terça-feira, 12 de julho de 2016

Abrão:  Correndo na frente de Deus – Gn 16.


Introdução:  No Brasil temos uma expressão que é o “jeitinho brasileiro” que é a mesma conotação para “quebrar um galho”  ou “dar um jeito”.  Mas a história do “jeitinho brasileiro” ou de “quebrar galho” pode ser traçada até suas origens na vida do homem que temos estudado no livro de Gênesis—Abrão.  Ele era campeão do jeitinho brasileiro antes de Pedro Alvares Cabral atravessar o mar e “descobrir” o Brasil.


1)    O dilema de Abrão.

Deus prometera a Abrão que seu herdeiro se originaria em seu corpo (Gn 15.4); o menino carregaria o seu DNA. O Senhor até mesmo selou sua promessa com uma cerimônia solene de aliança (Gn 15.17). Mas o tempo havia passado,  Abrão estava ficando velho (10 anos já se passaram em Canaã, ele já tinha 85 anos, e conforme vs. 1 sua esposa era, pelo que tudo indicava, estéril). Imagino dúvidas passando pela cabeça dele: Será que ele não entendia bem a promessa do Senhor?  Será que Deus esperava que ele mesmo fizesse algo?
Então, Sarai se cansou de esperar. A pressão para gerar um filho havia se tornado grande demais, por isso ela imaginou uma maneira de sair daquela situação complicada. Abrão, anos antes havia fugido para o Egito, numa época de fome. Lá no Egito, ele mentiu ao Faraó dizendo que Sarai era sua irmã, para não ser morto. Em troca o rei deu “ovelhas e bois, jumentos e jumentas, servos e servas, e camelos” (Gn 12.16). Entre os servos egípcios estava uma jovem chamada Hagar. Então, muito anos depois, Sarai disse a Abrão: “Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela” (Gn 16.2). 
Sarai não podia gerar filhos, mas Abrão ainda assim poderia ser “pai” de uma nação”, independentemente de sua idade. Afinal de contas, Deus dissera “um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro” (Gn 15.4). Ele não havia estipulado que Sarai seria necessariamente a mãe. A criança nascida dessa união seria considerada como filha (o) da primeira esposa. Se o marido dissesse ao filho da escrava-esposa “você é meu filho”, então este se tornava seu filho adotivo e herdeiro. 


Mas o texto de Gênesis deixa claro, se bem de forma implícita, de que a promessa de uma descendência seria cumprida normalmente, sem subterfúgio, jeitão ou quebra-galho, através de Abrão e Sarai.  Se eles eram “uma só carne”, então a promessa para Abrão era uma promessa também para Sarai!  A promessa feita para 2 velhos já era sobrenatural!  O “jeitinho” só iria diminuir a glória de Deus!  Deus não precisa da ajuda humana!  O fato da promessa quando Abrão já tinha 75 e depois 85 anos deixava isso muito claro.  Já em Gn 15.2,3. Abrão havia questionado Deus sobre a maneira dEle cumprir a promessa, sugerindo que o herdeiro da casa seria o damasceno Eliezer.  Mas Deus esclareceu Não será esse o teu herdeiro; mas aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro (15.4).  O brilho da glória de Deus, da provisão de Deus.
O interessante é que, em toda a discussão, ninguém procurou saber o que o Senhor achava. Sarai não orou. Abrão não sacrificou em um dos altares que havia construído. Como as coisas teriam sido melhores se Abrão tivesse saído na noite estrelada e dito: “Senhor, estamos ficando velhos, e a espera fica mais difícil a cada ano que passa. Nosso desejo tem se tornado quase insuportável. Pensamos em uma maneira de ter filho. Queremos saber se tu a aprovas”.
E nós? Nós também somos tentados a “dar um jeito” na vida quando as coisas não acontecem do jeito como gostaríamos.
Namoro: O exemplo clássico é o namoro, noivado e casamento.  Os padrões de Deus exigem espera, às vezes uma agonia de espera.  A tentação de correr na frente, dar um jeito, baixar o padrão de Deus, namoro um incrédulo, segurar um relacionamento pela atração física, cedendo à pressão de colegas, etc.  Tempo sempre é nosso aliado no relacionamento a dois!  Se é de Deus, o tempo só irá confirmar isso!  O caminho de Deus inclui pais, pastores, pureza e ética bíblica. 


 -Finanças: O perigo das dívidas...pegue agora, pague depois (não é pecado, mas também não é fé.  Até 50% das pessoas nas igrejas estão endividadas ao ponto de criar sérios obstáculos, preocupações, discussões, etc.
2 ) As consequências.
Os resultados da decisão de Sarai e de Abrão não demoraram a aparecer. A barriga de Hagar ainda não havia começado a crescer quando a serva começou a tratar Sarai com desprezo (Gn 16.4). A palavra hebraica para desprezo significa “pequeno, insignificante, sem valor, desonroso” (Pv 30.21-23).  Da perspectiva da Sarai, ela  sentia-se totalmente abandonada, a vítima da história, pois ela havia procurado o bem do marido, e ele não a protegeu.  Da perspectiva de Abrão, certamente não entendeu mulheres (cp. Einstein—“Ainda não entendo mulheres”).
A ideia de fazer Hagar conceber um filho substituto teve um efeito contrario ao desejado e, em vez de finalmente trazer alegria para o lar, causou desentendimento entre todos. Sarai disse a Abrão: “Caia sobre você a afronta que venho sofrendo. Coloquei minha serva em seus braços e, agora que ela sabe que engravidou, despreza-me. Que o Senhor seja o juiz entre mim e você”.
Abrão respondeu: “Sua serva está em suas mãos. Faça com ela o que achar melhor” (Gn 16.6). Essa foi sua maneira sutil de afirmar: “Foi você quem inventou isso tudo. Voce plantou, agora colha!”. Abrão, que em todo o texto é muito passivo, obedece a sua esposa (interessante que os termos usados refletem a narrativa do primeiro pecado quando Adão escutou sua esposa, e tomou do fruto proibido Gn 3.6), toma Hagar, tem relações e gera um filho.  Vemos o fruto do pecado em que a mulher toma a frente e o homem se torna passivo...
2)    Hagar: resgatada por Deus.

Vendida como escrava/serva 10 anos antes; fora da terra, longe dos familiares.  Considerada como “posse”, um instrumento para ser usado pelo patrão e patroa.  De repente, a alegria de ser, aparentemente, o cumprimento da promessa que Abrão esperava ao longo de 86 anos! Mas de repente, abandonada pelo pai do filho. Pela segunda vez em sua vida Abrão expõe uma mulher dele ao perigo! Humilhada ainda mais, mal-tratada pela patroa.  Sozinha, talvez numa estrada perigosíssima durante uma semana, uns 100 km de casa, grávida, rejeitada, sem marido, e agora ela está perdida.
O Anjo ministra graça na vida de Hagar, que afinal de contas, é inocente em tudo isso.  Ela era vítima, e mesmo tendo se exaltado contra a patroa, tudo começou com Sarai, não ela.  Nos vss. 13-16 lemos a resposta de Hagar à promessa do Senhor.  Ela é mais justa que Abrão e Sarai neste texto.  Ela acreditou no Senhor e na Sua Palavra.  Ela “invocou o nome do Senhor”, frase que já vimos em Gênesis (4.26) e que signficia “declarou os atributos, o caráter, de Deus”. 

O que aprendemos, e que Hagar sabia por experiência e Abrão e Sarai não, é que DEUS OUVE E DEUS VÊ.   Se o casal tivesse vivido assim pela fé nestes atributos de Deus, não teria falhado em sua fé!  Deus sabia que Sarai era estéril.  Deus sabia o quanto o casal desejava filhos.  Deus via.  E Ele teria ouvido seu clamor, se tivesse orado em vez de calculado.



Já aprendemos pelo nome do filho que iria nascer, Ismael, que Deus OUVE.  Agora Hagar declara que Deus é o Deus que VÊ também.  Deu nome à fonte (Beer-Laai-Roi = “poço de quem vive e me vê”) para comemorar para sempre o fato de que Deus nos ouve e vê—não fica alheio ao nosso sofrimento!  (Essa é a única vez na Bíblia que alguém da nome para Deus.)  Ela vai ao nosso encontro no momento da nossa aflição!  Ele sabe que somos vítimas, e Ele consegue até tirar bem do mal (50.20).

Em toda vida
Há uma pausa que é melhor do que a pressa progressiva,
Melhor do que derrubar ou realizar algo poderoso;
É a parada diante da vontade soberana.
Existe uma pressa que é melhor do que o discurso ardente,
Melhor do que suspirar ou chorar no deserto;
É acalmar-se diante da vontade soberana;
A pausa e a pressa entoam uma canção
Em uníssono, sempre em voz baixa,
Ó alma humana, o plano de Deus
Prossegue, não precisa da ajuda do homem!
Acalme-se e verá!
Tenha calma e saberá!




sexta-feira, 1 de julho de 2016

O Senhor é o meu pastor e nada me faltará. Salmo 23


Este é considerado o mais belo e conhecido cântico de confiança de Davi em Deus. Neste Salmo não se manifestam queixas  de aflição ou súplicas por livramento. É uma expressão poética de gratidão ao Senhor. Davi usa a metáfora preferida dos reis – retratar Deus como supremo pastor – que provê todas as necessidades de suas ovelhas (seu povo, seus filhos) e as protege e defende.

1)    O Senhor é o meu pastor. 

Era natural para um pastor da comunidade pensar no Senhor como seu pastor,  que “fez sair seu povo como ovelhas e o guiou pelo deserto” Salmol 78.52: “Mas tirou o seu povo como ovelhas e o conduziu como a um rebanho pelo deserto”; Salmo 80.1: “Escuta-nos, Pastor de Israel, tu, que conduzes a José como a um rebanho; tu, que tens o teu trono sobre os querubins, manifesta o teu esplendor”.

O cristão não pode ler ou cantar esse Salmo sem pensar em Jesus Cristo, que teve a coragem de aplicar  a metáfora de Jeová para Si. É Ele quem é para nós “o bom pastor” (Jo 10.11-14; 1 Pe 5.4; Hb 13.20).

Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. 

Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. 


1.1)         Ele me leva para “verdes pastos”.



Eram remansos ou campinas de relvas com pequenas lagoas, onde as ovelhas podiam encontrar refrigério, segurança, paz e repouso. Deus se coloca como pastor para mostrar ao mundo que não trata o seu rebanho como um mercenário.

1.2)         “Refrigera a minha alma”.




Essa expressão traz o sentido literal de “CONVERSÃO DE TODO O SER” ou renascimento do fiel. Pode retratar ainda, a ovelha desgarrada que é trazida de volta (Is 49.5; 60.1; Os 14.1-2). Por outro lado, “restaura o vigor” é muito mais do que simples refrigério. Significa a possibilidade de um novo começo de vida. Deus, por zelo (amor) ao seu nome, nos converterá e transformará em pessoas cujos caminhos serão os do Senhor.

1.3)         “o vale da sombra da morte”.



Os “verdes pastos” e “o vale da sombra da morte” são “ambos” caminhos do Senhor. A palavra  hebraica salmawet, cujo significado literal é “sombra da morte”, tem o sentido de “escuridão” e de fases criticas da vida, quando não conseguimos enxergar a saída (Jó 38.17; Jr 2.6; Mt 4.16; Lc 1.79).

Nosso Senhor é Deus e também Pastor e companheiro. Sempre que necessário, ele caminha ao nosso lado e não só a nossa frente. O Senhor nos acompanha armado de “vara” (uma espécie de cassetete carregado à cintura) e de “cajado” (para ajudar a caminhar e para  conduzir o rebanho, que era também arma e instrumento de controle, pois a disciplina gera confiança e segurança. Em última análise, só o Senhor pode nos guiar através da morte; todos os demais guias, parentes e amigos recuam ou permanecem, e o viajante tem de prosseguir sozinho.

1.4)         “Banquete na presença dos meus inimigos”.



No Oriente Médio, um homem que fosse perseguido por seus inimigos precisava entrar, ou ao menos tocar, na tenda do monarca em quem buscasse refúgio, para estar seguro. Seus inimigos eram obrigados a deter-se e olhar de fora para dentro, sem nada pode fazer contra o perseguido, agora hóspede e, portanto, protegido por seu hospedeiro. 

Como era costume dos anfitriões mais hospitaleiros, a cabeça do hóspede era ungida (untada, umedecida com substancia oleosa e perfumada) e farta refeição era oferecida (Gn 31.54). Todas as necessidades são supridas e todos os inimigos afastados, pois o Anfitrião é mais que um hospedeiro; é amigo do hospede.

No mundo do Antigo Testamento, comer e beber na casa de alguém criava um vínculo de compromisso, amizade e lealdade mútuas. Foi assim em Ex 24.8-12, onde os anciãos de Israel viram a Deus e comeram e beberam. O mesmo ocorreu na última ceia, quando Jesus anunciou ser aquele o cálice de uma nova Aliança em seu sangue (1 Co 11.25). Deus deseja conviver conosco por todo o sempre, literalmente “para a duração dos dias” (Mt 22.32). 

Nesse compromisso, a felicidade e as misericórdias (amor leal) de Deus acompanham (literalmente: perseguem) os fiéis, assim como Seus juízos perseguem os ímpios (Sl 83.15).



Bibliografia: Biblia King James Atualizada.





terça-feira, 21 de junho de 2016

Abrão, amigo de Deus.  Gn 15


Introdução: No Oriente Médio de hoje, algumas pessoas se referem a Abraão como Khalil Allah,que significa “amigo de Deus”, ou simplesmente El Khalil, “o amigo”. Abraão recebeu esse nome não porque escolheu favorecer Deus ou porque sua bondade moral teria conquistado o coração divino. Afinal, ele era um politeísta ignorante e supersticioso – como seus pares – quando Deus o chamou de Ur. Abraão carrega esse titulo honroso porque Deus deu todas as bençãos que acompanham a amizade e, pela fé, ele as recebeu.   

1)    Deus ratifica sua promessa.
A voz divina veio a Abrão numa visão, e o Senhor falou diretamente sobre o assunto que pesava tão intensamente sobre o coração de seu servo. “Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa!” (Gn 15.1). Ele era um homem com 85 anos de idade, com uma esposa que havia muito já entrara na menopausa (75 anos), e os dois pensavam em como teriam um filho. VEJA O QUE ABRÃO DISSE A DEUS: “Ó Soberano Senhor, que me darás, se continuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco (...) Tu não me deste filho algum! Um servo da minha casa será o meu herdeiro!” (Gn 15:2-3).

A expressão “Ó Soberano Senhor” é incomum, uma vez que coloca juntos dois dos nomes de Deus: ADONAI E YAHWEH. Abrão diz a Deus exatamente o seguinte: “O Senhor continua prometendo bençãos, mas estou mais perto da morte do que já estive, e não tenho herdeiro de sangue para receber as promessas de tua aliança. Sarai já não pode engravidar; então qual é exatamente a recompensa a que o Senhor se refere? Abrão teoriza que talvez seu mordomo, Eliézer, possa ser o herdeiro que Deus tinha em mente.

Em Genesis 15.4, está escrito que o Senhor começou com um enfático NÃO. Em seguida, ele ressalta que o herdeiro de Abrão viria do corpo do patriarca, ou seja, seu HERDEIRO TERÁ O SEU DNA! Para confirmar essa promessa, o Senhor levou Abrão para fora. O VERBO É ATIVO, quase forçoso, como se Deus o tivesse pego fisicamente e o colocado numa clareira sob o céu noturno. “OLHE PARA OS CÉUS E CONTE AS ESTRELAS, SE É QUE PODE CONTÁ-LAS (...) Assim será a sua descendência” (v.5). 


Quantas estrelas existem no universo? A olho nu somos capazes de contar cerca de 6.000 estrelas no céu. Se usarmos um binóculo, mesmo pequeno, ou uma luneta como a de Galileo, esse número é capaz de ultrapassar 30.000. Através do telescópio principal do OAP somos capazes de observar mais de 1.000.000 de estrelas.  Estimamos que existam entre 200 e 500 bilhões de estrelas na Via Láctea”.


2)    A fé de Abrão.
Sem hesitação, Abrão “creu no Senhor” (Gn 15.6). o termo hebraico significa “ter certeza, confiar”. Por que, na perspectiva de Abrão, as palavras de Deus colocaram um fim no assunto? Por que ninguém pode discutir com aquele que fez as estrelas. A ONIPOTENCIA DE DEUS TORNA QUALQUER COISA POSSÍVEL, INCLUINDO O NASCIMENTO DE UM BEBÊ DE UMA MULHER NA PÓS-MENOPAUSA.

Essa breve sentença é, de fato, um dos versículos mais significativos da Bíblia. Deus declarou Abrão justo (Gn 15.6). A palavra hebraica significa “conformidade com um padrão ético ou moral”. É usada para descrever a natureza moralmente perfeita de Deus em Salmos 145.17: “O Senhor é justo em todos os seus caminhos e é bondoso em tudo o que faz”. O Senhor fez isso por causa da fé que Abrão demonstrava.


Os autores do Novo Testamento usam essa passagem para provar que as pessoas recebem salvação pela graça de Deus por meio da fé (Rm 4.3, 20-22; Gl 3.6; Tg 2.23). É por isso que Paulo considerou Abraão o pai da nação hebreia, mas também o pai espiritual de todos os que creem (Rm 4.11).

Justificar é um termo forense que “denota basicamente uma sentença de absolvição”. É uma decisão do tribunal declarando que alguém está em relação certa com Deus e sua lei. Na justificação a pessoa não é tornada justa, mas declarada justa. A justificação não é um processo, mas um ato.  Na justificação, Deus não limpa simplesmente todas as acusações do pecador; ele declara positivamente que esse pecador é justo.

Justificação significa uma mudança permanente em nossa relação judicial a Deus, mediante a qual somos absolvidos da acusação de culpa, e pela qual Deus perdoa todos os nossos pecados com base na obra completa a acabada de Jesus Cristo. Sem Cristo, nossa relação judicial a Deus é de condenação – estamos condenados devido a nosso pecado, tanto original quanto o atual. Quando somos justificados, nossa relação judicial com Deus é mudada da condenação para a de absolvição.



O apostolo Paulo escreve: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). Em outras palavras, o fato de Jesus Cristo, o Filho de Deus, ter satisfeito todos os pré-requisitos de moralidade em nosso favor e ter sofrido as consequências de nossa falha moral, permite que, legitimamente, chamemos Deus de nosso Amigo.

Conclusão: Sendo amigo de Deus, como Abrão.

·        Deus, nosso Amigo, acalma nossos temores e entende nossos questionamentos. “Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa!” (Gn 15.1). Abrão respondeu com duas perguntas; contudo, o Senhor nunca o repreendeu, nunca perdeu a paciência. Portanto, não tenha medo de fazer perguntas a Deus. Não guarde o medo a ponto de ficar confuso. O Senhor nos diz: “Eu sou o seu Deus”.

·        Deus, nosso Amigo, quer nos abençoar, mas ele sabe que coisas boas oferecidas no momento errado podem causar mais dano do que beneficio. Abrão esperou praticamente 25 anos pelo primeiro sinal de gravidez em sua esposa. Abrão começou a buscar alternativas, pensando que talvez tivesse entendido Deus errado ou que Deus tivesse abandonado sua promessa.

·        Deus, nosso Amigo, quer que confiemos nele. Amizades tem a confiança como fundamento; Deus se alegra quando acreditamos nele. Por toda a Escritura, o Senhor estende os braços para o povo, dizendo: “Creia. Confie em mim!” (Pv 3.5-8).

·        Deus, nosso amigo, quer que vivamos sem medo. Para nos apoiar em meio a circunstancias confusas, ele nos dá garantia, fatos que podemos saber com certeza. Essas garantias representam algo em que podemos nos apegar quando as trevas nos cercarem (Gn 15.13...) Independentemente da circunstancia da nossa vida, Deus quer que confiemos em seu caráter imutável.

·        Deus, nosso amigo, tem planos para o nosso bem, não para a nossa destruição. Além do mais, nosso futuro é tão límpido para Deus quanto nosso passado é para nós. Ele revelou a Abrão seu futuro até o ponto de contar-lhe sobre o êxodo, sobre as pessoas que viriam para a terra e sobre como o Senhor as levaria de volta, tirando-as da escravidão.




quarta-feira, 15 de junho de 2016

UMA PERGUNTA...

QUANDO A IGREJA USA A BÍBLIA PARA DEFENDER AS DOUTRINAS DENOMINACIONAIS E SEUS COSTUMES, ELA ESTÁ PRATICANDO QUAL TEOLOGIA?:

1) A Teologia Bíblica. 
2) A Teologia Sistemática.
3) A Teologia do N.T.
4) A TEologia do V.T.
5) A Teologia Dogmática.

AGORA VAMOS À MINHA RESPOSTA – Espero que você, leitor, não acrescente nada ao que eu escrever. Se você pensar que eu disse algo que não está escrito aqui, assuma como teu pensamento. 
          NÃO É A TEOLOGIA BÍBLICA  - Quem defende costumes de igrejas e doutrinas denominacionais, ou seja, aquilo que a denominação pensa, não pratica a teologia bíblica. A TEOLOGIA BÍBLICA SE BASEIA, DE MANEIRA PURA E SIMPLES, AO QUE ESTÁ ESCRITO NA BÍBLIA. A BÍBLIA NÃO SE POSICIONA POR COSTUMES DENOMINACIONAIS, NEM POR DOGMAS DAS RELIGIÕES CRISTÃS. Se assim o fosse, ela teria que se posicionar por uma denominação, escolher qual seria o costume mais santo, mais sagrado. Diante disso temos a seguinte lição: Os costumes denominacionais, as liturgias, os dogmas das igrejas, não estão acima da Bíblia. Qualquer igreja que tratar seus membros baseando-se nos costumes denominacionais, foge da Bíblia, logo, foge dos pensamentos do próprio Deus da Palavra. 
          NÃO É A TEOLOGIA DO N.T. NEM A TEOLOGIA DO A.T. – A Teologia do A. T. baseia-se dos livros canônicos do A.T. para extrair seus ensinos. A Teologia do N.T. se baseia nos 27 livros canônicos para extrair seus fundamentos. O Teólogo do N.T. não pode extrapolar as informações do N.T. para, com isso, fundamentar suas ideias. Os pensamentos, os ensinamentos do teólogo, do professor, do pastor, devem estar “colados”, enraizado, de maneira profunda, aos escritos dos apóstolos, de Cristo, presentes no N.T. Usar o N.T. para defender costumes de homens, de regiões, de denominações, É FUGIR DO PROPÓSITO ORIGINAL E SANTO DO N.T.

        NÃO É A TEOLOGIA SISTEMÁTICA - 
A Teologia Sistemática sistematiza as doutrinas bíblicas, visando um melhor aprendizado do estudante. Nela estudamos Angeologia, Soteriologia, etc. Jamais se estuda, em TH.Sist. doutrinas e costumes de denominações. 

          Só nos resta uma alternativa: A TEOLOGIA DOGMÁTICA
A palavra grega  “dogma”, significando, originalmente, “opinião” ou  “juízo”, “crença”.
          De acordo com R.N. Champlin, “a Teologia Dogmática, como um sistema, começa pela Teologia Bíblica, mas nunca termina aí.  Uma pare do dogma consiste em interpretação, o que significa que as diversas denominações cristãs conseguem derivar das Escrituras diferentes dogmas...” (Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, São Paulo: Hagnos, 2001, VL D-G).
          Concordo com esse pensamento de Champlin sobre a Teologia Dogmática, e por isso defendo a ideia de que a Teologia Dogmática, mesmo com toda a sua importância, não é 100% Bíblica. 
          Na verdade, o ato de fazer teologia é humano, assim, teologizar é uma ação do estudante, do teólogo para compreender as a Escrituras Sagradas e seus ensinos. Nessa ação, cada um pode ter a sua interpretação. Mas não nos esqueçamos:“NENHUMA INTERPRETAÇÃO HUMANA TEM MAIS VALOR DO O QUE ESTÁ ESCRITO NAS SAGRADAS ESCRITURAS.” Se eu estou falando alguma heresia, aqui, que me combatam, com textos bíblicos. 
Precisamos entender que “A Bíblia é a fonte primária da teologia dogmática. Porém, a teologia dogmática, em seu resultado final, não é totalmente bíblica, pois o teólogo trilha por caminhos extrabíblicos: evidências culturais, religiosas, históricas, científicas, com o objetivo de melhor entender a verdade bíblica. Nesses caminhos, encontramos, como resultado final:

·         Verdades bíblicas: Conclusões da teologia dogmática que são bíblicas.

·         Verdades extrabíblicas – Conclusões da teologia dogmática, que são verdadeiras, porém não são integralmente bíblicas.

·         Pensamentos humanos – Pensamentos de teólogos que são bons, aproveitáveis, porém não são bíblicos.

·         Pensamentos antibíblicos – Conclusões que contradizem a Bíblia.” (João Moreno de Souza Filho, Teologia do N.T., 2016.)

·         “PROBLEMA NA TEOLOGIA DOGMÁTICA -  Um dos grandes problemas da teologia dogmática é o uso da Bíblia para a defesa de dogmas já estabelecidos. Essa ação faz com que o estudante, o cristão, fuja do terreno bíblico puro e simples e viva nas vielas dos pensamentos humanos. Isso era comum na Idade Média, época na qual a Igreja Católica usava a Teologia Bíblica para sustentar seus dogmas, suas doutrinas.” (João Moreno de Souza Filho, Teologia do N.T.2016.)
 Diante do que falei, a resposta à pergunta “QUANDO A IGREJA USA A BÍBLIA PARA DEFENDER AS DOUTRINAS DENOMINACIONAIS E SEUS COSTUMES, ELA ESTÁ PRATICANDO QUAL TEOLOGIA?” éTEOLOGIA DOGMÁTICA.

Só para vocês terem uma ideia do que falo, faço algumas perguntas sobre os costumes em muitas igrejas:
1)      Qual texto bíblico dá base para um pastor proibir os jovens namorados de pegarem na mão? (isso existe em algumas cidades).
2)      Qual texto bíblico diz que teatro na igreja é pecado? (Isso existe em igrejas mais radicais).
3)      Qual texto bíblico diz que mulher andar de bicicleta, de saia, está pecando contra Deus e que por isso não entrará no céu? (Isso acontece em algumas cidades do Brasil).
4)      Qual texto bíblico diz que ...Podem continuar perguntando.

EU SOU CONTRA OS COSTUMES DENOMINACIONAIS?

Não. Eu sou conservador com relação aos usos e costumes. Porém eu não sacralizo meus costumes nem acho que eles são mais santos do que os de outras denominações. O erro não é ter costume. O erro é ter costume e rejeitar o próximo, porque é diferente, criticar outras igrejas, como se Deus não estivesse nelas..ISSO É FRUTO DA DOGMÁTICA e não da teologia bíblica que defende o amor. 
OBS:  Não me critique se não atendi a tua expectativa. Eu fui chamado para o ministério do ensino para levar o povo de Deus à reflexão bíblica, há mais de 30 anos,quando ainda era adolescente, em Maceió, AL. Sejamos mais biblicistas, pois um avivamento só vem quando estamos “colados” à bíblia. Só me critique se eu, nesse artigo, feri algum texto sagrado, fui de encontro, de maneira clara, a algum ensinamento bíblico. Pergunte-se para você mesmo: Alguma vez eu já usei a Bíblia para defender o que não é bíblico? Essa ação é santa? Deus concorda que usemos a bíblia para defender o que não está em sua Palavra? Essa reflexão, bem feita, eliminará muitas brigas denominacionais entre muitos crentes, especialmente entre os conservadores, os ultraconservadores, os neoconservadores, etc.  
Um abraço a todos.

Prof. João Moreno de Souza Filho.
            WhatsApp (19) 9 8324-6484


terça-feira, 14 de junho de 2016

Abrão e Ló: uma decisão (Gn 13.1-18).


Introdução:   De Abrão, aprendemos que relacionamento com Deus é uma jornada de fé iniciada pelo simples reconhecimento de que o Senhor existe e nos ama, de que ele tem para nós uma vida cheia de grandes bençãos (Gn 12.2), e Ele deseja que nós desfrutemos de um relacionamento muito próximo com ele. Também, aprendemos que fé não é simplesmente acreditar que existe um Criador onipotente e onisciente, FÉ É CONFIAR EM DEUS À MEDIDA QUE VIVEMOS. Além disso, a fé começa tateante e imperfeita, e que Deus usará nossas experiências para nos fortalecer nessa fé.

1)   A crise da prosperidade (Gn 12.1-4).
“A adversidade às vezes se impõe duramente sobre o homem; mas, para cada homem que consegue enfrentar a prosperidade, existem cem que enfrentarão adversidade”.  Thomas Carlyle.  Nosso verdadeiro caráter aparece quando as coisas vão realmente bem. É fácil tornar-se arrogante, cheio de si, soberbo, ganancioso, etc. 


Abrão retornou para Canaã com mais riqueza do que quando chegou ali, vindo de Ur dos Caldeus. O texto de Genesis 13.2 refere-se a ele como alguém que “tinha enriquecido muito” (“Abrão era muito rico; tinha gado, prata e ouro”). A expressão hebraica significa literalmente “pesado”. Diríamos hoje que Abrão era endinheirado.

Abrão regressa a Canaã: vem do Egito, através da região desértica do Neguebe, e de volta para Betel, onde Abrão havia construído seu último altar. O nome Betel significa “casa de Deus”. Assim, Abrão retornou para casa, por assim dizer. Quando chegou ali, adorou o Senhor NOVAMENTE.


2)   Ló e uma decisão.
Até esse ponto da narrativa, não tínhamos ouvido muito sobre Ló, sobrinho de Abrão. Descobrimos pelo texto de Genesis 11.28 que o pai de Ló – Harã – havia morrido. O Senhor disse a Abrão que deixasse toda a sua família, mas ele não o fez. Carregou consigo seu pai e seu sobrinho. Quando Abrão prosperou - principalmente no Egito, Ló também se beneficiou (Gn 13.5).

Em Canaã ocorreu um conflito: a terra não era suficiente para os animais de Abrão e Ló (Gn 13.8-9). Abrão primeiramente afirmou o relacionamento que tinham e expressou seu desejo de preservar a harmonia. Então propôs uma solução que colocou Ló no controle de seu próprio destino.  Ao dar a Ló a escolha do território e aceitar qualquer coisa que sobrasse, ele abriu mão do controle de seu futuro. Ao deixar que Ló escolhesse a terra primeiro, Abrão confiou que Deus cuidaria dele independentemente do que visse a acontecer.
A OPÇÃO DE Ló pelo território fértil revela seu verdadeiro caráter (Gn 13.10-11). Ele optou pela ganância. Escolheu riqueza acima da família. Optou por confiar nele mesmo em vez de confiar em Deus. VERDADE SEJA DITA, A MAIORIA DE NÓS É MAIS PARECIDA COM LÓ DO QUE COM ABRÃO.


Escolher pelas aparências, confiando apenas nos próprios olhos, isto tem derrubado e destruído muitos crentes. Escolha de cônjuges errados, locais de moradia errados, universidades erradas, companhias erradas, ocupações erradas e até igrejas erradas. Não há mais volta depois de uma escolha errada. A cada grande escolha errada na vida, cabe um preço a ser pago.


Sem dúvida, o dinheiro assumiu um aspecto sacro em nosso mundo, e seria bom que encontrássemos formas de difamá-lo, profaná-lo e calcá-lo sob os pés. Portanto, pise-o. Grite com ele. Ria dele. Coloque-o no fim de sua escala de valores – certamente bem abaixo da amizade e das boas companhias. E dedique-se ao ato mais profano de todos: o de doá-lo”. Richard Foster (Dinheiro, poder e sexo).


A fé exibida por Abrão mostrou-se a decisão melhor no longo prazo; a ganancia de Ló lhe custaria praticamente tudo: “Abrão ficou na terra de Canaã, mas Ló mudou seu acampamento para um lugar próximo a Sodoma, entre as cidades do vale. Ora, os homens de Sodoma eram extremamente perversos e pecadores contra o Senhor (Gn 13.12-13)”.  

3)   Abrão e uma decisão.
Depois que Ló tomou a decisão de ir para as campinas do Jordão, o Senhor apareceu a Abrão e ratificou sua promessa (Gn 13.14-15). O Senhor garantiu a Abrão que este não estava sacrificando nada no longo prazo ao abrir mão de seu direito e escolher confiar em Deus. Abrão respondeu mudando-se para Hebrom, onde passaria grande parte do restante de sua vida. A terra de Hebrom era “relativamente fértil, e uma variedade de frutos (maçãs, ameixas, figos, romãs, damascos), castanhas e vegetais são cultivados facilmente”. Não muito longe dali, erguiam-se “os carvalhos de Manre” (Gn 13.18), similares aos santuários de fertilidade localizados em Siquém. Abrão colocou a marca de Deus em Hebrom ao construir um altar – outro monumento de pedra a fim de simbolizar sua fé no único e verdadeiro Criador – para seu protetor e provedor.

Conclusão: qual decisão tomar? 

A decisão de Ló representa um planejamento em um espaço bidimensional. Para Ló, não havia o “para cima”. Quando tomava suas decisões, ele não considerava Deus como fator determinante de seu futuro. Ele procurou no vale do Jordão e viu apenas vegetação verde e exuberante para seus rebanhos, além de solo rico e saudável para suas plantações.  Os planos de Ló eram egoístas, limitados por sua habilidade de observar o entorno e por sua capacidade de raciocinar.


Ló não mediu nenhuma conseqüência, queria aquilo que fosse satisfazer sua carne. Olhou e viu aquele lugar bonito e achou que ali seria um bom lugar para que ele pudesse prosperar ainda mais. “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8.8). Como alguém vai ser guiado por Deus em suas decisões se anda na carne? Como alguém vai ouvir a voz de Deus dizendo o caminho correto para percorrer se quer agradar a si mesmo e não a Deus?

Nos dias de hoje, sempre há pessoas que seguem pelo mesmo caminho que Ló seguiu. Não querem sair do mundo, não querem separação e, com isso, cada vez mais “armam suas tendas para Sodoma”. Que caminho triste. Querem caminhar com Deus e com o mundo. Nos fins de semana querem louvar a Deus, mas durante a semana vivem para si. “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4   ).

A decisão de Abrão representa um planejamento em um espaço tridimensional. Ele levou em conta a presença de Deus para protegê-lo, sustenta-lo, guia-lo e realizar o plano por meio dele. Abrão era sensível a voz de Deus.


Como você vê o mundo? Voce está preso no plano horizontal, como Ló? Ou conta com a dimensão vertical ao buscar o conselho de Deus? Deus, nos dias atuais, nos conduz em uma jornada de fé, no contexto de uma relacionamento pessoal, com o objetivo de mudar nosso coração. Ele usa a Bíblia, nossos relacionamentos com os irmãos, nossas experiências e – o mais crucial de todos os fatores – a habitação do Espírito Santo em nós para transformar nosso coração e nos guiar  a uma maior conformidade com seus caminhos (Jr 31.31-33).