sábado, 2 de maio de 2026

 Unção em Betânia - Jo 12.1-7  

Este relato aparece em todos os evangelhos sinóticos (Mc 14.3-9; Mt 26.1-5; Lc 7.36-50) e, aparece também no evangelho de João (Jo 12.1-8). Jesus fora convidado para um jantar, na casa de Simão, o leproso, que tinha sido curado por Jesus, pelo poder de Jesus. O motivo dessa refeição era para agradecer, gratidão pela cura. Lazaro, que era de Betânia, e que fora ressuscitado por Jesus estava presente nessa mesa (era um dos convidados). Mulheres não podiam sentar-se a mesa, mas Marta estava servido à mesa, a Maria estava aos pés de Jesus, por trás de dele.  

Aliás, Maria aparece três vezes nos evangelhos. Ela é conhecida por sua adoração, sua devoção ao Senhor Jesus Cristo e sempre aparece aos pés de Jesus.  Nos três relatos em que ela aparece está aos pés de Jesus. Em Lucas 10:39-42, Jesus estava na casa de Maria, enquanto Marta, corre para lá e para cá fazendo os deveres domésticos “Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo o que ele ensinava” (Lc 10.39). Na segunda vez, na ocasião da morte de seu irmão, ela “se dobra aos seus pés e disse: Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11.32). O melhor lugar do mundo é sentar-se aos pés de Jesus.

1)     Cenário

O apostolo João em seu evangelho fala que esse fato aconteceu “Seis dias antes da Páscoa...”. Estava chegando o momento em que Jesus seria preso, morto e crucificado. Então, ele vai para Betânia com seus discípulos, que distava dez quilômetros de Jerusalém. A Páscoa era a festa mais importante dos judeus; é um símbolo do livramento que Deus deu ao seu povo lá no Egito. Na pascoa, eles matavam um cordeiro, comiam ervas amargas e festejavam a grande libertação contra Faraó.

E, na terceira vez, que Maria aparece nos evangelhos, “pegou uma libra de bálsamo de nardo puro, um óleo perfumado muito caro...” (Jo 12.3). Este nardo era feito de um óleo aromático extraído da raiz de uma planta cultivada no Himalaia. Este vaso continha cerca de 350 gramas de perfume caríssimo. Era um perfume muito caro, caríssimo, valiosíssimo, cujo preço era equivalente a trezentos dracmas, 300 dias de serviço. Nos dias de hoje, seria 10 meses de trabalho! Tomado pelo salário-mínimo atual, seria em torno de 16.000 reais!

Ou seja, ela pegou o que lhe era caro, que conseguiu com sacrifício, custoso, valiosissimo e derramou sobre Jesus! “Ungiu os pés de Jesus”; Lucas também fala que ela ungiu os pés de Jesus. Mas, Marcos, o evangelista, diz que ela derramou esse perfume sobre sua cabeça; o evangelista Mateus confirma a versão de Marcos. O mais importante é a sua devoção, uma devoção incomensurável, uma devoção verdadeira. Jesus falou para a mulher samaritana que “os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em Espírito e em verdade” (Jo 4.24).

Diante dessa cena, alguns se indignaram, alguns murmuravam, principalmente Judas: “Por que este bálsamo perfumado não foi vendido por trezentos denários e dado aos pobres” (Jo 12.5). Sim, tem sempre alguns que querem questionar nossa devoção ao Senhor Jesus. A Bíblia diz que “José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé (“aquele que dá animo) vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e colocou aos pés dos apóstolos” (Atos 4.36).

Uma pergunta: o que é mais importante as coisas dessa vida ou a vida eterna? Tem pessoas estonteantes com as coisas desse mundo, em busca dos prazeres, dos bens materiais, daquilo que perece nesse mundo. Maria, em contrapartida, buscava as coisas do céu, os valores eternos, ela estava de olho na eternidade. Não importa o preço, do perfume derramado, tua presença vale mais.

Lembro-me da minha juventude, na cidade de Ribeirão Preto, um dia ouvia a voz do meu amado, do meu Deus, chamando-me para o santo o ministério. Mas, eu tinha que abandonar tudo, renunciar a boa vida, renunciar o status, ou seja, tinha que quebrar o vaso, dar toda minha vida a Deus, toda minha vida...

Há certas ocasiões em que a devoção tem que ser incomensurável, sem medida, extravagante. O próprio Deus brada do céu: “quebra o vaso”. No deserto Deus solicitou a Moisés a construção de um tabernáculo, e o povo quebrou o vaso, doando ouro, prata, tudo o que era necessário para a confecção da tenda. Salomão, fez uma magnifico santuário, um templo suntuoso de adoração: “Quebre o vaso”.

Você já imaginou a nova Jerusalém que desce do céu, como ela é linda, como ela é bela. É brilhante como jaspe, clara como cristal, seus muros são grandes e altos com doze portas de pérolas. O muro era de jaspe; a cidade de ouro puro; o muro tem doze fundamentos: jaspe, safira, calcedônia, esmeralda, sardônico, sardio, crisólito, berilo, topázio, jacinto, ametista...etc. Deus enxugará dos nossos olhos toda lágrima, a morte não existirá, nem luto”. “Quebra o vaso”.

“Derramou todo o bálsamo...”. Não tem toalha, ela desata seus longos cabelos e enxuga os pés de Jesus. Desatar o cabelo, era uma atitude particular, as mulheres desatavam em casa, o talmude ensina que o marido poderia pedir o divórcio se a mulher desatasse o cabelo em público. Mas, aqui, no meio de todos, ela desata seus cabelos e começa enxuga seus pés. Não somente enxugar, mas suas lagrimas “molharam os pés de Jesus”.

Conclusão

O evangelista Marcos relata as últimas palavras de Jesus sobre essa devoção incomensurável: “Com toda certeza Eu vos asseguro: onde quer que o Evangelho for pregado, por todo mundo, será também proclamada a obra que esta mulher realizou, e isso para que ela seja sempre lembrada” (Mc 14.9). E você tem quebrado o vaso? Essa mulher ela quebrou o vaso valiosíssimo e derramou aos pés de Jesus. Ela ficou com seu nome na história. Abraão estava em Ur dos Caldeus, mas Deus chamou.... ele quebrou o vaso. Moisés estava no deserto e Deus apareceu numa sarça ardente e ele quebrou o vaso...

 

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