terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 Jonas – fugindo da face do Senhor. Jn 1.1-4 

Nesse sábado, 31 de janeiro, aconteceu um movimento evangélico em cinco estados do Brasil, com muitos pregadores e cantores famosos; reunindo mais de 250.000 pessoas. Em um desses eventos, uma missionária “gritou” no meio daquela multidão sobre a necessidade a missão da igreja. Ela disse “Enquanto nós estamos celebrando, ainda temos dez mil comunidades ribeirinhas onde o evangelho ainda não foi anunciado. Enquanto estamos celebrando, tem oito mil assentamentos onde nunca foi realizado um culto. Enquanto estamos cantando e nos alegrando, duzentos mil índios estão caminhando a passos largos para o inferno, nove milhões de surdos estão esperando por missionários que sinalizem; um milhão de ciganos estão esperando que ardem e desarmem tendas...”. 

1)      missão impossível

O texto começa afirmando: “A palavra do Senhor veio a Jonas” (Jn 1.1). Deus usava profetas para transmitir a sua Palavra. Existem duas convicções interligadas que caracterizam o profeta. A primeira é a de que Deus vive, que é pessoal e ativo. A segunda é que o mundo está passando por momentos conturbados, violento. Portanto, um profeta, é obcecado por Deus e vive INTENSAMENTE para o agora. 

No entanto, no caso de Jonas, essa chamada profética é diferente de qualquer uma dos profetas do Antigo testamento. Por que? Deus chama Jonas e lhe dá uma ordem: “Vai a Ninive, aquela grande cidade, e pregue contra ela...”, ou, “...anuncie meu julgamento contra ela...”(NVT). Isso era surreal! Como assim? Pregar a palavra de Deus a um povo ímpio, sanguinário? 


Era inimaginável um profeta judeu sair de sua terra para pregar numa cidade gentia. Quase todos eles foram comissionados a pregar ao povo de Israel. Isaias pregou para seu povo; Miqueias, Amós, Oséias, Daniel, Joel, Obadias, Habacuque, Ezequiel (no exilio), Jeremias, etc. Enfim, todos os profetas anunciaram a Palavra de Deus dentro de sua comunidade. Para o povo judeu.

Outrossim, ainda mais chocante era o fato de que o Deus de Israel enviar Jonas ao povo de Nínive, que era a capital da Assíria! O império Assírio foi um dos mais cruéis e violentos dos tempos antigos. Os reis da assíria celebravam suas vitórias militares, celebrando com satisfação maligna diante de uma planície inteira forrada de cadáveres e de cidades totalmente incendiadas até ao chão. O empalhamento de corpos humanos iniciou no império assírio... 

O rei Salmaneser 3 é notório por retratar nos mais horrendos detalhes atos de tortura, desmembramento e decapitações de inimigos em grandes painéis de pedra esculpida em alto relevo. E, mais, depois de capturar o inimigo, cortavam as pernas e um braço, deixavam o outro braço para poderem cumprimentar a vítima até dar o último suspiro. Forçavam os familiares das vitimas a desfilar carregando cabeças de seus entes queridos. Arrancavam a língua dos prisioneiros e esticavam seus corpos para poderem ser esfolados vivos e ter a pelo expostas nas muralhas. 

2)     Jonas

Jonas, era filho de Amitai. Era natural de Gate-Hefer, região norte da Galileia. O nome Jonas significa “pomba”; ele viveu no período do rei Jeroboão II, rei de Israel. Diferentemente de Amós e Oséias que criticaram e profetizaram contra os pecados do rei Jeroboão, Jonas, apoiou a politica expansionista militar agressiva de Jeroboão para ampliar o poder e a influência sobre a nação.

O texto diz: “No décimo ano do reinado de Amazias...Jeroboão...tornou-se rei em Samaria e reinou quarenta um ano anos. Ele fez o que o Senhor reprova e não se desviou de nenhum dos pecados que Jeroboão, filho de Nebate, levara Israel a cometer...foi ele quem restabeleceu as fronteiras de Israel... conforme a palavra do Senhor...anunciada pelo seu servo Jonas, filho de Amitai...” (2 Rs 14.23-25). Logo, Jonas era intensamente nacionalista, um combativo patriota. E, Deus envia um homem assim para pregar às pessoas a quem ele mais temia e odiava.

Deus lhe disse: “Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela...” (Jn 1.1 NVI). Mas, diz o texto: “Jonas, porém, fugiu da presença do Senhor, na direção de Társis” (Jn 1.3). O que chama atenção é que Jonas “fugiu da presença do Senhor”. Presença em hebraico significa literalmente “face”, uma metáfora carregada de experiencias complexas e intimas. O Salmo 139 afirma: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua PRESENÇA? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também” (Sl 139.7-8). Jonas tentou fugir da presença do Senhor, enquanto Moisés desejava ver a presença de Deus (Ex 33.18-20). O Salmista ansiava pela presença de Deus: “Assim como a corça anseia pelas águas correntes, também a minha alma anseia por ti, ó Deus” (Sl 42.1 A21). 

Para onde Jonas foi? “...na direção de Társis. Descendo para Jope, achou um navio que ia para Társis, pagou a passagem e embarcou nele...” (Jn 1.3). Jonas partiu em direção oposta: Társis é Espanha; nas referências bíblicas Társis era “um porto distante e às vezes idealizado”. O livro de 1 Reis 10.22 relata que a frota de Salomão ia a Társis pegar ouro, prata, marfim, macacos e pavões. Deus o mandou ir para o leste, por terra, mas, ao invés disso, vai para o oeste, por mar. Jonas comprou uma passagem só de ida para o fim do mundo.


3)     Por que fugimos de Deus?

O apostolo PAULO descreve duas maneiras de fugirmos de Deus. A primeira está no capítulo 1, quando deliberadamente rejeitamos abertamente a Deus, quando viramos as costas para Deus para vivermos a vida do nosso jeito, da nossa maneira; quando nós privatizamos nossa vida. “...mesmo havendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças; ao contrario, seus pensamentos passaram a ser levianos, imprudentes, e o coração insensato e tornou-se trevas” (Rm 1.21). 

No capitulo 2, no entanto, o apostolo Paulo, fala daqueles que procuram seguir a Biblia. “Voce confia na leia e se vangloria...em Deus...voce conhece sua vontade a aprova o que é superior, porque é instruído pela lei” (Rm 2.17-18). Jonas possuía uma compreensão de Deus rígida. Ele não estava disposto a mudar nenhuma das suas convicções. Ele não desejava crescer na compreensão de Deus. Ele sentia-se satisfeito por permanecer como estava. Ele conhecia as escrituras, mas nunca as havia aplicado no seu coração.

No fundo de sua religiosidade fria, calculista, Jonas conhecia o caráter de Deus. Sabia que ele é misericordioso, longanimo e grande em benignidade (Jn 4.2) e que iria dar oportunidade a Ninive se houvesse conversão na cidade. A dificuldade era ele mesmo, sua radicalidade, seu jeito de achar que estava certo em tudo. Que a verdade estava nele.

Logo, depois do apostolo de ter olhado para os gentios e pagãos imorais, bem como para judeus virtuosos que acreditavam na Biblia, ele chega à notável conclusão de que “não há nenhum justo, nem um sequer...todos se desviaram” (Rm 3.23). Ambos estão, de maneiras diferentes, fugindo de Deus. todos sabemos da nossa capacidade de fugir de Deus. Ou nos tornamos pessoas imorais e irreligiosas, ou, é possível evitar a Deus tornando-se uma pessoa muito religiosa, virtuosa, radical, dono da verdade.

Conclusão

Jonas fugiu de Deus. No começo, aparentemente, há uma sensação de liberdade, agora, farei minha vontade, irei para aonde quero ir; ninguém me dirá o que fazer da minha vida. Sim, o pecado sempre endurece a consciência, aprisiona a pessoa em sua própria masmorra defensiva com racionalizações e justificativas. No entanto, o Senhor “lançou sobre o mar um grande vento” (v.4). O verbo lançou é frequentemente usado para descrever a ação de atirar uma arma com uma lança... 



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