecado a morte, assim também a morte  veio a todos os homens, porque todos pecaram; (...) por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores” (Rm 5.12,19). Subtende-se que a depravação é um problema universal; todos nós lutamos contra a natureza pecaminosa que nos puxa para baixo.

2)   Ló foge de Sodoma. 

 O anjo instruiu Ló a fugir para as montanhas. Mas, ele retorquiu: “Não posso fugir para as montanhas, senão esta calamidade cairá sobre mim, e morrerei. Aqui perto há uma cidade pequena. Está tão próxima que dá para correr até lá. Deixe-me ir para lá! Mesmo sendo tão pequena, lá estarei a salvo” (Gn 19.19-20). Eles se refugiaram  em Zoar, mas as coisas não deram certo (Gn 19.30). A escolha de Ló para viver em Sodoma não foi baseada na vontade de Deus. A sua esposa resistiu em sair de Sodoma (uma fossa de esgoto)  e se transformou numa estátua de Sal; Ló ofereceu suas duas filhas para serem abusadas pelos cidadãos da cidade, para proteger suas visitas; preferiu viver em cavernas do que voltar a residir com seu tio, Abraão. 


3)   Características de um lar...em Sodoma.
Ausência de uma perspectiva divina. Não sabemos quanto tempo Ló e suas filhas viveram em sua caverna. Tempo suficiente, pelo menos, para que as filhas perdessem a esperança de um dia se casarem. A irmã mais velha virou-se para a mais nova e disse: “Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra” (Gn 19.31). A expressão “que nos possuam” é uma conotação para fazer sexo. Deus está ausente da consciência dessas moças. Em vez de confiar no Senhor, preferiram seguir os mesmos costumes de Sodoma. As meninas cresceram lado a lado com as pessoas da comunidade – parecendo-se com eles, conversando com eles, agindo como eles.


Distorção do discernimento moral. 
Fazendo uso de uma expressão antiga, VOCE PODE TIRAR UMA MOÇA DE SODOMA, mas é difícil tirar Sodoma dessa moça. A filha mais velha de Ló sugeriu uma solução que ela considerava natural e razoável: “Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra. Vamos dar vinho a nosso pai e então nos deitaremos com ele para preservar a sua linhagem (Gn 19-31,32).  QUEM SABE QUANTOS AMIGOS DAQUELAS MOÇAS VIVIAM EM LARES INCESTUOSOS? Com que regularidade elas ouviram colegas falando sobre experiências sexuais com membros da família? Ao que parece, com regularidade suficiente para considerarem tal comportamento normal. 



Colapso da autoridade paterna. 
Nenhuma das filhas de Ló tinha consciência do mal que está praticando em deitar com o próprio pai. Elas queriam se tornar mães. Uma mãe precisa de um homem para engravidá-la, e Ló estava convenientemente disponível. Ló, com certeza, não fora um líder espiritual durante os anos do crescimento dessas meninas, e não era de perto um espelho a ser seguido. “Naquela noite deram vinho ao pai, e a filha mais velha entrou e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou” (Gn 19.33). 


Aumento da insensibilidade moral. Filhos que são expostos à imoralidade durante longos períodos de tempo perdem a sensibilidade. Tornam-se emocionalmente insensíveis e espiritualmente indiferentes. Se a exposição começar no inicio de sua formação, eles nunca desenvolvem a consciência. (Gn 19.34-35). Em Sodoma Ló conseguira tudo: conforto, riqueza, bens, estabilidade e poder. Ele estava entre os líderes prósperos e influentes da comunidade e possuía uma casa na cidade. Mas, na verdade seu sucesso era completamente superficial, havia apostado tudo em Sodoma e perdera tudo.

   2) Consequências.
“Assim, as duas filhas de Ló engravidaram do próprio pai” (Gn 19.36). De acordo com os dois versículos seguintes, ambas deram à luz meninos.

Nove meses (vss. 36,37) ...e não vemos nem ouvimos nada sobre Ló. Nenhuma vergonha; nenhuma confrontação; nenhuma tristeza; nenhum arrependimento; nenhuma confissão ou nenhum reconhecimento que seja. Até mesmo o nome dado a cada um dos meninos mostra a atitude insolente daquelas moças.

Antigamente, no Oriente Médio, o nome de uma pessoa carregava significado. O nome Isaque siginifica “ele ri”. Um convidado para um jantar seria levado a perguntar: “Por que seus pais lhe deram o nome de “sorriso”? o que levaria a contar a história. Um nome, portanto, era um legado. A filha mais velha de Ló colocou em seu filho o nome de Moabe, que significa “do pai”. A filha mais nova chamou seu filho de Ben-Ami, “filho do meu parente”!

Conclusão:  Cuidado com a contracorrente? É um puxão silencioso com que as correntes marítimas sugam os banhistas para baixo. Os nadadores não sabem delas até que são carregados para longe da costa, sob o risco de se afogarem.

a)   Ninguém está imune aos perigos. Ló mudou-se para Sodoma, talvez por estar completamente alheios aos perigos dali ou por pensar que poderia suportar a pressão para que se conformasse ao ambiente. Em Sodoma, a influencia puxou sua família para baixo da correnteza à medida que distanciava de Deus. 


b)   Preste atenção aos sinais sutis. Permaneça alerta. Não ignore indicações de que alguma coisa está errada quando você passa tempo com a família ou com os amigos. Crie o hábito de perguntar a si mesmo: Esse tipo de coisa vai me tornar mais saudável? Meus filhos vão se beneficiar disto? Isto é espiritualmente benéfico e sadio? Não passe tempo com pessoas que profanam o que é bom ou que zombam do que é correto.

 c)  Declare seu padrão repetidamente e sirva de exemplo. Ló nunca fez isso; ele não tinha padrão. Ele pode ter evitado envolver-se no estilo de vida pecaminoso de Sodoma, mas, de maneira impensada, plantou sua família bem no meio dele. Declare sua fé e então viva coerentemente de acordo com ele. Estabeleça culto doméstico em sua casa, sempre que possível.

  d)  Previna-se contra a passividade. Nossa cultura é suja. É fácil vivar os olhos, dar de ombros e pensar: “Ah, isso não é nada. Esse tipo de coisa acontece. Já fui criança também e fiquei bem”. Então, eu lhe pergunto: Sua geração era parecida em algum aspecto com a geração atual? Interesse pelos filmes a que eles assistem, pelas músicas de que gostam, pelo tipo de jogo eletrônico com que brincam. Participem com eles.