domingo, 24 de julho de 2016

Os filhos de Efraim – 1 Cronicas 7.20-27


Introdução:

Não tivemos famílias perfeitas. Não tivemos pais perfeitos. Não somos perfeitos. Não casamos com uma pessoa perfeita. Não temos filhos perfeitos. Não temos netos perfeitos. Se investigarmos a vida da nossa família teremos situações dolorosas pra contar.

A história de Adão e Eva. Tiveram dois filhos, Caim matou Abel.

Abraão, pai da fé, arranjou um filho sem ser da vontade de Deus. E essa criança traz consequências até os dias atuais.

A história de Isaque, dois filhos, que crescem como inimigos. Um teve que fugir de casa pra não ser morto.

A família de Jacó, que somente foi conhecer seu Deus com 93 anos, no Vale de Jaboque. Os filhos não são unidos, e o pai tem predileção por José em relação aos demais filhos. E por isso, ele passa mais 20 anos pra rever o filho.

Moisés, marido sanguinário. Sacerdote Eli, dois filhos criados dentro da igreja eram homens maus, filhos de Belial e que morreram diante de uma tragédia. E na morte, a própria arca da aliança é roubada – ICABODE – foi-se a glória do Senhor.

Profeta Samuel, homem de Deus, no entanto  seus filhos não andaram pelo seu caminho.

Rei Davi, homem segundo o coração de Deus, o filho abusando de sua irmã, irmão matando irmão, etc.

Rei Ezequias, homem piedoso, no período em que Deus lhe deu mais quinze anos. Nesse período ele gera um filho chamado Manassés, e esse foi um dois piores reis de Israel.

 1)    Família de José do Egito.

José, filho amado de Jacó, temente a Deus, fiel ao seu pai,  fiel à Faraó, fiel em toda a sua vida. No Egito, Deus dá a benção a José se casar e ter dois filhos (Gn 41.50-52).

E nasceram a José dois filhos (antes que viesse um ano de fome), que lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.
E chamou José ao primogênito Manassés, porque disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai.
E ao segundo chamou Efraim; porque disse: Deus me fez crescer na terra da minha aflição.
Gênesis 41:50-52

Manassés: perdão (Deus me fez esquecer o que os meus irmãos fizeram comigo).


Efraim (frutífero): Deus me fez prosperar na terra da minha aflição.



Em Genesis capitulo 48.1: “E aconteceu, depois destas coisas, que alguém disse a José: Eis que teu pai está enfermo. Então tomou consigo os seus dois filhos, Manassés e Efraim”.

Havia o costume de receber a benção de Jacó.  No versículo 5, Jacó está dizendo que os filhos de José seriam seus. E, na hora de abençoar os meninos, ao invés de abençoar o mais velho, abençoo o mais novo (v.14-20).

Mas Israel estendeu a sua mão direita e a pôs sobre a cabeça de Efraim, que era o menor, e a sua esquerda sobre a cabeça de Manassés, dirigindo as suas mãos propositadamente, não obstante Manassés ser o primogênito.



E abençoou a José, e disse: O Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia; O anjo que me livrou de todo o mal, abençoe estes rapazes, e seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaque, e multipliquem-se como peixes, em multidão, no meio da terra”.

Reação de José: “Vendo, pois, José que seu pai punha a sua mão direita sobre a cabeça de Efraim, foi mau aos seus olhos; e tomou a mão de seu pai, para a transpor de sobre a cabeça de Efraim à cabeça de Manassés.

E José disse a seu pai: Não assim, meu pai, porque este é o primogênito; põe a tua mão direita sobre a sua cabeça.
Mas seu pai recusou, e disse: Eu o sei, meu filho, eu o sei; também ele será um povo, e também ele será grande; contudo o seu irmão menor será maior que ele, e a sua descendência será uma multidão de  nações” Gênesis 48:17-19.

2)    Os filhos de Efraim: Ezer e Eleada.

Agora, no capítulo 7.21, está dizendo que os seus  filhos Ezer e Eleada foram mortos por serem ladrões de gado. Que mãe que pai, quer ter um filho ladrão, ladino. Um avô mais respeitado do mundo e os netos roubando gado.  As coisas estavam acontecendo no seio da família mas faltou discernimento aos pais, diante do mau que os meninos estavam praticando. José ainda era vivo (Gn 50.23).

E viu José os filhos de Efraim, da terceira geração; também os filhos de Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de José”.
Gênesis 50:23-23

Alguns princípios: nem sempre os filhos andam nos caminhos dos pais, ou no caminho dos avos. Faltou obediência. Resultado: “Por isso Efraim, seu pai, por muitos dias os chorou; e vieram seus irmãos para o consolar” .1 Crônicas 7:22-22. Angustia, dor, tristeza, perdeu a vontade de viver.

 E, acontece outro fato (v.23), nasce outro filho. Chamou  de Berias (as coisas iam mal em sua casa),  significa fracasso. O que Efraim estava fazendo era perpetuar a desgraça em sua família.  Os pais na hora da angustia, dor,  acaba jogando em cima dos filhos a dor daquele que morreu. QUE CULPA TINHA ESSE MENINO DA TRAGÉDIA DOS IRMÃOS QUE MORRERAM!

A filha de Efraim, no entanto, construiu duas cidades: E sua filha foi Seerá, que edificou a Bete-Horom, a baixa e a alta, como também a Uzém-Seerá. 1 Crônicas 7:24. Essa menina diferente dos seus irmãos é empreendedora. Constrói duas cidades. Como pais, sofremos tanto com aquele que é problemático, que não nos alegramos com aquele que está dando certo.  Efraim, não percebe que Seerá está crescendo em projetos, sonhos, realizações dentro da sua casa. O significado dos nomes das cidades era “vazio”, um reflexo do seu lar.

Conclusão: vss- 25-27

Esse menino, Berias, de acordo com o nome seria um fracasso, do mesmo modo que seus irmãos que morreram. Quem foi Josué? Exatamente o homem que Deus levantou pra ser o sucessor de Moisés; é o homem que vai levar o povo pra conquistar a terra prometida.  O nome significa Jesus, Jesus e Josué são nomes análogos.

Deus ainda não terminou de escrever a sua biografia. Deus ainda não terminou de escrever o ultimo capitulo da sua vida. O seu filho que tem sido motivo de sua lágrima, para ser um grande instrumento nas mãos de Deus.



Pregação: Hernandes Dias Lopes. 









quinta-feira, 21 de julho de 2016

A essência da adoração a Deus – Salmo 50

Introdução:
Salmo 50, de autoria de Asafe, também traça uma nítida distinção entre o “verdadeiro” e o “falso”. Nesse caso, o objeto de avaliação não é um título educacional, mas o coração das pessoas que se dizem adoradores de Deus. O próprio Senhor é quem, no salmo, os distingue e se manifesta diante da falsidade dos seguidores nominais. O salmo parece ter sido escrito em um contexto da manutenção de uma religião ritualista, por parte de alguns, que consideravam a forma externa do culto como tudo que importava oferecer a Deus. Não há como negar que, guardadas as devidas proporções, é uma situação que nos lembra o ritualismo seco e morto dos dias do profeta Malaquias: sacrifícios oferecidos diante de Deus por corações distantes, tanto quanto possível, do Senhor digno de todo louvor.
1)   Convocação Geral.


Nesse sentido, os vv.1-6 tratam de uma convocação geral de Israel (v.1) a fim de comparecer diante do tribunal de Deus. O tom sério e grave com que tal convocação é feita é de “arrepiar” e fazer temer – e tremer. Diz o v.3: “Vem o nosso Deus e não se cala; diante dele há um fogo que consome e, ao seu redor, se abate uma enorme tempestade”. Tanto pela figura do fogo como pela da água, a ideia é de uma inevitável destruição para aqueles que forem apanhados por Deus. O motivo de Deus fazer a convocação é (v.4) “para julgar o seu povo”. Quanto ao juiz da questão (v.6), “Deus é aquele que julga”.
2)   O motivo da convocação.



Como que em uma grande assembleia, o Senhor se pronuncia contrário àqueles que o desagradam (v.7): “Eu testemunharei contra ti”. Nessa ação, antes que haja qualquer mal-entendido, Deus já avisa os réus que o motivo do seu juízo não se devia à natureza, em si, dos sacrifícios que lhe ofereciam no Templo (v.8): “Eu não te reprovo devido aos teus sacrifícios e aos teus holocaustos”. Apesar disso, o Senhor decreta (v.9): “Não aceitarei bezerro da tua casa, nem bodes do teu cercado”. A pergunta natural é: se o problema não era o sacrifício em si, tanto nas disposições técnicas como na qualidade dos animais, qual, então, era o motivo da repreensão?
Depois de o Senhor dizer que não precisa dos sacrifícios oferecidos a ele, no sentido de não ter necessidades que possam ser supridas por ofertas (vv.10-13), ele, então, toca no ponto sensível da questão: a motivação dos ofertantes. Eles participavam dos rituais ditados pelo Senhor, mas seu coração não acolhia nem seus ensinos, nem tampouco o amor por aquele a quem sacrificavam. A triste situação de uma religião apenas nominal e ritualista é exposta nos vv.16,17: “Mas Deus disse ao ímpio: que vantagem tens em repetir os meus preceitos e em carregar a minha aliança na tua boca, quando tu odeias o ensino e lanças fora as minhas palavras?” . Deus, que viu tais defeitos no coração dos ímpios, deu-lhes prova, também, do conhecimento a respeito dos efeitos externos da sua desobediência e da sua insubmissão. Deus lhes acusa de aprovar a desonestidade e a imoralidade (v.18), de serem maldosos e trapaceiros (v.19), de trair seus próprios irmãos (v.20) e de menosprezar a santidade do Senhor (v.21). Eis os motivos pelos quais Deus rejeitou os ímpios e os sacrifícios deles, a exemplo de Caim. Quando o Senhor rejeitou a oferta de Caim, não foi pelo seu conteúdo, mas devido à maldade do ofertante. Por isso, disse a Caim: “Se procederes bem, não é certo que serás aceito?” (Gn 4.7a) – há quem diga que a oferta de Abel foi aceita por ser “oferta de sangue”, mas a Bíblia não dá subsídios para tal visão extemporânea e confere à fé de Abel o motivo pelo qual ele e sua oferta foram aceitos (Hb 11.4).
Assim como Deus instruiu Caim sobre o modo de ser aceito, fez o mesmo aos ímpios a quem se dirige, noSalmo 50, em tom reprobatório. Fazendo isso, aponta três traços do culto verdadeiro.
3)   Como Deus aceita nossa adoração. 


O primeiro deles é um coração genuíno. A primeira parte do v.14 diz: “Ofereça sacrifícios de gratidão a Deus”. Apesar de os servos nominais do Senhor, pelo que diz o próprio texto, apresentarem a Deus suas ofertas – aquelas que Deus passou a recusar no v.9 –, Deus orienta o modo como deveriam ocorrer: com gratidão. Parece redundante: “Sacrifícios de gratidão com gratidão”. Entretanto, o que Deus quer ressaltar, por meio do salmista, é que a oferta exterior deve corresponder à devoção interior. Nesse aspecto, a oferta deve vir de um coração genuíno e, assim, fazer sentido e ser verdadeira. E isso vale para todas as áreas pelas quais os cultos são prestados ao Senhor.
O segundo traço é a fidelidade a Deus. A sequência do v.14 diz: “E mantenha os seus votos para com o Altíssimo”. O texto não explica que votos são esses, mas, quaisquer que fossem, com fidelidade deveriam ser cumpridos. Independente de haver votos pessoais e pontuais, cada geração de israelitas renovava com Deus a aliança mosaica. Ela tinha um caráter bilateral. Diferente de outras alianças, tanto Deus como os homens se comprometiam com especificações de deveres e direitos. Do seu lado, Deus sempre foi fiel. Da parte dos servos, a ordem é que ajam do mesmo modo.
Finalmente, o terceiro traço é a submissão dependente. Diferente dos homens que desprezavam as palavras do Senhor (v.17) e, na verdade, o próprio Senhor (v.21), o servo verdadeiro conhece sua posição e a posição de Deus. Sabendo disso e obedecendo as orientações divinas, o v.15 revela um dever do servo. Diz-lhe o Senhor: “E clame a mim no dia do perigo”. A dependência demonstrada nessa atitude revela a submissão do servo ao Senhor por saber que somente Deus tem poder para cuidar do homem que lhe pertence. E quando isso acontece, a atitude do verdadeiro servo é assim descrita por Deus: “Você me honrará” ou “você me glorificará”.
Tal é a distinção entre o servo verdadeiro e o servo falso; e a distinção entre o culto verdadeiro e o culto falso; entre aquilo que Deus aceita e aquilo que ele rejeita. Não há espaços para demonstrações vazias. Não há lugar para ritualismos que não refletem a adoração viva vinda do íntimo dos adoradores. Não quando Deus conhece tudo, incluindo o coração das pessoas. Nem tampouco, quando se sabe que ele não se comove com as aparências, mas que rejeita abertamente a adoração falsa. Com isso em mente, inevitavelmente temos de trabalhar os nossos corações para nos arrepender de pecados, para dedicarmos nosso tempo e nossos esforços a Deus e para sermos autênticos quando declararmos nossa adoração ao nosso criador e salvador. Caso contrário, ofereceremos a Deus um culto tão inútil quanto diplomas de cem dólares que trazem, risivelmente, o título de “doutor em divindades”.
Pr. Thomas Tronco


terça-feira, 19 de julho de 2016

Aprofundando nosso relacionamento com Deus. Genesis 17


Introdução:

A MAIOR MENTIRA DO MUNDO É: “Qualquer coisa que valha a pena pode ser adquirida imediatamente”. Hoje em dia, julgamos o valor de algo pela rapidez com que pode produzir resultados.

“Se a ganancia é o demônio do dinheiro, Se o desejo é o demônio do sexo, Se o orgulho é o demônio do poder. Então a rapidez é o demônio da intensidade”.

“Mundo é uma atmosfera, um clima. É quase tão difícil para um pecador reconhecer as tentações do mundo quanto é para um peixe descobrir as impurezas das aguas”.


1)    O Silêncio de Deus. 


Treze anos se passaram em silêncio entre os capítulos 16 e 17 de Gênesis. NÃO HOUVE VISÃO. NÃO HOUVE VOZ. NÃO HOUVE VISITAÇÃO. Apenas silêncio: treze anos! (Ap 8.1).

Depois de treze anos, o Senhor rompeu o SILÊNCIO apresentando-se novamente. Quando apareceu a Abrão, ele disse: “Eu sou EL – SHADDAI”. El é a palavra para Deus. SHADDAI  significa “TODO-PODEROSO”.  Uma boa paráfrase seria: “Eu sou Deus; mais especificamente, o Todo-Poderoso”.



A expressão aparece com frequência depois desse ponto, especialmente no livro de Jó (31 das 49 ocorrências no Antigo Testamento). EL SHADDAI carrega o conceito de um Deus “predominante, sempre presente, eterno, onipotente, onisciente, fiel, bom e soberano”. É como se Deus dissesse: “Não fui embora; estive aqui o tempo todo, Abrão. Olá de novo, sou o Todo-Poderoso, caso você tenha se esquecido”.

“Anda na minha presença”. Andar é um ato que leva alguém de um lugar para o outro – lembre-se de que a história de Abrão usa o termo jornada – é uma ação sustentável no decorrer do longo percurso  (Isaias 40.31). Entendemos que a caminhada não é literal; é uma analogia, referindo-se ao relacionamento de Abrão com Deus.

Esse primeiro mandamento “anda na minha presença” levou a outro: “seja íntegro” (Gn 17.1). O termo íntegro significa “completo, pleno, sadio, intacto”. A conjunção  E implica que ser integro resulta da caminhada diante de Deus, uma consequência da outra.

2)    Caminhando com Deus.

Para que Abrão se tornasse pai de uma multidão de nações, ele precisaria ser pai de um filho com Sarai. Para marcar esse momento, Deus deu a Abrão um novo nome. Seu nome de nascimento, “pai exaltado”, honrava o deus-lua, adorado por seu pai. Seu novo nome, “Abraão”, significa “pai de uma grande multidão”. E o Senhor lhe revelou mais detalhes (Gn 17.5-8).

·        Eu o tornarei extremamente prolífero
·        De você farei nações e de você procederão reis
·        Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes
·        Toda a terra de Canaã, onde você agora é estrangeiro, darei como propriedade perpetua a você e a seus descendentes.
·        Serei o Deus deles.
“Estas sãos as coisas com as quais você pode contar. Eu farei tudo isso. Elas são responsabilidade minha. E, Abraão, lembre-se de que é El-Shaddai quem está falando com você”.

Agora, “de sua parte” (Gn 17.9), o Senhor agora muda o assunto, tirando o foco de si para se concentrar em Abraão. A palavra hebraica “guardar” significa “vigiar, preservar, encarregar-se de”. Como sinal dessa aliança, Deus pretendia que cada homem, a começar por Abraão, carregasse um lembrete bastante pessoal. No oitavo dia de um menino, seu pai deveria circuncidá-lo. Com isso, cada menino hebreu se tornaria um filho da aliança. 



Na época de Jesus, muitos fariseus judeus acreditavam que a circuncisão fazia o menino tornar-se automaticamente justo aos olhos de Deus. O apostolo Paulo, todavia, afirma que a circuncisão física é apenas um símbolo do desejo de um homem manter a aliança. Paulo escreve que “judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é operada no coração, pelo Espírito (Rm 2.29)”.

Em seguida, o Senhor voltou-se para o papel de Sarai na questão. Assim como seu marido, Sarai receberia um novo nome: Sara, que significa “princesa”, um nome adequado para uma mulher cujos descendentes governariam como reis (Gn 17.16-19). O Senhor ordenou que Abraão desse a seu filho o nome de Isaque, que significa “ele ri”. Assim, toda vez que Abraão contasse a história por trás do nome de Isaque, teria de admitir sua descrença.

Conclusão:  aprofundando nosso relacionamento com Deus.

Discernimento espiritual. Discernimento é a capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado; capacidade de avaliar  as coisas com bom senso e clareza. Sem discernimento VEMOS SEM OBSERVAR, OUVIMOS SEM ESCUTAR e a vida se torna uma série de experiências sem significado.

Ansiedade nas mãos de Deus. Quando diminuímos o ritmo e aprofundamos nossa relação com Deus, ficamos menos preocupado. Largamos  aquelas coisas que segurávamos tão apertado e que são temporais e passageiras, abraçando apenas aquilo que traz alegria verdadeira; aprendemos a não ter tanto apego às coisas.



Bibliografia: Abraão – um homem obediente e destemido – Charles R. Swindoll.












terça-feira, 12 de julho de 2016

Abrão:  Correndo na frente de Deus – Gn 16.


Introdução:  No Brasil temos uma expressão que é o “jeitinho brasileiro” que é a mesma conotação para “quebrar um galho”  ou “dar um jeito”.  Mas a história do “jeitinho brasileiro” ou de “quebrar galho” pode ser traçada até suas origens na vida do homem que temos estudado no livro de Gênesis—Abrão.  Ele era campeão do jeitinho brasileiro antes de Pedro Alvares Cabral atravessar o mar e “descobrir” o Brasil.


1)    O dilema de Abrão.

Deus prometera a Abrão que seu herdeiro se originaria em seu corpo (Gn 15.4); o menino carregaria o seu DNA. O Senhor até mesmo selou sua promessa com uma cerimônia solene de aliança (Gn 15.17). Mas o tempo havia passado,  Abrão estava ficando velho (10 anos já se passaram em Canaã, ele já tinha 85 anos, e conforme vs. 1 sua esposa era, pelo que tudo indicava, estéril). Imagino dúvidas passando pela cabeça dele: Será que ele não entendia bem a promessa do Senhor?  Será que Deus esperava que ele mesmo fizesse algo?
Então, Sarai se cansou de esperar. A pressão para gerar um filho havia se tornado grande demais, por isso ela imaginou uma maneira de sair daquela situação complicada. Abrão, anos antes havia fugido para o Egito, numa época de fome. Lá no Egito, ele mentiu ao Faraó dizendo que Sarai era sua irmã, para não ser morto. Em troca o rei deu “ovelhas e bois, jumentos e jumentas, servos e servas, e camelos” (Gn 12.16). Entre os servos egípcios estava uma jovem chamada Hagar. Então, muito anos depois, Sarai disse a Abrão: “Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela” (Gn 16.2). 
Sarai não podia gerar filhos, mas Abrão ainda assim poderia ser “pai” de uma nação”, independentemente de sua idade. Afinal de contas, Deus dissera “um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro” (Gn 15.4). Ele não havia estipulado que Sarai seria necessariamente a mãe. A criança nascida dessa união seria considerada como filha (o) da primeira esposa. Se o marido dissesse ao filho da escrava-esposa “você é meu filho”, então este se tornava seu filho adotivo e herdeiro. 


Mas o texto de Gênesis deixa claro, se bem de forma implícita, de que a promessa de uma descendência seria cumprida normalmente, sem subterfúgio, jeitão ou quebra-galho, através de Abrão e Sarai.  Se eles eram “uma só carne”, então a promessa para Abrão era uma promessa também para Sarai!  A promessa feita para 2 velhos já era sobrenatural!  O “jeitinho” só iria diminuir a glória de Deus!  Deus não precisa da ajuda humana!  O fato da promessa quando Abrão já tinha 75 e depois 85 anos deixava isso muito claro.  Já em Gn 15.2,3. Abrão havia questionado Deus sobre a maneira dEle cumprir a promessa, sugerindo que o herdeiro da casa seria o damasceno Eliezer.  Mas Deus esclareceu Não será esse o teu herdeiro; mas aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro (15.4).  O brilho da glória de Deus, da provisão de Deus.
O interessante é que, em toda a discussão, ninguém procurou saber o que o Senhor achava. Sarai não orou. Abrão não sacrificou em um dos altares que havia construído. Como as coisas teriam sido melhores se Abrão tivesse saído na noite estrelada e dito: “Senhor, estamos ficando velhos, e a espera fica mais difícil a cada ano que passa. Nosso desejo tem se tornado quase insuportável. Pensamos em uma maneira de ter filho. Queremos saber se tu a aprovas”.
E nós? Nós também somos tentados a “dar um jeito” na vida quando as coisas não acontecem do jeito como gostaríamos.
Namoro: O exemplo clássico é o namoro, noivado e casamento.  Os padrões de Deus exigem espera, às vezes uma agonia de espera.  A tentação de correr na frente, dar um jeito, baixar o padrão de Deus, namoro um incrédulo, segurar um relacionamento pela atração física, cedendo à pressão de colegas, etc.  Tempo sempre é nosso aliado no relacionamento a dois!  Se é de Deus, o tempo só irá confirmar isso!  O caminho de Deus inclui pais, pastores, pureza e ética bíblica. 


 -Finanças: O perigo das dívidas...pegue agora, pague depois (não é pecado, mas também não é fé.  Até 50% das pessoas nas igrejas estão endividadas ao ponto de criar sérios obstáculos, preocupações, discussões, etc.
2 ) As consequências.
Os resultados da decisão de Sarai e de Abrão não demoraram a aparecer. A barriga de Hagar ainda não havia começado a crescer quando a serva começou a tratar Sarai com desprezo (Gn 16.4). A palavra hebraica para desprezo significa “pequeno, insignificante, sem valor, desonroso” (Pv 30.21-23).  Da perspectiva da Sarai, ela  sentia-se totalmente abandonada, a vítima da história, pois ela havia procurado o bem do marido, e ele não a protegeu.  Da perspectiva de Abrão, certamente não entendeu mulheres (cp. Einstein—“Ainda não entendo mulheres”).
A ideia de fazer Hagar conceber um filho substituto teve um efeito contrario ao desejado e, em vez de finalmente trazer alegria para o lar, causou desentendimento entre todos. Sarai disse a Abrão: “Caia sobre você a afronta que venho sofrendo. Coloquei minha serva em seus braços e, agora que ela sabe que engravidou, despreza-me. Que o Senhor seja o juiz entre mim e você”.
Abrão respondeu: “Sua serva está em suas mãos. Faça com ela o que achar melhor” (Gn 16.6). Essa foi sua maneira sutil de afirmar: “Foi você quem inventou isso tudo. Voce plantou, agora colha!”. Abrão, que em todo o texto é muito passivo, obedece a sua esposa (interessante que os termos usados refletem a narrativa do primeiro pecado quando Adão escutou sua esposa, e tomou do fruto proibido Gn 3.6), toma Hagar, tem relações e gera um filho.  Vemos o fruto do pecado em que a mulher toma a frente e o homem se torna passivo...
2)    Hagar: resgatada por Deus.

Vendida como escrava/serva 10 anos antes; fora da terra, longe dos familiares.  Considerada como “posse”, um instrumento para ser usado pelo patrão e patroa.  De repente, a alegria de ser, aparentemente, o cumprimento da promessa que Abrão esperava ao longo de 86 anos! Mas de repente, abandonada pelo pai do filho. Pela segunda vez em sua vida Abrão expõe uma mulher dele ao perigo! Humilhada ainda mais, mal-tratada pela patroa.  Sozinha, talvez numa estrada perigosíssima durante uma semana, uns 100 km de casa, grávida, rejeitada, sem marido, e agora ela está perdida.
O Anjo ministra graça na vida de Hagar, que afinal de contas, é inocente em tudo isso.  Ela era vítima, e mesmo tendo se exaltado contra a patroa, tudo começou com Sarai, não ela.  Nos vss. 13-16 lemos a resposta de Hagar à promessa do Senhor.  Ela é mais justa que Abrão e Sarai neste texto.  Ela acreditou no Senhor e na Sua Palavra.  Ela “invocou o nome do Senhor”, frase que já vimos em Gênesis (4.26) e que signficia “declarou os atributos, o caráter, de Deus”. 

O que aprendemos, e que Hagar sabia por experiência e Abrão e Sarai não, é que DEUS OUVE E DEUS VÊ.   Se o casal tivesse vivido assim pela fé nestes atributos de Deus, não teria falhado em sua fé!  Deus sabia que Sarai era estéril.  Deus sabia o quanto o casal desejava filhos.  Deus via.  E Ele teria ouvido seu clamor, se tivesse orado em vez de calculado.



Já aprendemos pelo nome do filho que iria nascer, Ismael, que Deus OUVE.  Agora Hagar declara que Deus é o Deus que VÊ também.  Deu nome à fonte (Beer-Laai-Roi = “poço de quem vive e me vê”) para comemorar para sempre o fato de que Deus nos ouve e vê—não fica alheio ao nosso sofrimento!  (Essa é a única vez na Bíblia que alguém da nome para Deus.)  Ela vai ao nosso encontro no momento da nossa aflição!  Ele sabe que somos vítimas, e Ele consegue até tirar bem do mal (50.20).

Em toda vida
Há uma pausa que é melhor do que a pressa progressiva,
Melhor do que derrubar ou realizar algo poderoso;
É a parada diante da vontade soberana.
Existe uma pressa que é melhor do que o discurso ardente,
Melhor do que suspirar ou chorar no deserto;
É acalmar-se diante da vontade soberana;
A pausa e a pressa entoam uma canção
Em uníssono, sempre em voz baixa,
Ó alma humana, o plano de Deus
Prossegue, não precisa da ajuda do homem!
Acalme-se e verá!
Tenha calma e saberá!




sexta-feira, 1 de julho de 2016

O Senhor é o meu pastor e nada me faltará. Salmo 23


Este é considerado o mais belo e conhecido cântico de confiança de Davi em Deus. Neste Salmo não se manifestam queixas  de aflição ou súplicas por livramento. É uma expressão poética de gratidão ao Senhor. Davi usa a metáfora preferida dos reis – retratar Deus como supremo pastor – que provê todas as necessidades de suas ovelhas (seu povo, seus filhos) e as protege e defende.

1)    O Senhor é o meu pastor. 

Era natural para um pastor da comunidade pensar no Senhor como seu pastor,  que “fez sair seu povo como ovelhas e o guiou pelo deserto” Salmol 78.52: “Mas tirou o seu povo como ovelhas e o conduziu como a um rebanho pelo deserto”; Salmo 80.1: “Escuta-nos, Pastor de Israel, tu, que conduzes a José como a um rebanho; tu, que tens o teu trono sobre os querubins, manifesta o teu esplendor”.

O cristão não pode ler ou cantar esse Salmo sem pensar em Jesus Cristo, que teve a coragem de aplicar  a metáfora de Jeová para Si. É Ele quem é para nós “o bom pastor” (Jo 10.11-14; 1 Pe 5.4; Hb 13.20).

Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. 

Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. 


1.1)         Ele me leva para “verdes pastos”.



Eram remansos ou campinas de relvas com pequenas lagoas, onde as ovelhas podiam encontrar refrigério, segurança, paz e repouso. Deus se coloca como pastor para mostrar ao mundo que não trata o seu rebanho como um mercenário.

1.2)         “Refrigera a minha alma”.




Essa expressão traz o sentido literal de “CONVERSÃO DE TODO O SER” ou renascimento do fiel. Pode retratar ainda, a ovelha desgarrada que é trazida de volta (Is 49.5; 60.1; Os 14.1-2). Por outro lado, “restaura o vigor” é muito mais do que simples refrigério. Significa a possibilidade de um novo começo de vida. Deus, por zelo (amor) ao seu nome, nos converterá e transformará em pessoas cujos caminhos serão os do Senhor.

1.3)         “o vale da sombra da morte”.



Os “verdes pastos” e “o vale da sombra da morte” são “ambos” caminhos do Senhor. A palavra  hebraica salmawet, cujo significado literal é “sombra da morte”, tem o sentido de “escuridão” e de fases criticas da vida, quando não conseguimos enxergar a saída (Jó 38.17; Jr 2.6; Mt 4.16; Lc 1.79).

Nosso Senhor é Deus e também Pastor e companheiro. Sempre que necessário, ele caminha ao nosso lado e não só a nossa frente. O Senhor nos acompanha armado de “vara” (uma espécie de cassetete carregado à cintura) e de “cajado” (para ajudar a caminhar e para  conduzir o rebanho, que era também arma e instrumento de controle, pois a disciplina gera confiança e segurança. Em última análise, só o Senhor pode nos guiar através da morte; todos os demais guias, parentes e amigos recuam ou permanecem, e o viajante tem de prosseguir sozinho.

1.4)         “Banquete na presença dos meus inimigos”.



No Oriente Médio, um homem que fosse perseguido por seus inimigos precisava entrar, ou ao menos tocar, na tenda do monarca em quem buscasse refúgio, para estar seguro. Seus inimigos eram obrigados a deter-se e olhar de fora para dentro, sem nada pode fazer contra o perseguido, agora hóspede e, portanto, protegido por seu hospedeiro. 

Como era costume dos anfitriões mais hospitaleiros, a cabeça do hóspede era ungida (untada, umedecida com substancia oleosa e perfumada) e farta refeição era oferecida (Gn 31.54). Todas as necessidades são supridas e todos os inimigos afastados, pois o Anfitrião é mais que um hospedeiro; é amigo do hospede.

No mundo do Antigo Testamento, comer e beber na casa de alguém criava um vínculo de compromisso, amizade e lealdade mútuas. Foi assim em Ex 24.8-12, onde os anciãos de Israel viram a Deus e comeram e beberam. O mesmo ocorreu na última ceia, quando Jesus anunciou ser aquele o cálice de uma nova Aliança em seu sangue (1 Co 11.25). Deus deseja conviver conosco por todo o sempre, literalmente “para a duração dos dias” (Mt 22.32). 

Nesse compromisso, a felicidade e as misericórdias (amor leal) de Deus acompanham (literalmente: perseguem) os fiéis, assim como Seus juízos perseguem os ímpios (Sl 83.15).



Bibliografia: Biblia King James Atualizada.