domingo, 26 de abril de 2026

 Os aguilhões de Paulo At 26.14 

Introdução

Francis Thompson foi um poeta. Viveu uma vida solitária e sem amor, tentou várias coisas em sua vida, mas não foi até o fim. Durante todo esse tempo, viveu longe do amor de Deus. Então, depois de ser achado por Deus, ele fez um poema:

“Dele fugi, noites e dias adentro; Dele fugi, pelos arcos dos anos; Dele fugi, pelos caminhos dos labirintos...De minha própria mente; e no meio das lagrimas. Dele me ocultei, e sob riso incessante. Por sobre esperanças panorâmicas corri; e lancei-me, precipitado, para baixo de titânicas trevas de temores abissais, para longe daqueles fortes Pés que seguiam, seguiam após mim...]”. Nesse poema, Thompson é fugitivo do chamado de Deus para sua vida e tenta buscar satisfação em toda parte, mas nada consegue preencher. Por fim, caiu em si, diante do fato, que sem Deus a vida não tem significado.

1)     Aguilhões

“Todos caímos por terra. Então ouvi uma voz que me dizia em aramaico: Saulo, Saulo, por que você está me perseguindo? Resistir ao aguilhão só lhe trará dor”.  (At 26.14).

A palavra Kentron poderia ser traduzida como “espora”, “chicote” ou “aguilhão”. o aguilhão era uma vara com uma ponta de ferro, usada para ferir os animais.  Provérbios diz: “O chicote é para o cavalo, o freio para o jumento, e a vara para as costas do tolo” (Pv 26.3).

Ao falar com Saulo, Jesus estava se comparando a um fazendeiro incitando um boi obstinado. Jesus estava perseguindo, cutucando e espetando Saulo. Mas ele estava resistindo à pressão, e era difícil, doloroso e até mesmo fútil para ele resistir aos aguilhões. Isso nos leva a uma pergunta natural. Quais eram os aguilhões com os quais Jesus Cristo estava cutucando Saulo de Tarso?

Jesus estava cutucando Saulo em sua mente. Saulo foi educado aos pés de Gamaliel, um dos rabis mais conceituados do primeiro século. Ele tinha um alto conhecimento do judaísmo, mormente da Torá. Ele era fariseu, seu conhecimento sobrepujava. Portanto, como todos os judeus, Saulo estava convencido de que Jesus de Nazaré não era o Messias. Para ele, era inconcebível, impensável que o Messias fosse rejeitado, humilhado e morto numa cruz. Pois a lei afirmava: “Qualquer que for pendurado está debaixo da maldição da lei” (Dt 21.23). Não, não, Jesus para Saulo, era um impostor!

No entanto, sua mente estava cheia de dúvidas por causa do que as pessoas falavam acerca de Jesus. Todos afirmavam que Jesus havia curado o cego de nascença, que Jesus havia libertado o endemoninhado de Gadara, que tinha libertado Maria Madalena de sete demônios. Falavam também que Jesus tinha andado por cima das águas e ressuscitou Lazaro. E, mais, todos os discípulos afirmavam que Jesus tinha ressuscitado no terceiro dia e aparecido para mais de quinhentos discípulos! Jesus estava cutucando a mente de Saulo.

Jesus estava cutucando Saulo em sua memória. Ele estava presente no julgamento do diácono Estevão, a quem Lucas descreveu como “homem cheio de fé e do Espirito Santo” (Atos 6.5). Saulo viu com os seus próprios olhos a face de Estevão brilhando como a face de um anjo. Ele viu Estevão sendo apedrejado até a morte e pedindo que Deus perdoasse esses homens. Ele achava inexplicável a coragem dos cristãos que estavam prontos para morrer pelo Nome de Jesus. Jesus estava cutucando a memória de Saulo.

Jesus estava cutucando Saulo em sua consciência. Saulo era fariseu. Vivia uma vida irrepreensível e tinha uma reputação sem mancha. No entanto, sua piedade, sua religião era exterior. Pois, interiormente, tinha consciência de sua pecaminosidade. Ele poderia ter dito como C.S.Lewis: “Pela primeira vez examinei a mim mesmo com um proposito seriamente prático. E ali encontrei o que me assustou: um bestiário de luxurias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados. Meu nome era legião”.

No caso de Saulo, o ultimo dos dez mandamentos o condenava. Ele poderia lidar bem com os primeiros nove porque eles tinham a ver somente com suas palavras e obras. Mas o decimo proibia a cobiça. E a cobiça não é nem uma obra nem uma palavra, mas um desejo, uma luxuria insaciável. Ele mesmo confessa:

“Eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é a cobiça se a lei não dissesse: Não cobiçaras. Mas o pecado... produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso...antes eu vivia sem lei, mas quando o mandamento veio, o pecado reviveu, e eu morri” (Rm 7.7-9). Jesus cutucava Saulo em sua consciência!

Jesus cutucava Saulo em seu espírito. Como judeu, Saulo acreditava em Deus, desde a infância. Havia buscado servir a Deus na juventude com uma consciência limpa, mas sabia que estava separado de Deus, não tinha comunhão com Deus. Ele acreditava nele, mas não o conhecia, estava alienado dEle. A mesma coisa Jesus disse para Nicodemos, um líder religioso: “Voce tem que nascer do alto, você tem que nascer do céu, você tem que nascer do Espirito Santo”.

Conclusão:

Indo para Damasco para perseguir os cristãos de repente “Saulo viu uma luz”, tão forte como a luz do sol. Em seguida, caiu por terra, sim, ele se rende ao poderio de Jesus. Ouve uma voz: “...Saulo, Saulo, por que me persegues...” Ele pergunta: “quem és tu, Senhor”, Jesus responde: “Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu persegues” (Atos 22.8). Por fim, Saulo reconhece que Jesus é o Senhor e se rende ao seu senhorio. 


 Bibliografia: John Stott, Por que sou cristão, editora Ultimato.

 

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