Saulo versus Paulo At 9.1-5
Seus pais conseguiram a
cidadania romana na época do imperador Augusto, que concedeu a Tarso o status
de “cidade livre”, ou seja, todos os habitantes adquiriram a cidadania romana. Todo
cidadão romano usava uma fórmula de três nomes, como é atualmente. O primeiro
nome (Saulo), o sobrenome da família (?) e o cognome correspondia ao nome do meio
dos nossos dias (Paulo). O nome Saulo, com certeza em homenagem ao rei famosos
da tribo de Benjamim, Saul e lhe deram o cognome de “Paulo”, que era
relativamente raro. Paulo em latim é “paulus”, significa “pequeno”, ou “pequenino”,
que podia ser alguma qualidade física (tamanho)ou um traço de seu caráter.
1)
Saulo
De Tarso, em sua adolescência
mudou-se para Jerusalém, tornando-se aluno de um dos rabinos mais respeitados
de sua época, Gamaliel, que era neto de Hilel. Ele fala sobre sua história: “Circuncidado
ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamin, hebreu dos hebreus;
quanto à lei, fariseu” (Fp 3.5). Aqui está toda linhagem de Saulo, passando
por todo processo (desde ao oitavo dia de nascimento), até o último processo
(fariseu, significa “separados”) o grupo religioso mais importante de seus dias.
Como fariseu, Saulo participou da acusação, condenação e morte de Estevão. Saulo, juntamente com seus pares, ouviram a confrontação do diácono Estevão: “...povo rebelde, obstinado de coração e ouvidos” (At 7.51). Ele não atirou pedras sobre Estevão, mas “...as testemunhas deixaram as suas capas com um jovem que se chamava Saulo” (At 7.58). Ainda era jovem, é justamente na juventude que radicalidade se intensifica, é na juventude que somos tomados pelas “ideologias”.
Nos diz Atos que depois da morte de Estevão “...a igreja de Jerusalém começou sofrer perseguição... Saulo procurava destruir a igreja. Ele ia nas casas onde eles costumavam se reunir, arrastava para fora tanto homens como mulheres e os pinha na cadeia” (At 8.3-4). Alguns termos que Lucas usa para descrever Saulo é para compará-lo a “um animal selvagem e feroz”. A palavra destruição é empregada no Salmo 80.13: “Os javalis da floresta destroem a sua vinha, e os animais selvagens a devoram”. Saulo, como o javali, queria destruir a igreja do Senhor Jesus. O seu sentido específico é “destruição de um corpo por um animal selvagem”.
Depois de anos mais tarde, ele
dá esse testemunho diante do rei Agripa: “Muitas vezes, os castiguei por
todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E demasiadamente enfurecido
contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia” (Atos 26.11)
Seu ódio na verdade, não era
propriamente contra os cristãos, mas contra Cristo. Ele testemunha ao rei Agripa:
“Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas deviam eu praticar contra o
nome de Jesus, o Nazareno” (At 26.9). Escrevendo ao jovem Timóteo, anos
mais tarde, ele confessa: “A mim que, noutro tempo, era blasfemo e
perseguidor e insolente ...” (1 Tm 1.13). Seu coração estava cheio de ódio
e sua mente estava envenenada por preconceitos. Em suas próprias palavras, ele
estava demasiadamente enfurecido.
“E Saulo, respirando ainda
ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor...”
(ARC). Ou, “.... Saulo, motivado pela ânsia de matar os discípulos do
Senhor...” (NVT). “...respirando ameaças e mortes” faz “alusão ao arfar e
ao bufar dos animais selvagens”. Saulo parecia mais um animal selvagem do que
um homem. Na linguagem dos crentes de Damasco, Saulo era um exterminador (At
9.21), era um monstro celerado, um carrasco impiedoso, um perseguidor truculento,
um tormento da vida dos cristãos piedosos. Em cada pisada de Saulo o evangelho
se disseminava, suas brasas quentes, acendiam em outros lugares. Jerusalém, Judéia,
Samaria, Damasco...
“...e pediu-lhes cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso encontrasse alguns do Caminho, tanto homens como mulheres, os conduzisse preso a Jerusalém” (At 9.2). Primeiro pediu permissão ao Sinédrio de Jerusalém para extraditar os cristãos que estivessem em Damasco. Esses cristãos são chamados do “...caminho”. O nome talvez tenha origem na citação de Isaias 40.3: “Preparai o caminho do Senhor”, uma referência ao João Batista que viera preceder a vinda do Messias. Também, pode se referir ao que Jesus disse: “Eu sou o caminho...” (Jo 14.6). Ele é o caminho para salvação, caminho para o céu.
Segundo, escoltados por
soldados do Sinédrio, os mesmos que prenderam Jesus, Saulo marcha para Damasco.
Marcha para perseguir e prender os cristãos e levá-los como prisioneiros para
Jerusalém, a fim de puni-los, exatamente no local onde eles afirmavam que Jesus
havia ressuscitados dentre os mortos (At 22.5).
2)
Paulo
Saulo partiu com os soldados em uma jornada de aproximadamente 218 quilômetros, de Jerusalém a Damasco. Quando se aproximavam da cidade, sem aviso, uma luz muito mais brilhante do que o sol os banhou com um brilho ofuscante que derrubou Saulo de Joelhos. “...aproximando-se de Damasco, de repente, uma luz resplandecente, vinda do céu, o cercou” (At 9.3). “...vi uma luz do céu, mais resplandecente que o sol, brilhando ao meu redor” (At 26.12-14). “De repente” indica que o evento veio sobre eles de forma rápida e inesperada.
A luz parecia como um feixe
ou uma coluna que vinha do céu. O verbo traduzido por brilhou sugere a ideia de
relâmpago; a intensidade ofuscou o sol, iluminando tudo naquela área. De acordo
com o relato posterior de Saulo, isso ocorrer “por volta do meio-dia” (At
22.6). Essa luz que veio sobre Saulo é um exemplo de teofania, a presença manifestada
de Deus. No Antigo Testamento, o Senhor indicou sua presença na forma de uma
luz sobrenatural, mais tarde chamada de Shekinah.
Essa luz apareceu para
Moisés na sarça ardente (Ex 3.1-3), essa luz conduziu os israelitas pelo
deserto numa coluna e se estabeleceu no Monte Sinai na frente do povo. Quando o
tabernáculo foi construído, a Shekinah pairou sobre a arca da aliança atrás de
um véu espesso no lugar santíssimo (Ex 25.22). Fora a mesma luz que apareceu
para Salomão, depois que terminou de orar: “...desceu fogo do céu e consumiu
o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor encheu a casa” (2 Cr
7.1).
De dentro daquela luz, mais
forte que o sol, Saulo ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que você
me persegue?” (At 9.4). Voce não está perseguindo minha igreja, mas está me
perseguindo. A igreja é, para Cristo, seu próprio corpo. E quanto às pessoas que
Saulo vinha espancando e matando? O Espirito Santo as batizara em Cristo,
tornando-as uma unidade com Ele, assim como Cristo é um com o Pai e o Espirito
(Jo 17.18-21). Coletivamente, nós, a igreja somos representação visível de
Jesus Cristo no mundo! Perseguir a igreja é agredir o Filho de Deus.
Naquela luz, Saulo viu Jesus
resplandecente, sim, o próprio Senhor apareceu para ele. Ele escreveu um dos
poemas mais belos da natureza de Jesus: “Ele é a imagem do Deus invisível, o
primogênito de toda a criação. Pois tudo foi criado por ele, no céu e na terra,
o visível e o invisível, sejam tronos ou domínios, ou governantes ou autoridades.
Todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as
coisas, e por ele todas as coisas subsistem” Cl 1.15-17).
Conclusão, a conversão de
Saulo em Paulo
Primeiro, ele viu uma luz (At
9.3). “De repente”, “subitamente” uma grande luz brilhou ao seu redor, tão
forte que lhe abriu os olhos da alma e lhe tirou a visão física. Os olhos espirituais
foram abertos, mas seus olhos físicos foram fechados.
Segundo ele caiu por terra (At
22.7). O touro indomável, selvagem, estava subjugado. Aquele que prendia,
matava, estava preso. Aquele que encerrava na prisão, estava dominado. O Senhor
Jesus quebrou todas as resistências.
Terceiro, ele ouviu uma voz (At 9.4). “...Saulo, Saulo, por que me persegues”. A voz do Senhor é poderosa, “...a voz do Senhor é majestosa. A voz do Senhor quebra os cedros do Libano” (Sl 29.4-5). Ela despede chama de fogo. Faz tremer o deserto. Paulo, então, pergunta: “Quem és tu, Senhor? Ao que ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem persegues” (At 9.5).







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