terça-feira, 15 de setembro de 2026

 A pornô-Corinto. Atos 18.1-10 

Introdução

O apostolo Paulo está em sua segunda viagem missionária. Depois de passar por Atenas, chegou na cidade de Corinto. Em Atenas, havia uma floresta de deuses, divindades e uma busca constante por novidades, novos conhecimentos. Em Corinto, no entanto, o comércio alimentava a vida da cidade e a sensualidade, a imoralidade sexual dominava todos os cantos. Corinto era conhecida como a cidade mais depravada do seu tempo.

1)    Corinto

Corinto foi a primeira cidade em que o apostolo Paulo residiu por algum tempo (dezoito meses). Quando chegou em Corinto, talvez tenha se sentido um pouco aflito e abalado, como veio a lembrar aos Coríntios, mais tarde, comentando que viera lhes pregar o evangelho “...em fraqueza em temor e em grande tremor” (1 Co 2.3). O tempo que que Paulo passou em Corinto foi um dos mais frutíferos em seu ministério, pois tivera liberdade para pregar o evangelho. 

Corinto era a capital da província da Acaia. Situada em um Istmo estreito entre as regiões norte e sul da Grécia; Corinto ficava numa encruzilhada natural para quem viajava por terra ou pelo mar. Sua população era de 250 mil pessoas e havia uma grande mistura de raças, línguas e culturas (grego, latino, sírio, asiático, egípcio, judeus), de diferentes classes sociais: escravos, libertos, burgueses e pobres e profissões: investidores, mercadores, ambulantes, marinheiros, filósofos, ex-soldados etc.

Havia os jogos ístmicos que eram uma série de competições atléticas e musicais dedicadas ao deus Poseidon, e eram o segundo evento mais popular depois das Olimpiadas. Em Corinto, o apostolo Paulo, trabalhou como fabricante de tendas enquanto estava ali; nesses tempos de olimpíadas deve ter sido lucrativo por causa da imensa quantidade de turistas que vinham para participar dos jogos. Em sua primeira carta, ele faz alusão aos jogos olímpicos (1 Co 9.24-27). 

Também, havia, na cidade vários templos dedicados a Afrodite; o mais famoso localizava-se no topo de Acrocorinto, uma pequena montanha que se eleva a cerca de 580 metros acima da planície em que a cidade foi construída. O Historiador Estrabão dia que “o templo de Afrodite era tão rico que possuía mais de mil escravos, e cortesãs, os quais tanto homens quanto mulheres haviam dedicado à deusa”. 

Corinto era a capital da imoralidade sexual, tão infame era a reputação desregrada desta cidade que Aristófanes cunhou a expressão “corintianizar”, como sinônimo de praticar a imoralidade sexual. Corinto era notável por sua independência moral. À semelhança dos hebreus na época dos juízes, cada um fazia o que bem desejava (Jz 21.25). Não havia a quem prestar contas nem leis para obedecer, senão a lei dos desejos. Os impulsos sexuais eram um fenômeno biológico como a fome e, portanto, deveriam ser satisfeitos.

Em Corinto, ficava os principais monumentos a Apolo, deus grego que representava a beleza do corpo masculino. A adoração a Apolo induzia a juventude, não apenas coríntia, mas a juventude grega a se entregar ao homossexualismo do mundo na época. Apolo representava o ideal de beleza masculina, havia estátuas da divindade nu, em diversas posturas, que exibiam seu corpo, inflamando seus adoradores a praticarem o homossexualismo. 

2)    O ministério de Paulo

“Ali, encontrou um judeu chamado Áquila, natural de Ponto, que havia chegado recentemente da Itália com sua esposa Priscila”. Os judeus haviam sido expulsos de Roma pelo imperador; eles eram artesãos em couro, partilhavam da mesma atividade comercial de Paulo. A fé e a vocação comuns os uniram como amigos, colegas de trabalho e cooperadores no ministério do evangelho. O texto diz que Paulo “...passou a morar e trabalhar com eles...” (v.3). Trabalhavam juntos, pregavam o evangelho e moravam na mesma casa. 

“Todos os sábados ele debatia na sinagoga, procurando persuadir judeus e gregos” (At 18.4). A palavra é dilegomai, no grego, discutia, falava, debatia, disputou. Sempre provando para os judeus que Jesus Cristo era o Messias prometido, o filho de Deus. Mas, nos diz o texto: “...se opuseram a Paulo e proferiram insultos, ele sacudiu a roupa em sinal de protesto”. A palavra insulto é blasfêmia, ou seja, caluniaram, amaldiçoaram, desprezaram, desdenharam. Diante dessa atitude desrespeitosa, o apostolo Paulo, “...sacudiu a roupa”, esse gesto significa ruptura com a sinagoga de Corinto. Agora, Paulo vai pregar o evangelho para os gentios. 

O apostolo “Paulo saiu da sinagoga e foi para casa ao lado, de Tício Justo” (At 18.7). A menção de Lucas aos muitos coríntios ouvindo e crendo “...multidão dos coríntios que o ouviam, muitos criam e eram batizados” (v.8), parece adicionar um número de judeus. Deve ter sido uma visão embaraçosa ter a sinagoga silenciosa e vazia, enquanto multidões enchiam a casa ao lado para adorar. Tornou-se ainda mais constrangedor quando o líder da sinagoga, Crispo, também levou sua família ao lado (At 18.8).

Durante esse tempo de abertura e receptividade ao evangelho, que se constituiu um cerne da estada de Paulo em Corinto, Jesus o encorajou com uma promessa de proteção: “Não tenha medo, mas continue falando e não fique calado. Pois eu estou com você, e ninguém levantará a mão para lhe fazer mal, porque tenho muita gente nesta cidade” (At 18.9-10). Então, Paulo continuou pregando evangelho de Jesus e discipulou os crentes em Corinto que cresciam rapidamente em número.

Conclusão

“vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixe enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus”.

Muitos convertidos renunciaram sua vida pregressa e tornaram-se novas criaturas em Cristo. Entre eles havia imorais, adúlteros e homossexuais passivos e ativos, como vemos na epistola de Paulo aos Corintios (1 Co 6.9-11). Para se referir aos homossexuais ativos, o apostolo usa a palavra grega para se referir aquele que toma a iniciativa, ou sodomita. Para se referir aos homossexuais passivos, usa a palavra grega “malakoi”, aquele que se permite usar, efeminado. Ele termina dizendo em sua carta: “Alguns de vocês foram assim. Contudo, foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espirito do nosso Deus” (1 Co 6.11). 

Os três verbos assinalados têm em comum o fato de estarem na voz passiva. O agente da ação não somos nós, mas Deus. Nós somos apenas objetos da ação: é Deus quem nos lavou, é Ele quem nos santifica e é Ele também quem nos justificou. Os verbos ressaltam o contraste entre o passado (o que éramos) e o presente (o que somos em Cristo).

 “Foram lavados”: o primeiro verbo era usado para se referir ao ato de pegar determinados utensílios, objetos, roupas, sujos pela utilização intensa ou indevida, para lavá-los com água corrente (Ap 7.9,13-14).

 No nosso passado podem existir marcar de erros cometidos e de deslizes ocorridos. Estas marcas nos relembram desde nossos erros mais tolos até os mais grotescos. No entanto, quando nos aproximamos de Deus, crendo no que Ele fez por nós naquela cruz, somos lavados completamente.

 “Fomos santificados”: No Antigo Testamento as peças do tabernáculo tinham uma utilização especifica: o serviço a Deus. Quando dedicadas para este fim, aquelas peças eram santificadas, ou seja, separadas para o uso exclusivo do serviço à Deus. O que faz de nós pessoas especiais não é a nossa essência, mas o fato de estarmos engajados neste processo.

  Fomos justificados. “justificar”, tem sua origem no mundo judaico. Quando alguém cometia um deslize contrariando a lei, passava a ter uma pendência para com a justiça. Quando este alguém cumpria a pena determinada ou pagava pelo dano causado à outro, ele era tido como justificado. O que Deus fez? Enviou Jesus para com sua vida e morte na cruz “pagar” nossa divida.

 

 


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