segunda-feira, 13 de junho de 2016

 O LIVRO DE SALMOS

"Os Salmos nunca deixaram de alimentar a oração dos judeus e dos cristãos. isso é um sinal do seu alto potencial nutritivo. Podemos considerá-los como alimento básico do povo de Deus, assim como são para nós arroz e feijão ou pão e carne, dependendo dos costumes regionais".



Autores do livro.

O livro dos Salmos não foi escrito de uma vez só nem por um autor só. Observe os autores dos Salmos.

Davi escreveu, 73.

Asafe escreveu, 12 (50, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 83).
Os filhos de Core escreveram, 11 (42, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 84, 85, 87, 88).

Salomão escreveu, 2 (72, 127).

Hemã escreveu, 1 (88).

Etã escreveu, 1 (89).

Moisés escreveu, 1 (90).

Anônimos, 49.

Asafe, Hemã e Jedutum eram os dirigentes sobre os cantores da época de Davi. I Crônicas 25. Core, neto de Cora, com seus filhos eram os guardas do tabernáculo da época de Davi. Guarda é carregador. I Crônicas 19:19. Etã era um músico da época de Davi. I Crônicas 25:19.

Data do livro.
Os Salmos foram ajuntados durante mil anos. 1400-444 a.C. Moisés a Esdras. Deve ser que foi Esdras que fez a compilação e organização dos Salmos.

Apesar do fato que os Salmos foram escritos durante mil anos, e por autores de culturas, experiências e fundos diferentes, o livro tem uma união e harmonia maravilhosas. Esta união e harmonia somente podem ser explicadas pela inspiração divina.

Nome do livro.

Salmo é uma palavra grega (provavelmente vem da Septuaginta) que significa “Cânticos tocados nos instrumentos de corda”. Saltério vem da mesma palavra e é um tipo de harpa. O nome “Salmos” fala da coleção toda de salmos que estão neste livro. Em hebraico este livro é chamado o livro de orações ou o livro de louvor.

Houve uma polêmica na idade média sobre a música na igreja. A questão foi: a música da igreja deve ser somente dos salmos? A outra música serve também? Imagine como seria a sua reação com a música que a maioria das igrejas tem agora hoje em dia?

Devemos fazer uma observação sobre a música. A música deve louvar o Senhor Deus e não o músico nem o cantor. A música deve chamar a atenção para o nosso Salvador e não a nós. A música deve ser de acordo com a Palavra de Deus e não só ter som bonito e agradável aos ouvintes. Muita música cantada na igreja hoje em dia é mundana, sentimental, emocional, errada e herética. Mas tem som que agrada o mundo. Uma igreja deve deixar alguém cantar nos cultos que não pode pregar no púlpito? Salmo 47:7. É melhor louvar o Senhor que nos tirou da sujeira do pecado com a verdade e ordem da Palavra de Deus.

Esboço do livro.

1. Este livro é cinco livros em um livro. Note o seguinte.
Primeiro - Salmos 1-41.

Segundo - Salmos 42-72.

Terceiro - Salmos 73-89.

Quarto - Salmos 90-106.

Quinto - Salmos 107-150.

Cada um dos livros tem introdução e doxologia, quais são o primeiro e o último salmo de cada livro. O livro todo também tem introdução e doxologia, quais são Salmo 1 e Salmo 150.

Todos os Salmos têm títulos menos do que 38, e estes são chamados os Salmos “órfãos”. Alias os Salmos órfãos podem ser do salmo (ou salmos) anterior.

2. O Pentateuco e os Salmos.

O Pentateuco são os cinco livros da lei de Deus. Os Salmos são os cinco livros de réplicas do coração à lei de Deus.

3. Classificações dos Salmos.

Os Salmos podem ser classificados em grupos de Salmos que têm o mesmo assunto ou caráter. Veja o seguinte.
Salmos da Natureza.

Salmos de Caráter.

Salmos de Arrependimento.

Salmos sobre a Palavra de Deus.
Salmos de Adoração.

Salmos sobre o Sofrimento.

Salmos de Segurança.

Salmos de Louvor.

Salmos Messiâncios.

OS SALMOS ESTUDADOS SEGUNDO AS SUAS CLASSIFICAÇÕES.

1. Os Salmos dos Degraus. 120-134.
É um grupo de Salmos que tem este título; Salmos de Degraus. Porque eles têm este nome? Há várias opiniões.
A. Cânticos cantados numa tonalidade mais alta
B. Cânticos cantados na subida da Arca da Aliança ao Monte Sião. I Crônicas 13.
C. Cânticos cantados no lugar mais alto do Templo.
D. Um deles foi cantado em cada degrau subindo ao Templo para adorar Deus.
E. Fala da volta do relógio do sol nos dias de Ezequias indicando que Deus deu mais 15 anos de vida a ele.
F. Cânticos cantados pelos judeus nas suas viagens ao Templo em Jerusalém. É esta que faz mais sentido. Porque? Observe.
A cidade de Jerusalém ficou nas montanhas da Judéia. Jerusalém por isso ficou mais alto do que a terra ao seu redor. Êxodo 34:24. I Reis 12:27. Observe também o Salmo 122 todo, mas em particular o v. 4. Então, quando o povo de Israel viajou a Jerusalém para observar as festas eles cantaram estes salmos subindo ao templo em Jerusalém.

2. Os Salmos Imprecatórios. 35, 58, 59, 69, 83, 109, 137.
Imprecatório significa; “imprecar, amaldiçoar, desejar castigar alguém, rogar pela praga contra alguém”.
Muitos têm problema com isso, até isso causa muitas pessoas não aceitar a Bíblia como sendo a Palavra inspirada de Deus. Observe alguns versículos que falam deste jeito. 5:10, 6:10, 28:4, 55:15, 58:6, 140:9-10, 149:7-9. Observe também alguns versículos no Novo Testamento. II Timóteo 4:14. Gálatas 1:8-9. Observe as objeções dadas aos versículos imprecatórios.
A. É contrário aos sentimentos mais elevados da natureza humana como compaixão e amor.
B. É contrário aos preceitos da religião como diz em Mateus 5:45.
C. É contrário ao ensino do Novo Testamento que diz amar ao inimigo e perdoar às suas injúrias.
D. São discordantes com a profissão dos salmistas que dizem que têm confiança zelosa em Deus.
Explicação.
A. Não é o perverso pedindo mal contra o bom, cuja bondade o condena.
B. Não é o homem ambicioso querendo eliminar o competidor.
C. Não tem nada a ver com inveja, rancor nem coisa semelhante.
D. Não é contra homens quaisquer, mas contra os malfeitores.
E. Não é vingança pessoal, mas é o pedido a favor da vingança e justiça divinas.
F. Além de tudo isso, há coisa que deve ser castigada. Muita gente não quer admitir que o mesmo Deus que ama também castiga, o mesmo Deus que abençoa também amaldiçoa. Existe o castigo de Deus porque Deus é justo e tem que castigar o pecado e o pecador. Salmo 137:8-9. Mateus 25:41, 26:24. Apocalipse 18:2 e 6, 20:10-15.

3. Os Salmos das Aleluias. 111-118, 146-150.
Na época do Velho Testamento os Salmos das aleluias (111-118) foram cantados em duas vozes. Os cânticos e a música fizeram uma parte muito importante na adoração dessa época. Deve ser para nós também.
Vamos pensar nos cinco últimos Salmos. 146-150. Note que cada um deles começa com “Louvai ao Senhor” e termina com “Louvai ao Senhor”.
Salmo 146. Deus sempre é digno de confiança.
A. Louva ao Senhor enquanto ainda estamos na terra. v. 2. Devemos louvar ao Senhor tanto no tempo ruim quanto no tempo bom. Pense nos perseguidos dos dias passados. Louvai ao Senhor constantemente por sua graça a nós.
B. Confia no Senhor e não nos homens que falham e morrem. v. 3-4. Confiar no homem para suprir as nossas necessidades (físicas e espirituais) é como o cego que guia outro cego.
C. A evidência porque devemos confiar em Deus. v. 5-10. Deus tem poder para fazer que achamos o impossível. A palavra, “Jeová” (O Senhor), é falado cinco vezes nos v. 7-9. Isto mostra que tudo isso está feito pelo Deus onipotente e soberano.
Salmo 147. Louvai ao Senhor como o edificador e o feitor.
A. Deus é o edificador e feitor das coisas espirituais. v. 2. Ele edificou e fez o templo em Jerusalém. Agora é o edificador e feitor da igreja do Novo Testamento. Louvai ao Senhor porque mostrou misericórdia e graça aos pecadores eleitos deste mundo sem Deus.
B. Deus não é só o edificador e feitor, mas também é o que sara. v. 3. Ele sara os quebrantados de coração. Ele pode atar as feridas espirituais todas. Ele é o grande médico.
C. Deus tem prazer naqueles que tem características divinas e agradáveis a ele. v. 11. Tem prazer nos nascidos de novo que são tementes a ele e que tem confiança nele. Tememos porque somos pecadores e por isso esperamos na sua misericórdia.
D. Deus manda a sua Palavra como manda o vento. O vento é o Espírito Santo. O Espírito Santo sopra a Palavra sobre os corações congelados e os pecadores tornam-se crentes em Cristo. v. 18.
E. Deus escolheu Israel para ser a sua nação eleita. Não fez assim com nenhuma outra nação (Israel). v. 20. Deus abençoou Israel e deixou as outras nações na ignorância. É assim também que Deus fez com os seus eleitos. Ele nos amou e chamou pela graça para ser a sua nação santa e deixou as outras pessoas na ignorância ainda. A graça maravilhosa de Deus deve fazer os eleitos cantar, “Louvai ao Senhor”.
Salmo 148. Chamar o universo todo para louvar ao Senhor.
O salmo começa o louvar a Deus lá no céu e depois passa para todos os outros domínios da criação. Assim tem que ser, porque Deus é eterno, soberano e imutável em todo lugar.
Salmo 149. O povo de Deus canta ao Senhor.
A. O cântico novo na congregação dos santos. v. 1. Cantamos louvores ao Senhor na congregação dos salvos. Nosso Deus merece.
B. Regozijamos no nosso rei, não nos seus presentes, mas nele mesmo. v. 2.
C. Louvar ao Senhor com a boca, e lutar contra o mal. v. 6. Cantar com a boca e lutar com a mão. É bem prático.
D. Nosso louvor é ao Senhor e nossa arma é a Palavra de Deus. Em toda maneira e condição a Palavra corta mortalmente o mal.
E. Os santos participarão nas vitórias do seu rei. v. 9. “Esta será a glória de todos os santos”.
Salmo 150. Doxologia – uma última grande aleluia.
A palavra “louvai” é falada em todos os versículos.
A. Onde louvamos ao Senhor? v.1. No santuário, o lugar santo do tabernáculo e do templo. Agora louvamos Deus na igreja do Senhor Jesus Cristo.
B. Porque louvamos o Senhor? v. 2. Por causa dos seus atos. (criação, providência, salvação). Por causa da excelência da sua grandeza. Deus é o Altíssimo Senhor.
C. Com que louvamos ao Senhor? v. 3-6. Com todo tipo de instrumento e tudo quanto tem fôlego. Éramos os instrumentos mortos e entregues ao diabo. Agora somos os instrumentos vivos de Deus. O saltério termina com os santos louvando ao Senhor. Vamos também “Louvai ao Senhor”.

4. Os Salmos de Caráter. 1, 15, 24, 50, 75, 82, 101, 112, 127,128, 131, 133.
Os Salmos que nos ensinam como é que fica o caráter do povo que agrada Deus. O caráter do salvo é importante? Clara que sim. Estes salmos descrevem o caráter do homem que agrada Deus. Vamos estudar o Salmo 1 ajuntando algumas coisas boas dos outros salmos de caráter também.
Salmo 1. A vida reta e justa perante Deus.
A. Este homem tem cuidado em escolher os seus companheiros. v. 1. Observe. Ele não aceita o conselho dos ímpios. Porque os ímpios têm uma idéia de vida pervertida. Ele não segue a vida do pecador. Porque ele anda no caminho errado. Ele está indiferente ao escarnecedor (zombador). A conversa dele tem que deixar para lá e escutar o Senhor. Ele deseja a companhia dos que temem a Deus. Porque as más conversações (companhias) corrompem os bons costumes. I Coríntios 15:33. Veja também Salmo 15:4.
B. Tudo isso significa que é homem de princípios, firmeza e caráter. Salmo 15:4-5. Este homem não pode ser tentado nem subornado para deixar as coisas de Deus.
C. O prazer deste homem é meditar na Palavra de Deus. v. 2. Note a comparação entre o que faz e o que não faz. (v. 1 e 2). A sua mente e o seu coração estão dedicados a Deus.
D. O resultado da vida que agrada Deus. v. 3. Firmeza – Como a árvore plantada à beira do rio, fica firme. O mundo muda constantemente, mas o fiel fica firme. Provisão Inesgotável – Como a árvore plantada à beira do rio a sua força fica constante. Porque a água não falta. O fiel tem a água da vida (a Palavra) sempre ao seu redor para dar a força espiritual. Fertilidade – Como a árvore plantada à beira do rio sempre dá fruto porque tem água suficiente, o fiel sempre dá fruto também por causa da Palavra. É inevitável. Beleza - Como a árvore plantada à beira do rio sempre dá fruto porque tem água suficiente, o fiel é belo na sua vida por causa da Palavra. Poder – Para completar o que começa fazer. A Palavra de Deus e Deus mesmo dá o poder para completar, concluir e continuar o que começou. Este poder vem do Senhor. Jeremias 17:7-8.
E. Os ímpios não são assim. v. 4-6. Moinha – Eles são sem valor e substância. São instáveis e sempre insatisfeitos. Condenados – Eles serão julgados e condenados por causa da sua infidelidade. Deus conhece a diferença – Entre os dois, os salvos e os perdidos.
F. Conclusão. Sinceridade e Santidade. Salmo 24:4. Sinceridade – A pureza de motivo. A diferença entre sinceridade e hipocrisia. Salmo 15:2. Santidade – Sinceridade no coração produz santidade na vida. Salmo 15:2.

5. O Salmo de Moisés. 90. A Brevidade da Vida.
A oração de Moisés escrita no deserto da Arábia.
A. A eternidade de Deus contrastada com a brevidade da vida humana. v. 1-6.
B. A razão da brevidade da vida humana – a ira de Deus por causa do pecado humano. v. 7-11.
C. Oração pelo perdão divino – é só que podemos fazer. Deus é misericordioso. v. 12-17.
D. Observação. Note os vários nomes de Deus neste salmo. Adonai – Significa mestre e dono. v. 1. Quando estamos sofrendo a correção ou a aflição de Deus (como eles no deserto) o melhor que podemos fazer é correr para Deus que é nosso refúgio. Eloim – O Deus supremo triúno. v. 2. Deus triúno, o todo supremo e soberano tem direito para fazer com os seus a sua vontade. Jeová – O auto-existente Deus. v. 13. Deus sempre existe para nós. Enquanto estamos morrendo, ele é a nossa única esperança. Jeová nosso Eloim – O auto-existente Deus triúno. v. 17. Só ele pode confirmar (estabelecer) as nossas obras.

6. Os Salmos de Adoração. 26, 73, 84, 100, 116, 122.
Estes salmos são ricos do ensinamento bíblico pela razão porque os autores assistiram os cultos de adoração. O mundo moderno não gostaria da ambiente mortífera (derramar de muito sangue) do templo, como também agora o mundo não gosta da história da cruz sangrenta de Jesus Cristo. Porque para o mundo a pregação do Evangelho é uma loucura. Mas, para o judeu o lugar mais precioso era o templo. Para o crente assistir a pregação da cruz é a coisa mais preciosa da sua vida.
A. O Salmista gostou de ir ao templo para ter comunhão com Deus. Ele queria gastar a vida toda na casa de Deus. Salmo 27:4. Desejou com um entusiasmo grande estar na casa do Senhor. Salmo 84:2. Achou que um dia na casa de Deus valeu mais do que mil dias em outro lugar. Salmo 84:10. Achou que a posição mais baixa na casa de Deus era melhor do que a glória e prazer dos ímpios. Salmo 84:10. Regozijou quando foi convidado ir à casa do Senhor. Salmo 122:1. Qual é o problema como os crentes que faltam os cultos sem problema?
B. Na casa de Deus temos comunhão com os outros adoradores. Adoração pública oferece mais do que somente a adoração particular de cada pessoa. O salmista odiou a congregação dos malfeitores e nem quis ajuntar-se com eles. Salmo 26:5. Mas teve prazer de estar na congregação dos verdadeiros adoradores do Senhor. Salmo 26:12. Aquele que ama o Senhor Deus busca a comunhão dos amados do Senhor.
C. Alguns dos problemas maiores da vida são resolvidos na casa de Deus. Exemplo dessa verdade é o Salmo 73:1-3. Observe algumas perguntas que o salmista teve sem respostas até chegou na casa de Deus. Porque os ímpios prosperam? v. 3. Parece que a morte para eles seja mais fácil. v. 4. Porque muitas vezes os ímpios têm poucos problemas na vida? v. 5. Parece que eles tenham mais bênçãos na vida do que o justo. v. 7. Isso é apesar do fato que ele são insolentes. v. 8-9. Mas o salmista teve uma vida difícil. v. 14. O salmista não conseguiu entender estas coisas. v. 16. Até que entrou na casa de Deus para ouvir a Sua Palavra. v. 17. Na casa de Deus ele entendeu o fim deles. A verdade é que nós (os salvos) temos a porção melhor e a vida eterna e um lar no céu. v. 23-28.
D. Achamos repouso, refrigério, fortaleza, gozo e alegria na casa de Deus. Salmo 84:5. Os caminhos aplanados falam do caminho que vai à casa de Deus. O salvo ama até o caminho que leva à casa de Deus. Porque? Lá achamos a alegria que não achamos no mundo. Salmo 84:6-7. Andamos no mundo onde ficamos cheios de lamentação e tristeza. Baca é um vale na Palestina, a palavra significa chorar ou lamentar. Mas, na casa de Deus achamos paz, alegria, gozo, fortaleza, repouso e refrigério. Estar na casa do Senhor ajuda o crente agüentar o mundo cheio de tristeza.
E. Vamos à casa de Deus para louvar aquele que nos ama. Salmo 100. Note v. 3. Nós somos as ovelhas do Senhor porque Deus nos fez as suas ovelhas. Ele nos escolheu, chamou, salvou e nos deu a paz que excede todo o entendimento. É grande motivo para louvar ao Senhor nosso maravilhoso Salvador.
F. Vamos à casa de Deus para dar testemunho aos outros da sua graça. Salmo 116:13-14. O cálice fala da abundância da graça de Deus na salvação. “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça”. Romanos 5:20. O melhor lugar para dar testemunho da nossa gratidão pela sua graça maravilhosa está na casa de Deus. Leia Salmo 122. Que prazer a casa de Deus nos dá.

7. Os Salmos de Arrependimento. 6, 25, 32, 38, 39, 40, 51, 102, 130.
Introdução. Estes salmos têm a doutrina básica da depravação humana. Veja alguns versículos. 14:1-3, 53:3, 130:3, 143:2.
Salmo 51 – A lamentação do verdadeiramente arrependido. Este salmo foi escrito depois que o profeta Natã entregou para Davi a sua mensagem mostrando o pecado de Davi com Bate-seba.
Davi descreve o pecado dele claramente assim.
A. Transgressão – v. 1, 3. Que é rebelião contra a vontade de Deus.
B. Iniqüidade – v. 2, 5 . Que é perversidade e maldade.
C. Pecado – v. 2, 3, 5. Que é não acertar o alvo.
D. Pecado suja ou polui – v. 2, 7. Por isso ele pediu purificação. O perdido nem pensa nisso.
E. O seu pecado sempre estava diante dele – v. 3. Este é o arrependido verdadeiramente.
F. Pecado é contra Deus – v. 4. Antes de tudo e de todos o pecado é contra Deus. Somente o regenerado conhece esta verdade.
G. Depravação total – v. 5. Pecador é depravado pela sua natureza.
H. Pecado tira a comunhão com Deus – v. 11. O salvo tem que confessar os seus pecado a Deus e Deus é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda a injustiça.
I. Pecado tira a alegria da salvação do crente – v. 12. Nós sabemos disso.
J. Pecado fecha a boca do testemunho do salvo por Cristo – v. 13-15. Tira a nossa vontade para testemunhar (evangelizar) os outros.
K. Pecado faz mal com os outros ao nosso redor – v. 14.
O caminho de voltar à comunhão com Deus.
A. Não pelas obras da lei – v. 16.
B. É um coração quebrantado por causa do pecado – v. 17. O coração quebrantado significa um coração contrito, arrependido, quebrado em pedaços por causa do pecado cometido. Nesta situação a única coisa quebrada que ainda presta, é o coração quebrantado.
C. De onde vem o perdão é Deus – v. 6-10.
Conclusão. O salmo 32 dá o gozo do homem perdoado e restaurado por Deus. Davi escreveu este salmo depois que foi perdoado e restaurado a Deus por causa do seu pecado que fez com Bate-seba.

8. Os Salmos acerca da Palavra de Deus. 19:7-14, 119.

Duas características do Salmo 119.
A. É o capítulo mais cumprido da Bíblia. Mostra a grande importância que a Bíblia tem nas nossas vidas. Salmo 119 está bem no meio da Bíblia e isso mostra o lugar central que a Bíblia deve ter entre nós. A Bíblia deve está bem no meio da nossa doutrina e das nossas vidas. Mostra também o amor que devemos ter por ela. O salmista amou e meditou nela continuamente. 119:97. Folgou com ela como alguém que acha um grande tesouro. 119:162. Achou mais doce do que o mel na boca. 119:103. Ficou ansioso para a hora chegar de pensar nela. 119:148. A palavra de Deus era os seus conselheiros. 119:24. Não ficou envergonhado da palavra de Deus. 119:46. Ficou triste porque o povo não a escutou nem a obedeceu. 119:136.
B. É salmo alfabético ou acróstico (arranjo alfabético ou acróstico). Este salmo não tem nome nem título, mas não precisa porque é óbvio o seu assunto. Distingue-se na largueza do seu pensamento, na profundeza do seu propósito e na altura do seu fervor acerca da palavra de Deus. Este salmo tem um arranjo segundo o alfabeto hebraico. O alfabeto hebraico tem 22 letras. Cada letra é a cabeça de uma seção de oito versículos. Cada versículo de cada seção começa com a letra da sua própria cabeça correspondente na língua original. Não podemos ver essa parte porque ficou perdida por causa da tradução de uma língua para outra. Pode ver estas seções na Bíblia: 22 seções de oito versículos. Note as letras do alfabeto hebraico na sua Bíblia: álef, bet, guímel, dálet, he, vav, záin, het, tet, iôd, cáf, lámed, mem, nun, sámech, aín, pe, tsádi, cof, reich, shin, tav.

Porque está escrito assim? Há razão? Com certeza há. Deus inspirou este salmo desse jeito para nos ensinar alguma coisa ou coisas.
A. É a maneira certa de ensinar a criança o alfabeto? Na escola dominical ou em casa? Ó que maneira boa para ensinar os filhos a Bíblia e o alfabeto.
B. Tudo que falamos deve estar cheio da palavra de Deus. Palavras são feitas de letras do alfabeto. É uma conversa repleta da palavra do Senhor.
C. Cristo é o alfa e ômega de toda a ciência e verdade. Ele é o princípio e o fim da verdade e tudo que fica no meio. Ele é a palavra de Deus, este é o Seu nome.
D. Jesus Cristo é tudo que todas letras e palavras de todos os alfabetos podem expressar e muito mais. Ele é a palavra de Deus (o Verbo).
E. Jesus Cristo é o princípio e o fim de todo conhecimento verdadeiro.
F. A palavra de Deus é nosso conhecimento e sabedoria perfeitos e completos.
G. Deus não é de confusão. Ele é de ordem e de um arranjo perfeito.
Algumas características da palavra de Deus.
A. É fiel e verdadeira eternamente. 119:89.
B. A sua profundeza está sem limite. 119:96.
C. O seu conteúdo é só verdade. 119:160. Portanto, é a regra absoluta. 19:9.
D. É fiel. 19:7. Não é relativo nem variável. Portanto, faz sábio o ignorante.
E. É pura. 119:140. Foi testada, provada e achada pura.
F. É perfeita. 19:7. Sempre cumpre o seu propósito de refrigerar a alma.
G. É justamente o contrário à sabedoria humana. 19:8-9. Leva o homem para a pureza e desejar fazer o melhor. A sabedoria humana não faz isso.
A obra da palavra de Deus.
A. Guiar o homem nesta vida. 119:105. É a voz da experiência para o jovem que a falta. 119:9. Para os mais velhos é o guia da vida.
B. Dá conforto e encorajamento no tempo da aflição. 119:50. O homem sem a promessa, segurança, certeza e confiança da palavra de Deus, na aflição fica oprimido. Dá coragem quando lemos sobre os santos antigos no meio da dificuldade. 119:132. Muitas vezes a aflição é a maneira de descobrir o que está faltando na vida. 119:67, 71.
C. A sabedoria verdadeira é dada pela palavra de Deus mais do que pela sabedoria humana toda. 119:98-99, 104.
Poder para seguir a palavra de Deus.
Precisamos da sabedoria da palavra de Deus. Mas, precisamos também o poder para seguir a palavra de Deus. 119:176.
A. Estamos inclinados para nos desgarrar.
B. Deus tem que nos buscar ou não há esperança.
C. Somente a sabedoria da palavra de Deus pode nos iluminar.
D. Podemos nos desgarrar, mas Deus não nos deixa esquecer a Sua palavra.
E. Somente um andar fiel (119:11) com Deus através da comunhão da palavra de Deus dá o conhecimento da presença do pecado.
9. Os Salmos Messiânicos.
O versículo certo para este estudo é Lucas 24:44. Salmo 40:4-6 está apresentado o sacrifício de Jesus Cristo. Hebreus 10:1-7 explica esta passagem. Os sacrifícios do Velho Testamento não tiraram o pecado, só Cristo faz isso. Os sacrifícios do Velho Testamento eram simbólicos do Cordeiro de Deus que tira o pecado.
A necessidade que o homem tem do Salvador.
Os salmos ensinam a mesma verdade que Paulo depois ensinou (Romanos 3:4-18). O homem pecador precisa do Salvador Jesus Cristo. Salmos 5:9, 10:7, 14:1-3, 36:1, 51:4-6, 149:3.
A vida e o sofrimento do Salvador nos salmos.
A. Os magos chegaram para ver o Salvador em Belém. 72:9-10.
B. O zelo do Messias no templo. 69:9.
C. O Messias não foi aceito pela família. 69:8.
D. As crianças cantaram “hosana” ao Salvador na Sua entrada triunfal. 8:2, 118:26.
E. A rejeição do Messias por Israel. 118:22.
F. O sofrimento do Messias no Jardim de Getsêmani. 69:1-4.
G. O traidor do Salvador. 41:9.
H. Israel abandonado temporariamente pelo Messias. 69:25 com Mateus 23:38.
I. Jesus citou Salmo 22 na instituição da ceia. Mateus 26:24.
J. Cantaram um hino depois da ceia. 22:22 com Hebreus 2:12.
K. O ódio do povo à crucificação de Jesus Cristo. 2:1-3.
L. As circunstâncias do julgamento do Messias à crucificação. Falsos testemunhos – 27:12. A vergonha e escárnio – 69:19.
M. Os pés e as mãos traspassados. 22:16.
N. Lançaram sortes sobre a roupa do Salvador à crucificação. 22:18.
O. Zombaram o Salvador à crucificação. 22:8.
P. O Messias citou Salmo 22:1 na cruz.
Q. O fel e o vinagre. 69:21.
R. A morte, o sepultamento e a ressurreição do Salvador. 16:10.
S. A ascensão do salvador. 68:18. 24:7-10.
Conclusão.
Salmos 85:10. Em Jesus Cristo só pode ser que a verdade desse versículo é a verdade!


Autor: David Alfred Zuhars, Jr.
Pastor David Zuhars
PRIMEIRA IGREJA BATISTA DO JARDIM DAS OLIVEIRAS
Rua Dr. João Maciel Filho, 207: 60.821-500 Fortaleza, CE
o Fonte: www.PalavraPrudente.com.br 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Josué e as muralhas de Jerico.


O nome de Josué ficou eternamente ligado ao sucesso nas campanhas militares. De fato, ele parece ter sido um homem nascido para triunfar. Já nos primeiros dias que se seguiram à saída do Egito, destacou-se como líder numa batalha entre Israel e os amalequitas (Êx 17.9)- Aquela foi a primeira de muitas vitórias. Depois de cumprir eficientemente várias ou­tras missões, Josué' ganhou o respeito e a confiança de toda a nação. Ele se tornou auxiliar imediato de Moisés, sendo pos­teriormente designado para sucedê-lo, introduzindo os hebreus na terra prometida.
Entretanto, houve um momento na vida de Josué em que ele se viu perante um obstáculo quase intransponível. Jerico - ci­dade considerada por muitos a mais antiga do mundo - inter­punha-se entre ele e a conquista de Canaã. O general israelita já havia travado muitas lutas, mas nunca sitiara uma cidade. E os muros de Jerico representavam um desafio e tanto. Eles com­punham uma inexpugnável fortificação estratégica, formada por um conjunto de duas espessas muralhas paralelas, cada qual com dois metros de largura e dez metros de altura2. Josué sabia que tomar Jerico não seria fácil. Entretanto, era uma tarefa ne­cessária: se os israelitas não o fizessem, teriam sempre uma cidade inimiga às suas costas, o que poria em risco a sua sobre­vivência.
Assim como Josué, também nos encontramos às vezes diante de problemas que parecem não ter solução. Grossas mura­lhas interpõem-se entre nós e nossos sonhos. Graves dificulda­des ameaçam barrar nosso avanço. Inimigos poderosos nos in­juriam e atacam, afirmando que jamais os superaremos. Em ocasiões semelhantes, qual é o nosso procedimento? Desisti­mos? Batemos em retirada? Ou será que nos lançamos desespe­rados ao conflito, colecionando frustrações e derrotas? Às ve­zes, o que fazemos é murmurar contra os céus, queixando-nos das adversidades. Josué, porém, agiu de uma forma que lhe garantiu a vitória. E nós temos a oportunidade de aprender com seu exemplo, identificando nas suas atitudes os ingredientes de uma verdadeira fórmula do sucesso.

Humildade

Josué assumiu uma postura humilde. Esse foi o primeiro passo na direção da vitória. A Bíblia diz que "estando Josué ao pé de Jerico, levantou os olhos e olhou; eis que se achava em pé di­ante dele um homem que trazia na mão uma espada nua; che­gou-se Josué a ele e disse-lhe: És tu dos nossos ou dos nossos adversários? Respondeu ele: Não; sou príncipe do exército do Senhor e acabo de chegar. Então, Josué se prostrou com o rosto em terra, e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?" (Js 5.13,14.) Prostrar-se em adoração foi um ato de hu­mildade e reconhecimento. Perguntar pelas ordens de Deus foi um indício de submissão e obediência. Assim, Josué mostrou que sabia qual era o seu lugar. Mais do que isso: ele percebeu que a situação estava lhe proporcionando a oportunidade de uma experiência mais íntima com Deus.

Grandes problemas trazem sempre grandes oportunidades. Eles nos dão a chance de reavaliar nossa capacidade. Permi­tem-nos exercitar nossa modéstia. Levam-nos a buscar uma maior dependência. Além disso, eles favorecem nosso cresci­mento espiritual, pois é nas horas das maiores provações que temos os vislumbres mais claros do poder divino. Depois de enfrentar sua "Jerico" pessoal, Jó disse ao Senhor: "Eu te co­nhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem" (Jó 42.5).

E Martinho Lutero escreveu: "Eu nunca entendi o significado da Palavra de Deus até que entrei em aflição". Homens e mulheres de fé têm aprendido, ao longo dos séculos, que as provações são seguidas de bênçãos.

Humildade é o reconhecimento dos nossos limites e a confi­ança no ilimitado poder de Deus. É um ingrediente fundamental para uma receita de sucesso. Como afirmou o sábio, "diante da honra vai a humildade" (Pv 18.12). Quando somos modestos, podemos contar com os recursos de Deus, e não apenas com os nossos. Josué, mesmo ocupando a mais alta posição de autori­dade em sua nação, não deixou de admitir suas limitações, de buscar a direção do Senhor e de se submeter a ele. Será que, nos momentos de lutas, temos feito o mesmo?

Confiança

O general israelita revelou ter confiança em Deus e nas suas orientações. As ordens que recebeu foram as seguintes: "Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifre de carneiro adiante da arca; no sétimo dia, rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. E será que, tocando-se longamente a trombeta de chifre de carneiro, ouvindo vós o sonido dela, todo o povo gri­tará com grande grita; o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá nele, cada qual em frente de si" (Js 6.3-5).

O que Deus mandou Josué fazer deve ter lhe parecido estra­nho. Ele bem poderia ter respondido: "Mas, Senhor, não é assim que se conquista uma cidade!" Josué era um guerreiro experi­mentado. Ele sabia que nenhuma batalha jamais havia sido vencida daquela maneira. Talvez tenha pensado: "Se eu passar essas or­dens adiante, meus soldados deixarão de me respeitar. E se fizer­mos o que Deus está falando, nossos inimigos dirão que ficamos loucos. Eles rirão de nós e falarão que o sol do deserto fritou nossas cabeças!" Entretanto, se algum desses pensamentos cru­zou a mente de Josué, logo foi varrido para longe. Ele decidiu fazer o que lhe fora mandado, porque confiava no Senhor.

Os dicionários definem fé como "confiança em alguém ou em alguma coisa, crença nos dogmas de uma religião, fideli­dade em honrar os compromissos". Mas a minha definição pessoal de fé é a seguinte: fé é confiar a ponto de obedecer. Toda vez que fazemos o que o Senhor nos diz, estamos exer­citando nossa fé. Mas quando dizemos que cremos em Deus e apesar disso não lhe obedecemos, enganamo-nos a nós mes­mos, porque a verdade é que não confiamos nele. É a certeza de que Deus nos ama e deseja o melhor para nós que nos leva a seguir suas orientações, mesmo quando não somos capazes de entendê-las. Os métodos do Senhor podem nos parecer estranhos, mas nunca deixam de ser eficazes.

O Senhor mandou que Naamã mergulhasse sete vezes no rio Jordão, e ele foi curado da sua lepra. O Salvador disse ao cego de nascença que se lavasse no tanque de Siloé, e ele voltou enxer­gando. A Bíblia nos manda amar nossos inimigos, perdoar aos nossos ofensores, vencer o mal com o bem e voltar a outra face aos nossos agressores. Diz aos que enfrentam problemas finan­ceiros que sejam fiéis na entrega de seus dízimos, e exorta os solitários a não se envolverem em relacionamentos contrários à vontade de Deus. Essas e outras orientações podem nos parecer difíceis. Porém, se as seguirmos com fé, veremos que elas nos conduzirão ao sucesso, porque o Senhor, que as deu, é fiel.

Persistência

O último ingrediente na receita vitoriosa de Josué foi a per­severança. O Senhor lhe disse que, para que os muros de Jerico caíssem, teriam de ser rodeados por sete dias, e no último dia, por sete vezes. Isso significa que durante um bom tempo o ge­neral israelita seguiu as diretrizes divinas sem que nada aconte­cesse. Aquilo certamente foi um grande teste para a sua fé. É dessa forma, igualmente, que a nossa confiança costuma ser provada. Seguir em frente quando nossos esforços parecem in­frutíferos não é fácil. Por outro lado, nunca ninguém alcançou nada sem empenho e persistência.

Uma mulher orou durante quarenta anos pela conversão do marido alcoólatra. Outra intercedeu vinte anos pelo filho re­belde até vê-lo render-se a Jesus. Muitos outros exemplos po­deriam ser somados a estes, ensinando-nos uma importante lição: Deus está disposto a dar-nos o triunfo, mas permitirá antes que lutemos por ele, a fim de fortalecermos nossos músculos espirituais. Assim, os que desistem diante da primeira demora podem acabar privados da bênção que lhes estava reservada. "Não é digno de saborear o mel quem se afasta da colméia por causa da picada das abelhas", escreveu Shakespeare. A vitória sorri para aquele que, à humildade e à confiança, acrescenta a perseverança.

Thomas Edison conseguiu fazer funcionar a primeira lâmpa­da elétrica na sua centésima tentativa. Naquela ocasião, um re­pórter lhe perguntou:
-     Depois de fracassar noventa e nove vezes, não pensou em desistir?
-     Eu não fracassei noventa e nove vezes. Apenas descobri, noventa e nove vezes, como algo não funcionava, respondeu Edison.

Essa é uma maneira interessante de ver as coisas! Não enca­re suas tentativas como insucessos, e sim como exercícios. Le­vante-se. Persevere. Tente outra vez. Mostre que sabe o que quer! Você não deve desistir dos seus sonhos, mas precisa pro­var que está à altura deles. Na hora certa, Deus estenderá suas mãos, e os muros cairão.

Mantendo uma postura adequada, Josué e os israelitas al­cançaram seu objetivo.
"No sétimo dia, madrugaram, ao subir da alva e, da mesma sorte, rodearam a cidade sete vezes; somente na­quele dia rodearam a cidade sete vezes. E sucedeu que, na sétima vez, quando os sacerdotes tocavam as trombetas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o Senhor vos entregou a cidade... Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o povo o sonido da trombeta e levantado grande grito, ruíram as muralhas, e o povo su­biu à cidade, cada qual em frente de si, e a tomaram." Os 6.15,16,20.)
A fórmula de Josué provou ser eficiente. Os israelitas vence­ram sua batalha mais difícil, e prosseguiram na conquista da terra que Deus lhes havia prometido. Da mesma forma, quando enfrentamos nossos desafios com humildade, confiança e per­sistência, podemos aguardar bons resultados. O Senhor não nos abandonará. Ele não deixará de nos conceder aquilo de que necessitamos e que sabe ser o melhor para nós. Então, sigamos em frente. Vamos colocar de lado o desespero e a afobação, e agir da maneira como Deus nos tem orientado. Afinal, não exis­te sucesso maior do que estar em harmonia com a vontade do Senhor.

Fonte:Marcelo Aguiar - Lições de Fé.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Abrão: quando o fiel mente (Gn 12:10-20).


Introdução: Abrão abandonou o lar em que sempre vivera, negou sua cultura (Ur dos caldeus), desconectou-se de sua família, deixou seus amigos,sacrificou seus imóveis e abriu mão de qualquer futuro que pudesse ter planejado ou esperado. Em seus 70 anos, deixou tudo para trás com o propósito de ir... sabe-se lá para onde. Com os olhos colocados em Deus, disse, com efeito: “Confiarei em ti, Deus. Eu te seguirei por onde me mandares”.

Abrão deixou Ur dos Caldeus, viajou para noroeste seguindo as margens do rio Eufrates e, então, estabeleceu-se por um tempo em Harã (até a morte de seu pai). Depois, seguiu por uma movimentada rota comercial rumo ao oeste e, depois, para o sul, para a cidade montanhosa de Siquém, a cidade de Siquém era considerada uma cidade sagrada.



Abrão acampou ao lado do Carvalho de Moré (Gn 12.6), que também pode ser traduzido por “arvore do ensino”. A expressão hebraica sugere que esse carvalho havia se tornado um santuário ou um lugar de reuniões. Registros históricos indicam que os cananeus tinham santuários em bosques de carvalhos, e Moré pode ter sido um de seus centros de culto. E, Deus lhe aparece mais uma vez, reafirmando seu grande plano redentor (V.7).


Abrão respondeu construindo um altar e, em seguida, oferecendo um sacrifício anual de gratidão. O novo altar de pedra se colocava como um monumento à obediência de um homem ao único Deus verdadeiro. Ele anunciava aos residentes locais: “O Deus de Abrão chegou em Canaã”. Depois, Abrão, seguiu para o sul – altitudes mais elevadas – Jerusalém. Ali, ele construiu outro altar (v.8).

1)   Abrão e o Egito.
Tendo erigido um segundo altar, Abrão continuou na direção sul até a região do Neguebe, nome que significa “seco, árido”. Nessa região, Abrão enfrentou seu primeiro desafio quando uma fome muito séria varreu a terra. Vindo de uma parte do mundo conhecida como Crescente Fértil, talvez esperasse encontrar pasto exuberante para seus rebanhos. Mas, o Neguebe parecia um território devastado. 



Ele resolve ir ao Egito. O Egito significa uma aliança com o mundo. Abrão olhou para suas dificuldades e ficou paralisado de medo. Agarrou-se ao primeiro meio de livramento que apareceu, como um homem que está se afogando agarra-se à palha. E assim, sem obter conselho de Deus, desceu para o Egito.


“Ah, que erro fatal! Mas quantos ainda o cometem. Podem ser verdadeiros filhos de Deus e, ainda assim, em um momento de pânico, adotam métodos de livramento que, para dizer o mínimo, são questionáveis, lançando semente de tristeza e desastre a fim de se salvarem de uma dificuldade menor” (Is 31.1).

2)   Abrão e a mentira (Gn 12.11-13).
Cuidado para não colocar pessoas no pedestal, por duas razôes: Primeiro, atraímos desilusão para nós mesmos, porque inevitavelmente veremos falhas em nossos heróis. Segundo, os pedestais vem com expectativas que nenhum ser humano consegue atender.

A Bíblia é clara quando trata sobre a “mentira”:

“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?” (Nm 23.19)

“Ouvi a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel; pois o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus. Só prevalecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar, e o adulterar; há violências e homicídios sobre homicídios.” (Os 4.1-2)

“O justo odeia a palavra mentirosa, mas o ímpio se faz odioso e se cobre de vergonha.” (Pv 13.5)

“Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira.” (Jo 8.44)

“não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos,” (Cl 3.9)
O que é “mentira”?

O dicionário Houaiss define “mentira” como: “afirmação contrária a verdade, ilusão”. Aurélio nos traz os seguintes conceitos: 1. Ato de mentir, engano, impostura, fraude, falsidade; 2. Hábito de mentir; 3. Engano dos sentidos ou do espírito, erro, ilusão; 4. Idéia, opinião, doutrina ou juízo falso; 5. Fábula, ficção.

O Dicionário Internacional do Antigo Testamento cita quatro termos hebraicos para a palavra “mentira”:
bad : conversa vazia, vã (Jr 50.36; Is 16.6; 44.15)
kazav : falar aquilo que é inverídico e, portanto, falso diante da realidade (Nm 23.15; Sl 89.35; Is 57.11)
kahash : transmite a idéia de diminuição de uma verdade (Sl 59.12; Os 7.3; 10.13; 11.12; Na 3.1)
shequer : falsidade, engano. Designa palavras e atividades falsas no sentido de não estarem baseadas em fatos ou na realidade (Ex 20.16; Dt 19.18; Jr 23.32; Is 59.13; Mq 2.11; Jó 13.4)

A mentira de Abrão continha uma meia verdade. Sarai era, de fato, sua meia-irmã: eles nasceram do mesmo pai, mas tinham mães diferentes (Gn 20.12). Quando afirmou ser irmão de Sarai, ele esperava tirar proveito do costume local. Ele de fato poderia ser morto por ser seu marido, mas as leis antigas faziam que ele, na condição de irmão, fosse o guardião dela. No entanto, Deus entrou com providências afligindo Faraó e sua casa com doenças graves (Gn 12.17).


3)    As lições de Abrão.

Todo mundo enfrenta fome. Algumas fomes são severas. Elas puxam o tapete e o deixam você caído de costas no chão, sem ter onde buscar ajuda. O diagnóstico do médico com a pior noticia do mundo. Um divórcio. A morte de uma pessoa amada. Desemprego. Falências.  Seja como for, essas experiências invariavelmente levam a uma crise de fé, desafiando você a responder à pergunta: Em que eu de fato confio?

Toda fuga contém uma mentira. Quando fazemos qualquer coisa que esteja ao nosso alcance para evitar passar pela crise de fé, quando buscamos uma fuga por meio de métodos antigos e conhecidos, mentimos para nós mesmos: “eu consigo lidar com isso sem Deus”. Passamos a vida toda fugindo das provas em vez de caminhar por entre elas pelo poder de Deus. E, durante o caminho, justificamos, racionalizamos, damos desculpas e minimizamos nossos erros.

Todo Abrão luta com uma fraqueza. Isso diz respeito a você. Todo mundo, incluindo o bom e o piedoso, carrega imperfeições e falhas. Essas falhas, solapam nosso relacionamento com Deus. Se Abrão foi capaz de falhar, logo depois de ter construído dois altares: todos também podemos nos envolver em uma queda moral (1 co 10.12).

Cada concessão coloca uma Sarai em risco. Sempre que revertemos à nossa resposta padrão, alguém se machuca... incluindo aqueles que estão mais próximos de nós. Sarai confiou que Abrão a conduziria bem e que a manteria segura, mas o plano egoísta do marido quase pôs tudo a perder. Se não fosse a providencia divina.






segunda-feira, 6 de junho de 2016

 A resistência de Jó frente à dor e ao sofrimento




Jó é citado apenas duas vezes em toda a Escritura (Ez 14.12-23; Tg 5.11), fora do livro que leva o seu nome. Na primeira passagem, salienta-se a retidão e o poder de intercessão de Jó, que é colocado ao lado de outros homens especiais (Noé e Daniel). Na segunda, fala-se de sua capacidade de lidar com o sofrimento. Algumas versões chamam atenção para a sua paciência (RA, TEB, NTLH, BJ), outras para a sua constância (CNBB, EP) ou perseverança (NVI). A paráfrase Bíblia Viva prefere mencionar a sua confiança em Deus. Apenas a Bíblia do Peregrino acha apropriado traduzir a palavra original como resistência: “Ouvistes falar como Jó resistiu, e conheceis o desfecho que Deus lhe proporcionou, pois o Senhor é compassivo e piedoso”.

Logo no início do livro, Jó é apresentado como homem extremamente correto, inculpável, íntegro, irrepreensível, justo, precavido (“evitava fazer o mal”), reto (“andava na linha”) e temente a Deus (Jó 1.1). Era um homem especial, fora de série, um exemplo impressionante em sua época e em nosso tempo. Duas vezes o próprio Deus afirma que Jó era sem igual: “No mundo inteiro não há ninguém tão bom e honesto como ele” (Jó 1.8; 2.3)

Em geral, o que os cristãos sabem a respeito de Jó é apenas o que está no prólogo (os dois primeiros capítulos) e no epílogo (os 12 últimos versos do último capítulo). Passa-se por cima de toda a parte poética do livro, que valoriza tremendamente o caráter de Jó. Já o leitor que examina o miolo do livro fica perplexo com a incrível resistência do homem da terra de Uz frente a toda sorte de sofrimento, como se pode ver a seguir. Jó era irrepreensível...

Apesar das desventuras  

Jó não era sem igual só no terreno ético. No que diz respeito à prosperidade, ele era aprovado e bem-sucedido em tudo. Jó tinha saúde, família, riquezas e muita gente a seu serviço. Era “o homem mais rico do oriente”. Possuía 11.500 cabeças de gado. De uma hora para outra, perdeu tudo. Em um mesmo dia, Jó recebeu quatro más notícias seguidas, uma imediatamente após a outra. As perdas foram provocadas pelos povos vizinhos (os sabeus e os caldeus) e por desastres naturais (raios caídos do céu e uma terrível ventania vinda do deserto). Foi assim que Jó perdeu...

Todo o gado (7.000 ovelhas, 3.000 camelos, 1.000 bois e 500 jumentos);

Todos os empregados (administradores, agricultores, boiadeiros, carreiros, cortadores de lã, guardas das torres de vigia, plantadores de capim, roçadores de pastos, tiradores de leite, tratadores de animais, vendedores de gado etc). Só escaparam aqueles que vieram trazer essas notícias.

Todos os dez filhos (três mulheres e sete homens). Estavam todos comendo e bebendo na casa do irmão mais velho, quando o furacão atingiu a casa e a derrubou sobre eles. No dia seguinte, havia dez caixões de defuntos para Jó enterrar.

Apesar da doença

Pouco depois da perda de quase todos os bens e de todos os filhos, Jó perdeu a saúde, o mais precioso bem que alguém pode possuir. A doença era tão grave que o obrigava a pensar na morte. Vários diagnósticos têm sido apresentados: a doença poderia ser dermatose escamosa, elefantíase, eczema crônico, eritema, lepra, melanoma, pênfigo foliáceo, psoríase queratose, úlceras malignas, varíola. Ele portava “feridas terríveis, da sola dos pés ao alto da cabeça”, raspava-se com um caco de louça e ficou tão desfigurado que seus amigos não puderam reconhecê-lo e começaram a chorar em alta voz diante daquele quadro aterrador (2.12-13).

O mal de Jó era uma agressão à visão e ao olfato de todos os que o cercavam.

Vale a pena ler o que o próprio Jó fala a respeito:

“Que esperança posso ter, se já não tenho forças? Como posso ter paciência, se não tenho futuro?” (6.11).

“Quando me deito fico pensando: quanto vai demorar para eu me levantar? A noite se arrasta, e eu fico virando na cama até o amanhecer. Meu corpo está coberto de vermes e cascas de ferida, minha pele está rachada e vertendo pus. [...] É melhor ser estrangulado e morrer do que sofrer assim” (7.4-5,15).

“Meus dias correm mais velozes que um atleta; eles voam sem um vislumbre de alegria. Passam [ligeiros] como barcos de papiro, como águias que mergulham sobre as presas” (9.25).

“Tornei-me objeto de riso para os meus amigos, logo eu, que clamava a Deus e ele me respondia, eu, íntegro e irrepreensível, um mero objeto de riso!” (12.4).
“Minha magreza [...] depõe contra mim”(16.8); “O meu corpo não passa de uma sombra” (17.7); “Não passo de pele e ossos” (19.20).

“O único lar pelo qual espero é a sepultura” (17.13); “Quem poderá ver alguma esperança para mim?” (17.15).

“Minha mulher acha repugnante o meu hálito; meus próprios irmãos têm nojo de mim” (19.17).

“Agora esvai-se a minha vida; estou preso a dias de sofrimento. A noite penetra os meus ossos; minhas dores me corroem sem cessar” (30.16-17).

“Minha pele escurece e cai; meu corpo queima de febre. Minha harpa está afinada para cantos fúnebres, e minha flauta para o som de pranto” (30.30-31).

Apesar da esposa

A companheira de Jó e mãe de seus filhos mortos não teve sabedoria suficiente para enfrentar o sofrimento da família:

1) Ela foi incapaz de suportar o quadro doentio do marido. Jó pessoalmente descreve a situação: “Minha própria esposa não chega perto de mim por causa do mau cheiro que sai de minha boca quando falo” (19.17, BV). O cheiro repugnante vinha também das feridas abertas.

2) Ela foi incapaz de manter o relacionamento anterior com Deus. A esposa de Jó rompeu com o Senhor e aconselhou o marido a fazer o mesmo: “Você ainda vai tentar ser muito religioso, mesmo depois de tudo o que Deus nos fez? O melhor que você tem a fazer é amaldiçoar a Deus e morrer!” Jó viu-se na obrigação de opor-se e resistir à própria esposa: “O que você está falando é loucura completa. Já recebemos tantas coisas boas de Deus, porque não recebemos também o sofrimento e a dor?” (2.9-10, BV.)

3) Ela foi incapaz de acompanhar o marido. A dura verdade é que a esposa de Jó passou para o lado oposto: aliou-se a Satanás, tornou-se porta-voz dele, fez-se advogada do diabo. Pois o único propósito de Satanás era levar Jó a amaldiçoar a Deus (1.11; 2.5).

Apesar da solidão 

Antes de suas desventuras, Jó tinha nome, tinha dinheiro, tinha poder. Era cercado de pobres, órfãos, viúvas e estrangeiros, com os quais repartia seus bens. Era cercado de parentes, amigos e vizinhos, próximos e distantes, com os quais se alegrava. Afinal, muitos são os que amam o rico (Pv 14.20). Mas, depois de suas desgraças, todos foram se retirando e deixaram Jó sozinho. Ele se queixa amargamente disso:

“[Deus] afastou de mim os meus irmãos; até os meus conhecidos estão longe de mim. Os meus parentesme abandonaram e os meus amigos esqueceram-se de mim. Os meus hóspedes e as minhas servasconsideram-me estrangeiro; vêem-me como um estranho. Chamo o meu servo, mas ele não me responde, ainda que lhe implore pessoalmente. Minha mulher acha repugnante o meu hálito; meus próprios irmãostêm nojo de mim. Até os meninos zombam de mim e dão risadas quando apareço. Todos os meus amigos chegados me detestam; aqueles a quem amo voltaram-se contra mim” (19.13-20).

Apesar do Diabo 

O livro da Bíblia que menciona maior número de vezes o nome de Satanás é o de Jó. São ao todo quatorze citações, que aparecem apenas nos dois primeiros capítulos, o equivalente a pouco mais de 25% de todas as ocorrências. Quanto a toda a Escritura, apenas em Apocalipse Satanás é tão devastador como em Jó.

Por duas vezes, Deus chama a atenção de Satanás para a integridade de Jó: “Reparou em meu servo Jó?” (1.8; 2.3). Em resposta, Satanás duas vezes relacionou a integridade de Jó com a prodigalidade de Deus (1.10-11; 2.4). Então, também por duas vezes, Deus suspendeu parte de sua proteção e deixou Jó ao alcance de Satanás (1.12; 2.6).

Na primeira vez, Satanás toma todos os seus bens e todos os seus filhos (1.13-19). Na segunda, toma toda a sua saúde (2.7-8). Depois de todos os estragos, Satanás sai de cena e não mais é citado.

O Satanás do livro de Jó é o mesmo que mais tarde vai tentar o próprio Jesus Cristo (Mt 4.1-11), peneirar Pedro (Lc 22.31), entrar no coração de Judas (Jo 13.27), encher o coração de Ananias (At 5.2), atazanar Paulo com o espinho na carne (2 Co 12.7) e impedir Paulo de visitar os tessalonicenses (1 Ts 2.18). Satanás é o tentador, o enganador, o acusador, o maligno, o homicida, o ladrão de semente (Mt 13.19), o semeador de joio (Mt 13.39), o pai da mentira, o leão que ruge e especialmente “o príncipe da potestade do ar” (Ef 2.2), isto é, “aquele que se interpõe entre o céu e a terra” (na Tradução Ecumênica da Bíblia).

Por algum tempo, mas sem perder a proteção de Deus, Jó foi contundentemente machucado por Satanás!

Apesar das discurseiras de seus amigos

Os três amigos de Jó — Elifaz, Bildade e Zofar — “souberam de todos os males [desgraças, calamidades, em outras versões] que o haviam atingido, saíram, cada um da sua região. Combinaram encontrar-se para, juntos, irem mostrar solidariedade a Jó e consolá-lo” (2.11).

Depois da mudez provocada pelo impacto da aparência de Jó, os três homens começaram a falar. Seus oito (talvez nove) discursos ocupam pelo menos nove capítulos do livro de Jó. São peças admiráveis quanto à poesia, à beleza e à religiosidade. Os três são monoteístas como o amigo e o nome de Deus aparece 39 vezes em seus discursos (incluindo os nomes Criador e Todo-poderoso). Mas revelam incrível falta de sabedoria, falta de psicologia e falta de misericórdia. Eram inoportunas para aquele momento e para a pessoa com o qual falavam. Valendo-se de uma filosofia errada e de uma teologia errada, Elifaz, Bildade e Zofar causaram enorme mal-estar a Jó e cometeram imperdoáveis injustiças contra ele. Talvez Jó tenha sofrido mais com os discursos de seus amigos do que com a bancarrota financeira, a morte dos filhos e a própria doença. Isso pode ser visto nos seguintes desabafos:

“Vocês [...] me difamam com mentiras; todos vocês são médicos que de nada valem! Se tão-somente ficassem calados, mostrariam sabedoria” (13.5).

“Até quando vocês continuarão a atormentar-me, e esmagar-me com palavras? Vocês já me repreenderam dez vezes; não se envergonham de agredir-me” (19.2-3).

“Suportem-me enquanto eu estiver falando; depois que eu falar poderão zombar de mim” (21.3).

Os amigos de Jó atentaram contra a sua tranqüilidade, alvoroçaram a sua consciência e roubaram a sua paz com Deus. Desempenharam o mesmo serviço de Satanás, aquele que se põe na presença de Deus para acusar dia e noite, não os ímpios, mas os justos (Ap 12.10).

Quando o pano se levanta e toda a verdade vem à tona, o Senhor repreende severamente os acusadores de Jó: “Estou indignado com você [Elifaz] e com os seus dois amigos [Bildade e Zofar], pois vocês não falaram o que é certo a meu respeito, como fez meu servo Jó” (42.7). Para não serem punidos por Deus “pela loucura que cometeram”, os três amigos deveriam comparecer diante de Jó, oferecer holocaustos em favor deles mesmos e se beneficiarem da intercessão de Jó (42.8-9).

Apesar da arenga de Eliú 

Eliú é o quarto personagem do livro de Jó. Era mais jovem que Elifaz, Bildade e Zofar. Foi o último a falar. Seu discurso ocupa seis capítulos seguidos e ele sozinho cita o nome de Deus 39 vezes. Embora mais cortês e mais próximo da verdade quanto à visão do sofrimento, Eliú também não poupou o homem da terra de Uz:

“Neste mundo não há ninguém como Jó, para quem é tão fácil zombar de Deus como beber um copo de água. Ele anda com homens maus e se ajunta com gente que não presta” (34.7, NTLH).

“Jó é pecador, um pecador rebelde. Na nossa presença, zomba de Deus e não pára de falar contra ele” (34.37, NTLH).

“Jó, você não tem o direito de dizer para Deus que você é inocente” (35.2, NTLH).

“São os outros que sofrem por causa dos pecados que você comete” (35.8, NTLH).

“Não adianta nada continuar o seu discurso; você fala muito, porém não sabe o que está dizendo” (35.16, NTLH).

“Você está sofrendo por causa da sua maldade; cuidado, não se volte para ela!” (35.21, NTLH.)

Com o discurso de Eliú fechou-se o cerco contra Jó. Já não havia ninguém a favor do homem da terra de Uz. Todos declararam impiedosamente e à uma voz que Jó era o único responsável pelo sofrimento dele: estava colhendo o que plantara (Gl 6.7-8).

Apesar de Deus

Ninguém tinha conhecimento do que estava acontecendo fora do palco, nos bastidores do inferno. Nem a principal vítima, nem a sua mulher, nem os demais parentes, nem a vizinhança, nem os conhecidos, nem seus antigos hóspedes, nem seus servos e servas, nem os rapazotes que brincavam displicentemente nas ruas e praças, nem os miseráveis que Jó havia acolhido em tempo de fartura. Menos ainda os acadêmicos presunçosos que vieram de Temã, de Suá e de Naamate, e o jovem Eliú, igualmente presunçoso. Ninguém sabia nada do profundo apreço de Deus por Jó, das duas provocações de Deus a Satanás (“Reparou em meu servo Jó?”), das alegações de Satanás de que Jó era reto por uma questão de interesse particular, das duas progressivas diminuições do tamanho da cerca que protegia Jó e da poderosa e sobrenatural investida de Satanás contra as posses, contra a família e contra a saúde de Jó. O mais ignorante disso tudo seria o próprio Jó.

Por essa razão, mesmo sem entender nada do que estava acontecendo, e na certeza de que nada está fora do controle de Deus, Jó atribuía tudo ao Senhor, como se pode ver nas declarações assinadas por ele:

“Nasci nu, sem nada, e sem nada vou morrer. O Senhor deu [tudo o que eu tinha], o Senhor tirou; louvado seja o seu nome!” (1.21, NTLH.)

“Sem dúvida, ó Deus, tu me esgotaste as forças; deste fim a toda a minha família. Tu me deixaste deprimido. [...] Deus, em sua ira, ataca-me e faz-me em pedaços, e range os dentes contra mim” (16.7-9).

“Deus fez-me cair nas mãos dos ímpios e atirou-me nas garras dos maus. Eu estava tranqüilo, mas ele me arrebentou; agarrou-me pelo pescoço e esmagou-me. Fez de mim o seu alvo; seus flecheiros me cercam. Ele traspassou sem dó os meus rins e derramou na terra a minha bílis. Lança-se sobre mim uma e outra vez; ataca-me como um guerreiro” (16.11-14).

“Foi Deus que me tratou mal e me envolveu em sua rede. [...] Ele bloqueou o meu caminho, e não consigo passar; cobriu de trevas as minhas veredas. Despiu-me da minha honra e tirou a coroa de minha cabeça. Ele me arrasa por todos os lados enquanto eu não me vou; desarraiga a minha esperança como se arranca uma planta. Sua ira acendeu-se contra mim; ele me vê como inimigo. Suas tropas avançam poderosamente; cercam-me e acampam ao redor da minha tenda” (19.6-12).

“Misericórdia, meus amigos! Misericórdia! Pois a mão de Deus me feriu” (19.21).

Na verdade, Deus não fez nada contra Jó. Porém, permitiu que Satanás fizesse tudo isso e ainda se servisse de sua própria esposa e de seus próprios amigos. Todavia, nenhum desses estranhos acontecimentos tirou o patriarca do caminho reto. É extraordinária sua resistência às circunstâncias esmagadoramente contrárias!

Apesar do próprio Jó
Jó era de carne e osso como qualquer outra criatura. Era homem e não Deus, era homem e não semideus, era homem e não super-homem. Assim como Jesus, em sua forma humana, era igual a qualquer de nós e tinha as mesmas necessidades básicas, como fome, sede e sono, e “passou por todo tipo de tentação” (Hb 4.15). Jó era cercado de limitações e fraquezas. O homem da terra de Uz era irrepreensível e inculpável, mas era santo no sentido restrito. Ele nasceu pecador e era pecador. O pecado habitava nele, estava dentro dele e atuava em seus membros, como aconteceu com Paulo (Rm 7.14-25) e como acontece com qualquer outro mortal.

As dores provocadas pela perda de todos os bens, pela morte de todos os filhos e pela doença mau cheirosa e sem cura, não foram fictícias. Assim como as dores dos cravos que atravessaram os pés e as mãos de Jesus não foram teatrais. Jó sofreu com o mau conselho da esposa e com a incompreensão, a falta de tato, o fundamentalismo religioso, as críticas, as calúnias, as denúncias, a falta de compaixão e a insistência de Elifaz, Bildade, Zofar e Eliú. Nada disso passou despercebido pelo sofrido Jó. Ele chorava — “Meu rosto está rubro de tanto eu chorar” (16.16). Ele ficava perdido, confuso, desesperado, deprimido. Jó fazia reclamações, lamentações, desabafos (não há outro livro com tantos e sérios desabafos como o de Jó). Ele tinha crises de fé. Todavia, o homem da terra de Uz sobreviveu a tudo isso e fazia sua pública profissão de fé: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que no fim se levantará sobre a terra” (19.25).

Jó é um dos mais notáveis exemplos de resistência frente às vicissitudes pelas quais o ser humano pode passar!


Fonte: Editora Ultimato