terça-feira, 22 de maio de 2012


Aí vem o Sonhador! Gn 37:1-11.



Introdução.  Jacó, patriarca da família. O que se percebe nesse texto é que o velho Jacó não estava conseguindo controlar a sua família, perdeu o rumo. Os filhos de Lia: Ruben, Simeão, Levi, Judá, a maioria se sentiam superiores e guardavam para si os assuntos familiares, pois eram os mais velhos. Cada um dos filhos de Jacó queria seguir seu próprio caminho. Sabemos das artimanhas e da brutalidade de Simeão e Levi  (Gn 34:25), do incesto de Ruben (Gn 35:22)e da leviandade e lascívia de Judá (Gn 38).
·        Jacó, outrossim, mantinha viva na mente deles a lembrança de sua preferência por Raquel, ao fazer de José o seu preferido, vestindo-o com uma “túnica longa” exclusiva (Gn 37).
1)    José – diferente.
·        José se achava diferente do resto da família em preferências, valores, objetivos e crenças. Ele não se encaixava no padrão estabelecido pelos irmãos. A divisão dentro da família envolvia questões muito mais profundas do que a definição de quem era filho de quem ou de quem possuía e de quem não possuía uma túnica longa.  Os irmãos de JOSÉ, estavam unidos e, deliberadamente, adotavam objetivos e valores escolhidos por eles mesmos, que os levavam a uma direção oposta à tradição familiar.
·        Somente José, separado e sozinho, tinha ouvido e respondido à mesma chamada que havia separado Abraão, Isaque e Jacó de seu “mundo”  - a chamada que fizeram deles homens de Deus, diferente dos outros. Para eles, José era, exatamente, aquilo que eles tinham decidido não ser.
2)    A Palavra de Deus.
·        É dentro deste triste e amargo cenário familiar que José tem seus dois sonhos. SONHOS: naqueles dias o sonho era um meio pela qual as pessoas supersticiosas acreditavam que recebiam misteriosas comunicações vindas do outro mundo sobre o seu futuro
·        José sentia que aquela era uma mensagem genuína de Deus para sua família, justificando a posição que ele fora levado a assumir quanto à tradição de seus antepassados. Tal como o profeta Jeremias, José se conteve o mais que pôde, num vão esforço de reter aquilo que tinha pavor de proclamar (Jr 20:9; 6:11).
contou como, um dia, o seu feixe de trigo se levantaria e os feixes de seus irmãos o rodeariam e se curvariam diante dele. Tive outro sonho, e desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim”.  Jacó, responde: que sonho foi esse que você teve? Será que eu, sua mãe, e seus irmãos viremos a nos curvar diante de você (v.10)”. O profeta Jeremias sentiu-se abandonado pelos familiares (Jr 12:6; 15:10). Quando Jesus disse “...eu vim para fazer que o homem fique contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra...”
3)    Eles passaram a odiá-los ainda mais”.
·        Os irmãos de José entenderam muito bem o significado dos sonhos: eram uma ameaça imediata à sua ferrenha oposição a José! Não odiavam mais José pela sua túnica longa ou pelo favoritismo de seu pai. Eles o odiaram porque ouviram dos lábios dele a verdade sobre Deus e sobre si mesmos – e tinham consciência disso. Naquele momento, eles “...o odiaram ainda mais, por causa do sonho e do tinha dito” (v.8).
CONCLUSÃO: “Como voce sabe, seus irmãos estão apascentando os rebanhos perto de Siquém. Quero que você vá até lá”. Eis-me aqui, Sim Senhor! Deus queria saber até onde ele estava realmente preparado para ir, em plena confiança, em resposta à sua Palavra. Abraão: “Eis-me aqui” (Gn 22:1-11); Isaias: Eis-me aqui (Is 6:8). Jesus nos ensina: se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me (Mt 16:24). Ser chamado por Deus implica renuncia de nossa vontade própria diante dele, abdicação, em seu favor, de qualquer tentativa de autopreservação, de nossa segurança humana, dos direitos ou liberdades e dos confortos, de concessões, dos amigos e da reputação.

quinta-feira, 10 de maio de 2012


Uma luz na escuridão

Como uma história de abuso na infância ajudou a moldar o ministério do presidente da Compassion Internacional.Por Wesley Stafford

Em um momento decisivo da minha vida, há uns três anos, me dei conta que precisava deixar Deus redimir a história da minha infância. Essa história foi tão dolorosa e confusa que eu passei nada menos que 35 anos sem falar sobre ela. Dizem que as crianças têm um anjo da guarda, mas eu cheguei mesmo a pensar que o que fora designado para me proteger era o mais preguiçoso de todo o céu... Afinal, onde foram parar minhas orações, meus clamores por misericórdia e socorro, que tanto fazia deitado em meu travesseiro durante aquele período tenebroso?

Recebi meu chamado e descobri o propósito e a missão de minha vida justamente no momento mais sombrio e doloroso de minha existência, quando tinha dez anos de idade. Lembro-me nitidamente de uma vela de aniversário rosa, daquelas em que é possível atear fogo em suas duas extremidades. Ela foi acesa pelo homem que, à época, tinha autoridade sobre minha vida. Ele era o responsável por uma escola para filhos de missionários no oeste da África. Aquela instituição era minha casa por nove meses de cada ano, desde que eu tinha seis anos. Minha vida inteira pode ser dividida em duas partes: antes e depois da vela.

Naquele dia, o responsável pela escola me fez caminhar até o refeitório, colocou-me sentado diante de meus coleguinhas e pôs a vela em minhas mãos, acendendo-a nas duas pontas. “Crianças”, ele nos disse, “vocês não podem servir a Deus e a Satanás, como Wesley tentou. Não se pode acender uma vela em suas duas extremidades sem se queimar”. Cinquenta crianças estavam petrificadas, em silêncio. Sentado naquela cadeira, com meus joelhos tremendo, eu olhava aterrado. Por detrás das duas chamas, via a face de meus amigos – garotos que, como eu, vinham de vilarejos e centros missionários de todos os lugares do oeste africano enquanto seus pais faziam a obra de Deus.

A política da missão dizia que todas as crianças deveriam deixar seus pais ainda pequenas. Como eu, elas experimentaram crueldades indescritíveis naquele lugar. Os dirigentes e educadores do estabelecimento eram missionários que, penso hoje, provavelmente fracassaram por não superar os desafios transculturais e lingüísticos do campo. Por isso, foram incumbidas da tarefa tediosa de cuidar dos filhos dos outros obreiros. Sem nenhuma supervisão, eles descarregavam em nós suas frustrações. Desde cedo, por isso, aprendi que coisas terríveis podem acontecer quando crianças são tidas como sem importância, ou como a última das prioridades. E tenho tentado convencer as pessoas justamente do contrário.

Pesadelo – Foram quatro anos de pesadelo. Por todos os meus dias na escola, convivi com violência. Tudo era razão para nos fazer apanhar, desde um fio puxado no cobertor a um olho aberto na hora de dormir. Quando comecei a estudar matemática, fiz as contas na média e descobri que apanhava cerca de dezessete vezes por semana. Os alunos éramos abusados não apenas física e emocionalmente, mas também espiritualmente. Crescíamos com pavor do Deus poderoso e vingativo que nos era apresentado. As mesmas pessoas que liam a Bíblia para nós durante o dia permaneciam nos dormitórios durante a noite, aproveitando-se dos indefesos. Meninos mais velhos, também vítimas, eram ensinados a como tocar sexualmente nos seus superiores, num ambiente depravado que satisfazia os desejos e a luxúria de homens que usavam todos os recursos físicos e psicológicos para nos calar.

Nem posso descrever a intensidade de dor, raiva e falta de esperança que afligiam minha alma. Nas mãos daquele homem que me torturou com a vela, eu sempre perdia. Era simples; ele era maior e mais forte, e eu, apenas um menino. Não havia quem nos protegesse. Não tínhamos braços paternos para os quais correr. Na escola, nós não podíamos sequer ter fotos de nossos pais, quanto mais reclamar de saudades de casa. Com o passar dos anos ali, percebi que já não conseguia lembrar como era o rosto de minha mãe. Tinha medo de partir seu coração se chegasse em casa e não a reconhecesse.

Os professores nos diziam que, caso contássemos o que acontecia ali, destruiríamos o ministério de nossos pais e arruinaríamos o trabalho evangelístico no continente africano. Não tínhamos ideia de que o nosso silêncio forçado perpetuava o mal contra nós. Nossas cartas à família eram controladas, de modo que não podíamos dar uma única pista sobre os horrores daquele lugar. O menor sinal de rebeldia era punido com agressões, e aprendemos a ser tão silenciosos quanto um cordeiro. Mesmo durante os três meses em casa com nossos pais, todos os anos, não abríamos a boca.

Eu sabia de sua paixão no anúncio do Evangelho, e eu amava meus amigos africanos. Se meu silêncio fosse garantir sua salvação, eu estava disposto a enfrentar qualquer coisa. Na verdade, era um africano de coração. Depois de nove meses de inferno na escola, meu coração era sempre renovado no verão pela alegria do convício com o povo local na vila em que vivia. As mulheres me tinham como filho. Bastava um simples arranhão numa brincadeira para que várias mães negras me pegassem no colo e enxugassem minhas lágrimas com seus vestidos coloridos. Na minha inocência, costumava orar a Deus para que minha pele ficasse escura como a deles. Todas as manhãs, ao acordar, eu checava para ver se ele havia atendido ao meu pedido. Ficava desapontado, mas pensava: “Talvez amanhã”.

Por assim dizer, eu era o assistente do meu pai. Juntos, levávamos o Evangelho a vilas nunca antes visitadas por brancos. Cabia a mim espantar os pássaros das árvores, para que seu barulho não impedisse as pessoas de ouvir sua pregação. Costumava reparar no rosto dos africanos quando eles ouviam pela primeira vez a palavra Jesu e via as esperanças que eram construídas por causa da chegada do Evangelho a suas vidas. Logo, eu era um missionário também. Por isso as palavras daquele homem naquela noite lúgubre no refeitório feriram-me mais do qualquer uma das surras que eu havia levado naquela escola: “Wesley nos traiu. Odiabo o usou para destruir o ministério de seus pais. Africanos irão para o inferno por causa de Wesley”.

Código de silêncio – Tudo aconteceu porque nas férias anteriores eu contara tudo. Estávamos no aeroporto com outros meninos, despedindo-nos das famílias, prestes a embarcar no avião que nos levaria de volta à África. Nossos pais seguiriam depois, de navio. No portão, coloquei a mão de minha mãe em meu rosto. Fiquei contemplando sua face sorridente, que me parecia tão bela. “O que foi, Wesley?”, perguntou ela, supondo que eu chorava apenas por antecipar a saudade. “Mãe, não quero me esquecer de como você é”, respondi. Ela também começou a chorar. Vi naquele momento uma oportunidade de ser resgatado. “Mãe, por favor, não me mande de volta para lá. Eles me odeiam, me batem. Por favor, eu tenho tanto medo!”

Jamais esquecerei o desespero no olhar de minha mãe. Senti seus soluços enquanto me abraçava. “O que eu posso fazer?”, balbuciava. Em menos de um minuto, minha irmã e eu estávamos embarcando com as outras crianças. Eu fizera o impensável – quebrara o código de silêncio. Meus amigos me olharam como se carregassem no olhar a imagem de minha sentença de morte. Durante o mês de viagem de meus pais de navio, minha mãe, confusa e com o coração partido, ficou tão abalada emocional e psicologicamente que logo ao desembarcar na África foi enviada de volta aos Estados Unidos para tratamento. Notícias de sua situação e das causas do problema espalharam-se como fogo. Logo chegariam aos ouvidos dos dirigentes da escola.

Eu não aguentava mais a humilhação, que novamente aconteceria. Meu algoz esperava que em minutos eu gritaria, choraria e lançaria a vela longe. Mas as duas afirmações – “Ministério de seus pais arruinados” e “Africanos no inferno por causa de Wesley” – eram mais do que eu podia suportar. Ao perceber que a cera quente começava a pingar em minha mão, fui fortalecido de forma sobrenatural. Rapidamente, pensei: “Posso vencer isso”. Aquele monstro havia se colocado em uma posição que, mesmo me fazendo sofrer, me dava a possibilidade de vencer. Eu sabia em meu coração que ele estava errado. Estava mentindo, e minha jovem alma clamava por justiça. Eu não era uma ferramenta de Satanás; era apenas um garoto pequeno clamando por socorro. Logo, já havia bastado de mentiras, injustiça, dor e sofrimento. Aquilo precisava acabar – e minha decisão era a de fazer acabar naquela hora. Nada me faria gritar ou derrubar aquela vela.

Mas estava assustado, lágrimas furiosas escorriam dos meus olhos por causa da cera fervente que me queimava. Ele havia me dado as costas, aumentando ainda mais o tom de suas acusações. Mas eu não mais ouvia sua voz. Tudo o que eu ouvia era o latejar do sangue em meus ouvidos. Trinquei os dentes, contraí os músculos e segurei aquele objeto da forma mais firme que podia. As pontas dos meus dedos ficaram vermelhas e vi bolhas saltando. De repente, fui transportado para fora do meu corpo. Flutuei acima daquele menino assustado, como se aquilo estivesse acontecendo a outra pessoa. Cheguei a ver a ponta do meu dedo acendendo com o fogo. Mas eu não largaria a vela.

Foi quando um menino saltou em minha direção e apagou as chamas. Galvanizadas, as crianças correram em várias direções. A reunião macabra acabou num grande pandemônio. Sozinho naquela cadeira, eu havia recebido meu chamado. Saí da posição de vítima e passei à postura de vitorioso. A partir daquele dia, eu seria um protetor das crianças. Dali por diante passaria a falar por aqueles que, como nós naquela escola por tanto tempo, não tinham voz. Alguns anos depois, o estabelecimento foi fechado e os que abusavam de nós foram incriminados e impedidos pela missão de trabalhar com crianças. Não foram presos por conta da leniente legislação da época. Muitos dos que estudaram ali comigo saíram carregando cicatrizes que jamais seriam fechadas.

Lágrimas de alegria – O fim da minha história, que Satanás tentou amaldiçoar, foi transformado por Deus em bênção. Ela finalmente veio à tona com a publicação, em 2007, de meu livro Too small to ignore – Why the least of these matter most? [em tradução livre, “Pequeno demais para ser ignorado – Por que o menor deles é o que mais importa?”]. Encorajado por meus editores, fiz da obra um manifesto para despertar os cristãos quanto à necessidade do cuidado com as crianças. Ao mesmo tempo, deixei o Senhor tratar das feridas mais profundas de minha alma. Minha história é o que move meu coração a lutar contra a miséria, a injustiça e o abuso. Foi isso que me trouxe à Compassion Internacional. Aquela paixão que me moveu aos 10 anos ainda me consome. Meu trabalho é lutar pela causa das crianças, mostrando a elas o amor de Jesus por suas vidas. Pense na minha alegria quando, todos os dias, centenas de pequenos aceitam a Cristo como salvador de suas vidas; ou na satisfação que sinto ao vacinarmos pela primeira vez milhares de crianças de um recanto do mundo contra doenças fáceis de prevenir, mas até então fatais para elas.
Nestes últimos anos, não tenho passado dez segundos sem chorar. Nem todas as minhas lágrimas, entretanto, são de tristeza. Tenho chorado bastante de alegria, vendo a vitória na vida de crianças, assim como vi um dia na minha. Ao finalmente contar minha história, pude ver algo como o outro lado do trabalho de tapeçaria. Deparei-me apenas com os nós e tranças por muito tempo; hoje, ao contrário, vejo a bela obra de arte feita por Deus e sua graça. Ele certamente ouviu cada um de meus clamores, fazendo cessar meu pranto e, através do sofrimento, moldando-me para viver para sua glória.



O apóstolo da China - irmão Yun: "o homem do céu".

Um dos principais líderes da Igreja clandestina chinesa, Liu Zhenying, o Irmão Yun, tem uma trajetória marcada pelo sofrimento por amor a Cristo.

Nascido em 1958, Yun veio ao mundo numa aldeia pobre da província de Henan, região central da República Popular da China. Era uma época de extrema repressão política no país, quando a Guarda Vermelha da Revolução Cultural espalhava o terror entre os considerados inimigos do regime. Como a Bíblia era um livro proibido e pregar o Evangelho, um crime contra o Estado, só mesmo uma evidente manifestação do poder de Deus poderia levar alguém a crer em Jesus. E ela aconteceu quando o pai de Yun, abatido por um câncer mortal, teve a saúde restabelecida, fato atribuído pela família a um milagre divino. A partir dali, a casa da família virou uma igreja doméstica, onde o nome de Jesus era pregado entre portas trancadas e janelas cerradas. Uma congregação sem bíblias, mas com extremo ardor missionário, nasceu.

Nasce um pregador – “Eu tinha 16 anos de idade quando o Senhor me chamou para segui-lo”, lembra Yun. Seus primeiros passos na fé foram marcados por situações inusitadas – como certa vez em que sonhou que dois homens lhe davam uma Bíblia. Por toda a China, pouquíssimos exemplares das Escrituras resistiram às fogueiras do Partido Comunista. Apenas a leitura do Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung era permitida. Após orar e jejuar semanas a fio por uma Bíblia, os dois homens que vira no sonho foram sorrateiramente à sua casa e lhe entregaram um exemplar da Palavra de Deus. Após ler e decorar passagens inteiras, o jovem Yun ouviu alguém lhe dizer, no meio de uma noite, que seria enviado a pregar o Evangelho. Pensou que era sua mãe quem o chamava, mas após ouvir a voz mais duas vezes, entendeu, à semelhança do que ocorreu com Samuel, que era o próprio Deus que o comissionava como sua testemunha.

Em pouco tempo, a história do rapaz que havia recebido “um livro do céu” correu a região. Yun começou a ser chamado a várias vilas, sempre encontrando pessoas ávidas por ouvi-lo. Batizava os novos convertidos às escondidas, durante as madrugadas. “Multidões se convertiam todos os dias”, relata em seu livro. Começou a ser perseguido, e à semelhança dos apóstolos do Novo Testamento, compartilhava a Palavra de Deus por onde ia ou era levado – inclusive na cadeia. Chegou a passar três anos preso, e numa dessas detenções conseguiu fugir inexplicavelmente pelo portão principal da penitenciária. Esteve com a vida por um fio diversas vezes, como na ocasião em que jejuou por mais de 70 dias. “Tenho fome de homens e almas”, dizia resolutamente aos que lhe aconselhavam a comer.

Para Yun, os longos períodos de prisão, embora o afastassem da igreja, da mulher, Deling, e dos dois filhos, eram uma oportunidade e tanto para evangelizar os companheiros de cela. “Eu fiz um acordo com o líder da prisão, que se eu fizesse bem as minhas tarefas, ele me deixaria ficar com a minha Bíblia”, lembra. “A maioria dos prisioneiros não eram criminosos perigosos e descobri que muitos deles tinham membros da família que eram cristãos”. Após sucessivos processos, foi solto pela última vez em 1999 e fugiu da China com a família, primeiro para Myanmar e depois para a Alemanha, onde obteve a condição de refugiado. Mesmo no Ocidente, Yun mantém contato frequente com a Igreja clandestina chinesa e atua mobilizando a comunidade evangélica internacional em favor dos crentes perseguidos de seu país. Ele fundou a missão Back to Jerusalem (“De volta a Jerusalém”), que treina missionários para pregar o Evangelho na chamada Janela 10-40, região imaginária situada entre aqueles paralelos geográficos e que inclui as nações menos evangelizadas do mundo, inclusive a China.

segunda-feira, 7 de maio de 2012


O Espírito Santo é Deus?

Cada vez que dizemos “Eu creio no Espírito Santo”, queremos dizer com isso que acreditamos na existência de um Deus vivo capaz e disposto a entrar na personalidade humana e modificá-la”.

1)    A Bíblia usa pronomes pessoais para o Espírito Santo.

E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. (Atos 13.2)
Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, Esse dará testemunho de mim” (João  15:26)
Quando vier,porém, o Espirito da verdade, ELE vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir”. (João 16:13).
A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós”. (2 Co 13:13).

2)    O Espírito Santo realiza tarefas pessoais.
O Espírito Santo se relaciona conosco como uma pessoa. Ele faz coisas por nós e em nosso favor, coisas essas que, normalmente, associamos a atividades pessoais. Ele nos ensina. Ele nos consola. Ele nos guia. Ele nos encoraja. Quando ele realiza essas tarefas, a Biblia as descreve como atividades do Espírito, que envolvem inteligência, vontade, sentimentos e poder. Em suma, concluímos que se o Espírito Santo poder ser amado, adorado, obedecido, ofendido, entristecido ou se podemos pecar contra ele, é porque ele dever ser uma pessoa.

O ESPÍRITO É ONISCIENTE. “O Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus (1 Co 2:10,11).

O ESPÍRITO É ONIPRESENTE. “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo do abismo, lá estás também (SL 139:7,8). A pergunta retórica do Salmista subentende que não há lugar onde um fugitivo possa se abrigar que esteja fora da presença do Espírito Santo. O Espírito Santo está em todos os lugares; ele é onipresente.

O ESPÍRITO É ETERNO E ONIPOTENTE. Nunca houve tempo em que o Espírito de Deus não existisse. O Espírito Santo étambém onipotente, todo poderoso. “No principio, criou Deus os céus e a terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas (Gn 1.1,2).

O salmista declara: “Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renova a face da terra” (Sl 104:30).

Jó, por semelhante modo, declarou: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-poderoso me dá vida” (Jô 33:4).

O ESPÍRITO SANTO É O AUTOR DA VIDA E DA INTELIGENCIA HUMAN (Jó 32:8; 35:11). Ele é a fonte de poder na concepção de Jesus no ventre de Maria.

Respondeu-lhe o anjo: Descerás sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altissimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus (Lc 1:35).

O Espírito Santo ungiu profetas, juízes e reis com o poder do alto. Ele ungiu a Jesus para o seu ministério. No Novo Testamento, o Espírito Santo é a fonte de poder da ressureição de Cristo dentre os mortos.
Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito (Romanos 8: 11).

terça-feira, 1 de maio de 2012


A queda de Sansão. Juízes 16:1-24

Introdução. No ultimo capitulo do livro de Josué no versículo 15, está escrito: “porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei  hoje, a quem vos sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.  E no v. 16, o povo responde. Razões porque servimos ao Senhor, v. 17, 18. E o Josué, responde v.19 e v.22.

Livro dos Juízes. Quem governava o povo nesse período (Jz 17:6)? O livro de Juízes tem um ciclo: enquanto serve a Deus experimenta prosperidade, depois o povo se rebela, Deus pune com escravidão, depois o povo ora e Deus levanta um libertador; ou seja, prosperidade, pecado, escravidão, clamor e libertação.

1)    Sansão o pequeno sol.
·        Capitulo 13, v.1. os israelistas voltaram a fazer o que era mau perante o Senhor. Certo homem chamado Manoá, cuja mulher era estéril e não tinha filhos. Nazireu: não podia se aproximar de Cadáveres e não podia passar navalha sobre sua cabeça. Sansão nasceu (Jz 13:24-25) e governou 20 anos.

·        O epitáfio de Sansão está registrado no capitulo 16:30 “...na sua morte matou mais homem do que na sua vida”.

·        Sãnsão e Dalila (Jz 16:4) apaixonou por Dalila. Em que consiste a tua força? Se você me amarrar com sete tiras do couro! Conte-me como você pode se enfraquecer? Se me amarrarem com cordas que nunca foram usadas, então perderei minha força! Até que aos poucos Sansão foi cedendo...

2)    Os sete estágios da queda.

2.1) flerte. Troca de olhares, convivência, proximidade com o perigo, se dá mas não se dá por inteiro, aproveita mas sem perder o controle. Tem coisa que você nunca vai saber; você não vai me conhecer por inteiro, nunca! Isso aqui é uma janela que eu abri e que olhos de vez em quando, ou seja, uma gaveta que de vez em quando eu abro. Em momento algum você quer pular naquela gaveta.

2.2) Ilusão, Autoengano. É controlado, e pensa que controla. Autoenganado, autoiludido. V.20: “...tendo ele despertado do sono”. Ele estava dormindo e pensou: sairei como antes e o Senhor me dará vitória. Ele acha que controla mas não sabe que o Senhor já havia se retirado dele.

2.3) Fragilidade. Sansão cativo. Onde está sua força? Sua determinação? Sua capacidade de dizer sim ou não? (v.21). Não tinha mais controle sobre a situação. A gaveta tornou-se mais forte do que ele!

2.4) Cegueira. Começa racionalizar e falar besteira. É ridículo e não se enxerga. Tudo nublado, sem sentido. É o néscio, que justifica tudo, com muita lógica. Tentando explicar o que não dá pra explicar. Acreditando que a mentira é verdade!

2.5) Escravo. “essa mulher faz de você o que ela quer”. Algemas de bronze: de pétalas, de cheiro, de dinheiro, etc... ;  escravidões.

2.6) Escárnio. É motivo de escárnio; é o bobo; é motivo de comentários irônicos, línguas ferinas, gente rindo pelas costas. “amigos choram, inimigos dão risada e os inimigos de verdade ironizam o nosso Deus”.

2.7) Escândalo. Por que escândalo? Sansão foi motivo de riso mas o grande derrotado foi o Deus de Sansão. O deus Dagom entregou o Deus de Israel em nossas mãos! A reputação do Deus que carregamos é comprometida pela nossa própria reputação. “Quando os heróis de Deus tombam se condenam na queda; o nome de Deus começa a ser escarnecido”.

CONCLUSÃO: v, 25, 26, 27 e 28. Grito (v.28): Sansão gritou ao Senhor. “Oh! Soberano Senhor, peço-te que te lembres de mim, e dá-me forças só esta vez, ò Deus, para que me vingue dos filisteus, ao menos por um dos meus olhos”.  Degraus da restauração: 1) Oh! Soberano Senhor, lembra-te de mim! Deus, reponde: Eu nunca me esqueci de ti (Arrependimento) . 2 ) Da-me forças mais uma vez (dependência, Jz 13:24) ! Eu quero restaurar a sua força, é pra vida toda! O segredo da sua força é que Deus está em você! 

sábado, 21 de abril de 2012


“O HOMEM NÃO ENCONTRA A VERDADE, MAS A VERDADE ENCONTRA O HOMEM”.

            Agostinho de Hipona, por causa da sua cidade natal. Antes de ser tornar um grande bispo era maniqueísta; todo maniqueísta acreditava que o mundo ( cosmos ) tinha sido criado por forças opostas, ou seja, o bem e o mal. Portanto, em toda sina da humanidade o mundo tem uma luta constante entre as forças do bem  e do mal. O seguidores do maniqueísmo eram também hedonistas, amavam o prazer. Lembro-me de uma frase de Agostinho em seu livro, Confissões: “Dá-me castidade, mas não agora”.  
            Foi pra Milão, Itália. Começou a estudar oratória, a arte de se expressar. Nesse meio tempo conheceu o bispo Ambrósio, grande líder da igreja Romana. Nessa época a Igreja era mais acentuadamente cristã, mais bíblica, menos arrogante, menos ambiciosa, menos despojada, ou seja, VERDADEIRAMENTE UMA IGREJA!

            É impossível deixar de falar de sua mãe: Monica. Uma verdadeira mãe! Durante o tempo em que Agostinho se voltou contra a Igreja no sentido de fechá-la e entronizar (uma espiritualidade subserviente)  o imperador de Roma, sua mãe ficou firme ao lado da verdade. Até que um dia ele pega a epístola de São Paulo aos Coríntios e faz a leitura no capitulo seis em quem condena os excessos da carne. Assim, como Paulo indo em direção a Damasco e encontra-se com Jesus; assim como Martinho Lutero no meio daquela tempestade e encontra-se com seu Deus. Agostinho disse: “Senhor, tu me criaste, e meu coração vive inquieto enquanto não repousar em ti”. O coração era vazio, andava em busca de uma verdade! Mas a VERDADE não é um conceito,  ou um sofisma e muito menos aforismo... é UMA PESSOA: JESUS CRISTO.
“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos”.

O Salmo 133 fala sobre esta comunhão, esta unidade. O Salmista exclama, “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” Esta unidade não era natural para os israelitas. A história de Israel mostrava muitos conflitos entre as tribos. Por muitos anos Davi reinou apenas sobre uma parte das tribos, no sul do país. E depois de Salomão, Israel se dividiu de novo entre o norte e o sul, as 10 tribos contra Judá e Benjamim. O Salmista não procura basear a comunhão e unidade dos irmãos na bondade natural deles, ou na habilidade política deles. De onde vem, então, a comunhão dos irmãos? Devemos lembrar que o Salmo é um salmo de romagem. Um salmo que se cantava quando os filhos de Deus estavam subindo para Jerusalém para adorar no templo. Pelo menos três vezes por ano, todos os filhos de Deus tinham que se apresentar na presença do Senhor nas três grandes festas.
 Não é uma surpresa, então, que a primeira coisa que passa na cabeça do Salmista para ilustrar a comunhão é a figura do Sumo Sacerdote. Ele representa o povo de Israel no culto de adoração a Deus. A unidade e a comunhão dos irmãos, então, está no fato de que juntos eles estão subindo para Jerusalém para se unir em adoração ao Único Deus. Esta comunhão e unidade na verdadeira adoração do verdadeiro Deus sempre unia o povo de Deus. Mesmo nas épocas quando Israel estava politicamente dividido, todos os verdadeiros israelitas sempre continuavam unidos no verdadeiro culto em Jerusalém. O Salmista faz uma comparação especificamente entre a comunhão agradável, e o óleo de unção sobre a cabeça do Sumo Sacerdote. Todo Sumo Sacerdote tinha que ser ungido por este óleo. A receita deste óleo era tão especial e tão santa que Deus mandou matar qualquer pessoa que tentasse produzir ou usar este óleo fora do serviço do templo. Era um óleo perfumado e extremamente agradável. Quando o Sumo Sacerdote era ungido, o óleo era derramado da sua cabeça até a borda de suas vestes. A palavra “gola” pode ser “borda” ao redor do pescoço, ou a borda em baixo das vestes: a bainha. Podemos imaginar o óleo precioso e perfumado derramando da cabeça de Arão até a borda das suas vestes. Com esta unção, Deus estava declarando que este homem estava sendo santificado para o serviço do Senhor. O Sumo Sacerdote tinha que dedicar todo momento de todo dia da sua vida inteira ao serviço do Senhor. Ele vivia respirando o ar do templo. Ele estava completamente dedicado e separado para o serviço de adoração. No seu turbante estava escrito, “Santidade ao Senhor”. Ele carregava sobre os seus ombros duas pedras preciosas, com os nomes das doze tribos. Também carregava um peitoral com doze pedras preciosas, cada pedra escrita com o nome de uma das tribos de Israel. Assim, enquanto o Sumo Sacerdote estava oferecendo sacrifícios e dirigindo o culto de adoração no templo, ele sempre carregava perto do seu coração o povo de Deus. Deus mandou ungir o Sumo Sacerdote com óleo precioso desde a cabeça até aos pés. Isto santifica o Sumo Sacerdote para se dedicar à adoração do Senhor. Da mesma forma, diz o Salmista, a comunhão dos santos. Deus concede a nós em sua graça o amor fraternal. Do norte até o sul, todos os fieis estão se reunindo para cultuar a Deus. E o amor fraternal é um óleo santo e precioso e perfumado que santifica o povo de Deus, para capacitá-los a se dedicarem à adoração de Deus. Este amor fraternal é tão precioso, tão importante que sem ele Deus nem aceita o culto do Seu povo. A Bíblia diz, (Mt. 5:23) “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e então, voltando, faze a tua oferta.” Se era assim na época das sombras e tipos, quanto mais depois do único sacrifício de Cristo! Se o povo de Deus tinha que adorá-lO num espírito de amor fraternal no Antigo Testamento, quanto mais no Novo Testamento? Nós conhecemos a Cristo. Conhecemos o poder da sua morte. Sabemos que Ele morreu para nos reconciliar com Deus, e uns com os outros. Não é por acaso que o próprio Jesus falou: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos. se tiverdes amor uns aos outros” (João 13:35). Não é por acaso que Paulo em Gálatas 5 enfatiza que o primeiro fruto do Espírito Santo é amor. Por natureza vivíamos odiando uns aos outros, e sendo odiados. Mas na Santa Ceia confessamos que Cristo morreu para nos transformar. Cristo morreu para reconciliar o pecador miserável com o Deus Santo. Cristo morreu para também nos reconciliar uns aos outros. Nossa unidade, nossa comunhão, nosso amor fraternal é fruto da obra de Jesus em nós. Ele derramou o amor de Deus em nossos corações, para nos consagrar no serviço de adoração a Deus. Isto tem conseqüências. Se você estiver aqui, com algum ressentimento em seu coração — se você estiver aqui, com alguma mágoa, com alguma coisa contra seu irmão ou contra os seus irmãos — este sentimento nega a obra de Cristo. Quando nós não conseguimos viver juntos em alegre comunhão fraternal, estamos dizendo que Jesus é um fracasso e sua morte não foi em nada proveitoso. E mais: se nós não estamos vivendo em amor fraternal, não temos condições de entrar na presença de Deus para cultuá-lo. A Bíblia diz que se não conseguimos amar o nosso irmão, que podemos ver, não conseguiremos amar a Deus, que não temos visto. É impossível amar a Deus se não estamos amando o nosso irmão. Vemos, então que o amor fraternal nos consagra para termos condições de adorar a Deus. Mas tem mais. O Salmista continua no verso três, para explicar que o amor fraternal também vivifica e anima a Igreja.

 Hermom era uma monte muito importante no norte de Israel. Quase sempre estava coberto com neve. Israel era um país que depende muito de chuva e de orvalho. Não tem muitos rios e outras fontes de água. Literalmente, dependia dos céus para ter água suficiente para viver. Num país tão seco e tão dependente da água que vem do céu, o orvalho de Hermom representa uma bênção enorme. Ao redor de Hermom, a terra podia ser frutífera e a grama e plantas podiam brotar graças ao orvalho pesado. Na terra de Israel, quando tiver chuva ou orvalho, isto pode de repente mudar um lugar seco e deserto em um lugar cheio de flores e plantas. O Salmista usa esta ilustração para nos ensinar como o amor fraternal traz vida para o povo de Deus. Traz refrigério! Traz ânimo! Imagine que estamos em Jerusalém. Ao redor tem os montes de Sião. É verão, e tudo é seco. Não tem muita verdura. Mas, depois de um dia quente, anoitece. E começa um vento do norte, que traz o ar frio e o orvalho refrescante do monte Hermom. Que alívio, depois de um dia quente e seco. E, de manhã, vemos logo as conseqüências do orvalho: ao redor da cidade, a terra já esta brotando com verdura. É assim, diz o Salmista. É assim o amor fraternal. É refrigério num lugar seco. É vida num lugar morto. Não é assim ainda hoje? Onde podemos achar verdadeiro amor, se não aqui no meio dos nossos irmãos? Os relacionamentos secos e rasos do mundo não trazem satisfação. Procure amor no mundo, e você ficará repetidamente decepcionado. Num mundo cheio de ódio e egoísmo, achamos refrigério na comunhão dos santos. Na comunhão dos santos, achamos amor sacrificial. Vivemos num mundo que corre atrás de relacionamentos que matam a alma. Todas as experiências e tentativas do coração não regenerado de achar amor acabam em tristeza e decepção. Mas aqui, na comunidade do Espírito Santo, achamos um amor não fingido. Achamos um amor que vivifica. Na última frase do Salmo, vemos mais uma vez como o Salmista é um verdadeiro filho de Deus. Ele deixa claro mais uma vez que tudo procede primariamente de Deus: “Ali, ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre”. O amor fraternal é precioso somente quando ligado à verdadeira adoração de Deus. (v2). Da mesma forma, o amor fraternal anima e vivifica o povo de Deus somente quando praticado conforme a ordenança de Deus. Durante a história de Israel, havia muitos lugares onde as pessoas tentavam cultuar a Deus. Pensem de Jereboão, que inventou um culto do seu jeito, nos lugares que ele bem queria. O Salmista chama a nossa atenção a Sião. É outro nome para Jerusalém. “Ali, ordena o Senhor a sua bênção.” Isto é, a fonte do nosso amor fraternal: quando estamos unidos em verdadeira adoração no lugar onde Deus tem ordenado! No Antigo Testamento, isto era Jerusalém. Por que? Porque em Jerusalém estava o templo. E no templo estava a arca. No Santo dos Santos, estava a presença de Deus no meio do Seu povo. Hoje, não há mais templo em Jerusalém. E mesmo se houvesse, Deus não estaria lá. O templo de Deus hoje é a Igreja. Deus habita no meio de nós. Nós somos o templo do Espírito Santo. Onde a verdadeira igreja está reunida, cultuando em espírito e em verdade, ali podemos dizer, “ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre”. Não tem bênção, não tem vida, quando nós estamos cultuando a Deus do nosso jeito, no lugar que mais nos agrada. Deus nos chama a nos juntar com a verdadeira igreja de Cristo para adorá-lO. Não tem vida, não tem bênção em nenhum outro lugar. Não tem bênção quando ficarmos em casa por preguiça. Não tem vida quando negligenciamos o culto verdadeiro para correr atrás de adoração conforme a imaginação do homem. Mas quando estamos reunidos na assembléia dos santos, quando estamos adorando a Deus em espírito e verdade, podemos ter certeza que ali Deus ordena Sua bênção. E a vida para sempre. Não é interessante que o Salmista termina o Salmo do mesmo jeito que o Credo termina? Todo domingo citamos o credo, e terminamos: “e a vida eterna. Amém.” Estas palavras já estão nos lábios do nosso irmão Davi. Milhares de anos atrás, ele já sabia que a comunhão fraternal, a comunhão dos santos não é algo temporário. Não é algo raso. Não é algo provisório. É eterno! Continua para sempre! O amor fraternal que estamos experimentando agora, vai crescer, madurecer, e se desenvolver. Vai brotar e frutificar. E vai continuar fazendo isto para sempre! Não tem fim! Hoje celebramos numa pequena mesa. Mas está chegando o dia quando estaremos festejando e celebrando a glória de Deus em Cristo com uma multidão que ninguém enumera. Está chegando o dia quando iremos experimentar a plenitude da comunhão dos santos, na presença do nosso amado Salvador.