quinta-feira, 9 de junho de 2016

Josué e as muralhas de Jerico.


O nome de Josué ficou eternamente ligado ao sucesso nas campanhas militares. De fato, ele parece ter sido um homem nascido para triunfar. Já nos primeiros dias que se seguiram à saída do Egito, destacou-se como líder numa batalha entre Israel e os amalequitas (Êx 17.9)- Aquela foi a primeira de muitas vitórias. Depois de cumprir eficientemente várias ou­tras missões, Josué' ganhou o respeito e a confiança de toda a nação. Ele se tornou auxiliar imediato de Moisés, sendo pos­teriormente designado para sucedê-lo, introduzindo os hebreus na terra prometida.
Entretanto, houve um momento na vida de Josué em que ele se viu perante um obstáculo quase intransponível. Jerico - ci­dade considerada por muitos a mais antiga do mundo - inter­punha-se entre ele e a conquista de Canaã. O general israelita já havia travado muitas lutas, mas nunca sitiara uma cidade. E os muros de Jerico representavam um desafio e tanto. Eles com­punham uma inexpugnável fortificação estratégica, formada por um conjunto de duas espessas muralhas paralelas, cada qual com dois metros de largura e dez metros de altura2. Josué sabia que tomar Jerico não seria fácil. Entretanto, era uma tarefa ne­cessária: se os israelitas não o fizessem, teriam sempre uma cidade inimiga às suas costas, o que poria em risco a sua sobre­vivência.
Assim como Josué, também nos encontramos às vezes diante de problemas que parecem não ter solução. Grossas mura­lhas interpõem-se entre nós e nossos sonhos. Graves dificulda­des ameaçam barrar nosso avanço. Inimigos poderosos nos in­juriam e atacam, afirmando que jamais os superaremos. Em ocasiões semelhantes, qual é o nosso procedimento? Desisti­mos? Batemos em retirada? Ou será que nos lançamos desespe­rados ao conflito, colecionando frustrações e derrotas? Às ve­zes, o que fazemos é murmurar contra os céus, queixando-nos das adversidades. Josué, porém, agiu de uma forma que lhe garantiu a vitória. E nós temos a oportunidade de aprender com seu exemplo, identificando nas suas atitudes os ingredientes de uma verdadeira fórmula do sucesso.

Humildade

Josué assumiu uma postura humilde. Esse foi o primeiro passo na direção da vitória. A Bíblia diz que "estando Josué ao pé de Jerico, levantou os olhos e olhou; eis que se achava em pé di­ante dele um homem que trazia na mão uma espada nua; che­gou-se Josué a ele e disse-lhe: És tu dos nossos ou dos nossos adversários? Respondeu ele: Não; sou príncipe do exército do Senhor e acabo de chegar. Então, Josué se prostrou com o rosto em terra, e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?" (Js 5.13,14.) Prostrar-se em adoração foi um ato de hu­mildade e reconhecimento. Perguntar pelas ordens de Deus foi um indício de submissão e obediência. Assim, Josué mostrou que sabia qual era o seu lugar. Mais do que isso: ele percebeu que a situação estava lhe proporcionando a oportunidade de uma experiência mais íntima com Deus.

Grandes problemas trazem sempre grandes oportunidades. Eles nos dão a chance de reavaliar nossa capacidade. Permi­tem-nos exercitar nossa modéstia. Levam-nos a buscar uma maior dependência. Além disso, eles favorecem nosso cresci­mento espiritual, pois é nas horas das maiores provações que temos os vislumbres mais claros do poder divino. Depois de enfrentar sua "Jerico" pessoal, Jó disse ao Senhor: "Eu te co­nhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem" (Jó 42.5).

E Martinho Lutero escreveu: "Eu nunca entendi o significado da Palavra de Deus até que entrei em aflição". Homens e mulheres de fé têm aprendido, ao longo dos séculos, que as provações são seguidas de bênçãos.

Humildade é o reconhecimento dos nossos limites e a confi­ança no ilimitado poder de Deus. É um ingrediente fundamental para uma receita de sucesso. Como afirmou o sábio, "diante da honra vai a humildade" (Pv 18.12). Quando somos modestos, podemos contar com os recursos de Deus, e não apenas com os nossos. Josué, mesmo ocupando a mais alta posição de autori­dade em sua nação, não deixou de admitir suas limitações, de buscar a direção do Senhor e de se submeter a ele. Será que, nos momentos de lutas, temos feito o mesmo?

Confiança

O general israelita revelou ter confiança em Deus e nas suas orientações. As ordens que recebeu foram as seguintes: "Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifre de carneiro adiante da arca; no sétimo dia, rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. E será que, tocando-se longamente a trombeta de chifre de carneiro, ouvindo vós o sonido dela, todo o povo gri­tará com grande grita; o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá nele, cada qual em frente de si" (Js 6.3-5).

O que Deus mandou Josué fazer deve ter lhe parecido estra­nho. Ele bem poderia ter respondido: "Mas, Senhor, não é assim que se conquista uma cidade!" Josué era um guerreiro experi­mentado. Ele sabia que nenhuma batalha jamais havia sido vencida daquela maneira. Talvez tenha pensado: "Se eu passar essas or­dens adiante, meus soldados deixarão de me respeitar. E se fizer­mos o que Deus está falando, nossos inimigos dirão que ficamos loucos. Eles rirão de nós e falarão que o sol do deserto fritou nossas cabeças!" Entretanto, se algum desses pensamentos cru­zou a mente de Josué, logo foi varrido para longe. Ele decidiu fazer o que lhe fora mandado, porque confiava no Senhor.

Os dicionários definem fé como "confiança em alguém ou em alguma coisa, crença nos dogmas de uma religião, fideli­dade em honrar os compromissos". Mas a minha definição pessoal de fé é a seguinte: fé é confiar a ponto de obedecer. Toda vez que fazemos o que o Senhor nos diz, estamos exer­citando nossa fé. Mas quando dizemos que cremos em Deus e apesar disso não lhe obedecemos, enganamo-nos a nós mes­mos, porque a verdade é que não confiamos nele. É a certeza de que Deus nos ama e deseja o melhor para nós que nos leva a seguir suas orientações, mesmo quando não somos capazes de entendê-las. Os métodos do Senhor podem nos parecer estranhos, mas nunca deixam de ser eficazes.

O Senhor mandou que Naamã mergulhasse sete vezes no rio Jordão, e ele foi curado da sua lepra. O Salvador disse ao cego de nascença que se lavasse no tanque de Siloé, e ele voltou enxer­gando. A Bíblia nos manda amar nossos inimigos, perdoar aos nossos ofensores, vencer o mal com o bem e voltar a outra face aos nossos agressores. Diz aos que enfrentam problemas finan­ceiros que sejam fiéis na entrega de seus dízimos, e exorta os solitários a não se envolverem em relacionamentos contrários à vontade de Deus. Essas e outras orientações podem nos parecer difíceis. Porém, se as seguirmos com fé, veremos que elas nos conduzirão ao sucesso, porque o Senhor, que as deu, é fiel.

Persistência

O último ingrediente na receita vitoriosa de Josué foi a per­severança. O Senhor lhe disse que, para que os muros de Jerico caíssem, teriam de ser rodeados por sete dias, e no último dia, por sete vezes. Isso significa que durante um bom tempo o ge­neral israelita seguiu as diretrizes divinas sem que nada aconte­cesse. Aquilo certamente foi um grande teste para a sua fé. É dessa forma, igualmente, que a nossa confiança costuma ser provada. Seguir em frente quando nossos esforços parecem in­frutíferos não é fácil. Por outro lado, nunca ninguém alcançou nada sem empenho e persistência.

Uma mulher orou durante quarenta anos pela conversão do marido alcoólatra. Outra intercedeu vinte anos pelo filho re­belde até vê-lo render-se a Jesus. Muitos outros exemplos po­deriam ser somados a estes, ensinando-nos uma importante lição: Deus está disposto a dar-nos o triunfo, mas permitirá antes que lutemos por ele, a fim de fortalecermos nossos músculos espirituais. Assim, os que desistem diante da primeira demora podem acabar privados da bênção que lhes estava reservada. "Não é digno de saborear o mel quem se afasta da colméia por causa da picada das abelhas", escreveu Shakespeare. A vitória sorri para aquele que, à humildade e à confiança, acrescenta a perseverança.

Thomas Edison conseguiu fazer funcionar a primeira lâmpa­da elétrica na sua centésima tentativa. Naquela ocasião, um re­pórter lhe perguntou:
-     Depois de fracassar noventa e nove vezes, não pensou em desistir?
-     Eu não fracassei noventa e nove vezes. Apenas descobri, noventa e nove vezes, como algo não funcionava, respondeu Edison.

Essa é uma maneira interessante de ver as coisas! Não enca­re suas tentativas como insucessos, e sim como exercícios. Le­vante-se. Persevere. Tente outra vez. Mostre que sabe o que quer! Você não deve desistir dos seus sonhos, mas precisa pro­var que está à altura deles. Na hora certa, Deus estenderá suas mãos, e os muros cairão.

Mantendo uma postura adequada, Josué e os israelitas al­cançaram seu objetivo.
"No sétimo dia, madrugaram, ao subir da alva e, da mesma sorte, rodearam a cidade sete vezes; somente na­quele dia rodearam a cidade sete vezes. E sucedeu que, na sétima vez, quando os sacerdotes tocavam as trombetas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o Senhor vos entregou a cidade... Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o povo o sonido da trombeta e levantado grande grito, ruíram as muralhas, e o povo su­biu à cidade, cada qual em frente de si, e a tomaram." Os 6.15,16,20.)
A fórmula de Josué provou ser eficiente. Os israelitas vence­ram sua batalha mais difícil, e prosseguiram na conquista da terra que Deus lhes havia prometido. Da mesma forma, quando enfrentamos nossos desafios com humildade, confiança e per­sistência, podemos aguardar bons resultados. O Senhor não nos abandonará. Ele não deixará de nos conceder aquilo de que necessitamos e que sabe ser o melhor para nós. Então, sigamos em frente. Vamos colocar de lado o desespero e a afobação, e agir da maneira como Deus nos tem orientado. Afinal, não exis­te sucesso maior do que estar em harmonia com a vontade do Senhor.

Fonte:Marcelo Aguiar - Lições de Fé.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Abrão: quando o fiel mente (Gn 12:10-20).


Introdução: Abrão abandonou o lar em que sempre vivera, negou sua cultura (Ur dos caldeus), desconectou-se de sua família, deixou seus amigos,sacrificou seus imóveis e abriu mão de qualquer futuro que pudesse ter planejado ou esperado. Em seus 70 anos, deixou tudo para trás com o propósito de ir... sabe-se lá para onde. Com os olhos colocados em Deus, disse, com efeito: “Confiarei em ti, Deus. Eu te seguirei por onde me mandares”.

Abrão deixou Ur dos Caldeus, viajou para noroeste seguindo as margens do rio Eufrates e, então, estabeleceu-se por um tempo em Harã (até a morte de seu pai). Depois, seguiu por uma movimentada rota comercial rumo ao oeste e, depois, para o sul, para a cidade montanhosa de Siquém, a cidade de Siquém era considerada uma cidade sagrada.



Abrão acampou ao lado do Carvalho de Moré (Gn 12.6), que também pode ser traduzido por “arvore do ensino”. A expressão hebraica sugere que esse carvalho havia se tornado um santuário ou um lugar de reuniões. Registros históricos indicam que os cananeus tinham santuários em bosques de carvalhos, e Moré pode ter sido um de seus centros de culto. E, Deus lhe aparece mais uma vez, reafirmando seu grande plano redentor (V.7).


Abrão respondeu construindo um altar e, em seguida, oferecendo um sacrifício anual de gratidão. O novo altar de pedra se colocava como um monumento à obediência de um homem ao único Deus verdadeiro. Ele anunciava aos residentes locais: “O Deus de Abrão chegou em Canaã”. Depois, Abrão, seguiu para o sul – altitudes mais elevadas – Jerusalém. Ali, ele construiu outro altar (v.8).

1)   Abrão e o Egito.
Tendo erigido um segundo altar, Abrão continuou na direção sul até a região do Neguebe, nome que significa “seco, árido”. Nessa região, Abrão enfrentou seu primeiro desafio quando uma fome muito séria varreu a terra. Vindo de uma parte do mundo conhecida como Crescente Fértil, talvez esperasse encontrar pasto exuberante para seus rebanhos. Mas, o Neguebe parecia um território devastado. 



Ele resolve ir ao Egito. O Egito significa uma aliança com o mundo. Abrão olhou para suas dificuldades e ficou paralisado de medo. Agarrou-se ao primeiro meio de livramento que apareceu, como um homem que está se afogando agarra-se à palha. E assim, sem obter conselho de Deus, desceu para o Egito.


“Ah, que erro fatal! Mas quantos ainda o cometem. Podem ser verdadeiros filhos de Deus e, ainda assim, em um momento de pânico, adotam métodos de livramento que, para dizer o mínimo, são questionáveis, lançando semente de tristeza e desastre a fim de se salvarem de uma dificuldade menor” (Is 31.1).

2)   Abrão e a mentira (Gn 12.11-13).
Cuidado para não colocar pessoas no pedestal, por duas razôes: Primeiro, atraímos desilusão para nós mesmos, porque inevitavelmente veremos falhas em nossos heróis. Segundo, os pedestais vem com expectativas que nenhum ser humano consegue atender.

A Bíblia é clara quando trata sobre a “mentira”:

“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?” (Nm 23.19)

“Ouvi a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel; pois o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus. Só prevalecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar, e o adulterar; há violências e homicídios sobre homicídios.” (Os 4.1-2)

“O justo odeia a palavra mentirosa, mas o ímpio se faz odioso e se cobre de vergonha.” (Pv 13.5)

“Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira.” (Jo 8.44)

“não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos,” (Cl 3.9)
O que é “mentira”?

O dicionário Houaiss define “mentira” como: “afirmação contrária a verdade, ilusão”. Aurélio nos traz os seguintes conceitos: 1. Ato de mentir, engano, impostura, fraude, falsidade; 2. Hábito de mentir; 3. Engano dos sentidos ou do espírito, erro, ilusão; 4. Idéia, opinião, doutrina ou juízo falso; 5. Fábula, ficção.

O Dicionário Internacional do Antigo Testamento cita quatro termos hebraicos para a palavra “mentira”:
bad : conversa vazia, vã (Jr 50.36; Is 16.6; 44.15)
kazav : falar aquilo que é inverídico e, portanto, falso diante da realidade (Nm 23.15; Sl 89.35; Is 57.11)
kahash : transmite a idéia de diminuição de uma verdade (Sl 59.12; Os 7.3; 10.13; 11.12; Na 3.1)
shequer : falsidade, engano. Designa palavras e atividades falsas no sentido de não estarem baseadas em fatos ou na realidade (Ex 20.16; Dt 19.18; Jr 23.32; Is 59.13; Mq 2.11; Jó 13.4)

A mentira de Abrão continha uma meia verdade. Sarai era, de fato, sua meia-irmã: eles nasceram do mesmo pai, mas tinham mães diferentes (Gn 20.12). Quando afirmou ser irmão de Sarai, ele esperava tirar proveito do costume local. Ele de fato poderia ser morto por ser seu marido, mas as leis antigas faziam que ele, na condição de irmão, fosse o guardião dela. No entanto, Deus entrou com providências afligindo Faraó e sua casa com doenças graves (Gn 12.17).


3)    As lições de Abrão.

Todo mundo enfrenta fome. Algumas fomes são severas. Elas puxam o tapete e o deixam você caído de costas no chão, sem ter onde buscar ajuda. O diagnóstico do médico com a pior noticia do mundo. Um divórcio. A morte de uma pessoa amada. Desemprego. Falências.  Seja como for, essas experiências invariavelmente levam a uma crise de fé, desafiando você a responder à pergunta: Em que eu de fato confio?

Toda fuga contém uma mentira. Quando fazemos qualquer coisa que esteja ao nosso alcance para evitar passar pela crise de fé, quando buscamos uma fuga por meio de métodos antigos e conhecidos, mentimos para nós mesmos: “eu consigo lidar com isso sem Deus”. Passamos a vida toda fugindo das provas em vez de caminhar por entre elas pelo poder de Deus. E, durante o caminho, justificamos, racionalizamos, damos desculpas e minimizamos nossos erros.

Todo Abrão luta com uma fraqueza. Isso diz respeito a você. Todo mundo, incluindo o bom e o piedoso, carrega imperfeições e falhas. Essas falhas, solapam nosso relacionamento com Deus. Se Abrão foi capaz de falhar, logo depois de ter construído dois altares: todos também podemos nos envolver em uma queda moral (1 co 10.12).

Cada concessão coloca uma Sarai em risco. Sempre que revertemos à nossa resposta padrão, alguém se machuca... incluindo aqueles que estão mais próximos de nós. Sarai confiou que Abrão a conduziria bem e que a manteria segura, mas o plano egoísta do marido quase pôs tudo a perder. Se não fosse a providencia divina.






segunda-feira, 6 de junho de 2016

 A resistência de Jó frente à dor e ao sofrimento




Jó é citado apenas duas vezes em toda a Escritura (Ez 14.12-23; Tg 5.11), fora do livro que leva o seu nome. Na primeira passagem, salienta-se a retidão e o poder de intercessão de Jó, que é colocado ao lado de outros homens especiais (Noé e Daniel). Na segunda, fala-se de sua capacidade de lidar com o sofrimento. Algumas versões chamam atenção para a sua paciência (RA, TEB, NTLH, BJ), outras para a sua constância (CNBB, EP) ou perseverança (NVI). A paráfrase Bíblia Viva prefere mencionar a sua confiança em Deus. Apenas a Bíblia do Peregrino acha apropriado traduzir a palavra original como resistência: “Ouvistes falar como Jó resistiu, e conheceis o desfecho que Deus lhe proporcionou, pois o Senhor é compassivo e piedoso”.

Logo no início do livro, Jó é apresentado como homem extremamente correto, inculpável, íntegro, irrepreensível, justo, precavido (“evitava fazer o mal”), reto (“andava na linha”) e temente a Deus (Jó 1.1). Era um homem especial, fora de série, um exemplo impressionante em sua época e em nosso tempo. Duas vezes o próprio Deus afirma que Jó era sem igual: “No mundo inteiro não há ninguém tão bom e honesto como ele” (Jó 1.8; 2.3)

Em geral, o que os cristãos sabem a respeito de Jó é apenas o que está no prólogo (os dois primeiros capítulos) e no epílogo (os 12 últimos versos do último capítulo). Passa-se por cima de toda a parte poética do livro, que valoriza tremendamente o caráter de Jó. Já o leitor que examina o miolo do livro fica perplexo com a incrível resistência do homem da terra de Uz frente a toda sorte de sofrimento, como se pode ver a seguir. Jó era irrepreensível...

Apesar das desventuras  

Jó não era sem igual só no terreno ético. No que diz respeito à prosperidade, ele era aprovado e bem-sucedido em tudo. Jó tinha saúde, família, riquezas e muita gente a seu serviço. Era “o homem mais rico do oriente”. Possuía 11.500 cabeças de gado. De uma hora para outra, perdeu tudo. Em um mesmo dia, Jó recebeu quatro más notícias seguidas, uma imediatamente após a outra. As perdas foram provocadas pelos povos vizinhos (os sabeus e os caldeus) e por desastres naturais (raios caídos do céu e uma terrível ventania vinda do deserto). Foi assim que Jó perdeu...

Todo o gado (7.000 ovelhas, 3.000 camelos, 1.000 bois e 500 jumentos);

Todos os empregados (administradores, agricultores, boiadeiros, carreiros, cortadores de lã, guardas das torres de vigia, plantadores de capim, roçadores de pastos, tiradores de leite, tratadores de animais, vendedores de gado etc). Só escaparam aqueles que vieram trazer essas notícias.

Todos os dez filhos (três mulheres e sete homens). Estavam todos comendo e bebendo na casa do irmão mais velho, quando o furacão atingiu a casa e a derrubou sobre eles. No dia seguinte, havia dez caixões de defuntos para Jó enterrar.

Apesar da doença

Pouco depois da perda de quase todos os bens e de todos os filhos, Jó perdeu a saúde, o mais precioso bem que alguém pode possuir. A doença era tão grave que o obrigava a pensar na morte. Vários diagnósticos têm sido apresentados: a doença poderia ser dermatose escamosa, elefantíase, eczema crônico, eritema, lepra, melanoma, pênfigo foliáceo, psoríase queratose, úlceras malignas, varíola. Ele portava “feridas terríveis, da sola dos pés ao alto da cabeça”, raspava-se com um caco de louça e ficou tão desfigurado que seus amigos não puderam reconhecê-lo e começaram a chorar em alta voz diante daquele quadro aterrador (2.12-13).

O mal de Jó era uma agressão à visão e ao olfato de todos os que o cercavam.

Vale a pena ler o que o próprio Jó fala a respeito:

“Que esperança posso ter, se já não tenho forças? Como posso ter paciência, se não tenho futuro?” (6.11).

“Quando me deito fico pensando: quanto vai demorar para eu me levantar? A noite se arrasta, e eu fico virando na cama até o amanhecer. Meu corpo está coberto de vermes e cascas de ferida, minha pele está rachada e vertendo pus. [...] É melhor ser estrangulado e morrer do que sofrer assim” (7.4-5,15).

“Meus dias correm mais velozes que um atleta; eles voam sem um vislumbre de alegria. Passam [ligeiros] como barcos de papiro, como águias que mergulham sobre as presas” (9.25).

“Tornei-me objeto de riso para os meus amigos, logo eu, que clamava a Deus e ele me respondia, eu, íntegro e irrepreensível, um mero objeto de riso!” (12.4).
“Minha magreza [...] depõe contra mim”(16.8); “O meu corpo não passa de uma sombra” (17.7); “Não passo de pele e ossos” (19.20).

“O único lar pelo qual espero é a sepultura” (17.13); “Quem poderá ver alguma esperança para mim?” (17.15).

“Minha mulher acha repugnante o meu hálito; meus próprios irmãos têm nojo de mim” (19.17).

“Agora esvai-se a minha vida; estou preso a dias de sofrimento. A noite penetra os meus ossos; minhas dores me corroem sem cessar” (30.16-17).

“Minha pele escurece e cai; meu corpo queima de febre. Minha harpa está afinada para cantos fúnebres, e minha flauta para o som de pranto” (30.30-31).

Apesar da esposa

A companheira de Jó e mãe de seus filhos mortos não teve sabedoria suficiente para enfrentar o sofrimento da família:

1) Ela foi incapaz de suportar o quadro doentio do marido. Jó pessoalmente descreve a situação: “Minha própria esposa não chega perto de mim por causa do mau cheiro que sai de minha boca quando falo” (19.17, BV). O cheiro repugnante vinha também das feridas abertas.

2) Ela foi incapaz de manter o relacionamento anterior com Deus. A esposa de Jó rompeu com o Senhor e aconselhou o marido a fazer o mesmo: “Você ainda vai tentar ser muito religioso, mesmo depois de tudo o que Deus nos fez? O melhor que você tem a fazer é amaldiçoar a Deus e morrer!” Jó viu-se na obrigação de opor-se e resistir à própria esposa: “O que você está falando é loucura completa. Já recebemos tantas coisas boas de Deus, porque não recebemos também o sofrimento e a dor?” (2.9-10, BV.)

3) Ela foi incapaz de acompanhar o marido. A dura verdade é que a esposa de Jó passou para o lado oposto: aliou-se a Satanás, tornou-se porta-voz dele, fez-se advogada do diabo. Pois o único propósito de Satanás era levar Jó a amaldiçoar a Deus (1.11; 2.5).

Apesar da solidão 

Antes de suas desventuras, Jó tinha nome, tinha dinheiro, tinha poder. Era cercado de pobres, órfãos, viúvas e estrangeiros, com os quais repartia seus bens. Era cercado de parentes, amigos e vizinhos, próximos e distantes, com os quais se alegrava. Afinal, muitos são os que amam o rico (Pv 14.20). Mas, depois de suas desgraças, todos foram se retirando e deixaram Jó sozinho. Ele se queixa amargamente disso:

“[Deus] afastou de mim os meus irmãos; até os meus conhecidos estão longe de mim. Os meus parentesme abandonaram e os meus amigos esqueceram-se de mim. Os meus hóspedes e as minhas servasconsideram-me estrangeiro; vêem-me como um estranho. Chamo o meu servo, mas ele não me responde, ainda que lhe implore pessoalmente. Minha mulher acha repugnante o meu hálito; meus próprios irmãostêm nojo de mim. Até os meninos zombam de mim e dão risadas quando apareço. Todos os meus amigos chegados me detestam; aqueles a quem amo voltaram-se contra mim” (19.13-20).

Apesar do Diabo 

O livro da Bíblia que menciona maior número de vezes o nome de Satanás é o de Jó. São ao todo quatorze citações, que aparecem apenas nos dois primeiros capítulos, o equivalente a pouco mais de 25% de todas as ocorrências. Quanto a toda a Escritura, apenas em Apocalipse Satanás é tão devastador como em Jó.

Por duas vezes, Deus chama a atenção de Satanás para a integridade de Jó: “Reparou em meu servo Jó?” (1.8; 2.3). Em resposta, Satanás duas vezes relacionou a integridade de Jó com a prodigalidade de Deus (1.10-11; 2.4). Então, também por duas vezes, Deus suspendeu parte de sua proteção e deixou Jó ao alcance de Satanás (1.12; 2.6).

Na primeira vez, Satanás toma todos os seus bens e todos os seus filhos (1.13-19). Na segunda, toma toda a sua saúde (2.7-8). Depois de todos os estragos, Satanás sai de cena e não mais é citado.

O Satanás do livro de Jó é o mesmo que mais tarde vai tentar o próprio Jesus Cristo (Mt 4.1-11), peneirar Pedro (Lc 22.31), entrar no coração de Judas (Jo 13.27), encher o coração de Ananias (At 5.2), atazanar Paulo com o espinho na carne (2 Co 12.7) e impedir Paulo de visitar os tessalonicenses (1 Ts 2.18). Satanás é o tentador, o enganador, o acusador, o maligno, o homicida, o ladrão de semente (Mt 13.19), o semeador de joio (Mt 13.39), o pai da mentira, o leão que ruge e especialmente “o príncipe da potestade do ar” (Ef 2.2), isto é, “aquele que se interpõe entre o céu e a terra” (na Tradução Ecumênica da Bíblia).

Por algum tempo, mas sem perder a proteção de Deus, Jó foi contundentemente machucado por Satanás!

Apesar das discurseiras de seus amigos

Os três amigos de Jó — Elifaz, Bildade e Zofar — “souberam de todos os males [desgraças, calamidades, em outras versões] que o haviam atingido, saíram, cada um da sua região. Combinaram encontrar-se para, juntos, irem mostrar solidariedade a Jó e consolá-lo” (2.11).

Depois da mudez provocada pelo impacto da aparência de Jó, os três homens começaram a falar. Seus oito (talvez nove) discursos ocupam pelo menos nove capítulos do livro de Jó. São peças admiráveis quanto à poesia, à beleza e à religiosidade. Os três são monoteístas como o amigo e o nome de Deus aparece 39 vezes em seus discursos (incluindo os nomes Criador e Todo-poderoso). Mas revelam incrível falta de sabedoria, falta de psicologia e falta de misericórdia. Eram inoportunas para aquele momento e para a pessoa com o qual falavam. Valendo-se de uma filosofia errada e de uma teologia errada, Elifaz, Bildade e Zofar causaram enorme mal-estar a Jó e cometeram imperdoáveis injustiças contra ele. Talvez Jó tenha sofrido mais com os discursos de seus amigos do que com a bancarrota financeira, a morte dos filhos e a própria doença. Isso pode ser visto nos seguintes desabafos:

“Vocês [...] me difamam com mentiras; todos vocês são médicos que de nada valem! Se tão-somente ficassem calados, mostrariam sabedoria” (13.5).

“Até quando vocês continuarão a atormentar-me, e esmagar-me com palavras? Vocês já me repreenderam dez vezes; não se envergonham de agredir-me” (19.2-3).

“Suportem-me enquanto eu estiver falando; depois que eu falar poderão zombar de mim” (21.3).

Os amigos de Jó atentaram contra a sua tranqüilidade, alvoroçaram a sua consciência e roubaram a sua paz com Deus. Desempenharam o mesmo serviço de Satanás, aquele que se põe na presença de Deus para acusar dia e noite, não os ímpios, mas os justos (Ap 12.10).

Quando o pano se levanta e toda a verdade vem à tona, o Senhor repreende severamente os acusadores de Jó: “Estou indignado com você [Elifaz] e com os seus dois amigos [Bildade e Zofar], pois vocês não falaram o que é certo a meu respeito, como fez meu servo Jó” (42.7). Para não serem punidos por Deus “pela loucura que cometeram”, os três amigos deveriam comparecer diante de Jó, oferecer holocaustos em favor deles mesmos e se beneficiarem da intercessão de Jó (42.8-9).

Apesar da arenga de Eliú 

Eliú é o quarto personagem do livro de Jó. Era mais jovem que Elifaz, Bildade e Zofar. Foi o último a falar. Seu discurso ocupa seis capítulos seguidos e ele sozinho cita o nome de Deus 39 vezes. Embora mais cortês e mais próximo da verdade quanto à visão do sofrimento, Eliú também não poupou o homem da terra de Uz:

“Neste mundo não há ninguém como Jó, para quem é tão fácil zombar de Deus como beber um copo de água. Ele anda com homens maus e se ajunta com gente que não presta” (34.7, NTLH).

“Jó é pecador, um pecador rebelde. Na nossa presença, zomba de Deus e não pára de falar contra ele” (34.37, NTLH).

“Jó, você não tem o direito de dizer para Deus que você é inocente” (35.2, NTLH).

“São os outros que sofrem por causa dos pecados que você comete” (35.8, NTLH).

“Não adianta nada continuar o seu discurso; você fala muito, porém não sabe o que está dizendo” (35.16, NTLH).

“Você está sofrendo por causa da sua maldade; cuidado, não se volte para ela!” (35.21, NTLH.)

Com o discurso de Eliú fechou-se o cerco contra Jó. Já não havia ninguém a favor do homem da terra de Uz. Todos declararam impiedosamente e à uma voz que Jó era o único responsável pelo sofrimento dele: estava colhendo o que plantara (Gl 6.7-8).

Apesar de Deus

Ninguém tinha conhecimento do que estava acontecendo fora do palco, nos bastidores do inferno. Nem a principal vítima, nem a sua mulher, nem os demais parentes, nem a vizinhança, nem os conhecidos, nem seus antigos hóspedes, nem seus servos e servas, nem os rapazotes que brincavam displicentemente nas ruas e praças, nem os miseráveis que Jó havia acolhido em tempo de fartura. Menos ainda os acadêmicos presunçosos que vieram de Temã, de Suá e de Naamate, e o jovem Eliú, igualmente presunçoso. Ninguém sabia nada do profundo apreço de Deus por Jó, das duas provocações de Deus a Satanás (“Reparou em meu servo Jó?”), das alegações de Satanás de que Jó era reto por uma questão de interesse particular, das duas progressivas diminuições do tamanho da cerca que protegia Jó e da poderosa e sobrenatural investida de Satanás contra as posses, contra a família e contra a saúde de Jó. O mais ignorante disso tudo seria o próprio Jó.

Por essa razão, mesmo sem entender nada do que estava acontecendo, e na certeza de que nada está fora do controle de Deus, Jó atribuía tudo ao Senhor, como se pode ver nas declarações assinadas por ele:

“Nasci nu, sem nada, e sem nada vou morrer. O Senhor deu [tudo o que eu tinha], o Senhor tirou; louvado seja o seu nome!” (1.21, NTLH.)

“Sem dúvida, ó Deus, tu me esgotaste as forças; deste fim a toda a minha família. Tu me deixaste deprimido. [...] Deus, em sua ira, ataca-me e faz-me em pedaços, e range os dentes contra mim” (16.7-9).

“Deus fez-me cair nas mãos dos ímpios e atirou-me nas garras dos maus. Eu estava tranqüilo, mas ele me arrebentou; agarrou-me pelo pescoço e esmagou-me. Fez de mim o seu alvo; seus flecheiros me cercam. Ele traspassou sem dó os meus rins e derramou na terra a minha bílis. Lança-se sobre mim uma e outra vez; ataca-me como um guerreiro” (16.11-14).

“Foi Deus que me tratou mal e me envolveu em sua rede. [...] Ele bloqueou o meu caminho, e não consigo passar; cobriu de trevas as minhas veredas. Despiu-me da minha honra e tirou a coroa de minha cabeça. Ele me arrasa por todos os lados enquanto eu não me vou; desarraiga a minha esperança como se arranca uma planta. Sua ira acendeu-se contra mim; ele me vê como inimigo. Suas tropas avançam poderosamente; cercam-me e acampam ao redor da minha tenda” (19.6-12).

“Misericórdia, meus amigos! Misericórdia! Pois a mão de Deus me feriu” (19.21).

Na verdade, Deus não fez nada contra Jó. Porém, permitiu que Satanás fizesse tudo isso e ainda se servisse de sua própria esposa e de seus próprios amigos. Todavia, nenhum desses estranhos acontecimentos tirou o patriarca do caminho reto. É extraordinária sua resistência às circunstâncias esmagadoramente contrárias!

Apesar do próprio Jó
Jó era de carne e osso como qualquer outra criatura. Era homem e não Deus, era homem e não semideus, era homem e não super-homem. Assim como Jesus, em sua forma humana, era igual a qualquer de nós e tinha as mesmas necessidades básicas, como fome, sede e sono, e “passou por todo tipo de tentação” (Hb 4.15). Jó era cercado de limitações e fraquezas. O homem da terra de Uz era irrepreensível e inculpável, mas era santo no sentido restrito. Ele nasceu pecador e era pecador. O pecado habitava nele, estava dentro dele e atuava em seus membros, como aconteceu com Paulo (Rm 7.14-25) e como acontece com qualquer outro mortal.

As dores provocadas pela perda de todos os bens, pela morte de todos os filhos e pela doença mau cheirosa e sem cura, não foram fictícias. Assim como as dores dos cravos que atravessaram os pés e as mãos de Jesus não foram teatrais. Jó sofreu com o mau conselho da esposa e com a incompreensão, a falta de tato, o fundamentalismo religioso, as críticas, as calúnias, as denúncias, a falta de compaixão e a insistência de Elifaz, Bildade, Zofar e Eliú. Nada disso passou despercebido pelo sofrido Jó. Ele chorava — “Meu rosto está rubro de tanto eu chorar” (16.16). Ele ficava perdido, confuso, desesperado, deprimido. Jó fazia reclamações, lamentações, desabafos (não há outro livro com tantos e sérios desabafos como o de Jó). Ele tinha crises de fé. Todavia, o homem da terra de Uz sobreviveu a tudo isso e fazia sua pública profissão de fé: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que no fim se levantará sobre a terra” (19.25).

Jó é um dos mais notáveis exemplos de resistência frente às vicissitudes pelas quais o ser humano pode passar!


Fonte: Editora Ultimato


terça-feira, 31 de maio de 2016

O chamado de Abraão. Gn 12.1-9


O chamado de Abraão é o acontecimento mais importante do Antigo Testamento. Aqui tem inicio a obra da redenção que fora prometida no jardim do Éden (Gn 3.15). Chama um homem para fundar a raça escolhida mediante a qual realizaria a restauração da humanidade. Moisés, escritor do livro, dedicou 11 capítulos ao que aconteceu antes de Abraão, ao passo que 13 capítulos se referem quase exclusivamente à vida pessoal de Abraão. As três grandes religiões monoteístas, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, reverenciam-no como o pai de sua fé.

1)    Deus chama Abrão.

Conhecemos esse homem pelo nome de Abraão, mas ele nasceu Abrão. Seu nome foi mudado por Deus, mas, durante os primeiros 99 de seus 175 anos, ele se chamou Abrão, que em hebraico é “pai exaltado”. Ele viveu em uma cidade próspera, agitada e civilizada conhecida como “Ur dos Caldeus”. A terra dos caldeus – também conhecida como Mesopotâmia – se localizava onde hoje esta o Iraque.


As pessoas da Mesopotâmia antiga adoravam um panteão mítico governado pelo deus da lua, conhecido como Sin, a quem consideravam “o senhor do céu” e “criador divino”. Tal como seus parentes e vizinhos, Abrão adorava ídolos e aceitava a existência de vários deuses como verdade (Js 24.2). Mesmo assim, Deus apareceu especificamente a Abrão e deu-lhe instruções personalizadas: “Sai da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei” (Gn 12.1).

Por que Deus escolheu Abrão? Abrão se afastara dos ídolos de seus ancestrais e buscara o Senhor? Fizera-se digno da misericórdia divina? Longe disso! Deus escolheu Abrão por motivos  conhecidos apenas no céu. Podemos dizer com certeza que Abrão não havia feito nada para merecer o favor divino.

O chamado de Deus a Abrão começou com um imperativo: “Sai da sua terra”.  Abrão tinha de deixar para trás tudo que ele considerava fonte de segurança e provisão – terras e parentes – e confiar que Deus honraria seu compromisso (Hb 11.8).

Você teria a mesma coragem? Coloque-se no lugar de Abrão. Voce tem pouco mais de 75 anos e uma esposa na casa dos 65. Viveu em um único lugar durante toda a sua vida. Tem uma propriedade estabelecida numa cidade familiar, em meio a parentes e à comunidade que você conhece desde que nasceu. DE REPENTE, O SENHOR LHE APARECE em uma manifestação física – seja visual, seja auditiva – cuja aparição não se pode negar, e ele lhe diz que faça as malas e pegue a estrada rumo a um destino não revelado. Consegue imaginar as conversar de Abrão com amigos e vizinhos?

_ Bom, vejo que você está fazendo as malas, Abrão.
_ É.
_ É mesmo? Voce vai sair da cidade?
_ Sim, vamos partir daqui a alguns dias.
_ Sabe, você já não é tão moço. Está pronto para começar do zero em outro lugar?
_ Estou sim. Sarai e eu estamos nos mudando.
_ Sério? Para onde vocês vão?
_ Eu não sei.
_ Voce está arrumando tudo o que tem, deixando tudo o que lhe é familiar, e não faz ideia do lugar para onde está indo? Acaso perdeu o juízo?

2)    Aliança de Deus com Abrão – aliança incondicional.
Temos vários tipos de aliança no Antigo Testamento. No jardim do Éden, Deus estabeleceu uma aliança com Adão e Eva: “Coma livremente de qualquer arvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 2.16-17). Perceba a promessa: “no dia em que dela comer, certamente voce morrerá” (v.17).

Um pouco mais à frente nas escrituras, chegamos ao tempo de Noé, quando Deus disse: “Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei com a terra. Voce, porém, fará uma arca” (Gn 6.13-14). 
Quando as águas do dilúvio baixaram, o Senhor prometeu:
Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra. Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras: o meu arco que coloquei nas nuvens. Será o sinal da minha aliança com a terra” (Gn 9.11-13).


E a aliança que Deus  fez com Abrão foi incondicional. Deus deu uma ordem ao patriarca, e Abrão tinha de obedecer para poder receber as bençãos do Senhor. Mesmo assim, as promessas não continham nenhuma declaração to tipo “se/então/”. Eram simples declarações: 

·        “Farei de você um grande povo” (Gn 12.2)

·        “(Eu) o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome” (v.2)

·        “Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem” (v.3)

·        “Por meio de você todo os povos da terra serão abençoados” (v.3).

Essa Aliança continha três aspectos: UMA BENÇÃO NACIONAL, UMA BENÇÃO PESSOAL E UMA BENÇÃO INTERNACIONAL.

2.1 ) UMA BENÇÃO NACIONAL. Os descendentes de Abrão seriam suficientemente numerosos para formar uma grande nação. Não devemos desprezar o fato de que Deus deu essa garantia a um homem que estava na casa dos 70 anos! A esposa de Abrão, então com 65 anos, não dera à luz nenhuma criança. CONTUDO, o Senhor prometeu: “Farei de você um grande povo”. Essa promessa demorou 25 anos!

2.2 ) UMA BENÇÃO PESSOAL INCONDICIONAL. Isso incluía grande riqueza,assim como proteção pessoal. Mais adiante na história, somos informados que “Abrão tinha enriquecido muito, tanto em gado como em prata e ouro” (Gn 13.2). Ele era conhecido por receber muitas bençãos de Deus, incluindo “ovelhas e bois, prata e ouro, servos e servas, camelos e jumentos” (Gn 24.35). O povo de Canaã se referia a ele como “um príncipe de Deus em nosso meio” (Gn 23.6).

2.3).  UMA BENÇÃO INTERNACIONAL. Mais importante que as bençãos nacional e pessoal, uma benção foi posta por Deus sobre toda a humanidade: “Por meio de você todos os povos da terra serão abençoados” (Gn 12.3). Isso se refere a todas as raças e nacionalidades – o mundo inteiro. Deus traria uma benção a todas as pessoas através dos descendentes de Abrão, a nação hebreia.  Esse povo seria “um reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19.6), responsável por conduzir as nações ignorantes, supersticiosas e idólatras a um relacionamento com o verdadeiro Deus criador (Is 42.6-7). 

3 ) A falta de obediência de Abraão – Atos 7.2-4.
Abrão foi instruído por Deus a sair “da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai” e ir para um lugar a ser revelado posteriormente. Infelizmente, ele não respondeu com obediência completa, mas apenas em parte. Quando saiu de Ur, Abrão levou consigo seu pai, Terá, e seu sobrinho Ló. Abrão seguiu na direção de Canaã – a terra que Deus lhe prometera – , mas não seguiu além de Harã. Em Harã havia um altar ao deus Sin – deus da lua -. Não seria difícil imaginar que o pai de Abrão, a vida toda fora devota dessa divindade. Foi por isso que o Senhor instruiu Abrão a deixar sua família.

Conclusão: Se você sabe o que Deus quer que você faça, a obediência não é complicada. Pode ser difícil, mas não é complicada. Pare de esperar até que seja fácil e desista da busca por alternativas. O TEMPO DE OBEDECER CHEGOU. AGORA...

Bibliografia: Abraão - Charles R. Swindoll
                      O Pentateuco - Paul Hoff


sábado, 28 de maio de 2016

Janela 4/14.



Trata-se de uma janela não geográfica mas das faixas etárias. Diante da pergunta: “Com qual idade você conheceu a Jesus Cristo como Seu Salvador Pessoal”, a pesquisa revela que, em cada grupo de 100 crentes:

04% receberam a Cristo depois dos 30 anos;
10% receberam a Cristo entre 15 e 30 anos;
35% receberam a Cristo entre 10 e 15 anos;
50% receberam a Cristo entre 4 e 10 anos;
01% receberam a Cristo entre 0 e 4 anos.



Observe bem que dentro da JANELA 0/14 temos 86% de decisões por Cristo.
O escritor George Barna chega a afirmar que o maior desafio hoje é formar uma geração com cosmovisão bíblica cristã, e que se uma pessoa não for conduzida a uma experiência pessoal com Jesus Cristo antes dos 15 anos de idade, as chances desta decisão ser tomada depois cai para apenas 6%.

III) CONCEITUANDO A JANELA 0/14

Dentro da tarefa evangelística/missionária, há uma janela que não tem sido levada em consideração — trata-se da janela 0/14.
Janela 0/14 é um conceito que vem sendo adotado pela Aliança Pró-Evangelização das Crianças, no Brasil, para identificar mais de 60% da população mundial, que não só não tem recebido a devida atenção por parte das igrejas e organizações missionárias como também tem sido, em muitos casos, totalmente negligenciada. A janela 0/14 inclui as pessoas de todo o mundo que estão na faixa etária de 0 a 14 anos.
Um fato impressionante é que 60% a 85% das pessoas que tomaram uma decisão ao lado de Cristo e hoje pertencem a uma igreja evangélica, o fizeram entre as idades de 0 a 14 anos.

IV) OLHANDO PARA O MUNDO ATRAVÉS DA JANELA 0/14
Quem olhar com cuidado para a janela 0/14 contemplará uma triste realidade: as crianças, em todos os continentes, têm sido marginalizadas, desprezadas e abusadas.
1) Na área educacional — Existem milhares de crianças analfabetas ou semi-analfabetas, sem acesso à instrução que possa lhes abrir portas para um desenvolvimento intelectual.

2) Na área familiar — É crescente o número de crianças inseguras por causa dos desajustes familiares e da ausência dos pais na formação de seus filhos. Muitas crianças acabam vivendo a maior parte do dia em escolinhas, creches ou com parentes. Alie-se a isto a falta de uma disciplina sadia e dentro dos preceitos bíblicos e temos a "receita" para fazer surgir uma geração rebelde.

3) Na área física — Não se pode precisar o número de crianças traumatizadas pelos maus tratos corporais (espancamentos, queimaduras, mutilações, falta de alimentos, roupas e remédios). Quem descreverá a aflição das crianças que passam pelos campos de refugiados ou vivem em países onde há guerras?
4) Na área psicológica — Não há estatísticas que informem quantas crianças vivem perturbadas pelas ameaças, humilhações e privações de ordem emocional.

5) Na área religiosa — Há um sem-número de crianças enredadas nas malhas das religiões e seitas, nas quais a Salvação depende das boas obras e do esforço pessoal, ou onde o ocultismo, a feitiçaria e a superstição estão presentes.

6) Na área sexual — Atualmente, milhões de crianças vivem humilhadas, sendo levadas a participar de práticas eróticas, exploradas no comércio da prostituição e usadas na indústria da pornografia. O estupro é outra experiência traumática que deixa duradouras marcas.

7) Na área social — Quantas crianças, abandonadas pelos pais e pela sociedade, perambulam pelas ruas das principais cidades do mundo?

8) Na área trabalhista — Em muitos lugares, as crianças são exploradas, sem garantia de emprego, sendo submetidas a jornadas excessivas de trabalho em atividades das mais penosas e difíceis, algumas até ilegais. Há crianças que ficarão com a saúde irremediavelmente afetada devido aos trabalhos que realizam.
Este quadro desolador e constrangedor pode ser encontrados em todos os níveis sociais, sem exceção, e nos leva a clamar: o povo da janela 0/14 necessitaa ouvir o evangelho.

V) OLHANDO PARA A IGREJA ATRAVÉS DA JANELA 0/14
Embora haja igrejas que investem nas crianças, procurando suprir as necessidades dos seus "cordeiros" da janela 0/14, há muitas igrejas que se preocupam apenas em usar as crianças como “iscas”, literalmente, para atrair os seus pais e avós, sem um genuíno interesse na evangelização de discipulado das crianças. O quadro geral é bem desanimador:

 Poucas pessoas habilitadas para ministrar a Palavra de Deus às crianças de forma correta. Os professores são despreparados.

 Poucas atividades envolvendo as crianças em experiências de aprendizado e de serviço ao Senhor: Escola Dominical, EBF, Campanhas, Encontros, Coral Infantil, Sociedades Internas, Acampamentos, etc.
• Pouco material didático apropriado para o trabalho: quadro de giz, flanelógrafo, retro-projetor, slaides, vídeo, trabalhos manuais, cartazes, fantoches, etc. 

 Pouco interesse em investir para se dar o melhor, em todos os aspectos, para que as crianças tenham prazer em estar na igreja e possam conhecer a Salvação em Cristo e crescer na vida cristã.

 Pouca convicção quanto ao fato de que uma criança pode e necessita nascer de novo, reconhecendo que é pecadora e que o sacrifício de Jesus na cruz em seu lugar é suficiente, e que ao receber a Cristo ela passa a ter a vida eterna.
Se uma pessoa, enquanto é criança e faz parte da janela 0/14, passar pela igreja sem receber a Cristo como seu Salvador pessoal, corre o risco de tornar-se apenas uma pessoa "igrejada".
Se a igreja não se preocupar em evangelizar as suas próprias crianças, evangelizará as outras crianças da sua vizinhança, de outras cidades, de outras nações? Infelizmente, não.

VI) OLHANDO PARA A BÍBLIA ATRAVÉS DA JANELA 0/14
Há muitos textos nas Escrituras a respeito das crianças, e em sua maioria estão na forma de mandamentos:
1) Deuteronômio 6:6,7—"Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te".

2) Deuteronômio 31:12 — "Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos, e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam e aprendam, e temam ao Senhor vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei".

3) Provérbios 22:6 — "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele".

4) Mateus 18:5,14— "E quem receber uma criança tal como esta, em meu nome, a mim me recebe... Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos".

5) Marcos 10:14-16— "Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava".

Tanto no Velho como no Novo Testamento, o povo de Deus é desafiado a conduzir as crianças ao Senhor e ensiná-las nos Seus caminhos. A Bíblia é clara em mostrar que a criança é pecadora (Salmo 51:5) e necessita colocar a sua confiança em Deus (Salmo 78:7) para não vir a se perder (Salmo 78:8 e Mateus 18:14).
Jesus também ensinou claramente que a infância é o tempo ideal para a salvação (Mateus 18:1-4). Não é a criança que tem de tornar-se adulta para receber o reino de Deus; pelo contrário, é o adulto que precisa tornar-se como uma criança.

VII) OLHANDO PARA A EXPERIÊNCIA ATRAVÉS DA JANELA 0/14
Como já foi mencionado, 60% a 85% das pessoas que hoje são nascidas de novo, fizeram esta decisão entre 0 e 14 anos. Por quê? Uma criança tem características próprias, que são favoráveis a que venha receber a Cristo:

• É humilde e facilmente reconhece que é pecadora.

• Está numa fase da vida quando é mais fácil crer.

• Está menos presa a vícios e pecados.

Após os 14 anos a situação é completamente diferente: o orgulho, a incredulidade, a desconfiança e o pecado vão dominando o coração. Também há crescentes pressões que vão surgir em sua vida após os 14 anos, as quais aos poucos vão excluindo Deus: muitos estudos, muitas atividades interessantes, a influência dos colegas, a necessidade de trabalhar, etc.
Tem sido comprovado que, na faixa etária dos 15 aos 30 anos, o número dos que fazem a sua decisão por Cristo diminui para 10% a 25%.
A prova de que, à medida que a idade avança, torna-se mais difícil uma decisão por Cristo, está nas estatísticas que afirmam que acima dos 30 anos o número de decisões cai para 5% a 15%.
Se a experiência tem demonstrado que nesta janela 0/14 o trabalho é mais frutífero, por que não se avança com mais estratégias para alcançar este "povo"?
As crianças necessitam urgentemente de algo ou alguém em que possam firmar sua vida, pois há muita instabilidade ao seu redor. Só o Senhor Jesus pode ser este firme fundamento, não apenas para o tempo mas para toda a eternidade.
Outro dado muito importante e significativo é que 70% a 85% dos missionários que avançam mais para anunciar o Evangelho, aprendendo uma nova língua e deixando a sua própria cultura, também fizeram sua decisão por Cristo na faixa etária antes dos 14 anos. Este tipo de missionário é o mais necessário para se completar a tarefa ordenada por Jesus!
Ganhando-se uma criança para Cristo, ganha-se não apenas uma vida salva para toda a eternidade mas também uma vida útil ao serviço de Deus.

VIII) OLHANDO PARA O IMENSO DESAFIO DA GRANDE COMISSÃO ATRAVÉS DA JANELA 0/14
Numa população mundial acima de seis bilhões de pessoas, um pouco mais de três bilhões, seguramente, são crianças:
340 milhões na África;
350 milhões na América;
l,9 bilhão na Ásia;
300 milhões na Europa;
150 milhões no Oriente Médio;
15 milhões na Oceania.
Só no Brasil, o número de crianças até 14 anos de idade chega a mais de 50 milhões.
Pode-se afirmar que, quantitativamente, o maior desafio para a Igreja do Senhor Jesus Cristo nos dias de hoje é alcançar a janela 0/14. Em Mateus 18:14, Jesus disse: "Não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos".
É urgente que as igrejas e organizações missionárias trabalhem com afinco para ganhar o maior número possível de crianças, através das mais variadas estratégias, seja nas igrejas (EBFs, Campanhas, Eventos, Escolas Dominicais); seja nas casas dos crentes (Classes de 5 Dias, Classes de Boas Novas); seja em Instituições (Hospitais, Creches, Escolas); seja nas ruas, nas praias, nas beiras de rios, nos acampamentos, nas tribos mais distantes, etc.
Já estamos na 2ª Década do Século 21. Jesus retornará em breve.
A Igreja está avançando em todas as direções para alcançar todos os povos, até aos confins da terra. Muito trabalho está para ser realizado. A seara é imensa e os trabalhadores são poucos. Olhemos com cuidado, com dedicação, com amor, com esperança, com fé para a janela 0/14 e avancemos para alcançar todas as crianças do mundo inteiro com o precioso Evangelho de Cristo!
Venha para missões na janela 0/14.


Gilberto Celeti
superintendencia.apec@apec.com.br