terça-feira, 25 de março de 2025

 Libertando das cadeias do Egito Ex. 7.1-6 

Introdução:

Estamos meditando ultimamente em milagres. A Bíblia contém quatro grandes eras de milagres. A primeira era dos milagres veio nos dias de Moisés, sim, com as pragas do Egito e tudo que Deus fez enquanto estavam o povo atravessava o deserto do Sinai. A segunda, na época de Elias, do profeta, que Deus usou poderosamente para realizar milagres. A terceira, na época de Jesus, quando realizou milagres maravilhosos no meio do seu povo. E, por último, atualmente, quando Jesus enviou o seu Espírito para nos batizar e nos fazer testemunha de Cristo e realizar milagres e prodígios “Em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas...” (Mc 16.17). 

1)     O império das trevas

Os hebreus viviam no Egito como escravos, havia mais de quatrocentos anos. Nessa época o Egito era uma potência mundial, a mais temida pelos povos do Oriente Médio. Faraó era seu rei, governando com mão de ferro, era ditador, totalitário e que todos acreditavam que era filho do deus Hórus. Portanto, era um intermediário entre homens e os deuses egípcios. No palácio de Faraó havia esplendor, uma arquitetura suntuosa, arte deslumbrante, tudo magnificente, tudo feito de ouro. 

No entanto, esse esplendor, era só do lado externo, estético. Por dento do palácio estava infestado de injustiça – abuso, crueldade, superstição, idolatria, degradação. Os hebreus estavam lá, no meio de tudo isso, mas alheios, impotentes, sem força para se levantar diante do poder de Faraó. Uma pergunta: será que alguns ainda perseveravam na fé dos patriarcas? Talvez sim, talvez não. Mas a fé dos hebreus com o tempo se desvaneceu, agora, o centro de todo poder era Faraó, rei do Egito. Depois de 430 anos naquela terra, a memória de Abraão, Isaque e Jacó caíra quase inteiramente no esquecimento. 

Senão, vejamos a pergunta que Moisés faz a Deus: “Quando eu chegar diante dos hebreus e lhe disser: O Deus dos seus antepassados me enviou a vocês, e eles me perguntarem: qual é o nome dele? Que lhes direi? (Ex 3.13). Deus, então responde a Moisés: “Eu Sou o que Sou. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: eu Sou meu enviou a vós” (Ex 3.14). Ou seja, Yahweh, o Deus Todo-Poderoso, o criador de todas as coisas, o Senhor do Universo, aquele que está acima do tempo, aliás, o criador do tempo.

É nesse ponto que entram em cena as dez pragas do Egito. Elas foram usadas para revelar a futilidade do mal, para purificar a mente dos hebreus de toda admiração invejosa do mal, ou para purificar as portas da percepção, mais ainda, segundo o apostolo Paulo, abrir os olhos das pessoas por que “O deus deste século cegou o entendimento dos descrentes para que não vejam a luz do evangelho da gloria de Cristo” (2 Co 4.4). Então, cada uma das pragas serviu de água, sabão e alvejante para efetuar uma limpeza completa na percepção dos hebreus.

2)     Discernimento

Quando nossa mente e nosso espírito sucumbem ao domínio do mal, e não apenas aos seus efeitos físicos, passamos a ser controlados por poderes demoníacos. As dez pragas foram uma forma complexa de exorcismo, libertar o povo de uma cultura, de um comportamento, uma forma de libertar o povo do domínio do mal. Discernimento é “discernir entre o bem e o mal, a habilidade de transpor as ilusões doces e fáceis do diabo e aceitar a verdade de Deus”. Como disse o apostolo Paulo: “Nossa luta não é contra seres humanos, e sim contra principados e potestades...contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef 6.12). 

Agora, os hebreus teriam liberdade de ouvir e seguir seu Salvador e adorar a Deus “...em espírito e em verdade” (Jo 4.24). quando Moisés começou a trabalhar com seus irmãos hebreus, eles sofriam de uma “ânsia de espírito”, ou “angústia” (Ex 6.9), e a única “realidade” a qual tinham acesso era essa grande mentira egípcia. Mas, o Egito e o Faraó não eram o “mundo real”. Mas, sim, uma realidade desfigurada, profanada, endemoninhada. O objetivo das dez pragas era descontruir essa mentalidade, item por item, peça por peça, até que não sobrasse nada para cativar a imaginação do povo de Deus. Como disse o apostolo Paulo: “Ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o reino do seu filho amado” (Cl 1.13). 

Quem está no controle de tudo? Quem dirige os acontecimentos da vida? Quem é o Senhor do mundo? Por acaso é o deus Rá – deus Sol, corporificado por Faraó, ou o deus Hórus? Faraó disse: “Quem é o Senhor para que eu lhe ouça eu a voz, e deixe ir a Israel...?” (Ex 5.2). Ou, Yahweh, o Deus Todo-Poderoso, “Eu sou o que Sou”, o Criador de Todas as coisas, representando por Moisés? Cada uma das dez pragas fala dessa questão, dessa disputa, dessa rivalidade, como se fosse um final de Copa do Mundo, para saber quem será o vencedor. Dois modos de vida estão em jogo, dois estilos de ver o mundo, e serão, ato total, dez confrontos.

3)     As pragas

A primeira praga é quando o Nilo se transforma em sague. “...levantando a vara, feriu as águas que estavam no rio...toda a água do rio se tornou em sangue” (Ex 7.20). Hapi, que significa “fonte do Nilo”, é o deus da fertilidade, associado ao Nilo. Sem o Nilo, não havia fertilidade no Egito, não havia mais Egito. Contudo, no primeiro embate, o Senhor transforma o Nilo em sangue. Não havia mais peixes, não havia mais água para matar a sede, imagine sete dias, as aguas contaminadas pelo sangue! 

A segunda praga foi de rã “O rio produzirás rãs em abundancia, que subirão e entrarão em sua casa, no teu quarto de dormir, e sobre o teu leito...nos fornos e nas tuas amassadeiras” (Ex 8.3). A rã era a deusa Heket, e é ligada a fertilidade. Ela tinha cabeça de rã, mas as rãs, na verdade, pertencem ao Senhor, que lhes dá ordem (Ex 8.1). Em seguida, veio a praga dos piolhos, que infestou toda terra do Egito. Era piolho em todo lugar, nos cabelos, no pescoço, nos animais etc. A quarta praga das moscas...

Na quinta praga, a peste nos animais, “Eis que a mão do Senhor será sobre o teu rebanho...cavalos, sobre jumentos, sobre os camelos, sobre o gado, e sobre as ovelhas, com pestilência gravíssima...” (Ex 9.3). O touro era outro símbolo da fertilidade, com santuário em todo o Egito. O deus Ápis era venerado em Mênfis, contudo, não fora capaz de resistir à praga sobre os rebanhos. Enquanto, os animais dos egípcios morriam, os animais dos hebreus na terra de Gósen prosperava... 

Talvez se esperasse que Shekhmet, deusa das pragas, com a cabeça de leoa, curasse a epidemia de feridas, sim, úlceras nos homens e nos animais (Ex 9.10-11). Nem mesmo os “magos de Faraó não podiam ficar diante de Moisés, por causa dos tumores” (Ex 9.11). E Nut, deusa do céu, não foi capaz de impedir as pragas de granizo “...chuvas de pedras, e fogo misturado com a chuva de pedras, tão grave, que nunca houve em toda terra do Egito...a chuva de pedra feriu tudo quanto havia no campo, tanto a homens como animais “(Ex 9.24). E o texto nos diz: “Somente na terra de Gósen, onde estavam os israelitas, não caiu uma pedra de granizo” (Ex 9.26).

E as pragas das trevas? “Estendeu Moisés a mão para o céu, e houve trevas espessas sobre toda terra do Egito por três dias”. Acreditava-se que a cada dia, o deus Sol, navegasse pelo mar celeste em uma embarcação à noite, descia ao mundo dos mortos antes de ressurgir vitorioso ao amanhecer. Mas durante a nona praga (Ex 10.21-23) ele não ressurgiu. Os três dias de escuridão foram sinal claro de que havia sido derrotado. Cadê as divindades egípcias? Moisés, como Elias, ridiculariza o poder de Faraó: “Para que narres aos teu filho e aos teus filhos de teus filhos como zombei do poder que havia no Egito...todos vós sabereis que Eu sou Yahweh” (Ex 10.2).

Conclusão:

Faraó fora sarcástico: “Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel” (Ex 5.2). Cada praga é um golpe, é uma demolição, reduzindo, humilhando o poder de Faraó e seus deuses. Todos estão atentos, todos estão prestando atenção em cada cena, em cada praga e todos percebem que Faraó está desesperado, todo seu mito, caiu por terra.

·        Sangue (Bam!)

·        Rãs (Bam!)

·        Piolhos (Bam!)

·        Moscas (Bam!)

·        Pestilencia (Bam!)

·        Ulceras (Bam!)

·        Chuvas de pedra (Bam!)

·        Gafanhotos (Bam!)

·        Trevas (Bam!)

·        Morte (Bam!)



 

domingo, 23 de março de 2025

 Jesus confronta a morte – Mc 5.23-44 

Hoje, estudamos na escola dominical, sobre Jesus acalmando uma grande tempestade que veio sobre os discípulos no Mar da Galiléia. Jesus, estava muito cansado nesse dia, deitou-se na popa do barco e dormiu profundamente. Mas, no meio da viagem “levantou-se um tremendo vendaval”, ou um furacão. Os discípulos se desesperaram da própria vida, pensando que o barco ia afundar, mas Jesus acalmou o vento e as ondas do mar.

1)     Jairo

Tempestades chegam na vida das pessoas. E, chegou na vida de Jairo. Quem era Jairo? Responsável pela sinagoga, pela pregação, pela dinâmica do culto. Todas as famílias judias se reuniam semanalmente para cantar louvores a Deus, aprender, aprofundar na Torá e aprofundar relacionamentos. Até que um desastre acontece em sua casa, sua filha está quase morta... 

Jesus está em seu ministério, pregando, ensinando, cercado constantemente pela multidão e, então, naquele dia, apareceu Jairo, desesperado diante de Jesus: “...ajoelhou-se diante de Jesus e disse: Minha filha acaba de morrer. Vem e impõe sua mão sobre ela, e ela viverá”. Jairo está desesperado, pois sua filha, talvez sua única filha, sua linda menina, parou de respirar e desesperadamente corre até Jesus.  O evangelista Marcos narra o desespero do pai:  "Minha filhinha está morrendo! Vem, por favor, e impõe as mãos sobre ela, para que seja curada e viva" (Mc 5.23).

Imediatamente, diz o texto: “Jesus então levantou-se e seguiu com ele, e seus discípulos os acompanharam” (Mt 9.19). Mas quando Jesus chegou na casa de Jairo “...viu os flautistas fúnebres e a multidão agitada”. Sim, os flautistas e as pranteadeiras lamentavam a morte da menina. E, mais, a multidão estava agitada com a notícia.

A menina estava morta, não havia sinais de vida, ela não respirava mais, havia somente um corpo sem vida. Havia somente um corpo imóvel, havia somente um corpo de uma criança destituída de vida... Imagine, meus irmãos, a tristeza, a desolação da família, da mãe e do pai, dos parentes, dos conhecidos, todos estavam atordoados...era um cenário de morte.

Uma pergunta: o que Jesus faz diante de um cenário de morte? Ela grita para multidão: “Saiam! A menina não está morta, mas dorme” (Mt 9.24). As pessoas achavam que Jesus havia chegado tarde demais, não tinha mais jeito, demorou muito. Como Marta: “Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido” (Jo 11.21).  Já fazia quatro dias que lazaro tinha morrido e não havia mais esperança, segundo Marta.

Mas, quando Jesus afirma: “...a menina não está morta, mas dorme”. Quando Jesus afirma: “...a menina não está morta, mas dorme”, estava afirmando que a morte da menina não era definitiva, quantos os pranteadores e os flautistas pensavam.  Porque na presença de Jesus, a própria morte deve fugir. Na presença de Jesus, a lepra desaparece, na presença de Jesus, a cegueira vai embora. Na presença de Jesus, a água se transforma em vinho. Na presença de Jesus, os demônios batem em retirada. Na presença de Jesus, o vento cessa e o mar se acalma...

Quando Jesus confronta nosso maior inimigo, nosso inimigo fatal – a própria morte -, é a morte quem perde. O apostolo Paulo grita de exultação: “Onde está ó morte a sua vitória, onde está ó morte o seu aguilhão”. Sim, a morte foi vencida por Cristo, o pecado foi vencido por Cristo e o aguilhão da morte rompido pela cruz de Cristo. Para Jesus, a morte, é como um sono...

Jesus diz a Jairo: “Não tenha medo, tão somente creia”. Ou, não temas, não se desespere, eu estou no controle de tudo, eu sou o comandante de tudo. Ignore o grito da multidão, ignore o barulho dos flautistas, ignore os lamentos das pranteadores. Fecha os olhos, Jairo, e somente ouça: “Não tenha medo, tão somente creia”.

O que Jesus está dizendo pra voce nessa noite?

Ignore aqueles que dizem que é tarde demais para começar de novo...

Ignore aqueles que dizem que voce nunca será nada na vida, sua vida é um fracasso...

Ignore as profecias de maldição, mas creia que Ele é poderoso para soprar o vento do Espirito sobre a sua vida...

Não tenha medo, meu filho, tão somente crê, tão somente acredita em mim!

Jesus impele Jairo vê o invisível. Quando Jesus diz: “tão somente crê”, ele está afirmando: “Não limite suas possibilidades ao que é visível”. Não ouça apenas o que é visível, não seja controlado pela lógica da multidão. Mas, creia que há mais vida além do q.ue os olhos veem.

Numa parede de um campo de concentração da segunda guerra, um prisioneiro havia escrito essas palavras: “Acredito no sol, embora ele não brilhe. Acredito no amor, mesmo quando ele não é demonstrado. Acredito em Deus, mesmo quando ele não fala”.

Conclusão

O texto de Mateus é muito sucinto, diz que Jesus “entrou e tomou a menina pela mão, e ela se levantou” (Mt 9.25). O evangelista Marcos dá sua versão com mais detalhes: “Tomou-a pela mão e lhe disse “Talita Cumi, que significa: Menina, eu lhe ordeno, levante-se! Imediatamente a menina, que tinha doze anos de idade, levantou-se e começou a andar. Isso os deixou atônitos” (Mc 5.41,42).

 

 

terça-feira, 18 de março de 2025

 Moisés e a sarça ardente Ex 3.1-14 

Introdução

Há um provérbio do século XIX que tem sido citado em várias ocasiões, que é: “O pássaro com asa quebrada nunca mais voará tão alto”. Isto é, uma vez que voce tenha falhado, jamais conseguirá atingir as alturas como fez antes. Mas será que esse ditado é verdadeiro? Senão, vejamos: Veja Abraão, que mentiu duas vezes para salvar sua pele, mas depois tornou-se amigo de Deus e voou mais alto que havia voado antes. E, Jacó, aquele que “segura o calcanhar”, depois de ter errado com seu pai e seu irmão, teve um encontro com Deus e tornou-se “príncipe de Deus”. E Raabe, uma prostituta de Jericó, depois de esconder os espias tornou-se parte do povo de Deus. Poderia citar o caso de João Marcos, primo de Barnabé, o apostolo Pedro que negou Jesus por três vezes, enfim, esse ditado não se sustenta.

1)     Certo dia...

Certo dia, Moisés estava cuidando do rebanho de seu sogro, Jetro, sacerdote de Midiã. Ele levou o rebanho para o deserto e chegou a Sinai, o monte de Deus” (Ex 3.1). 

Durante quarenta anos, Moisés apascentou o rebanho do seu sogro. E, durante quarenta anos, não temos informação de Deus ter falado com Moisés uma vez sequer. Mas, naquele dia, ou “certo dia”, amanheceu como igual aos demais dias, nada de diferente. Aliás, na noite seguinte, Moisés não tivera nem um sonho profético, ou uma visão noturna, nenhum sinal. É assim que Deus opera, sem o menor sinal de advertência, Ele fala as pessoas comuns, em dias comuns. 


Nossa lição da escola dominical “Os milagres de Jesus” fala do primeiro sinal de Jesus, ou seja, transformar agua em vinho, um gesto magnifico que aconteceu numa festa de casamento. E nos pergunta: Será que enxergamos o agir maravilhoso de Jesus em nosso dia a dia? Sim, pode ser no ônibus do trabalho ou Van, no hospital, no serviço, ou pode ser na escola, ou na faculdade, ou dentro de casa lavando louça, ou arrumando a casa. Enfim, Deus ele ainda fala... Moisés estava levando o rebanho para apascentar no Monte Sinai...   

Olha o que Palavra de Deus diz sobre a vinda de Jesus: “Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto assim como nos dias anteriores ao diluvio comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o diluvio e os levou a todos...” (Mt 24.37-39). Será num dia comum, as pessoas estarão se casando e sendo sepultadas. Sim, viveremos nossas vidas, assistindo os noticiários, indo ao supermercado, ou na farmácia. De repente “...surgirá no céu o sinal do Filho do Homem, e todos os povos da terra prantearão e verão o Filho do homem chegando nas nuvens do céu com poder e majestosa gloria” (Mt 24.30). 

2)     Uma sarça ardente

Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia” (Ex 3.2). Sim, uma sarça do deserto, no hebraico é “arbusto espinhoso”, no deserto de Midiã havia milhares espalhadas. No entanto, o texto diz que o anjo do Senhor apareceu a Moisés em meio à sarça. Ou seja, a sarça não estava ardendo “...embora a sarça estivesse em chamas, mas não era consumida pelo fogo”. O fogo não estava queimando a sarça. E o fogo chamou a atenção de Moisés, o fogo na sarça... 

O que fazer? O versículo 2 nos diz que Moisés fez duas coisas: Primeiro, olhou; segundo, disse algo para si mesmo. Não é todo dia que vemos sarça se incendiar sem que se consuma! O normal é por causa do calor do deserto, uma sarça se consumia pelo fogo em alguns segundos. Mas Moisés pensou: “Que coisa esquisita! A sarça não era estranha, e sim o fogo. Ele ardia, mas não consumia a sarça.

E o profeta Elias numa caverna no Monte Sinai, depois de ter viajado quarenta dias e quarenta noites? Veio um “...vento muito forte, que fendeu os morros e partiu as rochas em pedaços. Contudo, Yawheh não estava no vento...ocorreu um forte terremoto, porém o Senhor não estava no tremor das terras...caiu um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. E depois do vento veio um sussurro de brisa suave e tranquilo...” (1 Rs 19.11-12). Elias percebeu que o Senhor estava no sussurro da brisa suave “Quando Elias o ouviu, cobriu o rosto com seu manto...(1 Rs 19.13 VFL). 

As coisas não acontecem ao acaso, ou acontecem apenas. Nosso universo não é algo feito de uma grande explosão, não, foi feito por Deus, Bereshit “No princípio criou Deus os céus e a terra”, além de ter criado os céus, criou a natureza, criou o mundo e criou homem e a mulher a sua imagem e semelhança (Gn 1). Existe um plano preparado por Deus para este mundo, que inclui um plano específico para você. Em todo dia comum e em todo momento extraordinário há um Deus que o procura constantemente.

3)     O que fazer?

“Vendo o Senhor que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou, e disse: “Moisés! Moisés! Ele respondeu: eis-me aqui!” (Ex 3.4).  Observe a primeira palavra “vendo” que significa “irei para lá” (v.3). Ou seja, Moisés interrompeu seu movimento, deixou suas responsabilidades de lado por alguns instantes e seguiu em outra direção. Ele se moveu rumo ao evento que atraíra sua atenção. Moisés disse: “Que coisa espantosa! Por que o fogo não consome o arbusto? Preciso ver isso de perto” (Ex 3.3). 

As sarças ardem, os aviões caem, carros capotam e colidem, salvos de um afogamento, pessoas são curadas de enfermidades, vidas são tomadas e poupadas e acontecimentos estranhos passam na paisagem da nossa vida, como as sombras das nuvens sopradas pelo vento. O que a maioria das pessoas faz então? Encolhe os ombros, considerando tudo coincidência. Tudo normal, como se nada tivesse acontecido. Se ouvir uma voz falar, estão ocupadas demais para prestar atenção...Há coisas mais importantes para fazer.

Somente quando Moises se virou que Deus finalmente falou. Então, Moisés ouviu uma voz saindo do meio da sarça: “Moisés! Moisés!” Sabe o que ele respondeu? Na língua original temos duas respostas que se equivalem: “eis-me aqui”, ou “sou eu”. Sim, depois de quarenta anos no deserto e na obscuridade, depois de quarenta anos na escola do deserto, Moisés, tornara-se um NINGUÉM, antes achava que era alguém! Quando o chamado finalmente chega, sua resposta é um sereno e relutante: “Eis-me aqui”. 

Vendo o Senhor que ele se voltava para ver...” e o versículo 5 diz: “Não se aproxime mais”, O Senhor advertiu. Tire as sandálias, pois voce está pisando em terra santa” (Ex 3.5). Aqui, Moisés, é necessário que remova suas sandálias. Por quê? “Pois o lugar em que voce está é terra santa” (Ex 3.5). O termo “santo” significa “diferente”, ou “separado”. Deus não é semelhante a nós, pecadores. Ele é santo, glorioso, majestoso, verdadeiro. Então Deus lhe diz: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus”. (Ex 3.6). Eu sou o Deus de promessa, que cumpre sua promessa com o seu povo...

Quando Moisés ouviu isso, cobriu o rosto, porque teve medo de olhar para Deus” (Ex 3.6). Moisés escondeu o rosto enrugado, queimado do sol do deserto. Ali, diante daquela voz, se sentia humilhado, indigno, tão preso no emaranhado do passado. Mas era precisamente assim que Deus o queria, porque esse é exatamente o tipo de pessoa que Deus pode usar. Moisés ficou atônito diante da face do Senhor, diante da sua glória, ele escondeu o seu rosto. Até mesmo os serafins que não tem pecado algum, cobrem o rosto na presença de Deus (Is 6.2). 


Moisés, meu povo está sofrendo no Egito e Deus lhe diz: “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito” (Ex 3.10). Deus está lhe chamando, Ele está ordenando. Mas Moisés, como muitos de nós, respondeu: “Quem sou eu para me apresentar ao faraó? Quem sou eu para tirar o povo de Israel do Egito?” (Ex 3.11). Ele sente inadequado em razão de sua fraqueza (“quem sou eu”), do poder do Faraó (“para ir ao Faraó”) e do tamanho da tarefa (“e tirar os israelitas do Egito”). 

Quem sou eu? Sou como Jeremias que diante da chamada de Deus, respondeu: “Eu não passo de uma criança”. Quem sou eu? Sou como Jonas, ao invés de ir para Nínive, faço meu caminho para Társis. Quem sou? Sou como o profeta Ezequiel, diante do chamado de Deus, dobrei-me, com o rosto ao pó da terra. Quem sou eu? Sou como Gideão, escondido e malhando o trigo no lagar, com medo dos midianitas. Quem sou eu? Sou como Moisés que justificando afirmou que nunca teve facilidade para falar, nem no passado, nem agora...

 Conclusão

“Quem sou eu?” E a resposta de Deus é: “estarei com você” (v.12). Deus está dizendo a Moisés que sua identidade está ligada à identidade de Deus. Moisés pergunta: “Quem sou eu para ir a Faraó?” Mas, Deus diz: “Estarei com você”. Deus é quem faz a diferença.

Moisés diz: “Quem sou eu?” E Deus afirma: “Estarei com você”. O que nos leva à pergunta: Quem é Deus? Quem é o “eu” que estará com Moisés? “Suponhamos que eu vá aos israelitas e lhes diga: O Deus de seus pais me enviou a vocês, e eles perguntarem: Qual é o nome dele? Que lhes direi?” Portanto, Deus revela seu nome a Moisés: “Eu sou o que sou. É isso que você deve dizer aos israelitas: Eu sou me enviou a vocês” (Ex 3.14).

No versículo 15, “Eu sou o que sou” revela seu nome: “O Senhor”. Esse é o termo “YHWH” ou com as vogais “YAHWEH”, esse termo é usado 6700 vezes no Antigo Testamento, enquanto que “Elohim” aparece 2500 ocorrências no Antigo Testamento. “Eu sou o que sou”, pode ser traduzida das seguintes formas: 

Eu sempre fui quem eu sempre fui”. O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó (Ex 3.6), sempre agirá de forma coerente com seu histórico. É o mesmo Deus que apareceu para Abraão em Ur dos Caldeus, é o mesmo Deus de Isaque, o mesmo Deus de Jacó, o mesmo Deus de José. É o Deus da aliança.


 

terça-feira, 11 de março de 2025

 MoisésA vontade de Deus, ao meu modo Ex 2.11-15 

Introdução

Moisés foi escolhido por Deus, desde quando nasceu: “...era formoso aos olhos de Deus” (At 7.20 ARA), ou “...um bebê especial aos olhos de Deus” (NVT). Não somente bonito fisicamente era o menino, mas bonito aos olhos de Deus. Portanto, depois de quatro anos, ele conduzido à filha de Faraó e se tornou príncipe do Egito. Mas, apesar de crescer no palácio, está diante do maior império do mundo, de ter todos os privilégios, Moisés sabia quem da sua identidade, da identidade do seu povo e quem era o seu Deus. 

1)     A vida na corte de Faraó

O historiador Flavio Josefo nos conta que pelo fato de Faraó não ter filhos ou herdeiro, Moisés era educado para ser o próximo Faraó, o próximo governante do Egito. Depois que foi desmamado por sua mãe, diz o diácono Estevão: “...a filha de Faraó o recolheu e criou como seu próprio filho” (Atos 7.20-21). A palavra “criou” significa educar, treinar. Moisés mudou de uma choupana, de uma casinha simples, para morar no corte pomposa e elegante de Faraó.

Novamente, Estevão nos diz que: “Moisés foi educado em toda ciência dos egípcios” (Atos 7.23). O texto original diz: “em toda sabedoria dos egípcios”. Ou seja, no coloquialismo da época, as pessoas se referiam a uma pessoa brilhante como tendo a “sabedoria dos egípcios”. 

Ele estudou no “Templo do Sol”, que foi chamada pelos historiadores de “Harvard do Mundo Antigo”. Moisés aprendeu as primeiras letras egipcias que chamamos de Hieróglifos, que é uma escrita muito difícil, porque não empregar caracteres, mas pictogramas – símbolos altamente estilizados que representam ideias complexas. Essa escrita somente foi decifrada no século XIX, quando os homens de Napoleão descobriram a pedra de Roseta. 

Portanto, Moisés foi educado na língua egipcia, foi ensinado, alfabetizado. Ele também estudou ciências, história, medicina, astronomia, matemática, química, física, teologia, filosofia e direito. Havia uma agenda diária para Moisés estudar todas essas ciências. Aliás, aprendeu táticas de lutas, de batalhas, de combate. Aprendeu, também, escultura, música, pintura...Sim, “Moisés foi educado em toda ciência dos egípcios e tornou-se um homem poderoso em palavras e obras” (Atos 7.22).

Quando o texto o denomina “homem poderoso em palavras e obras”, implica a capacidade de chamar a atenção das pessoas, ou seja, Moisés era carismático. Como Davi, na frente do exercito de Saul, que vencia todas as batalhas. Significa, portanto, que Moisés não só possuía intelecto, como também carisma, conheciam sua coragem e heroísmo. Ele foi preparado para o trono. O orgulho do Egito! 

2)     Uma decisão

Novamente em Atos, lemos: “Quando completou quarenta anos, veio-lhe a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel” (Atos 7.23). Os hebreus viviam como escravos, espalhados pelo Egito. Construíam, transportavam, cortavam madeiras, varriam, escavavam, rebocavam, faziam tijolos, carregavam pedras e trabalhavam na paisagem do Egito. Ou seja, os hebreus, faziam todo o trabalho pesado do Egito, viviam escravizados.



Moisés sabia a vontade de Deus para a sua vida, mas as coisas não estavam acontecendo com a rapidez que ele queria, estava ansioso. O versículo 23 nos diz: “Veio-lhe a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel”.  Sim, Moisés, estava ansioso, inquieto, impaciente: “Naqueles dias, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e viu os labores penosos, e viu que certo egípcio espancava um hebreu, um do seu povo” (Ex 2.11).  

De repente, aconteceu. Moisés agarrou o volante de sua vida e pisou no acelerador, acabando por derrapar e despencar numa ribanceira, capotou várias vezes.  Não havia volta. Não se esqueçam: Moisés agiu deliberadamente, de acordo com a vontade dele. O verso 12 nos conta que Moisés “olhou de uma e de outra banda” e vendo que não havia ninguém, matou o egípcio, e o escondeu na areia” (Ex 2.12).

Sim, Moisés agiu impulsivamente, agiu na carne. Ele olhou para um lado e para o outro, não é interessante? Mas, ele não olhou para cima. Olhou? Somente, em ambas as direções, horizontalmente, deixando o vertical fora. O que ele fez com os resultados de sua ira assassina? As escrituras dizem: “...o escondeu na areia”. Aliás, a maioria das pessoas tem a tendencia de esconder os seus erros debaixo da areia, ou  varrer debaixo do tapete.

Quando agimos na carne, existe invariavelmente algo a ser ocultado. Voce tem de enterrar seu motivo, tem de esconder um contato feito para manipular o plano, tem de esconder um contato do sexo oposto no Instagram, tem de encobrir uma mentira ou meia-verdade. Portanto, é preciso cobrir o cadáver que seu procedimento carnal criou. É só uma questão de tempo até que a verdade apareça. A areia sempre revela seus segredos.

Deus age sempre no tempo certo, o agir de Deus é perfeito. Mardoqueu falou para Ester: “Quem sabe que tal conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” (Et 4.14). O apostolo Paulo falando do nascimento de Cristo, afirmou: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5).  Quando agimos no tempo certo, bençãos incontáveis! Mas no tempo errado...

3)     Consequencias

Moisés imaginou que havia feito a vontade de Deus “Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não compreenderam” (Atos 7.24-25). Sim, Moisés, pensou que tinha chegado sua hora de agir, de libertar o seu povo da escravidão, imaginou que todos estariam com ele. Mas, o texto diz: “Eles, porém, não compreenderam”. Ficaram sem entender, sem compreender, porque Moisés matou o egípcio!

No dia seguinte, Moisés voltou a cena do crime, “...aproximou-se de uns que brigavam” (Atos 7.26). Moisés lhes repreendeu: “Homens! Vós sois irmãos; porque agridem um ao outro” (Atos 7.26). Mas, o homem lhe respondeu: “Quem te constituiu autoridade e juiz sobre nós?” (Atos 7.27).

Que rejeição! Olhe, o príncipe do Egito, suma daqui. Quem morreu e deixou você encarregado? Voce não é o nosso líder. Voce não tem autoridade sobre nós. Como essas palavras devem ter ferido um homem que acabara de arriscar tudo...sim, arriscou tudo, sua vida, seu prestígio, sua carreira e até o trono do Egito...

Temeu, pois, Moisés e disse: Com certeza o descobriram” (Ex 2.14). O homem egípcio fora revelado, agora todos estavam sabendo que Moisés havia matado um egípcio, até Faraó! Então ele “fugiu da presença de Faraó”. Por quê? O versículo 15 nos diz: “procurou Faraó matar a Moisés”.

Moisés, tinha currículo, tinha toda sabedoria do Egito, tinha habilidade para lutar, tinha carisma, sabia ler e escrever os pictogramas, ELE ACHAVA QUE ERA ALGUMA COISA. Mas, Moisés agiu na carne, agiu impulsivamente, agiu precipitadamente. O que Moisés precisava era da sabedoria do céu, não da terra, essa sabedoria leva tempo, inclui altos e baixos na estrada ...

Conclusão.

“Se deteve na terra de Midiã”. Do palácio de Faraó para o deserto causticante de Midiã. “Se deteve na terra de Midiã; e assentou-se junto a um poço”. 


Primeiro, quando a vida do “eu” segue seu curso, acabamos num deserto. Sim, no deserto de Midiã, lugar inóspito, sem vida, sem flores, sem animais, momentos de sofrimento, desilusão...

Segundo, Quando a vida do “eu” finalmente se assenta, o poço de uma nova vida está próximo. Quando finalmente Moisés caiu no chão, no final de uma existência autogerida, encontrou agua fresca bem ao seu lado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 4 de março de 2025

 Moisés: um nascimento fora de tempo. Ex 2.1-10 

Introdução

A expressão “fora de tempo” está em 1 Corintios 15.8, quando o apostolo Paulo refere-se a si mesmo como não digno de ser chamado apostolo de Cristo. O que podemos dizer sobre Moisés? Ele viveu ao todo cento e vinte anos. Seus primeiros quarenta anos viveu no Egito, sendo cuidado pela filha de Faraó e aprendendo nas escolas egípcias. Depois, passou seu segundo ciclo de quarenta anos no deserto, como pastor de ovelhas, vivendo na solidão e sendo trabalhado por Deus. Por fim, seus últimos quarenta anos passou no deserto com o povo judeu, alimentado pelas provações, desanimo e testes, ensinado pela lei que recebeu das mãos do próprio Deus.

O evangelista D.L. Moddy fez o seguinte comentário sobre as fases da vida de Moisés: “Moisés passou seus primeiros quarenta anos pensando que era alguém. Os seus quarenta anos no deserto passou aprendendo que era ninguém! Os últimos quarenta anos, ele os passou descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém”. Ou, pensamos que somos alguém, ou avançamos o suficiente para compreender que não somos ninguém, ou finalmente descobrimos o que Deus pode fazer com um ninguém!” Deus nunca desiste de nós... 

1)     Nascimento

Moisés nasceu em um tempo de perseguição, seu povo era estrangeiro na terra de Faraó, o seu povo vivia debaixo da escravidão construindo celeiros  e sofria horrivelmente sob os golpes da chibata “...em tudo os egípcios os sujeitavam a cruel escravidão” (Ex 1.14). Muitos judeus foram assassinados por Faraó e o pior: Faraó mandou matar todas os meninos que nascessem, todos deveriam ser jogados no rio Nilo (Ex 1.22). 

Nos primeiros versículos do capitulo 2 de Exôdo, lemos a respeito de um casamento celebrado sob essas condições difíceis, penosas: “Foi-se um homem da casa de Levi e casou com uma descendente de Levi. E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que era formoso, escondeu-o por três meses” (Ex 2.1-2). No livro de Hebreus, na galeria dos heróis da fé, lemos: “...Moisés...foi ocultado por seus pais, durante tres meses, porque viram que a criança era formosa...” (hb 11.23). 

Moisés não era o primogênito. Ele tinha uma irmã mais velha, Miriã, ainda menina, e um irmão mais velho chamado Arão, três anos mais velho. Os pais de Moisés se chamavam Anrão e Joquebede – eles esconderam seu terceiro filho por três meses ao verem que era um “menino formoso” (Ex 2.2). Não somente bonito fisicamente, mas tiveram um discernimento que aquele menino teria um destino especial...

Diante do decreto de Faraó e a busca constante dos egípcios por crianças do sexo masculino, os pais de Moisés chegaram a uma terrível conclusão: não podiam mais manter o segredo. Tinham de fazer algo. Naquele momento de agonia, desespero, tristeza, Joquebede inventou um plano criativo: “Quando não podia mais escondê-lo, pegou um cesto feito de papiro e vedou com betume e piche. Colocou nele o menino e deixou o cesto entre os juncos, à margem do Nilo” (Ex 2.3). 

Primeiro, ela pegou folhas de papiro as margens do Rio Nilo e fez um cesto. Depois, preparou uma parecida com betume, também achada as margens do Nilo e piche, tornando-o impermeável. O que percebemos nas entrelinhas do texto é que Joquebede não soltou o cesto nas correntezas do Rio Nilo, mas “colocou nele o menino e deixou o cesto entre os juncos, à margem do Nilo” (Ex 2.3).

Encontramos aqui uma mulher com grande fé em Deus. Não uma fé insensata, mas uma fé cheia de discernimento. Ela sabia o que estava fazendo. Joquebede conhecia os hábitos da filha de faraó, sabia que num certo lugar, numa determinada hora, a princesa ia banhar-se no rio. E se pusesse o cesto no lugar certo, na ocasião certa, a princesa e as suas criadas a veriam, ou pelos menos ouviriam o choro do bebê. E foi precisamente isso o que aconteceu...

“Sua irmã ficou de longe, para observar o que lhe haveria de suceder. Desceu a filha de Faraó para se banhar no rio, e as suas donzelas passeavam pela beiro do rio...” (Ex 2.4,5). É bem certo que Joquebede ensaiou várias vezes todo o plano com Miriã – onde ela ficaria, como agiria e o que diria. Podemos até ouvir a voz de Joquebede: “Faça parecer uma surpresa, Miriã. Algo espontâneo.  Voce pode fazer isso. Sei que pode. E estarei esperando. Estarei bem ali, pronta para aparecer....”.

E o texto diz: “A filha do rei do Egito foi até o rio e estava tomando banho enquanto as suas empregadas passeavam ali pela margem. De repente, ela viu a cesta no meio da moita de juncos e mandou que uma de suas escravas fosse busca-la” (Ex 2.5 NTLH). Imagina o coração da mãe nesse momento? Como poderia saber o que faria a mulher egípcia? Mas “Abrindo-o viu a criança; eis que o menino chorava. Teve compaixão dele, e disse: Este é menino dos hebreus” (Ex 2.6).

A próxima cena entra Miriã: “Então disse sua irmã à filha de Faraó: queres que eu vá chamar uma das hebreias que sirva de ama, e te crie a criança?” Ex 2.7). Ela fez tudo de acordo com o plano de sua mãe. Logo, Joquebede é chamada ao encontro da princesa, mas tinha que manter-se calma, sem chamar atenção: “Então lhe disse a filha de Faraó: Leva este menino, e cria-mo; pagar-te-ei o teu salário. A mulher tomou o menino, e o criou” (Ex 2.9). 

Portanto, o planejamento é essencial. Alguns estão desempregados e falam: “Estou esperando no Senhor para conseguir um emprego”. Como assim? Já levou o currículo? Ele responde: “Olhe, não faz isso. Estou apenas esperando em Deus. Mas, confiar em Deus não significa tornar-se desmazelado, preguiçoso, esperando tudo na mão.

Susanna Wesley, deu à luz dezenove filhos. Pode imaginar como seria sustentar e educar tantos filhos? O décimo quinto filho nascido nesse lar foi um garoto chamado John Wesley; o filho caçula chamado Charles, escreveu mais de oito mil hinos. No auge de sua carreira, Charles declarou que devia muito à fé e ao exemplo de sua mãe. Ela aplicava vinte e um princípios na educação dos filhos e filhas. Este é um deles: “Quando meu filho faz um ano, ensino a temer a vara e a chorar baixinho...”. 

2)     No palácio

“Sendo o menino já grande, ela o trouxe à filha de Faraó, da qual passou ele a ser filho. Essa lhe chamou Moisés, e disse: “Porque das águas o tirei” (Ex 2.10). Ou seja, Joquebede manteve o menino em sua companhia até três ou quatro anos. Pela graça de Deus, Moisés permaneceu com sua família tempo suficiente para firmar suas raízes e aprender sobre Abraão, Isaque e Jacó. Durante a idade mais importante, ele ficou com a sua mãe. 

Os anos pré-escolares são ímpares, anos irrecuperáveis e cruciais da vida e do desenvolvimento do filho. Se a mãe precisar trabalhar, que trabalhe o mínimo de horas possível e certifique-se de que seu filho esteja recebendo o melhor cuidado que alguém lhe possa dar. Porque esses anos são preciosos e oportunos.

A filha de Faraó lhe chamou de Moisés: “Porque das águas o tirei”. Agora, Moisés ganhou um lar novo, uma casa nova. Que mudança! Do alojamento de escravo para o palácio; da segurança familiar para um local solitário e desconhecido. Com certeza, foram anos difíceis, solitários, para o jovem Moisés. Embora no palácio tinha lençóis de linho reais, mas sem o toque da mãe que lhe amamentou, as palavras de conforto do Pai, o sorriso da irmã ou as brincadeiras do irmão Arão.

Conclusão

Quando nos recordamos da nossa infância, das dificuldades, parece que nascemos fora de tempo. Muitos nasceram agasalhados, amados, cuidados, dentro de um lar, uma casa. Mas, outros nasceram em tempos de guerra, ou, em tempos de luto, de perdas e de necessidade material. Uma moça cresceu morando em várias casas, morando de favor, por falta de pai e mãe, ou uma família.

Quantos jovens afirmam: “Meus pais me disseram que eu fui um acidente”. Sim, não estava planejado, esperado. Contudo, mesmo que tenha passado por sofrimento, abuso sexual e insegurança desde os seus primeiros dias de vida. Mas você não foi um acidente e nunca será. O profeta Isaias afirma: “Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.  Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim” (Is 49.15).