Quem és tu, Jonas? Jn 1.1-10
“O Senhor, porém, fez soprar
um forte vento sobre o mar, e caiu uma tempestade tão violenta que o barco
estava prestes a se arrebentar” (Jn 1.4).
O Senhor “fez soprar um
vento forte”, o verbo “fez” é usado para descrever a ação de atirar uma arma como
lança (1 Sm 18.11). Aqui nesse texto “Saul arremessou a lança contra Davi...”. A
imagem de Deus lançando uma poderosa tempestade sobre o mar, ao redor do barco
de Jonas, é bem vivida. O profeta Naum expressou: “O Senhor anda pelo meio das
tempestades e dos ventos violentos...” (Nm 1.3). Era um vento muito “grande” a
mesma palavra para descrever a cidade de Ninive.
1)
Tempestades.
Todo ato de desobediência a Deus tem uma tempestade vinculada a si. Todo pecado lhe trará dificuldades. Se pecarmos contra Deus, contra nosso corpo, nossos relacionamentos, eles nos atacarão de volta. Há consequências. Se violarmos a lei de Deus, estamos violando nosso próprio caminho, visto que Deus nos criou para conhecê-lo, servi-lo e amá-lo. Se edificarmos nossa vida e seu sentido em algo além de Deus, agiremos contra a natureza do universo, de nosso próprio ser.
Há uma grande tempestade dirigida diretamente a Jonas. A maneira súbita como ela surge e sua fúria são aspectos que até mesmo os marinheiros pagãos conseguem discernir como algo de origem sobrenatural. As consequências do pecado são geralmente mais parecidas com a reação física que alguém sente diante de uma dose debilitante de radiação. A pessoa não sente dor de imediato, no exato momento que é exposta à radiação. Não é como se estivesse sendo atravessada por uma bala de revólver ou uma espada. A pessoa se sente absolutamente normal. Só mais tarde apresenta sintomas, mas aí será tarde demais.
O pecado é um ato suicida
que a vontade comete sobre si mesma. É como tomar uma droga viciante. No começo,
pode parecer maravilhoso, todavia, cada vez que toma, fica mais difícil não
tomar novamente. O pecado sempre endurece a consciência, aprisiona a pessoa em
sua própria masmorra de defensivas e racionalizações e a consome lentamente por
dentro. Todo pecado tem uma tremenda tempestade vinculada a si. E, sabemos, que
não se pode subornar uma tempestade...
2)
Consequencias
Jonas rejeitou o chamado para pregar na cidade de Nínive. Ele não queria anunciar a um povo que lhe era hostil, sanguinário. Então, Jonas, fugiu para “longe da presença do Senhor”, geograficamente, para Társis, mais de 3500 km! Então, Deus mandou uma tempestade, “os marinheiros ficaram aterrorizados”, “com muito medo” (NTLH), (v.5). Estamos falando de homens acostumados com o mar, experientes em enfrentar mau tempo, mas essa tempestade era excepcionalmente aterrorizante.
Enquanto os marinheiros se esforçavam para o navio não afundar “...parecia que o navio estava a ponde de se despedaçar” (v.4) e “cada um clamava ao seu deus e atiravam cargas ao mar”. Jonas, encontrava-se no porão dormindo profundamente. A Septuaginta, que é o Antigo Testamento traduzido para o grego, acrescenta que Jonas “roncava”. Ele estava dormindo “o sono da aflição”, ou seja, o desejo de escapar da realidade por meio do sono, ainda que por pouco tempo.
Os marinheiros estão
espiritualmente conscientes o bastante para perceber que não era apenas uma
tempestade qualquer, mas uma tempestade diferente. Talvez pela forma súbita
como que surgiu, sim do nada! Eles tinham discernimento, conheciam o tempo,
para saber que essa tempestade que abateu o navio era sobrenatural, era divina,
possivelmente em resposta ao grave pecado de alguém.
Quando o próprio capitão
encontra o profeta adormecido, no porão do navio, primeiro lhe dá uma reprimenda:
“O que está acontecendo com voce? Agarrado no sono?” (Jn 1.6 NAA).
Depois, lhe diz: “Levante-se, clame ao seu Deus”. Interessante, que são
as mesmas palavras no original que Deus usou para chamar Jonas para levantar e
ir a Nínive, a fim de chamá-los ao arrependimento. Mas, enquanto Jonas ronca no
porão, espreguiça e esfrega os olhos, há um marinheiro gentio em cuja boca estão
as próprias palavras de Deus. Que ironia!
“O capitão do navio se aproximou
de Jonas e lhe disse: o que está acontecendo com voce? Agarrado ao sono? Levante-se,
invoque o seu Deus! Talvez assim esse Deus se lembra de nós, para que não
pereçamos” (v.6). Os marinheiros discerniram, que havia pecado humano e uma
mão divina por trás da tempestade. O que fazer? “...Vamos lançar sorte para
descobrir quem é o culpado desse mal que caiu sobre nós. Lançaram sortes, e a
sorte caiu sobre Jonas” (Jn 1.7).
É possível que o nome de cada homem daquele navio estava em um pedaço de madeira, e o sorteado foi o profeta Jonas. Deus usou o lançar de sortes, nesse caso, para apontar o dedo para Jonas. A mesma coisa aconteceu com a família de Acã (Js 7), foi por sorte que Josué descobriu que Acã havia roubado despojos da guerra em Jericó. No entanto, os marinheiros, mesmo sabendo a causa da tempestade, fizeram todo o possível para evitar jogá-lo no mar. Em cada atitude, eles superam o profeta Jonas.
3)
Jonas fala
Quando a sorte aponta para Jonas, os marinheiros começaram a bombardeá-lo com perguntas: “Por que essa terrível tempestade veio sobre nós?, perguntaram. Quem é voce? Qual é a sua profissão? De onde vem? Qual é a sua nacionalidade?” (Jn 1.8). Todas essas perguntas estão relacionadas à identidade do profeta. A pergunta “a que povo voce pertence?” sonda a comunidade que nos pertencemos. A pergunta “de onde vens?” aponta para a cidade, estado e país, nossa nacionalidade. A pergunta “qual é a tua missão?” o que fazer na vida, qual é a sua vocação, o que te move...
“Levante-se e invoca o teu deus”. Para os marinheiros, todos os fatores que compunham a identidade do profeta Jonas estavam ligados aquilo que ele adorava. Quem era voce e o que voce adora eram não eram apenas dois lados de uma moeda. Era a identidade de uma pessoa! Era sua essência, aquilo que verdadeiramente era! Não podemos viver uma ambuiguidade, não podemos separar o que somos e o que que adoramos! O que adoramos é a camada mais fundamental da identidade de alguém.
Fomos feitos a “imagem de
Deus”, fomos criados por Deus do pó da terra (Gn 1.26-27). Ser “imagem de
Deus” significa que os seres humanos não foram criados para existirem de forma autônoma,
independente. Ser criado a imagem de Deus significa que devemos viver para o
verdadeiro Deus, devemos existir para ele; devemos louvá-lo, adorá-lo. Se colocarmos
algo no lugar de Deus nossa vida passará a girar em torno disso. “Quem és tu”, “de
quem és”, saber quem você é significa saber que você se entregou, o que o controla,
no que você conta acima de tudo.
Jonas responde: “Eu sou hebreu e adoro o Senhor, o Deus dos céus, que fez o mar e a terra” (Jn 1.9). Primeiro, Jonas diz: “eu sou hebreu”, logo, sua origem étnica consistia no fator mais importante da sua identidade. Sua raça era mais fundamental para sua autoimagem do que sua fé, isso começa a explicar por que Jonas se opunha a chamar Nínive ao arrependimento. Logo, o relacionamento com Deus ficava em segundo lugar.
Tem um filme evangélico e há
uma conversa entre o treinador de basquete e um pastor em um hospital. O pastor
começa perguntando: Quem é voce é? Ele respondeu: “Eu sou treinador de basquete”.
Depois, o pastor lhe diz: E se você perder
isso?. Mas: “Eu também sou professor de história”. E se tirar isso, quem é
voce? Bom eu sou um marido e um pai. Se voce perder sua esposa e sua família,
quem é você? Eu sou cristão! E o que significa? Significa que eu sigo Jesus. e
qual é a importância disso? Porque é muito importante! Mas, ele termina
dizendo: Jesus está no final da sua lista; a sua identidade está ligada ao que você
se dedica!
Conclusão
Jonas nos lembra outra figura bíblica: Pedro. Apostolo, fazia parte do circulo intimo de Cristo, e tinha muito orgulho disso. Antes da prisão de Jesus jurou lealdade “Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim” (Mt 26.33). E, vai mais longe: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo” (Mt 26.35). Em outras palavras, o que ele disse foi: “Meu amor e minha devoção por você são mais fortes do que o amor e a devoção de qualquer outro discípulo”. Contudo, como sabemos, acabou sendo um covarde, mais do que todos os demais.










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