terça-feira, 27 de outubro de 2026

 Quando vem a tempestade Atos 27. 1-38  

Introdução

A vida humana é como uma viagem, às vezes tempestuosas. O historiador Homero descreveu a vida como como uma viagem. John Bunyan em seu livro O peregrino descreveu a vida do cristão como a caminhada de um homem pelos perigos até chegar ao paraíso. Na jornada da vida, atravessamos por montanhas, por planaltos, por vales, por caminhos difíceis, desertos causticantes e mares encapelados. 

1)     A viagem de Paulo

Quando o apostolo Paulo foi preso em Jerusalém, Deus lhe disse que queria que ele desse testemunho em Roma (At 23.11). Portanto, era da expressa vontade de Deus que Paulo fosse a Roma. Mas, quando embarcou para esse destino, enfrentou uma terrível tempestade. Isso significa, mesmo vivendo debaixo da vontade soberana de Deus, passaremos por tempestades, adversidades. Como Jó passou pela provação, como Daniel foi jogado na cova dos leões, como Sadraque e Mesaque e Abede Nego foram lançados na fornalha de fogo ardente.

Mas, o apostolo Paulo, nessa viagem para Roma, não estava sozinho. Lucas, o médico amado, estava com ele nesse navio. Também, Aristarco, estava com ele; é mencionado como “companheiro de prisão” (Fm 24). Eles não estavam presos, condenados, mas acompanhavam o apostolo nessa viagem. É muito bom, quando nos momentos mais difíceis da vida, temos pessoas ombreando, chorando, nos motivando. Como que a igreja necessita de ombrear, de estender as mãos, ajudar os que precisam. 

A viagem inicia em Cesaréia a Sidom ao longo da costa do Mediterrâneo, por uma distância de 60 milhas náuticas, ou seja, cento e trinta quilômetros. Em Sidom, o capitão do navio, deu a Paulo liberdade de desembarcar e se encontrar com alguns amigos na cidade (At 27.3-4). Essa liberdade, de descer do navio, e ficar com os irmãos durante sete dias, evidencia a honra e a confiança que Paulo tinha com o centurião romano. 

A viagem continua, e o navio segue em direção á costa da Asia. No entanto, eles encontraram fortes correntes de ventos vindos do Noroeste. Por mais que usassem a ilha de Chipre como barreira natural, os ventos contrários eram fortes, e o avanço foi lento e difícil. Vento fala de coisas que acontecem conosco, de circunstâncias desfavoráveis, de provação, adversidade. E o navio começa a enfrentar ventos fortes. 

Diz o texto: “Chegando em Mirra e o oficial no comando encontrou um navio egípcio de Alexandria que estava de partida para Itália e nos fez embarcar” (At 27.6). Era um navio que transportava grão do Egito para Roma, sim, o Egito produzia muitos grãos para abastecer Roma. Mas, a viagem não estava boa, pois ventos soprando do Noroeste impedia a progressão do navio, para o oeste. Com muita dificuldade, eles conseguiram chegar ao ancoradouro de Bons Portos, perto da cidade de Laseia, na costa sul da ilha de Creta.

Em Bons Portos, Julio se reuniu com Paulo e o capitão do navio para decidir o que fazer, pois “...as condições climáticas estavam se tornando perigosas para a navegação” (At 27.9). Não era prudente navegar em tempo hostil, o mês de outubro era perigosíssimo, muitas ondas, muitos ventos. O que fazer? O capitão do Navio aconselhou navegar até Fenice, outro porto de Creta, ficava cerca de setenta e cinco quilômetros mais longe. Mas, Paulo sugeriu que ficassem em Bons Portos, ele disse admoestou: “Senhores, vejo que a viagem está fadada a danos e muito prejuízo, não só da carga e do navio, mas também da vida de todos” (Atos 27.10). 

Matthew Henry, missionário que foi para India, estava coberto de razão ao dizer que é melhor ficar seguro em um porto incomodo do que ficar perdido em um mar tempestuoso. Temos um fato para observar quanto a isso. Quando o apostolo Paulo e seus companheiros embarcaram para Roma, a viagem parecia segura e tranquila. Mas, logo que iniciaram a viagem começaram a soprar os ventos contrários (At 27.4). O apostolo Paulo advertiu, mas não ouviram. Por isso que é importante, na viagem da vida, lermos as placas de sinalização que são apresentadas para nós.

Mas, apesar do conselho, do alerta, da placa de sinalização, o centurião preferiu ouvir o capitão do navio. O capitão afirmou que deveriam ir até Fenice.

2)     Tempestade à vista

Logo que zarparam de Bons-Portos, perceberam que soprava um vento brando, calmo e o mar não estava encapelado. Assim, é o preço do pecado, parece que nada vai lhe acontecer, parece que não tem consequência. O jovem fuma o primeiro baseado e em seguida, tem que fumar o segundo. O Diabo é mentiroso, é pai de mentira, é um falsário, cheio de fake News. Ele promete vida e arrasta seus escravos para morte, ele promete liberdade, licenciosidade, prazer, para depois escravizar, viver debaixo do seu jugo, da sua opressão. 

“Mas o tempo mudou de repente, e um vento com força de furacão chamado nordeste, soprou sobre a ilha e nos empurrou para o mar aberto” (At 27.15). Vento Nordeste, vento quente, uma referência a ventos com a força de um furacão de natureza ciclônica. Vem à tempestade, o mar se revoltou, ficou encapelado. Sempre que deixamos de observar a sinalização de Deus ao longo da estrada da vida, a vida se transtorna e tudo vira de ponta cabeça. O leme se foi, o navio já não obedecia mais a nenhum comando, estou solto ao mar. 

O que fazer? Primeiro levantaram o barco-vidas que ia ancorado no navio principal e colocaram dentro do navio. Segundo, encodaram o navio, amarraram o navio com quatro ou cinco voltas de cordas, para o navio não se desintegrar. Terceiro, lançaram uma ancora de deriva para diminuir a velocidade do navio. Mas, tudo que fizeram, por causa da força do vento, foi inútil.

Entre os ventos potentes, o céu sem sol e sem estrelas, totalmente escuro e o choque constante, interminável de altas ondas batendo sobre o navio, a navegação era impossível. No dia seguinte, descartaram o equipamento do navio e parte da carga. No terceiro dia de tempestade “eles jogaram com as próprias mãos a armação do navio” (At 27.19). Todo aparato de madeira que servia para sustentar o navio foi lançado no mar. 

“A desobediência é um caminho de muitos desastres, em todos os sentidos, afeta toda nossa vida, em todas as instancias. Singrar as águas para a viagem da vida sem atender às advertências de Deus é candidatar-se ao naufrágio da vida”.

“A tempestade terrível prosseguiu por muitos dias, escondendo o sol e as estrelas, até que perdemos todas as esperanças”. (At 27.20). Todas as providencias foram tomadas, todas as providencias que estavam ao alcance dos marinheiros, foram tomadas. Durante muitos dias e noites, sob um céu de mau presságio, com visibilidade zero e ventos fortíssimos. A tensão e a ansiedade causados por esse constante estado de medo impossibilitavam que dormisse e comesse.

Conclusão

Mas, Deus estava no barco e quando Deus está no barco não há motivo para se desesperar. O apostolo Paulo se pôs diante deles como homem de fé. Dirigiu-se diretamente ao capitão e ao centurião, dizendo: “Voces deveriam ter seguido meu conselho de não partir de Creta e sofrer este dano e perda”. Logo, Paulo olha para eles dizendo: “Anime-se! Ninguém vai morrer, mas o navio será destruído”.

Um anjo de Deus havia aparecido a Paulo, informando-lhe que, apesar da perda do navio e de toda a sua carga, nenhuma pessoa pereceria (Atos 27.23), pois é projeto de Deus de levá-lo a Roma para comparecer perante Cesar. Se Deus falou vai se cumprir. Nem o vento nordeste com toda sua fúria, ondas encapeladas podem prevalecer conta as promessas de Deus em nossas vidas. 

E, mais, Paulo exorta a permanecerem juntos. Depois de duas semanas de tempestade, sem o controle do navio, os marinheiros sentiram a a proximidade da terra após algumas sondagens. Lançaram quatro ancoras para manter o navio seguro, mas alguns marinheiros tentaram fugir do navio lançado o bote salva-vidas. Mas, Paulo interveio afirmando que somente seriam salvos se todos ficassem juntos.

Paulo exortou também para que comesse, se alimentasse. Quando o dia raiou o apostolo pegou o pão deu graças e encorajou para que todos comessem e renovassem o animo. No final, o navio é despedaçado nas rochas e toda a tripulação do navio é salva, conforme a palavra do apostolo Paulo. 


 

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