A conversão de Cornélio – Atos 10
O apostolo Pedro está em seu
ministério apostólico (fazendo missões). Esteve em Samaria, no avivamento
iniciado por Filipe, os samaritanos receberam o batismo com Espírito Santo (At
8.18). Depois, o apostolo viajou para Lida, e lá um paralitico que vivia oito
anos em cima de uma cama, foi curado pelo poder de Jesus. Depois, dois varões
de Jope foram até ele para lhe anunciar a morte de Dorcas; e pelo poder de
Jesus, ela é ressuscitada através do ministério de Pedro. O capítulo nove
termina afirmando que: “Pedro ficou muitos dias em Jope na casa de um curtidor
de peles de animais” (At 9.43). Isso evidencia que o apostolo Pedro está
tirando vendas do seu preconceito religioso, primeiro evangelizando samaritanos
(povo misturado), agora, hospedando na casa de um curtidor de peles de animais,
pois os judeus consideravam impuros.
1)
Visões de Deus
Aos poucos Deus vai abrindo os olhos do apostolo Pedro. Dessa vez o evangelista Lucas apresenta um italiano, chamado Cornélio. “Havia em Cesaréia um homem chamado Cornélio”(v.1). Cesaréia ficava 50 km de Jope, no litoral. Essa cidade era a capital administrativa da Judéia, com um esplendido porto construído por Herodes. Em Cesaréia havia uma guarnição romana. Ele era “...centurião da coorte, chamada italiana”. Na organização romana a legião ocupava o primeiro lugar, um total de seis mil soldados. Em cada legião havia 10 coortes, cada coorte de 600 homens. A corte estava dividida em centúrias, composta por cem soldados cada, sobre as quais mandava um centurião. Os centuriões eram a espinha dorsal do exército romano.
Cornélio, diz o evangelista Lucas,
“...era piedoso e temente a Deus com toda a sua casa...”. Ele era religioso,
era quase judeu, um prosélito, ou seja, significa que ele aceitou o Deus dos
judeus e reconheceu os mandamentos de Moisés e, que frequentava as reuniões na
sinagoga; mas que ainda não se tornara um devoto totalmente a Deus. Ser piedoso
e “temente a Deus”, não torna ninguém merecedor de salvação. E Diz que Cornélio “...orava sempre a Deus”,
no grego o termo orava significa “implorar”, “suplicar fervorosamente”, ou “pedir”.
O homem “continuamente” buscava algo específico de Deus, mas não nos é dito o
quê (At 10.2). Apesar de toda religiosidade judaica, o coração dele ainda
estava inquieto.
“Um dia”, diz o
evangelista Lucas, “mais ou menos às três horas da tarde”, que era a
hora de oração dos judeus (At 3.1), ou seja, Cornélio estava seguindo na
privacidade de sua casa essa observância judaica. Ele teve “...uma visão na
qual viu um anjo de Deus vir em sua direção e dizer: Cornélio” (At 10.3). Diante
dessa visão, ele “ficou atemorizado”, “com muito medo”, “possuído
de temor” e lhe pergunta: “O que é Senhor?” (At 10.4). O anjo lhe
diz que “suas orações e esmolas tinham subido para memória diante de Deus” (v.4).
De modo que ele deveria enviar mensageiros a Jope, para buscar Simão Pedro que
estava hospedado à beira mar na casa de Simão, o curtidor.
“No dia seguinte”, diz-nos Lucas, “...Pedro subiu ao terraço, para orar, era cerca de meio-dia” (At 10.9). “Estando com fome, quis comer: mas enquanto lhe preparavam a comida sobreveio-lhe um êxtase”, ou “uma visão” (VFL). Ele entrou em um estado mental alterado. “E viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol, atado pelas quatro pontas, e vindo para terra” (v.11). O que ele viu? “...havia todos os tipos de animais de quatro patas, de animais que se arrastam pelo chão e de aves” (v.12). Uma mistura de animais puros e impuros que provocaria repulsa em qualquer judeu ortodoxo.
Depois da visão, ele ouviu uma voz que lhe deu uma ordem surpreendente: “Levanta-te, Pedro: mata e come” (v.13). Mas Pedro respondeu: “Certamente que não, Senhor! Jamais comi algum impuro ou imundo...” (v.14). Mas, Deus lhe diz: “Não chame impuro ao que Deus purificou” (v.16). Pedro estava evocando a lei de Deus (Lv 11); Daniel não quis se contaminar com os alimentos servidos na mesa da Babilonia; manter a alimentação judaica era uma forma de mostrar devoção e amor a Deus. Mas Deus diz: “Mata e come”. Durante o ministério de Jesus, ele havia declarado que o que contamina os homens não é o que ele come, mas o que sai do seu coração (Mc 7.14-19). O fato de a visão ocorrer três vezes mostra como é difícil mudar percepções de um mundo profundamente arraigadas e sustentadas por proibições religiosas. “A mesma visão se repetiu três vezes. Então, subitamente, o lençol foi recolhido ao céu” (v.16 NVT).
“Não chame impuro ao que
Deus purificou”, koinos no grego é impuro, é um adjetivo para coisas
comuns, profana ou contaminadas. No
sentido cerimonial descreve algo que é o oposto de puro, sagrado e santo. Com o
tempo, a igreja passaria a amar o substantivo relacionado Koinonia, que descrevia
seu vinculo único em Cristo em termos de fraternidade, associação próxima,
comunhão e compartilhamento mútuo. Este seria o início da comunhão entre judeus
crentes e gentios.
Mas enquanto Pedro estava
perplexo sobre qual seria o significado da visão, ele estava completamente
perdido a ponto de não saber que caminho seguir: “...eis que os homens
enviados da parte de Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, pararam
junto à porta (v.17). E, chamando, indagavam se estava ali hospedado
Simão, por sobrenome Pedro (v.18). Então, enquanto meditava sobre Pedro
acerca da visão, disse-lhe o Espírito: Estão ai dois homens que te procuram;
levante-se, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque eu os enviei”
(At 10.20). Deus lhe dá uma ordem, para que não houvesse hesitação, dúvida, ou,
sem fazer distinção. Pedro vai entender que não se tratava de animais puros e
impuros, mas de pessoas: “Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse
comum ou imundo” (At 10.28).
2)
Pedro na casa de Cornélio.
No dia seguinte, Pedro e sua comitiva partiram para Cesaréia, em direção ao norte pela estrada costeira. Quando chegaram encontraram um grupo considerável à sua espera, pois Cornélio estava esperando por eles e tinha reunido não só os da sua própria casa mas também seus parentes e amigos íntimos (At 10.24). Quando Pedro chegou Cornélio “se jogou aos seus pés” – como se ele fosse uma figura angelical. Mas, Pedro o levantou, afirmando que ele também era apenas um homem.
Cornélio contou a visão a
história da visão do anjo e que estavam todos ali para ouvir o apostolo Pedro. “Estamos
todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir tudo o que foi ordenado da
parte do Senhor” (v.33). O apostolo Pedro inicia seu irmão afirmando que
Deus não faz acepção de pessoas e seguida começa sua exposição sobre o
evangelho. Primeiro, ele se referiu à vida e o ministério de Jesus. Sim, “Deus
ungiu a Jesus de Nazaré para sua obra como Messias...com Espírito Santo, com
poder”. O poder do Espírito Santo estava sobre JESUS. Para confirmar o ministério
de Jesus, Pedro diz: “...somos testemunhas, de tudo o que ele fez na terra
dos judeus e em Jerusalém” (v.39).
Depois, ele fala sobre a
morte de Jesus. As autoridades tiraram a vida de Jesus, crucificando-o, pendurando
numa cruz. Mas, por trás da execução humana, havia uma vontade, um desígnio. Ele
estava carregando, em nosso lugar, a maldição ou julgamento de Deus pelos
nossos pecados. Mas, Jesus ressuscitou, diz o apostolo Pedro. “Mas Deus o
ressuscitou no terceiro dia e permitiu que ele fosse visto” (v.40). Depois
de ressuscitar nos deu uma ordem: “Nos mandou pregar ao povo e testemunhar”, sim,
somos testemunhas de Cristo. O Mandato de Jesus: ‘E recebereis poder do
Espirito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em
Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra” (At
1.8). E, o apostolo Pedro, finaliza afirmando: “Eles deviam testificar que
ele voltaria no dia do juízo, porque ele foi constituído por Deus juiz de vivos
e mortos” (At 10.42).
Conclusão
Enquanto “Pedro falava essas coisas...caiu o Espírito Santo sobre todos os gentios que ouviram a palavra e creram” (v.44). Todos ficaram maravilhados diante do poder que desceu sobre todos que estavam ali: “Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus” (v.46). Por fim, “sejam batizados em nome do Senhor”. Primeiro, foram batizados no Espirito Santo, começaram a falar em outras línguas, depois, diante de todos, foram batizados nas águas, selando o compromisso com Jesus.






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