Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
a unidade que está nos destruindo. A W. Tozer
A Unidade que está nos Destruindo – A. W. Tozer
Quando unir-se e quando dividir-se, eis a questão, e uma resposta abalizada exige a sabedoria de um Salomão.
Alguns resolvem o problema de maneira simples e prática: Toda união é boa e toda divisão é má. Muito fácil. Mas esta maneira simplista de tratar do assunto ignora as lições de história e se esquece das profundas leis espirituais que regem a vida do homem.
Se os homens bons desejassem a união e os maus a divisão. ou vice-versa, isso simplificaria as coisas para nós. Ou se pudesse ser mostrado que Deus sempre une e o diabo sempre divide, seria fácil encontrar nosso caminho neste mundo confuso. Mas as coisas não são assim.
Dividir o que deve ser dividido e unir o que deve ser unido faz parte da sabedoria. A união de elementos heterogêneos jamais é boa mesmo que possível, nem a divisão arbitrária de elementos semelhantes. Isto se aplica certamente tanto às coisas morais e religiosas, como às políticas e científicas.
Deus foi quem fez a primeira divisão, quando separou a luz das trevas no momento da criação. Esta divisão estabeleceu a regra para todo o comportamento divino na natureza e na graça. A luz e as trevas são incompatíveis. Tentar ter ambas no mesmo lugar ao mesmo tempo é tentar o impossível e o resultado será sempre nulo, nem uma nem outra, mas obscuridade e escuridão.
No mundo dos homens, atualmente são poucos os contornos que se destacam. A raça acha-se decaída. O pecado trouxe confusão. O trigo cresce junto com o joio, as ovelhas e os cabritos coexistem, as terras dos justos e injustos ficam lado a lado na paisagem, a missão tem o bordel como vizinho.
As coisas, porém, não serão sempre assim. Está chegando a hora em que as ovelhas serão separadas dos cabritos, o joio do trigo. Deus dividirá novamente a luz das trevas e todas as coisas se agruparão segundo a sua espécie, O joio irá para o fogo junto com o joio, e o trigo para o celeiro com o trigo. A névoa se levantará como acontece com a neblina e todos os contornos surgirão nítidos. O inferno será sempre reconhecido como inferno e o céu irá revelar-se como o lar de todos os que possuem a natureza do Deus único.
Aguardamos com paciência essa hora. Enquanto isso, para cada um de nós e para a igreja onde quer que apareça na sociedade humana, a pergunta repetida deve ser: Com o que devemos unir-nos e do que separar-nos? A questão de coexistência não existe aqui. O trigo cresce no mesmo campo com o joio, mas deve haver polinização mútua entre eles? As ovelhas pastam junto aos cabritos, mas devem procurar cruzamento entre as espécies? Os injustos e os justos gozam da mesma chuva e do mesmo sol, mas devem esquecer suas profundas diferenças morais e casar-se?
A resposta popular a estas perguntas é afirmativa. Unir-se sempre e os homens serão irmãos apesar de tudo. A unidade é tão preciosa que preço algum é demasiado para alcançá-la e nada é suficientemente importante para manter-nos separados. A verdade é sufocada para celebrar a festa de casamento do céu e do inferno, e tudo isso a fim de apoiar um conceito de unidade que não se baseia na Palavra de Deus.
A igreja iluminada pelo Espírito não aceita isso. Num mundo caído como o nosso a unidade não é um tesouro que deva ser comprado ao preço da transigência. A lealdade a Deus, a fidelidade à verdade e à preservação de uma boa consciência são jóias mais preciosas do que o ouro de Ofir ou os diamantes extraídos da mina. Por causa dessas jóias homens sofreram a perda de propriedades, a prisão e até a morte; por elas, mesmo em épocas recentes, por trás das várias cortinas, os seguidores de Cristo pagaram até o último centavo o preço de sua devoção e morreram silenciosamente, desconhecidos e não aplaudidos pelo grande mundo, mas conhecidos de Deus e caros ao seu coração paterno. No dia em que forem declarados os segredos de todas as almas, eles irão apresentar-se para receber as obras feitas no corpo. Esses são certamente filósofos mais sábios do que os seguidores religiosos da unidade sem significado, que não possuem coragem suficiente para colocar-se contra as modas correntes e que clamam por irmandade só porque tal coisa acha-se no momento em foco.
"Divida e conquiste" é o refrão cínico dos líderes políticos maquiavélicos, mas Satanás sabe também como unir e conquistar. A fim de colocar uma nação de joelhos o ditador em potencial precisa primeiro uni-la. Através de apelos repetidos ao orgulho nacional ou à necessidade de vingar-se de alguma injustiça passada ou presente, o demagogo consegue unir a população à sua volta. Depois disso é fácil dominar os militares e submeter o legislativo. Segue-se então, na verdade, uma unidade quase perfeita, mas trata-se da unidade do curral ou do campo de concentração. Vimos isto acontecer várias vezes neste século, e o mundo irá vê-la uma vez mais quando as nações da terra se unirem sob o Anticristo.
Quando as ovelhas confusas começam a cair num despenhadeiro, a ovelha que quiser salvar-se individualmente precisa separar-se do rebanho. A unidade perfeita em tal momento só pode significar destruição total para todos. A ovelha sábia, para salvar sua própria pele, se afasta.
O poder se encontra na união de coisas homogêneas e na divisão das heterogêneas. Talvez aquilo que precisamos nos círculos religiosos de hoje não seja mais união, mas uma certa divisão sábia e corajosa. Todos desejam a paz, mas pode ser que o reavivamento use a espada.
domingo, 12 de junho de 2011
avivamentos - semente do pentecostalismo no Brasil.
OS AVIVAMENTOS.
A principal matriz do protestantismo norte-americano foi o puritanismo. Os puritanos, que estavam entre os primeiros colonizadores dos futuros Estados Unidos, chegaram à Nova Inglaterra a partir de 1620, estabelecendo-se inicialmente em Massachusetts e, depois, em Connecticut. Esses puritanos calvinistas, que eventualmente criaram a Igreja Congregacional, davam muito ênfase à experiência de conversão. Somente tornavam-se membros plenos das igrejas aqueles que podiam dar um testemunho público e crível da conversão. Asssim, em sua fase inicial o puritanismo foi marcado por uma grande intensidade religiosa, uma espécie de contínuo avivamento. Essa característica do puritanismo haveria de influenciar fortemente as diferentes manifestações do protestantismo norte – americano.
O auge do despertamento ocorreu na Nova Inglaterra, que há décadas vinha orando por essa visitação. Dois nomes ficaram permanentemente ligados ao evento. O primeiro é o de Jonathan Edwards (1703-1758), jovem pastor da Igreja Congregacional de Northampton, em Massachusetts. Outro importante personagem associado ao Primeiro Grande Despertamento foi pregador inglês George Whitefield (1714-1770), que em 1740 fez uma memorável turnê evangelística através de várias colônias, encerrando-a na Nova Inglaterra.. Whitefield, um calvinista convicto que inicialmente havia trabalhado com John Wesley, pregou quase todos os dias a auditórios que chegavam a 8 mil pessoas. Essa campanha produziu um enorme impacto em todas as colônias, tornando-se o primeiro evento de amplitude “nacional” da história dos Estados Unidos.
Passado o período da emancipação política (1776), irrompeu um novo avivamento, que veio a ser muito mais duradouro e influente que o anterior. O Segundo Grande Despertamento começou por volta de 1800, novamente entre os presbiterianos, na localidade de Cane Ridge, em Kentucky. Além do mais vasto e complexo, esse despertamento diferiu do primeiro em outros aspectos importantes. Enquanto o avivamento anterior limitou-se essencialmente aos presbiterianos e congregacionais, este atingiu todas as denominações, especialmente os batistas e os metodistas, que tiveram um crescimento vertiginoso e tornaram-se os maiores grupos protestantes da América do Norte. Outra diferença foi a geográfica e social: enquanto o primeiro despertamento ocorreu em áreas urbanas próxima ao litoral, o segundo irrompeu na chamada “fronteira”, a região rural do meio-oeste com sua população móvel e sua instável organização social. Uma terceira diferença entre os dois avivamentos diz respeito à sua teologia. Enquanto o movimento do século XVII teve uma base solidamente calvinista, com sua ênfase na incapacidade humana e na iniciativa soberana de Deus, o Segundo Despertamento revelou um orientação nitidamente arminiana, dando grande destaque ao potencial da escolha e decisão do ser humano. Essa característica, que combinava com os ideais de liberdade e iniciativa individual da jovem nação, encontrou sua expressão mais eloqüente no avivalista Charles G. Finney (1792-1875). Finney acreditava que o avivamento poderia ser produzido pelo uso de técnicas que incluíam apelos insistentes e carregados de emoção, aconselhamento pessoal dos decididos e séries prolongadas de reuniões evangelísticas.
As campanhas de avivamento, pretendiam, através da emoção, da ameaça do inferno, provocar a decisão da pessoa por Cristo. Nos cânticos, nas orações, se buscavam um clima de emocionalismo que levasse o individuo a sentir a presença de Deus convidando-o insistemente a tomar a sua decisão. Portanto, há muita semelhança entre os avivamentos e o movimento pentecostal. Este último, partindo de uma busca de avivamento, chega ao batismo no Espírito Santo, ao falar em línguas, ao dom de curas, profecias, etc. Para as Igrejas Históricas, que tinham com prática os avivamentos essas práticas pentecostais eram consideradas demasiadas, provocando a perda da ordem, do equilíbrio, e portanto eram conseqüentemente rejeitadas. Essa é a causa doutrinária que motivou a separação do movimento pentecostal e o surgimento de suas igrejas.
É importante notar que “no Brasil, os verdadeiros herdeiros do reavivamento tradicional norte-americano são os pentecostais que mantiveram a ênfase no emocionalismo e a disposição de intinerância evangélica”.
A principal matriz do protestantismo norte-americano foi o puritanismo. Os puritanos, que estavam entre os primeiros colonizadores dos futuros Estados Unidos, chegaram à Nova Inglaterra a partir de 1620, estabelecendo-se inicialmente em Massachusetts e, depois, em Connecticut. Esses puritanos calvinistas, que eventualmente criaram a Igreja Congregacional, davam muito ênfase à experiência de conversão. Somente tornavam-se membros plenos das igrejas aqueles que podiam dar um testemunho público e crível da conversão. Asssim, em sua fase inicial o puritanismo foi marcado por uma grande intensidade religiosa, uma espécie de contínuo avivamento. Essa característica do puritanismo haveria de influenciar fortemente as diferentes manifestações do protestantismo norte – americano.
O auge do despertamento ocorreu na Nova Inglaterra, que há décadas vinha orando por essa visitação. Dois nomes ficaram permanentemente ligados ao evento. O primeiro é o de Jonathan Edwards (1703-1758), jovem pastor da Igreja Congregacional de Northampton, em Massachusetts. Outro importante personagem associado ao Primeiro Grande Despertamento foi pregador inglês George Whitefield (1714-1770), que em 1740 fez uma memorável turnê evangelística através de várias colônias, encerrando-a na Nova Inglaterra.. Whitefield, um calvinista convicto que inicialmente havia trabalhado com John Wesley, pregou quase todos os dias a auditórios que chegavam a 8 mil pessoas. Essa campanha produziu um enorme impacto em todas as colônias, tornando-se o primeiro evento de amplitude “nacional” da história dos Estados Unidos.
Passado o período da emancipação política (1776), irrompeu um novo avivamento, que veio a ser muito mais duradouro e influente que o anterior. O Segundo Grande Despertamento começou por volta de 1800, novamente entre os presbiterianos, na localidade de Cane Ridge, em Kentucky. Além do mais vasto e complexo, esse despertamento diferiu do primeiro em outros aspectos importantes. Enquanto o avivamento anterior limitou-se essencialmente aos presbiterianos e congregacionais, este atingiu todas as denominações, especialmente os batistas e os metodistas, que tiveram um crescimento vertiginoso e tornaram-se os maiores grupos protestantes da América do Norte. Outra diferença foi a geográfica e social: enquanto o primeiro despertamento ocorreu em áreas urbanas próxima ao litoral, o segundo irrompeu na chamada “fronteira”, a região rural do meio-oeste com sua população móvel e sua instável organização social. Uma terceira diferença entre os dois avivamentos diz respeito à sua teologia. Enquanto o movimento do século XVII teve uma base solidamente calvinista, com sua ênfase na incapacidade humana e na iniciativa soberana de Deus, o Segundo Despertamento revelou um orientação nitidamente arminiana, dando grande destaque ao potencial da escolha e decisão do ser humano. Essa característica, que combinava com os ideais de liberdade e iniciativa individual da jovem nação, encontrou sua expressão mais eloqüente no avivalista Charles G. Finney (1792-1875). Finney acreditava que o avivamento poderia ser produzido pelo uso de técnicas que incluíam apelos insistentes e carregados de emoção, aconselhamento pessoal dos decididos e séries prolongadas de reuniões evangelísticas.
As campanhas de avivamento, pretendiam, através da emoção, da ameaça do inferno, provocar a decisão da pessoa por Cristo. Nos cânticos, nas orações, se buscavam um clima de emocionalismo que levasse o individuo a sentir a presença de Deus convidando-o insistemente a tomar a sua decisão. Portanto, há muita semelhança entre os avivamentos e o movimento pentecostal. Este último, partindo de uma busca de avivamento, chega ao batismo no Espírito Santo, ao falar em línguas, ao dom de curas, profecias, etc. Para as Igrejas Históricas, que tinham com prática os avivamentos essas práticas pentecostais eram consideradas demasiadas, provocando a perda da ordem, do equilíbrio, e portanto eram conseqüentemente rejeitadas. Essa é a causa doutrinária que motivou a separação do movimento pentecostal e o surgimento de suas igrejas.
É importante notar que “no Brasil, os verdadeiros herdeiros do reavivamento tradicional norte-americano são os pentecostais que mantiveram a ênfase no emocionalismo e a disposição de intinerância evangélica”.
sábado, 4 de junho de 2011
elucubrações da vida!
É a primeira que estou escrevendo subjetivamente neste blog. Tenho lançado alguns insights no objetivo de compartilhar conhecimentos nessa rede mundial de computadores. Antes, tenho que confessar: sou leigo na frente de um computador! Todavia, quero escrever algo subjetivamente nesse blog, quero... Mas o que? Não sei! Poderia falar de mim, da minha esposa amada ou das minhas filhas! Ou, talvez da vida minha vida pastoral...Bom o que eu sei sobre mim? Se dependesse de mim, não saberia nada. Sei algo sobre a minha pessoa, porque Alguém me disse quem eu era! Até então, vivia desorientado, desnorteado, sem rumo...como disse Jean Paul Satre, em naúsea: "como um meteorito jogado no espaço, sem rumo". Quem me desnudou? IAWEH! Sim: "Eu sou". Essa expressão diretamento do hebraico, seria:"eu serei o que serei". Em outras palavras, AQUELE QUE É! Somente Ele para dizer sobre mim. Agora sei quem sou eu! Quem sou eu? Meu nome por enquanto é João Vicente Pereira, nasci em Jaboticabal SP, mas residi um bom tempo da minha vida na cidade de Pirangi; cidadezinha pacata onde tive uma infancia maravilhosa, minha mãe ainda reside em Pirangi, minhas irmãs: Daniela (caçula) e Maria (mais velha que eu); depois mudei-me para Ribeirão Preto (1990) e fui morar com o meu irmão mais velho José Vicente e sua esposa Eliane Maria Lucena e seus filhos: Mateus (arteiro), Michele (minha moreninha), Milene (branquinha) e Daniel (sossegado); foram anos maravilhosos, de crescimento, novas amizades, maturidade e também o melhor fato que aconteceu na minha vida: conversão, conheci Jesus Cristo. É justamente aqui que volto ao inicio de tudo: quem sou eu? Depois da minha conversão, encontrei-me! Sou filho, não mais criatura; fui lavado, meus pecados foram perdoados; fui santificado, era de Deus agora; Justificado, Jesus morreu na cruz pelos meus pecados, embora não merecesse. Hoje sei que sou eu: salvo em Cristo Jesus, vivendo a vida de Cristo em mim, com minha familia e indo em direção ao céu...
quinta-feira, 2 de junho de 2011
a linha Magica - William J. Benett
A Linha Mágica
"Era uma vez uma
viúva que tinha um filho chamado Pedro. O menino era forte e são, mas não
gostava de ir à escola e passava o tempo todo sonhando acordado.
- Pedro, com o que você está sonhando a uma hora
destas? - perguntava-lhe a professora.
- Estava pensando no que serei quando crescer -
respondia ele.
- Seja paciente. Há muito tempo para pensar nisso.
Depois de crescido, nem tudo é divertimento, sabe? - dizia ela.
Mas Pedro tinha dificuldades para apreciar qualquer
coisa que estivesse fazendo no momento, e ansiava sempre pela próxima. No
inverno, ansiava pelo retorno do verão; e no verão, sonhava com passeios de
esqui e trenó, e com as fogueiras acesas durante o inverno. Na escola, ansiava
pelo fim do dia, quando poderia voltar para casa; e nas noites de domingo,
suspirava dizendo: "Se as férias chegassem logo!" O que mais o
entretinha era brincar com a amiga Lise. Era companheira tão boa quanto
qualquer menino, e a ansiedade de Pedro não a afetava, ela não se ofendia.
"Quando crescer, vou casar-me com ela", dizia Pedro consigo mesmo.
Costumava perder-se em caminhadas pela floresta,
sonhando com o futuro. Ás vezes, deitava-se ao sol sobre o chão macio, com as
mãos postas sob a cabeça, e ficava olhando o céu através das copas altas das
árvores. Uma tarde quente, quando estava quase caindo no sono, ouviu alguém
chamando por ele. Abriu os olhos e sentou-se. Viu uma mulher idosa em pé à sua
frente. Ela trazia na mão uma bola prateada, da qual pendia uma linha de seda
dourada.
- Olhe o que tenho aqui, Pedro - disse ela,
oferecendo-lhe o objeto.
- O que é isso? - perguntou, curioso, tocando a fina
linha dourada.
- É a linha da sua vida - retrucou a mulher. - Não
toque nela e o tempo passará normalmente. Mas se desejar que o tempo ande mais rápido,
basta dar um leve puxão na linha e uma hora passará como se fosse um segundo.
Mas devo avisá-lo: uma vez que a linha tenha sido puxada, não poderá ser
colocada de volta dentro da bola. Ela desaparecerá como uma nuvem de fumaça. A
bola é sua. Mas se aceitar meu presente, não conte para ninguém; senão, morrerá
no mesmo dia. Agora diga, quer ficar com ela?
Pedro tomou-lhe das mãos o presente, satisfeito. Era
exatamente o que queria. Examinou-a. Era leve e sólida, feita de uma peça só.
Havia apenas um furo de onde saía a linha brilhante. O menino colocou-a no
bolso e foi correndo para casa. Lá chegando, depois de certificar-se da
ausência da mãe, examinou-a outra vez. A linha parecia sair lentamente de
dentro da bola, tão devagar que era difícil perceber o movimento a olho nu.
Sentiu vontade de dar-lhe um rápido puxão, mas não teve coragem. Ainda não.
No dia seguinte na escola, Pedro imaginava o que fazer
com sua linha mágica. A professora o repreendeu por não se concentrar nos
deveres. "Se ao menos", pensou ele, "fosse a hora de ir para
casa!" Tateou a bola prateada no bolso. Se desse apenas um pequeno puxão,
logo o dia chegaria ao fim. Cuidadosamente, pegou a linha e puxou. De repente,
a professora mandou que todos arrumassem suas coisas e fossem embora,
organizadamente. Pedro ficou maravilhado. Correu sem parar até chegar em casa.
Como a vida seria fácil agora! Todos seus problemas haviam terminado. Dali em
diante, passou a puxar a linha, só um pouco, todos os dias.
Entretanto, logo apercebeu-se que era tolice puxar a
linha apenas um pouco todos os dias. Se desse um puxão mais forte, o período
escolar estaria concluído de uma vez. Ora, poderia aprender uma profissão e
casar-se com Lise. Naquela noite, então, deu um forte puxão na linha, e acordou
na manhã seguinte como aprendiz de um carpinteiro da cidade. Pedro adorou sua
nova vida, subindo em telhados e andaimes, erguendo e colocando a marteladas
enormes vigas que ainda exalavam o perfume da floresta. Mas às vezes, quando o
dia do pagamento demorava a chegar, dava um pequeno puxão na linha e logo a
semana terminava, já era a noite de sexta-feira e ele tinha dinheiro no bolso.
Lise também mudara-se para a cidade e morava com a
tia, que lhe ensinava os afazeres do lar. Pedro começou a ficar impaciente
acerca do dia em que se casariam. Era difícil viver tão perto e tão longe dela,
ao mesmo tempo. Perguntou-lhe, então, quando poderiam se casar.
- No próximo ano - disse ela. - Eu já terei aprendido
a ser uma boa esposa.
Pedro tocou com os dedos a bola prateada no bolso.
- Ora, o tempo vai passar bem rápido - disse, com
muita certeza.
Naquela noite, não conseguiu dormir. Passou o tempo
todo agitado, virando de um lado para outro na cama. Tirou a bola mágica que
estava debaixo do travesseiro. Hesitou um instante; logo a impaciência o
dominou, e ele puxou a linha dourada. Pela manhã, descobriu que o ano já havia
passado e que Lise concordara afinal com o casamento. Pedro sentiu-se realmente
feliz.
Mas antes que o casamento pudesse realizar-se, recebeu
uma carta com aspecto de documento oficial. Abriu-a, trêmulo, e leu a noticia
de que deveria apresentar-se ao quartel do exército na semana seguinte para
servir por dois anos. Mostrou-a, desesperado, para Lise.
- Ora - disse ela -, não há o que temer, basta-nos
esperar. Mas o tempo passará rápido, você vai ver. Há tanto o que preparar para
nossa vida a dois!
Pedro sorriu com galhardia, mas sabia que dois anos
durariam uma eternidade para passar.
Quando já se acostumara à vida no quartel, entretanto,
começou a achar que não era tão ruim assim. Gostava de estar com os outros
rapazes, e as tarefas não eram tão árduas a princípio. Lembrou-se da mulher
aconselhando-o a usar a linha mágica com sabedoria e evitou usá-la por algum
tempo. Mas logo tornou a sentir-se irrequieto. A vida no exército o entediava
com tarefas de rotina e rígida disciplina. Começou a puxar a linha para
acelerar o andamento da semana a fim de que chegasse logo o domingo, ou o dia
da sua folga. E assim se passaram os dois anos, como se fosse um sonho.
Terminado o serviço militar, Pedro decidiu não mais
puxar a linha, exceto por uma necessidade absoluta. Afinal, era a melhor época
da sua vida, conforme todos lhe diziam. Não queria que acabasse tão rápido assim.
Mas ele deu um ou dois pequenos puxões na linha, só para antecipar um pouco o
dia do casamento. Tinha muita vontade de contar para Lise seu segredo; mas
sabia que se contasse, morreria.
No dia do casamento, todos estavam felizes, inclusive
Pedro. Ele mal podia esperar para mostrar-lhe a casa que construíra para ela.
Durante a festa, lançou um rápido olhar para a mãe. Percebeu, pela primeira
vez, que o cabelo dela estava ficando grisalho. Envelhecera rapidamente. Pedro
sentiu uma pontada de culpa por ter puxado a linha com tanta freqüência. Dali
em diante, seria muito mais parcimonioso com seu uso, e sé a puxaria se fosse
estritamente necessário.
Alguns meses mais tarde, Lise anunciou que estava
esperando um filho. Pedro ficou entusiasmadíssimo, e mal podia esperar. Quando
o bebê nasceu, ele achou que não iria querer mais nada na vida. Mas sempre que
o bebê adoecia ou passava uma noite em claro chorando, ele puxava a linha um
pouquinho para que o bebê tornasse a ficar saudável e alegre.
Os tempos andavam difíceis. Os negócios iam mal e
chegara ao poder um governo que mantinha o povo sob forte arrocho e pesados
impostos, e não tolerava oposição. Quem quer que fosse tido como agitador era
preso sem julgamento, e um simples boato bastava para se condenar um homem.
Pedro sempre fora conhecido por dizer o que pensava, e logo foi preso e jogado
numa cadeia. Por sorte, trazia a bola mágica consigo e deu um forte puxão na
linha. As paredes da prisão se dissolveram diante dos seus olhos e os inimigos
foram arremessados à distância numa enorme explosão. Era a guerra que se
insinuava, mas que logo acabou, como uma tempestade de verão, deixando o rastro
de uma paz exaurida. Pedro viu-se de volta ao lar com a família. Mas era agora
um homem de meia-idade.
Durante algum tempo, a vida correu sem percalços, e
Pedro sentia-se relativamente satisfeito. Um dia, olhou para a bola mágica e
surpreendeu-se ao ver que a linha passara da cor dourada para a prateada. Foi
olhar-se no espelho. Seu cabelo começava a ficar grisalho e seu rosto
apresentava rugas onde nem se podia imaginá-las. Sentiu um medo súbito e
decidiu usar a linha com mais cuidado ainda do que antes. Lise dera-lhe outros
filhos e ele parecia feliz como chefe da família que crescia. Seu modo
imponente de ser fazia as pessoas pensarem que ele era algum tipo de déspota
benevolente. Possuía um ar de autoridade como se tivesse nas mãos o destino de
todos. Mantinha a bola mágica bem escondida, resguardada dos olhos curiosos dos
filhos, sabendo que se alguém a descobrisse, seria fatal.
Cada vez tinha mais filhos, de modo que a casa foi
ficando muito cheia de gente. Precisava ampliá-la, mas não contava com o
dinheiro necessário para a obra. Tinha outras preocupações, também. A mãe
estava ficando idosa e parecia mais cansada com o passar dos dias. Não
adiantava puxar a linha da bola mágica, pois isto sé aceleraria a chegada da
morte para ela. De repente, ela faleceu, e Pedro, parado diante do túmulo,
pensou como a vida passara tão rápido, mesmo sem fazer uso da linha mágica.
Uma noite, deitado na cama, sem conseguir dormir,
pensando nas suas preocupações, achou que a vida seria bem melhor se todos os
filhos já estivessem crescidos e com carreiras encaminhadas. Deu um fortíssimo
puxão na linha, e acordou no dia seguinte vendo que os filhos já não estavam
mais em casa, pois tinham arranjado empregos em diferentes cantos do país, e
que ele e a mulher estavam sós. Seu cabelo estava quase todo branco e doíam-lhe
as costas e as pernas quando subia uma escada ou os braços quando levantava uma
viga mais pesada. Lise também envelhecera, e estava quase sempre doente. Ele
não agüentava vê-la sofrer, de tal forma que lançava mão da linha mágica cada
vez mais freqüentemente. Mas bastava ser resolvido um problema, e já outro
surgia em seu lugar. Pensou que talvez a vida melhorasse se ele se aposentasse.
Assim, não teria que continuar subindo nos edifícios em obras, sujeito a
lufadas de vento, e poderia cuidar de Lise sempre que ela adoecesse. O problema
era a falta de dinheiro suficiente para sobreviver. Pegou a bola mágica, então,
e ficou olhando. Para seu espanto viu que a linha não era mais prateada, mas
cinza, e perdera o brilho. Decidiu ir para a floresta dar um passeio e pensar
melhor em tudo aquilo.
Já fazia muito tempo que não ia àquela parte da
floresta. Os pequenos arbustos haviam crescido, transformando-se em árvores
frondosas, e foi difícil encontrar o caminho que costumava percorrer. Acabou
chegando a um banco no meio de uma clareira. Sentou-se para descansar e caiu em
sono leve. Foi despertado por uma voz que chamava-o pelo nome: "Pedro!
Pedro!"
Abriu os olhos e viu a mulher que encontrara havia
tantos anos e que lhe dera a bola prateada com a linha dourada mágica.
Aparentava a mesma idade que tinha no dia em questão, exatamente igual. Ela
sorriu para ele.
- E então, Pedro, sua vida foi boa? - perguntou.
- Não estou bem certo - disse ele. - Sua bola mágica é
maravilhosa. Jamais tive que suportar qualquer sofrimento ou esperar por
qualquer coisa em minha vida. Mas tudo foi tão rápido. Sinto como se não
tivesse tido tempo de apreender tudo que se passou comigo; nem as coisas boas,
nem as ruins. E agora falta tão pouco tempo! Não ouso mais puxar a linha, pois
isto só anteciparia minha morte. Acho que seu presente não me trouxe sorte.
- Mas que falta de gratidão! - disse a mulher. - Como
você gostaria que as coisas fossem diferentes?
- Talvez se você tivesse me dado uma outra bola, que
eu pudesse puxar a linha para fora e para dentro também. Talvez, então, eu
pudesse reviver as coisas ruins.
A mulher riu-se. - Está pedindo muito! Você acha que
Deus nos permite viver nossas vidas mais de uma vez? Mas posso conceder-lhe um
último desejo, seu tolo exigente.
- Qual? - perguntou ele.
- Escolha - disse ela. Pedro pensou bastante. Depois
de um bom tempo, disse: - Eu gostaria de tornar a viver minha vida, como se
fosse a primeira vez, mas sem sua bola mágica. Assim poderei experimentar as
coisas ruins da mesma forma que as boas sem encurtar sua duração, e pelo menos
minha vida não passará tão rápido e não perderá o sentido como um devaneio.
- Assim seja - disse a mulher. - Devolva-me a bola.
Ela esticou a mão e Pedro entregou-lhe a bola prateada. Em seguida, ele se
recostou e fechou os olhos, exausto.
Quando acordou, estava na cama. Sua jovem mãe se
debruçava sobre ele, tentando acordá-lo carinhosamente.
- Acorde, Pedro. Não vá chegar atrasado na escola.
Você estava dormindo como uma pedra!
Ele olhou para ela, surpreso e aliviado.
Tive um sonho horrível, mãe. Sonhei que estava velho e
doente e que minha vida passara como num piscar de olhos sem que eu sequer
tivesse algo para contar. Nem ao menos algumas lembranças.
A mãe riu-se e fez que não com a cabeça.
Isso nunca vai acontecer disse ela. As lembranças são
algo que todos temos, mesmo quando velhos. Agora, ande logo, vá se vestir. A
Lise está esperando por você, não deixe que se atrase por sua causa.
A caminho da escola em companhia da amiga, ele observou
que estavam em pleno verão e que fazia uma linda manhã, uma daquelas em que era
ótimo estar vivendo. Em poucos minutos, estariam encontrando os amigos e
colegas, e mesmo a perspectiva de enfrentar algumas aulas não parecia tão ruim
assim. Na verdade, ele mal podia esperar."
Do Livro: O LIVRO DAS VIRTUDES
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Pinóquio e o campo dos milagres
Pinóquio
e o campo dos milagres: país das antas.
Uma estória infantil carregada de
significados. Principalmente nos dias hodiernos em que espertalhões midiáticos
enredam os ingênuos com sua teologia da prosperidade.
Chegamos ao capítulo XII. Comefogo, o dono de um teatrinho de bonecos, dá de presente cinco moedas de ouro para Pinóquio para que ele as leve para Gepeto, seu pai; e Pinóquio em vez disso, deixa-se enrolar pela Raposa e pelo Gato e vai embora com eles.
No dia seguinte, Comefogo chamou Pinóquio de lado e perguntou:
-Qual é o nome do seu pai?
-Gepeto.
-E o que ele faz?
-É um pobre.
-Ele ganha muito?
-Ele ganha tanto quanto é preciso para não ter nunca um centavo sequer no bolso. Imagine que para comprar minha Cartilha da escola teve que vender a única jaqueta que vestia, uma jaqueta que, entre consertos e remendos, estava caindo aos pedaços.
-Pobre sujeito! Me dá até dó! Eis aqui cinco moedas de ouro. Leve-as logo para ele e mande lembranças de minha parte.
Pinóquio, com é fácil imaginar, agradeceu mil vezes o patrão, abraçou, um por um, todos bonecos da Companhia, até os guardas, e, delirando de felicidade, seguiu viagem para voltar para casa.
Mas não tinha andado nem meio quilômetro ainda quando encontrou pelo caminho uma Raposa manca de uma pata e um Gato cego dos dois olhos, que iam andando devagarinho, ajudando-se um ao outro, como bons companheiros de infortúnio. A Raposa, que era manca, caminhava apoiando-se no Gato, e o Gato, que era cego, deixava-se guiar pela Raposa.
-Bom dia, Pinóquio – disse a Raposa, cumprimentando-o educadamente.
-Como é que você sabe meu nome? - perguntou o boneco.
-Eu conheço bem o seu pai.
-Onde você o viu?
-Eu o vi ontem na soleira da porta da casa dele.
-E o que ele estava fazendo?
-Ele estava só de camisa e estava tremendo de frio.
-Pobre papai! Mas, se Deus quiser, de hoje em diante ele não vai mais tremer!...
-Por quê?
-Porque eu me tornei um rico senhor.
-Você, um rico senhor? - disse a Raposa, e começou a rir com uma risada desengonçada e zombeteira; e o Gato também ria, mas, para disfarçar, penteava os bigodes com as patas da frente.
-Não tem graça nenhuma – gritou Pinóquio ofendido. - Sinto muito se vou deixar vocês com água na boca, mas estas aqui, se é que vocês entendem isso, são cinco belíssimas moedas de ouro. E tirou do bolso as moedas que Comefogo lhe dera de presente.
Ao som agradável daquelas moedas, a Raposa, por um impulso involuntário, espichou a pata que parecia encolhida e o Gato esbugalhou todos os dois olhos, que pareceram duas lanternas verdes, mas logo depois voltou a fechá-los, tanto é que Pinóquio não percebeu nada.
-E agora – perguntou a Raposa -, o que você vai querer fazer com essas moedas?
-Antes de mais nada – respondeu o boneco -, quero comprar para o meu pai uma bela jaqueta nova, toda de ouro e prata e com os botões de brilhantes, e depois quero ir para a escola e começar a estudar para valer.
-Olhe só para mim! - disse a Raposa. - Por causa da minha paixão tola pelo estudo, perdi uma perna.
-Olha só para mim! - disse o Gato. - Por causa da minha paixão tola pelo estudo fiquei cego dos dois olhos.
Enquanto isso, um Melro branco que estava empoleirado sobre a cerca à beira da estrada cantou como de costume e disse:
-Pinóquio, não dê ouvidos aos conselhos de más companhias, senão você vai arrepender-se!
Pobre Melro, teria sido melhor se não tivesse feito isso! O Gato, dando um grande salto, atirou-se em cima dele e, sem lhe dar nem ao menos tempo de dizer Ai, devorou-o de um só bocado, com as penas e tudo.
Depois de comê-lo e de limpar a boca, fechou novamente os olhos e voltou a se fazer de cego como antes.
-Pobre Melro – disse Pinóquio ao Gato -, por que você o tratou tão mal?
-Fiz isso para lhe dar uma lição. Assim, da próxima vez, ele vai aprender a não se meter nas conversas dos outros.
Já tinham andado mais da metade do caminho quando a Raposa, parando de supetão, disse para o boneco:
-Você quer dobrar as sua moedas de ouro?
-Como assim?
-Você quer que essas cinco miseráveis moedas de ouro virem cem, mil, dua mil?
-Pudera! De que jeito?
-De um jeito muito fácil. Em vez de voltar para casa, você deveria vir conosco.
-E aonde vocês querem levar-me?
-Ao País das Antas.
-Pinóquio pensou um pouco, depois disse com determinação:
-Não, não quero ir. Agora já estou perto de casa e quero ir para casa, onde meu pai está esperando-me. Quem sabe, pobre velho, como ficou ansioso ontem quando não me viu voltar. Infelizmente fui um mau menino, e o Grilo-falante tinha razão quando dizia: “Os meninos desobedientes não conseguem nada de bom neste mundo”. E eu aprendi isso às minhas custas, porque muitas desgraças me aconteceram, e ontem à noite, na casa de Comefogo, corri perigo...Brrr! Me dá um arrepio só de pensar!
-Então – disse a Raposa -, você quer mesmo ir para casa? Então vá, e pior para você.
-Pior para você! - repetiu o Gato.
-Pensei bem, Pinóquio, porque você está virando as costas para a sorte.
-Para a sorte! - repetiu o Gato.
-As suas cinco moedas de ouro de hoje para amanhã teriam virado duas mil.
-Duas mil – repetiu o Gato.
-Mas como é possível que virem tantas assim? - perguntou Pinóquio, ficando de boca aberta de tão estupefato.
-Já vou explicar para você – disse a Raposa. - É preciso saber que no país das Antas tem um campo abençoado que todos chamam de Campo dos Milagres. Você cava neste campo um pequeno buraco e coloca dentro dele, por exemplo, uma moeda de ouro. Depois você cobre o buraco com um pouco de terra, rega-o com dois baldes de água de chafariz, joga por cima um punhado de sal, e, no fim da tarde, você vai sossegado para a cama. Enquanto isso, durante a noite, a moeda de ouro brota e dá flor e, na manhã seguinte, ao levantar, você volta para o campo e o que você encontra? Encontra uma bela árvore carregada de tantas moedas de ouro quantos são os grãos de trigo de uma bela espiga no mês de junho.
-Então vejamos – disse Pinóquio cada vez mais atônito -, se eu enterrasse naquele campo as minhas cinco moedas de ouro, na manhã seguinte quantas moedas de ouro eu encontraria?
-É uma conta facílima – respondeu a Raposa -, uma conta que você pode fazer na ponta dos dedos. Suponhamos que cada moeda dê um cacho de quinhentas moedas; faça quinhentas vezes cinco e na manhã seguinte você vai encontrar no seu bolso duas mil e quinhentas moedas ouro brilhando e tinindo.
-Oh, que bom! - gritou Pinóquio, dançando de alegria. - Assim que eu tiver colhido essas moedas de ouro, vou ficar com duas mil para mim e vou dar as outras quinhentas de presente para vocês dois.
-Um presente para nós? - Gritou a Raposa indignando-se e dizendo-se ofendida. - Deus me livre!
-Me livre! - repetiu o Gato.
-Nós – prosseguiu a Raposa – não trabalhamos por interesses mesquinhos, nós trabalhamos unicamente para enriquecer os outros.
-Os outros! - repetiu o Gato.
-Que pessoas de bem! - pensou Pinóquio consigo. E, esquecendo-se na mesma hora do seu pai, da jaqueta nova, da Cartilha e de todas as suas boas intenções, disse para a Raposa e para o Gato:
-Vamos logo. Eu vou com vocês!
Chegamos ao capítulo XII. Comefogo, o dono de um teatrinho de bonecos, dá de presente cinco moedas de ouro para Pinóquio para que ele as leve para Gepeto, seu pai; e Pinóquio em vez disso, deixa-se enrolar pela Raposa e pelo Gato e vai embora com eles.
No dia seguinte, Comefogo chamou Pinóquio de lado e perguntou:
-Qual é o nome do seu pai?
-Gepeto.
-E o que ele faz?
-É um pobre.
-Ele ganha muito?
-Ele ganha tanto quanto é preciso para não ter nunca um centavo sequer no bolso. Imagine que para comprar minha Cartilha da escola teve que vender a única jaqueta que vestia, uma jaqueta que, entre consertos e remendos, estava caindo aos pedaços.
-Pobre sujeito! Me dá até dó! Eis aqui cinco moedas de ouro. Leve-as logo para ele e mande lembranças de minha parte.
Pinóquio, com é fácil imaginar, agradeceu mil vezes o patrão, abraçou, um por um, todos bonecos da Companhia, até os guardas, e, delirando de felicidade, seguiu viagem para voltar para casa.
Mas não tinha andado nem meio quilômetro ainda quando encontrou pelo caminho uma Raposa manca de uma pata e um Gato cego dos dois olhos, que iam andando devagarinho, ajudando-se um ao outro, como bons companheiros de infortúnio. A Raposa, que era manca, caminhava apoiando-se no Gato, e o Gato, que era cego, deixava-se guiar pela Raposa.
-Bom dia, Pinóquio – disse a Raposa, cumprimentando-o educadamente.
-Como é que você sabe meu nome? - perguntou o boneco.
-Eu conheço bem o seu pai.
-Onde você o viu?
-Eu o vi ontem na soleira da porta da casa dele.
-E o que ele estava fazendo?
-Ele estava só de camisa e estava tremendo de frio.
-Pobre papai! Mas, se Deus quiser, de hoje em diante ele não vai mais tremer!...
-Por quê?
-Porque eu me tornei um rico senhor.
-Você, um rico senhor? - disse a Raposa, e começou a rir com uma risada desengonçada e zombeteira; e o Gato também ria, mas, para disfarçar, penteava os bigodes com as patas da frente.
-Não tem graça nenhuma – gritou Pinóquio ofendido. - Sinto muito se vou deixar vocês com água na boca, mas estas aqui, se é que vocês entendem isso, são cinco belíssimas moedas de ouro. E tirou do bolso as moedas que Comefogo lhe dera de presente.
Ao som agradável daquelas moedas, a Raposa, por um impulso involuntário, espichou a pata que parecia encolhida e o Gato esbugalhou todos os dois olhos, que pareceram duas lanternas verdes, mas logo depois voltou a fechá-los, tanto é que Pinóquio não percebeu nada.
-E agora – perguntou a Raposa -, o que você vai querer fazer com essas moedas?
-Antes de mais nada – respondeu o boneco -, quero comprar para o meu pai uma bela jaqueta nova, toda de ouro e prata e com os botões de brilhantes, e depois quero ir para a escola e começar a estudar para valer.
-Olhe só para mim! - disse a Raposa. - Por causa da minha paixão tola pelo estudo, perdi uma perna.
-Olha só para mim! - disse o Gato. - Por causa da minha paixão tola pelo estudo fiquei cego dos dois olhos.
Enquanto isso, um Melro branco que estava empoleirado sobre a cerca à beira da estrada cantou como de costume e disse:
-Pinóquio, não dê ouvidos aos conselhos de más companhias, senão você vai arrepender-se!
Pobre Melro, teria sido melhor se não tivesse feito isso! O Gato, dando um grande salto, atirou-se em cima dele e, sem lhe dar nem ao menos tempo de dizer Ai, devorou-o de um só bocado, com as penas e tudo.
Depois de comê-lo e de limpar a boca, fechou novamente os olhos e voltou a se fazer de cego como antes.
-Pobre Melro – disse Pinóquio ao Gato -, por que você o tratou tão mal?
-Fiz isso para lhe dar uma lição. Assim, da próxima vez, ele vai aprender a não se meter nas conversas dos outros.
Já tinham andado mais da metade do caminho quando a Raposa, parando de supetão, disse para o boneco:
-Você quer dobrar as sua moedas de ouro?
-Como assim?
-Você quer que essas cinco miseráveis moedas de ouro virem cem, mil, dua mil?
-Pudera! De que jeito?
-De um jeito muito fácil. Em vez de voltar para casa, você deveria vir conosco.
-E aonde vocês querem levar-me?
-Ao País das Antas.
-Pinóquio pensou um pouco, depois disse com determinação:
-Não, não quero ir. Agora já estou perto de casa e quero ir para casa, onde meu pai está esperando-me. Quem sabe, pobre velho, como ficou ansioso ontem quando não me viu voltar. Infelizmente fui um mau menino, e o Grilo-falante tinha razão quando dizia: “Os meninos desobedientes não conseguem nada de bom neste mundo”. E eu aprendi isso às minhas custas, porque muitas desgraças me aconteceram, e ontem à noite, na casa de Comefogo, corri perigo...Brrr! Me dá um arrepio só de pensar!
-Então – disse a Raposa -, você quer mesmo ir para casa? Então vá, e pior para você.
-Pior para você! - repetiu o Gato.
-Pensei bem, Pinóquio, porque você está virando as costas para a sorte.
-Para a sorte! - repetiu o Gato.
-As suas cinco moedas de ouro de hoje para amanhã teriam virado duas mil.
-Duas mil – repetiu o Gato.
-Mas como é possível que virem tantas assim? - perguntou Pinóquio, ficando de boca aberta de tão estupefato.
-Já vou explicar para você – disse a Raposa. - É preciso saber que no país das Antas tem um campo abençoado que todos chamam de Campo dos Milagres. Você cava neste campo um pequeno buraco e coloca dentro dele, por exemplo, uma moeda de ouro. Depois você cobre o buraco com um pouco de terra, rega-o com dois baldes de água de chafariz, joga por cima um punhado de sal, e, no fim da tarde, você vai sossegado para a cama. Enquanto isso, durante a noite, a moeda de ouro brota e dá flor e, na manhã seguinte, ao levantar, você volta para o campo e o que você encontra? Encontra uma bela árvore carregada de tantas moedas de ouro quantos são os grãos de trigo de uma bela espiga no mês de junho.
-Então vejamos – disse Pinóquio cada vez mais atônito -, se eu enterrasse naquele campo as minhas cinco moedas de ouro, na manhã seguinte quantas moedas de ouro eu encontraria?
-É uma conta facílima – respondeu a Raposa -, uma conta que você pode fazer na ponta dos dedos. Suponhamos que cada moeda dê um cacho de quinhentas moedas; faça quinhentas vezes cinco e na manhã seguinte você vai encontrar no seu bolso duas mil e quinhentas moedas ouro brilhando e tinindo.
-Oh, que bom! - gritou Pinóquio, dançando de alegria. - Assim que eu tiver colhido essas moedas de ouro, vou ficar com duas mil para mim e vou dar as outras quinhentas de presente para vocês dois.
-Um presente para nós? - Gritou a Raposa indignando-se e dizendo-se ofendida. - Deus me livre!
-Me livre! - repetiu o Gato.
-Nós – prosseguiu a Raposa – não trabalhamos por interesses mesquinhos, nós trabalhamos unicamente para enriquecer os outros.
-Os outros! - repetiu o Gato.
-Que pessoas de bem! - pensou Pinóquio consigo. E, esquecendo-se na mesma hora do seu pai, da jaqueta nova, da Cartilha e de todas as suas boas intenções, disse para a Raposa e para o Gato:
-Vamos logo. Eu vou com vocês!
domingo, 16 de janeiro de 2011
poemas da fé cristã
POEMAS DA FÉ CRISTÃ
DÁ-ME VIRTUDE
“DÁ-ME O TIPO DE AMOR QUE SEGUE À FRENTE DE TODOS.
A FÉ QUE NÃO DESANIMA À VISTA DE NADA.
A ESPERANÇA QUE NÃO MORRE MESMO SOFRENDO DECEPÇÕES.
O FERVOR QUE ARDE COMO FOGO.
QUE EU NUNCA FIQUE ESTAGNADO COM UM TORRÃO NO CHÃO.
TORNA-ME O TEU COMBUSTIVEL, CHAMA DIVINA!”
AH! QUE ME DERA SEGUIR O IDE DE JESUS!
“AH!, QUEM ME DERA TER GRANDE PAIXÃO PELAS ALMAS,
TER UMA COMPAIXÃO QUE SE APIEDA!
AH, QUEM ME DERA TER UM AMOR
QUE AMASSE ATÉ A MORTE,
UM FOGO QUE ME CONSUMISSE!
AH! QUEM ME DERA TER O PODER DA ORAÇÃO VITORIOSA,
QUE SE DERRAMA EM FAVOR DOS PERDIDOS!
UMA ORAÇÃO VITORIOSA EM NOME DAQUELE QUE VENCEU,
AH, QUEM NOS DERA UM PENTECOSTES!”
AMY CARMICHAEL
a graça de Deus
A graça de Deus.
O que o Cristianismo representa para as pessoas? Liberdade? Escravidão? Ópio? Suicídio intelectual? O que? Lewis afirma que a diferença do Cristianismo das demais religiões é a graça. O que vem a ser a graça? Um favor imerecido, no qual recebemos de Deus sem nada precisarmos dar de volta.
Sua graça é melhor que a vida!! Alguns dias atrás assisti ‘Festa de Babete”. Conheci esse filme através do livro do Philip Yancey – Maravilhosa Graça -, fui a locadora e loquei. O filme narra a história de um patriarca luterano com suas talentosas filhas. Viveram nessa vila de pescadores a vida toda, sempre comendo a mesma comida, sempre respirando o mesmo ar, nunca dando possibilidade a mudança. Na vida das duas filhas do Pastor as oportunidades foram e não voltaram. No caso da primeira a carreira militar falou mais alto no coração do General, quanto a segunda que tinha uma voz maravilhosa deixou uma oportunidade de ouro para cantar nos grandes teatros de Paris, para ficar cantando para aquela pequena congregação distante de tudo e todos. Entretanto, por causa da Guerra Civil na França, Babete a cozinheira de mão cheia é conduzida à casa dessas – agora depois de tantos anos – senhoras. Ela se oferece para cuidar da casa sem salário, só pela sobrevivência. Essa cozinheira não revelou sua verdadeira identidade, escondeu-a . Mas, deixou um brilhete de loteria lá em Paris. Certo dia ela ganha 10000 francos! Quando Babete contou isso as duas senhoras elas ficaram desalentadadas, pensando que ela ia voltar para Paris. Todavia, estava chegando o dia do aniversario da morte do velho luterano e Babete quis preparar a festa. Era a primeira vez, naqueles quartoze anos que ela fizera um pedido. As duas irmãs tiveram que assentir, não podiam negar. E assim se sucedeu que dentro de alguns dias começaram a chegar barcos vindo de Paris com vários tipos de comida. Animais vivos, bebidas finas, etc. No dia do jantar a mesa fora servida como nunca antes ocorrera: pratos bonitos, talheres brilhosos, copos elegantes, uma linda toalha branca, candelabro com oito hastes .... E o menino –ajudante de Babete -, serve a mesa com as melhores iguarias. Esses anciãos que antes viviam brigando, discutindo, jogando o pecado na face do outro, agora estão em êxtase! Um pratinho com um caldo esquisito é posto à mesa, era sopa de tartaruga, comiam sem pensar no que estava comendo, era um prato delicioso, suculento, cheiroso... Um tempero extraordinário. Vinho de primeira qualidade, Champanhe refinado, caro. Codorna assada, mais vinho, mais champanhe, mais perdão...Nesses entretempos de transfiguração os anciãos se perdoam, retiram palavras pesadas. Boatos e calunias etc. É a comida que vai exteriorizando a graça. Quando acaba o jantar, lá fora no frio gelado da Dinamarca eles se reúnem e dão as mãos e cantam um hino da Nova Jerusalém.
Foram apreendidos pela GRAÇA. A graça nos encheu de iguarias que não merecíamos. A graça nos salvou, nos justificou, nos santificou e nos glorificou.
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