terça-feira, 3 de novembro de 2026

 O significado do casamento Ef 5.21-33 

Introdução

Há uma ordem do apostolo Paulo em Efésios: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.21). Esse é um princípio bíblico, embora a sociedade esteja caótica (movimento feministas), o número de divórcios tem aumentado, os papéis foram invertidos. No grego, esse versículo é a última frase de um relato longo no qual o apostolo Paulo descreve diversas qualidades de uma pessoa cheia do Espírito Santo. “Não se embriaguem com vinho...em vez disso, sejam cheios do Espirito Santo”. O ato de sujeitar, significa que a pessoa é cheia do Espírito Santo. Essa admoestação está no modo imperativo, “Seja cheio do Espirito Santo”. 

1)     Cheios do Espírito Santo

Para muitos “sujeitar-se”, e quase todas as versões usam a mesma palavra: “sujeitem-se”, “sujeitando-vos”, é uma questão controversa do papel do homem e da mulher no casamento. Pois “sujeitar”, para muitas, está ligado a uma submissão cega da mulher ao marido. Mas, para o apostolo Paulo ensina que somente ao aprender a servir aos outros pelo poder do Espírito Santo é que você terá poder para encarar os desafios do casamento. Ou seja, ato de sujeitar-se tem que estar embasado no poder do Espírito Santo em nós.

Jesus considerou esse ensinamento tão importante que se dedicou um tempo maior antes de sua morte. Ser cheio do Espírito Santo  é ter o “Espírito da verdade que vos fará lembrar de tudo o que eu vos tenho dito” (Jo 17.26). Jesus disse: “O Espírito da verdade” que vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”. E, mais: “Ele (O Espírito) me glorificará, pois receberá do que é meu e o anunciará a vós” (Jo 16.14). Aqui, o termo “anunciar” fala de uma grande proclamação de grande importância, que prende a atenção. 

Portanto, cabe ao Espírito Santo, revelar a nós o significado da pessoa e da obra de Jesus de modo que sua glória, isto é, sua importância e beleza infinitas chegue à mente e ao coração deles. Esse é o papel do Espírito Santo revelar Jesus, glorificar Jesus, fazer com que sua mensagem seja colocada em nossos corações.

Ser “cheio do Espirito Santo” significa ter uma vida de alegria, por vezes moderada, por vezes intensa. Paulo diz: “Falando entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando ao Senhor no coração, e sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5.19-20). Há uma necessidade de reabastecer constamente nossa vida espiritual. Logo, depois de falar da vida cheia do Espirito Santo, o apostolo Paulo se volta para o casamento e mostra a ligação estreita entre a união conjugal e a vida no Espírito. 

2)    Sujeitem-se uns aos outros

Em Efésios 5.22-24, o apostolo Paulo faz a declaração de que as mulheres devem ser submissas aos maridos. Logo, em seguida, porém, ele diz aos maridos que devem amar as esposas como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela (Ef 5.25). De um lado, a mulher deve submissão ao marido, do outro lado, o homem deve amar a sua esposa. Quer sejamos maridos ou mulher, não devemos viver para nós mesmos, mas para o outro. Esse é o proposito mais importante do casamento. 

Sujeitar vem do vocábulo militar e, em grego, indicava um soldado que se sujeitava a um oficial. Afinal, quando alguém ingressa nas forças armadas, perde o controle de sua agenda, de quando tira folga, do horário das refeições, e até mesmo daquilo que come. A fim de fazer parte de um todo, de uma unidade maior, é necessário renunciar a sua independência. É preciso renunciar ao direito de tomar decisões de forma unilateral.

O que ele está dizendo é que a mulher é diferente, que ela é complemento do homem. O que ele proíbe é que a mulher procure ser máscula, isto é, que a mulher procure se comportar como homem, ou que procure usurpar o lugar, a posição e o poder que foram dados por Deus ao varão.

E, mais, em outro lugar, o apostolo Paulo diz que não devemos agradar a nós mesmos. Antes “cada um deve agradar o próximo, visando o que é bom para edificação dele. Porque também Cristo não agradou a si mesmo” (Rm 15.2-3). O apostolo chega a instruir os cristãos a serem Douloi dos outros (Gl 5.13), literalmente escravos. Como assim, escravos? O apostolo não está afirmando que devemos nos relacionar uns com os outros de todas as maneiras que um escravo se relacionava com seu senhor nos tempos antigos. 

Antes, está dizendo que o servo, ou escravo, coloca as necessidades de outra pessoa antes de sua. Se todos os cristãos devem servir uns aos outros dessa maneira, sem dúvida a mesma atitude deve ser mais deliberada e intensa na relação entre marido e esposa. Embora o apostolo Paulo afirma: “que o marido é a cabeça” da mulher, mas ele deve servir um ao outro e se entregar um pelo outro.

Diante do exposto, temos algumas atitudes, algumas ações que movem o casamento de muitas pessoas. A primeira é quando você pode se oferecer para seguir ao outro com alegria, dedicação; a segunda, é quando você pode fazer essa mesma oferta com frieza ou ressentimento; e terceiro, ou você pode insistir de modo egoísta em fazer sua própria vontade. Mas, o casamento só pode crescer e desenvolver quando os dois costumam adotar o modo deliberado de um ser ao outro com alegria.

3)     Egocentrismo 

Mas, infelizmente, muitos preferem ficar na frieza ou no modo egoísta; não quer abrir de sua posição. Aliás, o egocentrismo, tem o poder de destruir muitos casamentos, e mais, é impossível um casamento sobreviver, existir com o ego inflamado. O egocentrismo caminha na sina do Diabo, pois essa conta não fecha. O egocentrismo é um câncer no cerne da relação conjugal e precisa ser tratado, diagnosticado. O apostolo Paulo define o que é amor, que contrapõe o egocentrismo: “O amor é paciente, o amor é benigno. Não é invejoso; não se vangloria, não se orgulha, não se porta com indecência, não busca os próprios interesses, não se enfurece, não guarda ressentimento do mal” (1 Co 13.4-5).

Inversamente ao que o apostolo Paulo falou sobre o amor, podemos diagnosticar o egocentrismo na relação conjugal: o ego é impaciente, o ego é facilmente irritável, não quer ver o bem do outro,  falta de graça, perdão,  falta de bondade no falar, pensamentos invejosos, e apegos à ofensas e mágoas causadas por outros no passado. Tudo isso, causa desintegração conjugal.  E, mais, o egocentrismo, torna a pessoa cega para a sua preocupação consigo mesma, hipersensível e indignada. 

Por isso que precisamos da ajuda do Espirito Santo, por isso que precisamos abastecer o tanque de nossa alma na graça do nosso Deus. Infelizmente, quando estamos no processo de desintegração conjugal, procuramos fugir da presença de Deus. Aliás, pensamos que vamos conseguir fugir de Deus! Mas, por mais que fujamos, por mais que tomemos decisões impensadas, inconsequentes, no final de tudo, Deus estará lá para nos ajudar, para nos reabastecer com sua graça e bondade.

Depois de reabastecido do amor de Deus, há quem pergunte: “Se eu colocar a felicidade do meu esposo (a) antes de minhas próprias necessidades, o que vou ganhar com isso? A resposta é: felicidade, sim, felicidade! É o que você vai ganhar. Trata-se, porém, de uma felicidade resultante de servir aos outros, não de usá-los, como acontece no amor egoísta, egocêntrico. É a alegria que nasce de dar alegria, de amar a outra pessoa de uma forma que custa algo a você.

Como o Pai, o Filho e o Espirito Santo, o Deus triúno, desde a eternidade, cada Pessoa, glorifica, honra e ama as outras duas. Portanto, até mesmo dentro do ser de Deus, a relação é voltada para o outro. Quando Jesus Cristo foi para cruz, se sacrificou, estava simplesmente agindo de acordo com esse fato.

Conclusão: Confrontando nosso egocentrismo

De acordo com a Biblia a essência do pecado reside em vivermos para nós mesmos, e não para Deus e para as pessoas ao nosso redor. Por isso Jesus pode resumir a lei, isto é, toda vontade de Deus, em dois grande mandamentos: amem a Deus e vivam para ele em vem de viveram para si mesmos, e amem os outros e considerem as necessidades deles antes das suas (Mt 22.37-40).