quarta-feira, 22 de outubro de 2025

 O Rei espinheiro - Abimeleque 

Estamos no capitulo 9 de juízes que narra sobre a família dos descendentes de Gideão; o famoso guerreiro que venceu o exercito midianita com trezentos homens. A história se passa em Siquém, uma cidade que tem um simbolismo importante na vida do povo judeu. Porque foi  em Siquem que Deus apareceu para Abraão; sim, foi em Siquem que Abraão levantou o primeiro altar e, por fim,  em Siquem, o primeiro lugar em que os descendentes de Abraão se reuniram para adorar o Senhor depois que chegaram a terra prometida. Portanto, historicamente, Siquém, era tem uma conotação de aliança entre Deus e o seu povo. 

O texto fala do filho de Gideão,Abimeleque, que significa “Meu pai é rei”, o nome já em si carrega uma presunção, uma megalomania, uma sina. Era filho de Gideão com uma concubina, foi criado na cidade de Siquém, diferente dos demais filhos de Gideão que foram criados em Ofra. Então, ele procura os cidadãos de Siquém e diz: “Não é melhor ter apenas um governante? Não seria bom se eu fosse o rei de vocês? Infelizmente, os cidadãos de Siquém concordam, aceitam tal imposição. Em seguida, diz o texto: “E deram a Abimeleque setenta ciclos de prata, tirados do templo de Baa-´Berite, com os quais contratou alguns homens ociosos e vadios, que o seguiram” (Jz 9.4). Homens sem caráter, homens que se corrompem por causa do poder. 

Enquanto seu pai, Gideão, foi elevado a líder por escolha de Deus (o anjo lhe apareceu em Ofra e lhe chamou para libertar o povo dos midianitas), Abimeleque não foi chamado por Deus, mas por si mesmo, se ofereceu, sua pretensão ao poder era desmedida. E vai governar na base da força bruta, da violência, da injustiça...da manipulação. 

O primeiro ato de Abimeleque como rei é se vingar, perseguir, mata todos os seus setenta meio-irmãos, a sangue frio “sobre uma rocha” (Jz 9.5). para não ter concorrente ao poder, ele é tirano, sedento pelo poder, é pra isso  ele mata, ele persegue, ele não aceita oposição. No entanto, um dos filhos de Gideão escapa e foge, seu nome era Jotão, que significa “Deus é perfeito”. 

E, diante dos cidadãos de Siquém, Jotão conta uma parábola: “Certa vez as arvores se puseram a caminho para ungir um rei sobre elas...primeiro quiseram a oliveira, do azeite,  mas ela renunciou o poder; em seguida oferecem para figuera, dos figos, mas de igual modo não abriria mão da sua doçura; foram busca da videira, das uvas, também renunciou o poder. Por fim, as arvores, rogaram ao espinheiro e de prontidão aceitou (Jz 9.10-15). O espinheiro diferente da oliveira, da figueira e da videira eram baixos e esquálidos demais para fazer sombra e proteger do calor, cheios de espinhos, muitas vezes pegam fogo que se espalhavam pela folhagem ao redor e acaba com as arvores valiosas. 

Logo, os cidadãos de Siquem começam a questionar a autoridade do rei espinheiro, não era tudo aquilo que prometeu no seu discurso inicial, prometeu muito mas não cumrpiu. tudo piorou. Sua popularidade começou a cair. Logo, Abimeleque e seus homens matarem mais de mil cidadãos de Siquem”. A natureza do espinheiro não é outra, senão essa, espalhar fogo, perseguir...

Não contente em ter matado os cidadãos de Siquem, por sua vingança desmedida. Agora vai em direção de Tebez, que aparentemente teria o mesmo destino dos moradores de Siquém. No entanto, quando Abimeleque “se aproximava da entrada da torre para incendiá-la, uma mulher jogou uma pedra de moinho na cabeça dele, e lhe rachou o crânio” (Jz 9.53). Gravemente ferido, Abimeleque, pede que seu escudeiro acabe com sua vida para ninguém dizer que foi ele morto por uma mulher... A vida do rei do espinheiro termina aqui, desdizendo um fato, como se fosse somente uma narrativa; todo rei espinheiro tem morte semelhante...



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