terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 Jonas prega em Ninive       -      Jn 3 

Introdução

Todas as versões do capítulo 3 é unânime em afirmar: “A palavra veio a Jonas pela segunda vez...”. Deus, novamente, pela segunda ordena Jonas para pregar na grande cidade de Nínive. “Levante-se, vá à grande cidade de Nínive”. Deus não dá um sermão, simplesmente, lhe dá uma nova oportunidade de cumprir sua missão. Isto é típico do caráter de Deus. 


Deus sempre dá uma segunda chance aos fracassados. Quem foi lançado ao fundo do mar, dessa vez, não foi o profeta Jonas, mas foi seu pecado. Como disse o profeta Miquéias: “Voltarás a ter compaixão de nós; pisarás nossas maldades sob teus pés e lançaras nossos pecados nas profundezas do mar” (Mq 7.19). Aliás, o profeta Isaías, enfatiza sua imensa graça: “Embora seus pecados sejam como o escarlate e os tornarei brancos como a neve; embora sejam vermelhos como o carmesim, eu os tornarei brancos como a lã” (Is 1.18).

 Vejam a atitude do apostolo Pedro. Ele bateu no peito afirmando que nunca negaria Jesus, no entanto, quando o galo cantou pela terceira vez ele negou Jesus por três vezes. Quando se reuniram as margens do mar da Galileía, Jesus olhou para o apostolo Pedro e disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. Todos nós temos falhas, algumas menores, mas outras gritantes. Mas, por causa da sua graça, Ele confia em gente que fracassa e dá, uma segunda oportunidade.

1)     Pela segunda vez

“Pela segunda vez...”. Que pena que Deus tenha precisado falar uma segunda vez com Jonas! Quantas dificuldades teriam sido evitadas se o profeta tivesse sido obediente logo da primeira vez. Por causa da desobediência, Jonas desceu para Jope, desceu para o navio, desceu para o porão do Navio e, finalmente, desceu na boca de um grande peixe. A obediência é a melhor maneira de prevenir a descida. Deus não gosta de ser desobedecido.

“Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive”. Agora a linguagem é mais incisiva. “....a mensagem que eu te ordeno”. Portanto, é uma ordem que o profeta deve acatar, deve pregar a minha Palavra. Não podia retroceder, não podia titubear, não podia sair pela tangente. O que muitos fariam alegremente para semear o evangelho, Jonas faria como uma obrigação, como uma imposição. 

Logo, o profeta Jonas não era livre para escolher por si mesmo o que diria aos homens. Não foi até eles para lhe falar sobre suas experiencias, testemunhos. Ele decidiu o conteúdo de sua pregação. Já estava decidido! O nosso testemunho deve estar firmemente ligado à Palavra de Deus. O apostolo Paulo escrevendo para a igreja de Corinto, ele diz: “Quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2.1-4).

Quando Deus lhe falou pela primeira vez, Jonas levantou-se para fugir da presença de Deus: “Levanta-te e vai a grande cidade de Ninive...Jonas se levantou, mas, foi em direção de Tarsis, a fim de fugir do Senhor” (Jn 1.1-2). Agora, se levanta para obedecer. E desta vez seu destino, sua missão, seu chamado é para Ninive. Sua atitude agora é “segundo a Palavra do Senhor” (Jn 3.1-2).

Diz-nos o texto que Ninive era uma grande cidade “Mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem discernir a sua mão direita e a esquerda”. Se essa expressão, conforme os comentaristas, é um idiomatismo hebraico, então se refere a cento e vinte mil crianças, logo, a população seria de seiscentos mil habitantes. Que vasto campo missionário para um pregador!

2)     Sua mensagem

“Daqui a quarenta dias Nínive será destruída” (Jn 3.4). “Daqui a quarenta dias Nínive será subvertida” ARC). Subvertida equivale ao mesmo verbo usado para a destruição de Sodoma e Gomorra por Deus (Gn 19.21,25,29). “Quarenta dias” são um período de provação, significa algo acabado, completado. 

Os quarenta dias na Arca de Noé foram uma provação. “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6.5).  Uma geração má, uma geração violenta, uma geração corrompida pelo pecado, levando toda sujeira para as gerações futuras.

Os quarenta anos de Moisés no deserto de Midião foi uma completude, uma escola de crescimento. E, mais, foi uma maneira de aprender que só existe só um que é portentoso, maravilhoso, poderoso: “O Senhor apareceu a Moisés numa chama de fogo do meio duma sarça” (Ex 3). Não era Faraó, mas o “Eu sou o que Sou”!

Os quarenta anos no deserto foram um treinamento para viver as promessas de Deus, viver pela fé no perigoso deserto do Sinai. Durante o dia havia uma coluna de nuvem guiando, de noite, uma coluna de fogo. Por quarenta anos, Deus mandou maná do céu, da rocha saiu água. Sim, quarenta anos, para provar que Deus cuida, como a menina dos seus olhos.

Os quarenta dias de fuga de Elias o levaram das ilusões perigosas que vinham da corte de Jezabel, que queria mata-lo,  para o lugar da revelação de Deus. Andou Elias pelo deserto com receio de ser morto, mas lá na caverna Deus manifestou ao profeta, não no vento, nem no terremoto, muito menos no fogo, mas na brisa suave do vento, ele ouviu a voz de Deus.

Os quarenta dias que Golias atormentou os israelitas “todos os homens em Israel, vendo aquele homem, fugiram diante dele, e temiam grandemente”. Todos os dias, o exército de Saul foi fustigado pelo temor; não havia um homem com coragem para enfrentar o gigante. Até que no quadragésimo dia, apareceu Davi, para mostrar “Tu vens contra mim com espada, lança e escudo pontiagudo; eu, no entanto, venho contra ti em Nome do Senhor, o Senhor dos Exercitos...” (1 Sm 17.45).

Os quarenta dias que Jonas anunciou em Nínive: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída”, era uma mensagem de misericórdia quanto uma mensagem de juízo. Se o povo se arrependesse de seus pecados Deus teria misericórdia dos ninivitas; mas se o povo continuasse em sua obstinação, a cidade seria subvertida, destruída.

Em cada caso, o número quarenta funciona como aviso, cuidado! o último dia, o quadragésimo dia, molda o conteúdo dos trinta e nove anteriores. Se os quarenta dias são bem-sucedidos, a vida começa de maneira nova. Mas, se os quarenta dias são ignorados, a vida será subvertida. A arca naufraga e todos morrem; os israelitas voltam para o Egito para ser escravo e fazer tijolo para Faraó; Elias se sucumbe diante da pressão de Jezabel; Golias vence e o povo de Israel sai derrotado; Moisés passa os restos dos seus dias cuidando de ovelhas em Midiã... 


3)     Arrependimento

Para espanto do profeta Jonas as pessoas não zombaram dele nem lhe fizeram nenhum mal. As pessoas de Nínive “creram em Deus” (Jn 3.5), e a cidade respondeu a sua pregação de três dias. O termo hebraico para “arrepender-se” ocorre quatro vezes nos versículos 8 a 10 “...converterão cada um de seu mau caminho” (v.8). isto é, contrariando, todas as expectativas, a poderosa, orgulhosa e violenta cidade de Nínive, vestiu-se de pano de saco – um sinal de arrependimento em massa.

“Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos” (v.9). Eles fizeram do “maior até o menor” (v.5). Os habitantes de Nínive creram em Deus, desde o mais importante até o mais humilde, declararam um jejum e se vestiram de pano de saco. O rei de Ninive “...desceu do trono, tirou as vestes reais, vestiu-se de pano de saco e sentou-se sobre um monte de cinzas” (v.6). 

Conclusão

Em janeiro de 1907, ocorreu uma conferencia bíblica, na capital da Coréia do Norte. A igreja tornou-se profundamente convicta de seu pecado, especialmente quando foi exortada a se arrepender de seu ódio tradicional pelos japoneses. Os coreanos presentes naquela conferencia viram que, perante Deus, eram igualmente pecadores e condenados juntamente com todos os demais seres humanos, ainda que resgatados  pela mais pura e vistosa graça de Cristo. Isso dissipou deles o orgulho e a amargura.

 As pessoas iam de casa em casa para reatar relacionamentos rompidos e devolver coisas roubadas. Os cultos de adoração estavam cheios de um novo poder. O resultado foi um crescimento explosivo da igreja. Houve muitos movimentos espirituais desse tipo ao redor do mundo na história da igreja. 

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