Aonde você pensa que vai? Tg 4.13-17
Introdução
Nós, humanos, temos a
tendencia de pensar que podemos determinar nossa vida. Que podemos achar que
tudo está diante de nós, e temos que somente decidir. O marido diz a sua
esposa: “Vamos viajar?”, logo a esposa responde: “Vamos, maravilha”! Ou, um
jovem chega diante de sua mãe e lhe diz: “Vou mudar de cidade”, logo a sua mãe
assustada lhe diz: “Mas não me contou nada!”, ele responde “é longe daqui mas
vou ganhar muito melhor”. Pelas duas conversas, tudo é decidido na base da
horizontalidade. Mas, em momento algum, Deus é consultado, é solicitado; em
momento algum existe uma oração ou, até mesmo, pedir um conselho para embasar
essas decisões.
1)
Vamos mudar de cidade?
O apostolo Tiago inicia o verso 13: “Agora escutem, vocês que dizem: hoje e amanhã iremos a tal cidade e ali ficaremos um ano fazendo negócios e ganhando muito dinheiro” (NTLH). Não há nada de errado em fazer um planejamento, em programar, em organizar, mudar de cidade, tampouco não há nada de errado ganhar mais dinheiro. Mas assumimos o papel de Deus: definimos a nossa agenda, hoje e amanhã; escolhemos nosso caminho, iremos a tal cidade; determinamos o prazo, lá passaremos um ano; organizamos nossas atividades, negociaremos; planejamos os resultados, teremos lucro.
No entanto, o apostolo Tiago adverte que é uma decisão horizontal, em momento algum, a pessoa vai orar, ou vai se aconselhar sobre essa possiblidade. Quando o apostolo Paulo estava em sua segunda viagem missionária viajando pela região “...da Frígia e da Galácia...” (Atos 16.6), queriam subir em direção a Bitínia mas “foram impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia”. Ou seja, o apostolo Paulo apresentou diante do Senhor essa possibilidade, mas o Senhor lhe impediu de ir e, em seguida, em Trôade, tem uma visão de alguém com roupa europeia dizendo: “Passa a macedônia e ajuda-nos”.
Por que precisamos pedir
orientação a Deus? Pois na condição de meros mortais não temos a menor ideia do
que o futuro nos reserva. Tiago diz: “...não sabeis o que acontecerá no dia
de amanhã” (Tg 4.14). Todos estamos separados da morte por um simples
batimento cardíaco. Um evento inesperado pode invadir nossa realidade e pôs fim
a todos os nossos planos. Podemos viver mais de 90 anos – ou morrer hoje a
noite. Ninguém sabe exatamente. Somente Deus sabe.
Nesse sábado vimos a reportagem de um médico de 65 anos de idade querendo escalar o pico do Marins, na Serra da Mantiqueira, em São Paulo. Ele estava todo extasiado para subir a Serra e disse: “É para lá que eu vou, porque Deus está comigo, Ele é a minha força e a minha fortaleza”. Mas no caminho para o pico de Marins, sofreu um mal súbito e morreu!
Por que precisamos pedir
orientação a Deus? Porque assumir o papel de Deus em nossa própria vida é
arriscado, pois não temos garantias de que nossa vida será longa. O apostolo
Tiago pergunta: “O que é a vossa vida? Sois como uma névoa que aparece por
pouco tempo e logo se dissipa” (Tg 4.14 A21). Ou: “...é um vapor que
aparece por pouco tempo, e depois se desvanece” (ARC). O Salmista expressa
a finitude humana: “...deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à
tua presença, o prazo da minha vida é nada...” (Sl 39.4). O Salmista, já na
meia idade expressa: “Os meus dias são como a sombra que declina, e eu, como
a erva, me vou secando” (Sl 102.11).
“Vapor” ou “erva”. A dona de casa destampa uma panela, sobe o vapor que dentro dela se formou e logo se acaba. Pensa na neblina da manhã, logo desaparece. Que lição! Muitos de nós vivemos como se nunca fossemos morrer! Nunca nos lembramos que aos olhos de Deus somos como um vapor...O sábio Salomão em seu livro Eclesiastes afirma que a vida é um “vapor”, no hebraico é hevel. Sim, a vida é fugaz, e vida é passageira, a vida escapa de nossas mãos...
2)
Mas “se o Senhor quiser”
Então Tiago corrige essa forma pretensiosa ensinando: “Em vez disso, deveriam dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto e aquilo” (Tg 4.15). Ou “Se Deus quiser, nós estaremos vivos e faremos isto e aquilo” (VFL). Os árabes têm a expressão “inshaallah” (se Deus quiser), em suas conversas. Logo, inshaallah veio produzir “oxalá”, isto é, se Deus quiser, assim Deus queira. Tanto a expressão inshaallah como oxalá revela o seguinte princípio: Deus deve estar em primeiro lugar na vida do cristão, em tudo. A oração do Pai nosso evoca esse princípio: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).
Em seguida, o apostolo Tiago
faz uma ressalva: “Caso contrário, estarão se orgulhando de seus planos pretensiosos
...”. ou “Mas agora vos jactais das vossas presunções”. Jactar é se
vangloriar-se, exibir-se ou demonstrar orgulho excessivo sobre algo. A Bíblia
na Linguagem de Hoje: “Porém vocês são orgulhosos e vivem se gabando”. É
o orgulho humano que nos leva a presumir que somos suficientes, que nos bastamos,
e por isso podemos prescindir de Deus.
Em Deuteronômio 8 há uma candente exortação de Moisés para que o povo não se esqueça os benefícios feitos pelo Senhor. O povo não deveria dizer: “A minha força, e a fortaleza da minha mão me adquiriram estas riquezas”, mas sim se lembrar do Senhor, “porque ele é o que te dá forças para adquirires riqueza” (vs 17,18). Orgulhar-se do progresso pessoal sem reconhecer que vem de Deus e o poder e a capacidade para tal, é atitude maligna. Como diz Tiago: “Toda jactância tal como esta é maligna”.
O termo “maligna” aqui é
ponerá, de ponerós. É o mesmo termo encontrado no Pai Nosso: “mas livra-nos
do mal” (Mt 6.13). Portanto, ponerós, pode significar a personificação do
mal, o maligno, mas também pode se referir a personificação do mal que está em
nós. O mesmo orgulho que derrubou o diabo do céu “...subireis aos céus e
colocarei o meu trono acima das estrelas de Deus...” (Is 14.13), é o mesmo
orgulho que espreita o nosso coração com a autossuficiência “...amanhã
iremos a tal cidade e ali ficaremos um ano fazendo negócios”.
O apostolo é mais incisivo
no v.17: “Portanto, comete pecado a pessoa que sabe fazer o bem e não faz”. A
pior coisa na vida do crente é a omissão! Nos dez mandamentos existem há referência
para Deus e o próximo. Mas o homem autossuficiente estabelece o décimo primeiro
mandamento: “Tu te amarás a ti mesmo sobre todas as coisas”. A essência do
pecado é o egoísmo, logo, nessa sua pretensão, ele rejeita tanto Deus como o seu
próximo. A única preocupação dele é consigo, com a sua vida, com seu trabalho,
seu lazer, com seus afazeres, mas comete pecado quando sabe que deve fazer o
bem e não faz!
Conclusão
Logo, o apostolo Tiago, termina com duas coisas que devemos fazer. Primeiro, devemos fazer o bem. Ou seja, devemos ficar próximos de Deus, próximos de sua Palavra e nos moldar em sua sabedoria. Devemos amar a Deus “...de todo o coração, de toda a tua alma e de todas as suas forças e de todo o teu entendimento” (Lc 10.27). Segundo, vivemos em pecado, se continuarmos a viver como se Deus não tivesse interessado em nossa vida, em nossas decisões. Temos que conhecer o caminho certo e nos submeter humildemente a ele.
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