terça-feira, 20 de maio de 2014

O DNA DA IGREJA (1 Corintios 6.9-11) 


Introdução: o Apóstolo Paulo e seus “santos”. 

As cartas do apóstolo Paulo destinadas à igreja de Corinto está cheia de exortações e repreensões devido a problemas como divisões, fofocas, adultérios, incestos, litígios entre pessoas, atitudes de preconceitos entre ricos e pobres, entre outras coisas. 

Os membros da igreja de Corinto são chamados de “santos”! Como poderia ele chamar de “santos” grupos formados por pessoas tão problemáticas e que carregavam em seus currículos erros e pecados tão grotescos? 

A resposta está na expressão que normalmente ele chama os cristãos de “santos em Jesus Cristo” (1 Coríntios 1:2: “...aos santificados em Jesus Cristo...”). A não percepção ou compreensão deste segredo tem levado muitas pessoas a enxergarem a igreja de uma forma crítica e severa. Porque essas pessoas colocam em dúvida a validade da igreja enquanto comunidade dos discípulos de Jesus, por causa da qualidade de vida de algumas pessoas que nela se agregam.

Exemplo, Friedrich Nietzche, disse: “Eu creria na sua salvação se eles (os cristãos) se parecessem um pouco mais com pessoas que foram salvas”. Mahatma Gandhi: “Não tenho dificuldade com a pessoa de Jesus. Minha dificuldade reside no abismo facilmente observado entre a pessoa e ensinamentos de Jesus e o estilo de vida daqueles que se afirmam seus seguidores”. 

O escritor americano Philip Yancey, chegou após uma longa jornada de dúvida e criticas em relação à igreja: “Rejeitei a igreja durante algum tempo porque encontrei bem pouca graça ali. Voltei porque não descobri graça em nenhum lugar”.  E continua: “O processo me ensinou que o segredo para encontrar a igreja certa está dentro de mim. Tem a ver com o meu modo de olhar a igreja”. 

Portanto, se observamos a matéria prima usada por Deus para fazer, a partir dela, o seu povo, compreenderíamos que o propósito  principal de Deus, através da igreja , NÃO É CRIAR UM GRUPO DE PESSOAS QUE PROPAGUEM E DIVULGUEM SUAS VIRTUDES ENQUANTO INDIVIDUOS, MAS SIM AS VIRTUDES DE DEUS EM AMÁ-LAS, PERDOÁ-LAS E RESTAURÁ-LAS ATRAVÉS DA OBRA DE JESUS CRISTO. 

1)    Uma má noticia!
“vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixe enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus”.

Somos levados a concluir que Paulo nos apresenta uma lista de pessoas que, devido à natureza de seus erros, já estão pré-condenadas por Deus e pré-cozidas para o inferno. Não existe nem mesmo apelação! Vocês perversos, imorais, idólatras, adúlteros, homossexuais, avarentos, alcoólatras, caluniadores e trapaceiros, não tem mais qualquer chance. Desculpe-me, mas regras são regras! 

2)    Uma boa notícia! (v.11).
Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus. 

“Assim foram alguns de vocês”. Paulo afirma que alguns daqueles que estão assentados nos bancos da igreja de Corinto são ex-perversos, ex-imorais, ex-idólatras, ex-homossexuais, ex-ladrões, ex-avarentos, ex-alcólatras, ex-caluniadores, ex-trapaceiros. Você já imaginou estar sentado aos domingos no meio de uma turma como este currículo? 

1.1)                    Três noticias.
·        A primeira noticia é que você, quando assentado num dos bancos de uma igreja, encontra-se sim sentado no meio de um bando de ex-perversos, ex-imorais, ex-idólatras, ex-homossexuais, ex-ladrões, ex-avarentos, ex-alcólatras, ex-caluniadores, ex-trapaceiros. Cada uma delas é, no Maximo, um “ex”.

·        A segunda noticia, ainda mais chocante, é que eu e voces somos um deles. Nós não gostamos de sermos confrontados pelo nosso passado, mas cada um de nós, em sua própria fraqueza, carrega umas destas marcas de  ex-perversos, ex-imorais, ex-idólatras, ex-homossexuais, ex-ladrões, ex-avarentos, ex-alcólatras, ex-caluniadores, ex-trapaceiros, entre outros tantos “ex” que poderiam nos caracterizar. “O que nos qualifica para estarmos sentados em um banco da igreja, certamente, não é o nosso currículo anterior.  Quem pensa o contrário, não compreendeu ainda a essência do Evangelho de Deus”.

·        A terceira noticia, e talvez a mais chocante e complicada de todas, é que alguns daqueles que estão sentados domingo após domingo nos bancos de nossas igrejas não são tão “ex” como deveriam ou com parecem ser. Outros, até são, mas vivem tendo recaídas.

“Ao estabelecer que o padrão de aceitação para pertencer ao grupo seria  a graça (Efesios 2.8-10), Deus transforma a igreja numa comunidade de gente que traz profundas marcas em seu passado, grandes lutas no presente e a esperança de redenção de sua vidas e histórias no futuro. No entanto, esta esperança não faz deles gente acabada, mas ainda em obras”.

Quem foi Abraão? Um homem capaz de entregar sua própria esposa para um outro homem por medo de morrer? Quem foi Jacó? Um homem que passou a vida enganando todos que lhe cercavam? Quem foi Davi? Um rei com talento para musica e poesia, mas um péssimo pai para seus filhos! GENTE LIMITADA, IMPERFEITA E FALHA. POR ISSO, AO LERMOS A HISTÓRIA DE SUAS VIDAS, O QUE NOS SALTA AOS OLHOS NÃO É: QUÃO VIRTUOSOS ELES ERAM. MAS, QUÃO GRACIOSOS DEUS FOI PARA COM ELES.

3)    Uma excelente notícia!
“Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus”.
·        Os três verbos assinalados tem em comum o fato de estarem na voz passiva. O agente da ação não somos nós, mas Deus. Nós somos apenas objetos da ação: é Deus quem nos lavou, é Ele quem nos santifica e é Ele também quem nos justificou. Os verbos ressaltam o contraste entre o passado (o que éramos) e o presente (o que somos em Cristo).

·        “Foram lavados”: o primeiro verbo era usado para se referir ao ato de pegar determinados utensílios, objetos, roupas, sujos pela utilização intensa ou indevida, para lavá-los com água corrente (Ap 7.9,13-14).

“no nosso passado podem existir marcar de erros cometidos e de desliza ocorridos. Estas marcas nos relembram desde nossos erros mais tolos até os mais grotescos. No entanto, quando nos aproximamos de Deus, crendo no que Ele fez por nós naquela cruz, somos lavados completamente”.

·        “Fomos santificados”: No Antigo Testamento as peças do tabernáculo tinham uma utilização especifica: o serviço a Deus. Quando dedicadas para este fim, aquelas peças eram santificadas, ou seja, separadas para o uso exclusivo do serviço à Deus. O que faz de nós pessoas especiais não é a nossa essência, mas o fato de estarmos engajados neste processo.

·        Fomos justificados. “justificar”, tem sua origem no mundo judaico. Quando alguém cometia um deslize contrariando a lei, passava a ter uma pendência para com a justiça. Quando este alguém cumpria a pena determinada ou pagava pelo dano causado à outro, ele era tido como justificado. O que Deus fez? Enviou Jesus para com sua vida e morte na cruz “pagar” nossa divida.



terça-feira, 13 de maio de 2014



A necessidade da disciplina na igreja. 1 Corintios 5:1-13.



·        Corinto abrigava um porto marítimo obcecado por sexo. Seria muito difícil que um coríntio convertido não fosse contaminado, direta ou indiretamente, por algum tipo de imoralidade sexual.
·        Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade, e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios...O vocábulo grego é porneia, que significa literalmente procurar prostitutas. É qualquer comportamento sexual que transgride a norma cristã, isto é, todo relacionamento sexual pré-marital ou extraconjugal, incluindo todas as violações do sétimo mandamento (Dt 5:18, 21).

1)    A necessidade de disciplina.
·        A disciplina pode ser resumida em uma simples sentença: Para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou.  O homem deve ser retirado, do meio da comunidade de fé e adoração. Proibir de participar da santa ceia do Senhor e das atividades da igreja.  Objetivo, para o bem, tanto do individuo, quanto da comunidade cristã.

1.1) A disciplina é necessária para o bem do individuo (3-5).
·        A necessidade da disciplina individual resume-se melhor na frase: a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus (v.5). Visando a salvação do homem. Três idéias: 1) a autoridade total do Senhor Jesus como Senhor; 2) a presença corporativa de toda a comunidade cristã em Corinto ( não podemos fechar os olhos para os erros);  3) e o controle soberano do Senhor sobre tudo o que Satanás tem permissão para fazer, mesmo a um cristão rebelde.

·        O pior que Satanás, o “adversário” de Deus e do homem, pode fazer está totalmente sob o controle, sob a autoridade de Cristo através da igreja (Mt 18:18; 1 Tm 1:20). No caso de Jô (Jô 12:5), ele foi entregue a Satanás para ser afligido “nos ossos e na carne”. Paulo também fala de seu “espinho na carne” como sendo “um mensageiro de Satanás” ( Co 12:7). Ambos estavam sendo provados por Deus, ressalva.

·        Disciplina, vulnerabilidade. É o mesmo que ser largado, indefeso e desamparado, no território ocupado pelo inimigo. O choque profundo de tal experiência pode produzir algo semelhante a um ataque cardíaco. Se não haver disciplina, ficará sujeito a degenerar-se em um apóstata completo, que acabará esmagando o Filho de Deus (Hb 6:4-6).

1.2) A disciplina é necessária par ao bem da comunidade dos cristãos (6-8).
·        Não é boa a vossa jactância(v.6). Um dos aspectos da guarda da Páscoa era a solene busca de destruição de todo o fermento, antes da festa começar (durante sete dias só se podia comer sem fermento). Fazia-se a remoção de todo o fermento antes que a vitima da Páscoa fosse oferecida no templo.
·        Um pecador persistente, pego em flagrante, que continua sendo aceito sem disciplina dentro da comunidade cristã, mancha todo o corpo. Tal como os judeus celebravam a libertação rejeitando o fermento, os cristãos devem celebrar continuamente a libertação do pecado sem nenhum compromisso com o pecado. Caso contrario, toda vida em comunidade cristã se transforma em uma farsa, cheia de insinceridade e hipocrisia.

CONCLUSÃO: 1 Corintios 5:9-13.
·        O pecado da fornicação é um pecado contra o próprio ser do homem. Ao cair, ele se reduziu ao nível de um animal, pecou contra a luz que está nele e contra o melhor que conhece. Permitiu que sua natureza inferior derrote e o mais elevado de si mesmo e se converteu em algo menos que um homem.
·        O pecado da avareza. Considera os seres humanos como pessoas que podem ser exploradas, em lugar de vê-los como irmãos que devem ser ajudados (Amós 4.1).
·        O pecado da idolatria é contra Deus. Permitem que os objetos usurpem o lugar de Deus. É não dar a Deus o primeiro e único lugar na vida.

terça-feira, 6 de maio de 2014

A pedra removida e a comissão universal (Mc 16.1-20).



As mulheres se enfrentavam com três dificuldades. A pedra em si mesma era gigantesca; estava selada com o selo da lei e era custodiada pelos representantes da autoridade.

Diante da humanidade se apresentavam as mesmas três dificuldades. A morte mesma era uma pedra gigantesca que não podia ser removida por nenhuma força conhecida para os mortais: a morte era evidentemente enviada por Deus como um castigo pelas ofensas contra Sua lei. Portanto, como poderia ser apartada, como poderia ser removida? O selo vermelho da vingança de Deus estava posto à entrada do sepulcro. Como o selo poderia ser anulado? Quem poderia rodar a pedra? Ademais, as forças do demônio e os poderes do inferno guardavam o sepulcro para impedir qualquer fuga; quem poderia enfrentar-se com elas e levar as almas dos mortos, arrancadas como uma presa de entre a boca do leão?
“Quem?”, e o eco respondia: “Quem?” Nenhuma resposta foi dada a sábios nem reis, mas as mulheres que amavam ao Salvador receberam a resposta. Chegaram ao sepulcro de Cristo, mas esse estava vazio, pois Jesus havia ressuscitado.
A história da Páscoa não termina com um funeral, mas, sim, com uma festa. O túmulo vazio de Cristo foi o berço da Igreja. Sem a ressurreição de Jesus não haveria nem cristianismo nem Igreja, pois ela é o coração da nossa fé. O cristianismo é acima de tudo a religião da ressurreição. A Igreja é primariamente chamada a comunidade da ressurreição.

1)    Primeiro dia da semana (vss. 1 e 2);
·        É digno observar que as mulheres vão ao sepulcro no primeiro dia da semana (16.2). Jesus levantou-se da morte no primeiro dia da semana (16.6). Ele derramou o seu Espírito no Pentecostes no primeiro dia da semana (At 2.1-4). No primeiro dia da semana a Igreja passou a reunir-se para a comunhão (At 20.7) e para fazer suas ofertas (1Co 16.2). João viu o Cristo glorificado na Ilha de Patmos no primeiro dia da semana (Ap 1.10). O primeiro dia da semana tornou-se o dia da celebração do povo de Deus, a celebração da vitória sobre a morte.

2)    Uma preocupação desnecessária (16.3-4).
·        As mulheres, enquanto caminham para o túmulo de Jesus, se desgastam com uma preocupação desnecessária: “Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?” O anjo não removeu a pedra para deixar o Senhor sair, mas para demonstrar que Ele já não estava mais no sepulcro. A porta foi removida não de fora para dentro, mas de dentro para fora.

·        A preocupação tem a capacidade de roubar nossas energias e tirar os nossos olhos do foco. As mulheres bem como os discípulos não discerniram as palavras de Jesus, quando este, várias vezes, falou sobre sua ressurreição. A falta de compreensão da Palavra de Deus gera em nós preocupação.

3)    Um fato incontroverso (16.5-7).
·        Em primeiro lugar, a pedra removida (16.4). A pedra removida deve ser considerada a porta do sepulcro removida. A casa da morte estava fortemente guardada por uma grande pedra e pelo sinete de Pilatos. A pedra foi removida e Cristo saiu vivo, vitorioso e triunfante. Você pode visitar o túmulo de Buda, Confúcio, Maomé e Alan Kardec, mas o túmulo de Jesus está vazio. O apóstolo Paulo diz que se Cristo não ressuscitou é vã a nossa pregação; é vã a nossa fé (1Co 15.14-19).

·        Em segundo lugar, o testemunho angelical (16.5,6). O anjo vestido de branco está assentado ao lado direito do túmulo. Mateus nos informa que está assentado na própria pedra removida do túmulo. Enquanto os guardas estão desmaiados, o anjo está sobranceiro proclamando que Jesus não está mais no túmulo.

·        Em terceiro lugar, o túmulo vazio (16.6). “Vede o lugar onde o tinham posto”. As mulheres entraram no túmulo e viram o lugar vazio (16.6). Mateus diz que Pedro ao ser informado sobre a ressurreição de Cristo correu ao sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu, senão os lençóis de linho; e retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido (Lc 24.12).

4)    Uma mensagem consoladora (16.7).
·        Em primeiro lugar, o Cristo ressurreto é o Deus da restauração (16.7). Os mesmos discípulos que prometeram fidelidade até à morte (14.31) e fugiram (14.50), são alvos do cuidado restaurador de Jesus (16.7). Ele como o bom, o grande e o supremo pastor busca as ovelhas desviadas para restaurá-las.

·        Em segundo lugar, o Cristo ressurreto é o Deus que vai à nossa frente (16.7). Não precisamos temer o futuro, porque aquele que morreu e venceu a morte por nós vai à nossa frente. Ser cristão é seguir as pegadas do Cristo ressurreto que vai à nossa frente. Ser cristão é estar a caminho. O cristianismo é a religião do Caminho e Cristo é esse caminho.

·        Em terceiro lugar, o Cristo ressurreto é aquele que nos enche de espanto e santo temor (16.8). Marcos apresenta a complexidade de emoções manifestadas pelas mulheres com: tromos (tremendo); ekstasis (atônitas); phobeo (temer) e exethambethesan (alarmadas). Imediatamente, após o espanto, elas com grande alegria correram para comunicar a mensagem da ressurreição aos discípulos (Mt 28.8). Lucas registra: “E, voltando do túmulo, anunciaram todas estas cousas aos onze e a todos os mais que com eles estavam” (Lc 24.9).

5)    Uma comissão universal (16.15-20).
·        Em primeiro lugar, a boa nova é o próprio Jesus (16.15). As boas-novas (euangelion) é uma das palavras favoritas de Marcos. Ele a usa sete vezes (1.1,14,15; 8.35; 10.29; 13.10; 14.9). Para Marcos, a história de Jesus é a boa nova a ser proclamada. O evangelho é a mensagem de que Deus está agindo por meio de Jesus, seu Filho, trazendo libertação ao cativo, quebrando o poder do diabo, do pecado e da morte.

·        Em segundo lugar, a boa nova de Jesus precisa ser pregada (16.15). O verbo pregar é outra palavra favorita de Marcos. Ela é encontrada quatorze vezes nesse evangelho, enquanto só aparece nove vezes em Mateus e Lucas. Jesus chamou seus discípulos para pregar (3.14) e os enviou a pregar (6.12). Agora, Jesus ordena seus discípulos a pregar em todo o mundo.

·        Em terceiro lugar, a boa nova de Jesus precisa ser recebida (16.16). O evangelho somente é experimentado como boas-novas quando é recebido e crido. A Palavra de Deus é como espada de dois gumes, ao mesmo tempo em que traz vida, também sentencia com a morte. A Igreja é perfume de vida e também de morte, pois ninguém pode ficar neutro diante da mensagem do evangelho que ela proclama. Aos que recebem a mensagem, a Igreja é cheiro de vida para a vida, porém, àqueles que rejeitam as boas-novas, ela é cheiro de morte para a morte.

·        Em quarto lugar, a boa nova de Jesus precisa ser confirmada (16.17,18). A grande ênfase de Marcos é que quando a Igreja proclama a mensagem de Deus, o próprio Deus confirma essa mensagem com a manifestação do seu poder (1Co 2.4; 1Ts 1.5), transformando vidas, atraindo as pessoas irresistivelmente pelo seu poder sobrenatural. A Igreja é chamada para ser um sinal do Cristo vivo e ressurreto no mundo.

Conclusão:
·        Cristo é coroado à destra de Deus Pai (16.19). Sua obra foi consumada. Seu sacrifício foi aceito. Ele que se humilhou foi exaltado sobremaneira (Fp 2.8-11).


·        a Igreja em parceria com o Senhor realiza sua obra (16.20). Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperou com eles confirmando a palavra por meio de sinais. A pregação do evangelho foi realizada com palavra e poder.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A raposa, o Funeral e o Arado (Lucas 9:57-62).




“Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas tem seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

A outro disse Jesus: Segue-me. Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus.

Outro lhe disse: Seguir-tei-ei, Senhor mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado olha para trás, e apto para o reino de Deus”.

1)    1) A raposa 

·        O primeiro é atraído para se juntar a comunidade de discípulos. Ninguém o está recrutando. No entanto, ele não entende que “seguir” significa Getsêmane, e Gólgota, sepulcro. A idéia de seguir um filho do homem rejeitado, ocorreria como choque dissonante para qualquer judeu do século I.  O leitor de Lucas já foi informado de que “é necessário que o Filho do homem sofra” (Lc 9:22).

·        A idéia não é apenas: “Voce também pode vir a sofrer privações; já pensou nisto?” mas também: “Sejam quais forem os seus motivos, tenha em mente que você está se oferecendo para seguir um líder rejeitado. Os animais sempre, no caso, as aves tem algum lugar para descansar, mas o Filho do homem não tem nenhum.

·        As “aves dos céus” referiam-se às nações gentílicas. Enquanto que a “raposa” era símbolo dos amonitas que era um povo racialmente apararentado, mas politicamente inimigo de Israel. Ou seja, as aves dos céus – os senhores romanos -, e as raposas – os intrusos idumeus (Herodes), tornaram sua posição segura. O verdadeiro discípulo é deserdado por eles.

·        Ou seja, Jesus estava afirmando: “Olhem se vocês querem poder e influencia, vão para as “aves” que “revestem de penas os seus ninhos por toda parte”. Sigam a “raposa”, que dirige os seus negócios com muita astucia. É serio que vocês querem seguir um Filho do homem rejeitado? O VOLUNTÁRIO NÃO RESPONDE...

2)    O funeral 

·        “Deixa-me ir sepultar” significa: deixa-me ir e servir meu pai enquanto ele é vivo; depois que ele morrer, eu o sepultarei e virei”. Este discípulo está olhando para o futuro distante, pois adia a sua decisão de seguir a Jesus para um tempo posterior à morte do seu pai.

·        A frase “enterrar o pai” é expressão idiomática tradicional que se refere especificamente aos deveres do filho de ficar em casa e cuidar de seus pais até que eles jazam em paz, para descansar com todo o respeito.

·        A recruta está dizendo: a minha comunidade me faz certas exigências, e a força dessas exigências é muito grande. Certamente o senhor não espera que eu frustre as expectativas da minha comunidade, não é? Sim, é isso, responde Jesus.

3)    O arado 
·        Certamente lhe será permitido ir até em casa e dizer adeus! Eliseu, quando chamado para seguir Elias, pediu tempo para “beijar a meu pai e a minha mãe” (1 Rs 19.20). A sua solicitação lhe foi concedida, e ele teve tempo até para matar e assar uma parelha de bois.

·        A palavra grega tradicionalmente traduzida como “dizer adeus” é apotassó. Pode significar “dizer adeus” ou “partir de”. Ocorre quatro vezes no Novo Testamento: Mc 6:46: “Tendo-os despedido, subiu ao monte...”; Atos 18:18: “Mas Paulo... despedindo-se dos irmãos...”; Atos 18.21: “Mas, despedindo-se disse:”; II Co 2.13: “não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles...”. Só em Lucas 9.60 encontramos o mesmo verbo grego traduzido como “dizer adeus”.

·        A pessoa que está indo embora precisa pedir permissão para aqueles que estão ficando. As pessoas que ficam podem “dizer adeus” para os que estão indo embora. A pessoa que sai pede permissão para ir. Ela diz: “Com sua permissão?” Os que ficam então respondem: “que você possa ir em segurança”.

·        A idéia é que o voluntário está pedindo o direito de ir para casa e obter permissão dos “de casa” (isto é, seus pais). Todas as pessoas que ouviram o diálogo sabiam que naturalmente o seu pai iria recusar-se a permitir que o seu filho saísse a vaguear em um empreendimento duvidoso. Desta forma, a desculpa do voluntário é apresentada propositalmente.

·        O discípulo está dizendo: “Vou te seguir, Senhor, mas é claro que a autoridade de meu pai é maior do que a Tua, e eu preciso ter a permissão dele antes de me aventurar pelo mundo contigo”.  O que aprendemos é que Jesus estava reivindicando uma autoridade superior à do pai  desse rapaz!~

·        O que fazer? Aceitação ou rejeição!?!


Conclusão: 

“Ninguém que põe a sua mão no arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus”.  Quem quiser seguir a Jesus precisa estar resolvido a quebrar todos os laços com o passado, e fixar os olhos apenas no Reino vindouro de Deus. 


Bibliografia: As parabolas de Lucas - Kenneth E. Bayley - Vida Nova.