terça-feira, 19 de maio de 2015

Discípulo ou cristão? Atos 11.26


Introdução:

·        No Novo Testamento, os seguidores de Jesus Cristo são chamados de “cristãos” apenas três vezes. A ocorrência mais significativa é aquela encontrada em Atos 11.26 que se deu  em Antioquia da Síria, depois temos em Atos 26.28 e, 1 Pedro 4.15-16. Ambas as palavras “cristão e discípulo” implicam relacionamento com Jesus. Porém, “discípulo” talvez seja mais forte, pois inevitavelmente implica em relacionamento entre aluno e professor (Lc 6.46, Mt 7.21).

·        Os discípulos de Jesus estiveram com ele dia e noite por três anos. Escutavam seus sermões e memorizavam seus ensinamentos. Viram-no viver a vida que ele ensinava. Então, após a sua ascensão, confiaram as palavras de Cristo a outros e encorajaram-nos a adotar o seu estilo de vida e a obedecer o seu ensino. PORTANTO, discípulo é aluno que aprende as palavras com a finalidade de ensinar os outros (II Tm 2:1-2). 



“O discipulado cristão é um relacionamento de mestre e aluno baseado no modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o mestre produz tão bem no aluno a plenitude da vida que tem em Cristo que o aluno é capaz de treinar outros para que ensinem outros”.

·        Um estudo cuidadoso do ensino e da vida de Cristo revela que o discipulado possui dois componentes essenciais: a morte de si mesmo e a multiplicação.

1)    Morrer para si mesmo. 



·        O chamado de Cristo para o discipulado é um chamado para a morte de si mesmo (Lc 9.23,24; II Co 5.17). Seu chamado a Pedro e André (Mt 4.18-19) e Tiago e João (Mt 4.2) foi uma ordem. “SIGA-ME” sempre tem sido uma ordem, nunca um convite (Jo 1.43).

·        JESUS NUNCA IMPLOROU QUE ALGUÉM O SEGUISSE. Ele confrontou a mulher no poço, com seu adultério; Nicodemus, com seu orgulho intelecutal; os fariseus com sua justiça própria; quando o jovem rico recusou a vender tudo o que possuía para segui-lo (Mt 19.21) Jesus não foi correndo atrás dele tentando conseguir um acordo. NINGUÉM  PODE INTERPRETAR “arrependam-se, pois o reino dos céus está próximo” (Mt 4.17) como uma SÚPLICA.

·        Assim, quando é que vocês se torna um discípulo de Cristo? Quando vai à frente em resposta a um apelo? Quando se ajoelha diante do altar? Quando chora sinceramente? Nem sempre. Os primeiros seguidores de Cristo tornaram-se discípulos quando lhe obedeceram. O cristianismo sem obediência é apenas uma religião, como qualquer outra. É um cristianismo sem Cristo!

·        Morrer para Cristo é como se tivéssemos sofrido um acidente de carro numa rodovia. Seu carro bateu de frente com um caminhão e você, morreu. Não há mais vida, esperança. Quando todo mundo pensa que você morreu, Jesus então lhe diz: “Meu filho, você está morto. Sua vida sobre a terra acabou, mas eu soprarei um fôlego de nova vida em você se prometer fazer qualquer coisa que eu pedir e ir a qualquer lugar que eu mandar”. Desse momento em diante, toda sua vida pertence totalmente, exclusivamente a Jesus (Gl 2.20).

2)    Multiplicação. 


·        Cristo ordenou que seus discípulos reproduzissem em outros a plenitude de vida que encontraram nele (João 15,2 e 8). Um discípulo maduro tem de ensinar outros cristãos como viver uma vida que agrade a Deus, equipando-os a treinar outros para que ensinem outros.  JESUS TREINOU pessoalmente um pequeno grupo de homens e equipou-os para que treinassem outros que pudessem ensinar outros (Mt 28.19).

·        O discipulado não pode ser separado da paternidade responsável. O pai espiritual, como o pai biológico, é responsável perante Deus pelo cuidado e pela alimentação do seu filho (1 Co 4.15; 1 Ts 2.11,12). Paulo chamou os gálatas “meus filhos” a Timóteo “verdadeiro filho na fé” (1 Tm 1.2). Ele rogou em favor de Onésimo, “meu filho, que gerei enquanto estava preso” (Fm 10).

·        O discipulador sabe que a responsabilidade continua até que seu discípulo chegue à maturidade espiritual, à capacidade de reproduzir. Ele investe grande parte do tempo no seu discípulo, dando toda atenção às suas necessidades. Paulo nos ensina (Tm 2.2) que a relação do discipulador com o seu discípulo estende-se por quatro gerações: Aqui, Paulo (primeira geração) instrui seu filho espiritual; Timóteo (segunda geração) a ensinar o que tinha aprendido a homens fiéis (terceira geração), os quais, por sua vez, ensinariam outros (quarta geração).

Quatro Gerações 

Paulo —>   Timóteo —>   Homens fiéis—>Outros
CONCLUSÃO: Há dois mil anos, Jesus dirigiu-se a uma grande multidão e declarou: “E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo” (Lc 14.27). Jesus limitou as opções de cada ouvinte a apenas duas. Se a resposta do homem for incredulidade, ele desobedece e morre, é inimigo da cruz (Mt 12.30). Se responder pela fé, ele obedece e torna-se discípulo: morre para si mesmo e reproduz. Para Jesus, não há alternativas.


terça-feira, 12 de maio de 2015

Quando Deus não recebe nossa adoração. Ml 1:6-14.


Introdução.

Esses versículos do Profeta Malaquias falam dos pecados dos sacerdotes que eram responsáveis pela condução moral e espiritual da nação. Eram líderes decadentes, quer do ponto de vista moral, quer do ponto de vista espiritual. UM DOS MAIORES PERIGOS PARA O POVO DE DEUS,  AINDA HOJE, É O DE UMA LIDERANÇA RELAXADA, LIDERES ACOMODADOS, SEM VISÃO ALGUMA.

1)    Quando Deus não é honrado.
“O filho honra ao pai, e o servo ao seu amo”. Aqui, Deus levanta duas questões. Ele é Pai e Senhor. Onde estão a honra e o temor que lhe são devidos pelo filho e servo Israel?

“Se eu, pois, sou o pai, onde está a minha honra?” O hebraico nos traz KÂBHÔDH, que é traduzido por GLÓRIA. Veja a história da arca tomada pelos filisteus (1 Sm 4.21) que o filho de Finéias recebeu o nome de ICABÔDE que significa “foi-se a glória”. KÂBHÔDH, literalmente, tem o sentido de “dar peso”, “mostrar atenção”, “considerar como importante” (Ex 20.12; Dt 5.16). O Senhor esperava que o seu povo o considerasse como importante, que lhe desse atenção. No entanto, ele é um pai desprezado (Ex 4.22; Dt 32.6).

1.1)         Cinismo da liderança.

“Em que temos nós desprezado o teu nome?”. É uma pergunta que equivale a “Não, nós não temos desprezado o teu nome. Tu estás exagerando!”. Então vejamos:

·        “ofereceis sobre o meu altar pão profano, e dizeis: Em que te havemos profanado? Nisto que pensais, que a mesa do Senhor é desprezível”. O desprezo ao nome de Deus é mostrado pelo oferecimento de pão profano, ou “alimentos impuros”, ou “sacrifícios impuros”. Os sacerdotes pensavam que a mesa do Senhor era “desprezível”. A palavra hebraica traduzida por “desprezível” é a mesma encontrada em Daniel 11.21 e ali é traduzida por “vil”, numa referencia a Antíoco Epifânio, um rei Sírio que sacrificou um porco dentro do templo de Jerusalém. Era um conceito muito baixo de Deus que os sacerdotes estavam fazendo.

·        A impureza ou o caráter profano da oferta fica patente nos versículos 8,13 e 14. “Cego, coxo, doente e roubado” são os adjetivos empregados para mostrar o que estava sendo dado ao Senhor. Esclareça-se que “roubado” o hebraico traz Gazûl, que significa “dilacerado pela fera” que provavelmente o roubara do rebanho. O que estava sendo oferecido a Deus era a carniça! A que ponte descera o povo! E como os sacerdotes compactuavam com isso, aceitando oferecer tais coisas ao Senhor! (Lv 22.18-22).

“Com muita freqüência, os cristãos acham que podem ofertar qualquer coisa a Deus. Contanto que alguém ou alguma atividade seja dedicada a Deus, mesmo sem entusiasmo, imaginam que Deus ficará contente.  Temos dado o melhor para Deus, ou, como os judeus, temos dado o resto? Tem ele o melhor das nossas emoções, o melhor do nosso tempo, o melhor dos nossos bens? Ou cuidamos da nossa vida e lhe damos o restolho?”.

·        Aborrecido, Deus lhes diz que ofereçam animal doente ao governador (v.9). Era também costume presentear autoridades com animais e cereais. E pergunta: “terá ele agrado em ti? Ou aceitará ele a tua pessoa”? A resposta a ambas as perguntas é um sonoro não.

·        O versículo 9, NOS ENSINA que Deus não aceita nada menos do que o melhor. Ele não precisa de restos, ou seja, “vocês me dão o que não presta e querem receber a benção por isso? Supliquem para ver se eu dou!

·        No versículo 10, Deus prefere o ter o seu templo fechado a receber nele um culto hipócrita! Deus não precisa do nosso culto. Quando nós o cultuamos, não o tornamos melhor porque ele não tem como melhorar. JÁ É TOTALMENTE BOM. Se o deixarmos de cultuar, não o fazemos piorar. Simplesmente porque ele nunca pode deixar de ser totalmente bom. Nós é que precisamos cultuá-lo!

·        “...eu não tenho prazer em vós, diz o Senhor dos Exércitos, nem aceitarei oferta da vossa mão” (Is 1.13). Mais do que ofertas, mais do que culto, Deus espera obediência do seu povo (1 Sm 15.22). Obedecer é mais valioso do que cultuar.


Conclusão:  O adorador de Malaquias estava prometendo um macho e oferecendo ao Senhor um animal imprestável. A expressão com mácula indica doente ou defeituoso, aquele que o dono do rebanho sabe que vai perder logo e no qual não vale a pena investir. E, “quando fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. O que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votares e não pagares (Ec 5.4-5). 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Paulo discorda de Pedro em Antioquia. Gálatas  2:11-16.



Ø Este é sem dúvida um dos episódios mais tensos e dramáticos do Novo Testamento. Temos aqui dois lideres  apostólicos de Jesus Cristo, face a face em um conflito total e franco.  Tanto Paulo como Pedro eram cristãos, homens de Deus; ambos eram apóstolos de Jesus Cristo; ambos eram respeitados nas igrejas por sua liderança; ambos haviam  sido poderosamente usados por Deus. Na verdade o livro de Atos está virtualmente dividido no meio pelos dois, a primeira parte contando a história de Pedro e a segunda parte, a história de Paulo.
Ø  
1)    A conduta de Pedro (VS. 11-13).

ü Quando Pedro chegou a Antioquia, ele comia com os cristãos gentios. Na verdade, o tempo imperfeito de verbo indica que este era o seu comportamento regular. “Pedro tinha o hábito de se sentar à mesa com os gentios”.  Então, um dia, chegou a Antioquia um grupo de Jerusalém. Eram todos crentes cristãos professos, mas eram de origem judaica, escrupulosos fariseus (At 15:5) e vinham “da parte de Tiago”, sem a sua autoridade (At 15:24). E diziam, que era impróprio sentar junto para cear. 



1.1)                    Por que ele o fez? Lembremos que havia pouco tempo (At 10:9-16), Pedro recebera uma revelação direta e especial de Deus exatamente sobre esse assunto. “Pedro estava mais desejoso de agradar do que edificar, e visava mais ao que gratificaria os judeus do que ao que seria conveniente a todo o corpo de Cristo”. (Calvino). V. 13: “dissimulação” é “hipocrisia” , que significa “fazer fita”. Eles fingiram. O mesmo Pedro que negou o seu Senhor com medo de uma criada, negou-o agora com medo do partido da circuncisão. 



2)    A conduta de Paulo (VS. 14-16). 


ü O versículo 11 diz que Paulo “resistiu” ou “enfrentou” a Pedro “face a face”  A razão da atitude drástica de Paulo foi que Pedro “se tornara repreensível”. Isto é, “ele estava inteiramente errado”. Além disso, Paulo repreendeu Pedro “na presença de todos” (v. 14), franca e publicamente.

2.1) Por que ele o fez? Por que Paulo se atreveu a contradizer um companheiro  seu, apostolo de Jesus Cristo, e isto publicamente? Sempre por causa do seu temperamento? Seria ele um exibicionista? Será que considerava Pedro como um perigoso rival? Não! Paulo “viu” que Pedro e os outros não estavam procedendo “corretamente segundo a verdade do evangelho” (v.14). A verdade do evangelho parece estar sendo comparada a um caminho reto e estreito. Em vez de se manter nele, Pedro estava se desviando.

ü Qual é, então, essa verdade do evangelho? São as boas novas de que nós, os pecadores, culpados e sob o julgamento de Deus, podemos ser perdoados e aceitos pela sua plena graça, pelo seu favor livre e imerecido, com base na morte do seu Filho e não através de quaisquer obras ou méritos nossos.  Os VS. 15 e 16 dizem: Nós (isto é, Pedro e Paulo)...sabendo, contudo, que o homem (qualquer homem, judeu ou gentio) não é justificado por obras da lei, e , sim, mediante a fé em Cristo Jesus...”


Conclusão:  Não basta que creiamos no evangelho (Pedro cria, v. 16), nem mesmo que lutemos por preservá-lo, como Paulo e os apóstolos de Jerusalém fizeram, e os judaizantes não. Temos que ainda mais adiante. Temos de aplicá-lo, foi o que Pedro deixou de fazer. 

quinta-feira, 7 de maio de 2015

CARTA A UM EX-GAY TENTADO A VOLTAR ATRÁS


[A carta é fictícia bem como as personagens aqui mencionadas].

Meu caro Sandro,

Espero que esta o encontre bem, com muita saúde e alegria em todas as coisas.

Soube pelo seu pastor que você está pensando em desistir da fé e sair da igreja porque, passados já cinco anos que você recebeu Jesus como seu Senhor e Salvador, você continua a sentir desejos homossexuais e atração por homens. Ele me disse também que sua esposa, a Rita, tem sofrido muito com tudo isto, muito embora você tenha sido bastante honesto com ela e não tenha, em nenhum momento, sido infiel no casamento.

Seu pastor, que foi meu aluno no seminário teológico, me pediu para escrever para você, especialmente pelo fato de que fui eu quem lhe ajudou nos primeiros dias depois da sua experiência de conversão. Espero que esta carta seja usada por Deus para ajudar você neste momento difícil.

Sei que você ficou ainda mais confuso por causa do alarde da imprensa sobre um projeto que os ativistas gays apelidaram de “cura gay”. A verdade dos fatos é que esta designação irônica é a reação deles ao Projeto de Decreto Legislativo 234/11 do deputado João Campos, do PSDB, que suspende dois itens da resolução do Conselho Federal de Psicologia que proibiam psicólogos de atender pacientes que buscassem ajuda para se libertar dos impulsos e desejos homossexuais. O PDC 234 foi aprovado recentemente na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara de Deputados. Os ativistas gays apelidaram o PDC 234 de "cura gay", uma designação irônica e maliciosa, pois o projeto não é sobre isto. Ele apenas restabelece o direito dos pacientes de pedirem ajuda e dos psicólogos de ajudarem e não usa o termo "cura". Se você quiser mais detalhes sobre os fatos, recomendo o artigo de Reinaldo Azevedo sobre o assunto. 

Mas, minha carta não é sobre os fatos acima mencionados, mas sobre a crise que você está passando com estes desejos homossexuais, mesmo sendo um crente em Jesus Cristo. Você se lembra que eu lhe alertei para o fato de que crer em Jesus como Senhor e Salvador não significaria a imediata libertação de todas as consequências espirituais, psicológicas e mentais dos anos em que você viveu como homossexual praticante. O pecado deixa profundas cicatrizes em nossas vidas, marca a ferro e fogo nossa consciência com imagens, impressões, experiências, gostos e desejos, que levam muitos anos para serem vencidos.

Seu pastor me falou que você vinha lendo material de determinados autores que afirmam que homossexuais, uma vez convertidos, se tornam completamente libertados não somente da prática de relações com pessoas do mesmo sexo como também da atração por pessoas do mesmo sexo. Sandro, não duvido que em alguns casos isto possa acontecer. Sei que há casos concretos de pessoas que viviam na homossexualidade e que, depois da conversão a Jesus Cristo, libertaram-se inclusive da atração por pessoas do mesmo sexo. Todavia, isto nem sempre é o que acontece, como, infelizmente, é o seu caso. Você precisa entender, contudo, que a continuidade de desejos homossexuais depois de uma legítima conversão não significa necessariamente uma derrota e nem que Deus falhou com você.

Acho que você está esquecendo um ponto básico da doutrina cristã, que é a diferença entre pecado e tentação. A atração por pessoas do mesmo sexo é diferente da prática de relações sexuais entre elas. A primeira é uma tentação, a segunda é pecado. Tentação e pecado são duas coisas diferentes. Sandro, eu tenho um coração corrompido pelo pecado, a minha natureza é pecaminosa a despeito da minha justificação pela fé em Cristo e da presença do Espírito de Deus em mim. Diariamente, do meu coração corrompido procedem desejos, intenções, reações e pensamentos carnais e pecaminosos. Associado a isto, há as tentações externas trazidas pelo mundo, pelas pessoas e por Satanás.

Diariamente homens cristãos casados se sentem tentados a olhar uma segunda vez para mulheres que não são sua esposa e se sentem tentados a imaginar e desejar ter relações com elas. Todavia, ser tentado a fazer isto não é a mesma coisa que fantasiar estas relações ou tê-las na prática. Diariamente cristãos verdadeiros reprimem estes desejos, dizem não a estes pensamentos e evitam a segunda olhada. Pensam na esposa, nos filhos e particularmente em Deus, que odeia e abomina o adultério, e no Senhor Jesus que morreu exatamente por causa destes pecados. Cada dia em que resistem a estes impulsos e vontades é um dia de vitória e de libertação.

Caro Sandro, creio que o mesmo pode se aplicar a outras vontades pecaminosas, como desejos homossexuais, desejos de machucar outras pessoas, a cobiça por coisas... a lista é grande. A conversão a Cristo não significa a expulsão do pecado aqui e agora do nosso coração. É isto que você precisa entender. 

Mas agora me deixe voltar a um daqueles estudos bíblicos que lhe passei no início do discipulado e que, pelo jeito, você esqueceu. Lembre que o processo estabelecido por Deus para libertar pessoas do pecado é realizado por ele em três etapas que acontecem em sequência e nesta ordem. Na primeira, Deus nos liberta da culpa do pecado - justificação. Na segunda, do poder do pecado - santificação; e na terceira, da presença do pecado em nós - glorificação. Lembra do quadro que desenhei para você naquele domingo?

Libertação da:
Designação
Quando:
Como:
Culpa do pecado
Justificação
Passado
Ato único realizado uma única vez
Poder do pecado
Santificação
Presente
Processo incompleto e imperfeito
Presença do pecado
Glorificação
Futuro
Ato único realizado de uma vez para sempre


Só recordando: a primeira etapa, a libertação da culpa do pecado, é a justificação, que é um ato de Deus, único e pontual, no qual ele nos considera justos diante dele mesmo com base nos méritos de Cristo. Corresponde, na nossa experiência, à conversão, arrependimento e fé. É um ato legal de Deus feito de uma vez para sempre e é a base das etapas seguintes. Foi o que aconteceu com você naquele dia que você, arrependido e quebrantado por seus pecados, voltou-se para Cristo em fé suplicando o seu perdão.

A etapa seguinte é libertação do poder do pecado.  Trata-se da santificação, que é um processo que se inicia imediatamente depois da justificação e que dura nossa vida toda. Ele consiste, não na erradicação do pecado e de nossa natureza decaída, mas em mortificar esta natureza, dominá-la, subjugá-la e mantê-la sob controle. Essa é a etapa do processo de salvação que você está vivendo agora. Lembra da ênfase que dei à necessidade de usar os meios de graça como oração, meditação e comunhão com outros irmãos em Cristo? Lembra que oramos para que o Espírito de Deus produzisse diariamente em você o fruto do domínio próprio? Sandro, neste processo há uma luta constante, ferrenha e interminável que você tem que travar contra o pecado que habita em você, contra as tentações de Satanás e do mundo. Todavia, esta luta em si não é pecado. Ser tentado não é pecado. Sentir desejos pecaminosos, vontade de fazer o mal, disposição para o que é errado, estas coisas vão nos acompanhar todos os dias de nossa vida e não são pecado – a não ser que cedamos a elas. A vitória consiste em dizer "não" a todas elas, diariamente, todos os dias de nossa vida, pelo poder do Espírito. 

A terceira etapa que lhe falei é a glorificação, quando ocorrerá a libertação da presença do pecado em nós. Ela ocorrerá quando morrermos ou se estivermos vivos quando da vinda do Senhor Jesus. Haverá a ressurreição dos mortos e a transformação dos crentes que estiverem vivos. Todos os filhos de Deus serão transformados para serem como o Senhor Jesus, num corpo glorificado e sem pecado, glorioso, imortal e incorruptível, com o qual os filhos de Deus viverão eternamente no novo céu e na nova terra onde habita a justiça. Só então, Sandro, você e eu seremos finalmente livres dos desejos carnais que habitam em nosso coração.

Deus não prometeu que você ficaria livre de toda tentação e de todos os desejos a partir do momento que você cresse em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Você foi perdoado e justificado de seus pecados – inclusive do pecado do homossexualismo. Mas isto representou apenas o início do seu processo de libertação do poder do pecado que habita em você, processo este que é incompleto e imperfeito nesta vida, embora bastante real. Você precisa aprender a lutar e a dominar todos os seus desejos pecaminosos, inclusive o desejo de ter relações com pessoas do mesmo sexo, da mesma forma que os crentes heterossexuais lutam e dominam seus desejos de prostituição, fornicação, adultério, impureza e pornografia.

No seu caso, após a conversão você recobrou a atração pelo sexo oposto, casou com a Rita e tiveram dois filhos. Mas isto nunca significou que você ficaria livre da tentação pelo mesmo sexo, como você está sendo tentado agora. Outros, não conseguiram casar e optaram por viver solteiros, no celibato, sem relações sexuais com qualquer pessoa. Resolveram renunciar a tudo para se manterem fiéis a Cristo que disse que o caminho é estreito e a porta é apertada. Em qualquer situação, Sandro, a vitória consiste em resistir ao desejo e seguir o caminho da obediência, que é a mesma coisa para os heterossexuais.

Acredito que você está desanimando desnecessariamente pois de alguma forma foi levado a pensar que a conversão lhe libertaria completamente dos desejos que você tinha antes de conhecer a Jesus Cristo. Espero que esta carta seja útil para trazer verdadeira libertação.

Por favor, não interprete minha carta erroneamente. Não estou limitando o poder de Deus ou dando brecha para que você volte aos seus antigos pecados com a consciência tranquila. Como eu disse, as relações homossexuais, na prática ou nas fantasias eróticas de quem se masturba diante de um computador, são pecado e iniquidade. Ser tentado a fazer isto não é. Portanto, fique firme, continue a praticar as disciplinas e exercícios espirituais, continue a conversar com a Rita e a abrir seu coração para ela e a ver seu pastor regularmente. Conte comigo em tudo que precisar. Acima de tudo, não desista, pois Deus nunca nos prometeu uma viagem tranquila, somente uma chegada certa.

Termino declarando a minha mais completa confiança na veracidade destas promessas bíblicas, que deixo para sua meditação:

Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça (Rm 6.14). Porque, quando éreis escravos do pecado, estáveis isentos em relação à justiça. 21 Naquele tempo, que resultados colhestes? Somente as coisas de que, agora, vos envergonhais; porque o fim delas é morte. 22 Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna; 23 porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 6:20-23).

Do seu irmão e amigo,





terça-feira, 5 de maio de 2015

Quando Tudo diz que não, Deus diz que sim. Atos 12


Introdução. Os anjos são seres criados por Deus para um proposito especifico. Os anjos não são eternos, pois tiveram inicio, entretanto são imortais (Hb 12.22). Os anjos são os distribuidores e administradores da beneficência divina com relação a nós. eles zelam pela nossa segurança, mantém a nossa defesa, direcionam nossos caminhos e exercitam uma constante preocupação para que nada de mal nos aconteça. Em Colossenses 1.16 afirma que Jesus é o criador dos anjos. 
Os anjos estão divididos em: Arcanjos, temos Miguel (quem é como Deus) - anjo que está diante de Deus; Gabriel, o mensageiro; os serafins - seres ardentes, incandescentes, a função dos serafins é louvar o nome e a glória de Deus no céu, "esses seres angelicais eram brilhantes como chama de fogo, simbolizando a pureza e o poder da corte celeste"; Querubim (guardar, cobrir), sustentam o trono de Deus, puxam seu carro (Ez 10.1), lhe servem de montadura (Sl 18.11). 

1)    A dramática prisão de Pedro (Atos 12.1-5). 


·        Tiago e João faziam parte do núcleo mais íntimos dos discípulos de Jesus. Jesus tinha advertido Tiago e João, que lhe haviam pedido os melhores lugares em seu reino, que eles beberiam de seu cálice e compartilhariam o seu batismo, ou seja, participariam de seus sofrimentos (Mc 10.38-39).

·        Herodes mata Tiago e prende Pedro. Não temos explicação sobre por que Deus permitiu que Tiago morresse, enquanto enviou seu anjo para libertar Pedro (Rm 14.8). A uns, Deus livra da morte; a outros, Deus livra na morte. Na galeria da fé, em Hebreus 11, uns foram libertos do fogo e da boca de leões pela fé; outros, pela fé, foram mortos  e serrados ao meio. Uns seguem lutando na terra. Outros permanecem celebrando no céu.

·        Justo Gonzáles com razão diz que essa idéia – de que, se Deus não nos dá o que pedimos, é porque nos falta fé – pode provocar conseqüências desastrosas (Dn 3:16,17-18).
1.1)         A intenção de prender Pedro era obter favores políticos. Herodes prendeu Pedro com a intenção de matá-lo após os sete dias da Festa da Páscoa, com o único objetivo de agradar os judeus. A intenção desse julgamento era buscar popularidade e não justiça.

1.2)         A intenção de matar Pedro após a Páscoa era evitar tumultos (Atos 12.4). Pedro era o grande líder da igreja naquele momento. Foi Pedro quem pregou no Pentecostes levando a igreja saltar de 120 para três mil pessoas. Foi Pedro quem orou pelo paralitico na porta do templo. Foi Pedro quem fez o segundo sermão, levando a igreja saltar de três mil para cinco mil pessoas. Foi Pedro quem desmascarou Ananias e Safira. Foi Pedro quem ressuscitou Dorcas e abriu a porta do evangelho para os gentios, pregando a Cornélio. Herodes Agripa queria dar um golpe mortal na igreja matando seus principais líderes.

1.3)         A intenção de colocar Pedro na prisão de segurança máxima era evitar sua fuga (Atos 12.4). Pedro foi lançado no cárcere, algemado a dois soldados, um de cada lado, e guardado por quatro escoltas, de quatro soldados cada uma. Havia dezesseis soldados tomando conta de Pedro dia e noite. Na mente de Herodes era impossível Pedro fugir daquela prisão. Herodes sabia que Pedro já havia espaçado duas vezes da prisão do Sinédrio (Atos 4.3; 5.18).

2)    A oração da igreja em favor de Pedro (Atos 12.5). 


“O anjo chamou Pedro na prisão, mas foi a oração que foi buscar o anjo”. Thomas Watson.   As orações e lágrimas são os braços da igreja. É com isso que ela luta contra os inimigos e a favor dos amigos.

·        A quem a igreja dirigia a oração (Atos 12.5). Os cristãos dirigiam seu clamor a Deus, o soberano Senhor. Orar é falar com aquele que está no trono, que tem poder, autoridade e controle sobre todas as coisas. Orar é associar-se ao mais forte. É conectar o altar ao trono.

·        Quem são aqueles que oram (Atos 12.5). A igreja estava reunida para orar. Havia um grupo de irmãos na casa da mãe de João Marcos clamando a Deus em favor de Pedro. As circunstâncias eram humanamente impossíveis, mas eles oraram. UMA IGREJA UNIDA EM ORAÇÃO PODE MOVER OS CÉUS, ABALAR O INFERNO E PROVOCAR GRANDES MUDANÇAS NA TERRA. UMA VEZ QUE NADA É IMPOSSIVEL PARA DEUS, NADA É IMPOSSIVEL PARA A IGREJA QUANDO ELA SE REUNE PARA ORAR.

·        Por quem eles oram (Atos 12.5). Os crentes oram por Pedro, seu líder. Oram quando ele já está sentenciado à morte. Oram quando os recursos da terra já se acabaram. No próximo dia Pedro seria executado, depois de sete dias preso. Oram quando todos se desesperam. Oram quando, do ponto de vista humano, só um milagre pode livrar o apostolo da morte. Devemos orar pelas causas perdidas. Devemos orar pelas causas insolúveis. Devemos orar pelas intervenções milagrosas.

·        Como eles oram (Atos 12.5). Os cristãos oram de forma incessante. Eles não desistem, não duvidam, não se cansam, nem se fatigam. Permanecem bombardeando os céus, agarrados a Deus como Jacó. E com esse senso de urgência e perseverança que devemos orar. A palavra usada em Atos 12.5 é ektenos, que significa “incessante, com fervor”. É a mesma palavra usada para descrever a agonia de Jesus no Getsêmani (Lc 22.44).

3)    O livramento milagroso de Pedro (Atos 12.6-17). 


Pedro já estava na prisão havia sete dias. Eram os dias da Festa da Páscoa. Durante todo esse tempo a igreja permaneceu em oração, e Pedro permaneceu sereno, exatamente naquela que seria a última noite de sua vida. Ele sabia que seria sentenciado à morte no dia seguinte. Mas Pedro não de desesperou. Apenas dormiu. “É lindo o fato de Paulo cantar hinos, enquanto Pedro, aqui, dorme”. Crisóstomo.

·        Seu livramento foi na última hora (Atos 12.6). Foi da vontade de Deus de livrar Pedro na última hora. Deus enviou seu anjo na última vigília da noite. Pedro estava preparado para morrer, mas Deus, na última hora, estende seu braço forte, envia seu anjo e tira Pedro do cárcere (Sl 30.5; Ex 14.13-15; Dn 3.24,25; Atos 16.26).

·        Seu livramento foi resultado da interação da providencia natural e sobrenatural de Deus. A igreja ora e o anjo age. Há uma ligação entre os joelhos dobrados e o braço de Deus estendido. Somente Deus pode fazer o extraordinário, mas seu povo deve fazer o ordinário. O anjo abriu as algemas de Pedro, tapou os olhos dos guardas, guio-o por entre as quatro escoltas sem ser visto e abriu automaticamente o portão de ferro que dava para a rua.


·        Seu livramento foi uma surpresa para a igreja (Atos 12.12-17). Pedro sabia que a igreja estava orando em seu favor e foi para lá imediatamente. Foi para encorajá-los. Foi pra mostrar-lhes como Deus ouve o clamor do seu povo. A resposta às orações, porém, foi tão rápida e tão eficaz, que a igreja quase não acreditou no milagre operado por Deus (Ef 3.21).