terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

À espera do Pentecoste (Atos 1:6-15)



            Antes do dia de Pentecoste haveria um tempo de espera, quarenta dias entre a ressurreição e ascensão de Jesus (Atos 1.3), e mais dez entre a ascensão e o Pentecoste. As instruções de Jesus foram cristalinas, primeiro no evangelho de Lucas e, depois, no início de Atos: “Permanecei, pois, na cidade até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49 e Atos 1.4). Durante os cinqüenta dias de espera, porém, eles não permaneceram inativos. Pelo contrário, Lucas seleciona e comenta quatro eventos importantes.

            Primeiro, eles foram comissionados (Atos 1:6-8). Segundo, eles viram Jesus ser elevado às alturas (Atos 1:9-12). Terceiro, eles perseveravam juntos em oração, provavelmente para que o Espírito viesse (Atos 1:13-14).

1)    Eles foram comissionados (Atos 1:6-8).

Lucas indica aquilo que o Senhor lhes ensinou durante os quarenta dias em que, ressurreto, “se apresentou” aos apóstolos, dando “muitas provas incontestáveis” de que estava vivo (v.3). Primeiro, Jesus lhes falou do “reino de Deus” (v.3), o qual tinha sido o centro da sua mensagem durante seu ministério público e após a sua ressurreição. Segundo, Jesus lhes ordenou que esperassem pela dádiva do batismo do Espírito, prometido por ele, por seu Pai e também por João Batista, e que iriam receber “não muito depois destes dias” (VS. 4-5 e Joel 2.28-32, Jo 14.16, Jo 15.26 e Jo 16.7).

1.1)         O reino de Deus.
“Senhor, será esse o tempo em que restaure o reino a Israel?” (Atos 1.4).  A pergunta dos discípulos deve ter deixado Jesus muito desanimado. João Calvino comenta: “os erros são tantos quantas são as palavras. O verbo, o objeto e o advérbio dessa frase, todos eles demonstram uma confusão doutrinária sobre o reino de Deus . O verbo RESTAURES mostra que eles estavam esperando um reino político e territorial; o objeto ISRAEL, que eles estavam esperando um reino nacional; e SERÁ ESTE O TEMPO, que estavam esperando uma restauração imediata. Em sua resposta (VS. 7-8), Jesus corrigiu essas noções falsas da natureza e extensão e chegada do reino.

ü O reino de Deus é espiritual quanto ao caráter. O reino de Deus não é um conceito territorial. O reino de Deus não é terreno mas espiritual. Seu trono é estabelecido no coração das pessoas, não nas embaixadas do governo. Onde um escravo do pecado é libertado e onde um súdito do reino das trevas é transportado pra o reino da luz, aí se estabelece o reino de Deus.

ü O reino de Deus é internacional quanto a seus membros. Jesus prometeu que o Espírito Santo lhes daria o poder de serem suas testemunhas. Começariam em Jerusalém, depois Judéia, depois Samaria e até os confins da terra. Os capítulos 1-7 descrevem os acontecimentos em Jerusalém; o capítulo 8 menciona os discípulos se espalham pela Judéia e Samaria (Atos 8.1) e relata a evangelização de uma cidade samaritana por meio de Felipe (8:5-24); enquanto que a conversão de Saulo, no capítulo 9, conduz a uma série de expedições missionárias, e finalmente sua viagem para Roma, relatadas no restante do livro.

ü O reino de Deus é gradual quanto à expansão. “É agora que o Senhor vai devolver o Reino de Deus ao povo de Israel”? A resposta de Jesus foi dupla. Em primeiro lugar, não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade (v.7). “Tempos” (chronoi) ou “épocas” (Kairoi), juntos, formam o plano de Deus. OU SEJA, NÃO VOS COMPETE CONHECER. Os mistérios pertencem a Deus e não cabe a nós espreitá-los; são as coisas reveladas que nos pertencem e devemos nos contentar com elas (Dt 29.29). Em segundo lugar, os discípulos precisavam saber que receberiam poder para que, no período entre a vinda do Espírito e a segunda vinda do Filho, pudessem ser suas testemunhas, em círculos cada vez maiores. Na verdade, todo período entre o Pentecoste e a Parousia deve ser preenchido com a missão mundial da igreja no poder do Espírito Santo.

2)    Os discípulos viram Jesus subir ao céu (Atos 1:9-12).
ü “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu, assim virá do modo como o viste subir” (v.11). “Esse mesmo Jesus”, certamente indica que a sua vinda será pessoal, o Filho Eterno ainda em posse da natureza e do corpo humano glorificado. E “do mesmo modo como” indica que a sua vinda também será visível e gloriosa. Eles viram sua partida; eles veriam a sua volta (Lc 21.27). Mas haverá algumas diferenças importantes entre a partida de Jesus e o seu retorno. Sua volta será pessoal, mas ela não será vista por poucos, como na ascensão. Mas quando ele voltar “todo olho o verá” (Ap 1.7). Em vez de voltar sozinho (como partiu), milhões de santos – humanos e angelicais – formarão sua comitiva (Lc 9.26). Em vez de ser uma volta restrista a um local, será  “assim como o relâmpago, fuzilando, brilha de uma à outra extremidade do céu” (Lc 17.23-24).

ü Era fundamentalmente anormal ficarem a olhar para o céu, quando tinham sido comissionados para irem até aos confins da terra. A terra, e não o céu deveria ser o centro de sua preocupação. Eles tinham sido chamados para serem testemunhas, não vasculhadores do céu. A visão que eles deveriam cultivar não era a vertical, de nostalgia do céu onde Jesus foi recebido, mas, sim, a horizontal, de compaixão pelo mundo perdido que precisava dele.  A idéia é essa: Primeiro, Jesus voltou ao céu (ascensão). Segundo, veio o Espírito Santo (Pentecoste). Terceiro, a igreja sai para ser testemunha (missão). Quarto, Jesus voltará (Parusia).

3)    Eles oraram pela chegada do Espírito (Atos 1:12-14). Quatro pontos:
ü Em primeiro lugar, a volta (Atos 1.12). Jesus ascendeu ao céu do monte das Oliveiras, cerca de um quilometro e pouco da cidade de Jerusalém. Essa volta foi com grande júbilo.

ü Em segundo lugar, o local (Atos 1.13). Quando ali entraram, subiram para o cenáculo... O cenáculo foi o palco das promessas e o lugar da busca. Ali Jesus orou pelos discípulos e ali os discípulos oraram pelo derramamento do Espírito.

ü Em terceiro lugar, os integrantes (Atos 1.13b, 14b). o grupo reunido somava umas 120 pessoas (Atos 1.15). Ali estava o colégio apostólico, a familia de Jesus, outras mulheres e outros irmãos. Não havia entre eles nenhuma supremacia de Pedro ou Maria. Todos estavam unidos na mesma condição e com o mesmo propósito. Vale ressaltar que esta é a ultima referencia das Escrituras a Maria, mãe de Jesus.

ü Em quarto lugar, a oração (Atos 1.14ª). Todos estes perseveravam unânimes em oração. Aqueles 120 irmãos reunidos não estavam mais, como os apóstolos, trancados com medo dos judeus, porém aguardavam o revestimento de poder. O grupo estava unido na busca e manteve-se perseverante na oração até que todos foram revestidos de poder.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A DOUTRINA DO INFERNO. Lc 16.19-31



Introdução: “No meu entendimento, existe um defeito muito sério no caráter moral de Cristo, que é acreditar no inferno. Eu não acho que uma pessoa que seja profundamente humana possa crer na punição eterna”.
Bertrand Russel, ateu.

 “O inferno é o grande cumprimento que Deus presta à realidade da liberdade humana e à dignidade da escolha humana”. Chesterton, cristão.

Após a morte, há um julgamento final, e aqueles que morrem em seus pecados passarão a eternidade no inferno. Muito embora esta doutrina seja frequentemente ridicularizada e rejeitada, não podemos ignorar o claro ensinamento das Escrituras: há um lugar para julgamento eterno dos perversos.

 No Novo Testamento, dois termos específicos são utilizados para se referir ao inferno: HADES E GEENA.

  HADES.  Este termo aparece dez vezes no Novo Testamento (Mt 11:23; 16:18; Lc 10:15; 16:23; Atos 2:27, 31; Ap 1:18). Em Lucas 16:23 a expressão Hades refere-se a um lugar onde os perversos são atormentados. Portanto, o HADES é a moradia temporária dos perversos desencarnados até a ressurreição e o julgamento final, quando os perversos são reunidos com seus corpos e transferidos para um lugar de tormento eterno chamado GEENA (Ap 20:14).

 GEENA. A palavra Geena aparece doze vezes no Novo Testamento (Mt 5:22;  10:28; 18:9; 23:15,33; Lc 12:5). Ela é a forma grega da expressão em aramaico GEHINNAM, que se refere ao Vale de Hinom (Js 15:8).


Durante o reinado dos perversos Acaz e Manassés, sacrifícios humanos ao deus amonita Moloque  foram realizados em geena (vide Jeremias 32:35; 2 Reis 16:3; 21:6). Josias profanou o vale por causa das oferendas pagãs que realizou naquele lugar (2 Rs 23.10; Jr 7.31,32). Com o passar do tempo, esse vale se transformou num grande depósito de lixo, constantemente em chamas, o que fez a palavra significar o lugar dos perdidos, imprestáveis e destinados ao fogo que nunca se apaga. O HADES um dia será destruído (Ap. 20.14) ) enquanto o sofrimento no Geena é interminável (Marcos 9:47-48).



  
1)      A NATUREZA DO INFERNO.

1.1)            Exclusão da presença favorável de Deus.

·        Não é a ausência de Deus que faz do inferno um lugar de tormento, mas a ausência de sua presença favorável. De fato, o inferno é o inferno porque Deus está lá na plenitude de sua justiça e ira ( Conferir: 2 Ts 1:9-10:

 “estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu Poder”. Mt 7:23: “Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”. Lc 13:27: “mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos que praticais a iniqüidade”. Mt 8:11-12: “Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes”.

·        IMPORTANTE: O inferno é o Inferno porque Deus está lá na plenitude de sua justiça e ira - Ap 14:9-10: 

Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua imagem na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira e será atormentado com fogo e enxofre...”

1.2)            Sofrimento indescritível.

·        As escrituras, e especialmente Jesus; falam sobre o inferno como um lugar de sofrimento indescritível. É importante entender que o inferno na é um lugar onde os perversos são cruelmente torturados, mas onde eles sofrem a perfeita justiça pelos seus pecados. Deus não é tirano, não se compraz na morte do ímpio (Ez 18:23,32: “acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? Diz o Senhor Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?

·        Como o Inferno é descrito? A) Um lugar de tormento (Lc 16:23: “no inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e Lazaro no seu seio”; 
b) Um lugar onde  há choro e ranger de dentes (Mt 8:12: “ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e range dos dentes”;Ap. 14:9-11: “a fumaça do seu tormento  sobe pelos séculos dos séculos, e não tem descanso algum, nem de dia e nem de noite...” de ; Mt 13:42: “e os lancará na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger dos dentes;

·        O sofrimento no inferno será de acordo com o pecado da vida de cada um. Mt 11:20-24: “ai de ti Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito tempo que elas teriam arrependido com pano de saco e cinza. E contudo, vos digo: no dia do juízo, haverá menos rigor para tiro e Sidom do que para vós outros”; Lc 12:42-48: “Aquele a quem muito for dado, muito lhe será exigido”.

1.3)            Punição eterna.

·        Possivelmente a mais assustadora verdade sobre o inferno é que ele é eterno. Qual é a coisa mais abominável que alguém pode praticar nesta vida? Escarnecer, desonrar e recusar-se a amar a pessoa a qual devemos absolutamente tudo, o nosso criador, o próprio Deus (Sl 145:3: “grande é o Senhor e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável” (Mateus 18.8; Mt 25.41,46).

·        Tal pensamento: “eu não ligo a mínima para o propósito pelo qual fui colocado aqui; não ligo a mínima para os seus valores e para a morte do seu filho por mim, vou ignorar tudo isso”.

2 ) Uma descrição bíblica do céu.

·        O inferno é um lugar de literais fogo e trevas, de enxofre e fumaça? Não! É aceitável considerar estas descrições como sendo figurativas no sentido de que sejam uma tentativa de descrever algo tão aterrorizante que vai além da capacidade da mente humana de conceber e além do poder de comunicação de nossa linguagem humana. Para descrever os horrores do inferno, os autores bíblicos usaram os maiores horrores conhecidos pelo homem na terra, mas pode-se afirmar que o inferno é pior do que qualquer coisa encontrada na terra. Fogo, trevas, enxofre, e fumaça são apenas uma tentativa débil de descrever a realidade muito mais aterrorizante do que qualquer uma destas palavras possa comunicar.

·        Mateus 3.10: Ao longo das Escrituras, a ideia de fogo é utilizada para comunicar o julgamento e a ira de Deus revelados contra o pecado e o pecador. É a reação santa e justa de Deus para com todo o que contradiz Sua natureza e vontade. É feroz, aterrorizante, e irresistível.

·        Mateus 25.41: A ênfase aqui é que os sofrimentos dos perversos no inferno são para sempre. Não há esperança de redenção ou restauração para aqueles que estão no inferno.
·        Mateus 3:12: A ideia comunicada aqui é que os tormentos do inferno não apenas serão eternos, mas irredutíveis. Não haverá qualquer alívio para os condenados.
·        Apocalipse 20:10: Esta descrição é dada para comunicar a imensidão do poder do inferno. Não é apenas um pingo ou um pequeno riacho de tormento, mas os habitantes do inferno serão como aqueles perdidos no mar em um oceano massivo e agitado da ira de Deus, surrados e lançados, indo e vindo pelas violentas e eternas ondas da justa indignação de Deus, como homens se afogando em um massivo e agitado caldeirão de fogo.
·         
·        Mateus 13:42: A verdade comunicada aqui é intensa. Em uma fornalha, todos os elementos aterrorizantes do fogo são intensificados — há pouca chance do calor escapar, nenhuma chuva para refrear as chamas, e nenhuma brisa para trazer refrigério ou alívio.
·         
·        Mateus 8:12; Mt 22:13: A verdade comunicada aqui é de alienação. Os habitantes do inferno são expulsos e não se acha lugar para eles. Eles não são apenas alienados de Deus, mas da comunhão com outros. É um lugar de absoluto e insuportável isolamento, aparte da vida e da luz de Deus.
·         
·        Judas 13: Há pouquíssimas coisas mais solitárias ou que mais aprisionam do que a negridão das trevas. Relacionado a tal escuridão está a maior sensação de condenação ou desesperança.
·         
·        Apocalipse 20:14; 21:8: O destino final dos perversos é justamente o oposto do destino do crente. Para o crente não existe mais o medo da morte (Hebreus 2:15) porque não existe mais morte (Apocalipse 21:4). Em contraste, os perversos viverão em um estado de morte infinita. Eles terão uma existência consciente, mas sem nenhuma das bênçãos, esperanças ou alegrias da vida. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O deserto: a escola da autodescoberta. Dt 32:10-12.

Introdução:


 O que é deserto?  O deserto é uma região desolada com rochas escarpadas, calor insuportável. Um lugar seco e devastado. Nenhuma fruta, nenhuma arvore, nada de gramados verdejantes, nenhum riacho, lago, rio, etc.

Espiritualmente falando: é a escola de Deus. Um campo de treinamento, geralmente estéril, em que Deus põe seus filhos com o propósito de prepará-los para uma tarefa especial na vida. Alguns passam umas poucas semanas neste deserto. Outros, meses e outros, anos. Moisés andou por essas terras áridas durante quarenta anos: QUARENTA ANOS!

O termo hebraico para “DESERTO” é midbaar, originário de dahbaar, que significa falar. Partindo disso, deserto é o lugar onde Deus fala, onde ele nos comunica suas mais importantes mensagens. Se não fosse essa experiência do deserto, você  e eu poderíamos passar a vida inteira sem ouvir ou conhecer o que o Deus do universo deseja nos dizer. O deserto muda isso.

Nesse lugar solitário, somos despojados de todas as coisas das quais depende para o seu conforto – tudo o que pensou que precisaria em sua vida, mas na verdade não precisa absolutamente. O silencio reina nessas vastidões de areia – silencio tão profundo que você pode ouvir o som do seu pulso no ouvido, tão quieto que pode ouvir a voz de Deus.

As experiências do deserto são inúmeras: uma investida do adversário contra a sua vida, a perda de alguém querido, o marido que foi embora, o filho que se enveredou pelos caminhos das drogas, o desemprego, mudança de cidade, etc.

1)    Achou-me numa terra deserta...
·        “Achou-me numa terra deserta, e num ermo solitário povoado de uivos, rodeou-o e cuidou dele, guardou-o como a menina dos olhos” (v.10). A mensagem: “Ele o achou no deserto, numa terra árida pelo vento. Ele o abraçou e o encheu de cuidados, guardando-o como a menina dos seus olhos”.

·        O “ele” oculto nesse versículo é Deus, e o “dele” é uma referencia aos judeus. Vamos então personalizar as palavras do Senhor aqui. Vamos por seu nome no versículo em lugar “dele”. Deus em encontrou ___________(o seu nome) num ermo solitário povoado de uivos. Deus rodeou você. Cuidou de você. E guardou-o como a menina dos olhos.

Ø Ele nos rodeia. Segundo, ele cuida de nós. Terceiro, ele nos guarda como a menina dos olhos.
“A menina dos olhos” é a parte mais protegida do corpo. Voce não deixa nada tocá-la. Protege-a com muito cuidado. Protege-a do sol. Se o menor cisco tocar em sua membrana, você toma medidas imediatas para livrar-se dele. Portanto, no deserto você é a menina dos olhos de Deus. Deus tem cuidado mais de você do em que em qualquer outra ocasião de sua vida.

Ø Note os dois versículos que seguem o versículo 10: “Como a águia desperta a sua ninhada e voeja sobre os seus filhotes, estende as suas asas, e, tomando-os, os leva sobre elas, assim, SÓ o Senhor o guiou...” (VV. 11-12). Deus nos guia. Deus não largou mão de sua vida. Voce se sentiu nu e exposto naquela terra vazia, entretanto, ele o cobriu com suas asas o tempo todo.

Ø O versículo 12 tem a palavra “só”. Só ele está guiando você. Não há mais ninguém para conduzi-los através do deserto. Não há sinais, nem informação, nem mapas. Na verdade, você não sabe onde se encontra. Não sabe quando ( ou se) sairá um dia desse deserto opressivo.

2)    Um deserto feito sob medida.

“Recordar-te-ás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos” (Dt 8.2).  A mensagem: “Lembrem-se de todos os caminhos pelos quais o eterno conduziu vocês nesses quarenta anos no deserto, levando vocês ao limite, testando-os para saber de que material vocês eram feitos, se iriam obedecer aos mandamentos dele ou não”.

·        Por que Deus nos guia por lugares  desertos? Isso acontece para que ele possa nos tornar humildes, nos testar e revelar o verdadeiro estado do nosso coração. Não para que Deus possa conhecer você (ele já conhece), mas para que VOCE  possa a vir a se conhecer. Não há nada como o deserto para ajudá-lo a conhecer seu eu verdadeiro.

·        Quando todos os enfeites, as mascaras e os trajes falsos são removidos, você começa a ver uma identidade verdadeira – um rosto que não parecia há anos.  Talvez que nunca tenha aparecido.

Hino: Que firme fundamento

Quando teu caminho estiver cheio de tropeços,
Minha graça toda-suficiente será teu consolo;
As chamas não te ferirão, pois  só quero
Consumir tuas impurezas, refinar teu ouro.

Conclusão: uma especialização em desconforto.

·        Deus precisa primeiro quebrar as várias camadas sólidas externas em nossa vida, antes de poder renovar nossa alma. Seu alvo persistente é chegar à pessoa interior (Sl 51.6).  o que são essas camadas resistentes em nosso coração e como ele as rompe para alcançar essa parte oculta?

Ø Em primeiro lugar, encontra-se o orgulho. E usa a lixa da obscuridade para remove-lo gradualmente.

Ø Em, segundo, Então ficamos paralisados pelo medo – temor do passado, ansiedade quanto ao presente e terror do que nos espera -  E Deus usa o passar do tempo para remover esse medo. Ensinando-nos que tudo está nas mãos dEle!

Ø Em terceiro lugar, nos encontramos com a barreira do ressentimento – a tirania da amargura, do rancor. Deus quebra essa camada com a solidão. No silencio de sua presença, ganhamos uma nova perspectiva, livramo-nos gradualmente dos nossos direitos e abrimos mão das expectativas que nos mantinham como reféns.


Ø Em quarto lugar, Deus chega aos hábitos básicos da vida, bem perto de nosso “eu” interior, e introduz ali o desconforto e as dificuldades para remover essa ultima camada de resistência. Por quê? Para poder renovar-nos bem no âmago do nosso ser. “consumir nossas impurezas... refinar nosso ouro”. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015


A guerra de Josafá e as nossas guerras. 2 Cr 20:1-30.



Introdução:

A PARABOLA DO OCEANO :
Apesar da calmaria, o barco da vida sempre navega rumo a uma ameaça qualquer .
Estamos sempre navegando em direção de algum perigo.
Quanto mais percorremos milhas, mais nos aproximamos de tempestades.
Sempre corremos riscos.

ILUSORIO :
Imaginar que porque você tem : tantos anos de experiência, muita saúde, muito dinheiro, um trabalho a prova de demissão, um dinheiro guardado que garante a sua existência, etc, de que você esta imune as tempestades.
Porque a vida tem as suas CONTINGENCIAS.


AMEAÇAS :
Sempre estamos a mercê de ameaças.
VEM CONTRA TI UMA GranDE MULTIDÃO !
De repente a sua vida esta numa boa, tudo bem, no trabalho, na saúde, nas finanças, na família, na igreja, com os amigos ; você é obrigado a ouvir : OLHA, VEM CONTRA TI UMA GranDE MULTIDÃO.


03 FONTES DE AMEAÇAS :
DE NÓS MESMOS = as vezes nós somos a nossa própria ameaça
DOS QUE ESTÃO AO NOSSO REDOR = dos que nos assessora, em quem confiamos, com quem nós compartilhamos nossas partes frágeis, para quem contamos algum segredo.
DO INESPERADO = circunstancias ( uma enfermidade – um noticia de morte – uma noticia de um acidente – uma atitude do governo )

O contexto de Josafá:
Temos aqui, nesse texto, a história de uma guerra que os filhos de Deus viram-se obrigados a enfrentar, desguarnecidos de qualquer recurso.  Essa história descreve exatamente o que acontece no mundo espiritual. Existe agora mesmo um exército infernal, organizado e munido de estratégias terríveis, sob o comando de príncipes tenebrosos – do reino das trevas – cujo objetivo é matar, roubar e destruir.

1)    Reconhecendo o terreno.

1.1)         Primeira regra: não menosprezar o inimigo.
·        Veja os versículos 2 e 12. O rei Josafá, no v.2, toma ciência de que os exércitos rivais são muito mais numerosos (o reconhecimento do poder do inimigo) e, no v.12, ele admite não possuir força, a nível militar, suficiente para vence-los (o reconhecimento de nossa insuficiência à parte de Cristo). Olhe nesse momento, pela fé, para o mundo espiritual. Você é um só, sua família são alguns e sua igreja uns poucos mais. Mas o exercito de Satanás monta a legiões. Literalmente, uma legião dessas compreende cerca de seis mil demônios. (Dn 10:10-13)

·        Quem era Josafá? Alguém cujo coração fora preparado para buscar a Deus, uma exceção entre os reis de Judá. Assim, acabara com os pontos de adoração a deus falsos e destruirá os bosques da idolatria, varrendo da terra toda sua contaminação religiosa (2 Cr 19:3). Só quem trabalha primeiro seu próprio coração é que pode conduzir sua família, sua igreja e seu povo a uma conversão genuína e comunhão efetiva com o Senhor. O inferno se levanta quando a Igreja se põe de pé; o diabo cochila quando a Igreja dorme.

2)    Traçando estratégias.
2.1) Josafá teve medo (v.3). O medo é um sentimento normal diante de inimigos tão poderosos. Mas o rei não fez questão de ocultá-lo a ninguém, evidenciando toda a sua transparência de caráter. Não temos de nos manter mascarados, escondendo do povo as nossas verdadeiras emoções. O medo ajuda. Depois que sentiu medo, Josafá  apregoou jejum e oração em todo o Judá (v.3).

“Sempre tive medo. Mas meu compromisso sempre foi maior. Quem não tem medo, deve ser internado”. Marina Silva

2.2) O povo se junta e pede socorro a Deus (v.4). As pessoas vieram de todas as cidades de Judá para juntas, clamar a Deus por vitória. Alguém já disse que o diabo está muito perto para que nós, os cristãos, estejamos longe uns dos outros. Irmãos, precisamos nos ajuntar mais (para orar, para batalhar, para ajudar-nos mutuamente). Jesus orou para que a Igreja se mantivesse unida (João 17). O resultado, quando nos falta unidade, é enfraquecimento espiritual generalizado. Por causa da falta de unidade estamos com as armas voltadas uns contra os outros, esquecendo-nos de combater nosso inimigo comum.

2.3) Josafá pediu socorro à pessoa certa (v.5). Do versículo 5 ao 12 o rei Josafá busca socorro em Deus, reconhecendo sua incapacidade (bélica e humana) de vencer a guerra que se desenhava no horizonte. Simplesmente se pôs a orar. Vendo que o inimigo se chegava cada vez mais perto, prestes a atacar, não teve dúvidas: correu para os braços de Deus e começou a demandar sua graça, rogando para que manifestasse o seu poder. Temos que avaliar a situação e constatar que o que temos, à parte de Deus, nada é para enfrentar tão fortes inimigos (Lm 3:22).

2.4) Uma postura correta diante do inimigo. Veja a afirmativa do rei no versículo 9. “Mesmo que tenhamos de amargar algumas derrotas, sob a permissão do Senhor, por causa de nossos pecados, ainda assim viremos à sua presença e clamaremos pela sua  misericórdia” (Hc 3:17).

2.5) Os olhos fitos em Deus. Do versículo 5 ao 12 o rei está orando. Em sua oração ele rende glória ao Senhor Deus de Israel (v.6) e suplica a sua misericórdia. Mas há algo tremendo no versículo 12, na sua ultima frase: “...porém os nossos olhos estão postos em ti”. Segundo a Bíblia, um dos nomes divinos é “Jeová-Jireh” (Gn 22:13,14). Este nome retrata Deus como provedor das nossas necessidades. Ele virá em nosso auxílio!

CONCLUSÃO: O LOUVOR PRIMEIRO. (vs. 19,21 e 22). O Louvor do povo fez com que Deus colocasse armadilhas contra os inimigos (vs.22,23). Satanás costuma nos armar emboscadas, mas quando assumimos uma atitude de louvor, Deus é quem arma emboscadas contra Satanás.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Deus é conosco – Salmo 46.



Introdução: O nome Martinho Lutero sempre será associado com esse salmo. Por causa do seu hino, Castelo Forte: Castelo Forte é o nosso DEUS,  Escudo e boa espada, Com seu poder defende os seus, a sua igreja amada, Com força e com furor, nos prova o tentador, Com artimanhas tais, e astucias infernais,  Iguais nao há na Terra”. Ele e Philip Melanchthon o cantavam juntos nas horas de desanimo sombrio.

Este salmo é uma expressão sublime da confiança tranqüila na soberania de Deus em meio aos tumultos da natureza e da história.

O contexto original sugere a derrota do exercito de Senaqueribe em 701 a.C. Ezequias era vassalo de Senaqueribe, isto é, era obrigado a pagar imposto a ele. Quando Ezequias se rebelou, Jerusalém se viu cercada pelos exércitos assírios. O Rei Senaqueribe gabou-se de que havia cercado Ezequias “como um pássaro numa gaiola” e exigiu que se rendesse.

O rei apelo ao profeta Isaias, que falou a ele a palavra do Senhor: “Não temas... porque eu defenderei esta cidade, para livrar”.

1)       Uma confiança geral (VS. 1-3).

Deus é nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade.
2Portanto, nada temeremos, ainda que a terra trema e os montes afundem no coração do mar,
3ainda que se encrespem as águas e se lancem com fúria contra os rochedos.

·        O Salmista afirma que “DEUS É O NOSSO REFÚGIO E FORTALEZA SOCORRO BEM PRESENTE NAS TRIBULAÇÕES. Portanto, não temeremos”. “Ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares e ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremecem”.  

2)    Uma experiência especial (VS. 4-7).

Há um rio cujos canais alegram a cidade de Deus, o Santo Lugar onde habita o Altíssimo.
5Nela habita o Eterno e, por isso, não poderá ser atingida! Ao romper da aurora Ele virá em seu socorro.
6Nações se agitam, reinos se abalam; Ele ergue a voz, e a terra se derrete.
7O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é a nossa torre segura!
·        Em contraste com o “mar cujas águas tumultuam e espumejam (v.3)”, o salmista menciona outras e calmas águas, aquelas do rio “cujas correntes alegram a cidade de Deus” (v.4).

·        Sob o reinado gracioso de Deus, sua cidade se alegra e simplesmente não pode ser abalada porque Deus está no meio dela para protegê-la e ajudá-la.

3)    A segurança fina (VS. 8-11).

Vinde e contemplai as obras do Eterno, seus feitos estarrecedores por toda a terra.
9Ele dá fim às guerras até os confins da terra; quebra o arco e despedaça a lança; com chamas destrói os carros de combate.
10“Cessai as batalhas! Sabei que Eu Sou Deus! Serei exaltado entre todas as nações, serei louvado na terra!”
11O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é a nossa fortaleza segura.
·        O autor agora convida para notar a intervenção notável de Deus na proteção de Jerusalém e a assolação de seus inimigos (v.8).

“Ele quebra o arco e despedaça a lança; queima os carros no fogo” (v.9).

“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. Foi a voz de Deus que destruiu os assírios (v.6).É  a sua voz que pacifica o seu povo.

“O Senhor dos exércitos está conosco”.