terça-feira, 23 de agosto de 2016

Isaque, o sorriso de uma promessa. Gn 21.1-7.


Introdução: O óvulo feminino. 
Quando a menina está no quinto mês, dentro da barriga da mãe, tem 7 milhões de células tronco, produtoras de óvulo. As células mães se transformam em óvulos; ou seja, eram sete milhões de células troncos que se tornaram sete milhões de óvulos. Quando nasce, esses 7 milhões viraram um milhão e meio, ou seja, perdem 80% dos óvulos ainda na barriga da mãe. Quando chega na puberdade (12 anos) somente restam 500 mil óvulos, vai diminuindo; cada mês que passa (menstruação) uma mulher joga no lixo oitocentos óvulos, para ovular um!  Ou seja, da puberdade a menopausa a mulher vai ter 500 óvulos para ovular, o resto é jogado fora. Os óvulos tem a mesma idade das mulheres mais os cinco meses que ficaram na barriga da mãe.



1) Promessas e promessas.

Deus não tem pressa.  Enxergarmos todos os eventos a partir da limitada perspectiva do tempo. Deus,  porém, não está restrito pelo tempo ou pela perspectiva humana. Ele vê os eventos na terra do alto, desde Genesis 1.1 até o final das coisas; e ele enxerga todos os fatos de uma vez. Aqueles que se aprofundaram em seu relacionamento com Deus aprenderam a esperar com expectativa em vez de se preocupar.

Salmo 37.3:  Confia no Senhor e faze o bem”; v.4: “Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração”; v.5:  Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará”; v.7: “Descansa no Senhor, e espera nele”.

Deus nunca se esquece de suas promessas. Deus é sempre digno de confiança. As pessoas às vezes se esquecem do que disseram e quem disseram, mas a memória do Senhor não diminui com o passar do tempo (2 Tm 2.13). Eis um exemplo:

Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras”. 1 Ts 4.16-18.  

As promessas de Deus estão ligadas ao contexto em que foram firmadas. As promessas do Senhor não são todas universais. Nem toda promessa é para todo mundo. AO LER UMA PROMESSA, PRECISAMOS FAZER ALGUMAS PERGUNTAS: A quem Deus está falando? Em qual circunstancia ele fez a promessa? Quem será afetado pela promessa? A promessa é universal, afetando qualquer pessoa que já tenha vivido? Ou Deus direcionou a promessa a uma pessoa ou a um grupo especifico?

Algumas promessas universais:
·        Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28).

·        “Quem crê no Filho tem a vida eterna” (Jo 3.36).

·        “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida” (Jo 5.24).

Algumas promessas especificas:
·        Prometi tirá-los da opressão do Egito para a terra onde há leite e mel com fartura”. (Ex 3.17). Deus fez essa promessa aos descendente de Abraão que viviam sob o governo opressivo do Egito.

·        Sua dinastia e seu reino permanecerão para sempre diante de mim; o seu trono será estabelecido para sempre” (2 Sm 7.16). Essa promessa é para Davi, garantindo-lhe que nenhuma outra dinastia teria a benção divina para conduzir Israel e que o MESSIAS por fim governaria como rei.

·        Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las. Assim será a sua descendência” (Gn 15.5). Essa promessa Deus direciona para Abraão e mais ninguém.

1)    A soberania de Deus.
POR QUE ABRAÃO AGUARDOU TANTO TEMPO? POIS, havia mais coisas em jogo nessa promessa do que apenas um menino. Deus estabeleceu uma aliança com Abraão como o primeiro passo em um plano de proporções cósmicas – uma estratégia ampla e predeterminada por meio da qual ele redimiria o mundo do pecado e do mal. Isso envolveu multiplicar os descendentes de Abraão a ponto de se tornarem uma nação, abençoando-os com provisão e proteção e, então, estabelecendo-os na Terra da Promessa.

Portanto, Abraão e Sara não tinham razão para duvidar. Infelizmente, duvidaram. Abraão duvidou da provisão do Senhor e CORREU para o Egito. Eles duvidaram dos detalhes da promessa divina, o que os levou a CORRER na frente e conceber um filho por intermédio de Hagar. Mais de uma vez, Abraão duvidou da proteção de Deus e mentiu para salvar sua pele dos reis pagãos.

Mas, “O Senhor foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera. Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice” (Gn 21.1-2). Cerca de um ano antes, o Senhor prometera que Sara conceberia e daria à luz um filho. Isso aconteceu “na época fixada por Deus em sua promessa” (v.2). Sara estava com 90 anos, e Abraão, com 100 anos!

A expressão “na época fixada” vem de uma única palavra hebraica que pode ser usada para descrever um tempo ou um lugar designado para um propósito especifico (Gl 4.4). o conceito de “época fixada” guarda enorme importância para os hebreus. Em Eclesiastes, livro escrito por Salomão, esse sábio rei reflete sobre eventos mundiais e como eles estão relacionados ao cuidado soberano de Deus:

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Eclesiastes 3:1-8

O poema prossegue usando 28 vezes a palavra hebraica traduzida por “tempo”,em referencia a praticamente todas as atividades humanas que pudermos citar. Nada acontece fora do plano de Deus, e tudo acontece exatamente no tempo que ele planejou. PORQUE CADA EVENTO OCORRE EM UMA ÉPOCA FIXADA, NADA SURPREENDE O SENHOR. Isso é SOBERANIA.

2)    O nascimento de Isaque.

Finalmente, na época fixada, Abraão e Sara receberam o cumprimento de sua promessa. Aos 90 anos, Sara deu à luz um filho e, em obediência a Deus, deu-lhe o nome de Isaque, que significa “ele ri”. Anos antes, Abraão caíra na risada ao ouvir o Senhor afirmar: “Sara, sua mulher, lhe dará um filho” (Gn 17.19). Quando Deus veio outra vez para anunciar: “Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher, terá um filho” (Gn 18.10). Sara também riu em descrença. Ela já estava com a idade da maioria das bisavôs daquele tempo.

Quando Deus realizou o impossível por meio desse casal idoso, a risada da descrença deles transformou-se em sorriso de alegria, de prazer, de louvor (Gn 21.4-7).

Sara, na verdade, disse: “Dei um filho a este velho!”. (Interessante notar que ela via seu marido como um velho). Hoje, veríamos os queridos e velhos Abraão e Sara nos shopping Center com andadores, num passo lento.

CONCLUSÃO: 
Em obediência à ordem de Deus, Abraão circuncidou seu filho aos 8 dias de vida. Isso significava que o menino estava inserindo na promessa que Deus tinha dado a Abraão, em Ur dos Caldeus.




terça-feira, 16 de agosto de 2016

As filhas de Ló – Gn 19: 30-38.


Introdução:  Há algum tempo, o evangelista Billy Graham escreveu: “A obssessão pelo sexo sempre foi uma marca das civilizações decadentes”.  Nossa cultura ocidental é viciada no sexo. Por exemplo, o que aparece na televisão e nos outdoors costumava ser considerado pornografia. Um pesquisa nos Estados Unidos afirma que “51% dos meninos e 32% das meninas viram pornografia antes dos 13 anos de idade”.

A imutável lei de plantar e colher continua firme e forte. Somos agora infelizes depravados morais, e buscamos em vão uma cura. As ervas daninhas da indulgência cresceram mais do que o trigo do comedimento moral.  Nossos lares sofreram. O divórcio cresceu a ponto de alcançar proporções epidêmicas. Quando os padrões de conduta estão desajustados, a família é a primeira a sofrer. O lar é a unidade básica de nossa sociedade, e uma nação é tão forte quanto seus lares. A ruptura de um lar não costuma aparecer nas manchetes, mas ela corrói como cupim a estrutura da nação”. Billy Graham

1)   Um retrato da nossa geração.

O sociólogo Carle Zimmerman, da Universidade de Harvard examinou a ascensão e a queda de impérios no decorrer do século, deu uma grande atenção à correlação entre a vida familiar e a vida nacional.  Alguns aspectos da pesquisa do sociólogo:

·        O casamento perdera sua sacralidade, o divórcio se tornara lugar comum e formas alternativas de casamento foram aceitas.

·        Os movimentos feministas tinham minado os papéis complementares e cooperativos, uma vez que as mulheres haviam perdido o interesse na maternidade e buscado poder pessoal.

·        Criar filhos tornara-secada vez mais difícil, o desrespeito público pelos pais e pela autoridade aumentara e a delinquência e a promiscuidade haviam se tornado mais comum.

·        O adultério passara a ser celebrado, não punido; pessoas que tinham rompido seus votos matrimoniais eram admiradas.

·        Havia tolerância crescente em relação ao sexo incestuoso e homossexual, com um aumento nos crimes relacionados ao sexo.

Parece que as conclusões do sociólogo são tão atuais que chegam a ser assustadoras. Na verdade, ele as escreveu em 1947, ao amanhecer daquela que muitos considerariam a era de ouro da família nuclear!

O pecado, depois da queda de Adão e Eva, alcançou uma profundidade maior. Paulo explica a razão disso: “Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem (Adão), e pelo pecado a morte, assim também a morte  veio a todos os homens, porque todos pecaram; (...) por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores” (Rm 5.12,19). Subtende-se que a depravação é um problema universal; todos nós lutamos contra a natureza pecaminosa que nos puxa para baixo.

2)   Ló foge de Sodoma. 


 O anjo instruiu Ló a fugir para as montanhas. Mas, ele retorquiu: “Não posso fugir para as montanhas, senão esta calamidade cairá sobre mim, e morrerei. Aqui perto há uma cidade pequena. Está tão próxima que dá para correr até lá. Deixe-me ir para lá! Mesmo sendo tão pequena, lá estarei a salvo” (Gn 19.19-20). Eles se refugiaram  em Zoar, mas as coisas não deram certo (Gn 19.30). A escolha de Ló para viver em Sodoma não foi baseada na vontade de Deus. A sua esposa resistiu em sair de Sodoma (uma fossa de esgoto)  e se transformou numa estátua de Sal; Ló ofereceu suas duas filhas para serem abusadas pelos cidadãos da cidade, para proteger suas visitas; preferiu viver em cavernas do que voltar a residir com seu tio, Abraão.

3)   Características de um lar...em Sodoma.
Ausência de uma perspectiva divina. Não sabemos quanto tempo Ló e suas filhas viveram em sua caverna. Tempo suficiente, pelo menos, para que as filhas perdessem a esperança de um dia se casarem. A irmã mais velha virou-se para a mais nova e disse: “Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra” (Gn 19.31). A expressão “que nos possuam” é uma conotação para fazer sexo. Deus está ausente da consciência dessas moças. Em vez de confiar no Senhor, preferiram seguir os mesmos costumes de Sodoma. As meninas cresceram lado a lado com as pessoas da comunidade – parecendo-se com eles, conversando com eles, agindo como eles.


Distorção do discernimento moral. 
Fazendo uso de uma expressão antiga, VOCE PODE TIRAR UMA MOÇA DE SODOMA, mas é difícil tirar Sodoma dessa moça. A filha mais velha de Ló sugeriu uma solução que ela considerava natural e razoável: “Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra. Vamos dar vinho a nosso pai e então nos deitaremos com ele para preservar a sua linhagem (Gn 19-31,32).  QUEM SABE QUANTOS AMIGOS DAQUELAS MOÇAS VIVIAM EM LARES INCESTUOSOS? Com que regularidade elas ouviram colegas falando sobre experiências sexuais com membros da família? Ao que parece, com regularidade suficiente para considerarem tal comportamento normal.

Colapso da autoridade paterna. 
Nenhuma das filhas de Ló tinha consciência do mal que está praticando em deitar com o próprio pai. Elas queriam se tornar mães. Uma mãe precisa de um homem para engravidá-la, e Ló estava convenientemente disponível. Ló, com certeza, não fora um líder espiritual durante os anos do crescimento dessas meninas, e não era de perto um espelho a ser seguido. “Naquela noite deram vinho ao pai, e a filha mais velha entrou e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou” (Gn 19.33).

Aumento da insensibilidade moral. Filhos que são expostos à imoralidade durante longos períodos de tempo perdem a sensibilidade. Tornam-se emocionalmente insensíveis e espiritualmente indiferentes. Se a exposição começar no inicio de sua formação, eles nunca desenvolvem a consciência. (Gn 19.34-35). Em Sodoma Ló conseguira tudo: conforto, riqueza, bens, estabilidade e poder. Ele estava entre os líderes prósperos e influentes da comunidade e possuía uma casa na cidade. Mas, na verdade seu sucesso era completamente superficial, havia apostado tudo em Sodoma e perdera tudo.

4)   Consequências.
“Assim, as duas filhas de Ló engravidaram do próprio pai” (Gn 19.36). De acordo com os dois versículos seguintes, ambas deram à luz meninos.

Nove meses (vss. 36,37) ...e não vemos nem ouvimos nada sobre Ló. Nenhuma vergonha; nenhuma confrontação; nenhuma tristeza; nenhum arrependimento; nenhuma confissão ou nenhum reconhecimento que seja. Até mesmo o nome dado a cada um dos meninos mostra a atitude insolente daquelas moças.

Antigamente, no Oriente Médio, o nome de uma pessoa carregava significado. O nome Isaque siginifica “ele ri”. Um convidado para um jantar seria levado a perguntar: “Por que seus pais lhe deram o nome de “sorriso”? o que levaria a contar a história. Um nome, portanto, era um legado. A filha mais velha de Ló colocou em seu filho o nome de Moabe, que significa “do pai”. A filha mais nova chamou seu filho de Ben-Ami, “filho do meu parente”!

Conclusão: como proteger nossa família da contracorrente do mundo?

A)  Ninguém está imune aos perigos. Ló mudou-se para Sodoma, talvez por estar completamente alheios aos perigos dali ou por pensar que poderia suportar a pressão para que se conformasse ao ambiente. Em Sodoma, a influencia puxou sua família para baixo da correnteza à medida que distanciava de Deus.

B)  Preste atenção aos sinais sutis. Permaneça alerta. Não ignore indicações de que alguma coisa está errada quando você passa tempo com a família ou com os amigos. Crie o hábito de perguntar a si mesmo: Esse tipo de coisa vai me tornar mais saudável? Meus filhos vão se beneficiar disto? Isto é espiritualmente benéfico e sadio? Não passe tempo com pessoas que profanam o que é bom ou que zombam do que é correto.

C)  Declare seu padrão repetidamente e sirva de exemplo. Ló nunca fez isso; ele não tinha padrão. Ele pode ter evitado envolver-se no estilo de vida pecaminoso de Sodoma, mas, de maneira impensada, plantou sua família bem no meio dele.


bibliografia:

Abraão - um homem obediente e destemido - Charles R. Swindoll
Biblia King James Atualizada




domingo, 14 de agosto de 2016

ABRAÃO: um pai...


"Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência. "(Em 4.18.)
Você é pai? Convive com alguém que seja? Caso tenha res­pondido "Sim" a uma dessas duas perguntas, conhece de perto os extraordinários desafios que estão relacionados à paternida­de. Ser pai é algo nobre e compensador, mas é, também, uma responsabilidade muito grande. E, como afirma o dito popular, "não existe escola para ensinar a ser pai". Por isso, bons exem­plos nessa área se tornam especialmente valiosos.
A palavra "pai" está inseparavelmente ligada à figura de Abraão. A começar pelo significado do seu nome de nascimen­to - "Pai exaltado" - e daquele outro pelo qual o Senhor passou a chamá-lo - "Pai de multidões" (Gn 17.5). Os israelitas sempre se orgulharam de intitular-se "filhos de Abraão" (Jo 8.33), e de se referirem a ele como "Pai Abraão" (Lc 16.24). Além disso, o Novo Testamento o chama de "pai de todos os que crêem" (Rm 4.11). Não há dúvida: Abraão foi o pai que todo filho quer ter e que todo homem deseja ser.

Quais são as marcas de um pai exaltado?

 Um pai exaltado é um homem de fé
A trajetória de Abraão foi marcada por seu relacionamento com Deus, e esse relacionamento, por sua vez, distinguiu-se pela fé. Ainda em Harã, "pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por he­rança; e partiu sem saber aonde ia" (Hb 11.8). Atender ao cha­mado divino, escolhendo andar pela fé, foi para Abraão uma decisão única e irreversível. Todavia, essa confiança demons­trada inicialmente precisou amadurecer ao longo dos anos... e das provas.

A Bíblia nos diz que a fé de Abraão lançou raízes desde o princípio, mas frutificou lentamente. Ele cometeu muitos erros, cada um dos quais aconteceu justamente quando a sua fé vaci­lou. Por duas vezes, escondeu que Sara fosse sua mulher, com medo de ser morto (Gn 12.13; 20.2). Também aceitou ter um filho com sua serva, Agar, por receio de que a promessa divina não se cumprisse (Gn 16.3). Abraão teve várias experiências negativas, mas amadureceu com elas. Assim, quando precisou enfrentar o teste supremo - a ordem para sacrificar Isaque -sua fé triunfou maravilhosamente (Gn 22.12). 



Com Abraão, aprendemos que decidir crer é uma coisa que fazemos de uma vez por todas, mas aprender a crer é algo que leva tempo. "Eu não tenho fé", dizemos, muitas vezes, ao nos depararmos com situações difíceis ou reconhecermos nos­sas falhas pessoais. Nessas horas, o exemplo de Abraão nos serve de consolo. Se até o "Pai da fé" teve os seus momentos de dúvida, então certamente não somos um caso perdido! A histó­ria de Abraão nega, definitivamente, a idéia da "santificação instantânea"'. O crescimento é sempre um processo gradual. Ele não se assemelha a uma curva que fazemos de uma só vez, e sim a uma ponte que atravessamos devagar. Assim cresce, também, a nossa fé.

Ter fé em Deus (a qual se fortalece com o tempo e a experi­ência) é algo importante para qualquer pai. Primeiro, porque só com a ajuda de Deus ele poderá cumprir sua missão. Segundo, porque existem coisas que seus filhos precisam e que apenas o Senhor pode dar. E, em terceiro lugar, porque sua vida espiritual se constituirá num modelo para os seus descendentes. Um pai terreno que ensina os seus filhos a confiar no Pai celestial pre­senteia-os com um rico tesouro, que haverá de abençoá-los por toda a vida.

Um pai exaltado é um homem de caráter

Assim como se esforçou por andar corretamente diante do Senhor, Abraão se portou dignamente perante os homens. Ele foi alguém que, com suas palavras e ações, conquistou o res­peito de seus contemporâneos e das gerações que o sucede­ram. Abraão era um homem dedicado ao seu trabalho, fiel aos seus amigos, sóbrio em suas declarações e honrado nos seus atos. Uma pessoa honesta, corajosa e leal.

Quando o pai de Abraão, Terá, deixou Ur dos caldeus, ele se dispôs a acompanhá-lo. Chamado por Deus para peregrinar em Canaã, levou consigo o órfão Ló. Quando os pastores de ambos começaram a se desentender, generosamente permitiu que seu sobrinho escolhesse para si a melhor terra. Abraão também guer­reou para libertar Ló e outros cativos de exércitos invasores, re­cusou-se a receber despojos do rei de Sodoma e entregou os dízimos de seus bens a Melquisedeque. Ele recebeu anjos em sua casa e intercedeu pelos pecadores. Estabeleceu um pacto com Abimeleque e comprou uma propriedade de Efrom. Em cada uma dessas ações, Abraão procurou ser justo e misericordioso. Assim, tornou-se conhecido como um homem íntegro.

Um pai exaltado é alguém que zela pelo seu nome. Ele faz isso honrando os seus compromissos e cumprindo com a sua palavra. Infelizmente, vivemos numa época em que muitos, embora se di­zendo comprometidos com Deus, não evidenciam compromisso com a ética. Eles mentem, traem, distorcem, caluniam, encobrem e sonegam. Seu comportamento não é marcado pela santidade. Sua fala não se caracteriza pela verdade. Assim, por mais que de­sejem apontar um bom caminho para seus filhos, vêem suas me­lhores intenções desfazer-se sob o impacto de seu mau exemplo. É como disse um jovem ao pai que tentava corrigi-lo:
"O que você faz grita tão alto que eu não escuto o que você diz."

As pessoas que mais marcaram a minha vida não foram gran­des pregadores nem operadores de sinais. Foram homens e mulheres simples que, com seu proceder amoroso, me ensina­ram o que é ser um cristão. Ao longo dos anos, tenho buscado imitá-los, certo de que a prova da presença de Deus na vida de uma pessoa se manifesta no seu caráter.

Um pai exaltado é um homem de família

Isso é algo tão óbvio que, à primeira vista, nem precisaria ser mencionado. Entretanto, a verdade é que um grande núme­ro de homens não vive para seus lares. São pais ausentes, que relegam a educação dos filhos às esposas e gastam todo o seu tempo no trabalho. São pais omissos, que não acompanham o desempenho escolar das crianças nem se preocupam em co­nhecer suas companhias. São pais negligentes, os quais não se empenham em fornecer os valores morais e espirituais dos quais os pequeninos precisam para se tornar pessoas de bem.


Paternidade envolve responsabilidade. Não é um aspecto pe­riférico da vida de um homem: é sua prioridade! Aprendemos isso com o exemplo de Abraão. Ele foi alguém que viveu para os seus. Esforçou-se por ser um bom provedor, e também para estar por perto sempre que necessitassem dele. Foi atencioso com seu pai Terá, e generoso com seu sobrinho Ló. Tratou Sara com res­peito, e Isaque, com ternura. Embora fosse um dos homens mais ricos de sua época, considerava o lar seu verdadeiro tesouro. Outros personagens bíblicos não foram tão sábios. Jacó negli­genciou a educação dos filhos na sua ânsia de enriquecer, e Davi deixou de dar à sua família a atenção que ela merecia. Abraão, contudo, priorizou a sua casa. Por isso, até hoje seu nome está associado à palavra "pai".

Stephen Kanitz, colunista da revista Veja, relatou num de seus artigos certa experiência que marcou sua vida. Ele disse que, no começo da carreira, teve um almoço de negócios com um grande empresário. Tratava-se de alguém muito famoso, por quem nutria especial admiração. Para sua surpresa, no meio da refeição o homem começou a chorar. Mal podendo controlar os soluços, ele lhe disse:

"Amanhã é o casamento da minha filha, e eu simplesmente não a vi crescer."
Kanitz havia imaginado sair daquele encontro com algumas dicas profissionais, mas ao invés disso o que extraiu foi uma lição de vida. Decidiu que jamais colocaria sua profissão acima da família. Na sua opinião, essa foi a melhor escolha que fez. Afinal, nenhum sucesso no mundo compensa o fracasso no lar. Talvez seja a hora de rever suas prioridades. Filhos carecem de coisas que o dinheiro não pode comprar. Querem ver seus pais cuidando bem de suas mães. Desejam ouvir declarações de amor. Esperam receber manifestações de carinho. Precisam de conselhos, limites e disciplina. Necessitam de presença, afa­gos e elogios. Pais que se dedicam às suas famílias terão muito do que se alegrar mais tarde. Verão que tomaram a melhor de todas as decisões. Suas vidas serão um sucesso, e jamais um fracasso.


terça-feira, 9 de agosto de 2016

Lembrai-vos da mulher de Ló – Lc 17.28-33


Introdução: Esta é uma advertência SOLENE. Jesus fala sobre a sua segunda vinda; Ele descreve o terrível estado de despreparo em que muitos serão achados. Jesus é aquele que “não esmaga a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega”  (Mt 12.20). Jesus podia chorar por uma Jerusalém incrédula e orar pelos homens que o crucificaram; mas, ele acha que é bom lembrarmos das almas que se perderam.

1)    Os privilégios da Mulher de Ló.
Ela tinha um marido piedoso, embora fosse relutante (2Pe 2.8); através do seu casamento com Ló, Abraão, o pai da fé, era seu tio. Quando Abraão recebeu as promessas pela primeira vez provavelmente ela estava lá (Gn 12). Quando ele edificou um altar próximo a sua tenda, entre Betel e Ai, é provável que ela estivesse lá (Gn 12.8).

Quando o seu marido foi levado cativo por Querdorlaomer e libertado através da intervenção de Deus, ela estava lá (Gn 14.16). Quando Melquisedeque, rei de Salém, veio ao encontro de Abraão trazendo-lhe pão e vinho, ela estava lá (Gn 14.18). Quando os anjos chegaram em Sodoma e advertiram seu marido a fugir, ela os viu (Gn 19.3);quando eles tomaram pela mão e os guiaram para fora da cidade, ela estava entre os que ele ajudaram escapar. ESSES FATOS NÃO FORAM PRIVILÉGIOS INSIGNFICANTES.

No entanto, os olhos de seu entendimento nunca foram abertos; sua consciência nunca foi despertada e vivificada; sua vontade nunca foi trazida a um estado de obediência a Deus; suas afeições nunca foram de fato colocadas nas coisas que são do alto. ELA MANTINHA AQUELA APARENCIA DE RELIGIÃO POR CAUSA DO COSTUME E NÃO POR CAUSA DO QUE SENTIA. O mundo estava em seu coração e seu coração estava no mundo. Nesta condição foi que ela viveu e nesta condição foi que ela morreu.

Joabe era comandante do exercito de Davi; Geazi era servo do profeta Eliseu; Demas era companheiro de Paulo; Judas Iscariotes era discípulo de Cristo e Ló tinha uma mulher mundana e incrédula. Todos estes morreram em seus pecados (1 Co 10.1-5). Foram para o inferno apesar do conhecimento, das advertências e das oportunidades e todos nos ensinam que não é só de privilégio que os homens precisam. ELES PRECISAM DA GRAÇA DO ESPÍRITO SANTO.

O mesmo fogo que derrete a cera, endurece o barro; o mesmo sol que faz com a árvore viva cresça, faz com que árvore morta seque e a prepara para ser incinerada. Nada endurece mais o coração do homem do que a familiaridade com as coisas sagradas”.  

2)    O pecado que a mulher de Ló cometeu.
“E a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal”. Existe algo mais nesse olhar do que se pode perceber à primeira vista.


Esse olhar era algo insignificante, mas revelava o verdadeiro caráter da mulher de Ló. O fruto que Eva comeu era algo pequeno, mas comprovou que ela havia decaído de um estado de inocência e que se tornara pecadora. UMA RACHADURA EM UMA CONSTRUÇÃO PARECE UMA COISA PEQUENA, MAS ISSO PROVA QUE O ALICERCE ESTÁ CEDENDO E QUE TODA ESTRUTURA NÃO É SEGURA.

Aquele olhar era algo insignificante, mas falava sobre a desobediência interior da mulher de Ló. O mandamento do anjo foi direto e inconfundível: “Não olhe para trás” (Gn 19.17). A mulher de Ló recusou-se a obedecer a este mandamento. Mas o Espírito Santo diz “que obedecer é melhor do que o sacrificar” e que “a rebelião é como o pecado de feitiçaria” (1 Sm 15.22-23).

Aquele olhar era algo insignificante, mas falava da incredulidade soberba da mulher de Ló. Ela parecia duvidar de que Deus fosse realmente destruir Sodoma e Gomorra. Entretanto, “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6).

Aquele olhar era algo insignificante, mas falava do amor secreto que a mulher de Ló tinha pelo mundo. Seu coração estava em Sodoma, embora seu corpo estivesse fora da cidade. E este é o ponto principal de seu pecado. “A amizade do mundo é inimiga de Deus” (Tg 4.4). “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2.15).

3)    A consequência do pecado sobre a mulher de Ló.

É dito que ela “olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal” (Gn 19.26). A mesma mão toda-poderosa que primeiramente concedeu-lhe a vida, tomou aquela vida em um piscar de olhos. De carne e sangue com vida, ela converteu-se em uma estátua de sal.

Faraó viu todos os milagres que Moisés executou; Corá, Datã e Abirão ouviram Deus falando no Monte Sinai; Hofni e Finéias eram filhos do sumo sacerdote de Deus; Saul presenciou a plenitude do ministério de Samuel; Acabe, com frequência, era admoestado pelo profeta Elias; Absalão desfrutou do privilégio  de ser um dos filhos de Davi; Belsazar teve o profeta Daniel ao lado de sua porta; Ananias e Safira se uniram à igreja nos dias em que os apóstolos operavam milagres; Judas Iscariotes era um companheiro escolhido  do próprio Senhor Jesus Cristo. Contudo, TODOS ELES PECARAM DE FORMA ARROGANTE CONTRA A VERDADE E O CONHECIMENTO, E TODOS FORAM QUEBRADOS DE REPENTE SEM QUE HOUVESSE CURA.

Conclusão:

A Bíblia ensina que Deus é, em sua compaixão e misericórdia, enviou Cristo para morrer pelos pecadores, também ensina que Deus odeia o pecado e que, por causa de sua natureza, deve punir todo aquele que se apega ao pecado e recusa a salvação. O mesmo texto que declara “Deus amou ao mundo de tal maneira”, também afirma que sobre o incrédulo “permanece a ira de Deus” (Jo 3.16, 36).

A parábola do rico e Lázaro contém ensinamentos que deveriam fazer os homens estremecerem. Não houve lábios que usassem tantas palavras para descrever os horrores do inferno como os lábios de Nosso Senhor. A palavra inferno aparece dez vezes no Novo Testamento  (Mt 11:23; 16:18; Lc 10:15; 16:23; Atos 2:27, 31; Ap 1:18). Em Lucas 16:23 a expressão INFERNO refere-se a um lugar onde os perversos são atormentados. 




 2 Ts 1:9-10:estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu Poder”.

 Mt 7:23: “Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Lc 13:27: “mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos que praticais a iniqüidade”.

Mt 8:11-12: “Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes”.

     Ap 14:9-10: “Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua imagem na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira e será atormentado com fogo e enxofre...”

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Escapa-te por tua vida. Gn 19



Introdução:  O quadro de Leonardo da Vinci -  A ultima ceia.

O grande pintor renascentista – Leonardo da Vinci – levou anos para pintar seu quadro: “A Santa Ceia”. Em vão ele procurava um modelo apropriado para a face do Salvador. Então ele encontrou um cantor de um coral, em uma igreja, cujos traços nobres lhe chamaram a atenção. Imediatamente ele chamou o rapaz por nome Pietro Bandinelli, para posar para o quadro, e deu a Jesus a fisionomia do rapaz em seu quadro.

 Por muitos anos ele continuou pintando o seu quadro. Os discípulos estavam quase todos prontos, e só faltava o modelo para Judas Iscariotes, aquele que traiu Jesus. Da Vinci passou, então, a andar pelas ruas de Roma, procurando um rosto adequado. Finalmente achou a pessoa com o rosto certo. Era o de um sujo e esfarrapado mendigo, com uma expressão ameaçadora em seu semblante. Ele estava parado em uma esquina e logo e foi convidado para servir de modelo, o que imediatamente aceitou. 

Mas quando o pintor contemplou os traços do mendigo mais atentamente, de susto, o seu pincel lhe caiu da mão. Tratava-se do mesmo Pietro Bandinelli, cujo bonito rosto, o pintor havia usado como modelo para o rosto do Salvador. O que havia transformado o anterior rosto angelical em um rosto de bandido, de Judas? A pobreza? A fome? A doença ou coisa parecida? Não, o pecado o havia rebaixado tanto!

1)    O perigo de se contaminar.

Contaminar significa “tornar impuro pela introdução de elementos nocivos ou infecciosos; poluir”. Associações com o mal contaminam nossa vida. O líder Josué dirigiu-se a seus compatriotas hebreus, que haviam entrado em Canaã por meio de luta. Josué Advertiu (Js  23.11-13): "Por isso amem somente o Senhor, nosso Deus. Mas, se vocês não forem fiéis a ele, e fizerem amizade com os povos que ainda estão aí, e casarem com essa gente, podem ficar certos de que ele não expulsará mais esses povos do meio de vocês. Pelo contrário, eles se tornarão perigosos para vocês, como se fossem precipícios, armadilhas, chicotes nas costas ou espinhos nos olhos. E isso continuará até que vocês desapareçam desta boa terra que o Senhor, nosso Deus, lhes deu".

O rei Salomão havia adquirido tudo o que uma pessoa poderia querer na vida. Apesar de toda a sua sabedoria, ele escolheu encher o palácio com mulheres de nações rivais. “A medida que Salomão foi envelhecendo, suas mulheres o induziram a voltar-se para outros deuses, e o seu coração já não era totalmente dedicado ao Senhor, o seu Deus, como fora o coração do seu pai Davi” (1 Rs 11.4).

O livro de Provérbios adverte: “Quem vive contando casos não guarda segredo; por isso, evite quem fala demais” (Pv 20.19). Ele também diz: “Não se associe com quem vive de mau humor, nem ande em companhia de quem facilmente se ira; do contrário você acabará imitando essa conduta e cairá em armadilha mortal” (Pv 22.24-25).

O Novo Testamento ensina essa mensagem, como se pode ver na admoestação de Paulo aos cristãos de Corinto. Esta cidade conhecida por suas prostitutas oficiais, o apostolo escreveu:   "Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais. Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo. Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer". 1 Coríntios 5:9-11

1)    Quem foi Ló?

Ló vivia em Ur dos Caldeus, era sobrinho de Abraão. Com a vinda para Canaã, ambos ficaram ricos e já não podiam mais viver juntos. Abraão, o mais velho dos dois, com um verdadeiro espirito de humildade e cortesia, deixou que Ló fizesse a escolha da terra. Abraão disse: “Se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para direita, irei para a esquerda” (Gn 13.9).


E o que fez Ló? Somos informados que ele viu as campinas do Jordão, próximas à Sodoma, eram ricas, férteis e bem regadas. Era uma terra boa para o gado, cheia de pastagens. Esta foi a terra que ele escolheu para estabelecer sua residência, simplesmente porque era uma terra rica e bem regada (Gn 13.10).

Esta terra estava próxima à cidade de Sodoma! Ele não se importou com isso. Os homens de Sodoma, que seriam seus vizinhos, eram ímpios. Isso não importava. O que importava para Ló é que as terras eram férteis e ricas.

Somos informados de que ele “armou suas tendas até Sodoma” (Gn 13.2). E isso, foi um grande erro. E quando Ló é novamente mencionado, nós o encontramos, vivendo na própria cidade de Sodoma, “morava em Sodoma” (Gn 14.12). Ela havia deixado suas tendas. Havia abandonado o campo e ocupava uma casa naquelas mesmas ruas daquela cidade ímpia.

2)    Sodoma e Gomorra.

Sodoma e Gomorra, essas duas cidades gêmeas controlavam um vale exuberante e fértil pela qual corria o rio Jordão (Gn 13.10).  Esses dois centros populacionais eram o núcleo da atividade econômica de todos os que viviam na parte sul do vale. No entanto, a imoralidade dessas duas cidades se tornara notória, mesmo entre as comunidades pagãs e adoradoras de ídolos localizadas fora do vale (Gn 18.20-21).


Quando os dois anjos desceram em direção das duas cidades (os anjos estavam em forma de homem) , encontraram Ló, sentado junto ao portão (Gn 19.1). Este detalhe revelava que ele não era um cidadão comum, pois havia se tornado participante ativo na politica e no comércio de Sodoma.

Ló, percebeu algo diferente nesses dois homens, e disse-lhes: “Meus Senhores, por favor, acompanhem-me à casa do seu servo. Lá poderão lavar os pés, passar a noite e, pela manhã, seguir caminho” (Gn 19.2).  A cultura da hospitalidade era considerada uma tarefa sagrada e um grande privilégio na cultura de Ló. Ele convidou os anjos a passarem a noite em sua casa, mas os homens de Sodoma, sabendo da chegada dos forasteiros, quiseram ter relações sexuais com eles.

 Eles gritaram para Ló: “Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles” (Gn 19.5). O termo hebraico traduzido por “ter relações” é usado em outras passagens como “conhecer” ou “dormir com”. O texto de Genesis 4.1, por exemplo, diz: “E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu” (Gn 4.1). Sem nenhuma vergonha, eles declararam abertamente o que queriam, não fazendo nenhum esforço para minimizar suas intenções.

Em Ezequiel encontramos outros pecados além da sodomia, EZ 16.49-50: “Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado. E se ensoberbeceram, e fizeram ABOMINAÇÕES diante de mim; portanto, vendo eu isto as tirei dali”. Abominar se refere ao pecado do homossexualismo (Lv 18.22).

Conclusão: Um sinal de alerta.

A urgência na voz dos anjos deve ter sido chocante. Ló não sabia nada sobre a destruição que estava prestes a cair sobre a cidade que ele adotara para viver (Gn 19.12-13). Ele respondeu à pergunta dos anjos com uma rápida contagem de pessoas. Além dele próprio, havia sua esposa, duas filhas e os homens comprometidos com ela.

Ló insistiu com seus futuros genros: “Saiam imediatamente deste lugar, porque o Senhor está para destruir a cidade” (Gn 19.14). Mas, em vez de segui-lo, esses dois homens desprezaram o aviso, achando que se tratava de uma espécie de pegadinha. Estava nítido que eles não viam nada no caráter de Ló que sugerisse que ele tivesse esse tipo de relacionamento com Deus. E ele de fato não tinha!

O tipo de vida que Ló levava evidencia em Gn 19.9: “Este homem chegou aqui como estrangeiro, e agora quer ser o juiz!” Ele nunca tomou parte no pecado deles, mas nunca lhe havia oferecido oposição. Vivia no meio deles com valores que lhe foram ensinados pelo seu tio, mas em vez de se conduzir de maneira autentica e de se apresentar como modelo de melhor conduta, preferiu ser conivente.

ló foi lento quando deveria ter sido rápido, relutante quando deveria ter seguido adiante, vagaroso quando deveria ter sido apressado, tardio quando deveria ter sido afoito, indiferente quando deveria ter sido interessado. Ele não deixou história, legado, pouco sabemos como foi sua vida e como morreu. As escrituras parecem ter estendido um véu ao redor dele, há um silencio doloroso a respeito do seu fim.