quinta-feira, 28 de abril de 2016

Vencendo a corrida da fé.  Hebreus 11.17-40.



Introdução: O apostolo continua citando exemplos de fé no Antigo Testamento. Sendo assim, há um ponto especifico que deseja destacar agora: a verdadeira fé não morre. Nada a pode extinguir.

1)       A fé olha para frente mesmo quando não há mais nada para esperar (11.17-28).

Veja o caso de Abraão (vs. 17-19). 


Deus havia dito a Abraão que ele teria numerosa descendência e um descendente muito especial. A promessa se cumpriria através de Isaque. Então, Deus mandou que Abraão sacrificasse seu filho Isaque. Abraão não duvidou, pois sabia que Deus não quebraria sua promessa nem o decepcionaria, disso tinha certeza. “Se Deus prometeu que seria por meio de Isaque a sua descendência, e agora estava pedindo para sacrificá-lo, certamente planejava ressuscitar Isaque da Morte”. É assim que que se comporta a verdadeira fé. Nada a pode apagar. Ela jamais deixa de estar convencida de que podemos confiar na Palavra de Deus.

Abraão foi o homem que teria sacrificado a Deus o mais caro da vida. Isto ocorria com muita freqüência na Igreja primitiva. Acontecia que numa casa um membro se tornava cristão e os outros não; por exemplo, os filhos se convertiam ao cristianismo e os pais não. Então a espada caía implacável sobre essa casa. Se não tivessem existido aqueles que faziam de Cristo a coisa mais preciosa de tudo, hoje não existiria o que chamamos cristianismo. Deus deve ocupar o primeiro lugar em nossa vida, ou não ocupar lugar nenhum.

Alguma vez alguém terá que sacrificar relações pessoais. Talvez se sinta chamado por Deus a certas tarefas duras e difíceis ou num lugar sem atrativo. Ele pode estar seguro de que essa é a vontade de Deus para ele. Mas talvez a jovem com a que está a ponto de casar-se não queira confrontar com ele a situação nem os rigores, as moléstias e as circunstâncias penosas da vida e a atividade numa região onde a vida é dura. Deverá escolher então entre a vontade de Deus e uma relação que tanto significa para ele.

Veja o caso de Jacó (v.21). Quando Jacó estava prestes a morrer, abençoou os dois netos – Manassés e Efraim – que seu filho José trouxera à beira de sua cama. Predisse o futuro de cada menino e demonstrou sua certeza de como os propósitos de Deus se realizariam através de cada um.
Veja o caso de José (v.22). Quando José estava próximo da morte fez os israelitas jurarem que não deixariam seus ossos no Egito, mas sim que os levariam consigo à terra prometida, promessa que cumpriram a seu devido tempo (Êxodo 13:19; Josué 24:32).

Veja o caso de Moisés (vs. 23-28). 


 Quando todos os meninos estavam sendo mortos por Faraó, os pais de Moisés, esconderam-no durante três meses, esperando que os propósitos de Deus fossem realizados. “Quando já homem feito”  tomou a decisão de  “ser maltratado junto com o povo de Deus, a usufruir prazeres transitórios do pecado (Hb 11:25). Os “prazeres transitórios do pecado”. Os prazeres são sempre mais agradáveis do que andar na retidão, em principio. Seu coração bate mais depressa quando você esta perto do pecado. Mas é por algum tempo...são transitórios...passageiros.

Moises abandonou o Egito. Por quê? Por causa da fé. Deus o fez sair. Deus o moveu. Moises decidiu deixar o que lhe era familiar, embora o Egito corresse em suas veias. A maior batalha é deixar o Egito. É um risco de fé. É difícil porque nascemos e fomos criados para nos apegar às coisas. “VIVEMOS PELA FÉ OU NA VERDADE NÃO VIVEMOS. OU NOS AVENTURAMOS OU VEGETAMOS. OU ARRISCAMOS OU ENFERRUJAMOS”.

Moisés celebrou a páscoa.  O sangue nos batentes das portas. A refeição feita às pressas, com sandália nos pés e um cajado na mão. Essas eram instruções completamente novas para Moises e os israelitas. Nunca haviam sido dadas antes.


2)   A fé segue em frente mesmo quando tudo o mais falha (11.29-40).
Veja o que aconteceu no Mar Vermelho (v.29). Parecia impossível a travessia do mar Vermelho. Era contra a razão. Mas a fé não morre em tais situações. Os israelitas creram na palavra de Deus e agiram de acordo com a crença de que o Senhor estava junto deles. Na manhã seguinte, estavam todos são e salvos no outro lado, ao contrário dos egípcios, que, desprovidos de fé, se afogaram.
Veja o que aconteceu em Jericó (versículos 30-31). 

Jericó era uma cidade grande e bem fortificada. Tomá-la parecia uma tarefa impossível. Segundo o mandato divino o povo devia rodear uma vez por dia durante seis dias em torno da cidade guiado por sete sacerdotes com a arca à frente e levando trombetas de chifres de carneiros. Durante seis dias a marcha devia realizar-se em silêncio. Ao sétimo dia os sacerdotes deviam tocar as trombetas depois de ter dado a sétima volta à cidade, o povo devia gritar com todas as suas forças e o muro da cidade seria derrubado. A fé continuou, sem esvaecer: deu o grito da vitória, viu achatarem-se os muros, e logo os judeus completaram a conquista.
Veja toda a história de Israel (vs. 32-38). O que o apostolo nos ensina  é que todos quantos foram grandes heróis naquela nação, o foram por serem pessoas de fé. Foi pela fé que fizeram o que fizeram. E o que fizeram? Grandes atos de coragem, valor, bravura, ousadia e perseverança. Perseguidos suportaram dor e tortura. A frase subjugaram reinos ,  aplica a Davi. A expressão fecharam a boca de leões é a mesma que se refere a Daniel. A frase extinguiram a violência do fogo retrocede diretamente à história de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. E escaparam ao fio da espada era dirigir os pensamentos do leitor ao modo em que Elias escapou à ameaça de assassinato.
Qual era o segredo deles? Estavam certos de que a Palavra de Deus era verdade, que o que disse realmente aconteceria, que o que prometeu seria deles sem falta. A certeza deles era maior do que qualquer outra coisa e, assim, jamais desistiram, jamais cederam, jamais voltaram ao que era antes, jamais deram as costas para seu Deus e jamais viveram da mesma maneira que as outras pessoas.

Conclusão: 
Hb 12-1-4. Agora, nós estamos na corrida pela fé. Todos os heróis “nuvens de testemunhas” estão olhando para nós. É como se todos os que viveram e morreram na fé estivessem nos observando, como está aquele que nos escolheu para a corrida, que a correu com perfeição e agora está na linha final aguardando nossa chegada. Devemos desistir – nós que só enfrentamos dificuldades pelas quais outros já passaram? Fraquejaremos, vamos abandonar a pista, desistir e ir embora? Falharemos na corrida em que fomos inscritos? 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O exercício do Quebrantamento


“Deus cria a partir do nada; portanto, Ele somente pode fazer algo a partir do nada; portanto, Ele somente pode fazer algo de nós quando não formos nada”. Martinho Lutero.

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos (Is 57.15)”.  De acordo com esse texto, Deus tem dois endereços. O primeiro num “alto e santo lugar”, ou no céu (Sl 115.3). O segundo, Ele mora com aquele que possui um coração abatido e contrito (Mt 5.3). Davi aprendeu e declarou esta verdade: “Sacrificios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito que não o desprezarás, ó Deus (Sl 51.17).

1)           O que é quebrantamento.

A palavra quebrantamento traduz a palavra bíblica contrição. Essa palavra sugere algo que foi esmagado em minúsculos pedaços, tal como uma rocha que se tornou pó. O salmista Davi diz: Perto está o Senhor dos que tem o coração quebrantado  e salva os de espírito oprimido (Sl 34.18).

O quebrantamento consiste em tres coisas: a) é o rompimento da nossa vontade pessoal e total rendição à vontade de Deus; b) é abrir mão da autoconfiança e da independência de Deus; c) é o amolecimento do solo do nosso coração para que a Palavra de Deus penetre e lance raízes.

2)           Avalie seu orgulho.


O orgulho é o pior dos males  que podem nos sobrevir. De todos os nossos inimigos, ele é o que perece com mais dificuldade e mais lentamente. Precisamos combater o orgulho do nosso coração, pois Deus resiste ou rejeita os soberbos (Pv 3.34; Tg 4.6; 1 Pe 5.5). Avalie o nível de orgulho presente no seu coração:

a)           O orgulhoso olha para os fracassos dos outros e está sempre pronto a mencioná-los.
b)           O orgulhoso tem um espírito critico e está sempre procurando erro nos outros. Enxerga as falhas alheias com um microscópio, mas olha as suas com um telescópio.
c)            O orgulhoso tem a tendência de criticar quem se encontra em posição de autoridade (o presidente, o patrão, o marido, os pais e o pastor), e comenta com outras pessoas as falhas percebidas.
d)           O orgulhoso se autojustifica; tem um conceito elevado de si mesmo e menospreza os outros.
e)            O orgulhoso tem um espírito independente e autossuficiente.
f)             O orgulhoso quer provar que sempre está certo e deseja sempre ter a última palavra.
g)           O orgulhoso exige sempre os seus direitos e a preservação de sua reputação.
h)           O orgulhoso deseja sempre ser servido, quer a vida gire em torno de si e de suas necessidades.
i)              O orgulhoso tem o sentimento de que a igreja é privilegiada por poder contar com ele.
j)              O orgulhoso busca sempre se autopromover.
k)            O orgulhoso deseja intensamente ser reconhecido e apreciado por seus esforços.
l)              O orgulhoso fica magoado quando outros são promovidos em vez dele.
m)         O orgulhoso fica satisfeito com os elogios e se deixa abater pelas criticas.
n)           O orgulhoso se preocupa com a opinião das pessoas a respeito dele.
o)           O orgulhoso não aceita ser corrigido ou disciplinado.
p)           O orgulhoso tem dificuldade de aceitar os seus erros e pedir perdão.
q)           O orgulhoso não conhece a verdadeira condição do seu coração.
r)             O orgulhoso considera que não precisa de arrependimento e avivamento espiritual.

3)           Pratique o quebrantamento.



a)           Quebrantamento é aproximar-se de Deus. Tiago recomenda: Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros (Tg 4.8). É quando você se aproxima de Deus por meio da oração e da leitura bibilica. Lembre-se: Deus não rejeita a oração de alguém que o busca de todo o coração (Sl 66.18-20; Jr 29.13).

b)           A Palavra de Deus é viva e eficaz, é como uma espada que penetra no coração mais duro (Hb 4.12-13).

c)            Confesse seus pecados. Quando nos aproximamos de Deus, pela oração e meditação bíblica, começamos a enxergar o quanto somos pecadores. Essa foi a experiência de Isaias: Então disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Is 6.5).

d)           Tome atitudes de obediência a Deus. Atitude é um sentimento interior que se expresssa pelo comportamento exterior. É a capacidade de transformar pensamentos em ações. Na linguagem de Tiago, é ser ouvinte e praticante da Palavra. Tornai-vos, pois, praticantes da Palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos (Tg 1.22).

Fonte:  Dieta espiritual  - socep Editora Ltda

terça-feira, 19 de abril de 2016

Vivendo pela fé – Hebreus 11.1-16


Introdução: o que é fé?

A idéia popular a respeito da fé se trata de um certo otimismo obstinado: a esperança tenazmente assegurada, face à adversidade, de que o universo é fundamentalmente amigável e de que as coisas podem melhorar. Isso é uma atitude confiante que seja divorciada de um objeto que corresponda a essa confiança não é a fé no sentido bíblico.

Contemporânea: “O fato essencial da existencia é que esta confiança em Deus, esta fé é o alicerce sólido que sustenta qualquer coisa que faça a vida digna de ser vivida”

King James: “Ora  fé é a certeza de que haveremos de receber o que esperamos, e a prova daquilo que não podemos ver”.

NTLH:  “A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver”.

Nos antigos dias de perseguição levaram a um humilde cristão perante os juízes, o qual lhes disse que nada do que fizessem poderia comovê-lo porque cria que se era fiel a Deus, Deus seria fiel a ele. "Pensa verdadeiramente", perguntou-lhe o juiz, "que alguém tal como você participará de Deus e de sua glória?" "Não o penso", disse o homem, "sei".

Na Bíblia ter fé ou crer (no grego, o substantivo é pistis; o verbo é pisteuõ – cujo significado é “confiar para dentro de” ou “confiar sobre”. De várias maneiras o objeto da fé é descrito como sendo Deus (Rm 4.24; 1 Pe 1.21), Cristo (Rm 3.22), as promessas de Deus (Rm 4.20), etc. 

A fé que salva é a mão da alma. O pecador é como um homem que está se afogando, prestes a afundar de vez. Ele vê o Senhor Jesus Cristo oferecendo-lhe ajuda. Ele a aceita e é salvo. ISSO É FÉ.

A fé que salva é o olho da alma. O pecador é como um israelita picado por uma serpente venenosa no deserto e que esta à morte. O Senhor Jesus lhe é oferecido como a serpente de bronze, levantado para sua cura. O pecador olha para ele e é curado. ISSO É FÉ (Jo 3.14-15).

A fé que salva é a boca da alma. O pecador está definhando por falta de comida e sofrendo de uma doença dolorosa. O Senhor Jesus lhe é apresentado como, o pão da vida e o remédio universal. Ele o recebe e fica bem de saúde e forte. ISSO É FÉ (Jo 6.35).

A fé que salva é o pé da alma. O pecador é perseguido por um inimigo mortal e teme ser vencido. O senhor Jesus lhe é apresentado como uma torre forte, um refúgio e um esconderijo. O pecador corre para ele e fica em segurança. ISSO É FÉ (Pv 18.10).

1)  A fé sendo demonstrada (Hb 11:4-6).


Abel (v.4). O Deus invisível era realidade para Abel, que desejava aproximar-se dele. Ele agiu em pura obediência à palavra de Deus e o seu sacrifício foi aceito. Seu irmão Caim, porém, seguiu outro caminho, presumivelmente por achar que conhecia outro melhor. Portanto, Abel é a prova de que aqueles que se aproximam de Deus mediante a fé são aceitos; os demais, rejeitados.

Enoque (Gn 5.21-24).

Enoque andou com Deus. Andar com Deus é conhecê-lo. Fazer a sua vontade. Sentir a sua presença. De fato, esta é a essência da fé cristã. O cristianis­mo não consiste num credo ou numa filosofia, mas num relaci­onamento. Voce tem uma religião ou uma relação? (Sl 42.1). Enoque andava e conversava com Deus, até que um dia caminhou com ele até sua morada e nunca mais voltou. 

Noé (v.7).
Noé cresceu num mundo onde nunca tinha chovido, então, como é que sabia que choveria? Sabia, porque Deus lhe falou, e creu em Deus, apesar de não haver evidencias palpáveis que pudessem fornecer provas. Agindo com base nessa verdade invisivel, e agindo em temor, Noé gastou um século construindo a arca pela que ele e sua familia acabariam sendo salvos. No final, quando as aguas desceram, a sua fé foi vindicada, e o mundo à sua volta foi desmacarado por sua falta incredulidade. 


Abraão (vs. 8-10).

Abraão deixou sua terra rumo ao desconhecido, sem depender de nada exceto do fato de que Deus lhe falara e prometera uma herança. Deixou aquilo que as outras pessoas chamam de certezas pelo que tais pessoas chamam de incertezas, pois ele mesmo não via as coisas dessa forma. Abraão era homem de fé e, portanto, a Palavra de Deus era para ele mais segura do que qualquer outra coisa. Ele suportou viver como nômade em tendas todos aqueles anos. Deus lhe deu promessas, as repetiu para Isaque e depois a Jacó. 

Sara (vs. 11-12).

Sara, mulher de Abraão, demonstrou a mesma fé. Tinha lá suas dúvidas, mas sua fé era verdadeira. Era idosa demais para ter um filho. Mas ela creu que teria e, no devido tempo, concebeu, basenado-se apenas na promessa de Deus. Foi assim que um velhinho, ele mesmo como se já morto pela idade, tornou-se ancestral de um imenso povo. 

Se perguntássemos a qualquer um desses heróis o que procuravam na vida, teriam dado a mesma resposta. Estavam a procura de uma pátria (v.14). Essa realidade era tão grande no seu pensamento que não cogitavam viver como as outras pessoas. Não desejavam voltar para o que eram antes, ainda que tivessem muitas oportunidades para isso. Todo o seu coração, todas as suas esperanças – estavam na chegada, com segurança, à habitação eterna, no céu. O que, acima de tudo mais, era real para eles? Deus, o Deus invisível. De que, acima de tudo, eles tinham maior certeza? De que a Palavra de Deus é confiável e verdadeira e que a glória eterna aguarda aqueles que andam com o Senhor.

Conclusão: 

E, você tem fé? O Deus invisível é, para você, a realidade? Voce considera a Palavra dele infalível? Se sim, isso o leva a aproximar-se de Deus conforme ele ensinou, assim como fez Abel? Isso o move a ver que agradá-lo é coisa mais importante da vida, como percebeu Enoque? Isso o inspira a obedecer-lhe, mesmo quando parece estar jogando tudo fora, do mesmo modo que Abraão obedeceu? Isso o impulsiona a confiar no que Deus disse que aconteceria, ainda que parecesse impossível, como Sara confiou?


terça-feira, 12 de abril de 2016

JESUS – MEDIADOR DE UMA ALIANÇA MELHOR (Hb 8.1-13).

Introdução.

1)   Sombras versus realidade (Hebreus 8.1-5).
O que é importante é isso: em Cristo, nós, os cristãos, temos um sacerdote que é único – segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 7.17-19) – superior aos profetas (Hb 1.2), aos anjos (Hb 1.6), a Moisés (Hb 3.3) e Arão (Hb 7.9). Ele é sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque, que pode fazer para o pecador tudo o que precisa ser feito. É capaz de salvar homens e mulheres agora, de maneira total e eterna (Hb 7.25,26).

Jesus – nosso sumo sacerdote – está assentando à destra de Deus (8.3; 1.3). Ele exerce seu ministério no céu, onde ocupa uma posição de realeza. Não ministra no tabernáculo ou no templo, que são sombras terrenos  da realidade celestial (v.2). Não,  ele ministra na própria realidade celestial. Não exerce seu sacerdócio  em uma tenda erguida por homens. Essa tenda seria apenas uma representação pictórica daquilo que é real, e é ali que ele ministra – na habitação do próprio Deus (Hb 10.1)

O apostolo estabelece essa diferença entre a lei e o evangelho, no sentido que a lei prefigurou de forma elementar e imprecisa o que hoje (no evangelho) é expresso com vivas cores e graficamente visível.


Ora, a essência mesma do sacerdócio está em que um homem se apresenta diante de Deus como representante do povo e oferece dons e sacrifícios. Se Cristo é realmente sumo sacerdote. Em Hebreus 9.11-12 diz o que Cristo ofereceu. Sua presença no céu nos fala do fato de que a sua oferta foi de uma vez para sempre.

Aqueles sacerdotes não exercitavam um ministério realmente sacerdotal. Eram representações imperfeitas, quadro em sombras das realidades celestes. A verdadeira habitação de Deus não é um tabernáculo terrestre, mas o céu. Deus instruiu Moisés a fazer um santuário que fosse cópia e sombra terrena do que existe no céu (Hb 8.5). Isso foi feito para transmitir  à nossa mente finita uma idéias das realidades invisíveis e espirituais. O ministério de nosso Senhor não é exercido na representação física, mas no próprio céu. Este é o sumo sacerdote que temos.

2)   Cristo é mediador de uma melhor aliança (Hb 8.6-13).


 a)   O que é aliança? É uma concordância entre duas ou mais partes, normalmente duas. Mas, com Deus é diferente. Pois, a aliança com Deus é uma concordância unilateral onde ele, a parte superior, promete benefícios extraordinários, mas também dita termos que não estão abertos à negociação. Por exemplo, o pacto que Deus fez com seu povo no Monte Sinai. Tendo Deus escolhido seu povo, prometeu-lhes bênçãos  e ditou os termos. Se obedecessem, gozariam as bênçãos prometidas. Se não obedecessem, perderiam as bênçãos e experimentariam, em seu lugar, as maldições de Deus. O v.6 diz que veio às nossas mãos, por meio de Cristo, uma melhor aliança. 

 O autor dá a Jesus um título importante; chama-o mediador, mesites. Este substantivo provém de mesos que neste caso significa no meio; um mesites é alguém que está no meio de dois homens para uni-los. Quando Jó desejava desesperadamente ser de algum modo capaz de levar seu caso a Deus exclama sem esperança: “Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.” (Jó 9:33). Paulo chama Moisés o mesites (Gálatas 3:19) porque interveio para trazer a Lei de Deus aos homens.

b)       Por que foi necessária uma nova aliança? (8.7-8). Se a antiga aliança tivesse dado certo, não haveria necessidade de substituí-la. Mas o fato é que ela não supria o que era exigido do pecador. Não levou ninguém a um andar mais intimo com Deus (Rm 7:7-24).

c)   Tal aliança foi alguma vez prometida (Hb 8.8-9,13)? Por exemplo, tomemos o que Jeremias disse em seu livro (Jr 31.31-34, Ez 26.26,27; Hb 8.8-9). O profeta Jeremias não via nenhuma esperança de sua nação apóstata voltar a andar com Deus. O Senhor revelou a Jeremias que faria uma nova aliança e que mediante essa aliança, a lei de Deus estaria no coração deles, e não apenas em um código escrito. 



d)  O que seriam as “superiores promessas mencionadas”? (Hb 8.10-12). Nela é prometida que Deus colocará a lei em nossa mente e a escreverá em nosso coração (v.10). Mas o que isso significa? Os judeus do Antigo Testamento não tinham uma inclinação para obedecer aos mandamentos de Deus, como repetidamente prova sua história. Tinham um código externo, mas seu coração não estava apaixonado por ele.

A Nova Aliança opera com uma finalidade bem definida: “colocar as minhas leis no seu entendimento...” e “em seu coração as escreverei”. A lei gravou em tábuas de pedra os padrões a cuja satisfação os seres humanos provaram ser incapazes. A Nova Aliança grava o desejo de agradar a Deus em nosso ser mais interior e nos leva a fazer as mesmas coisas que a Lei exigia, mas não conseguia produzir.  

O cristão da nova aliança é totalmente diferente. Ele pode dizer: “No tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Rm 7.22). Portanto, a lei não é apenas um livro-texto – é algo que ele ama do fundo do coração (Jo 14.21).



“SE EU TE ADORAR POR MEDO DO INFERNO, QUEIMA-ME NO INFERNO, SE EU TE ADORAR PELO PARAÍSO, EXCLUA-ME DO PARAÍSO, MAS SE EU TE ADORAR PELO QUE TU ÉS, NÃO ESCONDA DE MIM A TUA FACE!” (Rabia, 800 d.C.)

Outra promessa do Senhor é também enunciada no versículo 10: “Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”. Nos temos no coração o Espírito Santo, por meio de quem clama “Aba, Pai” (Rm 8.15-17). Portanto, somos filhos de Deus e estamos ligados pelos laços de amor e afeição familiar. E, o versículo ensina que na Nova Aliança – todo crente, meninos e meninas – conhecerão ao Senhor pessoalmente.

E no versículo 12, temos a promessa do perdão dos nossos pecados. No Antigo Testamento eram oferecidos sacrifícios de touros, cordeiros ou pombos e as pessoas jamais gozavam ou eram inundadas por um senso de remissão, perdão e paz com Deus (Hb 10.4). Mas em Cristo, nossos pecados foram cravados na conta de Cristo na cruz, e a sua justiça foi foi atribuída (Rm 1.17). Agora, gozamos o perdão dos nossos pecados – pecados de nossa natureza, pecados abertos, pecados secretos, pecados repetidos, pecados de ontem, pecados de hoje, pecados de amanhã, pecados de comissão ou pecados de omissão – todo pecado! Deus não se lembra mais deles.

Conclusão:



Voce anseia por essas bênçãos descritas na Nova aliança? Nenhuma religião – nem a religião do Antigo Testamento – pode oferecê-las a você. Venha até a Ele e confesse seus pecados e receberás todas as bênçãos da Nova Aliança.

Bibliografia

Bíblia de Estudo Almeida
Comentário devocional da Bíblia - CPAD - Lawrence O. Richards
Comentário de João Calvino - Hebreus
Carta aos Hebreus - bem explicadinha - Stuart Olyott 

terça-feira, 5 de abril de 2016

TEMPO, INTIMIDADE E ALIANÇA – Ct 8.6-7



Introdução: Frases sobre o casamento:
“Matrimonio – mar alto para o qual ainda não se inventou bússola”.

"De todas as formas, casem-se. Se conseguirem uma boa esposa, serão duplamente abençoados. Se conseguirem uma má esposa, voces se tornarão filósofos". Sócrates. 

“Um antigo provérbio árabe afirma que o casamento começa com um príncipe beijando um anjo e termina com um careca olhando para uma mulher gorda do outro lado da mesa”.

Luis Fernando Veríssimo, em seu livro Novas Comédias da Vida Privada, conta a história do relacionamento entre Maria Tereza e Noberto. Durante o namoro e os primeiros anos do casamento, Noberto gostava de pegar na mão de sua companheira e, diante dos amigos, referir-se a ela como “Quequinha”. Mas, com o passar do tempo, Maria Tereza passou a ser chamada de “a mulher aqui” e, às vezes, de “esta mulherzinha”. À medida que conta a história da degradação desta relação, Veríssimo constantemente faz uso das seguintes palavras:

O tempo, o tempo.
O amor tem mil inimigos, mas o pior deles é o tempo.
O tempo ataca em silêncio.
O tempo usa armas químicas...
O tempo captura o amor e não mata na hora.
Vai tirando uma asa, depois a outra.

1)   Definições: intimidade, tempo e aliança.
Intimidade:  é a matéria-prima de relacionamentos sadios e estáveis. Na medida em que uma relação aprofunda, duas pessoas vivem momentos de felicidade e de angustia,os quais se tornam parte de uma memória comum. Assim duas histórias tornam-se uma única (1 Pe 3.6).


“. . . e te prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias da minha vida.”

Tempo: o tempo tem o poder de oferecer o espaço necessário para solidificação de uma relação sadia e a concretização de uma cumplicidade conjugal. Por outro lado, o tempo também pode correr uma relação de lembranças ordinárias contadas com irreverência numa roda de amigos. Pouco a pouco o afeto se vai, as palavras de carinho desaparecem e os toques tornam-se mera cordialidade.


Quando o tempo corrói os sentimentos, duas pessoas se veem confusas quanto ao que fazer com toda a intimidade adquirida ao longos dos anos. Momentos foram vividos juntos, juras foram feitas, limitações expostas, confissões verbalizadas e sonhos descritos. E, agora? O que fazer com tudo isso? Romper? Depois de anos de intimidade, o que é meu ou o que é teu?”

Aliança: é o acordo estabelecido entre duas pessoas de buscarem, ao longo da vida, a felicidade do outro. É o compromisso de permanecerem juntas dedicando-se uma a outra, mesmo quando o sentimento se mostrar instável. É um compromisso aonde as virtudes são celebradas e as limitações acolhidas, é uma decisão mesmo quando a beleza física da juventude se esvai ou a paixão da adolescência se dissipa.

Stephen Kanitz, numa ocasião escrita por ocasião de seu 30º aniversário de casamento, escreve:
Quando você prometer amar alguém para sempre, está prometendo o seguinte: “Eu sei que nós dois somos jovens e que vamos viver até os 80 anos de idade. Sei que fatalmente encontrarei centenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que você ao longo de minha vida e que você encontrará dezenas de homens mais bonitos e mais inteligentes que eu. É justamento por isso que prometo amar você para sempre e abrir mão desde já dessas dezenas de oportunidades conjugais que surgirão em meu futuro. O objetivo do casamento não é escolher o melhor par possível mundo afora, mas construir o melhor relacionamento possível com quem você prometeu amar para sempre”.

2)     Um casal altamente bíblico.



Um anseio de intimidade. O livro de Cantares tem inicio numa declaração que manifesta todo o desejo humano por intimidade: Cantares 1.2:

“Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho”.



O vinho tem a capacidade de criar um clima de suposta intimidade. Pessoas embriagadas falam umas com as outras como se fossem intimas. No entanto, passado o efeito do álcool, sentem-se envergonhadas pelo que foi dito.

Nos dias atuais, temos muitos casamentos sendo estabelecidos sobre “muito vinho”. Como: apartamentos decorados, viagens para o exterior, eventos sócias, bens materiais, funcionam como uma espécie de vinho na relação.  Por isso, o casal do livro de Cantares opta por construir uma relação baseada na verdadeira intimidade: “muitos beijos e pouco vinho”, eles querem construir um relacionamento concreto com o outro, enquanto pessoa, e não com as coisas e eventos que giram em torno da relação.

Uma dificuldade: Encontros e desencontros (Ct 3.1,2; 5.5,6-8).

Já era tarde, e a Sulamita estava deitada esperando ansiosamente a volta do seu marido para casa. Finalmente, quando ele chegou, ela estava aborrecida com a sua demora e hesitou em abrir-lhe a porta: “Deixe-me entrar, minha querida, meu amor, minha pombinha sem defeito...(v.2). Enquanto isso, a Sulamita tentava decidir o que devia fazer: “O meu amor passou a mão pela abertura da porta, e o meu coração estremeceu” (v.4). Salomão percebeu que estava sendo rejeitado e resolveu ir embora. Quando a esposa abriu a porta, não adiantava mais. Ele havia partido: “Então abri a porta para o meu amor, mas ele já havia ido embora. Como eu queria ouvir a sua voz! Procurei-o, porém não o puder achar; chamei-o, mas ele não respondeu” (v.6).

Mas, o que isso nos mostra? Primeiramente, que a intimidade não é algo que alcançamos da noite para o dia. Ela carece de tempo e das variadas experiências, boas e ruins. Em segundo lugar, a intimidade implica em encontros e desencontros. Por último, a intimidade só é alcançada por aqueles que perseveram.

Uma demanda: Aliança (Ct 8.6).


O selo na antiguidade era o símbolo maior de um acordo estabelecido, um compromisso assumido ou uma aliança feita. Enquanto o selo no coração aponta para uma decisão íntima, o selo no braço fala de uma decisão pública. E qual é a decisão? Um homem e uma mulher não mais pertenceriam a si mesmos, mas um ao outro.
O amor é comparado com a morte. Estranha comparação, não é? No entanto, a ideia aqui aponta para o caráter definitivo da decisão de amar ao outro. Portanto, o amor não como um sentimento, mas como uma decisão ou atitude.

“Doravante, não será o amor que sustentará o casamento, mas o casamento sustentará o amor” Dietrich Bonhoeffer: a aliança (o casamento) deve sustentar o amor (sentimento, romance) e não o contrário.

Somente quando as bases de um amor estão firmadas numa aliança, é que podemos experimentar o que diz Cantares 8.7.



As muitas águas e as correntezas são sinônimos das adversidades enfrentadas que sobreveem ao amor. Os bens oferecidos em troca do amor, representam as propostas sedutoras que tentam sabotar o amor dedicando-o a outra pessoa que não o cônjuge.

Conclusão: “O segredo do casamento”, Sttephen Kanitz
 Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar.
Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.
O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.

O segredo no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.

Bibliografia:
Biblia da Familia
Feitos para Durar - Ricardo Agreste
Biblia Almeida - comentário.