Chamados de cristãos At 11.19-30
Introdução
O que é ser cristão nos dias de hoje? Nos definimos não mais como seguidores de Cristo, mas estamos sob uma placa denominacional. Sou da igreja do “Ultimo dia”, sou da igreja “Juizo final”, etc, sim, nos identificamos em uma “denominação”, não como seguidor de Cristo. Os cristãos tinham um simbolo que era o peixe, que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. Mas, será que temos sido um representante de Cristo onde estamos? É isso que vamos estudar nessa noite.
A perseguição iniciada com a morte de Estevão, ao invés de
acovardar os discípulos, espalhou os discípulos. A perseguição faz com a igreja
aquilo que o vento faz com a semente, espalhando-a e aumentando a colheita. Os
discípulos saíram pregando a Palavra de Deus “...caminharam até à Fenícia,
Chipre e Antioquia...” (At 11.19). O mandato de Jesus em Atos 1.8, está
sendo concretizado: Jerusalém, Judéia, Samaria, agora subindo mais ao norte de
Israel, Fenícia; depois saem do continente e vão para a ilha de Chipre, terra
natal de Barnabé. Por fim, chegam em Antioquia.
1)
Antioquia
Antioquia era uma cidade com quinhentos mil habitantes, era a terceira maior cidade do Império Romano, depois de Roma e Alexandria. Era uma cidade bela com construções grandiosas, sua rua principal tinha mais de 7 quilômetros de extensão, com calçada de mármore e ladeada de colunas. Também era sinônimo de imoralidade e luxuria, infestada de clubes noturnos. Era famosa pelo culto a ninfa Dafne, um templo de imoralidade sexual.
“...alguns dos discípulos que foram de Chipre e Cirene até
Antioquia começaram a anunciar aos gentios as Boas-Novas a respeito do Senhor
Jesus Cristo” (At
11.20). Esses judeus são helenistas, como Estevão e Filipe, e estão espalhando
a semente do evangelho aos gentios. Eles não apresentam Jesus como “Messias”,
mas como “Senhor”. O objetivo é levar os ouvintes a abandonarem os deuses
falsos e voltarem para o único Senhor verdadeiro. Eles adoravam ídolos romanos e gregos e
precisavam conhecer o único Senhor, que é Jesus Cristo.
“E a mão do Senhor era com eles, e um grande numero de
pessoas creu e se converteu ao Senhor” (At 11.21). “A mão do Senhor”, ou “o poder do Senhor” (NTLH)
estava sobre os discípulos. Assim como aconteceu com o apostolo Pedro em
Jerusalém, como aconteceu com Filipe em Samaria, estava acontecendo em
Antioquia, sim, Deus estava fazendo coisas extraordinárias. A partir de agora,
a cidade passou a ser o centro da missão da igreja ao mundo gentio.
“E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia” (At 11.22). Da mesma forma que aconteceu em Samaria, enviado os apóstolos Pedro e João, agora enviaram Barnabé para supervisionar a obra em Antioquia. E o que ele vê? “...viu a graça de Deus, ficou muito alegre”. O que ele fez? “encorajou” (VFL), “incentivou” (NVT), “exortou” (ARC), para que fossem perseverantes e íntegros. O verbo é parakaleo que carrega a ideia de estar ao lado de alguém, coragem, conforto, esperança, perspectiva positiva. É como um incentivador que desafia sem condenar, inspira sem condescender e ajuda o outro a caminhar em direção à excelência.
O texto fala que Barnabé “era homem bom, cheio do Espirito
Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor” (At 11.24). Diante da
personalidade de Barnabé, que era cheio do Espirito Santo e fé “...muita
gente se uniu”. Lucas usou esse verbo duas vezes em relação ao dia de
Pentecoste, primeiro em relação aos três mil que foram acrescentados naquele
dia (At 2.41) e depois em relação aos acréscimos diários subsequentes (At
2.47). Mais tarde, ele descreveu que “mais e mais” homens e mulheres crentes no
Senhor foram acrescidos à igreja (At 5.14), enquanto em Antioquia da Síria,
“muita gente” foi acrescentada (At 11.24).
2)
A
obra não pode parar.
“Depois Barnabé foi a Tarso à procura de Saulo” (At 11.25). O caminho de Antioquia à Tarso era de 150 quilômetros. Mas, Barnabé tinha ciência que Deus havia chamado Saulo para pregar o evangelho aos gentios (At 9.15) e que Saulo pregou com destemor em Damasco (At 9.19) e em Jerusalém (At 9.28). Ele foi mandado para Tarso, porque os judeus queriam mata-lo. Agora, depois de quase 14 anos, Barnabé sabe que Saulo fora preparada para esse momento. Crescera em Tarso, falava o grego, tinha cidadania romana, em sua adolescência estudou aos pés de Gamaliel. E, por fim, foi chamado por Deus para pregar aos gentios.
“Tendo-o achado, levou-o para Antioquia. E, durante um ano
inteiro, reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente. Em Antioquia, os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira
vez” (At 11.26).
um ano de formação ministerial. Os dois, durante um ano, trabalharam juntos,
não apenas evangelizando, mas estabelecendo os crentes como igreja, os crentes
foram ensinados. Nesse tempo, Saulo aprendeu os fundamentos da formação,
organização e estabilização da igreja. Barnabé e Saulo trabalhavam com afinco,
evangelizando, ensinando, pregando o evangelho em todos os lugares de
Antioquia.
“...os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez”. Os seguidores de Jesus eram chamados de “discípulos” (At 6.1), “santos” (At 9.13), “irmãos” (At 1.16), “fiéis” (At 10.45). Agora pela primeira vez os discípulos foram chamados de “cristãos”, isto é, pequenos Cristos. Cristão é alguém que pertence a Cristo, esse nome foi dado pejorativamente, como zombaria, denegrir, escarnio. Mesmo que tivesse esse objetivo de escarnecer os discípulos, ser cristão, significava viver a mensagem de Cristo, viver do jeito que Cristo viveu.
“...naqueles dias, desceram profetas de Jerusalém para Antioquia” (At 11.27). Assim como no Antigo Testamento, os profetas eram porta-vozes humanos que Deus usava para revelar sua vontade. As filhas de Filipe, diácono, eram profetizas (At 21.9). A Bíblia diz que a profecia tem três funções: edificar, exortar e consolar (1 Co 14.3). Um dos profetas “...chamado Ágabo, levantou-se e, pelo poder do Espirito Santo, anunciou: haverá uma grande falta de alimentos no mundo inteiro” (At 11.28). Isso aconteceria na época do governo de Claudio, imperador Romano. Flavio Josefo, historiador, escreveu sobre uma grande fome que oprimiu o povo da Judéia e muitas pessoas morreram por não terem como obter alimento.
Mas a igreja de Antioquia não ficou estacionada diante dessa necessidade “E os discípulos, cada um conforme suas posses, resolveram enviar ajuda aos irmãos que habitavam na Judeia” (At 11.29). A igreja de Antioquia, como as igrejas da Macedônia, recebeu “graça” para contribuir (2 Cr 8.2). Pela graça somos salvos dos pecados, libertados por Cristo e, pela graça, recebemos de Deus o dom de contribuir. A graça é radical! Da mesma forma, como aconteceu no inicio da igreja primitiva em que compartilhava seus recursos com os necessitados (At 2.44-46). Barnabé já deu exemplo de compartilhamento generoso de bens materiais, e ele e Paulo são encarregados de levar a oferta.
Conclusão
Diante do exposto como estamos? Somos como os cristãos
helenistas dispostos a pregar o evangelho numa cultura totalmente tomada pelo pecado?
Se estamos, podemos ter a certeza absoluta que a mão do
Senhor, o poder do Senhor será conosco. Nos capacitando a pregar o evangelho e
realizar sinais e maravilhas.
Diante da obra do Senhor, diante da sua igreja, temos sido
como Barnabé? Encorajador, incentivador, um parakaleo? Ou será que temos atuado
contra o crescimento da obra de Deus?
Será que temos aproveitado os instrumentos que Deus tem
colocado diante de nós? Como Barnabé andando por mais de cento e cinquenta quilômetros
para trazer Saulo em Antioquia.
Será que temos ouvido de Deus suas profecias? Será que temos estendido as mãos para ajudar os necessitados?








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