terça-feira, 15 de setembro de 2015

Deus tem saudade de você. Jr 2.1-13. 



Introdução:  Como nos afastamos de Deus? Tudo começa no coração, ou seja, nos afetos e pensamentos, no interior da pessoa (Hb 3.8). Primeiro, o coração se torna endurecido diante dos mandamentos de Deus; recusa-se a acatá-los (Hb 3.13,15), porque, com toda franqueza, o pecado parece ser mais atraente (Hb 3.13). Em seguida, vem a provocação, murmuração, insatisfação, reclamação e rebeldia. Isso conduz ao pecado, ou seja, fazer aquilo que é proibido. Isto leva a incredulidade, descrença, ou seja, o afastamento final do Senhor ocorreu.  

I. A SAUDADE DE DEUS – V. 1-3 


1. Deus sente saudade dos tempos áureos de afeição do seu povo por ele – v. 2.  “Lembro-me de ti, da tua afeição…” (v. 2). O coração de Deus se move de amor por você. Ele tem saudade daquele tempo quando você o conheceu, quando você se afeiçoou a ele e entregou-lhe seu coração. Deus tem saudade daquele tempo em que você se deleitava nele e tinha prazer de ler sua Palavra e falar com ele em oração. Deus tem saudade daquele tempo que você vinha a sua casa exultando de alegria e cantava louvores a ele com todo o fervor da sua alma. Deus tem saudade daquele tempo quando seu coração era totalmente dele e você descansava nele nas horas da sua aflição.


2. Deus sente saudade dos tempos do seu primeiro amor por ele – v. 2
• Naquele tempo você tinha afeição por Deus. Naquele tempo você estava encantando com a graça de Deus. Você se assentava aos seus pés para adorar. Você não cessava de falar do seu doce nome. Naquele tempo seu coração exultava com as coisas de Deus. 

• Hoje, as coisas acontecem. Você vem ao templo, você gosta dos rituais. Você mantém um compromisso externo, mas o seu coração está frio. Sua alma já não está enamorada de Deus. O ritual tomou o lugar da devoção. O templo substituiu a comunhão com o Senhor do templo. Tudo continua acontecendo, mas seu coração já não é mais puro, sua vida já não é mais santa, Deus não é mais o prazer da sua alma (Jr 7:4).

3. Deus sente saudade daquele tempo que você tinha comunhão com ele – v. 2. Deus sente saudade daquele tempo que você era noiva. Oh como você se preparava para encontrar-se com o Senhor. Como você tinha prazer de estar com ele. Como gostava de ouvir sua voz. Oh! Como se deleitava nos seus conselhos! Deus se alegrava em você como o noivo se alegra com a sua noiva. Deus tinha em você todo o seu prazer. Você era a delícia de Deus. A menina dos olhos de Deus. 



4. Deus sente saudade daquele tempo que você o seguia no deserto – v. 2.  Andar com Deus era uma aventura. Seu coração confiava no Senhor sem duvidar. Você saiu do cativeiro e mergulhou na aventura do deserto confiante no cuidado, no livramento, na proteção e na providência divina.   Deus tem saudade desse tempo que não havia rebeldia no seu coração, nem incredulidade, nem dúvida. 



5. Deus tem saudade daquele tempo que você era consagrado a ele – v. 3.  Você se entregou a Deus sem reservas. Seu coração, sua vida, seu destino, seu futuro: tudo você entregou ao Senhor. Você era totalmente dele. Deus tem saudade desse tempo quando Deus era o seu maior tesouro, maior riqueza, maior alegria, sua grande recompensa.

6. Deus tem saudade daquele tempo ele tinha profundo zelo pela sua vida – v. 3.  Tocar em você era tocar na menina dos olhos de Deus. Aqueles que declaravam guerra contra você, declaravam guerra contra Deus. Ele ia à sua frente para lhe defender. Ele desalojava os seus inimigos. Ele guerreava as suas guerras. Ele desbaratava os seus adversários. Sua confiança não estava na sua força, nem na sua riqueza, nem na sua inteligência, mas no Senhor. Você confiava nele e Deus defendia você. Sua caminhada com Deus era uma aventura deleitosa.

II. O LAMENTO DE DEUS – V. 4-8
1. O povo de Deus de forma ingrata o abandonou a despeito da redenção de Deus – v. 5-6.
• A noiva amada de Deus tornou-se infiel. Ela se enamorou pelos seus muitos amantes e se afastou do amado da sua alma. A causa da sua infidelidade não estava em nenhuma injustiça do seu noivo, mas na sua própria infidelidade.
• Deus tirou o povo do Egito, debaixo do chicote, das algemas de ferro, da escravidão opressa. Deus quebrou os seus grilhões, tirou-o das gargantas do inferno, mas agora, o seu povo o abandona apesar de tão grande redenção. 

• Deus nos tirou do império do império das trevas, da potestade de Satanás. Ele quebrou os nossos grilhões, perdoou-nos, remiu-nos. Éramos escravos e ele nos amou, mas muitos hoje o abandonam e o trocam por outros deuses.

2. O povo de Deus de forma ingrata o abandonou a despeito da proteção de Deus – v. 6
• Deus não só tirou o seu povo do cativeiro, mas o guiou pelo deserto. Deus o livrou dos seus inimigos. Deus lhe deu vestes e sandálias que não ficaram rotas. Deus lhe deu água no deserto. Deus lhe deu maná do céu. Deus lhe abriu fontes nas rochas. Deus estampou diante deles milagres extraordinários. Deus guerreou suas guerras e lhes deu grandes vitórias. Mas apesar de tão grande amor, o seu povo o deixou e o trocou por outros deuses.

• Deus também tem nos abençoado. Ele tem nos dado a vida, saúde, a família, o alimento, o abrigo, a proteção. Ele tem nos guiado e nos livrado do mal. Mas, apesar da proteção divina, nós também o temos deixado.

3. O povo de Deus de forma ingrata o abandonou a despeito da provisão divina – v. 7
• Deus introduziu o seu povo em Canaã, uma terra deleitosa. Deus foi fiel em todas as suas promessas. A terra foi presente de Deus, não conquista do povo. A entrada na terra foi ação divina, não obra humana. Tudo foi feito por Deus. Tudo veio de Deus. 
• Mas quando o povo entrou na terra prometida, em vez de dar a glória devida ao Senhor, contaminaram a terra. Em vez de serem luz entre as nações, corromperam-se como as outras nações. Em vez de influenciar as outras nações, foram influenciadas por elas.

4. O povo de Deus de forma ingrata o abandonou por causa da corrupção de sua própria liderança – v. 8
• O povo é um retrato da sua liderança. Enquanto estamos buscando melhores métodos, Deus está buscando melhores homens. Aqueles que deveriam conduzir o povo a Deus, a liderança desviou o povo de Deus. Tornaram-se laço, em vez de canais. Tornaram-se lobos, em vez de pastores.  Os sacerdotes tornaram-se omissos;  Os mestres da Palavra tornaram-se ímpios;  Os pastores tornaram-se aproveitadores;  Os profetas tornaram-se apóstatas. 

III. A INDIGNAÇÃO DE DEUS – V. 9-13
1. O povo de Deus tornou-se mais infiel do que os pagãos – v. 10-11
• Os ímpios, mesmo adorando ídolos mudos, que não deuses, não trocavam esses ídolos por outros deuses. Mas, Israel mesmo servindo o Deus vivo, abandonou o Senhor e o trocou por ídolos de nenhum valor. A fidelidade dos ímpios aos seus deuses reprovava a infidelidade de Israel. 
 
2. O povo de Deus abandonou o Senhor, a fonte das águas vivas – v. 13
• O pecado do povo de Deus é tão grave que até os céus ficam espantados. É algo inacreditável. O povo de Deus abandonou o seu Senhor. Que Senhor?  Jeremias retrata a Deus com uma figura. Para Davi Deus é o bom pastor. Para Moisés é um fogo que consome. Para Jeremias é a fonte das águas vivas. 
a) Deus é a fonte da vida, nossa vida depende dele – A alma afastada de Deus já está morta. Sem Deus você não vive. Só na presença de Deus tem plenitude de alegria. 
b) Deus é a fonte de vida abundante – Deus não é uma cisterna, mas uma fonte. Uma cisterna apenas armazena água, mas uma fonte produz água. A água corre da fonte. A fonte é inesgotável. A fonte tem água viva, água limpa, água que flui abundantemente. Isso é símbolo da vida que Cristo oferece. Quem nele crê tem uma fonte a jorrar para a vida eterna. Quem nele crê nunca mais tem sede. Quem nele crê, rios de água viva fluem do seu interior. Jesus veio para lhe dar vida em abundância.

3. O povo de Deus cavou cisternas rotas que não retém as águas – v. 13
• Ilustração: O povo que vive no vale: de um lado tudo seco, do outro tudo exuberante. O povo vive do lado seco em vez de viver no pomar frutuoso. De repente o povo começa a cavar a areia dura do deserto. Abre uma cacimba. Todos gritam: água! O povo desesperado de sede corre. Ao chegar, descobre que a cisterna está rachada e não pode reter as águas. Apesar de tanto trabalho, não há esperança para essas pessoas. Isso é um símbolo da insensatez do povo que abandona o Senhor e busca satisfação em outras fontes. 



CONCLUSÃO: 
a) Se Deus é o manancial das águas vivas, por que seu o povo o abandona? – Muitas vezes, o povo de Deus tem se cansado de Deus. Tem sido atraído e seduzido pelo pecado, pelo mundo, pelas cisternas rotas. Miquéias pergunta: “Povo meu, que te tenho feito? Por que te enfadaste de mim? Responde-me” (Mq 6:3). O Filho Pródigo sentiu-se insatisfeito na casa do Pai e foi para um país distante, onde gastou tudo que tinha vivendo dissolutamente. Hoje, trocamos a Deus pelo prazer, pelo dinheiro, pelo sucesso, pelos ídolos modernos.



b) O perigo de ser seduzido por algo artificial – Israel deixou o Senhor e se deixou seduzir por ídolos. Israel pensou: O nosso Deus é muito exigente. Queremos uma religião que nos custe menos, que nos dê mais liberdade, que não nos cobre tanto. Queremos ser livres como os outros povos para fazermos tudo sem drama de consciência. Trocaram a verdade pela mentira e Deus pelos ídolos.

c) Alimentando-se de pó em vez de beber da fonte – Quem troca o Senhor por outras fontes começa a morrer de sede. Só o Senhor tem a água da vida. Só Ele pode matar a nossa sede. Só nele a sua alma pode dessedentar-se. Só ele satisfaz a sua alma.



sábado, 12 de setembro de 2015

Escola Dominical: A minúscula semente de mostarda que se transformou numa grande árvore

Sentado a sua mesa de trabalho num domingo em outubro de 1780 o dedicado jornalista Robert Raikes procurava concentrar-se sobre o editorial que escrevia para o jornal de Gloucester, de propriedade de seu pai. 


Foi difícil para ele fixar a sua atenção sobre o que estava escrevendo, pois os gritos e palavrões das crianças que brincavam na rua, debaixo da sua janela, interrompiam constantemente os seus pensamentos. Quando as brigas tornaram-se acaloradas e as ameaças agressivas, Raikes julgou ser necessário ir à janela e protestar o comportamento das crianças. Todos se acalmaram por poucos minutos, mas logo voltaram às suas brigas e gritos. 

Robert Raikes contemplou o quadro em sua frente; enquanto escrevia mais um editorial pedindo reforma no sistema carcerário. Ele conclamava as autoridades sobre a necessidade de recuperar os encarcerados, reabilitando-os através de estudo, cursos, aulas e algo útil enquanto cumpriam suas penas, para que ao saírem da prisão pudessem achar empregos honestos e tornarem-se cidadãos de valor na comunidade. Levantando seus olhos por um momento, começou a pensar sobre o destino das crianças de rua; pequeninos sendo criados sem qualquer estudo que pudesse lhes dar um futuro diferente daquele dos seus pais. Se continuassem dessa maneira, muitos certamente entrariam no caminho do vício, da violência e do crime.
A cidade de Gloucester, no Centro-Oeste da Inglaterra, era um polo industrial com grandes fábricas de têxteis. Raikes sabia que as crianças trabalhavam nas fábricas ao lado dos seus pais, de sol a sol, seis dias por semana. Enquanto os pais descansavam no domingo, do trabalho árduo da semana, as crianças ficavam abandonadas nas ruas buscando seus próprios interesses. Tomavam conta das ruas e praças, brincando, brigando, perturbando o silêncio do sagrado domingo com seu barulho. Naquele tempo não havia escolas públicas na Inglaterra, apenas escolas particulares, privilégio das classes mais abastadas que podiam pagar os custos altos. Assim, as crianças pobres ficaram sem estudar; trabalhando todos os dias nas fábricas, menos aos domingos. 

Raikes sentiu-se atribulado no seu espírito ao ver tantas crianças desafortunadas crescendo desta maneira; sem dúvida, ao atingir a maioridade, muitas delas cairiam no mundo do crime. O que ele poderia fazer?

Por um futuro melhor
Sentado a sua mesa, e meditando sobre esta situação, um plano nasceu na sua mente. Ele resolveu fazer algo para as crianças pobres, que pudesse mudar seu viver, e garantir-lhes um futuro melhor! Pondo ao lado seu editorial sobre reformas nas prisões, ele começou a escrever sobre as crianças pobres que trabalhavam nas fábricas, sem oportunidade para estudar e se preparar para uma vida melhor. Quanto mais ele escrevia, mais sentia-se empolgado com seu plano de ajudar as crianças. Ele resolveu neste primeiro editorial somente chamar atenção à condição deplorável dos pequeninos, e no próximo ele apresentaria uma solução que estava tomando forma na sua mente. 

Quando leram seu editorial, houve alguns que sentiram pena das crianças, outros que acharam que o jornal deveria se preocupar com assuntos mais importantes do que crianças, sobretudo, filhos dos operários pobres! Mas Robert Raikes tinha um sonho e este estava enchendo seu coração e seus pensamentos cada vez mais! No editorial seguinte, expôs seu plano de começar aulas de alfabetização, linguagem, gramática, matemática, e religião para as crianças, durante algumas horas de domingo. Fez um apelo, através do jornal, para mulheres com preparo intelectual e dispostas a ajudar-lhes neste projeto, dando aulas nos seus lares. Dias depois um sacerdote anglicano indicou professoras da sua paróquia para o trabalho.
O entusiasmo das crianças era comovente e contagiante. Algumas não aceitaram trocar a sua liberdade de domingo, por ficar sentadas na sala de aula, mas eventualmente todos estavam aprendendo a ler, escrever e fazer as somas de aritmética. As histórias e lições bíblicas eram os momentos mais esperados e gostosos de todo o currículo. Em pouco tempo, as crianças aprenderam não somente da Bíblia, mas lições de moral, ética, e educação religiosa. Era uma verdadeira educação cristã.
Robert Raikes, este grande homem de visão humanitária, não somente fazia campanhas através de seu jornal para angariar doações de material escolar, mas também agasalhos, roupas, sapatos para as crianças pobres, bem como mantimentos para preparar-lhes um bom almoço aos domingos. Ele foi visto frequentemente acompanhado de seu fiel servo, andando sob a neve, com sua lanterna nas noites frias de inverno. Raikes fazia isto nos redutos mais pobres da cidade para levar agasalho e alimento para crianças de rua que morreriam de frio se ninguém cuidasse delas; conduzindo-as para sua casa, até encontrar um lar para elas.
As crianças se reuniam nas praças, ruas e em casas particulares. Robert Raikes pagava um pequeno salário às professoras que necessitavam, outras pagavam suas despesas do seu próprio bolso. Havia, também, algumas pessoas altruístas da cidade, que contribuíam para este nobre esforço.

Movimento mundial
No começo Raikes encontrou resistência ao seu trabalho, entre aqueles que ele menos esperava - os líderes das igrejas. Achavam que ele estava profanando o domingo sagrado e profanando as suas igrejas com as crianças ainda não comportadas. Havia nestas alturas algumas igrejas que estavam abrindo as suas portas para classes bíblicas dominicais, vendo o efeito salutar que estas tinham sobre as crianças e jovens da cidade. Grandes homens da igreja, tais como João Wesley, o fundador do metodismo, logo ingressaram entusiasticamente na obra de Raikes, julgando-a ser um dos trabalhos mais eficientes para o ensino da Bíblia.
As classes bíblicas começaram a se propagar rapidamente por cidades vizinhas e, finalmente, para todo o país. Quatro anos após a fundação, a Escola Dominical já tinha mais de 250 mil alunos, e quando Robert Raikes faleceu em 1811, já havia na Escola Dominical 400 mil alunos matriculados.
A primeira Associação da Escola Dominical foi fundada na Inglaterra em 1785, e no mesmo ano, a União das Escolas Dominicais foi fundada nos Estados Unidos. Embora o trabalho tivesse começado em 1780, a organização da Escola Dominical em caráter permanente, data de 1782. No dia 3 de novembro de 1783 é celebrada a data de fundação da Escola Dominical. Entre as igrejas protestantes, a Metodista se destaca como a pioneira da obra de educação religiosa. Em grande parte, esta visão se deve ao seu dinâmico fundador João Wesley, que viu o potencial espiritual da Escola Dominical e logo a incorporou ao grande movimento sob sua liderança.
A Escola Bíblica Dominical surgiu no Brasil em 1855, em Petrópolis (RJ). O jovem casal de missionários escoceses, Robert e Sarah Kalley, chegou ao Brasil naquele ano e logo instalou uma escola para ensinar a Bíblia para as crianças e jovens daquela região. A primeira aula foi realizada no domingo, 19 de agosto de 1855. Somente cinco participaram, mas Sarah, contente com “pequenos começos”, contou a história de Jonas, mais com gestos,do que palavras, porque estava só começando a aprender o português. Ela viu tantas crianças pelas ruas que seu coração almejava ganhá-las para Jesus. A semente do Evangelho foi plantada em solo fértil.
Com o passar do tempo, aumentou tanto o número de pessoas estudando a Bíblia, que o missionário Kalley iniciou aulas para jovens e adultos. Vendo o crescimento, os Kalleys resolveram mudar para o Rio de Janeiro, para dar uma continuidade melhor ao trabalho e aumentar o alcance do mesmo. Este humilde começo de aulas bíblicas dominicais deu início à Igreja Evangélica Congregacional no Brasil.
No mundo há muitas coisas que pessoas sinceras e humanitárias fazem sem pensar ou imaginar a extensão de influência que seus atos podem ter. Certamente, Robert Raikes nunca imaginou que as simples aulas que ele começou entre crianças pobres e analfabetas da sua cidade, no interior da Inglaterra, iriam crescer para ser um grande movimento mundial. Hoje, a Escola Dominical conta com mais de 60 milhões de alunos matriculados, em mais de 500 mil igrejas protestantes no mundo. É a minúscula semente de mostarda plantada e regada, que cresceu para ser uma grande árvore cujos galhos estendem-se ao redor do globo.
Ruth Dorris Lemos é missionária norte-americana em atividade no Brasil, jornalista, professora de Teologia e uma das fundadoras do Instituto Bíblico da Assembleia de Deus (IBAD), em Pindamonhangaba (SP)


terça-feira, 8 de setembro de 2015

“Eu não passo de uma criança”. Jr 1:5,6-8,18.



Introdução:
“Eu não fui criado para correr perigos – chorou Frodo – Eu gostaria de jamais ter visto o anel! Por que veio até mim? Por que eu fui escolhido?
tais questões não podem ser respondidas – disse Gandalf. Pode estar certo de que não foi por qualquer mérito que os demais não possuem; não pelo poder ou sabedoria, de forma alguma. O fato é que você foi escolhido e, portanto, deve utilizar toda a força, o coração e a inteligência que possui”. O Senhor dos Anéis.



1 )    SOU APENAS UM JOVEM!

·        A missão que Jeremias recusou foi a de ser um profeta, duas convicções: A primeira,  Deus vive, que é pessoal e ativo. A segunda é a de que o mundo está atravessando um momento difícil e complexo. Um profeta é obcecado por Deus e vive intensamente para o agora. A  função do profeta é convocar as pessoas a viverem bem, da forma certa – a serem humanos. Não podemos ser humano se não temos relação com Deus! O profeta procura encanar em sua vida a Palavra de Deus (Jr 27.2).

·        UM PROFETA leva as pessoas a conhecer a Deus; quem Ele é, suas características, palavras e ações.        o Profeta suscita nossa ira ao rejeitar nossos eufemismos, revelar nossos disfarces (hipocrisias)  e, então, trazendo à tona nossos atos mais cruéis e motivos egoístas, exibindo-os onde todos possam ver” (Ez 3:7-11).

2)    ALEGANDO INCAPACIDADE, CASUÍSMO·        “...Ah! Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança”.

·        OU SEJA, Nossas desculpas, para fugirmos do chamado de Deus: “Eu não tenho experiência, sou apenas uma dona de casa; não fiz nenhum curso de teologia; sou apenas um humilde pregador e não tenho suficiente escolaridade; não tenho tempo disponível, me falta autoconfiança!” (Ex 4.10) Muito se tem exigido de nós, mas nunca estamos à altura das exigências ou não somos capazes de lidar com elas.

·        Subterfúgios:  “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerás?” (Jr 17:9).         Existe uma enorme diferença entre o que nós pensamos que podemos fazer e o que Deus nos  chama a realizar (Is 55.9).



·        NÃO DIGAS: “Não passo de uma criança, porque a todos a quem eu te enviar irás, e tudo quanto eu te mandar falarás, porque eu sou contigo para te livrar, diz o Senhor. Eis que ponho na tua boca as minhas palavras. Olha que hoje te constituo sobre as nações sobre os reinos para arrancares e arruinares e também para edificares e plantares (Jr 1:9-10)”.

Verbos: arrancar, derribar, destruir, arruinar, edificar e plantar, estão intimamente ligados. No caminho da fé não devemos fugir porque nos parece demasiadamente difícil; enfrentamos o desafio porque somos ordenados e equipados a fazê-lo.  DEUS É QUEM DECIDE A NOSSO RESPEITO. Deus nos escolhe com o propósito de nos capacitar o que Ele deseja que façamos ou sejamos: “Eis que ponho na tua boca as minhas palavras... Olha que hoje te constituo sobre as nações” (Jr 1.18-19).


Deus chama o pregador para ser sua boca; e Deus fala por intermédio dele. Deus chama quem Ele quer e como Ele quer para ser o seu pregador. O profeta Amós disse: “Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. Mas o SENHOR me tirou de após o gado e me disse: Vai e profetiza (prega) ao meu povo Israel” (Amós 7.14,15).



)    Duas visões:

3.1) VARA DE AMENDOEIRA “Veio ainda a palavra do Senhor, dizendo: Que vês tu, Jeremias? Respondi: vejo uma vara de amendoeira. Disse-me o Senhor: Viste bem, porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1:11-12).


·        A amendoeira é uma das primeiras árvores a florescer na região da Palestina. Antes de estender as folhas, flores, brancas como a neve, desabrocham. Enquanto a terra ainda está sob os efeitos gélidos do inverno, as acalentadores flores surgem naturalmente, sem avisar, surpreendendo-nos com a promessa da primavera.

·        “Por que eu velo sobre a minha palavra para cumprir”. Estas palavras, como a flor da amendoeira, são promessas, uma antecipação do que está para acontecer. Elas se transformam em algo. Amendoeira (hebraico: Shaqued) e Velo (shoqued): na língua hebraica são parecidas: “Que vês tu, Jeremias? Respondi; vejo uma vara de amendoeira (shaqed). Disse-me o Senhor: Viste bem, porque eu shoqed (velo) sobre a minha palavra para cumprir”.

·        Ou seja, Estou velando a minha palavra como um pastor vela por seu rebanho. Nenhuma das palavras, que me ouviste dizer deixará de se cumprir (Hb 4.12).

3.2 ) PANELA DE ÁGUA FERVENTE:   Outra vez, me veio a palavra do Senhor, dizendo: que vês? Eu respondi: vejo uma panela ao fogo, cuja boca se inclina do norte”.  (Jr 1:13).


A panela encontrava-se inclinada de modo que a água fervente estava sendo derramada sobre o sul. A cidade de Anatote e as ruas de Jerusalém estavam diretamente no curso das águas. ·        São inimigos marchando para uma invasão (Jr 1:14-16). Esta guerra iminente está relacionada ao julgamento de Deus. A água fervente irá lavar a terra. “A água quente tem o dom de purificar”.

O julgamento escaldante estava para acontecer porque o povo tinha abandonado o relacionamento de amor com Deus e se envolvido com rituais religiosos a deuses estranhos (Jr 1.16, Jr 3.21 e 22). A NATUREZA, INCLUINDO, A HUMANA, NÃO SUPORTARÁS QUALQUER CONTRADIÇÃO ABSOLUTA. ELA DEVE SER CONVERTIDA, NÃO VIOLADA". Os exércitos neobabilônicos estavam em marcha e nenhuma pessoa dotada de inteligencia mediana poderia ficar alheio a isso.  

·        “A guerra viria interromper aquele modo de vida inútil, tolo, impuro e indolente, obrigando-o a voltar seus olhos para o que é essencial e eterno: vida e morte, Deus e a humanidade, fé e descrença, aliança e obediência”.

 CONCLUSÃO: "eis que hoje te ponho por cidade fortificada, por coluna de ferro e por muros de bronze".




domingo, 6 de setembro de 2015

A face do adversário e as armaduras de Deus. Efésios 6:10-20.


Introdução: “Quanto ao mais...”, “a partir de agora”, “durante o tempo que resta”: é uma chamada emocionante para a batalha...não escutas o clarim e a trombeta?” Estamos sendo despertados, estamos sendo estimulados, estamos sendo colocados em nossos pés. Somos ordenados a ser homens. O tom inteiro é marcial, é varonil, é forte.

1)    O inimigo que enfrentamos: “nossa luta não é contra carne e o sangue mas contra inteligências cósmicas; nossos inimigos não são humanos, mas demoníacos” (Atos 19:13-17). Três características: 1) são poderosos: dominadores deste mundo (João 5:19); 2) são malignos: odeiam a luz e se retraem diante dela. A escuridão é a habitação natural: a escuridão da falsidade e do pecado; 3) São astutos: ciladas do diabo. Estratagema: combinação de sagacidade com engano engenhoso.  Ele se transforma em anjo de luz.

·        Como resistir? Sede fortalecido no Senhor e na força do seu poder (v.10) e revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderes ficar firmes contra as ciladas do diabo (v.11). 


2)    As armaduras de Deus.
·        “toda armadura de Deus”: a armadura completa de um soldado pesadamente armado. São seis peças: o cinto, a couraça; as botas; o escudo: fé; o capacete e a espada.  “No céu, compareceremos não com armadura, mas vestindo roupas de glória; aqui, porém, elas devem ser usadas noite e dia: devemos andar e trabalhar e dormir vestidos com elas senão, não somos verdadeiros soldados de Cristo”.

·        Sansão: Teve o cabelo cortado, enquanto dormia; Saul: lança furtada por Davi enquanto dormia; Noé: sono ébrio, foi de alguma maneira humilhado pelo filho; Eutico: no sono, caiu...

2.1)  Cinto da verdade. Usualmente feito de couro, o cinto do soldado pertencia mais à sua roupa de baixo do que à armadura. O cinto do soldado cristão é a verdade: verdade de doutrina e verdade do coração.


2.2)  A couraça da justiça. É a iniciativa graciosa de Deus em fazer com que os pecadores fiquem de bem consigo através de Cristo. Somos vestidos numa justiça que não é nossa, mas de Cristo, ficamos em pé diante de Deus, não condenado, mas sim aceito. A palavra Satanás significa adversário e Diabo é caluniador.


2.3)  As botas do evangelho. Era feita de couro, deixava os dedos do pé livre, tinha solas pesadamente cravejadas e era fixa nos calcanhares e nas canelas com tiras de couro. A obra missionária é como um par de sandálias que foi dado a igreja a fim de que ela se coloque no caminho e continue andando para tornar conhecido o mistério do evangelho.


2.4) O Escudo da fé. Paulo ensina, não o pequeno escudo redondo que deixava a maior parte do corpo desprotegido mas, sim, o longo escudo retangular, medindo 1,2 metros por 0,75 que cobria a pessoa inteira. Duas camadas de madeira coladas juntas, e cobertas primeiramente com linho e depois com couro: ferro em cima e em baixo.


·        Quais são os dardos inflamados do maligno? Acusações mentirosas (culpa falsa), pensamentos de duvida e de desobediência, de rebeldia, de pecado, de malicia ou medo.  Entretanto, Deus é o nosso escudo.

·        A FÉ TOMA POSSE DAS PROMESSAS DE DEUS EM TEMPOS DE DÚVIDA E DEPRESSÃO, E A FÉ TOMA POSSE DO PODER DE DEUS EM TEMPOS DE TENTAÇÃO.

2.5)  Capacete da salvação. O Capacete era feito de um metal resistente, tal como o bronze  ou o ferro. Um forro interno de feltro ou de esponja tornava o peso tolerável. Nada, senão um machado ou um martelo, poderia furar um capacete pesado.
·        O que adorna e protege o cristão, que o capacita a levantar a cabeça com confiança e alegria, é o fato de ser salvo.


2.6) Espada do Espírito (v, 17). O Espírito emprega para cortar as defesas das pessoas, ferir suas consciências e despertá-las espiritualmente com sua ação penetrante. Também, coloca sua espada em nossas mãos, de modo que possamos usar não somente para resistir a tentação, mas também para evangelizar (Hb 4:12).



CONCLUSÃO: devemos orar em todo tempo, com toda oração e súplica, com toda perseverança, fazendo suplicas por todos os santos. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A absoluta importância do motivo

O que Deus leva em conta, em cada conduta nossa, é a motivação pela qual realizamos algo. O que fazemos é menos importante do que o motivo pelo qual fazemos. Por esta razão, qualquer coisa que realizamos, por melhor que seja seu resultado, se for praticada por motivos torpes, então não terá validade alguma para o Reino de Deus. Toda ação realizada por ira, despeito, inveja, cobiça ou interesse por reconhecimento (que é vaidade), é completamente contrária ao Senhor.

Nesta relação de motivos egocêntricos, os fariseus nos deixaram exemplos claros. Eles continuam sendo o mais triste exemplo de fracasso no relacionamento com Deus, mas não por causa de erros doutrinários, nem porque eram pessoas de vida abertamente pecaminosa. Todo o problema deles estava na qualidade dos seus motivos: Oravam, mas para serem ouvidos pelos homens, e, deste modo, suas motivações arruinavam as suas orações e as tornavam inúteis; contribuíam para o serviço do templo, porém, muitas vezes o faziam para escapar do seu dever para com os seus pais, e não para estar, de fato, cuidando das coisas de Deus; condenavam o pecado e se levantavam contra ele quando o viam nos outros, mas agiam assim motivados por sua justiça própria e por sua dureza de coração. Isso caracterizava tudo o que faziam. Suas ações eram sempre cercadas por aparências de santidade; e essas mesmas atividades, se fossem realizadas simplesmente para agradar o coração do Pai, seriam realmente boas e louváveis. Todavia, a fraqueza dos fariseus estava no fato deles buscarem a aplauso e o respeito humano, ou seja, ansiavam agradar a seu próprio ego mais do que satisfazer o coração de Deus.

Isso não é insignificante, antes é algo sério e precisa ser bem discernido e tratado. Afinal, o egocentrismo é o estilo de vida típico daqueles religiosos formais e ortodoxos que continuaram em sua cegueira até finalmente crucificarem o Senhor da glória, sem qualquer noção da gravidade do seu crime. Isso significa que motivações carnais não nos permitirão alcançar a revelação do Senhor, nos impedirão de vê-Lo como quem Ele realmente é. Jesus estava no meio dos fariseus, e apesar disto eles não O puderam reconhecer, porque estavam voltados somente para seus interesses pessoais, indiferentes aos reais interesses do Senhor.

 Atos religiosos praticados por motivos vis são duplamente maus – maus em si mesmos e maus por serem praticados em nome do Senhor. Isto equivale a pecar em nome dAquele Ser que é impecável, a mentir em nome dAquele que não pode mentir e a odiar em nome dAquele cuja natureza é amor.

Por tudo isso, é extremamente necessário que os crentes, especialmente os mais ativos, freqüentemente separem um tempo para sondar a sua alma, a fim de certificarem-se dos seus motivos.

Muitos louvores são cantados para exibição; muitos sermões são pregados para mostrar talento; muitas igrejas são fundadas como um insulto contra outra igreja. Mesmo a atividade missionária pode tornar-se competitiva, e a conquista de almas pode degenerar, tornando-se uma espécie de marketing eclesiástico para satisfazer a carne. Não nos esqueçamos que os fariseus eram grandes missionários e rodavam o mar e a terra para fazer um converso.

Um bom modo de evitar a armadilha da atividade religiosa vazia é comparecer diante de Deus com a Bíblia aberta em I Coríntios 13. Esta passagem, embora seja considerada uma das mais belas da Bíblia, é também uma das mais severas dentre as que se acham nas Escrituras Sagradas. O apóstolo toma o serviço religioso mais elevado e o rebaixa à futilidade, se não for motivado pelo amor. Sem amor, os profetas, mestres, oradores, filantropos e mártires são despedidos sem recompensas.

Enfim, podemos dizer que, aos olhos de Deus, somos julgados não tanto pelo que fazemos e sim por nosso motivos para fazê-lo. Não “o quê” mas “por quê” será a pergunta importante que ouviremos, quando nós, os santos, comparecermos ao tribunal de Cristo, a fim de prestarmos contas dos atos praticados enquanto estivemos no Corpo.

Então, que desde já possamos ser achados como homens e mulheres que sempre perguntam: “Pai, qual minha efetiva motivação para agir desta maneira? Por que quero realizar tal procedimento em Sua casa? O que anseio receber em troca de tal ação?”. Que o Espírito Santo venha nos revelar nossos próprios corações.

A. W. Tozer


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Desde o ventre da minha mãe tu me escolhestes.         Jr 1:1-5.



Introdução. Quem foi Jeremias? O significado exato de Jeremias é incerto: pode significar “AQUELE QUE EXALTA O SENHOR” ou, ainda “O SENHOR LANÇA”. O certo é que “O Senhor”, o nome pessoal de Deus, está no nome desse profeta. 

No dia em que Jeremias nasceu, Hilquias e sua esposa lhe deram um nome antevendo a maneira como Deus agiria em sua vida. Em esperança, eles vislumbraram os anos vindouros e viram o Filho como alguém em cuja vida o Senhor seria exaltado: Jeremias – O Senhor é exaltado. Ou, com o olhar de esperança, eles olharam e futuro como uma pessoa que seria lançada na comunidade como um dardo representativo de Deus, invadindo as defesas do egoísmo com justiça e misericórdia divinas: Jeremias – O Senhor lança.

A maioria dos nomes ao longo da história de Israel foi composta com o nome de Deus. Os nomes antecipavam o que cada um seria quando crescesse. Josias, significa Deus sara; Jeoaquim, o Senhor eleva; Zedequias, o Senhor é justo; Jeremias, o Senhor exalta ou o Senhor lança. Alguns deles realmente viveram de acordo com o significado de seus nomes. Entre eles, Jeremias e Josias. Outros, como Jeoaquim e Zedequias, não justificaram os nomes que ostentavam, pois suas vidas contrariaram a grande promessa que seus nomes proclamava. Zedequias recebeu um nome glorioso, porém ele o traiu. Igualmente, Jeoaquim recebeu um nome soberbo, mas ele o abandonou. 

Quando eu recebi o meu nome, João, o que será que meus pais pensaram. Mas o significado é “Deus é cheio de graça”, “agraciado por Deus” ou “a graça e misericórdia de Deus” e “Deus perdoa”. O nome João tem origem no hebraico Yehokhanan, Iohanan, composto pela união dos elementos Yah que significa “Javé, Jeová, Deus” e hannah que quer dizer “graça” e significa “Deus é gracioso, agraciado por Deus, a graça e misericórdia de Deus, Deus perdoa”.

O que sabemos sobre Jeremias e o que não sabemos. Dados HISTÓRICOS DE JEREMIAS: 1) o nome de seu pai, Hilquias; 2) a vocação deste sacerdote; 3) e o local de nascimento, Anatote. Perguntas possíveis para se entender a história de Jeremias: Como era Anatote? As condições econômicas e sociais? As características da personalidade do pai? O método de ensino utilizado pelos sábios de Anatote? No Entanto, SABEMOS O QUE  Deus estava fazendo:

PROVA TEOLOGICA: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci; e, antes que saísses da madre te consagrei e te constituí profeta às nações”.

1)    O primeiro movimento: “Antes que eu te formasse no ventre materno, EU TE CONHECI...”. 



Muito antes de começarmos a formular perguntas sobre Deus, Ele já nos questionava. Deus nos conhecia antes de sermos concebidos no útero materno (Jó 10.8; Sl 139.13,16) Somos conhecidos antes de conhecer. Ou seja, não mais correremos sem direção, tomados pelo pânico e pela ansiedade, procurando pelas respostas da vida.

SE USARMOS nosso ego como centro, a partir do qual estabelecemos a geometria da nossa vida, viveremos fora do verdadeiro centro”.  A MINHA IDENTIDADE não tem início quando começo a me compreender. Há algo anterior que me leva a refletir sobre mim, e é o que Deus pensa a meu respeito.

  
2)    Escolhendo lados: “... antes que saísses da madre, te consagrei”.

CONSAGRADO significa ser colocado em separado para o lado de Deus. Isso significa que somos escolhidos independentemente do curso débil e incerto das circunstancias para participarmos de algo importante que Deus está realizando.


E o que Deus está realizando? Ele está salvando, está resgatando, julgando, curando, esclarecendo. Há uma verdadeira batalha em curso. Há uma intensa batalha moral (Ef. 6.10-12). Há maldade, crueldade, infelicidade e enfermidades. Há superstição e ignorância, brutalidade e dor. Deus é a favor da vida contra a morte, coloca-se ao lado do amor e opõe-se ao ódio, favorece a esperança e combate o desespero.

“Deus é a favor do céu e contra o inferno. Não existe zona neutra no universo. Cada centímetro quadrado é área de contestação”.  

Ninguém nasce neste mundo para ser apenas um mero espectador. Não há meio termo, ou aceitamos a vida para a qual fomos consagrados ou, traiçoeiramente, deserdamos dela. Não podemos dizer: “espere um pouco! Ainda não me sinto pronto. Aguarde até que resolva algumas pendências” (1 Rs 18.25).


A bíblia nos chama de “santos” (Rm 1.7). A palavra santo não se refere à qualidade ou virtude de seus atos, mas ao tipo de vida para o qual foram escolhidos, ou seja, a vida no campo de batalha ( 1 Ts 4.7).

3)    A grande dádiva: “...te constituí profeta às nações”.

A palavra constituí significa, literalmente, “dei”; “Eu te dei como profeta as nações”. Antes mesmo de Jeremias nascer ele foi dado (Is 49.1, Gl 1.15). Esta é a maneira de Deus agir (João 3.16). 



OBJEÇÕES DE JEREMIAS: “Espere um pouco. Não seja tão apressado em me dar. Eu tenho algo a falar sobre isso. Sei que meus direitos são inalienáveis e um deles é decidir o que fazer com a minha vida”. MAGINE A RESPOSTA DE DEUS: “Desculpe-me, mas tomei esta decisão antes de você  nascer. Ela foi tomada, você foi oferecido”

Conclusão: Jeremias poderia ter-se agarrado à rua sem saída onde nasceu, em Anatote. Ele poderia viver debaixo da segurança que a posição de sacerdote de seu pai lhe garantia. Porém, ele não agiu assim. Se tornou um dos maiores profetas do Antigo Testamento.