terça-feira, 24 de novembro de 2015

Aos casados e aos solteiros 1 Co 7:1-5.

Introdução: Jó 31.1-5: Fiz uma aliança com os meus olhos.
Jó fez uma aliança com os seus olhos, para que não se entregassem a luxuria. "Como, pois", pergunta ele, "os fixaria eu numa donzela". O olhar devasso seria visto por Deus. E certamente conduziria à falsidade e ao engano. "Se o meu pés se apressou para o engano", diz ele, "e se o meu coração segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou qualquer mancha, então eu semeie e outro coma, e sejam arrancados os renovos do meu campo. Se o meu coração se deixou seduzir por causa de mulher, se andei à espreita à porta do meu próximo, então moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela". Jó não queria envolver o corpo, as percepções, os pensamentos e os desejos e devaneios, licenciosidade e excitação sexual.  Alguns testes:

  • Você gostou e até prolongou o olhar? Você deixou a sua imaginação voar livre e descontroladamente?
  • Você imaginou relações eróticas com a pessoa sem ter um compromisso matrimonial, sério e definitivo com ela?
  • Se tivesse certeza de não ser surpreendido em uma relação física com ela, você tentaria?
1)    Aos solteiros - imoralidade sexual. 




Imoralidade sexual é ter relações sexuais antes do casamento, com qualquer pessoa (v.1). Um padrão inconfundível na Bíblia concernente ao comportamento sexual é que o sexo antes do casamento, com qualquer pessoa, é pecado. Em geral, o sexo entre pessoas solteiras é chamado de fornicação. Entre pessoas casadas é chamado de adultério e entre pessoas do mesmo sexo é chamado de homossexualismo. O sexo antes do casamento nunca foi chamado de casamento na Bíblia – é sempre chamado de fornicação ou adultério. A vontade de Deus é clara: não se deve manter relações sexuais com ninguém, antes do casamento.


Imoralidade sexual é ter relações sexuais após o casamento com outra pessoa além do cônjuge. Depois do casamento, a relação sexual mantida com qualquer outra pessoa além daquela com quem o indivíduo está casado é sempre chamada de imoralidade.

Imoralidade sexual é fazer qualquer coisa em si próprio com o propósito de instigar o desejo sexual. Este princípio geral é muito útil para ajudar o cristão a definir se está indo na direção da imoralidade. A Bíblia direciona a realização dos desejos sexuais para o cônjuge. Buscar deliberadamente instigar ou satisfazer os desejos sexuais com qualquer outra pessoa além do cônjuge ou de qualquer outra forma está fora dos limites da vontade de Deus. Ou seja, masturbação, pedofilia, prostitutas, tudo é pecado. 


 Imoralidade sexual inclui pensamentos de cobiça. Jesus definiu claramente os “pensamentos impuros” como imoralidade sexual em Mateus 5:28: “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela”. A pornografia inclui revistas eróticas, novelas apimentadas, boates de strip-tease, filmes com cenas de nudez e sexo e entrevistas de conteúdo imoral.


2)    AOS CASADOS (1 Corintios 7:2-5).

O Senhor revela que “por causa da impureza” [imoralidade sexual], as pessoas devem se casar. Paulo escreveu: “Por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido”. Pense por um momento: Se alguém lhe perguntasse qual é a solução bíblica para a imoralidade sexual, o que você diria? Orar? Ler a Bíblia? Exercitar o domínio próprio? Todas são boas idéias, mas nenhuma delas é a resposta específica dada por Deus. A provisão divina para o combate à imoralidade é o casamento! Este texto de 1 Coríntios é a revelação mais direta concernente ao plano de Deus para a satisfação de nosso impulso sexual de uma maneira que o agrada. Portanto, o casamento deve ser considerado “santo” e separado para ele.

O casamento é a solução para todos os tipos de “imoralidade”. Por quê? Porque a imoralidade sexual sempre se relaciona a uma única coisa: seu impulso sexual. As imoralidades sexuais são as várias maneiras que as pessoas encontram para satisfazer o impulso sexual. Quando esse impulso é satisfeito, as várias imoralidades são atenuadas. As palavras “cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido” são imperativas – mandamentos positivos que devem ser obedecidos, a menos que Deus abra uma exceção à norma com o raro “dom do solteiro”.

As pessoas devem casar, quando não conseguem controlar o impulso sexual dado por Deus? A Bíblia é bem clara: “Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado” (1 Co 7:9). Diante do atual adiamento (não natural) do casamento, muitos indivíduos entregam-se às tentações e tornam-se promíscuos, de uma maneira ou de outra.


3)    AOS CASADOS:  “cumpram suas obrigações sexuais”.
Paulo continua: “O marido conceda à esposa o que lhe é devido (PAGUE), e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido” (1 Co 7:3). A Bíblia ensina que o casamento é um prazer, bem como uma obrigação. Uma “obrigação” é uma responsabilidade legal ou moral, decorrente de certa posição. É obrigação de cada cônjuge atender ao impulso sexual do parceiro. Note que a Bíblia revela que tal obrigação é voltada para o cônjuge: o marido tem uma obrigação para com a esposa, e a esposa para com o marido.

Por exemplo, digamos que o marido faz alguns avanços em direção à esposa. Esse versículo ensina que é obrigação dela ter relações com ele. Por quê? Porque neste caso, o marido tem um impulso sexual que está buscando satisfação, e a esposa tem obrigação de garantir que tal necessidade seja suprida. Portanto, sempre que seu cônjuge toma iniciativas sexuais, lembre-se de suas obrigações matrimoniais.

O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa [conceda], ao seu marido”. Conceder significa abrir mão, permitir a plena realização, liberar, desenvolver o pleno potencial. “Conceder o que é devido” significa cumprir plenamente uma promessa ou cumprir uma obrigação”.

4 ) O Senhor deu a autoridade sobre seu corpo físico a seu cônjuge.
 “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher”. 1 Coríntios 7:4

 Deus tira o direito de seu corpo de suas mãos e o entrega como um presente a seu cônjuge. Literalmente seu cônjuge tem o direito sobre seu corpo. Como Deus deu seu corpo a seu cônjuge, ele na verdade está apenas sendo gentil em pedir. Seu cônjuge não “toma seu corpo emprestado”, não precisa “implorar” por seu corpo, nem mesmo precisa “conquistar” seu corpo. Em termos simples e claros, Deus deu meu corpo para minha esposa, e eu não tenho nada a dizer sobre isso. O termo “poder” nesta passagem significa claramente que o cônjuge “tem direito sobre” ou “tem exclusividade” sobre o corpo do outro. Como uma autoridade altamente respeitada escreveu sobre este versículo: “Pessoas casadas não controlam mais seu próprio corpo, mas devem sujeitar a autoridade sobre ele aos cônjuges”.

Algumas idéias erradas sobre o sexo no casamento: 1)  algumas pessoas acham que o sexo é inerentemente sujo, pecaminoso ou com o único propósito de procriação. A Bíblia ensina que o sexo é um dom de Deus, que os casais podem apreciar a relação intima independentemente da procriação e que estar nu diante do cônjuge não é nada vergonhoso. Deus não o exortaria a “cumprir suas obrigações sexuais” e “entregar seu corpo a seu cônjuge” se o sexo dentro do casamento fosse errado ou profano.

2) é que o sexo é uma recompensa ou uma punição: Não deve ser oferecido somente porque o parceiro tem sido bondoso, trouxe presentes, chegou em casa na hora certa, limpou a casa, não ultrapassou o limite do cartão de crédito ou por alguma razão “merece” uma relação sexual. Da mesma forma, o sexo não deve ser negado porque o cônjuge agiu mal, foi mal-educado, esqueceu algo, não arrumou direito a casa ou gastou demais.

3) é que ele é uma parte opcional do casamento, dependendo do humor ou das preferências de um dos cônjuges. Muitos casais tendem a considerar a intimidade sexual como algo sob seu poder e não sob a autoridade do cônjuge. As lendárias desculpas da “dor de cabeça”, “cansaço” ou já “já tivemos sexo a noite passada!” caem sob a falsa premissa de que meu corpo me pertence e posso fazer com ele o que bem entendo.

4  ) O Senhor ordena que os casais parem de “privar um ao outro” do sexo.
“Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência”. 1 Coríntios 7:5.

A palavra traduzida como “priveis” significa literalmente “não roubeis um ao outro” ou “não defraudeis um ao outro”. Os comentaristas concordam que a defraudação pode ocorrer no casamento porque um parceiro pode ser desonesto com seu cônjuge, negando-lhe e retendo o que é seu por direito. Se um parceiro nega seu corpo quando o cônjuge busca ter relações, biblicamente está cometendo fraude. O Senhor deu o corpo do indivíduo a seu cônjuge. Ao negar algo que não lhe pertence, ele está defraudando o outro. Uma senhora certa vez, afirmou: “Eu não tinha idéia de que defraudei meu marido durante toda a nossa vida conjugal. Dizia “não” para ele por qualquer motivo – apenas para evitar ter relações com ele. Finalmente ele parou de me procurar, e receio que tenha encontrado em outro lugar. Sei que pequei contra Deus e contra meu marido. Será que é tarde demais?”

Conclusão: O Senhor revela que há só quatro condições para que os casais possam “privar” um ao outro. “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência”. 1 Coríntios 7:5 “

Primeiro, pode haver privação quando há “consentimento mútuo”. Você não pode decidir sozinho privar seu cônjuge de sexo. Ambos devem concordar em não ter relações, para se encaixarem nessa exceção.

Segundo, pode haver privação quando ambos concordam em suspender as relações por um período. Sempre que um casal concorda em privar um ao outro de intimidade sexual, os dois devem estar de acordo sobre quando terão relações novamente.

Terceiro, pode haver privação quando o casal dedica-se à oração. O texto diz: “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração”.

Quarto, Depois de um período de abstenção, o casal deve unir-se novamente, senão Satanás vai contra os dois cônjuges com tentações, impelindo-os para a imoralidade. Quanto mais a relação sexual for adiada e os cônjuges demorarem em se unir, maior é o risco de se cair na tentação satânica.



terça-feira, 17 de novembro de 2015

Eu te envio para lhes abrires os olhos – 2 Coríntios 4:1-7.



Introdução: a festa de Mateus.

Lucas 5.27-29, diz que Jesus saiu certo dia, viu um coletor de impostos sentado em sua cabine de coleta de impostos e disse ao homem para segui-lo. “Siga-me!”, disse ele a um Mateus surpreso naquela tarde. E em um relance, o cobrador de impostos deixou tudo – inclusive a sua caixa registradora aberta – para seguir a Cristo:  Mateus tornou-se discípulo de Jesus. Talvez tenha pensado: Agora, tenho certeza da minha salvação eterna, tenho certeza de que quando meu tempo aqui na terra terminar, passarei o resto da eternidade no céu. Estas são grandes noticias! Mas o que devo fazer quanto aos meus companheiros coletores de impostos? Eles não tem a menor noção do que a minha nova vida representa...

Mateus elabora um plano. “E se eu desse uma festa?”, ele murmura para si mesmo. “Quer dizer, seu como dar uma festa; a minha reputação prova isso! E se eu desse uma festa e convidasse os companheiros da minha antiga vida e as pessoas da minha nova vida para a mesma casa, para estarem dentro da mesma sala. Mateus olha pra Jesus e pergunta: “O que acha, Senhor?” Jesus não hesita. Ele não apenas concorda que aquele é um grande plano, mas também diz que irá a festa. E nos dias que se seguem todos os amigos de Mateus aceitam o convite também – velhos e jovens, tanto os que ainda não eram salvos quanto os crentes inteiramente devotos.

Quanto a nós....

·        Em 1 Pedro 1:23, Pedro aduz: “Fostes regenerados... mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente” , seguida pela explicação dada no versículo 25: “Esta é a palavra que vos foi evangelizada”. Deus produz o novo nascimento mediante o evangelho – as boas novas de que Deus enviou seu Filho ao mundo para viver uma vida perfeita, morrer por pecadores, receber sobre Si a ira de Deus, tirar a nossa culpa, oferecer o dom da justiça e dar alegria eterna em Cristo, por meio da fé somente, sem as obras da lei (Efesios 2.8-10).

·        As pessoas nascem de novo depois de ouvir essas notícias, e jamais nascem de novo sem ouvi-las (Rm 10: 14-17). Então , quando perguntamos: o que devemos fazer para ajudar as pessoas a nascer de novo? A resposta bíblica é nítida: fale às pessoas as boas-novas, com um coração amoroso e uma vida dedicada a servir.

1)    Deus faz a Luz brilhar em Nosso Coração

·        2 Corintios 4.4 destaca a condição das pessoas que não tem a Cristo – “Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (Ef 2:2). As pessoas que não crêem em Cristo são cegas. 



 ·        Portanto, é necessária uma obra de Deus na vida delas para abrir-lhes os olhos e dar-lhes vida, para que vejam e recebam Cristo como Salvador, Senhor e o Tesouro de sua vida. Essa obra de Deus é chamada o novo nascimento. Consideremos o versículo 6: “Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu a luz em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo”.  (João 1:12).

O que acontece no novo nascimento? Surge uma vida que não existia antes. Uma nova vida começa no momento do novo nascimento. Não se trata de uma atividade religiosa, de disciplina, trata-se, sobretudo, do surgimento de uma nova vida (João 3.1-3). 


2)    Deus Envia Você para abrir-lhes os Olhos.

·        2 Corintios 4:5 diz: “Não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus”. Essa proclamação  é chamada nosso evangelho no versículo 3: “mas, se o nosso evangelho  ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto”.

·        Assim, a nossa resposta à pergunta “o que devemos fazer para ajudar as pessoas a nascer de novo?” é: conte-lhes as boas novas de Cristo  com um coração amoroso e uma vida dedicada a servir.

·        Exemplificando: em Atos 26 descreve Paulo falando ao rei Agripa sobre a sua conversão e o seu chamado para o ministério. Paulo relatou o encontro espetacular com Cristo na estrada de Damasco. Depois, falou sobre a comissão que Cristo lhe deu (Atos 26:15-18). Jesus lhe disse: “Eu te envio, para lhes abrires os olhos”. Observe o que acompanha a missão: “convertê-los das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança, entre os que são santificados pela fé em mim”.

·        Temos que orar: “Senhor, enche tua igreja com um desejo de abrir os olhos dos cegos. Enche-nos do desejo ardente de fazer o que Deus promete fazer por tornar-nos instrumentos para realizares o novo nascimento”.

3)    Alguns encorajamentos.

(3.1) Saiba disto: Deus Usa Vasos de barro.

·        Entendamos o contexto: No versículo 6, Paulo afirmou que o Deus que criou a luz no universo faz o mesmo tipo de coisa no coração de pecadores cegos como nós. Ele dá a “iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo”. No versículo 4, essa luz  foi chamada de “a luz do evangelho da glória de Cristo”.  Agora, no versículo 7 Paulo diz: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”. 



·        Temos “este tesouro”. Que tesouro? O “conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” ou “a luz do evangelho da glória de Cristo”. Vasos de barro é uma referencia a nós, somos barro. Não somos ouro, o evangelho é ouro. Não somos prata, as boas novas de Cristo são prata. Não somos bronze, o poder de Cristo é bronze. (1 Co 3:5-7).

·        Uma história: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelencia do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 4:7). 
Lembro-me de certa vez em que visitei uma senhora que me recebeu na luxuosa sala de estar de sua casa. Acho que ela devia ser decoradora de interiores, porque cada móvel, cada quadro, cada cortina, cada almofada até cada fibra do tapete estavam impecavelmente arranjados. Contudo, ao reparar nos objetos que decoravam o ambiente, notei um lindo buquê de flores na mesinha. Nâo foram as flores que chamaram a minha atenção, e sim o “vaso” no qual elas se encontravam um vidro de maionese! Eu nem acreditava no que via. O que um vidro daqueles estava fazendo ali?
Nesse momento, a anfitriã, entrou na sala, acompanhada de sua filha de cinco anos. “Howard, gostaria de apresentar-lhe minha filha Christine. Ela estava ansiosa para conhecê-lo, porque sabe que voce mora no Texas. Ela acha que no Texas só há cactos e areia (isso não é verdade!); por isso, colheu estas flores para que voce visse flores de verdade. O pior é que ela as colocou no primeiro vidro que encontrou. Mas não importa. As flores é que contam”. As flores eram de fato lindas. Mais tarde pensei que foi isso que Paulo quis dizer quando falou sobre nosso tesouro estar num vaso de barro. É o tesouro que conta, e não o vaso. Não passamos de um vidro de maionese nos quais a beleza de Cristo precisa de ser exibida”.

3.2 ) Convide as pessoas à Igreja.

·        Em qualquer lugar, faça a pergunta "De que forma voce se converteu" e encontrará os seguintes resultados: 10% por causa de uma pregação; 2% por causa de um folheto; 3% porque leram a Bíblia sozinhos; 2% porque foram a igreja; 3% através do rádio ou da televisão, e 80% por causa de relacionamentos com amigos e familiares. A maior parte dos resultados é fruto do relacionamento e isto é a essência do discipulado.

3.3) Encha a Cidade com a Doutrina do Evangelho.

·        Atos 5:28: “Encheste Jerusalém de vossa doutrina”. Se todos os cristãos estivessem falando de Cristo, distribuindo literatura sobre Ele, mandando mensagens, convidando pessoas à ir à igreja e sendo generosas por amor a Ele, alguém poderia dizer: “Esses cristãos encheram a cidade com a doutrina deles”. 


3.4) Use seus Dons.
·        Todo o cristão deve ser um servo (Gl 5.13), mas alguns têm o dom de servir (Rm 12:7). Todo cristão deve ter um coração misericordioso (lc 6:36), mas alguns tem o dom de misericórdia (Rm 12:8). Todo o cristão deve falar aos outros sobre Cristo (1 Pedro 2:9), mas alguns tem o dom de profecia, de exortação e de ensino (Rm 12:7).

Conclusão: ORE POR OUSADIA (2 Ts 3.1; Cl 4:3; Efesios 6.18-19). Amém.






segunda-feira, 16 de novembro de 2015

MALDIÇÃO SOBRE OS CRENTES!


Maldição hereditária, quebra de maldição, maldição do nome e congêneres são expressões de um modismo teológico: bênção e maldição. Conversei com alguns adeptos deste pensamento, li dois livros e artigos sobre o assunto. Surpreendi-me com o uso fragmentário e inadequado da Bíblia e com os conceitos tão radicais e tão frágeis.

Um dos livros mais difundidos sobre o assunto, talvez pelo tamanho, pequeno, e fácil de ler, é Bênção e Maldição, de Jorge Linhares . Sobre ele, respeitosamente, desejo alinhavar algumas idéias. Não pretendo desancar o autor, que tem seu espaço no reino de Deus e deve ser um servo útil. Não desejo invalidar sua vida cristã, mas analisar algumas idéias que ele expende, e que vasaram do seu âmbito para o nosso arraial.

"Maldição é a autorização dada ao diabo por alguém que exerce autoridade sobre outrem, para causar dano à vida do amaldiçoado". Esta é a definição encontrada no livro (p. 16). Uma definição precisa ser sustentável. Deve ser coerente, concisa e resistir a análise. De onde veio esta? O Diabo precisa de autorização humana para causar dano a alguém? No livro, o autor mostra pessoas que não tinham autoridade sobre uma terceira, amaldiçoando-a. Esposas que não tinham autoridade sobre os marido, amaldiçoam-nos (ps. 10 e 26) e acontece o que foi dito.

Há maldições do próprio Deus (particularmente Deuteronômio 28.15 em diante). Deus não está dando uma autorização ao Diabo, mas julgando alguém. A ação é dele. Basta ler o texto bíblico.

Boa parte da argumentação do livro repousa sobre experiências. Isto é um perigo. Alegar que um rapaz é homossexual porque seu pai o amaldiçoou, chamando-o de "mulherzinha" (p. 29) pode fazer o deleite de alguns psicólogos, mas tira toda a responsabilidade pessoal do jovem. Houve uma opção. Colocar a culpa de nossos atos errados e de nossas escolhas mal feitas em palavras ditas por alguém é cair na irresponsabilidade moral. Tomamos decisões, somos responsáveis pelo que fazemos. A culpa é nossa. Quando acertamos, o mérito é nosso. Há valor moral no que fizemos.

Muitos dos casos alistados no livro nada provam. São genéricos e, na estrutura da argumentação, acabam sendo a prova do que deveriam ilustrar. Em Comunicação chama-se a isso de "ignorância da questão ou falsa causa". Uma citação de Garcia: "Se, à noite, cruzo com um gato preto na rua, e logo adiante tropeço e caio e admito que a causa da minha queda foi o encontro com o felino, estou raciocinando por indução, sim, mas incidindo em erro, ao crer que o que vem antes é a causa do que ocorre depois: post hoc ergo propter hoc ("depois disso, logo, por causa disso") .Mais à frente, diz-nos o mesmo autor: "...os fenômenos de natureza espiritual, social, política, e até econômica (estudados pelas ciências humanas) não podem ser atribuídos a uma causa única mas a um complexo delas, nem sempre identificáveis porque nem sempre constituem fatos materiais mensuráveis ou ponderáveis. Daí porque decorrem muitas generalizações falsas ou parcialmente falsas" .

Caracterizar o homossexualismo de um jovem como produto de uma palavra impensada dita por um pai, é um exagero. A opção homossexual foi uma maldição verbal? Dizer que um homem se tornou impotente porque sua mulher zombou de sua virilidade pode ter alguma base psicológica, mas daí a dizer que foi uma maldição, ou seja, uma permissão que a mulher deu a Satanás para tornar o homem impotente, vai um exagero. Vim de uma família com pouca instrução acadêmica. Quando criança, era o que se chamava de "traça de livro". Sempre retirava livros da Biblioteca da Escola 10-14 Ceará, em Inhaúma, no Rio (um por dia). Meus pais gostavam, mas sempre diziam: "Isso é agora, mais tarde arranja namorada e pára de estudar". Tive namoradas, casei há 30 anos, e continuo estudando. Como toda criança, também chorei. De raiva e de medo, por sentir dores, e fui chamado de "mulherzinha" por chorar em certos momentos, coisa comum a uma criança. Mas não me tornei homossexual. Se vamos fazer doutrinas teológicas em experiências, reclamo valor para as minhas e as de tantos outros, que diferem das que servem de lastro para as idéias do autor.

A rigor, não há uma sistematização de idéias e conceitos para sustentar a tese de que palavras impensadas ou ofensivas se tornam uma maldição sobre alguém. Há uma série de casos (as experiências pessoais entre os evangélicos, sabemos muito bem disso, sempre são superdimensionadas) acompanhados de versículos fora do contexto, analisados isoladamente.

Algumas vezes o livro descamba para a "avacalhação". Que me desculpe o autor pelo termo forte, mas veja-se esta experiência: "Na frente de minha casa havia nascido um pé de abóbora entre pedras de construção. Então declarei com certo desdém: 'Eu te abençôo, ó pé de abóbora, e vamos ver o que acontece'". Meses depois havia abóboras em profusão, e de bom tamanho. Conclusão: "funciona até com abóboras" (p. 40). Ora, se assim é, estas pessoas com palavras mágicas podem eliminar a fome do país.

Algumas considerações resvalam para o absurdo. O autor teve problemas com um carro que comprou. O Espírito Santo lhe falou: "Você já repreendeu as maldições que porventura possam estar sobre esse carro? Não sabe que pessoas amaldiçoadas e infiéis participaram de seu projeto e fabricação? Não percebeu que em tantos anos, desde que você aprendeu sobre essa questão de bênção e maldição, você não costumava atropelar animais; e nem com outro carro? Esse é o primeiro" (p. 37). Repreendida a maldição, não houve mais problemas com o carro. Uma questão: essas pessoas amaldiçoadas e infiéis só participaram do projeto daquele carro? Era ele único, singular? Amaldiçoados e infiéis não trabalharam nos outros carros? Por que os outros não deram os mesmos problemas? Se atropelamos alguém a culpa deve ser buscada no operário da linha de montagem? Ou na imprudência, no açodamento, ou, ainda, num descuido?

A idéia do autor de que devemos abençoar os bens que compramos porque tudo que usamos foi produzido por pessoas que não temem a Deus, é ingênua. A influência do orientalismo é cada vez maior no pensamento evangélico. Há muito do panteísmo em nosso meio: seres espirituais estão nas coisas. Então estas passam a ter moralidade, a ter valor a partir de uma palavra. A palavra humana gera moralidade nos objetos. Isso é incrível! Como vudu é explicável, mas em termos cristãos é insustentável! Um crente da Bahia me procurou com uma dúvida: se ele comesse acarajé estaria comendo um demônio? Porque lhe disseram que as baianas colocam um demônio em cada acarajé. Ora, aonde vamos parar? Creio na existência de Satanás, mas está se caindo num misticismo terrível: todo o desagradável da vida é obra do Maligno. Se um pneu fura, foi obra de Satanás. Pode ter sido simplesmente um prego. Já se pensou nisso?

O autor passa da hereditariedade genética para uma hereditariedade espiritual (p. 45) ao declarar que há famílias marcadas por gerações de alcoólatras. Mas há filhos de alcoólatras que detestam bebida. Conheço um homem (omito seu nome) que ganhou um concurso de maior bebedor de cerveja na sua cidade. Consumiu 36 garrafas, consecutivamente! Tem dois filhos pastores que não são, obviamente, beberrões. Um homem santo como Ezequias gerou um ímpio como Manassés. O ímpio Amom gerou um homem santo como Josias. "A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho..." (Ez 18.20). Defender um "adn espiritual" é desconsiderar o ensino de Ezequiel 18.

Há também a questão de maldição do nome. Há nomes que trazem maldição em si, pelo seu significado, é a tese do autor (p. 34). Já vi gente orando para quebrar a maldição do nome que foi posto em alguém. Isso é risível. Cláudio significa "coxo, manco". Vem do latim claudicare. Havia um jogador chamado Cláudio Adão que jogava muito. Não era um "aleijado de terra" (como o nome significa). Paulo César Farias não teve o caráter do apóstolo Paulo nem a grandeza de César. André significa "varonil, viril". As mulheres chamadas Andréia são masculinizadas, por isso? Isaltino vem do alemão Isanhilde, a guerreira (hilde) de ferro (isan). Era o nome de minha avó que passou para meu pai. Não somos guerreiros e eu, particularmente, não sou de ferro. Carolina é a forma italiana para o diminutivo de Carlos ( de kharal, "homem", no alto alemão antigo).

Minha esposa tem Carolina no seu nome. E é muito feminina, nada masculina.

Tiago é a forma grega do hebraico Jacó, "suplantador". Poucas vezes vi uma pessoa tão desprendida de bens como o Pastor Tiago Lima. Nunca soube que ele lesou alguém. Sei que foi lesado algumas vezes. Presumir que o caráter de uma pessoa dependerá do seu nome se choca com o ensino bíblico sobre a responsabilidade pessoal, a individualidade, a capacidade humana de decidir sua vida.

A questão mais marcante que transparece nesta idéia é que Deus fica subordinado ao homem e a responsabilidade deste se esvai. Palavras, mesmo impensadas, vão desatar conseqüências funestas (o autor prioriza essas sobre as benéficas) sobre as pessoas. Elas serão bem ou mal sucedidas de acordo com o que se falar delas. Deus, no raciocínio exposto no livro, abençoa uma família inteira porque uma pessoa quebra uma maldição de família. Parece com as célebres orações que ouvimos em nossas igrejas: "Abençoa as famílias aqui representadas". Deus abençoa por representação ou procuração, mesmo ao indiferente e rebelde? Ou pede um relacionamento pessoal?

Sem querer ofender ao colega (no corpo do livro fica se sabendo que ele é pastor), presumir que as palavras humanas são oráculos que arruínam vidas é ignorar o ensino bíblico. É esquecer-se do contexto bíblico global e perder de vista a progressividade da revelação. Volto a um ponto que, me parece, é a origem de muitos equívocos: não se pode ter uma visão fragmentária da Bíblia, isolando versículos, tipo "caixinha de promessas". No caso, "caixinha de maldições". A Bíblia há que ser vista como um todo.

Não há maldição para o crente. "Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8.1) e "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós..." (Gl 3.13). Utilizar as passagens do Antigo Testamento onde Deus amaldiçoa Israel por quebrar o pacto e transportá-las para nossos dias, é ignorar o ensino neotestamentário.

"Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus que os justifica; quem os condenará? Cristo Jesus é que morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós" (Rm 8.33-34).

"Filhinhos, vós sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo" (1Jo 4.4).

O crente não está ao léu, vítima de palavras humanas. O que está em nós, o Espírito Santo, é maior que aquele que está no mundo. Os crentes somos "chamados, amados em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo" (Jd, 1). O maldito no Novo Testamento é aquele que não ama ao Senhor. Esse é anátema (termo grego que corresponde a herem, "maldição" no hebraico): "Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema" (1Co 16.22). Mas o crente é do Senhor.


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho,


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Na terra do Egito, voce vai cair. Jr 42:15-22.



“Nada poderia estar mais distante da verdade do que a crença fácil de que Deus somente Se manifesta na prosperidade, na melhoria dos padrões de vida, no avanço da medicina e na reforma dos abusos, na difusão do cristianismo organizado. No entanto, o verdadeiro progresso espiritual somente pode ser alcançado através da catástrofe e do sofrimento, alcançando novos níveis após a profunda purificação que acompanha conflitos importantes. Cada período de agonia mental e física, enquanto o velho está sendo removido e o novo ainda está para nascer, produz diferentes padrões sociais e visões espirituais mais profundas”.

1)    A alternativa egípcia.

Quando os israelitas se cansaram de viver pela fé, eles caminharam cerca de 400 Km a sudoeste, na direção do Egito, onde tudo era mais fácil e preciso. Eles levaram Jeremias consigo. A suprema ironia da vida do profeta foi haver terminado seus dias no Egito, um lugar que representava tudo aquilo que ele sempre censurou.

Esta não foi a primeira vez que Israel fez isso. A alternativa egípcia à fé tomava corpo, novamente. Quando Abraão, pai de todos os que vivem pela fé, cansou-se de viver por ela, ele rumou ao Egito (Gn 12.10-20). Ele esperava encontrar segurança entre os egípcios, mas, em vez disso, mergulhou na mentira e fez concessões. 



Na época do Êxodo, após os hebreus terem sido libertos da escravidão do Egito e serem treinados a viver pela fé no deserto, o desejo de voltar para a antiga condição era constante. É verdade que lá viviam como escravos, porém, pelo menos, desfrutavam de certa segurança. Eles sabiam o que esperar. A nuvem que os guiava era inconsistente como sucessor as sólidas e permanentes pirâmides. Mais tarde, quando a monarquia estava no apogeu, Salomão incorporou convicções egípcias à vida de fé ao casar-se com a filha do Faraó (1 Rs 9.16).

E agora, em 586, o povo volta ao Egito. Já não existia templo: culto; já não existia culto: ritual; já não existiam sacerdotes: tudo estava em silêncio. Portanto, para os israelenses, era muito mais fácil procurar refúgio no Egito. Em terras egípcias, não havia incertezas, riscos ou ambigüidade.

“O viver pela fé requer prontidão para se viver por algo que não se pode ver, controlar ou prever”. (Hb 11.1-2).

As terras eram geograficamente bem determinadas. O grande rio Nilo, uma linha de vida verde atravessando o deserto árido, dividia o país. Ao longo do rio havia vida; longe de seus margens havia morte. Não havia mistérios montanhosos, vales imprevisíveis ou situações inesperadas. 



As pirâmides e templos destacavam-se horizontalmente em linhas precisas. A exatidão matemática  de suas construções eram impressionante. As pirâmides organizavam e demarcavam as incertezas da morte.

Todos os deuses do Egito eram representados por imagens. Cada imagem era estilizada e com isso todo o sobrenatural era eliminado. Todos os deuses eram representados por animais: o gato, o falcão, a hiena, o touro, etc.  A espontaneidade era uma virtude desconhecida. Era uma religião de absoluto controle. 



2)    A escolha de Jeremias.
A cidade havia sido tomada pelos exércitos babilônios como Jeremias, exaustivamente, advertira. Todas as pessoas foram reunidas e enviadas ao exílio. As mentiras dos falsos profetas e sacerdotes foram, impiedosamente, evidenciadas. A integridade da pregação de Jeremias foi confirmada. Jeremias foi aprisionado com os demais. A jornada forçada para vencer os mais de 1.100 km de terras áridas até a Babilônia havia começado.

Mas, quando eles estavam distantes de Jerusalém cerca de oito quilômetros, o capitão babilônio, Nebuzaradã, recebeu ordens expressas do rei Nabucodonosor para que interrompesse a marcha e desse a Jeremias o direito de escolher entre ir ou ficar (Jr 40:1-4). Ele pode ir à Babilônia com a promessa de um tratamento especial, ou seja, sem correntes, sem privações, o direito de uma custódia protetora e uma concessão especial do próprio rei. Ou ele podia ficar em Jerusalém, a cidade na qual viveu e pela qual lutou por toda a sua vida. Mas uma cidade arrasada, castigada pela total escassez de recursos. Na época Jeremias estava com 65 anos!

Jeremias não se cansara de viver pela fé. Ele estava acostumado a recomeçar do nada. Afinal, foi isso que fez a vida toda.  Desde há muitos, ele havia desistido de contar com seus recursos; o profeta tinha por hábito contar com a graça de Deus, “a cada nova manhã”. Sem qualquer hesitação ele fez a sua escolha, decidindo permanecer em Jerusalém. Ele deu preferência aos excluídos, aos pobres e aos entulhos – o que restou do povo que ele acreditava ser a base para Deus edificar um povo para Sua glória.

A decisão tomada por Jeremias naquele dia, em Ramá, foi uma ação que caracterizou toda a sua vida. Ele escolheu estar onde Deus comandava, no centro da ação de Deus, no lugar da promessa divina, em meio à salvação do Senhor.

3)    Ainda não Era o fim.

Pouco tempo depois de Gedalias instalar-se como governador nomeado e Jeremias reiniciar o seu trabalho de desenvolver vidas entre o povo de Deus, um criminoso terrorista, Ismael, assassinou Gedalias, massacrou a todos os que estavam por perto e jogou os corpos em uma cisterna gigante, em um verdadeiro banho de sangue. Sua ação foi combatida por Joanã, que reuniu os sobreviventes, perseguiu Ismael e pôs-se em luta, buscando restaurar a ordem.

A primeira e melhor atitude que Joanã tomou foi procurar Jeremias e pedir-lhe que orasse pela orientação de Deus, e o profeta suplicou ao Senhor. Deus confirmou a decisão prévia de Jeremias: o povo deveria permanecer em Jerusalém (Jr 42.10-12).

No entanto, Joanã e os demais, não confiaram na Palavra de Deus e decidiram ir para o Egito. Um dos motivos foi medo. Medo da vingança dos babilônios pelo assassinato de Gedalias. Mas, a grande razão foi a recusa de viver pela fé. Eles não queriam aceitar os riscos e perigos  de depender de um Deus invisível. Eles desejavam a segurança e a estabilidade de uma economia sólida. O povo não queria assumir a árdua tarefa de reconstruir uma vida de fé em Deus: “Não; antes, iremos à terra do Egito, onde não veremos guerra, nem ouviremos som de trombeta, nem teremos fome de pão, e ali ficaremos” (Jr 42.14). Eles buscavam uma saída fácil.

Muitas pessoas escolheram viver no Egito em vez de perseverar na fé. A grande dificuldade com tal decisão é que a claridade dura enquanto durar a reunião. Não é um aprofundamento da realidade, mas uma fuga dela.

CONCLUSÃO: Jeremias foi levado a força pro Egito, um lugar em que ele não queria estar, tendo ao lado pessoas que o trataram de forma cruel, ele prosseguiu fiel e corajosamente, sob o fardo de uma impiedosa rejeição. Segundo a tradição, Jeremias foi apedrejado no Egito, pelos judeus.



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Jeremias: comprei o campo em Anatote. Jr 32.9-10,15-17, 24-27, 42-44.


Introdução:  Anatote é uma região de Israel, atualmente chamada de Anata. Um pequeno lugar ao norte de Jerusalém repleto de campos de trigo, oliveiras e figueiras, também de cisternas encravadas nas  pedreiras. Nesse território, nasceu profeta Jeremias que  exerceu ministério  entre entre 626 a 586 a.C, quando a nação estava um caos,  o culto a Baal havia sido estabelecido e até a abominável pratica do sacrifício humano (II Reis 21: 1-9). 


1)    A praticidade de Jeremias.
Quase todas as ideias e crenças do profeta Jeremias transformaram-se em ações, e suas ações acertaram tão bem o alvo que a história de sua época foi, em grande parte, a extensão de sua própria história pessoal.  Esse senso prático de Jeremias foi edificado na crença de que Deus é a mais importante realidade com a qual ele e as pessoas que com ele conviviam tinham de lidar (Mc 12.28-30).

Jeremias acreditava que cada pessoa foi criada para ter um relacionamento pessoal com Deus e sem o reconhecimento e o devido cuidado deste relacionamento, viveríamos vidas falsas (Jr 3.21,22; 32.33). A natureza, incluindo a humana, não suportará qualquer contradição absoluta. Ela deve ser convertida, não violada.

No ano 598 a.C os exércitos babilônicos tomaram a cidade de assalto e enviaram os principais líderes para o exílio. Onze anos se passaram  nos quais o povo que foi deixado conseguiu desfrutar certa liberdade pessoal, permanecendo, porém, politicamente sujeitos à Babilônia. Este foi um dos períodos mais sombrio de toda a sua história. Parecia que o juízo final seria naqueles dias. Em questão de semanas, talvez alguns dias, a cidade de Jerusalém seria pilhada e todos seriam enviados ao exílio. NÃO HAVIA QUALQUER ESPERANÇA!


Durante esse período – sombrio, desesperador – Jeremias foi mantido na prisão (Jr 32.2) sob a falsa acusação de ter colaborado com o inimigo, Babilônia. O profeta era uma figura muito impopular e assim, no que dependesse do povo, a prisão não seria um lugar inadequado para ele.  NESTA PRISÃO, Jeremias fez o que à época pareceu ser pura loucura: ele comprou um campo por 17 ciclos de prata que, aparentemente, nada valia. 



Por que era uma loucura? Os exércitos inimigos estavam acampados naquela área e perto de enviar todo o povo para o exílio.  O profeta estava aprisionado sem perspectivas de ser libertado. Neste momento, Jeremias comprou um campo no qual nunca plantaria uma oliveira, jamais podaria uma videira ou edificaria uma casa – uma área que provavelmente sequer veria.

Porque será que Jeremias comprou esse campo? Comprou o campo porque acreditava que as tribulações e dificuldades que todos atravessavam naquele momento da história estavam sendo utilizadas por Deus e que, no devido tempo, se mostrariam ser a salvação daquela terra (Rm 5.3-5). 

“Os mais belos hinos e poesias, foram escritos em tribulação, e do céu, as lindas melodias, Se ouviram, na escuridão”. Hino 126

“Ter esperança quando o horizonte mostra-se promissor é trivial e fácil. Somente quando a situação parece desesperadora e não pode ser revertida  é que a verdadeira esperança começa a se fortalecer. Como todas as virtudes cristãs isso é tão irracional quanto indispensável”.

Jeremias havia pregado o julgamento de Deus por anos a fio. Agora que o julgamento era iminente, ele passa a direcionar o objetivo daquela tribulação, qual seja, o de preparar as vidas para receber a promessa da salvação.  Ele profetizava: “Há mais aqui do que babilônios no portão: Deus está no meio deles”.  O julgamento é aqui, porém não se desesperem. É o julgamento de Deus. Enfrentem-no. Aceitem o sofrimento, vivenciem a ação purificadora. DEUS NÃO ESTÁ CONTRA VOCES, MAS ATUA A SEU FAVOR. O SENHOR NÃO OS ESTÁ REJEITANDO, MAS ATUA EM SUAS VIDAS (Jr 30.7, 30.15,17).

O julgamento não é a palavra final e nunca será. Ele é necessário devido aos séculos de corações endurecidos, e seu trabalho é abrir nossos corações para a realidade que existe além de nós, para romper a carapaça da autossuficiência, de modo que possamos experimentar a abundante graça do Deus misericordioso, que perdoa a restaura (Jr 31.2-4,17, 20).

2)    O campo em Anatote.
Certo dia, enquanto tudo isto acontecia, o primo de Jeremias, Hananeel, foi até o pátio da guarda onde o profeta estava encarcerado e ofereceu-lhe como opção de compra um pedaço de terra em Anatote, a cidade natal de Jeremias, localizada a cerca de cinco quilômetros de Jerusalém. Será que Hanannel estava falando sério? Estaria ele caçoando do profeta? Os exércitos babilônicos estavam acampados por toda aquela área (Jr 31.16,17). Imediatamente, Hanannel se aproximou e disse: “Compra agora o meu campo que está em Anatote, na terra de Benjamim, porque teu é o direito de posse e de resgaste; compra-o” (Jr 32.8).

Jeremias aceitou a oferta e comprou o campo. Ele pesou dezessete siclos de prata, chamou as testemunhas necessárias, assinou e selou a escritura. Então, ele instruiu a seu amigo, Baruque, que guardasse os documentos em um vaso de barro (Jr 32.14-15).

O profeta não tinha em mente construir uma casa para abrigá-lo durante a sua aposentadoria, mas vislumbrava a continuidade das promessas de Deus. Mesmo assim, ele não pode evitar o sentimento de estar agindo como um tolo (Jr 32.17,24,25). Enquanto ele ora, vem a confirmação (Jr 32.27,42,43).


 Conclusão:

  Promessa: O lugar onde Jeremias recebeu o ministério e a visão da amendoeira com o simbolismo de que Deus vela por Sua Palavra para cumprir,  Ele vigia seus filhos e os guarda atentamente.

Esperança: A experiência de ter a mensagem rejeitada, de ver os compatriotas em pecado e vitimados pelo cativeiro estava entristecendo e enfraquecendo Jeremias. Deus intervém para não deixá-lo perecer e mostrar que muitos iriam se arrepender.

 “Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a sua fidelidade! “ Lamentação de Jeremias 3: 20-23

Presente: A dor do hoje não pode ser maior que a benção que chega com o amanhã.

Futuro: Sempre será resultado do que se plantou ontem. É preciso “plantar no tempo” para semear nele. O tempo é invisível, mas se faz real pelo que se vive, assim cada vida é um campo no tempo, onde a Palavra de Deus funciona como Anatote que não nos deixa perecer ou perder o ânimo.