terça-feira, 31 de março de 2026

 Esperando pelo Pentecoste Atos 1.1-14 

O livro de Atos dos Apóstolos é de autoria de Lucas, “o médico amado” (Cl 4.14). O livro de Atos relata basicamente as ações de dois apóstolos – Pedro e Paulo. Talvez um título mais adequado seria “Atos do Espírito Santo”. O evangelista Lucas procura fazer um relato acurado do começo da igreja primitiva. Tanto o livro de Lucas, quanto o livro de Atos, é endereçado a Teófilo “aquele que ama a Deus”, pode ser aquele que estava bancando financeiramente esses escritos. E Lucas fala do objetivo: “Para que tenhas certeza das coisas que te foram ensinadas (a respeito de Jesus)” (Lc 1.4). Logo, o objetivo de Lucas ao escrever Atos pode ser dois: 1) alguém defendendo sua fé, defendendo os cristãos contra a desinformação. 2) mostrar a expansão do cristianismo, que começou em Jerusalém e se expandiu para “os confins da terra”.

1)     “...sereis minhas testemunhas”

Jesus ressuscitou dentre os mortos “...lhes deu muitas e indiscutíveis provas que estava vivo” (At 1.3). E mais: “...lhes apareceu durante quarenta dias” (v. 3). Primeiro, Jesus provou para todos os discípulos que estava vivo, ressurreto, que morte perdeu seu aguilhão, sua força. Segundo lhes falou sobre o Reino de Deus (Basileia tou theou), o qual tinha sido o centro de sua mensagem durante seu ministério. E, terceiro, Ele lhes ordenou que esperassem pela dádiva do batismo do Espírito prometida por Ele, por seu Pai e por João Batista, e que iriam receber “Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa do meu Pai, da qual falei a vocês. Pois João batizou com água, mas vocês serão batizados com o Espirito Santo dentro de poucos dias” (Atos 1.4). 

Mas, uma pergunta surge, enquanto Jesus falava: “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel” (At 1.6 NVI), ou “É agora, Senhor, que vai devolver o reino para Israel” (VFL). Ou seja, para os discípulos o reino de Deus era um território que podia ser localizado num mapa, como o Reino Unido. Mas “Basileia tou Theou” não consta - e não pode constar – em nenhum mapa. Os apóstolos estavam confundindo o reino de Deus com o reino de Israel. Sim, sonhavam com o domínio político, o restabelecimento da monarquia, a libertação de Israel do jugo colonial de Roma.

A pergunta dos discípulos: “Senhor, será esse o tempo em que restaure o reino de Israel?”. João Calvino comenta: “Os erros são tantos quantas são as palavras. O verbo, o objeto e o adverbio dessa frase, todos eles evidenciam uma confusão doutrinária sobre o reino de Deus”. O verbo RESTAURES mostra que eles estavam esperando uma restauração do reino de Israel; o objeto ISRAEL, mostram que eles estavam esperando um reino nacional; e SERÁ ESTE O TEMPO, que estavam esperando uma restauração imediata. Em sua resposta, Jesus corrigiu essas noções falsas da natureza e extensão e chegada do reino de Deus. 

Ele lhes respondeu: Não compete a vocês saber os tempos ou as épocas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade” (v.6), (NVI), Ou, “O Pai é o único que tem autoridade de decidir sobre a data e tempos; não cabe a vocês saber essas coisas” (VFL). A resposta de Jesus foi dupla. “Tempos” (chronoi) ou “épocas” (kairoi), juntos, formam o plano de Deus. Os tempos ou momentos críticos de sua história e as épocas de seu desenvolvimento. Sim, o Pai havia determinado os tempos pela sua própria autoridade, assim os apóstolos são forçados a abafar a curiosidade e permanecer na ignorância. “Não vos compete conhecer”. Os mistérios pertencem a Deus e não cabe a nós espreitá-los; são as coisas reveladas que nos pertencem e devemos nos contentar com elas.

2)     “...recebereis poder do alto...”

Logo, o que nos compete? “Mas receberão poder quando o Espirito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8). O poder do Espirito Santo não havia sido derramado, no Antigo Testamento, sobre toda carne, somente reis, sacerdotes e profetas. Ser cheio do Espirito Santo era um dom raro e quase temporário. “Poder”, no grego é “dynamis”, refere-se a capacidade, ou habilidade de fazer algo. Poder para serem testemunhas de Jesus, representantes do Reino de Deus.  

O Espírito Santo iria descer sobre os discípulos e seriam suas testemunhas. Começaria por Jerusalém, depois Judéia, em seguida Samaria e até os confins da terra. Os capítulos de atos 1 ao 7, descrevem os acontecimentos iniciais em Jerusalém, o começo da igreja, o batismo com Espirito, o primeiro sermão de Pedro, a primeira cura; o capitulo 8 menciona os discípulos se espalhando pela Judéia e, no capítulo 8, relata a evangelização de uma cidade samaritana por meio do diácono Filipe (Atos 8.5-24). No capítulo 9, fala da conversão de Saulo de Tarso; e nos capítulos subsequentes de Atos, o evangelho se espalha pela Asia e Europa.

A igreja é o povo de Deus. Ela está em movimento, correndo para os cantos da terra para implorar que todos os homens se reconciliem com Deus, correndo par ao final dos tempos para encontrar o seu Senhor que reunirá a todos....

COM O PODER DO ESPÍRITO SANTO, os discípulos seriam cheios de sua presença, cheios da graça, cheios de discernimento, cheios de unção, cheios de sabedoria, cheios do dom da profecia etc. E, mais, Os discípulos precisavam saber que receberiam poder para que, no período entre a vinda do Espírito Santo sobre a igreja e a segunda vinda de Jesus, pudessem ser suas testemunhas, em círculo cada vez maiores. Na verdade, todo o período entre o Pentecoste e a Parusia (a volta de Jesus) deve ser preenchido com a missão mundial da igreja no poder do Espírito Santo.

3)     “...Jesus foi elevado às alturas...”

“Tendo dito isso, foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles” (At 1.9). Enquanto os discípulos olhavam para Jesus subindo pelas nuvens dos céus, “...dois homens vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vós foi elevado aos céus, voltará da mesma forma que o viram subir” (Atos 1.11). Sim, disseram os anjos, “Esse mesmo Jesus”, certamente indicando que a sua vinda será pessoal, virá com um corpo glorificado, vestido de manto branco, com uma cinturão no peito, com os olhos como chama de fogo, seus pés como bronze polido e na sua boca uma espada afiada de dois gumes. 

“Do mesmo modo”, diz o evangelista Lucas, indica que sua vinda será visível e gloriosa. Como diz o evangelho de Mateus: “Porque, como o relâmpago sai do oriente e se mostra no ocidente, assim será a vinda do Filho do homem” (Mt 24.27). Os discípulos viram sua partida; eles veriam a sua volta. “Então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória” (Lc 21.27). Mas, haverá algumas diferenças importantes entre a partida de Jesus e seu retorno. Sua volta será pessoal, mas ela não será vista por poucos, como na ascensão. Mas, quando Ele voltar “todo olho o verá” (Ap 1.7). Em vez de voltar sozinho (como partiu), na sua vinda, haverá miríades de anjos e santos...sua vinda será para todos...como um relâmpago brilhando na extremidade do céu. 

Conclusão: “...todos se dedicaram unânimes em oração”

Depois da exortação dos anjos “eles voltaram a Jerusalém, desde o monte chamado Oliveiras, cuja distância da cidade é de uma caminhada de sábado” (Atos 1.12). Uma volta com grande júbilo, com grande alegria.

Em seguida, foram para o cenáculo, onde estavam hospedados. O cenáculo foi o palco das promessas e o lugar da busca. Ali Jesus orou pelos discípulos e ali os discípulos oraram pelo derramamento do Espírito Santo.

O grupo reunido somava 120 pessoas (At 1.15). todos reunidos, os discípulos de Jesus, a família de Jesus, outras mulheres e outros irmãos. Não havia entre eles nenhuma supremacia de Pedro ou Maria. Todos estavam unidos na mesma condição e com o mesmo proposito. Vale ressaltar que esta é a última referência das escrituras à Maria, mãe de Jesus.

Todos perseveraram unanimes em oração. Aqueles 120 discipulos reunidos não estavam mais, como os apóstolos, trancados com medo dos judeus, porém, aguardavam o revestimento de poder. O grupo estava unido na busca e manteve-se perseverante na oração até que foram revestidos de poder. 


 

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