A vida no fio da navalha Atos 6.8, 7.
A expressão “fio da navalha”
é uma metáfora para situações perigosas, arriscadas. Estevão (coroa) fora
separado para ser diácono para servir o corpo de Cristo, servir à mesa. Mas,
ele ia além desse ministério, era um pregador da Palavra de Deus. O texto diz: “Estevão,
homem cheio da graça e do poder de Deus, realizava grandes maravilhas e sinais
no meio do povo”. (At 6.8). Jesus, em seu ministério, realizou grandes sinais e
maravilhas; os apóstolos, realizavam grandes sinais e maravilhas no meio do seu
povo.
Mas, agora, está falando que um diácono, chamado para servir à mesa, estava em nome de Jesus, no poder de Jesus, fazendo prodígios. Estevão era corajoso, destemido e testemunhava da sua fé nas sinagogas de Jerusalém. Por causa disso, ele é perseguido e morto, por testemunha de sua fé. Em países da Africa, da Asia, muitos cristãos estão morrendo por causa de sua fé em Cristo Jesus. Atualmente, a Nigéria, está perseguido e matando muitos cristãos. Na India, cristãos são perseguidos e igrejas são queimadas. Todas vivendo no fio da navalha da fé.
1)
Estevão
Estevão não veio de uma longa linhagem de grandes pregadores, nem de sacerdotes. Na verdade, nada sabemos muito sobre o seu passado. Mas, que foi escolhido pelo povo para ser diácono, para fazer parte do corpo diaconal da igreja de Jerusalém. Com fé, Estevão submeteu-se à direção do Espirito Santo e trabalhou para servir à igreja. Este é o tipo de cristão fiel que Deus ama usar para fazer grandes coisas. Estevão levou sua fé a sério e cedeu ao controle do Espirito Santo. O texto diz que ele era: “...cheio de graça e de poder” (At 6.8). Sendo cheio de graça e de poder, fora capaz de realizar prodígios e maravilhas no meio do povo.
“Contudo”, diz o texto, “levantou-se oposição dos membros da chamada sinagoga dos libertos” (Atos 6.9). “Libertos” eram ex-escravos que haviam comprado sua liberdade ou foram libertados. Eram judeus helenistas que vieram de diversos lugares ao longo do arco do mediterrâneo. Vieram de Cirene e Alexandria, norte da Africa; Cilicia, Norte da Antioquia e da Asia, mais ao leste da Europa. A sinagoga era o local para adoração e ensino, mas também um local para discutir teologia.
Esses homens, esses “judeus
libertos”, “começaram a discutir com Estevão mas não podiam resistir à
sabedoria e ao espirito com que ele falava”.
Estevão era homem de Deus, era cheio do Espirito Santo e cheio da
sabedoria de Deus, cheio de conhecimento. Os argumentos de Estevão eram
persuasivos em favor da fé em Jesus Cristo. Ele usava as Escrituras do Antigo
Testamento para convencer os outros judeus da messianidade de Jesus Cristo. Era
um apologista da fé cristã.
Então, não tendo vantagem sobre
Estevão, esses judeus “...subornaram alguns outros homens para o caluniarem:
nós temos ouvido palavras ultrajantes contra Moisés e contra Deus (Atos 6.11 BKJ).
Ele foi acusado de duas coisas: falava contra o templo religioso (“este lugar
santo”) e blasfemava contra a lei de Moisés. Interessante, que são as mesmas
acusações que levaram Jesus para a morte de cruz! Mas, nessas acusações, havia
um elemento de verdade: Jesus veio para “...mudar os costumes que Moisés nos
deixou” (At 6.14).
Enquanto era acusado por
falsas testemunhas, os homens fixaram o rosto “...em Estevão, viram que o seu
rosto parecia como o rosto de um anjo” (At 6.15). Da mesma forma que o rosto de
Moisés iluminava quando falava com Deus e que precisava de um véu, assim, o
rosto de Estevão brilhava diante de seus acusadores.
2)
A defesa de Estevão
Diante do Sinédrio, todos os
anciãos, quase setenta homens, Estevão é colocado pela manhã. Uma cena, que aconteceu
com os apóstolos por duas vezes. Então o Sumo Sacerdote, Caifás, representante máximo
da religião judaica, pergunta a Estevão: “Porventura são verdadeiras estas
acusações contra ti?” (At 7.1). Sozinho diante de uma turba religiosa,
sendo acusado por testemunhas falsas, Estevão, com todo coragem e cheio do Espírito
Santo anunciou o que estavam em seu coração e o que lhe movia, lhe enchia de
esperança.
Ele começa falando sobre a chamada de Abraão, em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia. Deus chamou Abraão, tirou de uma terra onde adoravam vários deuses e lhe chamou para terra prometida. Saiu com seu pai, seu sobrinho Ló e passaram algum tempo em Harã, na Siria. Depois da morte de seu pai, Abraão prosseguiu até Canaã. Deus lhe deu a promessa de um filho, da sua descendência e que abençoaria todas as famílias da terra. Sim, Isaque nasceu depois de 25 anos, e Abraão estava com 100 anos! Isaque foi pai de Jacó, que passou a ser chamado Israel. Jacó teve 12 filhos que se tornaram as doze tribos de Israel.
Em seguida, fala de José,
filho de Jacó e toda injustiça que seus irmãos cometeram contra ele;
colocando-o num poço e depois vendendo para o Egito como escravo. Mas no Egito “Deus
estava com ele” (At 7.9), tornou-se governador do Egito, somente abaixo de
Faraó. Em Canaã havia fome, os irmãos de José foram para o Egito em busca de
comida; lá se José se apresenta aos seus irmãos e todos vão para o Egito e são
instalados na terra de Gósen, um lugar frutífero.
Depois da morte de José, o povo de Israel torna-se escravo e viveram escravos por quatrocentos anos. O Senhor levantou Moisés (chamou Moisés na sarça ardente) para libertar o povo da escravidão de seus captores e conduzi-los à terra que ele havia prometido a Abrãao. Mas, os israelitas, deixaram o cativeiro arrastando os pés, carregando consigo os ídolos que adoravam no Egito, murmurando com Moisés e até construindo ídolos (Moloque, Renfã, etc) pelo caminho. Mesmo assim, o Senhor, continuou a proteger e prover para o seu povo, levando-o a terra que havia prometido, terra que mana leite e mel.
E mais, Deus levou seu povo
a Canaã, sobre a direção de Josué, deu-lhes capacidade de conquistar os
habitantes daquela terra e os ajudou a se estabelecer na terra, vencendo a
maioria dos inimigos. Durante esse tempo, Moisés prometeu a Israel um profeta (Dt
18.15), um homem entre eles que seria porta voz e representante de Deus – o Messias.
Por fim, Estevão fala de Davi e Salomão. O período mais importante da história de Israel. Davi, homem segundo o coração de Deus, escolhido por Deus para ser o rei de Israel. Em seguida, vem seu filho Salomão, que reinou por quarenta anos, em seu reinado construiu o templo, a casa do Senhor, para abrigar a arca do concerto, o local da presença, da Shekiná. Mas, o Senhor não está limitado a um templo: “O céu é o meu trono, e a terra é o suporte dos meus pés...acaso não foram minhas mãos que criaram o céu e a terra?” (At 7.49-50).
Agora, Estevão se dirige aos religiosos que estavam com uma sentença de morte contra ele: “Povo teimoso! Voces tem o coração incircuncidado e são surdos para a verdade. Resistirão para sempre ao Espirito Santo” (At 7.51). “...povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos”. “Que profetas seus antepassados não perseguiram? Mataram até aqueles que predisseram avinda do Justo, a quem vocês traíram e assassinaram!” (At 7.52-53). Quando foram confrontados com o pecado, enfureceram ao invés de se arrependerem “enfureceram com a acusação de Estevão e rangiam os dentes contra ele” (At 7.54).
O contraste é que diante do ódio deles, diz o texto: “Mas Estevão, cheio do Espirito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus. Olhem, disse ele: vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé no lugar de honra, à direita de Deus” (Atos 7.55-56). Pela quarta vez, Lucas descreve Estevão como estando completamente cheio do Espirito Santo. A primeira vez foi quando escolheram para o diaconato (At 6.3), a segunda vez, na relação dos nomes, o único adjetivado foi Estevão “...homem cheio de fé e do Espirito Santo” (At 6.5), na terceira vez, quando fala que Estevão realizava milagres e sinais e era cheio do Espirito Santo. E, por fim, diante dos seus acusadores, estava cheio do Espirito Santo.
Conclusão
Enquanto os homens lançavam
pedras, Estevão orou: “Senhor Jesus recebe o meu espírito. Então caiu de
joelhos e gritou: Senhor, não os culpes por este pecado! E, com isso, adormeceu”
(At 7.59). A história não terminou, pois fala de um personagem chamado Saulo,
que estava presente nesse momento e os homens que mataram Estevão “tiraram os
mantos e os deixaram aos pés de um jovem chamado Saulo” (At 7.58).
Saulo, depois Paulo. O pupilo de Gamaliel, parece que Saulo estava envolvido nessa história, participou ativamente para que Estevão morresse. Ele não atirou pedras sobre o acusado, mas guardou os mantos dos que atiravam. Enquanto atiravam pedras em Estevão, Saulo percebeu uma força sobrenatural, que vinha de dentro, para resistir àquelas pedradas. Na hora da morte, Estevão estava cheio do Espírito Santo e vendo o céu aberto sobre a sua cabeça e pediu que Deus tivesse misericórdia dos seus acusadores. Que Deus tivesse misericórdia de Saulo.




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