terça-feira, 9 de junho de 2026

 Filipe em Samaria At 8.1-13 

O capitulo 8 verso 1, diz: “Saulo estava ali, consentindo na morte de Estevão”. Este versículo é um ponto de mudança entre a história da expansão da igreja em Jerusalém e a expansão da igreja para além das muralhas das cidades. “Naquele mesmo dia a igreja de Jerusalém começou a sofrer com grande perseguição” (At 8.1). Mas a perseguição é como um vento em relação à semente: apenas a espalha.

1)     Perseguição

O evangelista Lucas relata que Saulo assolava a igreja (At 8.3). O mesmo Saulo que guardou as vestes dos religiosos que mataram Estevão (At 7.58) e consentiu na sua morte. Agora, Saulo, assola a igreja. O verbo “assolar” descreve um animal selvagem despedaçando a vítima; uma crueldade sádica e violenta. A palavra no grego se aplica a um javali que invade uma vinha, uma plantação, para arruiná-la; ou, uma fera selvagem que salta sobre uma presa para devorá-la. 


Saulo, tinha sangue nos olhos, não poupava nem as mulheres, também as lançava em prisões. Ele buscava a prisão e a morte de suas vítimas em Jerusalém e fora dela. Devastava e assolava a igreja, exterminando os que invocam o nome de Jesus (At 9.21); forçando-os a blasfemar por meio de tortura, encerrava-os nas prisões e dava o seu voto quando os matavam (At 26.9-11). 

A perseguição não é um acidente de percurso, mas uma agenda. A primeira etapa do plano de Deus compreendeu a chegada do Espírito Santo, o batismo com Espirito Santo que veio no dia de Pentecostes. “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espirito Santo e ser-me-eis testemunhas...” (Atos 1.8). Os discípulos estavam testemunhando em Jerusalém. Com a perseguição, “...todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria” (At 8.1). 

A palavra traduzida como “dispersos” é o termo usado para indicar “sementeira, semeadura, espalhar sementes”. A perseguição faz com a igreja aquilo que o vento faz com a semente, espalhando-a e aumentando a colheita. Os cristãos em Jerusalém eram as sementes de Deus, e a perseguição foi usada por Deus para plantá-los em nosso solo, a fim de que dessem frutos. Daí nasceu o provérbio, no período da perseguição: “O sangue dos mártires é a sementeira da igreja”.

Portanto, a perseguição tornou-se o elemento catalisador da segunda fase da igreja: “Judeia e Samaria” (At 1.8). A medida que os discípulos se espalhavam pela região da “Judeia e Samaria”, continuavam a anunciar Jesus ressuscitado como o Messias de Israel, o Salvador do Mundo. O diabo pensou que fosse parar a igreja, com a morte de Estevão, mas o efeito se deu ao contrário. A igreja, ao invés de desanimar, parar, estacionar, começou a espalhar o evangelho em outros lugares. 

Sim, “o vento aumenta a chama”. Na China, em 1949, quando o governo foi derrotado pelos comunistas. 637 missionários da Missão para o Interior da China foram obrigados a deixar o país. Parecia um desastre total. Dentro de quatro anos, 286 deles foram trabalhar no Japão e no Sudoeste da Asia, enquanto que os cristãos chineses, mesmo sob severa perseguição, começaram a se multiplicar e agora perfazem um numero trinta ou quarenta vezes maior do que existente quando os missionários saíram.

2)     Filipe

Filipe foi a uma cidade de Samaria e ali anunciava o Cristo”. Samaria era um território odiado pelos judeus. Pois, os samaritanos eram etnicamente contaminados, religiosamente confusos e moralmente corrompidos. Os habitantes dessa região se casaram com gentios e estabeleceram seu próprio templo no Monte Gerizim e tinham seu pentateuco particular. Mas, nada disso, impediu Filipe de pregar o evangelho em Samaria. Deus tem um coração missionário que bate pelo mundo todo. Ele não vê mestiços, ele não vê gentios. Ele vê pessoas perdidas precisando de resgate. 

Os cristãos são sementes de Deus, e a perseguição foi usada por Deus para plantá-los em novo solo, em nova terra, a fim de que dessem frutos. A evangelização não é um programa, mas um estilo de vida. Aonde você vai, o evangelho vai com você, lhe acompanha. No trabalho, nas ruas, no mercado, nas faculdades, nas praças da cidade, em todo lugar.  O projeto de Deus é o evangelho todo, por toda igreja, a todo mundo, a cada criatura, em cada geração: “...os que foram dispersos iam por toda parte pregando (Kerysso) a Palavra” (At 8.4).

Dos sete diáconos nomeados pelos apóstolos para cuidarem da distribuição dos alimentos às viúvas, Estevão e Filipe são os únicos cujas atividades foram narradas por Lucas. Ambos eram judeus helenistas, ou sejam, falavam o grego e pregavam o evangelho de Cristo. Estevão se dedicou aos judeus helenistas em Jerusalém; Filipe foi a Samaria. Filipe não era apostolo, era diácono, separado para servir à mesa, mas sobretudo um ganhador de almas.

Não pode haver evangelização sem evangelho uma vez que a evangelização pressupõe as boas novas de Jesus Cristo. O grande esportista e missionário Calos Studd disse: “Se Jesus Cristo é Deus e ele deu sua vida por mim, nada é sacrificial demais que eu possa fazer por ele”. 

Quando a multidão ouviu Filipe e vi os sinais milagrosos que ele realizava, deu atenção unânime ao que ele dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia....os espíritos imundos saiam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade” (At 8.6-8). A pregação não consiste somente em palavras, mas deve ser uma demonstração do Espirito e do poder. A pregação é lógica em fogo. É a proclamação do evangelho, e o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.

As pessoas não apenas ouviam dele belas palavras, mas também viam grandes prodígios e maravilhas: endemoninhados libertados, paralíticos e coxos curados e muita alegria. Hoje há gigantes do saber nos púlpitos, mas anões na demonstração do poder. Os samaritanos foram libertados de aflições físicas, controle demoníaco, pecados. O evangelho produziu salvação, libertação e alegria. Antonio Vieira pergunta: “Se a boa semente produz a trinta, sessenta e cem por um, por que hoje a semente não produz nem a um por cento? É que hoje a igreja prega apenas aos ouvidos, mas não aos olhos!” 

E estava ali um certo homem chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica e tinha iludido a gente de Samaria, dizendo que era um grande personagem...”. Simão era um mago de Samaria que se tornara um especialista em artes mágicas. Ele tinha “poder sobrenatural”, mas era algo vindo dos demônios, vindo do mal. Ele atendia a todos em Samaria “desde o menor até o maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus”. Ele era cultuado por todos em Samaria, pessoas saiam de Roma para ser atendido por ele e, até uma estatua ergueu-se em sua honra. No fim do segundo século, Irineu apresentou como “glorificado pelos homens como se fosse um deus”. 

Conclusão

Filipe os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, depois criam. Eles creram no evangelho de Filipe, muito mais, se converteram ao evangelho, mudança de vida em Cristo. Uma nova criatura. Em seguida “iam sendo batizados, assim como homens como mulheres”. E diz: “E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito” (At 8.13).

Há quatro derramamentos do Espirito Santo no livro de Atos dos Apostolos: o primeiro, sobre os judeus, em Jerusalém (Atos 2); o segundo, sobre os samaritanos (Atos 8); o terceiro, sobre a casa de Cornelio (Atos 10); e quarto, sobre os gentios em Efesios (At 19). Sobre esses quatro grupos o Espirito Santo foi derramado, mostrando a universalidade do evangelho. 


 

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